Glória Maria: A verdade sobre seus últimos dias e o legado que ela deixou
Glória Maria: A verdade sobre seus últimos dias e o legado que ela deixou
Glória Maria, a verdade sobre os seus últimos dias e o legado que ela deixou. Glória Maria sabia que estava a morrer e mesmo assim continuou a sorrir. Escondeu a doença, escondeu a dor, escondeu o aus. E quando o Brasil descobriu, já era tarde demais. No dia 2 de fevereiro de 2023, o país parou.
O Jornal Nacional abriu com a notícia. Renata Vasconcelos não conseguiu conter o choro em direto do que ela representa para nós. Mas a gente tentou, não é? A gente tentou. Isso. Ana Maria Braga iniciou o mais Você em lágrimas. O Presidente Lula divulgou nota. Famosos, anónimos, jornalistas, artistas, todos prestaram homenagem.
Mas enquanto o Brasil chorava, uma pergunta ficava no ar. O que realmente aconteceu nos últimos dias de Glória Maria? A verdade é que ela [a música] escondeu muito mais do que a doença, escondeu o medo, escondeu a dor, escondeu-o a Deus e passou os últimos meses de vida preparando-se em silêncio para proteger as duas pessoas que mais amava, as filhas Maria e Laura.
Mas por que ela escolheu o silêncio? O que a levou a enfrentar um cancro devastador sem ninguém por perto e sem o Brasil saber? e o que ela deixou preparado para o futuro das raparigas. Nos próximos minutos, vai conhecer a verdade sobre os últimos dias de Glória Maria, a batalha que travou longe dos holofotes, o motivo que a fez esconder a gravidade da doença e o legado que ela deixou e que ninguém pode apagar.
Mas antes, preciso de te pedir uma coisa. Se cresceu assistindo Glória Maria, se ela marcou alguma fase da tua vida, deixa já o like. É rápido, é gratuito e ajuda demasiado o canal. E diga-me nos comentários qual foi a primeira reportagem dela que o senhor lembra-se de ter visto. Em 2019, Glória A Maria foi diagnosticada com cancro de pulmão.

O tratamento com A imunoterapia foi bem-sucedida inicialmente e ela continuou a trabalhar normalmente, viajando, apresentando o Globo Repórter, vivendo a vida que tanto amava. Mas a doença voltou, desta vez como metástase no cérebro. Ela foi submetido a uma cirurgia para retirar o tumor cerebral.
Foi um procedimento delicado, mas também teve êxito inicial. Glória recuperou, voltou ao trabalho e poucos fora do círculo íntimo dela sabiam da gravidade do que estava acontecendo. Em novembro de 2020, ela fez uma publicação emocionante no Instagram. escreveu que aquele sorriso era gratidão. Contou que há exatamente um ano descobriu um tumor cerebral.
fez a cirurgia para retirar e iniciou o caminho para a recuperação. As hipóteses eram mínimas de sobreviver ou de não ter sequelas, mas ela estava ali inteiro, ainda melhor do que antes. Agradeceu aos médicos que a chamavam de ET pela recuperação total tão rápida e extraordinária. E terminou com uma frase que definia bem quem ela era, feliz, só à espera que esse vírus passe.
E viva a vida. Em meados de 2022, porém, novas apareceram metástases cerebrais. A Globo divulgou em comunicado que a mesma iniciou uma nova fase do tratamento, mas que, infelizmente, este tratamento deixou de fazer efeito nos últimos dias. O último programa que Glória Maria apresentou foi para o ar a 5 de agosto de 2022.
Depois disso, ela afastou-se definitivamente do Globo Repórter. Em dezembro desse ano foi internada. Em janeiro de 2023 a situação agravou-se e em dois de fevereiro ela partiu. Mas porquê Glória Maria escolheu manter tudo isto em sigilo? Porque é que ela não falou publicamente sobre a doença? A resposta está na forma como ela sempre viveu, discreta, reservada, protetora da família.
Glória sabia da gravidade do o seu quadro e mesmo assim continuou sorridentes nas raras aparições públicas. Continuou a ser a Glória Maria que o Brasil conhecia. Em entrevista ao Roda Viva no início de 2022, ela disse algo que ecoa até hoje. Disse que era ruim ter medo e que também não pensou na possibilidade do fim nem por um segundo.
Mas o que ninguém sabia é que nos bastidores ela estava a se despedindo e preparando-se para proteger que mais importava, as filhas. Ela estava numa guerra literalmente. Em 1982, em pleno conflito das Malvinas, entre explosões e tiros, uma mulher brasileira caminhava com uma máquina fotográfica na mão, determinada a contar uma história que ninguém queria contar.
O nome dela era a Glória Maria e nesse momento ela tornou-se a primeira jornalista brasileira a cobrir uma guerra no local do conflito. Ela testemunhou e reportou o conflito armado entre a Argentina e a Inglaterra pelo controlo das Malvinas durante um mês e meio. A própria Glória pediu ao diretor Armando Nogueira para ir.
Ela queria estar lá, queria ver com os próprios olhos, queria contar aquela história como só ela sabia contar. Em entrevista ao Roda Viva, ela lembrou-se que só iam homens desde que a guerra começou e completou. Era uma guerra em que se desarmavam minas terrestres e tinha que ir lá ver como era.
A guerra é uma coisa que me deu muito medo, mas não deixei que ela me paralisasse. Mas para chegar até ali, ela teve de quebrar barreiras que pareciam intransponíveis. Glória Maria Mata da Silva. Nasceu em 15 de de agosto de 1949 em Vila Isabel, um bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Filha do alfaiate Cosm Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Mata, cresceu numa família humilde, [a música] estudou em colégios públicos e aos 16 anos já trabalhava como telefonista da Companhia Telefônica Brasileira para ajudar em casa e

financiar os estudos. O salário dos telefonista financiava o sonho de uma futura carreira como jornalista. Ela se formou-se em jornalismo na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC Rio, conciliando o trabalho com as aulas. O seu primeiro estágio foi no programa do Chacrinha na Globo ainda nos anos 60 e ela própria contou que como se esforçava muito, acabou por ser contratada pela Globo depois de trabalhar um ano de graça.
Em 1970, uma amiga levou-a para ser rádioescuta da Globo no Rio. E em 1971, Glória Maria estreou-se como repórter, cobrindo o desabamento do elevado Paulo de Frontim. Numa edição do programa Memória Globo, contou que estava indo almoçar a um sábado, quando recebeu uma chamada a informar sobre o desastre.
Ela e outros profissionais verificaram a informação por telefone e foram logo até ao viaduto fazer a cobertura. O episódio estreou uma carreira de grandes coberturas. Naquela época, os jornalistas praticamente não apareciam no vídeo. As reportagens eram narradas em voz off e o rosto do repórter não ia para o ecrã.
Glória Maria foi uma das primeiras a mudar isso. Em 1974, ela apareceu pela primeira vez no vídeo numa reportagem sobre a preparação da seleção brasileira para o Campeonato do Mundo. E em 1977, tornou-se a primeira repórter a entrar ao vivo e a cores no Jornal Nacional, mostrando o movimento de saída de automóveis do Rio de Janeiro no fim de semana.
Naquele dia, ela passou o seu primeiro sufoco no ar. eram usados equipamentos portáteis de geração de imagens. Logo no início da gravação, o lâmpada queimou. Em entrevista ao site Memória Globo, ela recordou: “Eu estava dura, rígida, porque não podia errar. Era a primeira entrada em direto. Faltavam 5, 10 minutos.
Era o técnico que ficava com o auscultador para me dar o vai. Quando a lâmpada queimou, faltava um minuto para a entrada em direto. O jeito foi acender a luz da Veraneio, carro utilizado pela emissora nas reportagens. O repórter cinematográfico e ela tiveram que ficar de joelhos com o farol no rosto e a matéria entrou no ar.
Ela disse que foi a última a aparecer no vídeo quando os jornalistas começaram a aparecer. O motivo, medo, era insegura. Uma coisa era aparecer só a mão, a outra coisa era ter de pôr a cara. Também Não pensei, não havia tempo para racionalizar, [a música] tinha de fazer. E depois vieram as Malvinas.
Depois, em 1996, ela cobriu a invasão da embaixada do Japão no Peru, quando um grupo do movimento revolucionário Tupak Amaru invadiu a casa do embaixador e fez 400 reféns. A embaixada ficou tomada por 126 dias, uma das maiores ocupações de embaixada da história. E cobrindo de perto estava Glória Maria.
No currículo dela estão também a cobertura dos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996 e do Campeonato do Mundo de França em 1998. A partir de 1986, ela integrou a equipa do Fantástico, programa que apresentou entre 1998 e 2007. Durante este período, entrevistou Madonna, Michael Jackson, Freddy Mercury, Harrison Ford, Nicole Kidman, Leonardo de Cáprio, Mick Jagger, Elton John.
A entrevista com Freddy Mercury realizou-se em 1985 na estreia do Rocking Rio. Glória acompanhou a chegada da banda Queen do Liponto. Na conversa, ela perguntou se a música I Want to Break Free era dedicada à comunidade gay. Mercury respondeu que não. Absolutamente não. Disse que a música foi escrita por John Dickon, que era bem casado e tinha uns quatro filhos, e completou.
Ela fala de todos nós, de alguém que leva uma vida muito dura e só se quer libertar dos problemas que enfrenta. Com Michael Jackson, o encontro foi em 1996, durante a passagem do cantor pelo Brasil. A reportagem foi exibida em fevereiro desse ano no Fantástico. Glória contou que era claro que o Michael Jackson não dava entrevistas porque precisava de manter a imagem de um mito.
Mas a gente pediu, pediu e ele aceitou dizer uma palavra para os brasileiros. Ela perguntou: “Michael, diga alguma coisa aos brasileiros.” E ele respondeu: “Adoro you, Brasil.” e inclinou-se para lhe dar um beijo no rosto dela. Com Madona, a entrevista foi em 2005. Glória contou que a artista não era das mais fáceis de entrevistar.
Disse que a Madonna foi antipaticíssima com a Marília Gabriela e troçou do seu inglês. Ao chegar ao local da entrevista, foi avisada que teria apenas 4 minutos com a cantora. A Glória foi sincera, virou-se para a Madona e falou: “Olha, Madona, tenho 4 minutos. Vou errar no inglês. Estou assustada.
Acho que já perdi os 4 minutos. Madona, no entanto, respondeu que ela poderia levar o tempo que precisasse e foi uma simpatia de uma gentileza. Foram mais de 100 os países visitados. Ela subiu Himalaias, saltou de Asa Delta, percorreu o caminho de Cristo, andou de balão no Grand Canyon e desceu de bote o rio Colorado.
Em 2016, visitou o Jamaica, entrevistou o Zinbolt e participou nos rituais de uma comunidade rastafari. foi a primeira repórter a voar de Asa Delta num voo duplo. Foi também a primeira que apareceu no vídeo escalando montanhas. Ela própria disse: “Sou impulsiva, gosto de desafios”. Glória Maria não foi apenas uma jornalista, ela foi uma exploradora, uma contadora de histórias, uma mulher que mostrou ao Brasil que o mundo era muito maior do que nós imaginava.
Mas por detrás de toda esta força existia uma mulher que também tinha medos e escolhas e uma vida pessoal que poucos conheciam verdadeiramente. E é sobre isso que vamos falar agora. Há uma pergunta que pouca gente fez, mas que muda tudo. Porquê Glória Maria escondeu a gravidade da doença? Porque ela não falou publicamente sobre o cancro? Porque ela sorriu até ao fim, mesmo sabendo que o fim estava próximo? A resposta está em duas pessoas, Maria e Laura, as filhas que adotou quando já tinha 60 anos e que se tornaram o centro da vida dela. Glória Maria nunca
pensou em ser mãe. A própria disse em entrevistas que o trabalho a preenchia, que a sua vida era perfeita tal como era. Em conversa ao programa Encontro, ela reafirmou: “Nunca quis ser mãe. O trabalho preenchia-me. A minha vida era perfeita. Surgiram por acaso. Eu nunca tinha pensado em ter filhos até que vi as duas pela primeira vez e tive a certeza que eram minhas filhas.
Isto é uma coisa que não sei explicar, mas o destino tinha outros planos. Em 2009, durante um trabalho voluntário na organização de auxílio fraterno em Salvador, na Baía, conheceu duas irmãs biológicas. Na altura, Maria tinha um ano e meio e Laura apenas alguns meses de vida. Em diversas entrevistas, já apresentadora sempre foi taxativa ao dizer que foi amor à primeira vista e decidiu adotá-las.
O processo de adoção durou 11 meses e ela tomou uma decisão que mudou tudo. Mudou-se do Rio de Janeiro para a Baía para ficar perto das mesmas durante o processo. Ela queria estar presente, [a música] queria que aquelas meninas soubessem que tinham alguém. Ela sempre foi muito clara sobre a escolha de criar as filhas sozinha.
Em uma entrevista emocionante ao jornal O Globo, Glória disse: “As minhas filhas não tm pai. Eu decidi tê-las sozinha. Sou eu e ponto final. Preciso de estar bem para as ver no ballet, nos eventos da escola. O dia em que não possa estar, que morra, elas terão tudo encaminhado. Vão estudar nos melhores lugares.
Tem padrinhos maravilhosos, está tudo certo. Tem gente que opta pelo vitimismo. Eu odeio o drama, não sou coitadinha. Vim sem esse sentimento. Nasci numa família extremamente pobre e matriarcal, cheia de mulheres fortes. A minha avó Azira, que morreu com 104 anos, tinha uma porrada de filhos, mandava em todo o mundo.
Glória sabia que a vida era frágil. Ela sabia que precisava preparar o futuro das filhas e fê-lo. Antes de morrer, ela nomeou Paulo Mesquita, economista e amigo de longa data como tutor testamentário das meninas. Paulo era visto como uma figura paterna para Maria e Laura. Ele assumiu a guarda, a criação e a administração dos bens deixados por glória, conforme o desejo dela.
Ela mudou do rio para a Baahia. Ela aprendeu a ser mãe aos 60 anos. Ela reorganizou a vida inteira por elas. Assim, quando o diagnóstico veio, a questão não era se ela ia lutar, a questão era até que ponto ela iria esconder a dor para não vê-la sofrer. Glória Maria escolheu o silêncio, não por vergonha, não por medo, mas por amor.
E é por isso que a verdade sobre os últimos dias dela não é uma história de doença, é uma história de proteção. Mas diz-me uma coisa, acha que uma pessoa pública tem o dever de partilhar uma doença grave com o público? ou o direito ao silêncio é maior e teria coragem de enfrentar uma doença grave em silêncio, como é que ela fez? Deixa a tua opinião nos comentários.
Agora vamos voltar à linha do tempo da doença. Em 2019, o diagnóstico: cancro de pulmão. O tratamento com imunoterapia foi um sucesso inicial. Glória continuou a trabalhar, viajando, fazendo o que amava. Em novembro desse ano, ela descobriu um tumor cerebral, fez a cirurgia para retirar. As hipóteses eram mínimas de sobreviver ou de não ter sequelas, mas sobreviveu.
E em novembro de 2020, um ano depois, ela fez uma publicação emocionante no Instagram. escreveu que aquele sorriso era gratidão. Contou que estava ali inteira, ainda melhor do que antes. Agradeceu aos médicos que a chamavam de ET pela recuperação total tão rápida e extraordinária. E terminou feliz, só à espera que vírus passar. E viva a vida.
Em entrevista ao Jornal Extra, em dezembro de 2020, ela disse algo que resume a fé que a movia. Disse que a gente ouve falar em milagres. mas guarda sempre uma dúvida. E acrescentou: “No meu caso, por eu ter vivido tudo o que vivi e saído da forma como saí, hoje posso dizer com toda a certeza que isso existe.
Agora eu acredito em milagre porque vivi um dia destes, diante dos bons resultados dos meus últimos exames, recebi uma mensagem do meu médico. Um ano depois, estás a zero e melhor do que antes. É isso? Estou inteirinha e pronta para enfrentar o mundo outra vez. Mas em meados de 2022, novos apareceram metástases cerebrais.
Ela iniciou uma nova fase do tratamento. A A Globo divulgou uma nota oficial dizendo que o tratamento, infelizmente, deixou de fazer efeito nos últimos dias. O último programa que Glória Maria apresentou foi para o ar a 5 de agosto de 2022. Depois disso, ela afastou-se definitivamente do Globo Repórter. Em dezembro desse ano, foi internada no hospital Taça Star.
Em janeiro de 2023, a situação agravou-se. No dia 2 de fevereiro, a morte. O hospital divulgou uma nota a lamentar a perda. A Globo divulgou a sua própria nota, dizendo que era com grande tristeza que anunciavam a morte da colega da jornalista Glória Maria. Faleceu no Rio de Janeiro em consequência de complicações de um cancro de pulmão.
O corpo saiu do Hospital Copa Star, na zona sul do Rio, sob aplausos e comoção do público. O velório foi realizado no cemitério da penitência, no Rio de Janeiro, restrito apenas para amigos e familiares. As As filhas da jornalista Maria e Laura foram algumas das primeiras pessoas a chegar ao local.
A família Marinho marcou presença, assim como a atriz Marina Rui Barbosa, a socialite Narcisa Tamborindegui, Maju Coutinho, Poliana Abrita, Camila Queiroz e Kebler Toledo, Luía Brunet. Luciano Hulk e Angélica não puderam comparecer, mas enviaram uma coroa de flores. O corpo foi cremado no fim da tarde do dia seguinte. Como homenagem, muitas coroas de flores foram enviadas.
A Rede Globo fez uma edição especial do Jornal Nacional, recordando o percurso de Glória Maria dentro da estação. Renata Vasconcelos, emocionada, disse que todos os colegas tinham consciência de que nenhuma homenagem estaria à altura de tudo o que ela representa. Mas eles tentaram. A verdade sobre os últimos dias de Glória Maria é esta.
Ela lutou em silêncio. Escolheu não transformar a doença num espetáculo. Escolheu proteger as filhas, proteger a família, proteger a própria imagem de força que construiu ao longo de 50 anos de carreira. Glória Maria sabia que estava a morrer e mesmo assim continuou sendo Glória Maria. Quando Glória Maria morreu, o Brasil não perdeu apenas uma jornalista, perdeu um símbolo, perdeu uma referência.
Perdeu a mulher que mostrou a milhões de meninas negras que podiam ser o que quisessem ser. Foi a primeira repórter negra da televisão brasileira e foi também a primeira brasileira a utilizar a lei Afonso Arinos contra o racismo. O pioneirismo dela incomodava os racistas. Em entrevista, recordou episódios de racismo que enfrentou.
Disse que, como era atrevida, teve vários problemas com os militares. Já enfrentou problemas por ser mulher, negra e ter vindo de uma família pobre. Mas com trabalho, dignidade e humildade, tudo isto foi superado. O rapper hemicida, numa homenagem emotiva, disse que se hoje existe um hemicida, é porque existiu uma glória Maria.
Contou que antes mesmo de compreender o que era o literacia racial, ver Glória Maria todos os domingos no O Fantástico incentivou-o a não desistir. O professor Denis de Oliveira da Universidade de São Paulo, salientou que Glória Maria furou uma bolha quando quebrou uma estética televisiva essencialmente branca. Ela assumiu a sua raça, usava o cabelo Black Power e praticava um jornalismo de ir para a rua sem deixar de ser quem era.
A jornalista e escritora Zelma Madeira escreveu que o legado de glória está tanto para os profissionais do jornalismo pelo seu brilhante trabalho, quanto para a população negra, quando se abre a possibilidade de contrariar imagens estereotipadas. A jornalista deixou-nos um legado importante no campo da representatividade da mulher negra.
Para muitas jornalistas negras, ela foi a principal referência profissional. Glória enfrentou o machismo, o racismo, enfrentou a ditadura e abriu portas que antes pareciam impossíveis. Glória Maria foi a primeira repórter a entrar ao vivo e a cores no Jornal Nacional. Foi a primeira mulher a cobrir uma guerra.
Foi a primeira a subir o Himalaia a saltar de Asa Delta a apresentar um telejornal. Em 2007, tornou-se a primeira jornalista a participar numa transmissão em HD na televisão brasileira numa reportagem do Fantástico sobre a festa do PEC, fruta de cor amarela adorada pelos indígenas kamayurás no Alto Xingu. E o reconhecimento continuou depois da morte.
Em 2023, Glória Maria foi homenageada póstumamente na 45ª edição do Prémio Vladimir Herzog de Amnistia e Direitos Humanos. Na ocasião, os jornalistas Sônia Brid, Fernando Morais e Glória Maria foram homenageados com o prémio especial Vladimir Herzog. A Câmara dos Deputados instituiu o prémio Glória Maria de jornalismo, atribuído anualmente aos profissionais cujo trabalho merece destaque no jornalismo brasileiro.
A Assembleia Legislativa da Bahia aprovou uma homenagem póstuma, uma vez que ela estava prestes a receber o título de cidadã baiana. A Universidade Zumbi dos Palmares em São Paulo, uma das mais tradicionais prémios de combate ao racismo no Brasil, passou a levar o nome de Troféu Glória Maria. Ela recebeu o prémio em duas ocasiões e apresentou a cerimónia em outros três anos.
Em março de 2022, um ano antes de morrer, Glória Maria deu uma entrevista ao Roda Viva da TV Cultura. Ela não estava no estúdio, participou por vídeo de casa por causa do tratamento. E foi ali, naquela conversa que ela disse algo que resume toda a sua trajetória. Ela falou: “Tudo o que eu quis fazer, eu fiz.
O que eu mais queria era percorrer o mundo e percorri. Ela também disse que viveu amores maravilhosos, que até casou no papel e tudo, mas que a vida dela era o trabalho, era viajar, era contar histórias. Disse que era mau ter medo e que também não pensou na possibilidade do fim, nem por um segundo. Glória Maria arrependimentos. Ela viveu intensamente, amou, viajou, lutou, adotou, chorou e riu.
E nos deixou uma lição, a de que nenhum sonho é demasiado grande quando se tem coragem. Se chegou até aqui, é porque a história da Glória Maria te tocou de alguma forma. Então eu peço-te, partilha este vídeo com alguém que admira-a, partilha com alguém que precisa de conhecer essa história e se subscreve o canal, ativa o sininho, porque aqui contamos histórias que merecem ser lembradas.
Deixa o like, que é gratuito e ajuda imenso. E conta-me nos comentários qual foi a maior lição que a Glória Maria te ensinou. Glória Maria partiu a 2 de fevereiro de 2023, mas a sua voz, o seu imagem e a sua história continuam vivas em cada jornalista que ela inspirou, em cada menina negra que via nela um espelho, em cada brasileiro que cresceu assistindo às suas reportagens, em cada pessoa que, tal como ela, decidiu que ia viver tudo o que quisesse viver.
Ela deixou duas filhas, Maria e Laura, que hoje continuam sob os cuidados de Paulo Mesquita, conforme o desejo de Glória em Vida. Deixou uma carreira brilhante, uma lista de prémios e homenagens e um legado de representatividade que nenhuma estatística é capaz de medir. Mas acima de tudo, Glória Maria deixou uma lição.
A de que a vida é demasiado curta para ser vivida com medo. A de que nenhuma barreira é demasiado grande quando se tem coragem. e a de que o verdadeiro legado não está nos prémios, [a música] mas nas pessoas que inspiramos. Que a gente possa um dia olhar para trás e dizer a mesma coisa que ela disse.
Tudo o que eu quis fazer, fiz. Obrigado por assistir.