ROBERT LIVI fracassou como cantor — e virou o homem por trás do Rei

ROBERT LIVI fracassou como cantor — e virou o homem por trás do Rei

Fracassou como cantor na Jovem Guarda. Décadas mais tarde, era o homem que Roberto Carlos escolhia para decidir, nota a nota, como soariam as próprias canções do rei. Como é que alguém que o O Brasil esqueceu tornou-se peça essencial por trás do maior ídolo da música brasileira? Nos anos 80, dentro de um estúdio em Miami, este homem trabalhava longe das câmaras.

 Nenhuma revista colocava-lhe o rosto numa capa. Ninguém no público sabia o seu nome, mas ali estava ele, a construir a voz que milhões de brasileiros consideravam a mais famosa do país. Esta é a história de Robert Ley, o argentino que tentou ser ídolo da Jovem Gua, não conseguiu e acabou por se tornar o homem por trás do rei.

 Em poucos minutos, vai compreender exatamente como um fracasso tornou-se a base de uma das parcerias mais discretas e poderosas da música latina. Mas, para isso, precisamos de voltar ao começo. Há um rapaz de Buenos Aires que nem sequer tinha planos para ser cantor. Nasceu Ramon Roberto de Síria, em Buenos Aires, no dia 17 de junho de 1942.

Algumas fontes brasileiras apontam 1944 como o ano de nascimento, mas os registos argentinos somados à idade que tinha quando morreu, apontam para 1942 como a data mais fiável. foi criado pela avó materna, longe da vida artística que marcaria o resto da existência dele. Depois, quando a mãe dele casou com um homem chamado Itítalo Live, o menino adotou o apelido do padrasto.

 E foi assim que Ramon Roberto de Síria virou-se para o resto da vida Robert Live. Nada naquela infância comum de Buenos Aires sugeria que aquele nome estaria um dia ligado a mais de 700 canções espalhadas pela Toda a América Latina. Antes de pensar em ser cantor, dançava. Fazia parte de um grupo de rock and roll argentino chamado Los Roberts Twist.

 E foi precisamente esta turma de bailarinos que em 1962 embarcou rumo ao Brasil para uma época de espetáculos. O que deveria durar algumas semanas transformou-se em uma década inteira de vida no país. Segundo relatos posteriores, Liv teria sido cortado, por corte de custos, do elenco de uma revista musical que se apresentava pelo Nordeste.

 em vez de regressar a casa, pagou a própria passagem e seguiu até ao Recife por conta própria. Foi aí, segundo essas mesmas recordações, que a estadia de algumas semanas passou a ser 10 anos de Brasil. Pouco tempo depois, em São Paulo, deu-se o encontro que mudaria a sua trajetória para sempre.

 Ele conheceu um cantor ainda desconhecido, praticamente estreante, de nome Roberto Carlos. Nenhum dos dois sabia naquele momento que aquela amizade duraria a vida inteiro, nem que décadas mais tarde os papéis entre os dois estariam completamente invertidos. Naquele início dos anos 60, o Brasil vivia um momento particular.

 O país absorvia com sede tudo o que vinha de fora, o rock argentino, as baladas italianas, a pop americano e transformava cada coisa destas em produto genuinamente brasileiro. Foi exatamente nesse ambiente, faminto de novidade estrangeira que um rapaz de sotaque castelhano encontrou espaço para tentar a sorte. Liv argentino a tentar a vida na música brasileira daquele momento, mas poucos permaneceriam tanto tempo, nem chegariam tão perto do centro do fenómeno que estava prestes a explodir.

 Enquanto tantos outros regressavam a casa depois de algumas semanas sem sucesso, ele ficou. E foi esta teimosia silenciosa, mais do que qualquer talento excepcional, que abriu a primeira porta. E isso ainda não é, nem de longe nem de perto, a parte mais impressionante desta história. Nos próximos minutos, vai descobrir como um cantor que boa parte do Brasil esqueceu-se virou, sem quase ninguém perceber, uma das peças mais importantes por detrás dos maiores êxitos da música latina, incluindo os do próprio Roberto Carlos. Se ainda não se inscreveu

neste canal, este é o momento certo. Aqui contamos as histórias que ficam escondidas atrás da fama, com toda a a investigação e o respeito que estas trajetórias merecem. E quem faz parte do círculo por detrás da fama tem acesso antecipado a cada um destes documentários antes de todos os outros. A carreira discográfica de Liv no Brasil inicia-se oficialmente em 1964.

Assinou com a gravadora CBS e gravou o seu primeiro disco acompanhado pelos The Youngsters, um conjunto instrumental importante daquele momento. Nessas primeiras gravações já apareciam canções ligadas à pop jovem argentina, incluindo composições associadas a O palito Ortega, um dos maiores nomes da música juvenil na Argentina.

 Desde o início, Live funcionava como uma espécie de ponte entre a pop argentina e o mercado jovem que nascia no Brasil. No ano seguinte, em 1965, veio Que vida levo eu? O primeiro sucesso relevante do mesmo em solo brasileiro, um sinal de que aquele estrangeiro de sotaque diferente podia sim encontrar o seu lugar na cena musical do país.

 Foi também nesta altura que ele fez uma afirmação curiosa que repetiria em entrevistas ao longo de toda a vida. Segundo ele, o programa argentino El Clube del Clia servido de referência para os executivos da CBS Brasil na hora de imaginar um programa de televisão baseado em jovens cantores, grupos e duplas. É importante tratar este dado com cuidado.

 Não existe uma base sólida para afirmar que Liv tenha criado a Jovem Guarda e nenhuma outra fonte confirma essa influência de forma independente. Mas vale a pena registar como testemunho histórico. O próprio Liv defendia que existia uma influência argentina anterior por detrás do formato que pouco depois explodiria na televisão brasileira.

 Se isto for verdade, mesmo que só em parte, significa que o homem que nunca chegou ao centro do movimento pode ter ajudado, sem crédito nenhum, a desenhar o próprio palco onde se apresentaria. É um tipo de contribuição que não aparece em nenhuma estatueta, nem em qualquer notícia de jornal da época, mas que combina perfeitamente com o resto da sua trajetória, sempre por perto das grandes histórias da música, quase nunca no centro exato das mesmas.

 O programa Jovem Guarda estreou na TV Record em 1965 e em poucos meses deixou de ser apenas um programa de televisão para virar o nome de um movimento inteiro. Livrava no Brasil antes disso, mas foi precisamente durante esse período que o seu nome passou a surgir com regularidade, tanto nas gravações como no próprio programa.

 É importante perceber qual era o lugar dele naquele universo. Lívia parte do núcleo que definia a Jovem Guarda. Este espaço era de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderleia. Ele orbitava em redor desse centro, como dezenas de outros cantores da época, com presença real nos discos e no pequeno ecrã, mas sem nunca chegar ao topo da hierarquia.

 Em 1966, gravou Célia, uma versão portuguesa de uma canção do argentino Lan, e vou dizer que não, acompanhado pelo grupo The Fevers. Havia algo de curioso nisso. Um cantor argentino interpretando repertório argentino adaptado para o português dentro de um movimento que se considerava genuinamente brasileiro. Era como se ele carregasse, sem se aperceber, dois países ao mesmo tempo dentro da própria voz.

[música] Mas o verdadeiro ponto alto da carreira dele como intérprete chegou em 1967 com Teresa, adaptação de uma balada italiana de Sérgio Hendrigo, gravada com o apoio dos The Youngsters, a mesma banda de estúdio que tocava nos discos de Jovem Guarda do Próprio Roberto Carlos. A canção vendeu cerca de 11.

000 1 exemplares num único mês, um número respeitável para a época. ficou tão marcada na memória do movimento que quase 10 anos depois ainda aparecia em coletâneas ao lado de nomes como o próprio Roberto Carlos, Leno e Lilian, Vanderleia e Jerry Adriane. Na imprensa da época, ficou conhecido por um alcunha que resumia bem a sua posição, o rebento portenho que cantava com sotaque castelhano.

 um estrangeiro a cantar em português aceite, mas nunca completamente absorvido pelo movimento que ajudava a construir. Naquele momento, aparecer regularmente na TV Record e vender 11.000 exemplares num mês já era suficiente para garantir convites, contratos e um lugar fixo nas rodas de espetáculo da Jovem Guarda. Para muitos artistas dessa geração, esse terá sido o auge de uma carreira inteira.

 Para Liv era apenas o primeiro capítulo. No ano seguinte, 1968, veio outro sucesso importante. Parabéns, querida. Composição de Roberto Corrêa e Silvio Som que entrou nas tabelas e apareceu em coletâneas comerciais da CBS. Nesse mesmo ano, editou o LP Apaixonado e no ano seguinte viria o LP Robert Ly, que marcaria a maturidade dele como intérprete.

 Décadas depois, a A imprensa brasileira ainda o lembrava por esta canção e pelo sotaque estrangeiro que nunca escondeu. Em vez de desaparecer por completo, a condição de argentino ficou incorporada no próprio personagem artística dele. A carreira de Liv desenvolveu-se precisamente num Brasil que absorvia repertório italiano, argentino, americano e britânico e transformava tudo isto em produto local.

Só que o auge, como quase sempre acontece na Jovem Guarda, não durou muito tempo. No final dos anos 60, o movimento começou a perder força e as gravações de Liv foram ficando cada vez mais espaçadas. Teve ainda um último fôlego em 1970 com Maria Isabel, o último grande sucesso daquela primeira fase brasileira.

 Mas depois disso, aos poucos, regressou à Argentina e passou a trabalhar cada vez mais com repertório e mercados de língua espanhola. Muitos dos seus colegas da mesma geração enfrentariam nos anos seguintes exatamente o mesmo problema. O público que antes gritava o nome deles simplesmente foi-se embora. atraído por novos sons e novos rostos.

 E poucos souberam o que fazer depois disso. Alguns tentaram reinventar-se como cantores dentro de géneros diferentes. Outros simplesmente afastaram-se da música de vez, voltando às profissões que nada tinham a ver com palco ou microfone. Liv seguiria um terceiro caminho, um que quase ninguém da geração dele teve a sorte ou a visão de encontrar.

 foi o momento mais decisivo de toda a sua biografia, embora na altura provavelmente não parecesse assim. Como intérprete, nunca tinha alcançado o mesmo tamanho dos maiores ídolos do movimento. As portas que se abriam com facilidade para Roberto Carlos e para Erasmo Carlos simplesmente não se abriam da mesma forma para ele.

 Ele não sabia ainda, mas essa seria a última vez que tentaria de verdade ser recordado como cantor. O capítulo seguinte da sua vida não teria quase nada a ver com estar na frente de um microfone. E é precisamente neste ponto que a história de Robert Liv deixa de ser semelhante à de tantos outros artistas esquecidos da Jovem Guarda.

 De regresso a Buenos Aires, Liv manteve a amizade com a cantora cubana Let e ​​foi essa amizade, aparentemente sem qualquer relação com a carreira brasileira dele, que o levou a conhecer J Rúlio Iglesias. Um encontro que, segundo o próprio relato de Liv, anos depois mudaria a sua carreira de forma definitiva. Não existe um guião dramático nesse encontro.

 Não foi umação, nem um súbito golpe de sorte. Foi simplesmente o tipo de ligação que só acontece quando alguém já passou tempo suficiente dentro de uma indústria conhecer as pessoas certas, mesmo sem nunca ter chegado ao topo da mesma. Liv ofício por dentro, tinha vivido o auge e a queda como cantor, e que, mais do que qualquer outra coisa, foi o que o tornou valioso para os outros.

 Em meados dos anos 70, regressou ao Brasil e gravou uma canção de título quase autobiográfico, O regresso do gringo. A ironia era total. Ali estava o mesmo homem que tinha sido uma década antes um dos rostos da Jovem Gua, regressando como estrangeiro a um país que já se lembrava dele como cantor. Mas esta segunda passagem pelo Brasil já não era sobre tentar voltar a ser famoso, era sobre outra coisa.

 Liv tinha passado, sem se aperceber, de intérprete para observador, de alguém que necessitava de um público para alguém que sabia ver nos outros o que fazia um artista funcionar. E foi precisamente essa habilidade que o levou ao primeiro grande projeto dele como criador de estrelas. Mas antes de chegar a Miami, antes dos três álbuns de Roberto Carlos e das 700 canções, existia um teste muito mais simples que Liv precisava de passar primeiro, descobrir se sabia ver talento noutra pessoa, mesmo depois de não ter conseguido brilhar sozinho. O

primeiro grande golpe de mestre de Livor aconteceu quando viu ao vivo um cantor chamado Sidney Magal se apresentando. Na altura viu ali algo que ia muito para além da voz, uma presença física marcante, uma sensualidade de palco pouco comum e o material em bruto construir um personagem comercial de sucesso.

 Desta parceria nasceram êxitos como Tenho o Meu Sangue Ferve Por você e a Sandra Rosa Madalena, a cigana. Lividava apenas do repertório e da produção musical. Ele ajudava a desenhar com cuidado a própria imagem pública dos Sidney Magal, moldando uma personagem que público reconheceria de imediato. Ali já se via claramente o profissional que mais tarde faria sucesso à escala internacional.

 alguém capaz de fabricar identidade, repertório e narrativa ao redor de um artista inteiro. É curioso pensar que o mesmo olhar que não conseguiu anos antes transformar o próprio Liv num ídolo de primeira linha, agora conseguia ver com precisão exatamente o que faltava noutro artista para lá chegar. E o nome de Liv aparece também ligado à outra figura da própria jovem guarda, Lilian Knap, do antigo dueto Leno e Lilian.

 Durante a fase em que cantava sozinha, Liv produziu o maior sucesso de toda a carreira a solo dela. Sou rebelde com uma letra assinada por nada mais nada menos que Paulo Coelho, muito antes de o escritor tornar-se um dos nomes mais lidos do mundo. Só este pormenor já diz muita coisa sobre a nova posição de Liv dentro da música brasileira.

 O cantor argentino que nunca tinha conseguido entrar de vez no núcleo da Jovem Guarda, agora produzia nos bastidores o maior sucesso de uma das vozes dessa mesma geração. Ele já não precisava de estar no centro do palco. Estava a aprender a construir todo o palco. Curiosamente, décadas depois, seria precisamente Lilian quem apareceria no catálogo de vídeos deste canal, contando a sua própria história, sem que a maioria dos espectadores soubesse que uma parte importante do sucesso dela tinha as impressões digitais de Robert Liv. E esta aprendizagem toda, poucos

anos depois, o levaria muito para além do Brasil, para um mercado que nem os maiores nomes da Jovem Guarda tinham conseguido alcançar de verdade. [música] Nos anos 80, já radicado nos Estados Unidos, Liv deu o salto definitivo, deixou de vez o microfone e dedicou-se inteiramente à composição e à produção. Ao longo das décadas seguintes, construiu um catálogo de mais de 700 canções, um número reconhecido anos depois, pelo próprio Latin Songwriters Hall of Fame.

 E foi precisamente aí, longe dos palcos brasileiros, que decorreu a reviravolta mais impressionante de toda esta história, o reencontro com Roberto Carlos. Os dois conheciam-se desde os tempos em que ainda eram jovens e desconhecidos, tentando descobrir se teriam algum futuro na música. Décadas depois, já consagrado como rei, Roberto Carlos recorreu a Live como compositor e produtor para projetos internacionais em espanhol e confiou-lhe a produção de três álbuns inteiros, Sonrie, Pájaro Herido e Sipiensas Siquieres.

 Liv também assinou a composição de Siela Amor seva para o próprio Roberto Carlos. Não é pouca coisa confiar três álbuns inteiros da própria carreira internacional a uma única pessoa. Roberto Carlos podia escolher literalmente qualquer produtor do mundo latino naquele momento e escolheu o amigo argentino que tinha conhecido décadas antes, ainda no início de tudo, quando nenhum dos dois sabia se teria futuro na música.

 Pense bem no tamanho desta reviravolta. O jovem argentino que na Jovem guarda nunca tinha estado perto de ocupar o lugar de Roberto Carlos, acabou por se tornar um dos profissionais em quem o próprio Roberto Carlos optava por confiar parte da própria carreira internacional. Mas Roberto Carlos estava longe de ser o único nome de grande dimensão na lista de Liv.

 Ele trabalhou com José José, produzindo, entre outros discos 40 e 20. Colaborou com Júlio Iglesias, Rossio Durcal, Isabel Pantoja e o duo Pimpinela. O catálogo dele também passou por nomes como Shayane, Cristian Castro, Ana Gabriel, Diango e José Luiz Rodríguez, gerações inteiras e completamente diferentes entre si da música latina, todas tocadas em algum momento pelas mãos do mesmo homem que o Brasil tinha deixado de ouvir décadas antes.

 Cada um destes artistas, à sua maneira, se apoiou num profissional que aprendera, na base do fracasso, exatamente o que fazia funcionar uma canção. Chegou até ao participar no projeto em espanhol do cantor britânico Sting, nada como El Sou, trabalhando aspetos de letra e adaptação vocal. O cantor que o Brasil deixou de ouvir nos anos 70 tinha-se tornado, sem que quase ninguém do outro lado do Atlântico soubesse, uma das peças centrais por detrás de algumas das vozes mais ouvidas de toda a música latina. Em outubro de 2017, este

reconhecimento se tornou oficial. Liv foi homenageado no Latin Songwriters Hall of Fame em Miami, um prémio que resume bem a dimensão de uma carreira que tinha começado muito longe dali, no Circuito Jovem da Televisão brasileira dos anos 60. Para um homem que nunca teve o nome estampado nas capas das revistas, aquele palco era, a sua forma uma espécie de reconhecimento tardio, embora quase ninguém no Brasil tenha percebido que estava a acontecer.

Enquanto isso, do outro lado do continente, a indústria que realmente o conhecia, a dos compositores e produtores latinos, já sabia há anos qual era o verdadeiro tamanho do trabalho dele. Morreu em 25 de janeiro de 2019, aos 76 anos, em Aurora, na área metropolitana de Denver, no Colorado.

 Uma reportagem da época, sem confirmação oficial da equipa dele ou da família, atribuiu a morte a um ataque cardíaco. As informações publicadas na ocasião também indicavam que seguia profissionalmente ativo e que teria, inclusive, planos ligados ao Brasil. Embora este pormenor também dependa de uma única fonte daquele momento, o que se sabe com certeza é isto.

 Mesmo décadas depois de deixar de ser um rosto conhecido para o público brasileiro, Robert Liv nunca deixou de trabalhar. E é precisamente aí que reside o verdadeiro contraste desta história. Lá no início, a pergunta era simples: Como um cantor que o Brasil deixou de escutar tornou-se uma peça essencial por trás do ídolo maior da música brasileira? Agora já sabe a resposta.

 Robert Liv nunca foi o novo Roberto Carlos e, provavelmente nunca teve uma hipótese real de ser. Mas ao aceitar isso, encontrou um caminho que poucos artistas conseguem encontrar, o de continuar relevante mesmo depois de os holofotes se apagam. Enquanto o Brasil foi, aos poucos esquecendo o rosto daquele cantor argentino de sotaque castelhano, toda a América Latina seguiu ouvindo as canções que ajudou a criar, muitas vezes sem sequer conhecer o nome de quem estava por detrás delas.

Há algo de profundamente humano nisso. A ideia de que o fracasso, quando encarado de frente, pode transformar-se noutra coisa completamente diferente do que se imaginava no início. Liv falhou como cantor. Isso a essa altura já não é uma dúvida. É um facto que a própria história dele confirma sem rodeios.

 mas construiu, com paciência e trabalho invisível, um legado que continua vivo em 700 canções espalhadas por todo um continente e que hoje soa muito mais alto do que qualquer sucesso isolado que teria alcançado como intérprete. Talvez seja essa a verdadeira lição por detrás desta história. Nem toda a fama precisa de um rosto conhecido para deixar a sua marca.

Da próxima vez que ouvir uma canção de Roberto Carlos, de José José ou de Júlio Iglesias, talvez valha a pena se perguntar quantas outras mãos invisíveis, como o de Robert Ley, ajudaram a construir aquele momento, sem que nunca ninguém soubesse o nome delas. Se esta história te fez pensar em quantas outras pessoas, por detrás dos grandes nomes da música, nunca chegaram a ter o reconhecimento que mereciam, vale a pena continuar por aqui.

 do canal. Também vai encontrar a história de Lilian, a mesma cantora cujo maior sucesso a solo nasceu precisamente das mãos de Robert Liv e da pena de Paulo Coelho e vai encontrar, claro, a trajectória completa do próprio Roberto Carlos, o amigo de juventude, que décadas depois confiou-lhe parte da própria carreira internacional.

 Se você chegou até aqui, já percebeu que este canal existe para contar exatamente este tipo de história, a que está escondida atrás da fama. Se ainda não faz parte da nossa comunidade, esta é uma boa hora para se inscrever e continuar acompanhando estas trajetórias com a gente.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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