A Última Noite de Laura Cardoso, Contada Pela Própria Família – H
Às 23:24 da noite de 17 de agosto de 2026, [música] numa casa no bairro do Sumaré, em São Paulo, uma mulher de 98 anos deixou de respirar, rodeada por toda a família. Não estava internada, não estava doente. [música] Segundo a própria neta Adriana Balerone, não não tinha nada, não estava com nada. “O corpo cedeu ao tempo”, disse [música] Adriana. Mas a Laura, propriamente dita, não.
Nos dias anteriores, ela dizia ainda que aceitaria um trabalho novo se aparecesse. Essa mulher era a Laura Cardoso, 80 anos de carreira, mais de 60 telenovelas, [música] cerca de 150 personagens na rádio, na televisão, no teatro e no cinema. A atriz com [música] mais títulos na história da televisão brasileira.
O seu último trabalho na TV [música] foi em 2019, em A dona do Pedaço. O seu último filme, Dona [música] Rosinha, é de 2025, quando já tinha 97 anos. [música] Na tarde seguinte à sua morte, a Rede Globo fez algo que raramente o faz. Tirou a sessão da tarde do ar para exibir uma homenagem à mesma. Mas o que torna esta despedida [música] diferente de todas as outras não é o dimensão da carreira.
É o que Laura [música] Cardoso disse 7 anos. antes numa entrevista sobre a forma exacta como ela queria partir. Naquele dia, ela falou da morte sem qualquer medo, como quem fala do tempo. E quando o momento chegou, na noite de 17 de agosto, aconteceu quase exatamente como ela [música] tinha descrito. O bisneto resumiu numa frase, a porta do velório, e esta frase é o coração desta história. Tem mais.

Laura Cardoso ficou viúva aos 52 anos e nunca mais se casou. Perguntaram-lhe o motivo e a resposta [música] foi demasiado curta e direta para ser confortável. O nome do homem que ela amou durante 31 anos desapareceu da vida dela em [música] 1980. E no fim este mesmo nome estava de volta ao lado dela na madrugada em que ela morreu.
Eu vou dizer-te como é que isso [música] é possível. Se acompanha as histórias reais por trás dos grandes nomes da nossa televisão, deixa o like e subscreve aqui no canal, porque cada inscrição faz este trabalho continuar a existir. E fica até ao fim, [música] porque a última parte desta história é a que quase ninguém contou.
Ela nasceu no Bexiga em 13 de [música] setembro de 1927 e foi registada como laurinda de Jesus Cardoso. O Bexiga daquela época não era o bairro boio dos postais de hoje. Era um bairro de imigrantes pobres e os pais dela eram isso mesmo. Portugueses que atravessaram o Atlântico para tentar uma vida melhor no Brasil, como milhares de outros.
[música] A menina que ali nasceu não tinha em casa nenhum parente artista, nenhum contacto, nenhuma porta aberta. O que ela tinha era um jogo de crianças. Segundo o registo da própria trajetória, o que A Laura fazia desde pequena [a música] era imitar as pessoas. Imitava vizinhos, imitava quem passava na rua, imitava o maneira de falar de quem ela ouvia.
E para fazer isso, ela montava um palco improvisado em cima de caixotes. [música] Não havia teatro, não havia plateia, não havia sequer a palavra atriz a circular dentro daquela casa. Havia uma menina de pé sob caixotes de feira na bexiga, [música] ensaiando alguém que ela nunca seria e que ela seria durante os 80 anos seguintes.
Os pais não gostaram da ideia. Quando ela decidiu que aquilo não era uma brincadeira, houve resistência dentro de casa. E é preciso compreender o que significava no Brasil dos anos 40 uma família portuguesa e católica ver a filha adolescente anunciar que queria ser artista. Artista naquele contexto era uma palavra com peso.
Mas aos 15 anos Laura já não tinha qualquer dúvida. Ela fez um teste para uma rádiovela na Rádio Cosmos e passou. A carreira, que viria a ser a mais longa da dramaturgia brasileira, começou ali, numa estação de rádio com uma rapariga de 15 anos falando ao microfone para um público que nunca veria o rosto dela.
E aqui está o pormenor que quase ninguém repara. Laura Cardoso não começou na televisão. Ela começou antes da televisão existir no Brasil. [música] Quando ela entrou na rádio, a TV brasileira simplesmente não tinha sido inventada ainda. Ela foi uma das pessoas que lá estavam quando a coisa nasceu. Em 1952, aos 25 anos, apareceu na TV Tupi em Tribunal do Coração.
Era uma emissora com pouco mais de um ano de vida, transmissão em direto, sem gravação, [música] sem edição, sem segunda oportunidade. Se você errasse uma fala, o Brasil inteiro via o erro acontecer. Foi neste regime que Laura Cardoso aprendeu o ofício. Depois vieram os teleteatros, como o Grande Teatro Tupi, e as chamadas telenovelas não diárias, aquelas [música] que iam para o ar duas ou três vezes por semana, formato que hoje já ninguém reconheceria.
Em 1959, ela estava num lugar ao sol, adaptação do romance do escritor norte-americano Theodor Dryer. Nos anos seguintes, ela circulou por praticamente todas as emissoras que existiam. [música] TV Excelsior, Record, TV Cultura, não por instabilidade, mas porque era assim que a televisão funcionava naquele tempo e porque ela trabalhava sem parar.
O o cinema surgiu em 1962 com o Rei Pelé e continuou em 1964 com Imitando o Sol. No total, seriam cerca de 30 filmes entre longas e curtas- ao longo da vida. E o teatro, que ela nunca abandonou rendeu dezenas de peças e prémios da crítica paulista. Mas nada disso é o que mais marcou aqueles primeiros anos.
Porque em 1946, nos bastidores da rádio Tupi, uma Laura ainda adolescente cruzou-se com um homem de 23 anos. Ela descrevê-lo-ia décadas [música] depois com uma frase que não deixa margem para a dúvida. O rosto mais bonito da televisão. O seu nome era Fernando Balerone [música] e ele mudaria tudo.
Fernando Baleroni tinha nascido em São Paulo a 25 de novembro de 1922, 5 anos antes de Laura. Quando os dois se encontraram em 1946, [música] ela ainda dava os primeiros passos nas rádionelas e ele era já um profissional respeitado no meio. Décadas mais tarde, ao recordar aquele encontro numa entrevista ao Itaú Cultural, Laura não recorreu a nenhuma poesia.
Ela disse simplesmente que era um bom ator, que era um homem muito bonito e completou [música] realmente o rosto mais bonito da televisão. Namoraram alguns anos e oficializaram a união em 1949. Tinha 21 anos e o casamento que começou ali só terminaria 31 anos depois. Pela única razão que Laura nunca conseguiu contornar.
Balerone não era apenas o marido bonito. Foi ao longo da vida ator, encenador, argumentista e produtor. E trabalhou em produções que ajudaram a moldar o formato da dramaturgia brasileira na TV. algemas de ouro, os fidalgos da casa maurisca, o príncipe e o mendigo. [música] Ele dirigiu, escreveu e produziu numa época em que a televisão brasileira estava literalmente inventando as próprias regras e muitas vezes trabalhou lado a lado com a esposa.
O seu casamento não foi uma vida artística de um e de uma vida doméstica do outro. Foram duas carreiras dentro da mesma casa, numa altura em que isso praticamente não existia no Brasil. [música] E aqui está a parte que quase nenhuma reportagem contou esta semana. Laura Cardoso nunca romantizou aquele casamento.

Numa entrevista ao programa Persona em Foco da TV Cultura, disse que a sua vida com Balerone foi muito boa, sim. Mas na mesma conversa, ela reconheceu, sem rodeios, que a convivência de tantos anos atravessou momentos diferentes e que ambos poderiam-se eventualmente interessar por outras pessoas. Ela disse isso publicamente aos [música] 70 e tal anos sobre um marido já falecido.
Numa geração em que as mulheres simplesmente não diziam este tipo de coisas [música] em rede de televisão. A Laura dizia: “E é por isto que quem com ela trabalhou repete tanto a palavra franqueza”. Desta união [música] vieram três filhos, Fátima e Fernanda, que cresceriam e escolheriam deliberadamente manter-se longe dos holofotes.
E José, José era o único filho do sexo masculino. Ele morreu três [música] dias depois de nascer. A Laura descreveu esta perda mais tarde como uma das experiências mais duras de toda a sua existência. E é preciso parar um segundo aqui, porque a cronologia diz [música] algo que a frase por si só não diz. Isso aconteceu enquanto ela subia, enquanto entrava na TV Tupi, enquanto fazia teleteatro em direto, enquanto o Brasil começava a aprender o nome dela.
A mulher que o país via no pequeno ecrã, firme, elegante, [música] com aquela voz inconfundível, era a mesma mulher que tinha enterrado um recém-nascido e voltado ao trabalho. Ela nunca transformou isso numa bandeira, nunca usou a perda como cartão de visita e por isso a maioria do público que a acompanhou [música] durante sete décadas nunca soube que José existiu.
Os anos seguintes foram os mais produtivos da vida [música] dos dois. As filhas cresceram, a televisão brasileira consolidou-se e Laura acumulou papéis em ritmo, que hoje seria impensável. Ela e Balerone chegaram aos anos 70 como um casal estabelecido, com 30 anos de história e uma família construída. Então veio novembro de 1980. No dia 22 desse mês, Fernando Balerone faleceu aos 57 anos.
Faltavam exatamente três dias para o seu 58º aniversário. A Laura tinha 53 anos e acabava [música] de perder de uma só vez o marido, o parceiro de profissão e a estrutura inteira sobre a qual tinha montado a vida adulta. O que ela fez nos 12 meses seguintes explica tudo o que veio depois e não foi luto. Em 1981, poucos meses depois de enterrar o marido, Laura Cardoso recebeu um convite da TV Globo.
Aos 53 anos, viúva recente, ela aceitou entrar no elenco de Brilhante, novela de Gilberto [música] Braga, e mudou de estação depois de quase 30 anos de carreira construída em outro lugar. Pense no tamanho desta decisão. Ela já era uma estrela quando chegou. Não era uma promessa em busca de espaço. Era [música] uma atriz com três décadas de estrada, cinco estações no currículo e um nome que o Brasil [música] conhecia desde os tempos do rádio.
Muita gente naquela posição teria desacelerado. A Laura fez o contrário. Aos 53 iniciou a fase mais vista da vida dela. Só na Globo viriam mais 20 novelas. E é aqui que surge o personagem que lhe colou para sempre. Em 1993, em Mulheres de Areia, Laura fez dona Isaura. No ano seguinte, em 1994, [música] veio a Dona Guomar na segunda versão de A via Viagem.
Se tem mais de 30 anos e cresceu no Brasil, [música] não precisa de explicação nenhuma sobre quem é a dona Guomar. Aquela personagem entrou na casa das pessoas num horário em que todo o país parava. Depois vieram a Fera Radical, Chocolate com Pimenta, A Padroeira, Caminho das Índias, Irmãos Coragem, o outro lado do paraíso.
Somando a rádio, o teatro, o cinema e o televisão, foram mais de 100 trabalhos e mais de 60 telenovelas. Ela é oficialmente a atriz com mais títulos na história da televisão brasileira. Agora, o número que muda a leitura de tudo isto. Laura Cardoso tinha um contrato vitalício com a Globo.
Não é uma figura de retórica, era um contrato válido até à morte e ela morreu com ele em vigor. A emissora manteve este vínculo com uma atriz que fez o último papel na TV em 2019, aos 91 anos in A Dona do Pedaço. [música] E ela não parou nem depois disso. O último filme dela, Dona Rosinha, é de 2025. Laura Cardoso estava a trabalhar no cinema aos 97 anos de idade.
Porque é que ela nunca parou? A resposta veio da boca dela e é curta. Numa homenagem, perguntaram sobre a reforma. A Laura respondeu que a reforma seria uma coisa horrível e emendou dizendo que ainda tinha muitos planos para realizar. Ela disse que já com mais de 90 anos. Foi essa mesma teimosia que ela aplicou à vida pessoal e com o resultado oposto.
[música] Depois de 1980, A Laura nunca mais se casou. Ficou 46 anos viúva. [música] 46 Mais 15 anos sozinha do que os 31 que passou casada. Em 2017, durante o projeto Ocupação Laura Cardoso, no Itaú Cultural, perguntaram diretamente sobre isso [música] e a resposta dela foi desconcertante de tão simples. Ela disse que não pensou em voltar a casar, não.
E riu. Explicou que sempre teve [música] a carreira, que a carreira preencheu muito a vida dela e depois acrescentou a parte que dói. Claro que olhamos para os homens, acha interessante, mas amar, gostar, acho que não deu. Eu não encontrei. Não encontrei duas palavras para resumir quase meio século. E ainda assim ela não passou esses 46 anos sozinha porque a família cresceu ao redor dela.
Fátima acabaria por dividir com o Itaú Cultural a curadoria daquele mesma exposição de 2017, reunindo fotografias, documentos, figurinos e registos da carreira da mãe. Fernanda tornou-se empresária de Laura e a acompanhava nos compromissos profissionais, incluindo 2014. Quando a atriz recebeu a calunga de ouro pelo conjunto da obra no Cine PE em Pernambuco, vieram as netas Cláudia e Adriana e veio um bisneto.
O bisneto recebeu um nome específico, escolhido de propósito, e foi ele quem esteve do lado dela na madrugada de 18 de agosto de [música] 2026, falando com a imprensa à porta do velório. O bisneto chama-se Fernando. Fernando Faria Baleroni. Ele foi batizado [música] assim em homenagem direta ao Bisavô, o homem que Laura perdeu em 1980 e que nunca substituiu.
Ou seja, o nome que desapareceu da vida dela aos 53 anos voltou para dentro de casa uma geração depois, carregado por um rapaz. E a relação dos dois tornou-se uma das coisas mais comentadas dos últimos anos da atriz. A Laura falava dele publicamente com uma frequência que chamava a atenção e chegou a referir-se ao bisneto [música] carinhosamente como o seu último amor.
Uma mulher que passou 46 anos a dizer que não encontrou mais ninguém, encontrou no fim alguém com o mesmo nome do primeiro. Ela costumava dizer que se sentia realizada por ter vivido as três coisas: ser mãe, ser avó e ser bisavó, vinda de uma mulher que enterrou um filho de três dias.
Isto não é uma frase [música] decorativa. Ora, o que aconteceu na noite de 17 de agosto de [música] 2026? A Laura estava em casa, no Sumaré, na zona oeste de São Paulo. Não estava internada, não estava em tratamento, não havia diagnóstico público nenhum. A neta Adriana Baleroni foi perentória ao falar com os jornalistas no dia seguinte.
Ela não tinha nada, não estava com nada e completou com a frase que resume 98 anos melhor do que qualquer biografia. O corpo acho que cedeu ao tempo, mas a Laura mesmo não. Ela continuou com a mesma personalidade. A Adriana contou também que a bisavó se manteve lúcida até ao [música] fim e que continuava recetiva a novos trabalhos, disposta a atuar sempre que aparecesse oportunidade.
Quer dizer, [música] Laura Cardoso morreu tecnicamente disponível para o papel seguinte. Por volta das 23:20, ela sentiu-se mal. A filha Fátima relatou isso ao G1. às 23:24 morreu. Causas naturais confirmadas pela família e toda a família estava ali. Adriana descreveu o momento em oito palavras que dispensam qualquer narração. Ela apenas respirou e foi-se embora.
Estávamos todos com ela ali. Toda a a minha família estava com ela. Lembra-se da promessa que fiz no início deste vídeo? É agora. Em 2019, 7 anos antes dessa noite, Laura Cardoso deu uma entrevista à revista Quem e falou sobre a morte sem qualquer rodeio. [música] Ela disse que não tinha medo. Brincava com as filhas, dizendo que só tinha medo de fantasma.
E depois definiu a coisa com a clareza de quem já pensou muito no assunto. A morte é imprevisível, mas é inevitável. A gente não sabe quando ela vem, mas que ela é certa para todo o mundo. [música] Ela é. Só não diz a hora que vem. E terminou assim: “Adoro a [música] vida. Agradeço a Deus por ter chegado a essa idade, mas a gente um dia vai-se embora”.
7 anos depois, ela foi-se embora exatamente da forma que descreveu, sem medo, sem aviso, sem sofrimento, em [música] casa, rodeada pelas pessoas que amava, com a família toda à volta e a cabeça funcionando até ao último minuto. Na porta do velório, na manhã seguinte, foi precisamente o bisneto Fernando quem colocou isso em palavras diante [música] das câmaras.
Ele disse que a Laura descansou em paz, feliz, da forma que ela queria, à volta de pessoas que ela amava, de pessoas de quem sempre gostou e cultivou essa relação. E terminou. [música] A nossa estrela partiu, mas o legado continua. Laura Cardoso é eterna. A atriz Miriam Meller, de 90 anos, amiga de Laura desde os palcos e do cinema, resumiu o sentimento de quem ficou de uma forma [música] que talvez seja a mais honesta de todas.
Ela disse que vai ter muitas saudades, mas também alegria, porque a Laura não sofreu. O que aconteceu no dia seguinte, no entanto, mostrou o tamanho real desta mulher para o Brasil e envolveu uma decisão da Rede Globo que a estação quase nunca toma. Na tarde de 18 de agosto, a Rede Globo tirou a sessão da tarde do ar.
[música] Não é um pormenor burocrático de programação. A sessão da tarde é uma das faixas mais antigas e mais estáveis da televisão brasileira. e o filme previsto simplesmente não foi apresentado. No lugar depois da repetição de Além do Tempo, a emissora colocou no ar o especial tributo, episódio da série documental gravado em 2024, inteiramente dedicado à Laura Cardoso, no qual parte da infância humilde no Bexiga até à entrada na televisão, reencontra-se com a atriz paz e recebe testemunhos de vários colegas. Ou seja, a homenagem que o
O Brasil viu naquela tarde tinha sido gravado com a própria Laura, viva do anos [música] antes. Ela participou na própria despedida sem saber que era isso. [música] Em comunicado, a estação registou que Laura atravessou oito décadas de atividade na rádio, na TV, no cinema e no [música] teatro. Sempre reconhecida pelo público, pela crítica, por autores e por realizadores, e que somou mais de 100 trabalhos entre novelas, séries e especiais.
Menos de um ano antes, em outubro de 2025, ela tinha ganho uma estrela na calçada da fama dos estúdios Globo e no mesmo período gravou a tradicional vinheta de final de ano da estação. Aos 98 anos, ela ainda estava à frente de uma câmara. O velório realizou-se naquela mesma terça-feira, das 8 da manhã às 2 da tarde, no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo, a poucos passos da Avenida Paulista.
É o mesmo endereço que recebeu as despedidas de Jô Soares em 2022, de Juca de Oliveira em março deste ano e do autor Benedito Rui Barbosa, há poucas semanas. Uma geração inteira da A dramaturgia brasileira passou pela mesma porta em poucos anos. A família tomou uma decisão que precisa de ser dita com honestidade. Fechou a cerimónia.
Só parentes e amigos próximos entraram. O enterramento também foi restrito e a família não divulgou publicamente o local, nem forneceu mais informações. Não houve escândalo, não houve mistério, não houve qualquer briga. Houve uma família de mulheres discretas a fazer exatamente o que fez toda a vida, mas os fãs não foram embora.
Do lado de fora, admiradores colaram cartazes e mensagens à entrada do edifício e transformaram a fachada num ponto de homenagem. Um deles era Jackson Valente, residente em Monte Alegre, no Pará. Estava de passeio em São Paulo quando acordou com a notícia e decidiu ir até lá. contou o que se lembrava dela nas telenovelas, que se tornou fã daquela mulher e que ela deixou um legado que vai passar para outras gerações.
Outro George Charketan, acompanhava a sua carreira desde os tempos da TV Tupi. Desde a TV Tupi, ele viu esta mulher trabalhar durante praticamente a vida inteira dele. Dentro chegaram os colegas Bárbara Bruno, Bet Gular, Odilon Wagner, Miriam Meller e do lado de fora nas redes [a música] começou uma coisa que não parava.
Tony Ramos falou à Globo News sobre uma convivência de mais de seis décadas com ela. Uma amizade que começou lá atrás na extinta TV Tupi e que atravessou toda a vida dos dois. Arifon Toura, ele próprio, com 93 anos, escreveu duas palavras sem acreditar. Miguel Falabela lembrou-se de uma relação feita de amizade, [música] diversão e respeito e disse que para ele era sempre um privilégio assistir à Laura debruçar-se sobre uma personagem.
Fabiana Carla contou que acordou de madrugada, [a música] teve a péssima ideia de olhar para o telemóvel e encontrou a notícia. Marcelo Adnete resumiu numa palavra eterna. Zezé Mota disse que foi um privilégio ter vivido na mesma época que ela. Débora Seco, [música] que trabalhou com Laura em Aadroeira entre 2001 e 2002, escreveu que foi a maior de todas, uma [música] força, uma luz e que a guardaria eternamente no coração.
As Tataverneque, Letícia Sabatela, Solange Couto, Kiko Mascarenhas. Repare no que esta lista tem de estranho. São nomes de gerações completamente diferentes. Gente separada por 40, [música] 50 anos de idade e todos a falar da mesma mulher com intimidade. Bárbara Bruno explicou o porquê melhor do que ninguém.
Ao dizer que a melhor recordação era a energia de amor e de segurança cénica que a Laura tinha e que passava isso para o público, para os fãs, para os amigos e para os colegas. Segurança cênica. É esse o termo. Numa profissão em que o medo é permanente, ela era a pessoa que fazia com que os outros deixassem de ter medo.
E é isso que se perde quando morre alguém que começou na rádio antes da televisão existir no Brasil. Entrou [música] na Tupi ao vivo em 1952 e ainda estava a filmar em 2025. Não é apenas uma atriz, é uma das últimas testemunhas de uma coisa inteira. Laurinda de Jesus Cardoso subiu para cima de caixotes no Bexiga para imitar os vizinhos e desceu daí 80 anos depois, como a atriz com mais títulos da história da televisão brasileira.
[música] Entre uma coisa e outra, ela enterrou um filho de três dias. Enterrou aos 53 anos o único homem que amou. Atravessou 46 anos de viúvez, dizendo apenas: “Não encontrei”. E trabalhou até aos 97. E no fim ela conseguiu a única coisa que tinha pedido em voz alta. Em 2019, ela disse que a morte é imprevisível, mas inevitável, que a gente não sabe a hora e que amava a vida e agradecia por ter chegado àquela idade.
7 anos depois, às 23:24 de uma segunda-feira comum, ela foi-se embora em casa, sem dor, sem doença, lúcida, com a família toda à volta [música] e o bisneto Fernando por perto, transportando o nome do homem que ela tinha perdido em 1980. O ciclo fechou-se sozinho. Ela começou apaixonada por um Fernando e terminou ao lado de outro.
Se esta história te pegou de alguma forma, deixa o like. É o que empurra este vídeo para mais gente que também cresceu a ver a dona Guomar e a dona Isaura. E quero saber uma coisa específica nos comentários. Qual foi a personagem de Laura Cardoso que ficou gravada na sua memória? Foi a dona Guiomar de Aviagem, a dona Isaura de Mulheres de Areia, alguma de chocolate com pimenta, fera radical, caminho das Índias? Escreve lá em baixo o nome da personagem e o ano em que assistiu, [música] porque tenho quase a certeza de que a mistura de gerações nestes
comentários vai ser impressionante. E se quer entender de verdade o tamanho do que esta geração construiu, o vídeo que está a aparecer aí no ecrã conta a história de um outro nome que atravessou as mesmas décadas ao lado dela. Clica lá que a história é ainda mais surpreendente do que esta. M.
Se esta história te pegou de alguma forma, deixa o like. É o que empurra este vídeo para mais gente que também cresceu a ver a dona Guomar e a dona Isaura. E quero saber uma coisa específica nos comentários. Qual foi a personagem de Laura Cardoso que ficou gravada na sua memória? Foi a dona Guiomar de Aviagem, a dona Isaura de Mulheres de Areia, alguma de chocolate com pimenta, fera radical, caminho das Índias? Escreve lá em baixo o nome da personagem e o ano em que assistiu, [música] porque tenho quase a certeza de que a mistura de gerações nestes
comentários vai ser impressionante. E se quer entender de verdade o tamanho do que esta geração construiu, o vídeo que está a aparecer aí no ecrã conta a história de um outro nome que atravessou as mesmas décadas ao lado dela. Clica lá que a história é ainda mais surpreendente do que esta. M.