A Rainha da Música Que Viveu Um Pesadelo Macabro Dentro da Própria Casa
A Rainha da Música Que Viveu Um Pesadelo Macabro Dentro da Própria Casa
Ela tinha uma voz que parecia um trovão vindo do céu. Uma presença em palco tão selvagem, tão poderosa e magnética que qualquer homem ou mulher que estivesse na plateia ficava paralisado. Ela foi a rainha absoluta do funk do Soul, vendeu dezenas de milhões de discos, conquistou 10 prémios Grammy e fez o mundo inteiro dançar ao som de verdadeiros hinos de empoderamento e liberdade.
Mas por trás daquela cabeleira volumosa, daquele sorriso radiante e daquela voz capaz de partir taças de cristal, existia uma mulher que passou décadas a viver no mais absoluto inferno. mulher que andava armada com um revólver aos 14 anos de idade, que viu o próprio marido tentar assassiná-la enquanto ela estava grávida, que gastava fortunas diárias para afundar o cérebro em cocaína, álcool e heroína, e que esteve a poucos segundos de morrer da mesma overdose que tirou a vida a Whitney Houston e a Prince, os dois maiores amigos da sua
vida. E o pior de tudo, uma mãe que viu a própria casa se transformar numa cena de crime sangrenta quando o próprio filho disparou um tiro de espingarda na cara do melhor amigo. Esta mulher é Shaka Cana. E o que vai ouvir agora não é apenas a biografia de uma estrela da música dos anos 70 e 80.
É uma viagem brutal sobrevivência, vícios incontroláveis, violência doméstica, tragédias familiares e o preço impagável que a fama cobra a quem brilha intensamente demais. Fica comigo até ao fim, porque a história por detrás destes clássicos que dançaste a vida inteira vai mudar completamente a forma como ouve cada uma destas músicas.

Se ama a verdadeira era dourada da música internacional e não quer deixar que estas lendas sejam esquecidas, já deixa o teu like agora e subscreve no canal. Está no Cultura Nostálgica. Antes de eu te contar como é que esta mulher quase perdeu a própria vida dezenas de vezes, tenta puxar da sua memória.
Se viveu os anos 70, 80 ou os bailes de flashback dos anos 90, você com certeza já ouviu este teclado inconfundível. Já ouviu aquela introdução mágica e aquela explosão de energia que fazia com que todos levantar da cadeira nos bailes, nas festas de garagem e nos encontros de fim de semana.
No Brasil, esta voz ecoou em rádios FM, de uma ponta à outra do país, tocou em novelas, embalou romances e tornou-se sinónimo de elegância e poder. Só que enquanto o Brasil e o mundo cantavam que não havia ninguém melhor, a dona dessa voz estava fechada em quartos escuros de hotel, com o coração a bater a mais de 200 batimentos por minuto, rezando para que a próxima carreira de pó não fosse a última.
Para entender como uma das maiores divas de todos os tempos chegou à beira do abismo, a gente precisa de voltar para o início dos anos 50, nas ruas frias e segregadas do lado sul de Chicago. Ela não nasceu rica, não nasceu em berço de ouro. O nome de seu batismo foi Ivette Marie Stevens, nascida em 23 de março de 1953. Chicago, naquela altura era uma panela de pressão. A segregação racial era brutal.
A pobreza castigava os bairros negros e a violência policial era uma constante diária. E Vet cresceu num ambiente caótico. O pai era um fotógrafo boio e a mãe tentava a todo o custo manter os cinco filhos alimentados e na linha, mas a a música era o único refúgio dentro daquela casa humilde.
Aos 11 anos, ela já cantava Jazz e Soul com uma facilidade assustadora, imitando lendas como Billy Holiday e Gled. Só que a realidade das ruas bateu-lhe à porta cedo demais. Em 1968, quando Martin Luther King foi assassinado a tiro, a cidade de Chicago explodiu em chamas. As revoltas raciais tomaram conta das esquinas.

Prédios foram incendiados. Tanques da Guarda Nacional invadiram as ruas e a jovem Ivete, com apenas 14 anos, sentiu uma fúria incontrolável arder no peito. Ela não queria apenas cantar, queria lutar. Foi nessa altura que ela se juntou aos Panteras Negras, o grupo revolucionário mais temido e vigiado pelo FBI nos Estados Unidos.
Aos 14 anos, quanto a maioria das adolescentes pensava em festas e namoros de liceu, ela usava um blusão de cabedal boina preto e transportava uma arma calibre 38 à cintura todos os dias. Foi batizada por um líder Iorubá com o nome que o mundo inteiro viria a conhecer. Shaka, Aduni, Adufe, Rodar, Carif, Kan. [canto][música] Mas o destino dela não era a guerrilha urbana.
Uma tarde, durante um treino do C8 e Panteras Negras, colocaram-lhe uma arma pesada na mão e mandaram-na apontar ao alvo. Chaka olhou para o revólver, olhou para o própria mão e sentiu um calafrio na espinha. Ela percebeu que se continuasse nesse caminho, ela acabaria morta em um tiroteio com a polícia ou apodrecendo numa cela de prisão perpétua antes dos 20 anos.
Ela largou a arma na mesa, saiu do quartel general e decidiu que a única arma que usaria pelo resto da vida seria a própria voz. Ela abandonou a escola, começou a cantar em pequenos clubes decadentes de Chicago e, no início dos anos 70 cruzou o caminho de uma banda de funk e rock que mudaria a história da música. O Rufus.
O Rufus tinha músicos brancos e negros, uma mistura explosiva de rock psicodélico com funk pesado. Mas faltava uma coisa, faltava uma líder, faltava alguém que tivesse fogo suficiente para comandar aquele pau. Quando o Shakakan subiu no ensaio e abriu a boca pela primeira vez, os músicos ficaram boque abertos.
Era um alcance vocal absurdo, uma afinação cirúrgica e uma sensualidade crua que ninguém conseguia ignorar. Em 1974, aconteceu o grande divisor de águas, um jovem compositor cego que já era uma lenda viva da Mtown, ouviu a voz de Shaka em uma fita demo e ficou obsecado. O nome dele Steve Wonder. Steve foi pessoalmente até o estúdio onde a banda estava gravando.
Ele sentou no teclado e começou a tocar uma linha de baixo cheia de swing com um pedal de efeito na guitarra que parecia falar. Ele olhou na direção de Chaka e disse: “Eu escrevi essa música para você. Canta quando a faixa foi lançada em 1974, ela explodiu como uma bomba no mundo inteiro. Ficou entre as três mais tocadas nos Estados Unidos.
estourou nas rádios do Brasil e rendeu a banda o seu primeiro Gramy. Takakan, com apenas 21 anos, tinha se tornado uma super estrela da noite para o dia. O público brasileiro ouvia aquela voz rasgada e sensual e tentava imaginar quem era aquela mulher capaz de cantar com tanta autoridade. Se você lembra da primeira vez que ouviu o Rufus ou a voz inconfundível de Shakaan, deixa aqui nos comentários.
escreve a cidade e a época em que você ouvia esses sucessos, essa troca de memórias é o coração do nosso canal. Mas sabe o que acontece quando a fama chega rápido demais para alguém que veio do nada? O dinheiro começa a jorrar, as tentações se multiplicam e os demônios que estavam adormecidos acordam famintos. Por volta de 1975, o Rufus estava no topo do mundo com sucessos como Sweet Thing, outra canção que tocou a exaustão no Brasil.
Mas nos bastidores, a vida de Shakakan estava virando um pesadelo silencioso. O primeiro grande trauma veio nos relacionamentos. Chaka se casou muito jovem, primeiro com Hassan Kh e depois com Richard Holland, só que o ambiente dentro de casa era de pura violência. Em sua autobiografia lançada anos depois, ela fez revelações de arrepiar.
Ela contou que viveu relacionamentos tão tóxicos e destrutivos que a agressão física era quase rotina. Houve uma noite aterrorizante em que durante uma discussão brutal em Los Angeles, enquanto ela estava grávida de 8 meses do seu primeiro filho, o marido puxou uma arma de fogo e disparou de um tiro na direção dela dentro de casa.
A bala passou raspando por sua cabeça e cravou na parede. Ela teve que correr no meio da noite, no escuro, desesperada, para proteger o bebê que carregava no ventre, para aguentar o medo, a pressão esmagadora das turnês e a solidão que a fama traz, Shaka encontrou o pior refúgio possível, a cocaína. Nos anos 70, a cocaína era tratada nos bastidores da indústria musical americana, quase como se fosse café.
Estava em todas as mesas de estúdio, em todos os camarins, nos bolsos dos empresários e nas festas pós show. Chaka começou usando para conseguir ficar acordada durante as longas sessões de gravação que varavam à madrugada. Só que em pouco tempo o uso recreativo virou uma dependência química severa e incontrolável. Ela mesma admitiu anos mais tarde, a cocaína me dava a ilusão de que eu era invencível, de que eu podia cantar qualquer nota, de que nada podia me machucar.
Mas na verdade ela estava comendo a minha alma aos pedaços. Ela misturava quantidades monumentais de cocaína com garrafas inteiras de conhaque, vodica e calmantes pesados. Houve períodos em que Chaka passava quatro, cco dias inteiros sem dormir, trancada em quartos de mansões em Beverly Hills, tendo alucinações paranoicas de que a polícia estava invadindo a casa ou de que alguém queria matá-la.
Ela subia ao palco completamente dopada, com o nariz sangrando nos intervalos entre as músicas, enxugando o sangue nas toalhas do camarim antes de voltar para os holofotes. E o mais assustador de tudo, o público não percebia nada, porque quando ela pegava o microfone, a voz saía perfeita. O talento dela era tão monstruoso que mascarava a destruição do próprio corpo.
Em 1978, a tensão dentro da banda Rufus ficou insustentável. Os outros integrantes tinham ciúmes da atenção que Shaka recebia. As capas dos discos já já não traziam o nome apenas da banda. As gravadoras exigiam que estivesse escrito em letras garrafais. Rufus featuring Shakakan. A separação era inevitável.
Foi então que o lendário produtor Quincy Jones, o homem que transformaria Michael Jackson no maior estrela da história, olhou para Chaka e disse: “Chegou a sua hora de voar sozinha. Quince colocou-a em contacto com os compositores Nicholas Ashford e Valery Simpson. Eles entregaram-lhe uma canção que não era apenas uma música, era um manifesto de poder feminino.
O título era I’m Every Mulher. Quando a música foi lançada no finais de 1978, o mundo parou. Aquela linha de baixo contagiante, a introdução grandiosa e o refrão poderoso fizeram com que a canção Dominar as discotecas de todo o planeta. No Brasil, I’m Every Woman tornou-se uma febre absoluta. Não existia uma festa, uma danceteria ou um baile nos anos 70 e 80 que não tocasse esta música no volume máximo.
As mulheres sentiam-se empoderadas, os jovens dançavam até ao chão e Shakaan consolidava-se como a grande diva negra internacional. 14 anos depois, em 1992, essa mesma música seria regravada por Whitney Houston para a banda sonora do filme O Guarda Costas, se tornando-se novamente um sucesso multibilionário.
E no clip de Whitney, Shakakan fez uma aparição especial, sendo venerada pela própria Whitney. Dizia sempre com orgulho: “Hacak é a a minha mãe musical”. Aprendi a cantar ouvindo esta mulher, mas enquanto o mundo celebrava I’m Every Woman, a mulher real por detrás do microfone estava afogando-se em dívidas emocionais e químicas.
Se faz parte desta maravilhosa geração que viveu a época em que a música tinha alma, harmonia e instrumentos de verdade, deixa o seu like agora. Histórias reais como esta precisam de continuar viva. No início dos anos 80, a carreira a solo de Shaka continuava em alta com canções sofisticados como Papilon, Hot Butterfly e What gonna do for Me, que tocaram muito no Brasil, principalmente nas madrugadas das rádios especializadas em soul e smooth jazz.
Mas o corpo dela começou a cobrar a conta de tantos anos de abusos contínuos. As overdoses começaram a tornar-se frequentes. Em várias ocasiões, amigos e produtores a encontraram-se inconsciente no chão do estúdio, com os lábios roxos e a respiração quase imperceptível. Médicos particulares eram chamados à pressa no meio da noite para aplicar injeções e reanimar a cantora antes que a imprensa descobrisse o que se estava a passar.
Ela estava a gastar milhares de dólares por semana para sustentar o vício dela e das pessoas que o rodeiam que se aproveitavam da sua generosidade e de o seu estado vulnerável para sugar todo o dinheiro que ela ganhava com os espectáculos e royalties. E, depois, em 1984, surgiu a parceria que [a música] redefiniria a música pop e colocaria Shaka no topo do mundo mais uma vez, ao mesmo tempo em que ela aproximaria de uma das mais brilhantes e perigosas amizades da sua vida.
Estamos em 1984. O hip hop estava a nascer nas ruas de Nova Iorque. A música eletrónica começava a invadir as paradas e o O lendário cantor Prince tinha escrito uma música chamada I feel for you. Shaka decidiu gravar a faixa, mas com uma produção completamente revolucionária para a época.
Eles chamaram ninguém menos que o rapper Grand Master, Mel, para fazer a introdução. É aquele famoso início que toda a gente que viveu os anos 80 sabe de cor. Tchaca. Para completar o génio, chamaram Steve Wonder para gravar um solo de gaita de boca de chorar no meio da música. O resultado, uma obra-prima atemporal.
I feel for you foi uma explosão global. chegou ao primeiro lugar em diversos países, vendeu mais de 1 milhão de exemplares só nos Estados Unidos e valeu a Shak mais dois prémios Gramy. No Brasil, a música tornou-se uma febre sem precedentes. Tocava nas rádios AM e FM. De hora a hora tocava nos programas de auditório da televisão brasileira, que era a faixa obrigatória para abrir qualquer pista de dança nos anos 80.
A música selou uma amizade profunda entre Shakaan e Prince. Os dois eram almas gémeas musicais. Ambos eram gosravagantes. Ambos tinham uma criatividade que não cabia neste mundo. E ambos partilhavam dores internas que ninguém de fora conseguia compreender. Eles passavam noites inteiros no estúdio Basley Park compondo, rindo, desabafando sobre as dores da indústria musical e trocando segredos que guardariam para o resto da vida.
Só que essa mesma ligação com Prince e anos mais tarde com Whitney Houston traria a Shaka os golpes mais devastadores da sua existência. Comenta aqui em baixo. Lembra-se onde estava quando ouviu Shaka Shaka Shaka K tocar pela primeira vez nos anos 80? Deixa a sua memória aqui nos comentários. Logo depois do estrondoso sucesso de I Feel for you, Shaka lançou uma balada romântica monumental composta por David Foster Through the Fire.
Esta música é considerada pelos críticos vocais em todo o mundo como uma das performances mais difíceis. defeitas e viscerais já gravadas por um ser humano. A letra fala sobre atravessar o fogo, suportar a dor, arriscar tudo por amor e não recuar mesmo quando tudo parece perdido.
No Brasil, esta balada tocou até desgastar as cassetes, tornou-se trilha de romances inesquecíveis e mostrou que a voz de Shakakan não tinha limites técnicos nem emocionais. Só que a profecia da letra se cumpriu da pior forma possível. Shakakan teve mesmo de atravessar o fogo e o fogo quase a destruiu por completo.
Nos anos 90 e 2000, o uso de drogas de Chaka tomou um rumo ainda mais sombrio com o passar da idade e as dores crónicas pelo corpo. Decorrentes de décadas de apresentações pesadas, com sapatos de salto alto e movimentos intensos em palco, ela começou a usar analgésicos opióides fortíssimos sob prescrição médica, incluindo o fentanil. O fentanil é uma substância dezenas de vezes mais potente que a morfina.
É uma droga traiçoeira que causa dependência química imediata e que desliga o sistema respiratório em questão de minutos, caso haja uma dose minimamente acima do limite. Ja se viu presa numa armadilha dupla. Se tentava parar com os medicamentos. O corpo entrava numa abstinência violenta com tremores, vómitos e dores insuportáveis.
se continuava a tomar, caminhava a passos largos em direcção ao túmulo, mas nenhuma dor física, nenhuma crise de abstinência e nenhum vício se comparou à tragédia inimaginável que aconteceu dentro da sua própria casa no dia 24 de setembro de 2004. Nessa altura, Shaka vivia numa mansão luxuosa em São Fernando Valley, na Califórnia.
O filho dela, Damian Holland, então com 25 anos de idade, vivia com ela. Dean tinha crescido no meio do turbilhão da fama da mãe, rodeado de luxo, mas também testemunhando de perto as brigas, os vícios e a instabilidade emocional da família. Naquela fatídica tarde de setembro, Damian convidou um amigo de infância de 17 anos chamado Cristóvão Bailey para passar o dia na casa.
Christopher era como um membro da família, frequentava a casa há anos. Segundo os relatórios policiais e o processo judicial, em plena noite começou uma acesa discussão entre os dois rapazes por causa de uma rapariga e de conversas paralelas. A discussão subiu de tom rapidamente.
Damian, completamente alterado, foi ao quarto, pegou num espingarda de assalto M16 que estava guardada na residência e regressou à sala. Durante a discussão, a espingarda disparou. O tiro atingiu Christopher Bailey em cheio no rosto. O jovem de 17 anos caiu ensanguentado no chão da mansão e morreu de imediato sem qualquer hipótese de socorro.
A mansão de Shaka foi imediatamente cercada por viaturas polícia com sirenes ligadas, ambulâncias e dezenas de equipas de televisão e repórteres sensacionalistas de todo o mundo. Damian Holland foi detido em flagrante no local e acusado formalmente de homicídio em primeiro grau. Shaka Kan, que estava fora de casa no momento exato do disparo, entrou em estado de choque catatónico.
A imprensa mundial caiu em cima dela como a Butres. Jornais estampavam a foto de Shaka ao lado de fotos do sangue na sala e do corpo do jovem Christopher. O julgamento durou quase dois anos, entre 2004 e 2006. Shaka teve de se sentar nos bancos gelados do tribunal todos os dias perante os juízes, os jurados e a família inconsolável de Christopher, que ela conhecia [a música] desde criança.
Ela teve de testemunhar sobre juramento, ver o próprio filho algemado, usando o uniforme de recluso laranja e encarar a possibilidade real de ver o o seu menino ser condenado à prisão perpétua. Em 2006, o Juri finalmente considerou que o disparo tinha sido acidental durante uma luta física pela arma.
E Damin foi absolvido da acusação de homicídio doloso, mas a família da vítima interpôs um processo milionário por negligência. Embora o filho tenha escapado da prisão perpétua, a alma de Shakaan nunca mais foi a mesma. Uma vida tinha sido ceifada dentro do o seu próprio lar. A culpa, o horror das imagens e a dor da perda destruíram o que restava da sua paz de espírito.
Ela afundou ainda mais profundamente nas drogas e no isolamento. E como se o pesadelo não bastasse, os anos seguintes trouxeram berdas que arrancaram pedaços do seu coração. No dia 11 de fevereiro de 2012, o mundo recebeu a notícia estarrecedora. Whitney Houston tinha sido encontrada morta na banheira de um quarto de hotel em Beverly Hills aos 48 anos de idade.
Afogada após consumir cocaína e medicamentos controlados, Takakan perdeu o chão. Whitney não era apenas sua fã e sua protegida, era como que uma filha mais nova que viu crescer. Já deu entrevistas públicas chorando copiosamente com uma revolta profunda contra a indústria da música.
Ela disse com todas as letras: “Esta indústria é uma máquina que mastiga as pessoas e cospe os ossos”. Todos à volta de Whitney sabia que ela estava a afundar-se e ninguém fez nada para dar a mão dela. Só queriam que ela subisse ao palco e fizesse dinheiro. 4 anos depois, no dia 21 de abril de 2016, veio o golpe de misericórdia.
Príncipe, o o seu irmão de alma, o homem que compôs I Feel for you e que esteve ao lado dela nos momentos mais difíceis, foi encontrado morto dentro de um elevador na sua propriedade no Minnesota a causa da morte, uma overdose acidental de fentanilo, exatamente a mesma substância que Shakakan vinha tomando diariamente para suportar as próprias dores.
A morte de Prince foi o choque de realidade definitivo. Chaka olhou para si própria ao espelho e percebeu que ela seria a próxima se ela não tomasse uma atitude drástica naquele preciso momento. O mundo estaria a noticiar a sua morte por overdose nas semanas seguintes. No mesmo mês da morte de Prince em 2016.
Shakakan chamou a sua irmã Takaabum, pegou nas malas e se internou voluntariamente numa clínica de reabilitação fechada para tratar o vício mortal em fentanil e analgésicos. Ela emitiu um comunicado público corajoso, dizendo: “A morte do meu querido amigo príncipe fez-me acordar. Percebi que estou a lutar pela minha própria vida e não vou deixar que essa substância vença.
Eu quero viver. Foram meses de internamento rigorosa, desintoxicação pesada, terapia diária e sofrimento físico, enquanto o corpo espelia anos de veneno acumulado. Mas [a música] pela primeira vez em mais de quatro décadas, Shakakan conseguiu vencer a batalha contra os próprios demónios. Ela saiu da reabilitação limpa, sóbria e renascida.
Hoje, com mais de 70 anos de idade, Shakakan continua no ativo. Ela é uma sobrevivente de guerra no sentido mais puro da palavra. Ela sobreviveu à violência urbana de Chicago, aos tiroteios, aos abusos domésticos. Há mais de 30 anos de dependência de cocaína, álcool e opióides, a tragédia do filho e a dor insuportável de enterrar os seus maiores companheiros de música.
Em 20253, ela foi finalmente introduzida no cobiçado rock and roll Hall of Fame, recebendo a homenagem máxima que um artista internacional pode sonhar em vida. As plateias ainda se levantam-se para a aplaudir de pé, comovidas ao ver que aquela mesma mulher que cantava no Rufus nos anos 70 consegue ainda soltar uma das vozes mais potentes e emocionantes que a humanidade já ouviu.
A história de Shakakan é uma lição profunda sobre resiliência humana. Ela ensina-nos que o o talento [a música] é uma dádiva divina, mas que a fama deslumbrante pode ser uma jaula mortal se não tiver forças para lutar contra a escuridão. Ela não foi apenas a mulher para todas as as horas, como cantava no seu maior sucesso.
Ela foi a mulher que encarou o inferno de frente, ardeu em chamas, mas recusou-se a transformar-se em cinzas. E agora, cada vez que ouvir o teclado inconfundível de Ain Nobody, o arrebatador refrão de I’m Every Woman ou os agudos inacreditáveis de Tire tocando no rádio ou no som do seu automóvel, não vai apenas ouvir uma música bonita dos anos 70 e 80.
Vai lembrar-se da mulher de carne, osso, cicatrizes e dor que necessitou atravessar o fogo para deixar esse legado eterno para todos nós. Se essa história tocou-o e fez-lhe viajar no tempo, não te esqueças de deixar o teu like agora. Partilha este vídeo com aquele amigo ou familiar que ama a música de verdade e que viveu os melhores anos da nossa história.
E se ainda não está inscrito, clica no botão de inscrição e ativa o sino para não perder nenhuma das nossas histórias. Comenta aqui em baixo qual é a a sua música favorita de Shaka Can. Deixa o nome dela gravado nos comentários.