Aos 76 anos, O Que Aconteceu com Bartô Galeno é de Partir o Coração
Aos 76 anos, O Que Aconteceu com Bartô Galeno é de Partir o Coração
Durante décadas, bastava alguém dizer no toca-fitas do meu carro para uma geração inteira lembrar imediatamente de Bartogaleno. Aquela voz sofrida, direta, carregada de saudade, atravessou rádios, bares, estradas e casas brasileiras. Mas antes dos discos, dos concertos e do reconhecimento nacional, existiu um rapaz do sertão que nem sequer poderia imaginar até onde a música o levaria.
Bartolomeu da Silva nasceu a 20 de maio de 1950 em Souza, na Paraíba. Ainda criança, por volta dos 10 anos, mudou-se com a família para Mossoró, no Rio Grande do Norte. Era uma época completamente diferente. Para uma família simples do Nordeste, a televisão era ainda um luxo em muitas casas.
O rádio era o grande companheiro e foi precisamente através dele que Bartô começou a ver outro caminho. Ainda jovem, participou em programas de calouros da rádio rural de Mossoró. Não demorou muito para que aquela voz chamar a atenção. Venceu concursos, ganhou reconhecimento local e passou a ser conhecido como uma das grandes promessas musicais da região.
Mas querer cantar profissionalmente significava sair de casa. Com ajuda de pessoas que acreditavam no seu talento, Bartô seguiu primeiro para o Recife e depois para São Paulo. Para um rapaz vindo do interior nordestino, entrar naquele universo não era simples. São Paulo concentrava gravadoras, programas de rádio e artistas que já estavam a dominar o país.
Bartô tentou abrir portas compondo, cantando e conhecendo pessoas do meio. O sucesso não apareceu imediatamente. Foi preciso enfrentar recusas, pequenas oportunidades e anos em que ninguém poderia garantir que aquele sonho realmente iria resultar. Até que durante a década de 1970, a sua voz começou a encontrar um público. Bartô percebeu que havia algo que ele sabia cantar como poucos.

Sofrimento amoroso. As suas músicas falavam de abandono, ciúme, saudade e amores que não terminavam quando a relação acabava. Era exatamente o tipo de história que o brasileiro ouvia na rádio enquanto trabalhava, conduzia ou passava a madrugada a lembrar-se de alguém. E então chegou a música que mudaria tudo. Em 1978, no leitor de cassetes do meu carro, transformaria Bartogaleno num nome impossível de esquecer.
Só que aquele sucesso também seria o início de uma história muito maior e muito mais dolorosa do que o público poderia imaginar. Quando, no leitor de cassetes do meu carro começou a tocar, Bartogaleno encontrou finalmente a música que parecia resumir tudo aquilo que o seu público queria ouvir. O título já trazia uma imagem muito familiar para que viveu o final dos anos 70.
O carro na estrada, a cassete a rodar e uma canção servindo de companhia para quem carregava uma saudade difícil de explicar. A música colocou o Bartô em outro patamar. A sua voz passou a circular com muito mais força pelas rádios populares, principalmente entre os ouvintes que gostavam de canções românticas carregadas de sofrimento.
Não era preciso usar palavras complicadas. Bartô cantava situações que qualquer pessoa conseguia compreender. Um homem sozinho, um amor que ficou para trás, uma recordação que teimava em voltar. Foi justamente esta simplicidade que criou uma ligação tão forte junto do público. A partir dali, Bartô Galeno consolidou uma identidade própria dentro da música romântica brasileira.
Vieram discos, apresentações e outras canções que reforçaram a sua imagem como um daqueles cantores capazes de transformar uma desilusão amorosa. Para quem acompanhava a rádio AM naquela época, o seu nome tornou-se cada vez mais familiar. E há um pormenor importante para perceber o tamanho desta trajetória. Muitos artistas populares das décadas de 70 e 80 construíam carreiras enormes, longe do tipo de reconhecimento que aparecia nas páginas mais sofisticadas da imprensa.
O verdadeiro termómetro estava nas rádios, nas lojas de discos, nos concertos pelo interior e na reação das pessoas. Nesse universo, Bartô encontrou o seu lugar. Era o cantor que falava diretamente para quem tinha amado demais e esquecido de menos. Só que nenhuma fase de sucesso permanece igual para sempre.
Com o passar dos anos, o mercado musical brasileiro mudou. Novos estilos ganharam espaço, chegaram novas gerações e muitos artistas que antes estavam constantemente nas rádios nacionais passaram a depender cada vez mais da fidelidade de um público construído durante décadas. Bartô continuou a ser recordado, mas a sua presença na grande comunicação social já não era a mesma.
Ainda assim, uma coisa permanecia intacta. Quando ele começava a cantar os seus antigos êxitos, o público sabia acompanhar. Parecia que aquela história poderia simplesmente continuar assim, entre apresentações, recordações e a força de um repertório que tinha sobrevivido ao tempo. Até que surgiu um problema muito mais grave.

Desta vez, Bartô não teria de enfrentar uma editora discográfica, uma mudança de mercado ou a chegada de novos cantores. ele teria de lutar para continuar a fazer exatamente aquilo que tinha dado sentido à sua vida. Cantar. Durante muitos anos, Bartogaleno viveu exatamente daquilo que parecia mais seguro na sua vida, a própria voz.
Mesmo quando o mercado mudou e ele deixou de aparecer com a mesma frequência na televisão, as suas músicas continuaram a levar público aos espectáculos e mantendo o seu nome vivo entre aqueles que cresceram a ouvir rádio. Mas foi precisamente essa segurança que começou a desaparecer quando a sua saúde passou a exigir atenção.
Em 2017, uma reportagem do programa Domingo Show levou ao público uma situação que muita gente desconhecia. Bartô havia enfrentado uma doença grave que o afastou-se temporariamente dos palcos e colocou em dúvida a sua continuidade como cantor. Para alguém cuja carreira inteira dependia da voz e da presença perante o público, aquilo tinha um peso enorme.
Os detalhes divulgados na altura não são totalmente uniformes entre as diferentes fontes. Por isso, o ponto mais seguro é este. Artô passou por um período delicado de saúde, teve de se afastar e teve de encarar a possibilidade de não voltar a cantar da mesma maneira. Para os seus fãs, a notícia causou surpresa. A imagem que muita gente guardava era a do cantor firme no palco, interpretando músicas de sofrimento amoroso, com aquele jeito conhecido de quem parecia viver cada verso.
De repente, a realidade era outra. O homem que durante décadas cantou sobre perdas estava a enfrentar uma ameaça muito concreta dentro da própria vida. O afastamento também mostrou uma parte pouco discutida da carreira de artistas que passam décadas na estrada. O público vê o concerto, o disco e a entrevista, mas quase nunca acompanha o desgaste físico acumulado ao longo dos anos.
Bartô precisou de diminuir o ritmo e cuidar da saúde. Quando reapareceu, a reação de muitos fãs foi de alívio. Via ali algo maior do que simplesmente ver um artista antigo voltar ao palco. Para quem acompanhava a sua carreira desde os anos 70, foi como reencontrar uma parte da própria juventude. E talvez seja por isso que A sua história tenha continuado despertando tanta atenção. Partô.
Não precisava mais de provar que tinha sido famoso. Isso já estava registado nas músicas que atravessaram décadas. A questão agora era outra. Depois de enfrentar uma fase que colocou a sua carreira em risco, conseguiria ainda continuar a fazer aquilo que sempre definiu a sua vida? A resposta começaria a aparecer precisamente nos anos seguintes.
Os anos seguintes mostraram que o Bartogaleno tinha ainda algo muito forte a seu favor, a memória do público. Mesmo sem ocupam o mesmo espaço diário na televisão ou nas grandes rádios nacionais, o seu nome continuou a circular entre os fãs que cresceram a ouvir música romântica nas décadas de 70 e 80. E toda a vez que no leitor de cassetes do meu carro voltava a tocar, acontecia uma coisa curiosa.
A música parecia carregar consigo uma época inteira. Para muita gente, Bartô não era apenas um cantor antigo. Era a voz das viagens de carro, dos bailes, rádios ligadas na cozinha, noites de domingo e histórias de amor que ficaram para trás. Depois dos problemas de saúde que ameaçaram a sua continuidade artística, qualquer nova aparição passou a ter outro peso.
O público já não via apenas o homem que fizera sucesso décadas antes. Via também alguém que precisou de abrandar, enfrentar limitações e compreender que o corpo não acompanha para sempre o ritmo de uma carreira construída na estrada. E é precisamente aí que o título desta história ganha sentido. Aos 76 anos, o que aconteceu com o Bartogaleno não precisa de ser transformado numa tragédia inventada para emocionar.
O que parte o coração é perceber o contraste entre aquele jovem que saiu do Nordeste cheio de sonhos, conquistou espaço na rádio, tornou-se referência da música romântica popular e depois teve de lutar para preservar precisamente aquilo que havia construído durante toda a vida. O tempo mudou muita coisa.
mudou o mercado, mudou a forma de ouvir música, mudou a televisão, alterou também a rotina de artistas que um dia foram constantemente perante milhões de pessoas, mas algumas vozes permanecem. O Bartogaleno pertence a uma geração de cantores que talvez nunca tenha recebido o mesmo prestígio de outros nomes da música brasileira, mas que entrou profundamente na vida de quem realmente os ouvia.
E isso nenhum ranking consegue medir. Hoje, quando alguém coloca uma gravação antiga e escuta novamente aquela voz a cantar sobre a saudade, a sensação é quase a mesma de abrir uma gaveta e encontrar uma fotografia esquecida. O tempo passou, mas a lembrança continua ali. Se Bartô Galeno marcou alguma fase da sua vida, conte nos comentários qual a música dele que mais se lembra.
E se gosta de histórias de artistas que fizeram parte da nossa juventude, inscreva-se no canal, porque algumas carreiras acabam saindo dos holofotes, mas nunca saem da memória. Ja.