Infelizmente Ela Se Foi Cedo Demais, Você se Lembra?
Infelizmente Ela Se Foi Cedo Demais, Você se Lembra? –
A voz que conquistou o mundo e o fim trágico que ninguém esperava. Embarque nesta emocionante viagem pela história de uma das vozes mais marcantes dos anos 90, uma mulher que transformou dor na arte e conquistou o mundo com uma técnica vocal que ninguém conseguiu copiar.
Mas antes, deixa o seu like, subscreva o canal e acione as notificações. Uma rapariga de 18 anos pedala nervosamente pelas ruas de Limerick, na Irlanda. No bolso da blusão, uma cassete com três músicas que ela própria gravou em casa. Ela vai fazer audições para uma banda local chamada The Cranberry Saw Us, uma banda que ninguém conhecia, com três tipos que acabavam de perder a vocalista e estavam quase a desistir do sonho.
Olha, nós separámos para ti uma lista com as 100 melhores músicas dos anos 80. Se quiser apanhá-la totalmente gratuita, você acede culturanostalgica.com/canal no YouTube. Quando ela chegou ao ensaio, os irmãos Noel e Mike Hogan juntamente com o O baterista Fergal Laer estavam desanimados. Já tinham testado várias vocalistas e nenhuma tinha o que procuravam.
Mas quando aquela rapariga tímida abriu a boca, o silêncio tomou conta da sala. A voz era diferente de tudo o que já tinham ouvido, aguda, mas poderosa, delicada, mas com uma força arrepiante. Ela tinha algo que os especialistas chamariam depois de iodel irlandês moderno, uma técnica vocal que alterna rapidamente entre o registo grave e agudo, criando aquele som inconfundível que se tornou marca registada.
[música] Nesse mesmo teste, ela trouxe uma música que tinha escrito sozinha, baseada numa desilusão amorosa real, que viveu ainda adolescente. Um miúdo que a convidou para dançar numa discoteca chamada Madonas em Limerick deu-lhe o primeiro beijo e depois simplesmente desapareceu da vida dela sem explicação.

mágoa daquela a rejeição passou a ser letra e a letra passou a linger, uma das baladas mais tocadas da década de 90. A banda mudou de nome imediatamente cranberry sawas virou simplesmente The Cranberries. E aquela menina tímida de Limick chamava-se Dolores ou Rordan. Ela nem imaginava que estava prestes a escrever um dos capítulos mais importantes do rock alternativo mundial.
[música] Dolores nasceu no dia 6 de setembro de 1971 numa família católica de classe trabalhadora do concelho de Limy. Era a caçula de sete irmãos. Desde criança que cantava no coro da igreja, onde desenvolveu aquela voz cristalina que mais tarde conquistaria milhões de fãs em todo o mundo. Mas a sua infância foi marcada por uma tragédia que ela só revelaria anos depois, quando já era famosa.
Dolores sofreu abusos sexuais quando era apenas uma menina, um trauma que a perseguiria para toda a vida e que influenciaria profundamente as suas composições mais intensas. Em 1991, Os Cranberries lançaram a sua primeira demo. Com dolores na voz, as fitas começaram a circular entre produtores e gravadoras. O resultado foi imediato.
Assinaram contrato e começaram a trabalhar no primeiro álbum Everybody Else is Doing It So Why Can’t We, lançado em 1993. Dreams foi o primeiro single a chamar atenção, mas foi Linger que explodiu nas rádios do mundo inteiro. No Brasil, a música embalou cenas da novela Patria Minha, da Rede Globo e tornou-se uma febre absoluta.
Quem viveu os anos 90 se lembra-se de ouvir Linger em todo o lado, nas rádios, nas lojas, nos bares, nos espectáculos. A voz de Dolores tinha qualquer coisa de hipnótico, algo que se colava à memória e não saía mais. Linger. O clipe de Linger filmado em preto e branco, era uma homenagem ao filme de ficção científica Alphaville de 1965 do realizador francês Jean Luke Godar.
Dolores aparecia a Etéria, quase fantasmagórica com aqueles olhos penetrantes e a voz que parecia vir de outro mundo. A MTV não parava de tocar e o mundo não parava de se apaixonar por aquela banda irlandesa que surgiu do nada, mas foi o segundo álbum que transformou os The Cranberries numa das maiores bandas do planeta.
[música] e 20 de março de 1993, Warrington, Inglaterra. Duas bombas explodem numa movimentada rua comercial durante um sábado de compras. O ataque foi realizado pelo IRA, o exército republicano irlandês, no auge do conflito sangrento na Irlanda do Norte. Entre os feridos e o caos, duas crianças foram mortas.
Jonathan Ball, de apenas 3 anos de idade, e Tim Perry de 12 anos, dois inocentes que estavam no lugar errado, na hora errada. Quando Dolores soube da tragédia, ficou absolutamente revoltada. Aquela violência sem sentido, aquele terrorismo que matava crianças em nome de uma causa política deixou-a profundamente perturbada.

Ela trancou-se no estúdio e em poucas horas escreveu a música mais raivosa e agressiva da carreira da banda. Uma música que gritava contra a estupidez da guerra, contra a violência cega, contra o ódio que se perpetua de geração em geração, como zombies que não conseguem pensar por si mesmos. Zombie não era apenas uma música, era um grito de revolta.
[música] E a Dolores cantou aquilo com uma intensidade que arrepiava. A voz distorcida, quase gritada, aquele yôde irlandês usado de forma agressiva, criando uma atmosfera de desespero e raiva. O clipe filmado em Belfest mostrava crianças a brincar em meio a soldados armados e muros pintados com símbolos políticos.
A mensagem era clara e poderosa. Zombie rebentou de uma forma que ninguém esperava. A música foi número um na Austrália. Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Islândia. Esteve 23 semanas no topo da tabela Alternative Airplay da Billboard, nos Estados Unidos. O álbum No Need to Argue vendeu milhões de cópias pelo mundo.
O Cranberries estava no auge e Dolores Rordan, aquela rapariga tímida de Limerick, era agora uma das maiores estrelas do rock mundial. Se você realmente tem bom gosto musical, quero que escreva agora Dolores nos comentários para honrar esta lenda. No Brasil, Zombie também entrou na banda sonora da novela O Dono do Mundo, de 1991 e tornou-se hino de uma geração.
Até hoje, mais de 30 anos depois, a música continua a ser um dos maiores clássicos do rock alternativo. O clipe no YouTube ultrapassou 1 bilião e meio de visualizações, tornando The Cranberries a primeira banda irlandesa a atingir essa marca histórica. Mas por detrás de todo aquele sucesso, Dolores lutava contra demónios invisíveis.
O abuso que sofreu na infância regressava em pesadelos. A fama trouxe pressão, ansiedade, exposição constante. Ela começou a desenvolver doença bipolar, depressão e anorexia. em entrevistas, falava abertamente sobre as suas lutas, sobre como a música era a sua forma de sobreviver à dor. Em 1994, no auge da digressão mundial, Dolores conheceu Don Burton, empresário dos Duran Durun, que estavam a trabalhar com The Cranberries.
Os dois se apaixonaram-se rapidamente e casaram em 18 de Julho desse mesmo ano numa cerimónia privada que realizou um sonho de infância dela, Dolores. Usou um vestido de noiva deslumbrante e mudou-se com Don para o Canadá, onde tiveram três filhos Taylor Baxter, Molly Lee e Dakota Rain. Durante anos, Dolores tentou equilibrar a maternidade com a carreira.
Ela levava os filhos às digressões, gravava álbuns em estúdios caseiros para estarem perto da família. Lançou o álbum a solo, colaborou com outros artistas, mas nunca abandonou o The Arandos completamente. Olha, se estás a gostar deste conteúdo ou está a gostar deste vídeo, clica já no botão like e subscreve no canal.
Em 2003, a banda anunciou um iato. A Dolores precisava de tempo para cuidar da saúde mental e da família. Mas em 2009, The Cranberry regressou com uma digressão de reunião que foi um absoluto sucesso. Os fãs nunca esqueceram. As músicas continuavam tão poderosas como nos anos 90, contudo a vida pessoal de Dolores estava a desmoronar.
Em 2014, após 20 anos de casamento, ela e Don Burton anunciaram a separação. O divórcio foi devastador para ela. Dolores mergulhou numa depressão profunda. começou a beber mais, a tomar medicamentos para dormir, para controlar a Sayu, a ansiedade, para lidar com a doença bipolar que se agravava em 2017, ela esteve envolvida num incidente polémico num voo da Aerlingus.
Dolores estava visivelmente embriagada, agrediu uma assistente de bordo e foi detida ao desembarcar. O caso ganhou os tablóides. Ela pediu desculpas públicas, explicou que estava a passar por um momento difícil, mas o dano na sua imagem foi feito. Ainda assim, Dolores continuava trabalhando. Em janeiro de 2018, ela esteve em Londres para gravar vocais de uma nova versão de zombie com a banda Badwolves. Estava entusiasmada com o projeto.
tinha passado o ano novo com o novo namorado e parecia estar numa fase melhor. Ficou hospedado no Hilton Hotel em Park Lane, um dos hotéis mais luxuosos da cidade. Na noite de 14 de janeiro, Dolores voltou para o quarto após um dia de trabalho. Estava sozinha. Ninguém sabe exatamente o que aconteceu naquelas últimas horas.
O que se sabe é que ela abriu o minibar e bebeu cinco garrafas miniatura de vodica, meia garrafa grande de champanhe, tomou medicamentos e entrou na banheira. Na manhã de 15 de janeiro de 2018, uma camareira do hotel encontrou o corpo de Dolores Riordan, submerso na banheira. Tinha 46 anos, mãe de três filhos, uma das maiores vozes da história da música irlandesa, estava morta sozinha num quarto de hotel em Londres.
A notícia espalhou-se pelo mundo como um choque. Fãs, artistas, músicos, todos os mundo estava em estado de incredulidade. Como aquela voz tão poderosa, tão cheia de vida, podia ter-se calado assim de forma tão repentina. O relatório médico divulgado meses depois, a 6 de setembro de 2018, dia em que Dolores completaria 47 anos, revelou a causa oficial da morte, afogamento acidental por intoxicação alcoólica.
O nível de álcool no sangue dela era de 330 mg por dcl, quatro vezes acima do limite legal para conduzir. Ela simplesmente perdeu a consciência na banheira e afogou-se. Não foi suicídio, não foi sobredosagem intencional, foi um trágico acidente provocado pela combinação de álcool, medicamentos e uma doença mental que ela lutava para controlar há anos.
[música] O funeral de Dolores foi realizado na igreja de São Aúbe em Bali Bricken, na Irlanda. No dia 23 de janeiro, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar as suas últimas homenagens. Os seus três filhos, Taylor, Molly e Dakota, acompanhados pelo pai Don Burton, choravam inconsoláveis. O caixão foi transportado pelos membros do Os Cranberries.
Noel Hogan, Mike Hogan e Fergol Laer estavam destroçados. Eles tinham perdido não só a vocalista, mas uma irmã, uma amiga de mais de 25 anos de estrada. Dolores foi sepultada no cemitério de Carrereli, perto da quinta onde cresceu, rodeada pelas colinas verdes da Irlanda, que ela tanto amava no túmulo. Uma simples inscrição. Dolores Mary Aenardan, 6 de setembro de 19 e 71 a 15 de janeiro de 2018.
Um ano depois da morte de Dolores, em abril de 2019, os The Cranberries lançaram o último álbum da banda In the End. O disco continha as últimas gravações vocais de Dolores feitas meses antes da sua morte. Os membros da banda decidiram que aquele seria o fim definitivo. Sem Dolores, não existiam os The Cranberries.
O álbum foi nomeado para o Gramy de melhor álbum de rock e a música All Over Now. Última faixa gravada por Dolores, parecia uma despedida profética, como se ela soubesse que estava a cantar pela última vez. Hoje, mais de 6 anos após a sua morte, Dolores Rordan continua a ser lembrada como uma das a maiores vocalistas de todos os tempos.
Aquela rapariga tímida de Limerick, que pedalou nervosa até um teste de banda. Numa tarde de domingo de 1990, conquistou o mundo com uma voz que ninguém conseguiu imitar. vendeu mais de 40 milhões de discos, tocou nos maiores festivais do planeta, entrou para a história da música com letras que falavam de amor, dor, guerra, família e esperança.
Mas por detrás de toda aquela força existia uma mulher frágil lutando contra traumas de infância, as doenças mentais e a solidão que a fama traz. Dolores transformou a sua dor em arte e a sua arte tocou milhões de corações pelo mundo inteiro. O Os Cranberries deixaram um legado gigantesco. Dreams linger Zombie O to My Family Salvation Promises.
Músicas que marcaram uma geração e continuam a ser descobertas pelos jovens até aos dias de hoje. O clipe de Zombie com 1 bilião e meio de visualizações prova que a mensagem de Dolores contra a violência continua mais atual do que nunca. No Brasil, o Os Cranberries têm uma legião de fãs que cresceram a ouvir aquelas músicas nas rádios e nas bandas sonoras das telenovelas dos anos 90.
A voz de Dolores embalou histórias de amor, desilusão e superação na televisão brasileira. E ainda hoje quando Linger toca na rádio, toda a gente para para ouvir. A história de Dolores ou Reardan é uma lembrança dolorosa de que génio e sofrimento muitas vezes caminham juntos, que por detrás das vozes que nos emocionam existem pessoas reais com dores reais lutando batalhas invisíveis e que a música, essa arte mágica e poderosa, pode ser ao mesmo tempo salvação e testemunho de uma vida intensa, brilhante,
tragicamente curta. Se quer conhecer mais histórias incríveis de artistas que marcaram gerações, subscreva o canal, ative as notificações e deixe nos comentários qual o artista que quer que a gente conte. Eu fico por aqui, até ao próximo vídeo do canal Cultura Nostálgica.