Aos 35 Anos, O Que Aconteceu com o Zé Neto da dupla Zé Neto & Cristiano é de Partir o Coração

Aos 35 Anos, O Que Aconteceu com o Zé Neto da dupla Zé Neto & Cristiano é de Partir o Coração

Ele tinha tudo que o sertanejo promete. A voz rasgada que arrepia, o palco iluminado, a multidão cantando junto, milhões de fãs, hits no topo, uma dupla que virou fenômeno nacional. Zé Neto, nascido no interior de São Paulo, onde o sustento da família vinha da roça, havia conquistado o que parecia impossível.

E então, no auge dos 30 e poucos anos, com dois filhos em casa e shows lotados em todo o país, o chão simplesmente desapareceu sob seus pés. Não foi um acidente visível, não foi um escândalo nos jornais, foi algo muito mais silencioso e muito mais devastador. A voz que o mundo inteiro conhecia começou a sumir.

 Não de fraqueza, não de esforço demais. Ela foi sendo sufocada lentamente por dentro. E Zé Neto continuou subindo nos palcos, noite após noite, tentando cantar o que os fãs queriam ouvir, enquanto por dentro já não havia quase nada sobrando. Em agosto de 2024, a dupla Zé Neto e Cristiano anunciou a suspensão da agenda de shows por 90 dias, em virtude de um tratamento para depressão e síndrome do pânico ao qual Zé Neto seria submetido.

A notícia caiu como um raio. Barretos, um dos maiores palcos do sertanejo brasileiro, ficou sem ele naquele ano. Mas o que levou um homem desse tamanho a chegar nesse limite? O que acontece nos bastidores quando a fama pesa mais do que o coração suporta? E o que resta de um artista quando ele perde exatamente o que mais amava? Se a voz de Zé Neto já emocionou você, se alguma música dessa dupla te pegou no momento certo e te fez chorar no carro ou sorrir sem saber porquê, fica com a gente, porque o que você vai ouvir agora muito pouca gente

conhece de verdade. José Toscano Martins Neto nasceu em 9 de fevereiro de 1990 em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. filho de Eurides Toscano Martins e Vera Maria Toscano. Ele cresceu numa família sem muita escolaridade, trabalhando na roça ao lado do pai. No bairro da divisa entre Ipiguá e São José do Rio Preto, onde as ruas de terra se confundem com o horizonte do campo, o menino que todo mundo chamava de Zezinho do alemão, não tinha muito, mas tinha uma coisa que ninguém conseguia tirar dele, a música.

Desde a infância, Zé Neto gostava de música sertaneja e via em cada canção um estilo de vida a ser seguido. João Paulo e Daniel tocavam no rádio da cozinha. Leandro e Leonardo saíam das caixas de som gastas dos vizinhos. Zezé de Camargo e Luciano embalavam as tardes longas da roça.

 Para um menino que passava os dias num caminhão velho em busca de restos de comida de restaurante para alimentar os porcos da família, aquelas vozes não eram apenas entretenimento, eram promessa. Eram prova de que alguém com origem parecida com a sua havia chegado lá. Ele conheceu o futuro parceiro cristiano ainda criança, na mesma cidade natal.

 Os dois cresceram dividindo o mesmo sonho antes mesmo de saber que um dia iriam dividi-lo num palco. Antes da dupla com Cristiano, Zé Neto chegou a formar uma primeira dupla chamada Neto e Thago, [música] que não durou muito tempo. Ele ainda não era a voz principal, ainda estava aprendendo onde cabia na música, testando os limites daquela voz que havia herdado do interior paulista.

 Em 2011, Zé Neto se juntou ao amigo de infância e os dois foram em busca do sonho de se tornarem cantores profissionais. O começo foi nos barzinhos, palcos pequenos, microfones que falhavam, público que mal prestava atenção. Em 2012, lançaram o primeiro CD chamado Entre Amigos, com participações de nomes do sertanejo da época.

 Mas o Brasil ainda não sabia o nome deles. A virada veio com o DVD gravado ao vivo em São José do Rio Preto. Foi a partir desse trabalho que os dois conquistaram o Brasil inteiro com sucessos como Te amo, eu ligo para você e seu polícia. De repente, o menino da roça, que buscava lavagem para porcos em caminhonete batida, estava em rádios de todo o país.

Os shows foram crescendo, as arenas foram chegando e com elas uma rotina que ninguém te avisa que vai chegar. Hotel, avião, camarim, palco. Hotel, avião, camarim, palco. Dia após dia, mês após mês, ano após ano, Zé Neto tinha construído tudo que o Zezinho do alemão havia sonhado. E foi exatamente esse tudo que começou silenciosamente a cobrar um preço altíssimo.

Em novembro de 2021, o Brasil parou. Marília Mendonça morreu no dia 5 de novembro de 2021, aos 26 anos, quando o avião em que viajava caiu numa região serrana de Caratinga, em Minas Gerais, a caminho de um show. Ela era a rainha da sofrência, a voz que havia dado nome ao que milhões de brasileiros sentiam, mas não sabiam dizer.

 E no instante, essa voz simplesmente parou para o Brasil. inteiro foi luto para Zé Neto foi algo diferente, mais fundo, mais pessoal. Marília não era só colega de mercado, era parte do mundo que ele havia construído, uma referência do mesmo sertanejo que o tinha tirado da roça e vê-la partir daquele jeito, tão jovem, tão de repente, sem aviso, sem despedida, abriu uma ferida que a agenda cheia de shows não deixou fechar.

Segundo o próprio Cristiano, após a morte de Marília Mendonça, Zé Neto começou a apresentar sinais claros de desgaste físico e emocional. O luto somado ao ritmo implacável da vida nos palcos no pós-pandemia levou Zé Neto a ser diagnosticado com depressão e síndrome do pânico. Mas Zé Neto não parou, não pediu tempo, não admitiu que estava mal, fez o que tantos artistas fazem quando a dor aparece e a agenda não permite sentir.

 Encontrou um jeito de anestesiar. O maior problema de início foi o cigarro eletrônico, que começou a afetar exatamente o que ele mais amava, a sua voz. Ele não tinha voz nem mais para falar, não tinha voz para cantar e se anestesiava no álcool. A voz que havia saído da roça, que havia cantado para multidões, que era o instrumento mais precioso que Zé Neto possuía, estava sendo destruída por dentro.

 E mesmo assim ele continuava subindo no palco. Ele chegava para fazer o show sem voz para cantar e subia ao palco bêbado, ao mesmo tempo em que tratava a depressão com medicamentos. Era um ciclo que se fechava cada vez mais rápido. Remédio para dormir à noite, remédio para acordar de manhã, álcool para aguentar o palco, cigarro eletrônico para aliviar o que sobrava.

 E no meio disso tudo, dois filhos em casa, uma família esperando e um Zé Neto que o mundo via sorrir nas fotos, mas que por dentro estava se afogando. Cristiano, que via de fora o que o parceiro não conseguia enxergar de dentro, proibiu o álcool nos camarins. No começo, a medida foi mal compreendida.

 Ele me via como vilão, contou Cristiano. Mas o que Cristiano estava vendo era um amigo de infância desaparecendo enquanto o artista ainda estava de pé. A situação chegou ao limite que não podia ser ignorado. Cristiano convocou uma reunião e deu um ultimato. Ou você para de beber, ou a dupla acaba. E completou. Eu disse que não podia mais continuar como estava.

 não queria ser o responsável pela morte dele. A dupla que havia nascido num bairro de terra batida do interior paulista, que havia sobrevivido a barzinhos sem plateia e há anos de anonimato, estava agora na beira do fim. Não por falta de talento, não por falta de sucesso, mas porque um dos dois havia chegado num ponto onde a vida e a carreira já não estavam mais caminhando juntas.

Em 22 de agosto de 2024, a nota oficial foi publicada. A agenda da dupla Zé Neto e Cristiano estaria suspensa por 90 dias para que Zé Neto se submetesse a um tratamento para depressão e síndrome do pânico. Barretos, o maior palco do sertanejo brasileiro, ficou sem eles naquele ano.

 Era o tamanho do que estava acontecendo. Durante os 90 dias de afastamento, Zé Neto passou por um processo intensivo de tratamento em São Paulo, com sessões de até 4atro horas por dia com psicólogos. Não era descanso, era reconstrução, era aprender do zero a existir fora do palco sem entrar em colapso. Em suas próprias palavras, no domingão com Hul, Zé Neto descreveu o que havia vivido.

 Eu tomava um monte de remédio para dormir, depois tomava um monte de remédio para acordar e bebida, cigarro, muita coisa ruim. E aí eu fui atrás de ajuda médica, acima de tudo, fui atrás de Deus também. Havia algo de profundamente honesto nessa confissão. Um homem que havia crescido num mundo onde dor se engole e fraqueza não se mostra, admitindo em público que havia chegado no fundo e que precisava de ajuda.

 Não era derrota, era a coisa mais corajosa que Zé Neto havia feito desde que subiu num palco pela primeira vez. Ele falou ainda sobre como a rotina havia virado uma armadilha. Fiquei doente porque as coisas foram ficando robóticas. A gente chega, vai para o camarim, hotel, hotel, avião, avião. É uma loucura. Era a fama, dizendo em voz alta [música] o que ninguém gosta de admitir, que o sonho, quando vira a máquina pode triturar até quem o construiu.

 No dia 13 de dezembro de 2024, Zé Neto voltou ao palco. O show aconteceu em Maçaranduba, em Santa Catarina, e marcou o retorno oficial da dupla após 3 meses de pausa e tratamento intensivo. Não era o maior palco que ele já havia pisado. Não era o show mais importante da carreira, mas era talvez o mais necessário.

 Quando a voz saiu inteira, limpa, sem álcool no sangue e sem medo de quebrar, alguma coisa se fechou. Não a ferida. Feridas assim não fecham de vez. Mas algo se fechou no sentido de que o pior havia passado. O Zezinho do alemão, que havia crescido ouvindo sertanejo como promessa de que era possível chegar lá, havia sobrevivido ao preço de ter chegado lá.

 Para não sobrecarregar o processo de recuperação, a dupla adotou uma nova rotina a partir de 2025, com no máximo 12 shows por mês. Menos avião, menos camarinhas pressas. Menos hotel sem dormir, mais tempo em casa com Natália e com os dois filhos, José e Angelina. A família que havia esperado enquanto o palco consumia tudo.

Cristiano, que havia proibido o álcool nos camarins e sido visto por um tempo como vilão, resumiu o que havia aprendido com tudo aquilo. Por que a gente cai? Porque a gente precisa aprender a levantar. E Zé Neto levantou, não com a arrogância de quem nunca caiu, com a humildade de quem sabe exatamente o tamanho do buraco que deixou para trás.

Ele próprio afirmou que reconhecer publicamente a depressão foi um ato do qual se orgulha muito ao perceber que outras pessoas buscaram ajuda após acompanharem sua história. É aí que a história de Zé Neto deixa de ser só um cantor sertanejo e se torna sobre qualquer pessoa que já confundiu aguentar com estar bem, que já sorriu numa foto enquanto estava quebrando por dentro, que já achou que pedir ajuda era o mesmo que admitir derrota.

 O menino que buscava lavagem para porcos numa caminhonete velha, que cantava em barzinho sem plateia e que um dia encheu arenas no Brasil inteiro, aprendeu a coisa que o sucesso nunca ensina sozinho, que às vezes a maior coragem não está no palco, está em saber quando descer dele. ali.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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