Cássia Eller não precisava ter morrido: O erro médico que o Brasil esqueceu u

Cássia Eller não precisava ter morrido: O erro médico que o Brasil esqueceu u

Cásia Heller não precisava de ter morrido. O erro médico que o Brasil esqueceu foi 29 de Dezembro de 2001. O Rio de Janeiro fervilhava. Faltavam dois dias para a passagem de ano. A cidade estava em clima de festa, as praias cheias, os bares abertos, todo o país no modo de passagem de ano.

 Ninguém esperava uma tragédia. Às 13 horas desse sábado, uma mulher de 39 anos deu entrada numa clínica privada no bairro de Laranjeiras, zona sul do Rio. Ela não estava bem, mas estava viva. 6 horas depois estava morta. Esta mulher era a Cásia  Heller, uma das maiores vozes que o Brasil já produziu. 39 anos, no auge absoluto da sua carreira.

 O disco mais vendido da sua vida tinha sido lançado nesse mesmo ano. Ela tinha 95 espectáculos nas costas num  único ano. Tinha um filho de 8 anos à espera em casa. tinha uma vida inteira pela frente. E em 6 horas, dentro de uma clínica privada, num bairro nobre do Rio de Janeiro, tudo acabou. O Brasil chorou e depois  seguiu em frente.

 Mas há algo nesta história que o Brasil nunca parou para ler com atenção. Existe um documento, um documento  público assinado por um procurador do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, que diz uma coisa muito simples e, ao mesmo tempo, devastadora.  Este documento diz que a morte de Cásia Heller nessa noite, naquela clínica, era previsível e poderia ter sido evitada.

 Não é uma teoria, não é especulação.  É a conclusão formal do Estado brasileiro, redigida em papel, com nome e assinatura, arquivada num tribunal criminal do Rio de Janeiro. E o Brasil nunca soube. Pensa nisso por um segundo. Uma das maiores cantoras da história do Brasil.  Um documento do Ministério Público dizendo que ela não tinha de ter morrido  e o país que a amou nunca soube.

 Por quê? O que esteve naquela clínica nessas 6 horas? Quem foram os médicos que a assistiram? O que fizeram e o que deixaram de fazer que levou o procurador a escrever aquelas palavras? E por que razão esta história foi sepultada enquanto o Brasil ouvia uma versão completamente diferente sobre o que tinha acontecido naquela noite? Este vídeo vai responder a cada uma destas questões, com documentos, com nomes, com datas, com os factos que o O Brasil escolheu não ver.

 Fica até ao fim, porque o que vai descobrir aqui vai mudar para sempre a forma como se recorda a morte de Cásia  Heller. A notícia caiu na madrugada de 30 de dezembro e antes de qualquer laudo existisse, antes de qualquer investigação começasse, antes que qualquer facto se verificasse, o Brasil já sabia o que tinha acontecido, pelo menos achava que sabia.

 A versão chegou rápido. Chegou pela boca de pessoas que estavam nos bastidores. Chegou pelos jornais que necessitavam de uma explicação.  Chegou pelo imaginário coletivo, que já tinha construiu uma narrativa sobre quem CIA Eller era. E esta narrativa dizia o seguinte:  ela tinha um histórico de dependência de drogas, havia recaído e morreu por consequência do próprio vício.

 Era uma história que encaixava, era limpa, era fácil. E havia um pormenor que parecia confirmar tudo. O advogado das percussionistas, que tinham levou a Cásia à clínica nessa tarde, afirmou publicamente que a cantora teria admitido aos médicos  ter consumido álcool e cocaína horas antes de dar entrada no hospital.

 Pronto, o O Brasil tinha a sua explicação, mas o Brasil estava errado. Em janeiro de 2002, semanas após a morte, o relatório do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro foi divulgado e o que dizia parava tudo. Os exames toxicológicos não encontraram álcool nem drogas no organismo de Ciaer, nenhum vestígio, nada, zero.

 O relatório que deveria confirmar a narrativa da overdose fez o oposto, destruiu-a completamente e apontou outra direção. Uma malformação cardíaca  que não tinha sido detectada em vida. Não, as drogas, o coração. Um coração comprometido que ninguém sabia que estava comprometido.  O advogado contratado pela família foi categórico.

 Não havia nenhuma prova, em caso algum, de que ela estivesse soboito de qualquer substância nessa noite. E havia algo  que tornava a narrativa do sobredosagem ainda mais injusta. Dois meses antes de morrer, em outubro de 2001, Ciao entrevista à revista Marie Claire.  Nessa entrevista, ela falou abertamente sobre a batalha com a dependência de drogas, com aquela honestidade que era a sua marca em tudo que fazia, e disse sem rodeios: “Estava limpo desde  2000.

 Tinha feito tratamento entre 98 e 2000. Foi firme. Esta não era a fala de uma mulher escondendo uma recaída. Era a fala de uma mulher que tinha lutado,  que tinha vencido uma batalha muito difícil e que estava a ser honesta sobre isto num país que preferia o rótulo à verdade. Mas quando ela morreu dois meses depois, o Brasil não se lembrou desta entrevista.

 O Brasil lembrou o rótulo e o rótulo era mais forte do que o relatório, mais forte do que a declaração da família, mais forte do que as próprias palavras dela. Aqui está o problema central desta história. Quando uma pessoa que viveu fora dos padrões morre de forma inesperada, o Brasil não espera pelos factos. O Brasil já tem a explicação pronta.

  E CIA, que tinha lutado a vida inteira contra rótulos, que tinha resistido a tudo o que tentaram impor-lhe, morreu carregando um rótulo que era mentira. Ela não precisava de ter morrido assim, não com essa mentira colada no seu nome, mas o relatório do IML sozinho não respondia  tudo.

 Se não foram as drogas, o que de facto aconteceu naquela clínica naquelas 6 horas? Esta pergunta abriu uma investigação. Uma investigação que duraria  3 anos. Ah, chegaria a uma conclusão que mudaria tudo e que o O Brasil nunca parou para ler. Na época acreditou na versão do overdose? Comenta aqui o que te lembravas desta história. Quero muito saber.

 Existe um paradoxo no centro da história de Cia que diz tudo sobre quem ela era. No palco, ela era capaz de fazer 190.000 pessoas enlouquecerem. Fora do palco, ela mal conseguia beber uma cerveja num bar de esquina sem se sentir invadida. Era um furacão que tinha medo da sua própria força e este paradoxo atravessa toda a a sua vida.Esposa de Nanda Costa homenageia Cássia Eller com fotos inéditas no dia em  que a cantora completaria 63 anos

 Cásia Rejan Eller nasceu a 10 de de dezembro de 1962, no Rio de Janeiro. Filha de militar cresceu a viajar pelo Brasil sem raízes fixas, aprendendo desde cedo a encontrar o seu lugar em qualquer lugar. Aos 14 anos, recebeu uma guitarra de presente. E aquilo não foi uma paixão glamorosa, [a música] foi uma obsessão silenciosa construída num país que não sabia o que fazer com uma voz como a dela.

 Porque a voz de Cassia Heller era diferente da tudo, um contralto grave, rouco, poderoso, que vinha do fundo da terra e chegava ao peito  de quem ouvia como algo que não tinha nome. Num cenário dominado por vozes agudas e comportadas, ela chegou e virou-se para a mesa sem pedir  licença.

 Antes de ser Cásia Heller, ela foi muita coisa: empregada de mesa, cozinheira, ajudante de pedreiro, secretária,  redora, a mulher que cantava em qualquer palco que aceitasse uma voz demasiado grave para os padrões da época.  Ela esperou anos por uma oportunidade e aproveitou como ninguém quando ela veio.

 E quando chegou, chegou sendo completamente ela mesma, o que no Brasil dos anos 90 tinha um preço elevado. Ela assumiu publicamente a relação com Maria Eugénia Vieira Martins num país conservador, numa indústria conservadora,  e pagou o preço deste durante anos. foi ignorada, foi diminuída, foi tratada como marginal por um mercado que preferia artistas mais fáceis de vender.

A indústria tentou em vários momentos suavizar a sua imagem e ela resistiu sempre até ao fim. Essa resistência custou anos de carreira e foi também o que a tornou impossível de esquecer. Esta era a mulher que entrou na clínica Santa Maria no dia 29 de dezembro de 2001. 39 anos, uma vida de luta para chegar onde tinha chegado.

 E o que aconteceu naquela clínica nas horas seguintes é uma história que o Brasil devia a ela. Se este vídeo está te conectando com a memória de Cásia,  deixa já o like e se subscreve o canal. Isso ajuda muito e há muito mais conteúdo assim a chegar. 2001 foi o ano em que CIA Eller finalmente chegou, onde sempre deveria ter estado.

 Mas enquanto o mundo via o triunfo, o corpo dela estava a mandar sinais que ninguém soube ou quis ler. O ano começou demasiado grande.  A 13 de janeiro, ela subiu ao palco do rocking Rio 3 perante 190.000 pessoas. cantou Chico Boarque,  Kazusa, João do Vale, Renato Russo, Nando Reis. Chamou a nação zombie para tocar Come Together dos Beatles ao seu lado e depois fez o que só ela faria.

 Cantou Smells Like Team Spirit dos Nirvana numa versão que fez a multidão enlouquecer. David Groll, que se apresentaria horas depois com os Full Fighters no mesmo palco, o elogiou dos bastidores. Numa atitude que só podia ser  da CIA Eller, ela ainda exibiu os seios para 190.000 pessoas em cadeia nacional.

 O Brasil de 2001 não estava pronto, mas ela nunca esperou que o Brasil estivesse pronto para nada.  Em março, gravou o acústico MTV com Nando Reis na produção. Esse álbum venderia mais de 1 milhão de exemplares.  ganharia o Gramy Latino de melhor álbum de rock brasileiro e se tornaria o maior sucesso da sua carreira.

 O disco que finalmente colocou  Cia no local onde deveria ter estado desde sempre. Entre maio e dezembro, a Tourê, 95 concertos em 7 meses, um ritmo que colocaria qualquer corpo no limite. E o corpo de Cásia não era qualquer corpo, era um corpo  que já tinha carregado muito antes de 2001.

 A mãe revelaria mais tarde, Cásia tinha tido febre reumática dos 4 aos 24 anos. 20 anos de uma doença que ataca diretamente o coração, que deixa cicatrizes no músculo cardíaco, que compromete o funcionamento de uma forma que pode não aparecer nos exames de rotina, mas que está lá silenciosa, acumulando dano. E havia a arritmia cardíaca  que tinha aparecido na infância, um coração que tinha sido submetido a décadas  de pressão e que agora estava a ser colocado para trabalhar a um ritmo de 95 espectáculos num ano.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

Recommended for You

View Archive arrow_forward