Aos 76 anos, RENATO BARROS: o homem que fez os BEATLES falarem português
Aos 76 anos, RENATO BARROS: o homem que fez os BEATLES falarem português
Ele nunca soube falar inglês direito e nunca conseguiu decorar uma letra de música em outro idioma. Mesmo assim, virou a porta de entrada dos Be para uma geração inteira de brasileiros que também não falava inglês. Renato Barros também foi a pessoa que colocou sem querer uma dupla inteira no mapa da música brasileira.
Uma dupla que nasceu literalmente dentro da casa dele com a própria namorada como uma das vozes. Mas antes de qualquer sucesso, houve uma vaia, uma vaia tão grande que ele jurou nunca mais subir num palco. Essa é a história de Renato Barros, o homem por trás de menina linda e por trás de muito mais gente famosa do que qualquer fã imaginava.
Renato Cosm Vieira de Barros nasceu no Rio de Janeiro em 27 de setembro de 1943, filho de dois artistas frustrados. A mãe tinha sido cantora na Rádio Nacional antes de abandonar a carreira para se casar e o pai chegou a fazer papéis secundários em filmes da Atlântida. O estúdio das chanchadas cariocas que dominavam o cinema popular brasileiro daquela época.
Renato cresceu então num ambiente onde música e palco era um assunto de casa todos os dias, mesmo que nenhum dos dois pais tivesse conseguido viver disso profissionalmente. Aos 16 anos, Renato foi parar, quase sem escolha, no programa Hoje é Dia de Rock, da Rádio Myink Vega, no Rio de Janeiro. Uma atração que reunia na porta do prédio da emissora, dezenas de jovens querendo se apresentar ao vivo na esperança de serem descobertos.
O diretor do programa, Jair de Taumaturgo, avistou Renato e seus amigos entre a multidão e simplesmente os anunciou como atração da noite, sem aviso prévio nem ensaio. Quando perguntaram o nome do conjunto, Renato não tinha resposta pronta. Lembrou, na hora de um bloco de carnaval do bairro onde morava, a Piedade chamado Bacaninha da Piedade.
Só acrescentou a palavra rock. No final e o nome saiu dali improvisado. Bacaninhas do rock da Piedade. A estreia foi um desastre completo. A plateia vaiou o grupo do início ao fim e Renato contaria décadas depois em entrevista que ficou tão abalado que jurou nunca mais aceitar uma vaia daquele jeito. A mãe tinha costurado as roupas deles especialmente para aquela noite, com todo o carinho, e tudo tinha dado errado bem na frente de todo mundo que conhecia a família.
O trauma, porém, não foi suficiente para afastá-lo de vez do palco. Tempo depois, um dos organizadores do circuito de calouros reconheceu o Renato e perguntou na frente de todo mundo se ele realmente tinha desistido depois daquela vaia. Renato respondeu que não e se inscreveu de novo agora na categoria de rock ao vivo.

Foi esse mesmo organizador quem sugeriu então que ele trocasse o nome do grupo antes de tentar outra vez o mesmo processo que levaria pouco depois ao nome definitivo da banda. Dessa vez as vaias viraram aplausos. Mas aquele fracasso inicial não foi o fim, foi só o início de uma das carreiras mais longas do rock brasileiro, uma carreira que décadas mais tarde colocaria Renato Barros no centro de uma rede de conexões que passa por praticamente todos os grandes nomes que o por trás da fama já contou até hoje, de Roberto Carlos a Erasmo Carlos, de Vanderlea, a Leno e
Lilian. Nenhum desses nomes, à primeira vista parece ter muito em comum com o garoto vaiado num programa de calouros de rádio. Mas cada um deles, como você vai ver, passou pela vida de Renato Barros em algum momento e saiu dela diferente. Se você ainda não conhecia essa história, não se preocupe. É exatamente para isso que esse canal existe.
Se inscreva aqui no Por Trás da Fama. E se você já faz parte do círculo por trás da fama, sabe que cada um desses bastidores esquecidos ganha lá dentro ainda mais profundidade. Agora, de volta para Piedade, onde um bloco de carnaval estava prestes a virar uma banda de verdade. Entre os companheiros de Renato naquele início estavam os irmãos Paulo César e Edson Barros.
Esse último conhecido depois pelo nome artístico Ed Wilson. Juntos, eles decidiram não desistir depois da vaia na Mying Vega e continuaram se apresentando pelos circuitos cariocas de música jovem no final daquela década de 1950, tocando em bailes de bairro e pequenas festas antes de qualquer contrato de gravadora aparecer no horizonte.
foi o organizador do circuito de calouros, quem depois da segunda tentativa decidiu que Bacaninhas do Roque da Piedade era um nome ridículo demais para sobreviver no mercado fonográfico que começava a se organizar em torno do rock jovem. Ele passou a desfilar alternativas Renato e seus asteroides, Renato e seus cometas.
Até que alguém lembrou do conjunto norte-americano Jean Vincent and His Blue Caps, uma das referências de rock mais respeitadas daquele momento em qualquer roda de jovens músicos brasileiros. Assim nasceu em 1959, o nome definitivo, Renato e seus blue caps. O mesmo ano, décadas mais tarde, os jornalistas notariam em que o grupo já existia antes mesmo de bandas como os próprios Beatles ou os Rolling Stones começarem suas carreiras.
O grupo era movido pelas mesmas referências de qualquer banda de rock daquele início de década. Elvis Presley, Bill Haley, Little Richard, a formação original, logo se juntaram outros nomes que passariam a fazer parte da história dos Blue Caps, como o guitarrista Euclides de Paula e o baterista Gelson Moraes este último, anos mais tarde, também parceiro de composição de Renato.
Em 1960, a banda gravou o seu primeiro disco em 78 rotações pelo selo Ciclone, acompanhando o grupo Os Adolescentes. em 1962, já com o nome consolidado, lançou o primeiro LP, Twist, pela gravadora Copacabana. E ainda naquele mesmo ano, um segundo LP pela Beverly, já com Erasmo Carlos assumindo os vocais. Mas o destino da banda mudaria de vez em 1963, quando Edson Barros, o Ed Wilson, deixou o grupo para seguir carreira própria, que décadas depois o levaria ao meio gospel, até sua morte em 2010, vítima de câncer. No lugar dele entrou
um jovem carioca chamado Erasmo Carlos, que passaria uma temporada como integrante dos Blue Caps antes de seguir paraa parceria que o tornaria um dos nomes mais importantes da música brasileira ao lado de Roberto Carlos. Anos depois, quando Renato Barros morreu, foi justamente Erasmo quem prestou uma das homenagens mais lembradas, um gesto que fechava um círculo de mais de meio século entre os dois, iniciado ali num grupo de rock, ainda sem grande sucesso.
O grande golpe de sorte de Renato e seus blue caps tinha uma explicação simples, contada pelo próprio Renato com bom humor, décadas depois. Ninguém na banda falava inglês e ninguém conseguia decorar letra em outro idioma. A solução foi fazer versões em português dos sucessos que tocavam lá fora e funcionou muito melhor do que qualquer um da banda esperava.
Menina linda, versão de I should have known Better dos Beatles. Virou um hino de uma geração inteira com o verso. Ah, deixa essa boneca. Faça-me o favor cantado por brasileiros que em boa parte nunca tinham ouvido o original em inglês. O próprio Renato assinava essas versões e o catálogo cresceu rápido. Garota malvada.
Adaptação de I call your name. Feche os olhos de all my loving eu be back the love me do prticum song bookatl escrito em português carioca faixa por faixa LP após LP. Vieram também versões de fora do universo Beatles, como o Escândalo, adaptação de uma canção internacional de Calipso que também virou grande sucesso.
E não te esquecerei, baseada em California Dream dos Mamas and the Papas, que chegou ao topo das paradas nacionais. Em 1966, a banda chegou a participar do longametragem Rio, amor e verão. Representando o lado do rock numa trama que explorava a rivalidade da época entre o rock e a bossa nova. Renato, porém, nunca comprou essa briga de verdade, contaria depois que sempre gostou de bossa nova, do desafio de tirar suas harmonias mais sofisticadas no violão e que seguia praticando diariamente em casa músicas de Nat King Cole e Standards de Jazz, citando
guitarristas como Joe Pass e George Benson entre seus preferidos, muito além do repertório de Rock que o consagrou. O sucesso de Menina Linda chamou a atenção de Marcos Lázaro, o empresário que estava montando o programa Jovem Guarda para TV Record. Renato contaria depois que nem ele nem a banda faziam ideia do que estava acontecendo no resto do país naqueles primeiros anos da década de 60.
moravam no Rio, tocavam suas versões pros bailes da cidade e não acompanhavam de perto o movimento que crescia em São Paulo, ainda sem nome definido nem contornos claros. Quando Marcos Lázaro avisou que Menina Linda já estava nas paradas de sucesso, a banda mal acreditou. assinaram contrato, entraram pro programa e viraram da noite pro dia, um dos rostos mais reconhecíveis daquele momento da música brasileira, parte de uma geração inteira que dançava, namorava e viajava pelas estradas do país, ouvindo aquelas versões no
toca-fitas do carro, sem saber, na maioria das vezes, que estava cantando John Lennon e Paul McCartourney, traduzidos, entrar pro time de artistas fixos da TV Record naquele momento era mais valioso do que qualquer contrato de gravadora isolado era acesso direto e semanal à audiência jovem que decidia com sua lealdade quem continuava em cartaz e quem desaparecia da grade em poucos meses.
Renato e seus Blue Caps garantiram esse lugar cedo e o mantiveram por anos numa época em que boa parte das bandas rivais mal conseguia uma segunda aparição. O que poucos fãs da Jovem Guarda sabem é que Renato Barros não era só vocalista e guitarrista, era também um dos compositores mais requisitados daquele universo, com músicas gravadas por praticamente todo mundo que passava pela TV Record.
Roberto Carlos gravou Você não serve para mim, de autoria de Renato na trilha sonora do filme Roberto Carlos, em ritmo de aventura, de 1968. Vanderlei emplacou: “Tudo morreu quando perdi você naquele mesmo ano. Jerry Adrian gravou tantas composições de Renato que uma delas, Devo tudo a você”, virou faixa título de um LP inteiro do cantor, ao lado de outras parcerias como Não Me Perguntem por Ela e Triste Amor.
Ao longo da carreira, mais de 50 músicas suas foram registradas por outros artistas, incluindo também Wonderley Cardoso e o grupo The Fevers. Uma lista que somada cobre boa parte do que hoje se chama de clássicos da Jovem Guarda. A própria banda também sucessos assinados por ele.
Primeira lágrima, incluída no LP Umbalo com Renato e seus Blue Caps, virou um dos grandes hits do conjunto, justamente numa fase em que Renato já dividia o tempo entre compor para si mesmo e compor pros outros. Era um tipo de trabalho que raramente aparece nos holofotes. Ninguém tira foto de capa de revista por causa de um crédito de compositor, mas que sustentava financeiramente boa parte da cena da Jovem Guarda por trás dos vocalistas mais famosos.
Em 1972, Renato até brincou de ser outra pessoa. Sob o pseudônimo de Richard Brown, lançou um LP inteiro interpretando sucessos internacionais, como se fosse mais um artista estrangeiro tentando a sorte no mercado brasileiro, o mesmo truque de nome estrangeiro que tantos outros artistas da época usavam para vender discos.
Do jeito que Bobby de Carlo também tinha adotado um sobrenome italiano anos antes. Na década de 70, Renato também atuou como produtor da CBS, trabalhando com diversos cantores da linha romântica, conhecida como Brega, uma faceta da carreira que raramente aparece ao lado da imagem de guitarrista de rock que o consagrou, mas que mostra um músico disposto a se adaptar a qualquer mercado que existisse.
Entre todas as parcerias de Renato Barros, nenhuma teria um desdobramento tão marcante quanto a que começou dentro da própria casa dele. Na época, Renato namorava uma jovem chamada Lilian Nap. A mesma Lilian, cuja história como pioneira do rock brasileiro esse canal já contou aqui. Lilian também era amiga de infância de um rapaz chamado Lenov.
Foi através da rede de contatos de Renato Barros na gravadora CBS que Leno acabou descoberto pelos produtores do selo. E foi assim, quase por acaso, que surgiu a dupla Len e Lilian, namorada de Renato de um lado, amigo de infância dela do outro, unidos numa parceria musical que o próprio Renato ajudou a viabilizar, sem imaginar o tamanho que aquilo tomaria com o tempo.
Lilian, aliás, não era só a namorada de Renato, também compunhao lado dele. Assinou junto com Renato canções como Preciso Ser feliz, Aprenda a me conquistar e O Pica-Pau, registradas nos primeiros LPS dos Blue Caps. Uma parceria criativa que existia por conta própria, além do relacionamento amoroso que os unia naquele momento.
Foi dessa mesma parceria que nasceu Devolva-me: canção composta por Renato e Lilian juntos, que se tornaria um dos primeiros sucessos de Leno e Lilian como dupla e que no final dos anos 90 ganharia uma nova vida. numa regravação de sucesso da cantora Adriana Calcanhoto, prova de que a composição atravessou gerações muito além da jovem guarda que a viu nascer.
Leno, por sua vez, começou a compor também para Renato e seus blue Caps, criando uma troca de favores musicais que amarrava ainda mais essa pequena constelação de artistas cariocas. uma rede de amizades e parcerias que sustentaria carreiras inteiras nas décadas seguintes, muito depois de qualquer relacionamento amoroso ter terminado.
É esse tipo de detalhe que raramente aparece nas biografias oficiais da Jovem Guarda, a ideia de que os grandes sucessos daquela década não nasceram isolados, cada um na sua bolha de fama, mas de uma rede pequena e bem concreta, de amigos, namorados e vizinhos de gravadora, que se ajudavam mutuamente, muito antes de qualquer um deles imaginar que décadas depois seriam lembrados como ídolos de uma geração inteira.
Enquanto boa parte dos nomes da Jovem Guarda via suas carreiras se apagarem com o fim do movimento no início dos anos 70, Renato e seus Blue Caps simplesmente continuaram gravando ano após ano, disco após disco, ao longo de toda aquela década e da seguinte, atravessando mudanças de gravadora e de gosto musical sem nunca parar de vez.
Em 1995, a banda participou das comemorações de 30 anos da Jovem Guarda, se apresentando em diversas casas de show pelo país ao lado de colegas de geração. 10 anos depois, em 2005, repetiu a dose nas comemorações de 40 anos do movimento, incluindo a gravação de um DVD comemorativo. Em 2007, ainda emplacava composições novas, “Não há dinheiro que pague.
” Foi gravada pela cantora Liv Morais naquele mesmo ano, prova de que Renato seguia relevante como compositor mesmo décadas depois do auge. Renato dizia que o segredo daquela longevidade era simples. Amar de verdade o que fazia, respeitar o público que sustentava a carreira e nunca parar no tempo.
sempre descobrindo coisas novas, em vez de viver só da nostalgia de menina linda. Mesmo depois dos 70 anos de idade, ele mantinha uma média de oito apresentações por mês com a banda, uma rotina de trabalho que colocaria em vergonha artistas com metade da sua idade. Quando um crítico de música avisou Renato que sua banda era tecnicamente a mais antiga em atividade contínua do mundo inteiro, mais velha até que Rolling Stones, Beatles, Who, Monkeys e Beach Boys, todos formados já nos anos 60, o próprio Renato duvidou surpreso. Nunca se preocupou em correr
atrás de um registro oficial no Guinness Book. Achava o processo burocrático demais e dizia rindo que nem pensava nesse tipo de coisa. preferia, como sempre, estar em cima do palco a discutir recordes fora dele. Essa capacidade de se reinventar aparece clara no próprio repertório, no LP para sempre, de 1983, e depois em Batom Vermelho, de 1987.
Renato já compunha baladas com uma sonoridade completamente diferente do rock que tinha marcado os anos 60 mais próxima da música romântica que dominava as rádios naquele novo momento, mas ainda assinada pela mesma mão, que tinha escrito menina linda duas décadas antes. Era a prova viva de que ele levava a sério a própria receita, nunca parar no tempo.
Em 2012, a revista Rolling Stone Brazil reconheceu essa trajetória, incluindo Renato Barros, na lista dos 30 maiores guitarristas brasileiros de todos os tempos, reconhecimento tardio, mas de peso, vindo de uma publicação que raramente olhava para artistas da era Jovem Guarda com esse nível de seriedade crítica. A história de Renato Barros não é sobre um único sucesso, nem sobre uma única banda.
É sobre um homem que, sem falar inglês, ensinou o Brasil inteiro a cantar os Beatles em português e que, quase, sem querer, ajudou a colocar no mapa nomes que o Brasil ainda celebra hoje. Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderleia, Jerry Adriani, Leno, Lilian. Renato Barros nunca foi o mais famoso da Jovem Gua, mas talvez tenha sido, sem que ninguém tenha percebido bem na época, o fio que conectava boa parte dela, o compositor e produtor que ficava nos bastidores de uma geração inteira de encontros que pareciam acaso, mas que só aconteceram porque ele estava lá no meio
de tudo, compondo e gravando suas versões em português. Talvez seja por isso que o nome dele nunca vendeu tantas revistas quanto os de Roberto Carlos ou Erasmo Carlos. Um conector não precisa ser a estrela mais brilhante da constelação. Precisa só estar no lugar certo, na hora certa, disposto a apresentar um amigo ao outro, a compor uma música pro colega que precisava de um hit, a dizer sim quando um crítico duvidoso perguntava se aquela realmente era a banda mais antiga do mundo em atividade.
Renato Barros disse sim a quase tudo isso durante 60 anos seguidos, sem nunca cobrar o crédito que merecia. E é exatamente essa rede de conexões que vale a pena explorar mais fundo. Se você já viu as histórias de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Vanderleia, Leno ou Lilian aqui no canal, agora sabe o nome que estava por trás de boa parte do que uniu todos eles.
Se ainda não viu, a Saga da Jovem Guarda continua bem aqui do lado. Em meiados de julho de 2020, Renato Barros foi internado no Rio de Janeiro para uma cirurgia cardíaca de dissecção da aorta, um procedimento complexo de 7 horas de duração num corpo que já tinha 60 anos de estrada nas costas. A cirurgia foi tecnicamente bem-sucedida, mas o pós-operatório não foi.
Renato foi direto paraa UTI e permaneceu internado por 10 dias no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. Renato Barros morreu na terça-feira, 28 de julho de 2020, 2 meses antes de completar 77 anos, em decorrência de complicações pulmonares que se seguiram à cirurgia. Diferente de tantas outras histórias que esse canal já contou, aqui não existe mistério nenhum sobre a causa da morte, apenas o desfecho cruel de um corpo que, depois de 60 anos ininterruptos de palco, simplesmente não resistiu a uma cirurgia necessária.
O jornalista Mauro Ferreira, em sua coluna no portal Gom resumiu o legado de Renato chamando-o de herói da guitarra, alguém que ajudou a inserir o Brasil inteiro no universo pop ao longo dos anos 60 como vocalista, compositor e guitarrista à frente dos Blue Caps. Asmo Carlos.
O mesmo jovem que décadas antes tinha entrado na banda no lugar de Ed Wilson, foi um dos primeiros a lamentar publicamente a perda de um amigo de mais de meio século de estrada. Fãs e colegas de música lembraram nas redes sociais diversos que várias gerações de brasileiros cresceram cantando sem nem saber muitas vezes que aquelas canções tinham nascido em inglês do outro lado do Atlântico numa cidade chamada Liverpool.
que nenhum daqueles jovens cariocas de Piedade jamais tinha visitado. Para quem cresceu ouvindo Renato e seus blue caps no rádio do carro dos pais, a notícia da morte chegou como a perda de uma trilha sonora inteira de infância, não de um ídolo distante, mas de alguém que parecia ter estado sempre ali tocando. A banda que Renato deixou para trás nem parou de vez com sua morte.
Consultados pelo novo líder do grupo, Sid Chavs, os fãs pediram para continuar e as próprias filhas de Renato, Renata e Érica apoiaram a decisão de manter os Blue Caps na estrada com um novo integrante no lugar da voz que faltava. Depois de um iato forçado pela pandemia que também levou o próprio Renato, a banda voltou aos palcos.
mais de 60 anos de história que, ao que parece o próprio fundador não queria ver terminar com ele.