ESCÂNDALOS SEXUAIS E ROUBOS: O CHUCK BERRY QUE VOCÊ NÃO CONHECE
ESCÂNDALOS SEXUAIS E ROUBOS: O CHUCK BERRY QUE VOCÊ NÃO CONHECE
O primeiro sucesso de verdade da história do rock and roll foi alvo de um enorme jabá e um esquema de corrupção. Não, os caras não precisaram fraudar a licitação, foi muito mais simples. A música era Maybelline, que revolucionou a música pop americana ao misturar o country branco com o blues negro. O autor da canção era mas quando ele pegou um disco recém-lançado, viu que tinha outros dois nomes, um DJ que botou a música para tocar e um cara que trabalhava pra máfia.
Ele não tinha escolha, era um rapaz negro num país em que a lei dava direitos diferentes, dependendo da cor da sua pele. Sabe, muito se fala: “Uau, esse cara foi o pai do rock and roll”, mas quem é que conhece a sua verdadeira história cheia de erros, acertos, contradições? E pela primeira vez aqui no canal, com ajuda desse livraço, eu conto a vida dele.
Afinal, como foi a vida de Chuck Berry? E sim, vai ter desconto. Calma que eu já chego lá. Cara, a história do rock and roll não existiria sem a genialidade desse cara, Charles Edward Anderson Berry, que nasceu em 18 de outubro de 1926 em St. Louis, estado do Missouri, Centro-Oeste americano. Chuck nasceu numa comunidade negra de classe média, um reduto onde os caras se organizavam em plena época de segregação racial.
eram seis filhos numa família com valores rígidos de trabalho, religião batista e música. O garoto aprendeu a tocar e a cantar na igreja e levaria elementos da música gospel para o rock. Na adolescência, ele se apresentou pela primeira vez na escola, onde tocou um blues. E velho, de cara ele já mostrou assim uma presença de pau que o molecada toda aplaudiu.
E nessa hora deu aquele insight, sabe? Velho, a música pode provocar algo nas pessoas. Só que aí, cara, a trajetória dele sofreu um grave desvio em 1944. Chuck e dois amigos foram presos depois de uma onda de assaltos à mão armada. Ele foi mandado pro reformatório e mesmo Alícia pegou a música, montou um quarteto vocal de gospel e praticou box, mantendo uma boa conduta que lhe garantiu a liberdade antecipada em 47.

De volta ao mundão, Barry virou pai de família. Casou e trabalhou como operário, zelador, carpinteiro e pintor. Formou-se como cabeleireiro e esteticista, o que deu dinheiro suficiente para ter uma vida estável. É só que o Chuck era um cara da noite e ela estava chamando. E para fazer uma grana a mais, ele tocava guitarra e cantava em bares locais de St. Louis.
Mas a grande virada na carreira musical dele aconteceu numa história que ela é meio clássica. Tinha uma banda, na verdade um trio, o saxofonista passou mal e aí foram atrás de alguém para substituir o cara. Aí o pianista ligou pro Chuck Barry, falou: “Meu, você tá fim de chegar? É batera, piano e guitarra”. Ele foi. Só que o cara era tão bom de palco que acabou virando membro fixo.
A ideia dele era misturar o blues urbano com linhas de guitarra do jazz e as narrativas da música country. Muitos falavam que o country era o ritmo dos brancos, embora na realidade ele tivesse influências de negros indígenas também. O público que ia aos shows do trio era majoritariamente negro e como o country era mais acelerado, a galera achava o máximo.
Eles poderiam ter rejeitado, tipo: “Ah, sai daí, você só não tem nada a ver com a gente”. Só que era próximo do Blues. O trio virou a maior atração de St. Louis, só que não é uma cidade tão importante assim. E Barry queria ampliar os seus horizontes, tocar pra América toda. Então ele pensou, eu preciso de alguém que possa me ajudar.
E ele achou esse cara e para isso viajou até o centro mundial do Blues elétrico. Em maio de 55, Barry foi a Chicago, uma das maiores cidades americanas atrás da maior lenda do gênero da época, Mury Waters. Mury já tinha dezenas de singles lançados e estava sempre nas paradas de R&B.
Chuck assistiu a um show e esperou até o fim para falar com o cara. Segundo o que conta a biografia, Mudy ficou em silêncio assim, olhando para ele, pensando, cara, será que eu recomendo esse cara para mim é gravadora ou ele vai queimar o meu filme? Aí falou: “Tá bom, olha, faz o seguinte, procure uma gravadora chamada Chess Records e lá você vai falar com um cara chamado Leonard, que é o chefão.
Pode dizer que fui eu que mandei.” E a história foi assim. Barry esperou numa loja no outro lado da rua e quando o cara de terno que ele deduziu ser o chefe se aproximou, agiu então antes que o presidente Hanzinza da gravadora chegasse até a porta. Chez deu ouvidos a ele ali mesmo e nem sentou para uma reunião formal. Sugeriu que Barry voltasse com uma gravação que mostrasse do que ele era capaz.
Tudo isso que eu tô contando tá nesse livro aqui, Checkberry, uma vida, que eu só li no digital e agora eu vou abrir. Ai, tem brindes, adesivo, palheta, velho, marcador de página, tem fotos dele também, mais de 500 páginas, velho. E o legal desse livro aqui, que é de 2022, é que assim, o Barry escreveu uma autobiografia, só que ele evitava tocar nos temas mais polêmicos.
O RJ Smith, um jornalista que escreveu esse livro, ele foi a fundo, cara, entrevistou várias pessoas, pegou documentação, então ele entra em todas as polêmicas amorosas, as prisões, além de contar como surgiram as músicas, como o cara foi descoberto e como que ele ajudou a criar o rock and roll.
Eu recomendo muito esse livro porque conhecer essa história é saber por que a gente gosta tanto de rock and roll. O livro saiu aqui no Brasil pela editora Belas Letras e sim, eu tenho um cupom que dá 10% de desconto. Júlio [roncando] 10. É só clicar no link que tá lá na descrição e comprar inclusive a edição com esses brindes aqui.
O que eu vou contar aqui é só uma parte da história para conhecer o resto aí vai ter que ler. Mas então, voltando ali na história da gravadora, o Leonard pediu ao Chuck: “Grava uma fita, mostra do que você é capaz e traz para ouvir”. O cara achou aquilo bem diferente, especialmente uma canção chamada Aida May, que tinha uma levada Country e na verdade era uma releitura ou uma cópia de um conhecido country chamado Ida Red.
>> Então ele marcou uma gravação para 21 de maio de 55. Naquele dia apareceram Chuck, o pianista Johnny Johnson e o baterista Abby Hardy. Dois músicos de estúdio se juntaram a eles, um nas maracas, que é um tipo de chocalho, e outro no baixo. Aí beleza. Lá no estúdio, Chuck e os caras do trio passaram a música pros outros dois e o chefão da Chess Records ficou olhando assim pelo vidro na outra sala do estúdio pensando, cara, aiamei.
Esse nome é muito ruim, né? Galera, vamos achar um nome melhorzinho para essa música. Há duas versões sobre como veio a ideia de chamar música de Maybelline. Chuck diz que ele que sugeriu porque leu num livro infantil. Já o pianista diz que foi o próprio chefão da gravadora que olhou para um frasco de rímel da marca Maybelline com i, que existe até hoje.
O fato é que virou Maybelline com e um nome muito mais acessível. Eles gravaram essa música 36 vezes porque não havia uma referência. Ninguém sabia como é que o público ia reagir à aquela mistura de country com blues. Ninguém tinha feito isso antes. Quer dizer, rock já existia, mas era um outro tipo de som. Já vou falar sobre isso.
Aí gravava, tentaram de vários jeitos, até que o cara falou: “Ah, mano, quer saber? Vai assim mesmo.” Em julho, a Chess colocou Maybelline no mercado com outra faixa no lado B. O próprio Leonard foi até as rádios para fazer divulgação e os radialistas ficaram loucos ouvindo aquilo.
Botaram para tocar e o público também ficou louco. A música começou a tocar em várias partes dos Estados Unidos e expandiu a fronteira daquele negócio recém-nascido chamado rock and roll. O que as pessoas conheciam de rock era uma coisa bem mais atrelada ao country jazz, ritmo originado no Texas e Oklahoma, estados do Sul. Um som que tava mais para animação de salão, sabe? Tipo no clássico Rock Around the Clock, que foi escrita bem antes até em 52.
>> O diferencial de Maybelline era primeiro que abria com rif de guitarra. Segundo porque era uma história que tinha uma malícia. Haley continuava no topo das paradas pop e Barry cravou o quinto lugar, um feito ercúlio para um artista negro. Maybelline fala de um racha, um cara pobre que tem um Ford contra um rico no seu cadilac.
O vencedor fica com a gata. Chuck era apaixonado por carros e velocidade. Claro, tinha todo um pano de fundo. Ele não era de origem humilde, mas representava uma parcela da população que tinha sido escravizada, estava muito atrás dos brancos em oportunidades de enriquecer e ainda era segregada em alguns estados. Só que o público demorou para fazer essa leitura.
Ninguém sabia a cor do cara que tava cantando. Só quando ele apareceu na TV é que as pessoas conseguiram perceber. Com sucesso, outras gravadoras se apresentaram em lançar cópias, todas feitas por artistas brancos. Só que ninguém conseguiu vender mais do que Maybelline e aquilo era um feito. O público queria mesmo o cara negro.
Maybelline definiu as bases estruturais, líricas e rítmicas do rock and roll dali pra frente, mas também mostrou ao Chuck Barry como é que o jogo era jogado. Pouco depois do estouro, Chuck ficou sabendo que outras duas pessoas tinham sido registradas como autores da música, o que significava que também receberiam direitos autorais.
Uma delas era Allan Freed, DJ, que ajudou a música a estourar em Nova York. O outro era um sujeito chamado Rus Frattle, que ele nunca tinha ouvido falar. Rus era ligado à máfia e tinha emprestado dinheiro para Leonard Chess, chefão da gravadora. Dessa forma, Leonard pagava a dívida com o AJ. Era uma prática comum no mercado americano usar os direitos autorais como moeda de troca para favores ou mutretas.
também não demorou muito para surgir concorrência da boa. Bill Haley e seus cometas, eles tiveram muito mais espaço na TV e no cinema, mas não chegavam aos pés do Chuck no quesito palco. E claro, tinha o Elvis, o genro dos sonhos. Jovem branco, carismático e performático, Elvis tinha as condições e o talento para ser o maior daquela geração.
Barry o respeitava. Sabia que ele também rompia barreiras étnicas ao levar a música negra para todos os lares americanos. E para rivalizar com o rebolado de Elvis, que enlouquecia as garotas, Barry criou a caminhada que imitava um pato ou Thewalk, que virou sua marca. Elvis recebia cachê astronômicos e Hollywood batia sempre a sua porta.
Jack Barry, por sua vez, tinha que cruzar o país de carro, enfrentando hotéis e restaurantes que às vezes se recusavam a atendê-lo por causa das leis de segregação. Barry ainda estourou naqueles anos seguintes com Rollover Behoven, com o clássico Johnny Bood, claro, né? Entre outros, ganhou uma boa grana com os shows, montou sua própria casa noturna em St.
Luis, mas aos poucos ele caiu em desgraça. Em 59, o cantor conheceu numa viagem a garota Jenice Escalante, uma adolescente de 14 anos em situação de vulnerabilidade social, sem casa, nem família e com histórico de prostituição. Chuck ofereceu a ela um emprego e os dois acabaram se envolvendo. Semanas depois, Chuck mandou a garota embora de St.
Luiz levou ela pra rodoviária, deu 10 e falou: “Se vira, volta pro Novo México, onde eles tinham se conhecido.” Jenice acabou ligando pra polícia para denunciar o cantor. Chuck foi enquadrado numa lei americana que visava combater o tráfico sexual porque ele tinha transportado uma menor entre fronteiras estaduais.
Os depoimentos do livro, incluindo o de Janes, mostram que Chuck não vendeu nenhum favor sexual da garota, mas com toda aquela diferença de idade ficou complicado pro cantor se explicar. E um detalhe, ele já tinha sido enquadrado nessa lei um ano antes, em 58, quando um guarda parou ele e viu que ele tava com uma garota de 17 anos, branca, que era sua namorada, mas era um adolescente com homem negro.
Não interessa ser namorada, a narrativa já estava pronta para o establishment conservador. Jack Berry foi julgado em março de 60 e condenado a cinco anos de prisão, mas o juiz fez comentários racistas na sessão e o julgamento acabou sendo anulado. No segundo julgamento em 61, o cantor foi novamente condenado, pegou três anos de prisão e dessa vez teve que cumprir.
Ele estava no auge da sua maturidade artística. A prisão de Chuck Barry foi o golpe de misericórdia naquela primeira geração de ouro do rock and roll. Foram várias pancadas nos primeiros ídolos, assim e aí o som perdeu a força motriz nos Estados Unidos. Little Richard abandonou o Rock. Elvis Presley estava no exército. Buddy Holly morreu num acidente de avião e Jerry Lee Lewis caiu no ostracismo quando se casou com a prima de 13 anos, caso que foi aceito por boa parte da sociedade.
Na cadeia, Barry ficou bem para baixo. Ele sentia-se traído pelo sistema do país que ajudara a sonorizar, mas ele não parou de produzir. Estudou administração, praticou yoga e continuou compondo dentro da cela. Só que aí, cara, enquanto o Jackberry cumpria a pena, a música dele e dos outros, claro, atravessou o Atlântico e estava nos shows das bandas que estavam nascendo na Inglaterra.
Em 63 saiu o primeiro single. O lado A era Come on, música de quem? Chuck Barry. E o segundo LP dos Beatles, ele também tava lá em Rollover Beoven.Comportamento, Chuck Berry diminuiu a pena e foi solto naquele mesmo ano. Chcko voltou a gravar em 64, mas não era o mesmo. Quem o conheceu diz que ele saiu da prisão cínico, desconfiado, frio e obsecado por controle financeiro.
Entrou num lento declínio que matou seu talento e o acompanharia até sua morte em 2017. Ele também se envolveu em polêmicas como uma acusação de assédio sexual em 87 e de que teria instalado uma câmera no banheiro feminino do seu restaurante. A polícia encontrou fitas na casa dele com imagens das garotas. Cara, o livro conta todas essas histórias com muito mais detalhes.
As prisões, depoimentos, detalhes da investigação, enfim, fala dos erros que ele cometeu e dos erros do estado que perseguiu Chuck por causa da sua cor. Aproveita para conhecer esse capítulo fundamental da história do rock. O cupom é Júlio 10. O link tá lá na descrição.