RENNER DESABAFA SOBRE O QUE IMPEDIU DE ESTAR NO HELICÓPTERO COM RICK – H

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Tinha lugar a sobrar naquele helicóptero. A aeronave era um Bell 430, com capacidade para oito pessoas, sete delas passageiros. Naquela segunda-feira embarcaram cinco: um cantor, um empresário, um videasta, um piloto e um copiloto. Poltronas vazias, espaço de sobra. E quando o Brasil soube que aquele helicóptero tinha desaparecido na serra de Santa Catarina, com o Rick a bordo, milhões de pessoas fizeram a mesma conta de cabeça.

Se tinha lugar, por o Renner não estava lá dentro? O que impediu o companheiro de quase 40 anos de embarcar ao lado dele? A resposta existe e ela é tão simples que chega a assustar. Não foi um pressentimento, não foi uma luta, não foi um atraso no aeroporto, nem um malestar de última hora. O que separou Henner daquele voo foi uma coisa que qualquer trabalhador conhece e que ninguém imagina que possa mudar uma vida, uma folga na agenda.

Neste vídeo vai perceber exatamente o que manteve longe daquele helicóptero, o que ele desabafou passados dias trancado no próprio silêncio e por essa distância que lhe salvou a vida é também o que torna esta perda tão difícil de transportar. E já que a gente está a falar de agenda, de rotina, de pequenas decisões, quero começar por uma pergunta para si.

Você acredita em destino ou pensa que a vida é feita de coincidências? Escreve aqui nos comentários: destino ou coincidência. No final do vídeo, tenho a certeza que vai pensar de novo nessa resposta. Comecemos pelo momento em que a pergunta explodiu. Na tarde de segunda-feira, 21 de setembro, a notícia começou a espalhar-se.

Um helicóptero que tinha levantado de Porto Belo no litoral norte catarinense rumo a São Joaquim na serra tinha perdido a comunicação na região de Urubiti e a bordo estava Rick da dupla com Renner. Em poucos minutos, as redes sociais tornam-se encheram de uma dúvida angustiante. O Renner estava junto? Os dois tinham sumido.

Para muita gente era natural pensar que sim. Durante décadas, Rick e Henner foram vistos praticamente sempre lado a lado, em palco, nos programas de televisão, nas entrevistas, nas fotos de divulgação, nas capas dos discos. O público se habituou a ver os dois como uma unidade. Pensar Henrique viajar sem Henner parecia quase estranho.

No meio do caos, com informação desencontrada circulando por todo o lado, a equipa da dupla pediu cautela. pediu, por respeito às famílias e a todos os envolvidos, que ninguém partilhasse informações que não estivessem confirmadas. E logo em seguida veio a confirmação que tirou um peso do coração de muitos fãs, mas que ao mesmo tempo deixou tudo ainda mais doloroso.

Renner não estava a bordo e o motivo foi explicado pela própria assessoria da dupla em declarações para órgãos como a revista Quem e a CNN Brasil. Segundo a equipa, os dois não tinham nenhum compromisso profissional marcado para essa segunda-feira. Não havia espetáculo, não havia evento, não havia gravação. A viagem de Rick era particular, sem qualquer relação com a agenda da dupla.

E como não existia compromisso conjunto, cada um seguiu o o seu próprio caminho nesse dia. Foi isso. Foi isso que impediu Renner de estar naquele helicóptero, uma segunda-feira sem agenda. E é importante perceber como funciona a vida de uma dupla sertaneja fora do palco. Quem assiste de longe imagina os dois colados 24 horas por dia, 7 dias por semana. Mas não é assim.

Cada membro tem a sua própria casa, a sua própria família, os próprios amigos, os próprios negócio, os próprios compromissos. O que une a dupla é a agenda de trabalho. Quando há espetáculo, estão juntos. Quando não tem, cada um vive a sua vida. Ricardo e Renner eram assim, como praticamente todas as duplas do país.

E naquela segunda-feira, a agenda de trabalho simplesmente não existia. Parece pouco, não parece? A gente espera sempre uma explicação grandiosa para as coisas grandiosas. Espera uma história de premonição, um aviso, um sonho estranho na véspera. Mas a vida real costuma ser muito mais simples e precisamente por isso, muito mais assustadora.

A diferença entre estar e não estar nesse voo foi a mesma diferença que existe entre um dia de trabalho e um dia de folga. Agora, para perceber porque naquela segunda-feira não existia compromisso, precisamos de olhar para o fim de semana anterior, porque até ao sábado Rick e Henner estiveram juntos. Na sexta-feira, dia 18, os dois cantaram em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para uma multidão.

No sábado, dia 19, fizeram uma apresentação particular em Sorriso, no norte do Mato Grosso, numa festa de 15 anos. Foi aí que a dupla subiu ao palco junta pela última vez. Encerrada esta apresentação, o fim de semana de trabalho estava cumprido. A agenda da dupla, pelo menos naqueles dias seguintes, estava livre.

E depois cada um foi para um lado. É assim que funciona a vida na estrada. Quem passa o ano inteiro a viajar juntos, dividindo autocarro, avião, hotel, camarim e palco, aproveita cada intervalo para respirar, para ver a família, para resolver as próprias coisas, para ter um pouco de vida individual a meio de uma carreira que é, por definição, coletiva.

Renner seguiu a sua vida, Rick seguiu a dele e Rick foi para Santa Catarina. Imagina como foi a despedida entre os dois depois daquele sábado em sorriso. Provavelmente nada de especial. Um abraço rápido, um adeus, um até a próxima. Da forma que acontece depois de qualquer espectáculo, depois de qualquer fim de semana de trabalho.

Nenhum dos dois tinha razões para imaginar que aquele até à próxima não teria próxima. É assim que as despedidas mais importantes da vida costumam acontecer, sem que nós saiba que são despedidas. Aí tinha compromissos pessoais e dá para saber exatamente como seria aquela segunda-feira, porque o próprio Rick contou num áudio enviado a um funcionário pouco antes de desaparecer.

Segundo a assessoria da câmara municipal de São Joaquim, o destino era um encontro com o presidente da Câmara da cidade, José Teodoro de Cena Amaral. O grupo tinha um almoço previsto numa vinícula da região, a Leão de Venésia. A expectativa era de que Rick e os acompanhantes lá chegassem por volta do meio-dia.

No áudio confirmado pela assessoria, Rick falava com a tranquilidade de quem está só organizando o dia. Pediu que o funcionário ficasse num ponto em que o telemóvel funcionasse, porque dentro do condomínio o sinal por vezes falhava, e explicou: “Vou agora para São Joaquim. Vou almoçar lá a São Joaquim. Depois desço, vamos para Rancho Queimado.

Rancho Queimado, na grande Florianópolis era onde tinha uma casa. A previsão era chegar por volta das das 15h. Rick pediu-lhes que passassem as coordenadas para o desembarque sair certinho. Horas antes, tinha publicado nas redes um vídeo ao lado da aeronave, um registo despreocupado destes que qualquer pessoa faz antes de uma viagem.

Esse vídeo depois rodou o Brasil inteiro. Com Rick estavam o empresário Bruno Avelar, criador do projeto O Poder do Network, que ia completar dois meses de casado. O videasta Paulo Soares, o piloto António Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira. Repara numa coisa, não era uma viagem ligada à música, não era uma viagem ligado à dupla, era um almoço, um encontro, um regresso a casa.

O tipo de compromisso em que a presença do parceiro de palco simplesmente não fazia sentido. Não havia motivo nenhum para Henner estar ali e é exatamente por isso que não estava. Vale a pena reparar também em quem estava ao lado de Rick. Bruno Avelar era um empresário ligado a um projeto de networking, um universo de negócios e contactos bem diferente dos palcos e dos estúdios.

O videógrafo Paulo Soares registava a viagem. Era um grupo reunido por compromissos pessoais e profissionais de Rick fora da música. Nada ali passava pela dupla. Se fosse um espectáculo, uma gravação, uma participação num evento, o nome de Renner estaria automaticamente na lista. Mas não era e o lugar que poderia ser dele ficou vazio. Agora quero saber de ti.

Alguma vez escapou de alguma coisa por um detalhe? Um voo que não apanhou, uma viagem que foi cancelada, um local onde devia estar e não foi. Conta essa histórias aqui nos comentários. Tem muita gente que transporta uma experiência assim e nunca falou sobre ela. O helicóptero perdeu a comunicação durante a travessia da serra.

A região enfrentava uma frente fria, com chuva e visibilidade baixa. A investigação é que vai dizer se o tempo teve relação com a queda. O que se sabe é que as condições tornaram as buscas muito mais difíceis. O horário combinado já passou. O funcionário contou depois que mandou mensagem, tentou ligar, ninguém atendeu.

As pessoas que trabalhavam com Rick também não conseguiam contacto. E então iniciou-se a mobilização. Força aérea brasileira, corpo de bombeiros, Polícia Militar, Defesa Civil, cerca de 40 bombeiros, cães farejadores, drones térmicos, mais de 10 viaturas. As buscas chegaram a concentrar em dois pontos.

A cerca de 30 km de distância um do outro, a Fabi colocou no ar aeronaves de busca e um helicóptero Black Hawk vindo de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. E Renner, ele estava longe, seguro, fora daquela aeronave, mas não estava em paz. No fim da noite de segunda-feira, ainda sem nenhuma resposta, a Renner publicou uma mensagem.

Foi o seu primeiro desabafo, curto, contido, mas carregado de medo. Escreveu: “Neste momento de angústia e incerteza, unimo-nos em pensamentos positivos e orações pela procura do helicóptero que transportava o Ricardo. Falou em manter a fé e a esperança e pediu que todos se juntassem em oração. Pensa na posição em que ele estava.” Não estar naquele helicóptero significava estar vivo, mas significava também estar do lado de fora, sem poder fazer nada, sem poder ajudar, sem poder estar perto, à espera de notícias como qualquer outra pessoa do país. A mesma

agenda vazia que o protegia era a que agora deixava-o impotente. Enquanto as horas passavam, a esperança ia mudando de forma. No início, muita gente acreditava que o helicóptero tinha feito uma aterragem de emergência em algum ponto isolado, sem sinal de telemóvel, e que todos estavam bem, só à espera do resgate.

Depois, a esperança passou a ser de encontrar alguém ferido, mas vivo. Fãs que tinham estado no concerto de Campo Grande três dias antes, contaram que passaram a noite a imaginar Rick caído no meio da floresta, ferido aguardando socorro. Renner com certeza passou por cada uma destas fases e cada hora sem notícias pesava mais do que a anterior.

Na terça-feira, dia 22, depois de cerca de 13 horas de buscas, os destroços foram encontrados numa zona de floresta densa e de acesso muito difícil. Vídeos divulgados mostram equipas do Corpo de Bombeiros a chegar ao local. A aeronave estava completamente destruída. Não houve sobreviventes. O Rick tinha faleceu aos 59 anos juntamente com as outras quatro pessoas que seguiam a bordo.

Segundo a imprensa, quando a notícia chegou, Renner necessitou de assistência médico. Segundo o que foi divulgado, uma mensagem de um sobrinho do piloto ajudou a indicar o caminho até ao local onde os destroços estavam. Uma pequena pista no meio de uma operação gigantesca. E foi também numa aeronave da FAB, sobrevoando a mata, que a equipa conseguiu avistar o que restava do helicóptero.

A partir dali, já não havia espaço para a esperança, só para a despedida. E aqui Faço uma pausa para te pedir uma coisa. Escreve nos comentários uma mensagem para o Renner. Não precisa de ser longa. Uma oração, uma recordação, uma palavra de força. Quem sabe se essas mensagens não lhe chegam. Para perceber o tamanho deste golpe, é preciso perceber quanto tempo estes dois passaram a viajar juntos.

Porque a ironia desta história é cruel. Ricardo e Renner passaram quase 40 anos a dividir estrada e precisamente na viagem que terminou em tragédia, estavam separados. A dupla nasceu em Brasília em 1986. Os dois começaram por cantar em casas noturnas. Rick, natural de Monte do Carmo, no Tocantins, trazia a música do interior, das feiras, das rádios de estrada.

Henner, natural de Patos de Minas, em Minas Gerais, gostava de Legião Urbana, capital inicial, para lamas do sucesso. Dois mundos diferentes que se tornaram uma só voz. Com a ajuda de Zezé de Camargo, que convidou os dois para viver em São Paulo e apresentou-os a gente importante do meio musical, a carreira arrancou.

Numa entrevista ao canal do André Punte, Rick contou como foi esse começo. Ele disse: “Gravei o primeiro disco com os Henner em 1992 e em 1993 foi que realmente aconteceu.” Despontou. Foi aquela loucura. Aquela loucura. É uma boa palavra para descrever o que veio depois. Em 1998, ela é demais. Rebentou no Brasil inteiro e a lista de êxitos foi crescendo.

Moleca. Fim de semana, o amor e eu. Só pensando em si. Você e em 2001, filha. A música que Rick escreveu para a própria filha e que se tornou trilha de festa de debutante no país inteiro. Estima-se que em 25 anos a dupla cantou para cerca de 225 milhões de pessoas com uma média de 15.000 por concerto.

faz a conta de quantas estradas isso representa, quantos aeroportos, quantas madrugadas dentro de autocarro, quantas viagens de avião, de carro, de carrinha, quantos voos juntos durante décadas, onde esteve o Rick, estava o Henner e vice-versa. Estrada é um lugar que cria intimidade. Quem viaja juntos há tanto tempo conhece as manias do outro.

O humor de manhã cedo, o cansaço depois do concerto, o silêncio de quem está com saudades de casa. Divide refeição em posto de abastecimento de combustível. Divide a espera em aeroporto. Divide a tensão antes de subir ao palco e a alegria depois de ouvir o público a cantar junto. Rick e Henner viveram isso durante décadas.

É por isso que a ausência de Henner nesse voo chamou tanta atenção, não porque fosse estranha num dia de folga, mas porque para o público a imagem dos dois a viajar juntos estava gravada na memória. E agora quero saber qual destes sucessos é o seu preferido. Ela é demais, traquina, fim de semana, filha ou outro? Escreve aqui nos comentários e conta onde estavas quando ouviste essa música pela primeira vez.

Mas a história dos dois também teve distância e isso é importante para compreender o desabafo de Henner. A dupla separou-se em 2010, regressou em 2012, separou-se de novo em 2015 e em 2018 retomou a parceria de forma definitiva. Ou seja, houve anos em que Rick e Henner seguiram caminhos separados, anos em que cada um tinha própria agenda, os próprios concertos, a própria vida profissional.

E mesmo assim voltaram duas vezes. Porque existe algo que a Geoagenda não controla. Uma folga pode separar dois parceiros por um dia, uma briga pode separar durante anos, mas quando aulaço é verdadeiro, a vida acaba por juntar de novo. Os anos de separação também ensinaram uma coisa aos dois.

Cada um descobriu como era seguir sozinho. Cada um teve a possibilidade de construir outro caminho com outro formato, com outra agenda. E mesmo assim, em 2018, os dois decidiram que o melhor caminho era juntos. Não por obrigação, por opção. E em 2026 estavam em digressão comemorando justamente as quatro décadas de parceria. É uma escolha que diz muito sobre o que existia entre eles e sobre o tamanho do vazio que Renner encontrou depois daquela segunda-feira.

4 meses antes do acidente, num podcast chamado Segundeiro Raiz, Renner falou precisamente sobre esta retomada. O apresentador perguntou o que Rick representava para ele e a resposta que voltou a circular depois da tragédia tornou-se um dos trechos mais partilhados dessa semana. Renner disse: “Eh pá, o O Rick é a minha vida.

Pá, o Rick é meu alicerce. A dupla um depende do outro, certo?” Explicou que era muito mais do que a necessidade do dinheiro. Era emocional. e contou que bastava fechar os olhos e recordar a juventude para ver o parceiro do lado, que a sua vida tinha sido escrita com Rick ao lado. E completou falando sobre como sempre se preocupava com o amigo.

Disse que a as pessoas querem sempre o bem do parceiro e terminou. O parceiro não tem preço. Leia de novo esta frase depois de tudo o que aconteceu. Um depende do outro. Numa dupla, um sem oro, fica incompleto. E numa segunda-feira de folga, por um motivo absolutamente banal, os dois estavam em locais diferentes quando o pior aconteceu.

Depois da confirmação da morte, Renner desapareceu das redes, não deu entrevista, não mandou recado pela imprensa, nem os amigos conseguiam alcançá-lo. O cantor Marron da dupla com Bruno contou no velório que tentou falar com ele e não conseguiu. Mandou áudio. disse que imaginava que estava muito abalado.

Marron revelou ainda que tinha tentado ligar ao próprio Rick depois do acidente e que a mensagem chegou a aparecer como entregue, provavelmente porque o aparelho ainda estava lá na serra, captando um sinal fraquinho. O único gesto de Renner nas redes nestes dias foi partilhar uma homenagem feita por uma menina de 6 anos. A artista Mirim Jijica Prado, que dizia que o Rick tinha ido viver com o papá do céu, uma forma de falar sem precisar dizer nada.

Uma criança a dizer, com palavras simples aquilo que um adulto de coração partido ainda não conseguia dizer. Muita gente exige aos artistas uma reação imediata quando acontece uma tragédia. Querem uma nota, um vídeo, uma declaração emocionada logo nas primeiras horas. Mas o luto não acompanha o ritmo das redes sociais.

O silêncio de Henner nesses dias não foi ausência, foi luto. Foi o tempo de alguém que perdeu não apenas um colega de trabalho, mas uma parte da própria história. E quando ele finalmente falou, deixou claro que precisou desse tempo para conseguir se colocar diante de uma câmara. Na quarta-feira, a família de Rick divulgou uma nota assinada em nome da viúva, Geralda Helena, com quem estava casado havia mais de 40 anos.

O texto dizia que durante tantos anos Rick tinha sido de todos, mas que no último momento quem seria velado era o Geraldo, marido, pai, avô. Por isso, a despedida seria reservada apenas para a família e amigos. E a família pediu que fosse lembrado no palco, sorrindo, cantando, fazendo o que amava.

Na quinta-feira, 24 de setembro, Rick foi velado e sepultado no jardim cemitério Pax em Sorocaba, no interior de São Paulo. Estavam lá nomes como Zezé de Camargo, o mesmo que abriu as portas para a dupla lá no início e Marroni. Os músicos da banda chegaram juntos ao autocarro da equipa e Renner foi. Chegou abalado, evitou os jornalistas, não fez declarações, mas segundo a dupla rosa e rosinha, ficou ao lado do amigo durante todo o velório e, na hora do enterro, ajudou a carregar o caixão.

Naquela segunda-feira, uma agenda vazia impediu Renner de estar ao lado de Rick. Na quinta-feira, nada o demoveria. Fez questão de estar ali do início ao fim, e de carregar o parceiro com as próprias mãos. Há algo de muito simbólico neste gesto. Durante quase 40 anos, os dois carregaram juntos o peso de uma carreira.

As dificuldades do início em discotecas de Brasília, a mudança para São Paulo, a pressão do sucesso, a separações, as voltas, as digressões levaram juntos o nome Rick e Henner por todo o Brasil. E no fim coube a Henner carregar o amigo uma última vez. em silêncio, sem microfone, sem palco, sem público. Foi só depois de tudo isto que veio o desabafo a sério.

Na noite dessa mesma quinta-feira, Henner publicou um vídeo. T-shirt preta, óculos escuros, a voz de quem estava segurando muita coisa por dentro. Alô, povo querido, fãs do Ricky Henner. Ele começou por chamar o Brasil e o mundo, como costuma fazer nos concertos, e logo explicou por tinha desaparecido. Disse que só resolveu aparecer naquele momento porque ele e as pessoas próximas passaram por momentos muito difíceis que só quem está na pele consegue sentir. E depois desabafou.

Afinal de contas, foram 40 anos de convivência de muito suor, muita luta. Portanto, não é fácil. Não é fácil. Três palavras que dizem mais do que qualquer discurso. Henner não tentou parecer forte para além da conta. Admitiu que estava sendo difícil. Disse que Deus estava dando força e que aos poucos se iam levantar.

E deixou uma frase que muita gente que já perdeu, alguém entendeu na hora. A saudade vai ficar. E repara que em momento algum do vídeo Renner fala do helicóptero, do voo ou de porque ele não estava lá. Ele não precisava. A equipa já tinha explicado. O que ele quis dizer foi outra coisa, que a distância física daquele dia não se alterava nada sobre a proximidade de 40 anos, que estava de luto como quem perde alguém da família.

No desabafo, Henner agradeceu também os milhões de mensagens que recebeu para si e para as famílias, e fez questão de lembrar todas as famílias envolvidas nesse dia, de uma certa forma, porque Henner sabia que a dor não era só dele. Naquele helicóptero encontravam-se cinco pessoas e cinco famílias estavam a atravessar o mesmo pesadelo, incluindo a mulher de Bruno Avelar, que estava casada há menos de 2 meses.

Disse que esse carinho não tem preço, que é o que levanta e conforta. E depois, com voz firme, garantiu que o espectáculo não podia parar, que iam continuar a cantar. Para quem estava preocupado, repetiu: “Estou bem, está bem? Estou bem. Estou forte no Senhor Jesus”. Pediu que cada pessoa que estivesse assistindo também fosse forte na fé.

Juntou as mãos em agradecimento e se despediu-se com um Até já. Até breve. Dentro desta curta despedida, existe uma promessa e um desafio. A promessa é de que a voz de Henner vai voltar aos palcos e de que as músicas da dupla vão continuar a ser cantadas. O desafio é enorme. Pela primeira vez em muitos anos, Henner vai subir a um palco e olhar para o lado, sabendo que ali não vai estar o parceiro que o encontrou pela voz.

Lá no início de tudo, os fãs vão cantar as partes de Rick e cada concerto vai ser de alguma forma uma homenagem. Existe uma coisa que este vídeo não diz, mas que qualquer pessoa sente ao assistir. A distância que protegeu Henner naquela segunda-feira não diminui em nada a dor dele. Pelo contrário, quem fica tem de lidar com o que aconteceu e com tudo o que não vai acontecer mais.

Os próximos concertos, as próximas viagens, as próximas vezes em que um ia olhar para o outro no meio de uma música. Muita gente que escapa a uma tragédia por um pormenor conta que passa a olhar para a vida de outra forma, que começa a pensar em como tudo pode mudar num segundo, que passa a dar mais valor a quem está perto.

E talvez seja isso que as palavras de Renner no podcast e no vídeo deixam para quem assiste. O parceiro não tem preço. A saudade vai ficar. O show não pode parar. Três frases que juntas resumem o que é perder alguém que caminhou ao seu lado toda a vida. Rick passou o último fim de semana da vida a fazer o que mais amava, cantando ao lado de Henner.

Na sexta-feira para uma multidão, no sábado, para uma família numa festa de 15 anos. Na segunda, foi cuidar da sua vida num dia de folga, com planos simples para almoçar na serra e chegar a casa a meio da tarde. E Renner, que ficou fora desse voo apenas porque não havia concerto marcado, precisa agora de encontrar um jeito de subir a um palco, sabendo que a voz que andou com ele durante quase 40 anos não vai mais estar lá.

As causas do acidente continuam sob investigação e só as autoridades vão poder explicar o que aconteceu naquela serra. Mas a questão que o Brasil fez nessa segunda-feira já tem resposta. O que impediu Henner de estar naquele helicóptero não foi um milagre anunciado, nem um aviso, nem um acaso cinematográfico.

Foi a rotina, uma agenda vazia, um dia sem concerto. E às vezes é exatamente no detalhe mais comum da vida que está a pia a diferença entre ficar e partir. Lembra-se da pergunta que ele fiz no inicio? Destino ou coincidência? Depois de conhecer esta história, mudou de opinião? Escreve aqui nos comentários o que acha e aproveita para deixar o nome da música de Rick Henner que nunca mais vai sair da sua memória.

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Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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