DISCRETA, LAURA CARDOSO FICOU VIÚVA AOS 52 ANOS E NUNCA MAIS SE CASOU

DISCRETA, LAURA CARDOSO FICOU VIÚVA AOS 52 ANOS E NUNCA MAIS SE CASOU

Discreta, Laura Cardoso ficou viúva aos 52 anos e nunca mais se casou. Laura Cardoso, uma das atrizes mais importantes da história da televisão brasileira, morreu na noite de 17 de agosto de 2026, aos 98 anos de causas naturais. A notícia foi confirmada por Fernando Faria, bisneto da artista e responsável por administrar suas redes sociais.

Nossa grande estrela se despediu de nós”, escreveu ele na homenagem. “A morte encerra uma trajetória de mais de oito décadas dedicada à atuação. Laura atravessou praticamente toda a história da televisão no país. Começou quando o rádio ainda era o principal veículo de entretenimento dos brasileiros. Participou dos primeiros anos da TV e continuou trabalhando até depois dos 90 anos.

Seu último papel em uma novela foi em A Dona do Pedaço, exibida pela Globo em 2019. Nos últimos anos, Laura levava uma vida ainda mais discreta. Longe da rotina das gravações, dividia seu tempo com a família e desfrutava principalmente da tranquilidade de sua bela propriedade em Itú, no interior de São Paulo,  cercada pela natureza.

 O local tinha piscina, horta, capela, jardins e uma extensa área verde. Em 2023, aos 95 anos, ela abriu as portas da residência para uma reportagem do É de Casa e mostrou alguns de seus cantinhos preferidos. “É muito bonito aqui, eu gosto muito,” resumiu. A vida pessoal de Laura também foi marcada por uma relação que atravessou mais de três décadas.

 Ela conheceu Fernando Baleroni ainda nos tempos da Rádio Tupi. Ator, roteirista, produtor e diretor, ele acompanhou a futura mulher na transição do rádio para a televisão e se tornou, nas palavras dela, seu grande amor. Os dois se casaram em 1949 e permaneceram juntos até a morte dele, em 1980, aos 58 anos. Anos depois, Laura ainda falava do marido com carinho.

 Em entrevista ao projeto Ocupação Laura Cardoso, em 2017, recordou que Fernando chamava sua atenção desde os tempos em que eram colegas. Era um colega, o rosto mais bonito da televisão contou. Ela também o definiu como um homem bom, inteligente e agradável, sempre cercado de pessoas interessadas em conversar com ele. O casamento rendeu três filhos.

Fátima e Fernanda cresceram longe da carreira artística, enquanto José morreu apenas três dias depois de nascer. Uma perda dolorosa para o casal. Mais tarde, a família aumentou com a chegada de três netos e do bisneto Fernando, que se tornou presença constante na velice da atriz e passou a cuidar também de suas redes sociais.

 Laura tinha 52 anos quando ficou viúva e nunca voltou a se casar. também não encontrou outro relacionamento que ocupasse o lugar deixado pelo companheiro. Quando perguntada sobre isso, dizia que até podia achar outros homens interessantes, mas não voltou a se apaixonar. “Não pensei em casar de novo, não,”, afirmou.

 Depois da morte de Fernando, foi principalmente no trabalho que encontrou uma maneira de preencher o vazio deixado pela perda. A carreira, aliás, continuou por quase quatro décadas depois da viuvez. Laura mergulhou ainda mais na profissão e atravessou os anos 1980, 1992.000 em plena atividade, justamente o período em que se tornou conhecida por diferentes gerações de telespectadores.

Fernando permaneceu como seu único marido e como ela própria reconheceria muitos anos depois o grande amor de sua vida. A distância da televisão, no entanto, nunca significou aposentadoria. Laura fazia questão de dizer que ainda queria trabalhar. A atriz não se imaginava simplesmente abandonando a profissão para passar os últimos anos em casa e repetiu mais de uma vez que atuar continuava sendo uma necessidade.

“Nunca que quero me aposentar e fazer tricô”, declarou em uma entrevista ao canal Viva. Laura dizia que queria continuar interpretando e vivendo outras vidas através dos personagens. Em 2025, ainda lançou o curtametragem Dona Rosinha, no qual interpretou uma idosa abandonada pela filha em um ponto de ônibus.

 A disposição para trabalhar até uma idade tão avançada combinava com uma carreira iniciada muito cedo. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso em 13 de setembro de 1927 em São Paulo, ela era filha de ex-camponeses portugueses da região de Trá os Montes e passou parte da infância em um curtiço no Bexiga. Aos 16 anos, iniciou profissionalmente na Rádio Cosmos, participando de programas de auditório, humorísticos e rádiovelas.

Depois passou por emissoras como Tupi e Bandeirantes. Quando a televisão brasileira dava seus primeiros passos, Laura estava lá, entrou para o elenco pioneiro da TV Tupi e estreou no veículo em 1952, em Tribunal do Coração. Durante aproximadamente 15 anos, integrou o elenco fixo dos teleteatros da emissora, atuando em atrações como TV de vanguarda, TV de comédia e grande teatro Tupi.

 Naquela época, grande parte das produções era realizada ao vivo, exigindo dos atores domínio absoluto do texto e capacidade para lidar com qualquer imprevisto diante das câmeras. Laura passou ainda pela TV Rio, Excelor, Bandeirantes, Record e novamente pela Tupi. A partir dos anos 1960, acompanhou a transformação das telenovelas em um dos principais produtos da televisão nacional.

Quando chegou a Globo, em brilhante  de 1981, já carregava décadas de experiência.  Foi na emissora carioca que uma nova geração passou a conhecê-la. Em mais  de 100 trabalhos realizados para a televisão ao longo da carreira, Laura construiu uma coleção de personagens que atravessaram épocas e estilos completamente diferentes.

Não ficou restrita ao papel da avó bondosa ou da senhora frágil, mesmo quando já tinha idade para ser escalada apenas nesse tipo de personagem. Em Mulheres de Areia, de 1993, viveu Isaura, mãe das gêmeas Rute e Raquel. No ano seguinte apareceu em Aviagem como Guomar, personagem que ganhou destaque em algumas das sequências mais dramáticas da novela de Ivani Ribeiro.

Em 1995, esteve em Explode Coração como a cigana Soraia. Os trabalhos continuaram nas décadas seguintes. Laura esteve em produções como Caminho das Índias, na qual interpretou a matriarca indiana Laxm, e voltou a surpreender ao assumir personagens bastante diferentes da imagem que o público poderia esperar de uma atriz veterana.

Em Gabriela, de 2012, interpretou a Beata Doroteia.  Já em Sol nascente de 2016 viveu dona Sinhá, uma vilã calculista que se escondia atrás da aparência de uma senhora em defesa. Aos 90 anos, apareceu em o outro lado do paraíso, como Caetana, personagem ligada ao passado de vários nomes importantes da história.

 Dois anos depois, chegou ao último trabalho em novelas. Em dona do pedaço, Laura interpretou Matilde,  encerrando em 2019 uma trajetória impressionante no gênero que ajudou a construir. A ausência dos folhetins não apagou sua ligação com a Globo. Recentemente,  ela também esteve entre os grandes nomes celebrados pela série Tributo.

Apesar de ser lembrada principalmente pela televisão, Laura Cardoso nunca abandonou os palcos. Sua estreia profissional no teatro aconteceu em 1959 em Plantão 21, dirigida por Antunes Filho. Décadas depois, os dois voltariam a trabalhar juntos em Vereda da Salvação de Jorge Andrade, montagem na qual sua interpretação de dolor lhe rendeu o prêmio Shell de melhor atriz.

 Ela também conquistou o Shell por Vem buscar-me, que ainda souu dirigida por Gabriel Vilela, além de acumular outros reconhecimentos durante sua extensa trajetória teatral. Para Laura, o palco não funcionava simplesmente como atividade paralela à televisão. Era parte essencial de sua formação e de sua maneira de enxergar a profissão.

 O cinema completou essa trajetória  com mais de 30 produções. Laura trabalhou em filmes como Terra Estrangeira  e Através da Janela, recebendo prêmios por suas atuações. Ao longo da carreira, acumulou ainda três estatuetas do Grande Hotel. recebeu a ordem do mérito cultural e foi homenageada com o troféu Oscarito no festival de Gramado pelo conjunto de sua obra.

 Mesmo cercada por homenagens e reconhecida como uma das grandes damas da dramaturgia, Laura sempre manteve uma relação bastante prática com o ofício. Defendia o respeito ao texto e ao personagem. estudava muito antes de cada trabalho e não escondia o quanto se cobrava para chegar ao resultado que considerava correto. Nos últimos anos, trocou a rotina intensa dos estúdios pela convivência com a família e pela tranquilidade em meio à natureza, mas nunca declarou encerrada a própria história profissional.

Laura Cardoso permaneceu atriz até o fim. Com sua morte aos 98 anos, a dramaturgia brasileira perde não apenas uma de suas artistas mais longevas, mas uma mulher que esteve diante dos microfones e das câmeras durante praticamente toda a construção da televisão no Brasil.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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