Aos 75 anos, RITA LEE e a PROFECIA que se CUMPRIU após sua MORTE – H

7 anos antes de morrer, a Rita sentou-se e escreveu o dia da própria morte, palavra por palavra, sem tremer a mão. Quando esse dia chegou de verdade, o Brasil parou. Três dias de luto nacional, uma fila que dava a volta ao quarteirão para uma mulher que passou a vida inteira rindo da sua própria fama.

Documentos e relatos publicados nos últimos anos reconstróem o que aconteceu naqueles últimos anos dela. E até ao final desse vídeo vai perceber exatamente o que ela viu antes de todo o mundo. 47 anos de amor, uma carreira inteira, uma vida de irreverência. Tudo isto desaguava diretamente naquela página.

Todos se lembram da Rita Lebochada, a que se ria de tudo e nunca não levava nada a sério. Mas foi ela quem teve a coragem de escrever o seu próprio final antes de qualquer outra pessoa desconfiar que precisava. Ninguém no bairro da Vila Mariana, em São Paulo, apostaria numa coisa, que aquela menina mais nova, filha de um dentista americano e de uma pianista italiana, ia tornar-se artista mais irreverente que o rock brasileiro já conheceu.

Ridle Jones nasceu em São Paulo no último dia de 1947, faltando poucas horas para o ano virar. Era a mais nova de três irmãs. As duas mais velhas, Mary e Virgínia, cresceram dentro da mesma casa, ouvindo a mesma mãe tocar piano. Só que foi a mais nova quem decidiu que escutar não bastava, que precisava de alguma forma fazer barulho também.

A mãe, Romilda, pianista, pôs as meninas a estudar piano clássico desde cedo. A Rita não gostava muito da disciplina. Preferia inventar letras nas costas do caderno enquanto devia estar decorando escalas. Não sonhava ser cantora. Queria ser atriz ou veterinária ou seguir a profissão do pai e tornar-se médico dentista igual aos 15 anos.

trocou o piano pela bateria. Aos 19 entrou paraa faculdade de comunicação social na Universidade de São Paulo, dividindo sala com uma colega chamada Regina Duarte, que também ia ficar famosa, só que noutro palco, o da televisão. Rita durou um semestre inteiro no curso, só um. não se encaixava ali, sentada numa sala de aula ouvir teoria sobre comunicação, enquanto o que ela queria mesmo era fazer barulho.

Portanto, largou tudo. Foi numa casa simples da rua Venância Aires, no bairro da Pompeia, em 1966, que Rita se juntou aos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista para formar uma banda. O nome surgiu da ficção científica, Os Mutantes. Quem batizou o grupo e deu a ele o seu primeiro palco televisivo foi nada mais nada menos que Ronnie Von na altura, um dos apresentadores mais assistidos do país.

E o mesmo Ronnie Von, que anos depois ia carregar sozinho uma dor que o O Brasil só veio a conhecer muito mais tarde. A Rita também falava, para além do português, inglês, italiano, espanhol e francês, herança direta dos dois lados da família. Mas nenhuma destas línguas explicava o que ela fazia em cima do palco.

Aquilo não vinha de fora, vinha de um modo de ser que ainda ninguém tinha um nome para dar. Os mutantes tocavam um tipo de música que São Paulo nunca tinha ouvido antes. Guitarra distorcida. efeitos de estúdio que pareciam vir de outro planeta, letras que misturavam deboche com poesia, colagem com crítica social.

Não existia uma palavra para aquilo ainda. O Brasil ainda ia demorar para encontrar o nome Tropicalia. Em 1967, a banda acompanhou Gilberto Gil na apresentação de Domingo no Parque, no Festival da Música Popular Brasileira. ficaram em segundo lugar, mas décadas depois já ninguém se lembra da colocação. Lembram-se do barulho guitarra elétrica num festival de música popular, coisa que aquele público nunca tinha visto antes.

Parte da plateia aplaudiu de pé. A outra parte não sabia se aquilo era música ou provocação. A Rita tinha 19 anos. Não não havia disco de ouro, nem plateia cheia, nem reconhecimento nenhum. ainda tinha uma sala de ensaios apertada, roupa de brechó e uma vontade enorme de fazer diferente.

E foi mesmo aí, entre o erro e o primeiro aplauso, que nasceu a irreverência que ia definir o resto da vida dela, a mesma irreverência que décadas depois ia fazê-la sentar-se numa mesa e escrever sobre a própria morte sem tremer a mão. Só que ser diferente no Brasil de 1967 tinha um preço e esse preço a Rita ia pagar no ano seguinte num palco ainda maior perante uma plateia que não ia aplaudir de maneira nenhuma.

Antes de continuar, um convite rápido. Se a história da Rita já te apanhou nesse primeiro capítulo, imagina os próximos seis. Subscreve aqui o canal para não perder as próximas histórias que nos conta. todas as semanas histórias como esta sobre os artistas que marcaram a vida de gerações inteiras. E se quiser ver os bastidores da pesquisa, os documentos e as fontes por detrás de cada guion, o círculo por detrás da fama tá aberto por R$ 3,99 por mês.

Agora de volta paraa Vila Mariana, pro momento em que o Brasil decidiu que a Rita ia longe demais. Em 1968, no palco do Festival Internacional da Canção, os mutantes voltaram a acompanhar o nome grande desta vez, Caetano Veloso, na apresentação de É proibido proibir. Só que nessa noite não teve segundo lugar nenhum. Teve vaias. A plateia gritava, atirava o objeto para o palco, chamava a banda de barulhenta.

Para uma boa parte daquele público, aquele tanto de guitarra elétrica doía no ouvido parecia mais briga do que canção, mas quanto mais vaivam, mais alto Rita tocava. Tinha 20 anos e já sabia uma coisa que ia demorar a vida toda a confirmar, que ser rejeitada por um público não significa estar errada. Às vezes significa só estar à frente demais.

O Brasil ia demorar anos a alcançar o que aquela banda já estava fazendo em cima do palco. E não era só o público que duvidava. Dentro da própria cena musical tinha quem dissesse abertamente que para fazer rock precisava de ter culhão. Rita, anos depois escreveria que queria provar a si própria que Rock também se fazia com útero, com ovário, sem precisar de qualquer sotaque para ser levada a sério. Nem tudo.

Nessa fase foi aplauso adiado. Em 1972, os próprios companheiros de banda expulsaram a Rita dos Mutantes, o grupo que ela própria tinha ajudado a fundar seis anos antes. A cena que a lançou foi também a primeira a virar as costas para ela. No mesmo período, terminou o casamento dela com Arnaldo Baptista, um dos irmãos que tinham fundado a banda ao lado dela e o pior ainda estava para vir.

Em 1976, grávida de 3 meses do primeiro filho, Rita foi detida sob acusação de posse de drogas, substância que sempre negou ter guardado ali. Passou dias detida, levada de uma esquadra de investigações para um estabelecimento prisional feminino, sem saber quando ia sair. Foi lá dentro, entre as reclusas, que aconteceu uma cena que quase ninguém se lembra.

Recebida com calor pelas outras mulheres presas, Rita cantou-lhes ovelha negra numa noite em que não tinha absolutamente nada para comemorar. Anos mais tarde, ela resumiria o momento em que deixou aquele lugar numa frase só. Saiu do camburão à escuta palmas e gritos. E foi nesse mesmo momento que uma colega de profissão apareceu do lado de fora.

Elizina foi visitá-la, encarou os agentes de frente e perguntou o que achavam que estavam a fazer com ela. Mandou comprar comida, deixou dinheiro. Rita, anos depois contaria que aquela mulher a tratou como se fossem amigas de infância numa época em que quase ninguém do meio artístico teria coragem de aparecer. O processo demorou meses.

Enquanto isso, Rita continuou a viver sob prisão domiciliário, à espera de um julgamento que só viria confirmar o que ela dizia desde o primeiro dia. Aquela droga nunca tinha sido dela. No fim, a justiça absolveu a cantora de qualquer acusação. Foi assim, expulsa da própria banda e ainda a recuperar da prisão, que Rita formaram o Tuti Fruti.

Em 1973, o grupo que ia carregá-la diretamente para o estrelato solo. Rida saiu dessa fase com o mesmo deboche de sempre, só que um pouco mais afiado. E era apenas o início da fase mais estrondosa da sua carreira, a fase em que um país inteiro ia aprender a cantar cada palavra que ela escrevia. A carreira a solo começou em 1972, ainda sob o nome Hoje é o primeiro dia do resto da sua vida.

Depois veio atrás do porto tem uma cidade em 1974, mas foi em 1975 com fruto proibido junto da banda Tuti Fruti, que o seu nome se tornou disco de ouro pela primeira vez quase 700.000 exemplares vendidos. O marco que até hoje aparece em toda a lista séria de discos essenciais do rock brasileiro. No ano seguinte, Refester emplacou oia negra no topo das tabelas.

Em 1977, entradas e bandeiras foi certificado o disco de platina duplo. Em 1978 veio Babilónia com Miss Brazil 2000 e disco voador a tocar em toda a estação de rádio do país. Mas o verdadeiro ponto de viragem surgiu em 1979, quando Rita assumiu de vez a parceria musical com Roberto de Carvalho, sobre quem vai ouvir muito mais daqui a pouco.

Juntos lançaram o álbum Reid Lee com Mania de Você, uma música que falava sem rodeio nenhum sobre o desejo feminino. Numa altura em que isso praticamente não se fazia na rádio brasileira, a canção foi parar em primeiro lugar. O mesmo disco trazia Chega Mais e Doce Vampiro, que também dominaram as tabelas naquele ano. Em 1980, veio o disco que ia tornar-se sinónimo do próprio nome dela.

Outro álbum autointitulado com lança perfume. Os sensores da época baniram a canção. motivo oficial, linguagem imprópria, mas a proibição não impediu nada. Lança Perfume vendeu 1 milhão de cópias só no Brasil e tornou-se sucesso internacional. Quanto mais tentavam calar, mais alto o Brasil cantava. O mesmo disco emplacou Baila Comigo outro hino que ficou para sempre associado ao nome dela.

5 anos depois, Rita subiu ao palco do primeiro Rocking Ristória, junto ao próprio Roberto, apresentando o disco que os dois tinham acabado de lançar juntos. Nos anos 92000, o ritmo não deu sinal de cansaço. Santa Rita de Sampa, em 1997 e 3000 em 2000 mantiveram-se em linha reta no topo e foi precisamente com o 3001 que ela trouxe para casa em 2001, o Grammy latino de melhor álbum de rock em língua portuguesa, a primeira de seis indicações que ela ia recolher ao longo da carreira.

Em 2003, Balacobacu tornou-se o viéso álbum de estúdio da sua trajetória, ainda relevante o suficiente, para render mais uma nomeação para o mesmo prémio e ganhou um empurrão extravelas de grande audiência usaram faixas do disco na banda sonora, levando a música dela para dentro da casa dos milhões de brasileiros que talvez nunca tivessem comprado um disco de rock na vida ao longo do caminho.

Artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Gilberto e a própria Eliz Regina gravaram canções compostas por ela, um reconhecimento que poucos Os compositores da geração dela receberam dos próprios pares. Não foram só os números que fizeram dela uma rainha. Foi o jeito. Cada entrevista, cada concerto, cada letra transportava a mesma amostra de deboche e verdade que ela tinha desde os 19 anos.

quando ninguém apostava numa palavra dela. Em 2012, já com a saúde mais frágil, Rita subiu a um palco pela última vez num festival de verão em Sergipe. A meio do concerto, tirou as calças perante o público e perdeu um patrocínio por causa disso. Ela não ligou, contou depois nas próprias redes que da música nunca se ia reformar, só dos palcos.

No total, foram mais de 55 milhões de discos vendidos ao longo de quase 60 anos de carreira. A revista A Rolling Stone colocou o seu nome entre os 15 maiores artistas da história da música brasileira. E antes de qualquer prémio, antes de qualquer disco de platina, tinha um pormenor que poucas pessoas param para se lembrar.

A Rita foi a primeira mulher a subir a um palco brasileiro a tocar guitarra elétrica. Ao longo da sua carreira, Rita passou por praticamente todos os estilos que a A música brasileira já experimentou da psicadelismo da Tropicalia ao disco, do New Wave a Bossa Nova até Flirts, com a eletrónica nos discos mais recentes.

Em 2022, um ano antes de morrer, recebeu o prémio Excelência Musical, um reconhecimento tardio, mas merecido, por meio século inteiro de carreira. Não tinha ninguém antes dela para copiar. Ela teve de inventar o próprio modo de ser rocker e um país inteiro aprendeu a cantar junto. O encontro começou com uma cassete.

Em 1975, Roberto de Carvalho tocava guitarra na banda de Nei Mato Grosso. Numa gravação de estúdio, registou a música Bandido Corazom. E foi Nei quem levou a fita até a Rita para ela ouvir e talvez compor a letra. Ela ouviu. E não foi só a canção que lhe ficou na cabeça, foi a guitarra Amor à Primeira Tecla.

Ela escreveria anos mais tarde no próprio livro. Rita e Roberto começaram a compor juntos quase imediatamente em 1976. A primeira canção nasceu em poucos minutos. Segundo o relato da própria A Rita, os dois num quarto, ela com um caderno na mão, com na guitarra. O resultado foi Mania de Tu, a música que ia abrir a fase mais popular da sua carreira.

Meses depois, Rita engravidou do primeiro filho, Beto, que nasceu prematuro, de 7 meses e meio de gestação, em março de 1977, no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Depois vieram o João, em 1979 e António, em 1981, três filhos. Uma parceria musical que rendeu cinco álbums gravados a dois em 1982, 1983, 1985, 1987 e 1990 e mais de uma centena de canções compostas em conjunto.

Entre as canções que escreveram juntos ao longo dos anos estão Amor e Sexo e Erva Venenosa, hinos que décadas depois ainda passam na rádio e em festa de brasileiro de todas as idades. Mas nem tudo nesta história de amor foi linear. No início dos anos 90, o casal viveu 4 anos separado. O reencontro só veio em 1995. Quando os dois voltaram a dividir o mesmo palco para abrir os concertos dos Rolling Stones no Brasil, não só um regressa aos palcos, mas a prova pro público e pros dois de que aquilo que tinham construído em conjunto não cabia numa

pausa de 4 anos. No ano seguinte, depois de 20 anos juntos, oficializaram a união no civil em Dezembro de 1996. Em 2012, quando Rita decidiu afastar-se dos palcos de vez, o casal mudou-se para um sítio na Granja Viana, na Grande São Paulo. Trocaram o barulho da estrada por uma vida rodeada de animais e plantas.

Rita, defensora histórica dos direitos dos animais vegan há anos, ativista mesmo antes de ser moda, chegou a escrever no próprio livro uma oração de agradecimento por todos os bichos que teve, tem e ainda ia ter, terminando com um pedido pouco gentil de justiça divina contra quem maltratava um animal.

Era esse o tipo de humor que convivia lado a lado com a ternura dela. O casal também construiu ao longo dos anos uma família grande, quatro netos que viraram na plateia mais importante da vida de Rita depois de ela ter deixado os palcos grandes para trás. Roberto, multiinstrumentista e compositor por conta própria, nunca abandonou a parceria musical mesmo depois da última digressão.

Os dois seguiam compondo em conjunto, sem pressa nenhuma para terminar. Foram 47 anos ao lado do mesmo homem. 47 anos que atravessaram quezílias, reconciliação, três filhos, quatro netos, cinco discos gravados a dois e uma reforma dos palcos que se tornou uma vida inteira nova dentro de casa. Foi este mesmo cuidado que Roberto levou para os últimos anos da vida dela, acompanhando cada etapa do tratamento, partilhando atualizações com os fãs, sem nunca deixar o apoio incondicional escapar, mesmo quando se tornou mais difícil

sustentar. E foi precisamente aí, na quietude do sítio, longe das plateias e dos holofotes, que a Rita se sentou para escrever a autobiografia que ia guardar a frase mais importante de toda a vida dela. Em 2016, Rita publicou Reita Lee, uma autobiografia, quase 300 páginas contando a vida inteira, a infância em Vila Mariana.

Os mutantes, a prisão, o amor com o Roberto, os discos, os prémios. O livro tornou-se um dos livros de não ficção mais vendidos no Brasil no ano seguinte e chegou a concorrer ao Prémio Jabuti, só que tinha um capítulo diferente de todos os outros. Um capítulo que não contava o passado, contava o futuro. Ela deu o nome de profecia.

Ali na página 266, A Rita imaginou com pormenor como seria o dia da própria morte. escreveu que até quem não gostava dela ia mandar uma palavra de carinho, que as rádios iam tocar as músicas dela sem cobrar por isso, que os fãs mais sinceros iam erguer capas de discos e cantar ovelhas negra em voz alta, que a televisão já ia ter pronto um resumo da sua carreira para passar no Jornal do Dia, que alguém nas redes sociais ia surpreender-se ao saber que ela ainda estava viva até aquele momento.

previu até que os colegas de profissão iam dizer que o mundo da música ia sentir a sua falta e brincou que talvez, quem sabe, uma rua sem saída ganhasse o nome dela. E imaginou também o próprio fim, não como um ponto final triste, mas como mais uma cena. Escreveu que estaria de alma presente no céu, tocando o alto harpa e cantando para Deus: “Thank you Lord! Finalmente disse, oitafwu, que ela escolheu para si própria, tinha apenas uma frase.

Nunca foi um bom exemplo, mas era boa gente. Não era a primeira vez que ela brincava com um tema pesado. Ao longo dos livros e das entrevistas, a Rita preferiu sempre rir na cara do que doía, em vez de fingir que não doía. Sete anos se passaram entre aquela página e o dia em que ela realmente precisava dela.

7 anos em que ninguém, nem ela sabia que aquele humor ácido escondia uma previsão exata do que estava para vir. Em 2016, Rita publicou Rita Le autobiografia, quase 300 páginas a contar a vida inteira, a infância em Vila Mariana. Os mutantes, a prisão, o amor com Roberto, os discos, os prémios. O livro tornou-se um dos livros de não-ficção mais vendidos do Brasil no ano seguinte e chegou a concorrer ao prémio Jabuti, só que tinha um capítulo diferente de todos os outros.

Um capítulo que não contava o passado, contava o futuro. Ela deu o nome de profecia. Ali na página 266, Hit imaginou com detalhe como seria o dia da própria morte. escreveu que até quem não gostava dela ia mandar uma palavra de carinho, que as rádios iam tocar as músicas dela sem cobrar por isso, que os fãs mais sinceros iam erguer capas de discos e cantar ovelhas negra em voz alta, que a televisão já ia ter pronto um resumo da sua carreira passar no Jornal do Dia que alguém nas redes sociais ia surpreender-se ao saber que ela ainda estava viva até

aquele momento. previu até que os colegas de profissão iam dizer que o mundo da música ia sentir a sua falta e brincou que talvez, quem sabe, uma rua sem saída ganhasse o nome dela. E imaginou também o próprio fim, não como um ponto final triste, mas como mais uma cena. escreveu que estaria de alma presente no céu, tocando alto harpa e cantando para Deus.

Obrigado, Senhor, finalmente disse. O epitáfio que ela escolheu para si tinha apenas uma frase. Nunca foi um bom exemplo, mas era boa gente. Não era a primeira vez que ela brincava com um tema pesado. Ao longo dos livros e das entrevistas, a Rita preferiu sempre rir na cara do que doía.

em vez de fingir que não doía. Sete anos se passaram entre aquela página e o dia em que ela realmente precisou dela. Sete anos em que ninguém nem ela sabia que aquele humor ácido escondia uma previsão exata do que estava para vir. Em maio de 2025, 2 anos depois da morte de Rita, o documentário Ritas chegou aos cinemas narrado pela própria artista, com imagens inéditas, uma carta pessoal nunca antes revelada e a última aparição pública dela antes de morrer.

O filme mostra facetas que o público nunca tinha visto. a compositora debruçada sobre o caderno, a escritora, a mulher por detrás do palco que o mundo conhecia só de longe. No mesmo mês, chegou às livrarias O segundo volume da sua autobiografia, em parte dedicado à própria luta contra a doença, um livro que ela deixou quase pronto, como se soubesse que precisava terminar a história com as próprias palavras e não deixar para outra pessoa contar.

Os próprios mutantes, a banda que expulsou Rita em 1972, seguiram carregando a semente que ela ajudou a plantar hoje, reconhecida como uma das bandas mais influentes da história do rock brasileiro dentro e fora do país. Nenhum rancor registado, nenhuma richa alimentada, só duas trajetórias que nasceram juntas e cresceram cada uma para seu lado.

Mesmo três anos depois de ter partido, Rita seguia lançando informação nova sobre a própria vida, como se tivesse deixado material suficiente para nunca ter de sair completamente de cena. Hoje, mais de 55 milhões de discos depois, o nome de Reida Lee ainda abre qualquer conversa séria sobre o rock brasileiro.

Ela foi a primeira mulher a empunhar uma guitarra elétrica num palco deste país. Abriu caminho para gerações inteiras de mulheres que vieram depois dela nas letras, no palco, na forma de existir, sem pedir desculpa por nada. Ela previu que morreria assim, rodeada de gente que a amava, com as rádios a tocarem as suas músicas, os fãs a levantar os discos e um país inteiro parando por um instante para dizer adeus.

E foi exatamente assim que aconteceu, porque foi exatamente assim que ela decidiu 7 anos antes que ia ser. Para uma artista que nunca quis ser lembrada como exemplo, sobrou uma coisa até melhor. Tornou-se espelho de quem não teve medo de errar, de se rir da própria dor e de escrever décadas antes, exatamente como queria ser recordada.

E há um pormenor da história dela que a gente ainda não te contou até ao fim. Lembra-se do apresentador que batizou os mutantes lá em 1966 e deu à Rita o primeiro palco de televisão da vida? Ronnie Von carregou longe dos holofotes. Uma dor que o O Brasil só veio a conhecer muito mais tarde.

E essa história já está aqui no canal À sua espera. Yeah.

O filme mostra facetas que o público nunca tinha visto. a compositora debruçada sobre o caderno, a escritora, a mulher por detrás do palco que o mundo conhecia só de longe. No mesmo mês, chegou às livrarias O segundo volume da sua autobiografia, em parte dedicado à própria luta contra a doença, um livro que ela deixou quase pronto, como se soubesse que precisava terminar a história com as próprias palavras e não deixar para outra pessoa contar.

Os próprios mutantes, a banda que expulsou Rita em 1972, seguiram carregando a semente que ela ajudou a plantar hoje, reconhecida como uma das bandas mais influentes da história do rock brasileiro dentro e fora do país. Nenhum rancor registado, nenhuma richa alimentada, só duas trajetórias que nasceram juntas e cresceram cada uma para seu lado.

Mesmo três anos depois de ter partido, Rita seguia lançando informação nova sobre a própria vida, como se tivesse deixado material suficiente para nunca ter de sair completamente de cena. Hoje, mais de 55 milhões de discos depois, o nome de Reida Lee ainda abre qualquer conversa séria sobre o rock brasileiro.

Ela foi a primeira mulher a empunhar uma guitarra elétrica num palco deste país. Abriu caminho para gerações inteiras de mulheres que vieram depois dela nas letras, no palco, na forma de existir, sem pedir desculpa por nada. Ela previu que morreria assim, rodeada de gente que a amava, com as rádios a tocarem as suas músicas, os fãs a levantar os discos e um país inteiro parando por um instante para dizer adeus.

E foi exatamente assim que aconteceu, porque foi exatamente assim que ela decidiu 7 anos antes que ia ser. Para uma artista que nunca quis ser lembrada como exemplo, sobrou uma coisa até melhor. Tornou-se espelho de quem não teve medo de errar, de se rir da própria dor e de escrever décadas antes, exatamente como queria ser recordada.

E há um pormenor da história dela que a gente ainda não te contou até ao fim. Lembra-se do apresentador que batizou os mutantes lá em 1966 e deu à Rita o primeiro palco de televisão da vida? Ronnie Von carregou longe dos holofotes. Uma dor que o O Brasil só veio a conhecer muito mais tarde.

E essa história já está aqui no canal À sua espera. Yeah.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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