Por que Glória Menezes é considerada a maior atriz do Brasil?

Por que Glória Menezes é considerada a maior atriz do Brasil?

Existem despedidas que parecem escritas pelo próprio destino. A de Glória Menezes foi uma delas. Durante quase 60 anos, o Brasil acompanhou uma mulher que transformava cada personagem em algo inesquecível. A mocinha, a vilã, a mãe, a monja. Mas fora das telas, a história mais bonita que ela viveu foi a de um amor só.

 E quando esse amor partiu, Glória fez uma escolha, recuou para o silêncio, guardou-se entre os seus e viveu seus últimos anos longe dos olhos que a admiraram por gerações. E por a trajetória de Glória Menezes se tornou uma das mais marcantes da nossa dramaturgia. Acompanhe. Foi num 18 de agosto, no ano de 2026, que a cortina se fechou.

 Aos 91 anos, Glória Menezes deixou este mundo em sua residência no Rio de Janeiro. A informação partiu da própria família, que a acompanhou até o fim. E o calendário guardava uma simetria comovente. Sua morte chegou precisamente 5 anos após a de Tarcísio Meira, o mesmo mês, como se de algum modo o tempo os quisesse novamente juntos.

 Havia anos que Glória vivia distante dos olofotes. A rotina de aparições que a idade já vinha reduzindo praticamente se apagou depois de agosto de 2021, o divisor de águas de sua vida. Dali em diante fixou-se no rio perto dos filhos, protegida pelo carinho da família. Quando raramente surgia em público, aparecia numa cadeira de rodas, mas por uma questão de conforto apenas.

 Os próprios familiares faziam questão de esclarecer. Glória preservava sua independência e caminhava todos os dias. Era uma mulher que envelhecia sem entregar o comando da própria vida. Nenhuma dor a atingiu como a perda de Tarcísio. Os dois foram contaminados pela Covid-19, quase simultaneamente, quando a pandemia ainda impunha medo ao planeta.

 Internados travaram batalhas paralelas. Glória sofreu com as complicações da doença, mas encontrou forças para sobreviver. Tarcísio não. Ele sucumbiu as consequências da infecção em agosto de 2021 aos 85 anos. E a tarefa mais penosa recaiu sobre o filho do casal, Tarcísio Filho. Foi dele a responsabilidade de olhar nos olhos da mãe e revelar que o marido não voltaria.

Tempos depois, ao participar do programa Sem Censura da TV Brasil, ele traduziu aquele instante sem rodeios. Não existia forma de suavizar algo tão devastador. Era preciso apenas dizer. E dizer, confessou, foi de uma dificuldade imensa. Daquele momento em diante, Glória fechou as portas do luto, recolheu-se de vez, escolhendo viver a saudade em silêncio, protegida do mundo.

Para medir o tamanho dessa ausência, é preciso recuar até 1963. Naquele ano, Glória e Tarcísio se cruzaram nos bastidores de 25499 ocupado, uma novela em que interpretavam um casal. O roteiro, porém, escapou da ficção. O que era encenação virou realidade. E em outubro daquele mesmo ano, os dois trocaram alianças de verdade.

 Foram 59 anos de estrada juntos, uma raridade absoluta no meio artístico. Em 1964, veio ao mundo Tarcísio Filho, o único herdeiro do ator e terceiro filho de glória. Antes desse casamento, ela já havia vivido outra união e era mãe de Maria Amélia e João Paulo. Com o passar das décadas, esses filhos e depois toda uma geração de familiares formariam o cerco de afeto que a envolveria na velice.

 O casal, contudo, ultrapassou os limites do matrimônio. Eles se converteram numa espécie de emblema da teledramaturgia brasileira, atuando lado a lado, incontáveis vezes, sem jamais deixar que a parceria apagasse as carreiras individuais de cada um. Pela Globo, cruzaram-se em títulos como Sangue e Areia, Irmãos Coragem, Espelho Mágico, Guerra dos Sexos, Páginas da Vida e A Favorita.

 Em 1988, o prestígio do casal rendeu uma atração batizada com os dois nomes, Tarcísio e Glória. Nos palcos dividiram cena em montagens como Tudo Bem no ano que vem de 1976. Diante disso, a morte de Tarcísio significou algo além da vivez. Glória perdia o parceiro de quase toda a vida adulta e de metade de sua caminhada artística.

Depois dele, jamais retomou o ritmo antigo e conduziu seus cinco anos finais na mais completa descrição. Mas toda lenda tem um ponto de partida e o de Glória fica lá longe, no sul do país. Ela nasceu Nils Soares Guimarães, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, no ano de 1934. E, curiosamente, sua primeira vocação não foi a interpretação, mas a música.

Nos primeiros anos, dedicou-se ao piano. O chamado dos palcos veio na década de 1950. Glória entrou para a escola de artes dramáticas e ajudou a erguer o grupo Jovens Independentes, onde começou a se moldar como atriz. Sua estreia na TV se deu nos teleteatros da antiga TV Tupi. Em 1959, integrou o elenco de Um lugar ao Sol na TV Exelsior, sua primeira novela.

 No ano seguinte, já sob o nome artístico que o Brasil aprenderia a amar, estreou profissionalmente nos palcos com as feiticeiras de Salém, sobes Filho. O cinema também deixou sua marca nesse início. Em 1962, ela deu vida à Rosa em O Pagador de Promessas de Anselmo Duarte. Uma obra que entrou para história ao conquistar a palma de ouro em can e uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Glória, ainda jovem, já figurava num clássico eterno. Foi na televisão, porém, que ela desenhou o trecho mais longo e luminoso de sua carreira. Em cerca de 40 produções, revelou uma versatilidade que atravessou eras inteiras da teledramaturgia. Em Irmãos Coragem, fenômeno da Globo, nos anos 1970, aceitou um desafio pouco usual.

 Viveu Lara, uma personagem que alternava três personalidades diferentes. Os sucessos se acumularam em corpo a corpo, de 1984, brilhou em mais um êxito de audiência. Trs anos mais tarde, foi protagonista de brega e chique, encarnando uma mulher que tem a vida virada de cabeça para baixo ao herdar uma fortuna.

 Mas talvez nenhum papel tenha ecoado tanto quanto o de 1990. Em Rainha da Sucata, Glória rompeu de vez com o rótulo de mocinha para dar vida à Laurinha Figueiroa. A socialite arruinada que faria qualquer coisa para manter as aparências. e que se firmou como uma das vilãs mais deliciosas de sua trajetória.

 Seu desfecho, atirando-se do topo de um edifício na Avenida Paulista, virou uma das cenas mais lembradas da nossa dramaturgia. E a entrega da atriz não tinha fronteiras. em joia rara, já experiente, não hesitou em raspar a própria cabeça para viver uma mongja tibetana, prova viva de que ela se moldava por inteiro a cada papel.

O teatro, esse companheiro de sempre nunca abandonou. No ano 2000, raspou os cabelos novamente para a jornada de um poema, vivendo uma professora com câncer. Em 2013, voltou aos palcos com Ensina-me a Viver, uma comédia sobre a amizade improvável entre uma senhora de 80 anos e um rapaz obsecado pela morte. Seu último trabalho fixo numa novela foi a Terna Estelinha, em totalmente demais, ao arre.

Depois disso, dedicou-se apenas a participações esporádicas e ganhou mais recentemente uma homenagem da série Tributo da Globo, que resgatou capítulos importantes de sua vida e de sua arte. Com a partida de Glória Menezes, aos 91 anos, encerra-se uma jornada de mais de seis décadas devotadas à arte de representar.

 Mas o que permanece vai muito além dos personagens. Permanece o retrato de um amor raro, 59 anos ao lado de Tarcí Meira, o homem que a acompanhou dentro e fora das telas. Um romance que nasceu diante das câmeras e se estendeu por quase toda uma existência. Recolhida desde a perda do marido, Glória viveu seus anos derradeiros, amparada pela família, afastada da correria das novelas, mas gravada para sempre na memória do país, como um dos rostos que fundaram a dramaturgia brasileira.

 Que ela repouse em paz, enfim, reunida a quem tanto amou. Se esta história tocou o seu coração, deixe seu like, compartilhe com quem também admirava Glória Menezes e inscreva-se no canal Instantes Ocultos. Aqui a memória da nossa cultura permanece viva. Até o próximo encontro.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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