LAURA CARDOSO E GLÓRIA MENEZES PARTIRAM QUASE JUNTAS — O QUE O ESPIRITISMO DIZ SOBRE ESSAS ALMAS? – H
Que a paz de Cristo envolva o seu coração agora. Se chegou até aqui carregando uma saudade que mais ninguém vê, fica mais um bocadinho connosco. Eu preciso de te contar uma coisa que aconteceu esta semana e que de tão rápido quase ninguém conseguiu processar direito. Duas mulheres que atravessaram décadas dentro da nossa casa, dentro da nossa memória, se foram com menos de 24 horas de diferença uma da outra.
que olha, talvez a pergunta que está a passar na sua cabeça agora não seja a questão mais importante deste vídeo. Já parou para pensar no que acontece realmente nos primeiros minutos depois de alguém fechar os olhos pela última vez? Porque para nós aqui [música] do lado de cá foram apenas duas notícias tristes seguidas.
Mas se o que o Espiritismo ensina sobre a continuidade da vida estiver certo, talvez aqueles instantes tenham significado outra coisa completamente diferente do outro lado. Eu quero-te fazer uma pergunta antes de continuar. Já perdeu alguém e ficou se perguntando se essa pessoa estava com medo, se estava sozinha, se sentiu dor? Se já sentiu isso, este vídeo foi feito a pensar em ti, porque hoje eu vou mostrar-te três coisas.
Primeiro, o que Kardec ensina sobre aqueles primeiros momentos após a morte. Segundo, se duas pessoas que se amaram profundamente podem realmente se encontrar de novo do outro lado. E terceiro, e talvez o mais importante, porque esta história pode mudar completamente a forma como olha para alguém que perdeu. Se tem alguém que agora carrega no peito e quer incluir nesta nossa reflexão, escreve aqui em baixo nos comentários só uma palavra: luz.
Não como fórmula mágico, mas como a sua forma de dizer que a saudade não venceu o amor que tu sente. Agora vem comigo, porque esta história começa com duas despedidas que pareciam não ter qualquer ligação entre si, só que uma delas vai levá-lo diretamente pro coração da doutrina espírita. Teve um tempo em que nem nos lembramos direito quando começou a ver o rosto de Laura Cardoso na televisão.
Parece que ela esteve sempre lá em algum domingo de infância, em alguma novela que a sua avó assistia, [música] em alguma repetição que passava enquanto a sua mãe fazia o almoço. Laura atravessou quase um século inteiro de vida, 98 anos. Isto significa décadas de personagens, de encontros, de aplausos, mas também significa 98 anos de despedidas, de amores, de pessoas que viu partir antes dela.
Quando a notícia da sua morte chegou, o Brasil parou por um instante. Vieram as homenagens, os vídeos antigos circulando, as pessoas comentando aquela estranha sensação de que mais um pedaço da nossa memória se tinha ido embora. E olha, isso já seria motivo suficiente para um luto coletivo. Mas o público nem tinha acabado de se despedir em condições, porque poucas horas depois chegou outra notícia.
Glória Menezes também tinha partido 91 anos de uma vida que também confundiu-se com a própria história da televisão brasileira. E aí já não era mais uma perda. eram duas, tão próximas, tão seguidas, que mexeu de uma maneira diferente com quem estava a acompanhar. Foi como se o palco de uma geração inteira tivesse perdido duas das suas luzes mais fortes antes mesmo de o plateia conseguisse levantar-se da cadeira para aplaudir a última vez.
Eu preciso de ser honesto consigo agora. A proximidade das datas por si só não prova nenhuma ligação sobrenatural entre as duas partidas. Eu não vou ficar aqui inventando sinais onde talvez não exista nenhum sinal, mas o espiritismo nos convida a fazer uma pergunta muito mais interessante do que procurar coincidência em calendário.

Ele nos convida a perguntar o que é que nós realmente compreende quando fala a palavra morte. E é exatamente aí que a nossa conversa de hoje começa a sério. Deixa-me fazer-te uma pergunta que pode parecer estranha à primeira vista. E se a morte for uma coisa profundamente triste para quem fica a olhar de fora, mas for completamente diferente para quem a está a atravessar, eu não estou dizendo que morrer é fácil ou que é um momento maravilhoso para todos.
Isso seria mentira. E eu não vim aqui te contar uma mentira. O espiritismo reconhece que existem diferentes formas de passar por esse momento. Cada espírito atravessa isso à sua maneira. Mas pensa comigo numa coisa simples. O corpo é a parte material da nossa experiência aqui na Terra.
Só que quem somos nós não nasce dentro desse corpo [música] e não termina quando esse corpo deixa de funcionar. A morte seria o fim de uma experiência física, não o fim de quem a gente realmente é. ; [música] ; Imagina uma pessoa que passou a vida inteira olhando o mundo através de uma janela. Um dia essa janela fecha-se. A gente está do lado de fora a olhar pode até pensar que tudo acabou [música] ali.
Mas quem estava olhando o mundo pela janela nunca foi a janela em si. Era alguém que estava usando aquela janela para enxergar. Agora pensa em Laura e em Glória. Durante décadas, a gente enxergou o rosto delas, ouviu a voz delas, [música] reconheceu os gestos, os jeitos de falar, as expressões que ficaram marcadas na nossa memória.
Mas será que elas eram só aquilo que os nossos olhos conseguiam captar? Ou será que existia muito mais ali? Algo que a gente nunca conseguiu enxergar completamente? E aqui eu preciso te contar um detalhe que muita gente desconhece. Para o espiritismo, essa separação entre quem a gente é e o corpo que a gente usou aqui na Terra não acontece necessariamente num estalo, tipo um interruptor que se apaga.
Isso pode ser um processo e esse detalhe [música] muda completamente a forma como a gente imagina aquelas primeiras horas depois que alguém [música] parte. Deixa eu te explicar melhor como isso funciona, porque essa parte é importante. Segundo o que Kardec trouxe através dos estudos espíritas, essa separação entre o espírito e o corpo não costuma ser instantânea.
[música] Existe ali um processo de desligamento, de desprendimento e, às vezes, até um período de confusão espiritual, principalmente logo depois da partida. Isso não é uma regra fechada. Cada situação é diferente, mas essa ideia já derruba aquela imagem simples de que a pessoa [música] morre e num segundo já está em outro lugar plenamente consciente, entendendo tudo perfeitamente.
Agora pensa em duas mulheres que viveram até uma idade bem avançada, como foi o caso de Laura e de Glória. Eu quero falar sobre isso com muito respeito, porque envelhecer não é um fracasso do corpo, é uma condição natural de toda a experiência material. O corpo vai aos poucos encerrando o seu ciclo, do mesmo jeito que uma vela vai se consumindo até o fim.
Isso não é tristeza, é apenas o funcionamento natural da vida na Terra. O que o Espiritismo [música] ensina é que depois dessa separação entre corpo e espírito, pode existir um momento de maior ou menor perturbação. Algumas pessoas atravessam isso com mais tranquilidade, outras com mais confusão, dependendo de vários fatores da própria trajetória espiritual.
Então, não dá para generalizar e [música] dizer que toda pessoa morre, abre os olhos e já está perfeitamente [música] em paz num lugar cheio de luz. A experiência é individual, é única para [música] cada um, mas existe uma parte dessa doutrina que eu considero uma das mais bonitas de tudo isso, é a possibilidade de assistência espiritual nesse momento.
A ideia de que existem bons espíritos, muitas vezes ligados por laços de afeto e amizade, que podem estar presentes justamente para ajudar essa pessoa nesse instante de transição. E aqui eu preciso ser cuidadoso com você. Eu não estou afirmando que isso aconteceu especificamente com Laura ou com Glória. Eu não tenho nenhuma comunicação, nenhuma mensagem específica sobre elas.
Estou te contando o que a doutrina espírita de forma geral apresenta como possibilidade. Deixa eu te perguntar uma coisa agora. Você já acompanhou a morte de alguém querido e ficou se perguntando se aquela pessoa estava com medo, se estava sozinha, se estava perdida sem saber para onde ir? Se isso já passou pela sua cabeça alguma vez, presta atenção nisso.
Uma das mensagens mais consoladoras que o Espiritismo oferece é essa: a morte não precisa significar abandono. Mas surge então uma pergunta que eu acho ainda mais bonita. Quem poderia [música] estar esperando alguém no momento em que essa pessoa chega do outro lado? Kardec, muito tempo atrás fez praticamente essa mesma pergunta e a resposta para isso tem tudo a ver com [música] uma história que envolve diretamente Glória Menezes.
Uma história de amor que o Brasil inteiro acompanhou por décadas e que talvez tenha uma resposta ainda mais bonita do que a gente imagina. Antes de te contar essa história de amor, eu preciso responder direito à pergunta que trouxe você [música] até esse vídeo. Afinal, duas mortes em tão poucas horas, isso é só coincidência ou existe algo mais por trás disso? Deixa eu ser bem honesto com você primeiro sobre aquilo que a gente não pode afirmar.
O espiritismo não dá nenhuma base para dizer que Laura e Glória combinaram a partida. Não existe fundamento nenhum para dizer que elas receberam um chamado conjunto, [música] que tinham alguma missão espiritual em comum, que uma esperou a outra, ou que a proximidade das datas prova algum tipo de planejamento espiritual entre elas.
Eu não vou inventar isso para você, porque seria desonesto da minha parte, mas existe uma resposta muito mais interessante do que essa. Na visão espírita, a nossa passagem aqui na Terra é apenas uma parte de uma viagem muito maior que o espírito percorre. Assim, coisas que parecem finais e definitivas para nós, que está aqui limitado [música] pelo tempo e pelo espaço, podem ser vistas dentro de um horizonte muito mais vasto de continuidade.
O facto de duas pessoas partirem em [música] momentos tão próximos pode sim despertar a reflexão na gente, mas isso não tem de se tornar prova de uma causa invisível que ninguém consegue realmente demonstrar. Então, eu quero trocar a pergunta que trouxeste aqui. Em vez de perguntar porque é que elas partiram tão perto uma da outra, talvez a pergunta certa seja: O que significa realmente partir quando acreditamos que a vida continua depois disso? Porque pensa comigo, a televisão brasileira perdeu duas atrizes enormes nestes dois dias. As famílias perderam mães, avós,
pessoas queridas. Amigos perderam companhias de décadas, mas será que esta palavra perder não revela apenas o ponto de vista de quem fica para trás? Será que do outro lado a palavra utilizada não é completamente diferente? Antes de eu te contar sobre a glória e sobre uma pessoa que marcou profundamente a sua vida, eu queria pedir-te uma coisa rápida.
Eu fico a pensar em quantas casas diferentes agora neste preciso momento estão a ver este vídeo e refletindo sobre a mesma questão que eu estou trazendo aqui. Escreve aqui em baixo nos comentários a sua cidade e o seu estado. Acho bonito imaginar quantos [música] diferentes locais do Brasil estão ligados agora por essa mesma reflexão sobre a vida.
Agora sim, preciso de te falar de um nome que é impossível separar da história de Glória Menezes. Tarcísio Meira. Antes de eu te contar sobre a sua morte, deixa-me contar-te sobre a vida que os dois construíram juntos. Foram décadas de parceria, décadas de convivência pública e também de uma cumplicidade que todo o Brasil acompanhou.
Duas figuras que a gente se habituou-se a ver quase como se fizessem parte de uma única história. E quando o Tarcísio [música] partiu, este convivência que durou uma vida foi interrompida fisicamente de uma forma muito duro. Eu quero que pense numa coisa. Depois da sua morte, Glória continuou a viver, continuou envelhecendo, mas agora sem a presença física de um companheiro com quem ela dividiu a maior parte da sua vida adulta.
E se é viúvo, se é viúva, ou se conhece alguém que passou por isso, sabe exatamente o peso que este carrega. Aquela cama que fica com um lado vazio, aquele silêncio em horários que antes estavam repletos de conversa. E agora chega a questão que talvez esteja a passar pela sua cabeça. Quando finalmente chegou a vez de Glória Partir.
Será que Tarcísio pôde recebê-la do outro lado? Eu preciso de segurar um pouco antes de te responder a isso. Eu não sei e ninguém pode afirmar com certeza se isso aconteceu especificamente com os dois. Eu não vou inventar nenhuma comunicação espiritual. Não te vou dizer que alguém psicografou uma mensagem revelando esse encontro, porque isso seria mentira.
Mas o que é que eu te posso contar é que a doutrina espírita admite sim a possibilidade real de reencontro entre espíritos que estavam ligados por um verdadeiro afeto durante a vida. E aqui a coisa fica ainda mais bonita, porque o O amor dentro desta visão nunca foi propriedade do corpo. A convivência física acaba, [a música] isso é um facto.
Mas o vínculo afetivo, este pode continuar existindo mesmo depois de o corpo já já não está aqui. E pessoas que a gente amou profundamente podem dentro nesta perspectiva participar ativamente do acolhimento de quem está a regressar para a vida espiritual. Mas agora preciso de te dizer uma coisa que talvez ainda não tenha percebido enquanto eu contava esta história toda.
Talvez não esteja mais a pensar no Tarcísio Meira agora. Talvez nesse preciso momento esteja pensando em alguém seu. E se for esse mesmo que está a acontecer agora, eu quero que esteja tranquilo, porque é exatamente por aqui que precisamos passar. Há pequenas coisas do dia a dia que só quem já perdeu alguém entende de verdade.
Aquele momento em que você olha para uma cadeira vazia sem sequer aperceber que estava a olhar para ela. Aquele número de telefone guardado no o seu telemóvel que sabe que nunca mais vai marcar, mas que não tem coragem de apagar. Está a fazer uma comida e do nada lembra-se exatamente da forma que aquela pessoa gostava de temperar.
Você [música] encontra uma roupa guardada no fundo do armário e o cheiro ainda parece estar ali. Uma música toca na rádio e o o seu peito aperta sem sequer avisar. Você lembra-se de uma frase que a pessoa dizia sempre daquele jeitinho único dela? E às vezes quer contar alguma coisa, pega no telemóvel e por um segundo, só um segundo, esquece-se que aquela pessoa já não está cá para escutar.
Algumas ausências não fazem barulho nenhum. Elas simplesmente passam a viver connosco. Pode ser a sua mãe, pode ser o seu pai, o seu avô, a sua avó. Pode ser um companheiro ou uma companheira que partilhou anos da sua vida consigo. Pode ser um filho, o que é uma das dores mais difíceis de transportar.
Pode ser um irmão, um amigo que se tornou família. Cada pessoa que está a ver este vídeo agora carrega um nome diferente na cabeça, [música] mas a dor, no fundo, tem um formato muito semelhante. E talvez seja exatamente por isso que histórias como a de Laura e de Glória [música] mexem tanto connosco. Quando alguém que a gente conhece, nem que seja só pela televisão parte, esta notícia acaba acordando os nossos próprios mortos.
Também nos lembramos de quem a gente perdeu, mesmo sem querer. Se alguma lembrança acabou de aparecer aí na sua cabeça agora, não discute com ela. Respira fundo. Deixa essa recordação ficar um pouco com carinho no local que ela merece dentro da sua memória. E eu preciso dizer-te uma coisa importante agora.
Sentir saudades não é prova de fraqueza espiritual. Chorar por alguém que partiu não significa que a sua fé seja fraca. Sofrer com uma ausência não significa que está a rejeitar a ideia de que a vida continua depois da morte. Acreditar na continuidade não anestesia o coração humano e ele não tem de ser anestesiado. Mesmo quem tem uma fé profunda pode sentir falta da presença física de alguém, do toque, da voz, da rotina que existia antes.
[música] A doutrina não exige de si essa frieza. Ela nunca exigiu e talvez ninguém no Brasil tenha se tornado tão associado a esse consolo para as famílias enlutadas como Chico Xavier. Durante muitos anos, inúmeros as pessoas procuravam o Chico carregando fotografias, carregando nomes, carregando dores [música] que às vezes nem sequer conseguiam colocar em palavras direito.

Elas não iam ter com ele só por curiosidade sobre o que existe depois da morte. Elas queriam saber uma coisa muito mais simples e muito mais profunda. Será que o amor tinha terminado ali? O consolo que o espiritismo oferece nunca esteve em eliminar a morte da nossa vida. Ele está em mudar completamente o significado que nós damos para essa separação.
E aqui preciso ser cuidadoso com você mais uma vez. O espiritismo não é uma garantia de que toda a pessoa vai receber uma mensagem mediúnica de quem partiu. A a cura do luto de ninguém deve depender disso. Nem todos vão receber uma carta, nem todos vão ter um sinal claro. Mas dentro desta visão espírita, a ausência de um sinal não significa a ausência da pessoa.
E olhe, a gente não precisa receber nenhuma mensagem da Laura ou de Glória para refletir sobre tudo aquilo que a partida delas desperta dentro da gente. O próprio acontecimento já nos lembra-se de várias coisas importantes. A fama de ninguém interrompe a mortalidade. O tempo passa para todo o mundo sem exceção. O corpo envelhece. Isso é inevitável.
Mas as relações que a gente constrói, estas ficam. E aquilo que fazemos uns pelos outros enquanto ainda vai a tempo, é isso que realmente importa no final do dia. Se gosta de aprofundar este tipo de reflexão fora daqui do vídeo, nós deixou na descrição alguns livros e materiais que podem acompanhar os seus momentos de estudo [música] e de oração.
Quando adquire por estes links indicados, quando aplicável, também ajuda a sustentar o trabalho deste canal sem qualquer custo adicional para si. Mas talvez o ensinamento mais difícil de tudo isto não seja sobre quem já partiu. Talvez seja sobre a gente que continua aqui. Se a vida continua realmente depois daqui, preciso de te fazer uma pergunta que dói um pouco.
O que a gente está a fazer com a parte dela que ainda temos em mãos agora? Porque a Laura e Glória, neste momento da nossa conversa, começam a tornar-se um símbolo de uma coisa muito maior do que as próprias histórias delas. Tornaram-se um símbolo da passagem do tempo. Quantas conversas andou adiando? Quantos pedidos de perdão guardou para depois, achando que ia ter tempo? Quantos abraços lhe deixou [música] de dar porque estava com pressa? Ou porque estava chateado ou porque simplesmente achou que não era o momento. Quantas reconciliações foi
empurrando, acreditando que ia sempre existir um depois? Eu não vou usar aqui aquele medo mórbido de te estar sempre a dizer que pode morrer amanhã. Não é sobre isso. É sobre uma coisa mais simples. A gente não sabe quanto tempo cada experiência aqui na Terra ainda vai durar. Nem a sua, nem a de quem você ama.
Dentro da visão espírita, ter A consciência da morte deveria despertar coisas boas dentro de nós. Mais responsabilidade nas nossas atitudes, [música] mais bondade no dia a dia, vontade de reparar o que ainda pode ser reparado, caridade de verdade, não só de palavra, menos apego ao que não interessa, mais presença nos momentos que realmente valem a pena, mais valor dado aos laços que temos enquanto ainda tem.
Até agora estava a pensar em quem já se foi. Agora quero que pense em alguém que ainda está aqui. Quem precisa de ouvir de ti um eu amo-te que anda guardando? Quem precisa de uma ligação sua lembrou-se dela? Quem está à espera de uma reconciliação que só depende de si dar o primeiro passo? Quem merece uma visita que tem vindo a adiar semana após semana? Talvez a maior homenagem que nós possa fazer a quem já partiu seja não desperdiçar quem ainda pode ser abraçado.
Mas ainda fica uma questão no ar. Se a morte não encerra o amor, como é que devemos amar alguém que já já não pode ser tocado? Deixa-me te contar como funciona na prática, porque essa parte pode realmente mudar o a sua forma de viver o luto. Eu não te vou dar aqui nenhuma receita para tentar falar com quem já partiu. Eu não te vou incentivar a sair à procura de sinais o tempo todo, porque isso pode tornar-se uma obsessão que só dói mais.
Eu também não vou sugerir qualquer tipo de invocação. O caminho que o espiritismo aponta é bem mais simples do que isso e também mais bonito. Esse caminho é feito de oração, de recordação com gratidão, de caridade feita em honra de quem se foi, de reforma íntima, de perdão e de continuar a viver a sua própria vida com propósito.
Talvez a melhor forma de continuar a amar alguém que partiu não seja prender essa pessoa dentro da sua dor, mas transformar um pouco desse amor em bem para as outras pessoas. Se a sua mãe era generosa, pratique a generosidade no lugar dela. Se o seu pai gostava de ajudar quem precisava, continue um pouco dessa bondade através de si.
Se alguém que perdeu amava crianças ou animais ou cuidava dos mais velhos com carinho, transforme essa recordação em gesto concreto. Faça alguma coisa que essa pessoa faria se ainda estivesse aqui. Aquilo que já não pode colocar nas mãos dela, talvez ainda possa colocar nas mãos de alguém que está a precisar.
Isto dá um sentido prático para o seu luto, uma direção, um maneira de continuar a amar sem ficar preso na dor para sempre. Antes de eu fechar esta reflexão com tu, preciso de te dizer uma coisa rápida. Se essa mensagem estiver a fazer bem para o seu coração agora, e se você quiser ajudar este trabalho a chegar em outras pessoas que também [música] estão precisando de consolo, pode usar o Valeu Demais aqui em baixo no YouTube.
Nenhuma contribuição compra mérito espiritual, nem mede o tamanho da fé de ninguém. É apenas uma forma concreta de sustentar esta corrente de conteúdo e ajudá-la a chegar a mais gente que está do outro lado do ecrã, precisando ouvir exatamente isso que nós estamos a falar agora, porque no final das contas não é dinheiro, nem fama, nem aplauso que uma alma leva consigo quando parte.
E talvez seja isso mesmo, que estas duas grandes despedidas, tão próximas uma da outra, estejam nos ajudando a recordar. Agora deixa-me voltar ao começo desta história consigo. A gente começou se perguntando por Laura e Glória tão perto uma da outra. E talvez nunca vamos saber se existia algum significado espiritual real nessa proximidade.
E sabe uma coisa? Talvez a gente nem precisa de saber, porque esta história inteira acabou por nos levar para uma questão muito maior. O que realmente morre quando alguém morre? O corpo, sim, esse morre. Uma rotina termina, uma voz deixa de ser ouvida fisicamente. Uma cadeira está vazia numa sala que antes havia barulho.
Mas dentro do pensamento espírita, a história [música] de um espírito não se esgota ali naquela cadeira vazia. Ela continua noutro lugar, de uma forma que os nossos olhos aqui da Terra ainda não conseguem alcançar. Deixa-me voltar rapidinho paraa Glória e para Tarcísio. [música] Será que estava entre aqueles que a receberam do outro lado? A gente não sabe e não vou fingir que sei.
Mas talvez exista uma enorme beleza só no facto da doutrina permitir que a gente considere essa possibilidade. A possibilidade do amor não precisar morrer juntamente com o corpo. E a Laura não pode ficar de fora deste fecho. Quase um século de vida. Pensa em quantas pessoas uma vida assim consegue encontrar pelo caminho.
Quantas dessas pessoas já tinham partido antes dela? Quantas memórias? [música] Quantas histórias? Quantas despedidas ela própria já tinha vivido antes de viver a sua própria. A morte de uma pessoa que viveu tanto tempo pode até parecer a quem está de fora o apagar de uma vida inteira. Mas talvez estejamos só olhando para o último parágrafo de um capítulo bem maior do que nós consegue ver.
E agora quero que Laura e Glória saíam por um instante do centro desta conversa, porque existe um nome que [música] só tu conheces, o nome da pessoa de quem sente saudade agora enquanto ouve isto. Eu não lhe vou pedir para escrever esse nome em lado nenhum. Eu só quero que esse pensamento aconteça dentro de si com calma.
Talvez já saiba exatamente de quem estou a falar. [música] Pode ser a tua mãe, o teu pai, o teu companheiro, a sua companheira, o seu filho, o seu irmão, um amigo que se tornou parte da sua família, alguém. Se este estiver de acordo com a tua fé, [música] quero convidar-te para alguns instantes de recolhimento agora.
Que os bons os espíritos possam inspirar pensamentos de paz em quem o está a ouvir. Que quem está a sofrer encontre amparo. Que a saudade não se transforme em desespero dentro do peito de ninguém. Que o amor que foi vivido seja recordado com gratidão e não só com dor. Que quem precisa de perdoar encontre coragem para isso.
Que quem precisa de pedir perdão encontre humildade para dar esse passo. Que quem está cansado encontre força para continuar caminhando. E que quem perdeu alguém consiga compreender aos poucos que continuar a viver não é abandonar quem partiu. Muita gente que perde alguém sente culpa quando volta a sorrir de novo.
Eu preciso de te dizer uma coisa importante sobre isso. Viver não trai quem morreu. R de novo não significa esquecer. Construir uma nova rotina não apaga uma história antiga que lhe viveu. E amar quem ainda está aqui com não diminui em nada o amor que sente por quem já partiu. Lembra-se da janela que eu te falei lá no início desta nossa conversa? ; [música] ; O corpo era a janela e a janela se fechou.
Mas se a visão espírita estiver certa, quem estava a olhar para o mundo através dela continua a própria viagem, só que noutro lugar. Talvez seja por é isso que a morte nos assusta tanto. A gente vê a porta a fechar-se, mas não consegue ver o que existe do outro lado dela. A Laura atravessou essa porta. A Glória também atravessou. Um dia cada um de nós vai atravessar essa mesma porta, mas até esse dia chegar, resta paraa gente amar, perdoar, servir, viver de verdade com tudo o que temos.
Para nós aqui isto foi uma despedida, mas para o espírito talvez tenha sido só uma passagem. Talvez aquilo que nós chama de adeus só exista desse lado da porta. Porque enquanto uma família aqui diz que ele se foi, talvez em algum lugar que os nossos olhos ainda não alcançam, outros braços estejam a dizer apenas: “Chegou. M.