LEMBRA DO ROBERTO CARLOS? FEZ MUITO SUCESSO NAS RÁDIOS E NA TV, QUASE SUMIU DE VEZ E HOJE VIVE ASSIM

LEMBRA DO ROBERTO CARLOS? FEZ MUITO SUCESSO NAS RÁDIOS E NA TV, QUASE SUMIU DE VEZ E HOJE VIVE ASSIM

Pensa comigo, quando foi a última vez que viu o Roberto Carlos a falar? Não cantando, falando numa entrevista, num programa respondendo uma pergunta de jornalista. Você não lembra-se? E não é falha sua. Faz quase 20 anos que o rei não se senta em frente de um repórter. Desapareceu dos programas de auditório, desapareceu das capas de revista, desapareceu do dia a dia da imprensa.

 Aquele homem que estava em tudo, na, no Chacrinha, no Show da Xuxa, simplesmente parou de falar e olhe que a sua voz nunca saiu da sua vida. Detalhes já ouviu num rádio de automóvel. Como é grande o meu amor por ti tocou no casamento de alguém da sua família? Pode fez a sua mãe ou a sua avó chorar em algum homem calou. E não foi de um dia para o outro.

  Foi um silêncio que ele foi construindo ano após ano, até que ninguém mais consegue chegar perto.  O que eu acho é que tem de se conversar, tem que se conversar e chegar a essa essa a esse equilíbrio. Não é que mudei de opinião.  Fica então a questão que quase todo brasileiro já o fez em algum momento.

 O que aconteceu ao Roberto Carlos? Por que o homem que era da família de todos os mundo deixou de falar connosco? Hoje eu vou-te contar. E o motivo é bem mais pesado do que imagina. Mas para compreender esse silêncio, precisamos recuar até 1947, numa pequena cidade do Espírito Santo, num dia de festa, quando um menino de 6 anos atravessou a linha do comboio.

Cachoeiro de Itapemirim, sul do Espírito Santo, 29 de junho de 1947, dia de São Pedro, o padroeiro da cidade. Havia festa na rua, havia gente por toda a parte. Tinha 6 anos e ainda nem era Roberto Carlos. Era o Zunga, filho do Robertino, o relojoeiro, e da dona Laura, a costureira.

 Moravam numa casa simples, no cimo de uma encosta. Naquele dia, chamou uma amiga, a fifinha, para ver a festa de perto e as crianças acabaram por ir parar demasiado perto dos trilhos. Vinha uma locomotiva a vapor carregada de minério de ferro. Uma professora que estava por ali apercebeu-se do perigo e correu gritando para as crianças saírem.

 E foi precisamente o susto do grito que fez o menino se desequilibrar e cair. A roda passou por cima da perna direita dele. Agora vem a parte que não vai esquecer. O menino ali caído com a perna destruída olhou para o médico e disse-lhe para tomar cuidado para não sujar muito o sapato dele. Porque o sapato era novo. Ele não estava a ser corajoso.

 Ele não estava a sentir dor nenhuma. E o motivo é cruel. O comboio tinha destruído os nervos dessa região. O corpo dele simplesmente não conseguia enviar o aviso. Quem lhe salvou a vida foi um desconhecido, um rapaz que se encontrava na multidão chamado Renato, rasgou o próprio palitó de linho para improvisar um torniquete e levou o menino até ao hospital, no seu carro.

 E no hospital aconteceu a decisão que mudou tudo. O padrão da época era amputar ao nível do joelho. Era o procedimento normal, era o que se fazia. Só que o médico decidiu arriscar e cortou um pouco abaixo, preservando a articulação. Parece um pormenor técnico, não é? É o motivo pelo qual Roberto Carlos consegue andar, subir a escada de palco e permanecer de pé durante 2 horas de espetáculo até hoje aos 85 anos.

 E tem uma coisa nesta história que diz muito sobre que ia acontecer depois. O acidente parou a festa de toda a cidade e não saiu uma linha no jornal local do dia seguinte, nem uma nota. Ele usou muletas até cerca dos 14, 15 anos, prendendo a barra da calça com alfinete. E quando colocou finalmente a primeira prótese, sabe o que ele fez? Saiu a correr pela praia, tropeçar, cair, levantando-se e correndo de novo.

 À noite foi a um baile dançar. O menino nunca mais falou deste assunto em público e guarda isso na cabeça, porque lá na frente esse silêncio vai custar caro. Em 1950, a família mudou-se para o Rio de Janeiro e aos 15 anos, esse mesmo rapaz já estava a cantar em boate carioca. Precisou de autorização dos pais e do tribunal de menores para poder trabalhar à noite.

 Depois foi parar à Tijuca, num grupo de amigos que se juntava para tocar. E olhe quem estava nesse grupo. Erasmo Carlos, Tim Maia e Jorge Ben. Todos miúdos, todos desconhecidos, todos na mesma roda. Desse punhado de amigos saiu uma boa parte da música brasileira dos 50 anos seguintes. Ele rebentou em 1963 com Splish Splash, uma versão que o Erasmo fez de uma música americana.

O Splish Splash fez o beijo que eu dei nela dentro do cinema. Depois veio o calambeck e a palavra calambeck entrou no vocabulário brasileiro para sempre. Até hoje há gente a chamar carro velho assim, sem saber de onde veio. Quanto cadertava, eu usava o bip, quero buzinar. Mas a viragem mesmo foi em 1965 e ela aconteceu por puro acaso.

 A TV A Record perdeu o direito de transmitir os jogos do Campeonato Paulista, ficou com um enorme buraco na tarde de domingo e precisava de alguma coisa para colocar no lugar rapidamente. Colocaram três jovens a cantar rock: Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderleia. estreou a 22 de agosto de 1965, às 4 da tarde, ao vivo num teatro na rua da Consolação.

 Chamava-se Jovem Gua, e tornou-se líder de audiência. Aquilo não era só um programa musical, era a primeira vez que jovem falava com jovem na televisão brasileira. A guitarra elétrica entrou na música popular pela porta da frente. A minissaia da Vanderleia escandalizou o meio país e o programa criou uma forma de falar que o Brasil inteiro copiou.

 É uma brasa, mora que brotou lindo, minha caranga. E foi aí que os três ganharam apelido. Erasmo virou o tremendão. Vanderleia virou a ternurinha e ele tornou-se o rei. Colou na hora, nunca mais saiu. O programa durou apenas 3 anos. Acabou no início de 1968. 3 anos.

 E o que veio depois foi coisa de outro planeta. Nos anos 70, deixou o rock de lado e tornou-se outra coisa.   Tornou-se a banda sonora da vida afetiva do brasileiro. Em 1971, saiu Detalhes que é provavelmente a canção romântica mais influente já feita neste país. Como é grande o meu amor por ti, amada amante, emoções, Lady Laura.

Esta última, uma homenagem à sua mãe, a costureira de Cachoeiro.  Tenho, por vezes, vontade de voltar a ser um menino.  E depois a máquina começou a funcionar de um forma que nunca mais se repetiu. Ele lançava um disco novo por ano, todos os anos, quase sempre no fim do ano, quase sempre, com o seu nome na capa e mais nada.

 Saía o disco, vinha ao Natal, o O Brasil comprava. Em 25 de dezembro de 1974, a Globo colocou no ar de Roberto Carlos. E isso tornou-se tradição igual ao panetone e árvore montada na sala. Pensa no que este programa atravessou. Ele iniciou-se na ditadura militar, passou pela abertura, pelo plano real, pela chegada da TV por cabo, através da internet, pelo streaming, 51 anos no ar.

 E teve um único ano em que não foi para o ar, um só. Já já te conto qual foi e por quê. Agora os números. Até 1994, Roberto Carlos já tinha vendido 70 milhões de discos. Somando tudo, a Associação da Indústria Fonográfica fala em mais de 120 milhões. Ele é o artista a solo que mais discos vendeu na história do Brasil.

 Primeiro lugar absoluto, não é opinião, é o ranking. E não se ficou pelos anos antigos, não. Em 2012, com 71 anos de idade, ele lançou Aquele gajo sou eu, e vendeu 2 milhões de exemplares do Compacto. Numa altura em que já diziam que já ninguém comprava música. Fora do Brasil, tornou-se um ídolo em toda a a América Latina, em Espanha, em Portugal e em Itália.

 Gravou em espanhol, gravou em italiano. Esse era o topo, um homem no lugar mais alto que um cantor brasileiro pode chegar, com o país inteiro a cantar junto e a família toda reunida em frente da televisão uma vez por ano. E foi exatamente aí, no ponto mais alto que a conta começou a chegar. O seu nome era Maria Rita.

 Ele a conheceu quando tinha 16 anos. A vida separou os dois e eles só reencontraram-se em 1991, décadas depois. Namoraram e casaram em abril de 1996. Era o seu segundo casamento e era para ser o último ato tranquilo de uma vida vitoriosa. Só que em 1998 veio o diagnóstico, um cancro raro e agressivo.

 E aí começou aquela montanha russa que quem já teve uma doença grave na família conhece bem. O tratamento pareceu resultar. Em Setembro de 1999, chegaram a anunciar a cura e o casal foi a uma missa de agradecimento celebrada pelo padre Marcelo Rosse. Um mês depois, a doença voltou. Ela foi tratar nos Estados Unidos, em Houston.

Depois voltou e foi internada num hospital em São Paulo. E aqui está a parte que mostra quem este homem é. Roberto Carlos cancelou tudo, absolutamente tudo. Ficou ao lado dela no hospital, sem exceção. E entre as coisas que ele cancelou estava o especial de Natal da Globo, aquele que estava no ar sem falhar desde 1974, 26 anos consecutivos.

 Naquele Dezembro, o Brasil ligou a televisão na hora de sempre e não tinha ninguém. Uma geração inteira de brasileiros ficou sem perceber o que estava acontecendo. Foi a única vez em meio século. Maria Rita morreu a 19 de Dezembro de 1999, às 11 da noite. Tinha 38 anos. Ele também não gravou o disco nesse ano.

Foi o único. E o que veio depois é de arrepiar. Ele transformou o luto em música da forma mais delicada possível. Em 2003, lançou um álbum inteiro a ela dedicado. E dentro deste disco tem uma canção denominado Acróstico, onde as primeiras letras dos versos, uma   por baixo da outra, formam o seu nome.

Escondeu o nome da mulher. Dentro da própria música, milhões de pessoas cantaram sem se aperceberem.  Mais do que a minha própria [canto] vida, para além do que eu sonhei para mim. Roberto Carlos voltou a trabalhar no ano seguinte, voltou a gravar, voltou a fazer especial, voltou aos palcos, mas nunca mais voltou a falar da mesma maneira e o golpe que fechou a porta de vez ainda estava por vir.

Em 2006, apareceu nas livrarias um livro chamado Roberto Carlos em Detalhes. O autor era um investigador chamado Paulo César de Araújo. E não era trabalho de fim de semana, não. 16 anos de investigação, cerca de 200 pessoas entrevistadas, mais de 500 páginas. O livro vendeu 22.000 cópias rapidinho. Era sucesso.

 E aí Roberto Carlos foi para cima. Em janeiro de 2007, os seus advogados entraram na justiça pedindo que o livro fosse retirado de circulação. E olha o que estava no centro da reclamação. O livro contava casos amorosos da juventude dele, contava a história do acidente que levou-lhe a perna e contava o cancro que matou Maria Rita.

Exatamente as três coisas que ele nunca quis partilhar com ninguém. E aí acontece a cena mais surreal desta história toda. Numa audiência num tribunal de São Paulo, Roberto Carlos apareceu pessoalmente, furioso, com o dedo em riste, pressionando os advogados da editora a assinar um acordo desistindo do livro e entregando toda a tiragem para ele.

 E sabe o que acontecia ao mesmo tempo dentro dessa mesma sala? O juiz e os seus assessores pedindo autógrafo. Isso mesmo que ouviu. O homem lutava pela sua própria privacidade, enquanto a justiça pedia a assinatura no papel. Ele ganhou. 43 dias depois de o livro ter chegado às livrarias, estava proibido de circular. Foram recolhidos 11.

000 1 exemplares e nem quis dinheiro. Abriu mão de qualquer indemnização, só queria o livro fora do mundo. Mas agora presta atenção na ironia, porque esta é demasiado grande. O caso tornou-se um símbolo nacional. O Brasil inteiro passou a discutir se artista pode ou não proibir que contem a vida dele.

 E em junho de 2015, o Supremo Tribunal Federal julgou a questão. Por unanimidade, todos os ministros presentes decidiram que ninguém precisa de autorização para escrever a biografia de ninguém. Quer dizer, o homem que tentou impedir um livro sobre si mesmo acabou por provocar a decisão que garantiu a todos os brasileiros o direito de escrever biografia sem pedir licença.

 Ele protegeu o próprio segredo e mudou a lei do país sem querer. Só que o preço deste silêncio foi outro e ele começou a pagar em prestações. A partir dali, o silêncio dele deixou de ser escolha e passou a ser necessidade, porque a vida [a música] foi tirando as pessoas dele, uma a uma. Em abril de 2010, faleceu a dona Laura, a mãe, a costureira que ensinou o filho a tocar, que empurrou o menino para o rádio de cachoeiro quando tinha 9 anos.

 Ela faleceu aos 96 anos, dois dias antes do aniversário dele. E ela era a Lady Laura da música. O Brasil inteiro cantou uma homenagem à mãe daquele homem durante décadas, sem nunca ter visto o rosto dela. Em 2011, faleceu Ana Paula, sua filha, aos 45 anos de paragem cardíaca.

 Em Setembro de 2021, faleceu Dudu Braga, também filho. Aos 52 de cancro, ele perdeu dois filhos. Não tem número, não há prémio, não há disco de ouro que compense isso. E em novembro de 2022 veio a que talvez tenha doído mais. No dia a dia dele morreu Erasmo Carlos.

 Erasmo não era apenas parceiro de composição. Os dois nasceram no mesmo ano com dois meses de diferença. Conheceram-se miúdos na Tijuca e assinaram em conjunto metade das músicas que conhece. Detalhes, amigo, sentado à beira do caminho. Além do horizonte, é proibido fumar. 50 anos de amizade. Roberto chamava-lhe irmão na frente das câmaras.

 E em 2025 ainda perdeu dois irmãos no mesmo ano. Agora, olha para a conta completa. Duas companheiras, as duas de cancro, os pais, dois filhos, o melhor amigo, dois irmãos. E vejam o que ele fez em cada um desses anos. continuou trabalhando. Gravou o especial de Natal em 2010, em 2011, em 2021 homenageando o filho que tinha morrido 3s meses antes.

 Em 2022, homenageando o Erasmo. E esta edição teve mais audiência do que a do ano anterior. Ele subia ao palco, entregava rosa ao público, sorria, cantava amigo e voltava para casa sozinho. E mesmo depois de tudo isto, ainda há gente perguntando se o rei parou. Não parou. Mas o corpo começou a cobrar a fatura. E houve um momento em que até a tradição ficou por um fio.

 Em 2019, o especial de fim de ano foi cantado quase todo em espanhol. O público brasileiro não gostou e o resultado foi o pior BOPE em 45 anos de programa. chegou a falar-se em tirar o especial da grelha. Pensa no tamanho disso. O programa mais tradicional do Natal brasileiro. O que a a sua família assistia junto quase desapareceu por causa de uma edição.

 Depois vieram nas negociações seguintes conversas sobre fazer um rodízio de artistas no fim de ano. Cada ano um cantor diferente. Defendeu a manutenção da tradição e ganhou. O contrato foi renovado até 2027. Depois veio a pandemia. dois anos praticamente parado, concertos cancelados e o especial de 2021 foi gravado num estúdio vazio, sem público nenhuma, com os convidados apenas em palco.

Foi precisamente aquele em que ele homenageou o filho do Du. E tem um episódio recente que quase ninguém ficou sabendo. Dezembro de 2025, ele [pigarreia] estava em Gramado, no Rio Grande do Sul, gravando o especial desse ano. A primeira vez que o programa foi feito no sul do país. No dia seguinte à gravação, ficou para rodar um clipe e decidiu dirigi-lo mesmo, o próprio Cadilac.

 Os travões falharam. Ele perdeu o controlo do carro e embateu em três veículos da equipa. Foi levado para o hospital de madrugada junto com os membros do staff. Não teve ferimento em ninguém. Foram todos libertados poucas horas depois, mas era um homem de 84 anos a conduzir um carro clássico numa estrada de montanha com o travão a falhar.

 E ele continua dirigindo. Continua também com a prótese na perna direita desde os 6 anos de idade. Continua com a voz acompanhada por profissional o tempo todo, organizar a agenda para não fazer espetáculo demais seguido. Tem um corpo de 85 anos e uma agenda que cansaria as pessoas de 30.º E é aí que chega a questão que trouxe-o até este vídeo.

 Onde exatamente esse homem se enfiou? Como é a vida de Roberto Carlos hoje quando as as câmaras apagam-se? Eu vou levar-te até lá dentro agora. Vive na zona sul do Rio de Janeiro, num bairro pequeno e tranquilo, rodeado de instalação militar, considerado por muita gente o local mais seguro da cidade inteira.

 É uma região de pouco movimento, não tem a agitação de Copacabana, não tem o burburinho de Ipanema, não tem os enormes edifícios da Barra. E o edifício onde ele vive é aquele aqui. Cinco pisos e uma portaria simples. Nada de condomínio de luxo com fachada de vidro, nada de guarita blindada, nada de nome pomposo.

 Ele comprou esse apartamento em 1980 e nunca mais se mudou. Agora segura essa. O homem que mais discos vendeu na história do Brasil poderia comprar hoje o imóvel mais caro do Rio de Janeiro, na orla do Leblon, avaliado em R5 milhões deais, e prefere continuar exatamente onde está há mais de 40 anos.

 Lá dentro é uma cobertura triplex com quatro suites e piscina e uma vista que apanha a Baahía de Guanabara e o Cristo Redentor. É caro, é bonito, mas a decoração é descrita como bem cuidada e sem ostentação nenhuma. E há um pormenor neste edifício que [a música] diz tudo sobre ele.

 No mesmo edifício tem um segundo apartamento que também é dele. Era onde vivia a dona Laura, a mãe. Ela morreu em 2010. Passaram-se mais de 15 anos. Nunca se desfez do imóvel. Agora a rotina. Olha como [a música] cabe em poucas linhas a vida do maior astro do país. Ele é noctívago, por isso acorda à tarde, almoça em casa, por volta das 5 da tarde, sai a pé e vai até ao estúdio dele, que fica a 5 minutos ali perto.

 É onde compõe, grava, estuda e recebe amigo. Regressa a casa por volta das 9 da noite. Então, sabe o que ele faz? vê novela da Globo. Toda a semana ele vai à missa, continua católico, como sempre foi, e uma das igrejas preferidas fica na mesma calçada. Ele desce e vai a pé.

 Coleciona carro clássico e essa é a única ostentação que assume. Vive um relacionamento hoje, mas nem isso ele conta. A identidade da companheira nunca foi divulgada, nem o nome. E uma vez por ano, no dia 19 de abril, seu aniversário, abre a janela e a cena para os fãs que esperam lá em baixo. Um homem de 85 anos, novela, missa e caminhada de 5 minutos até ao trabalho.

 E se está a achar que isso aí é uma reforma disfarçada, precisa ver os números que lhe vou mostrar agora. Roberto Carlos, aos 85 anos, tem 6.1.000 pessoas a ouvi-lo todos os meses só numa plataforma de música. É mais do que a maioria dos jovens artistas deste país e não parou de subir ao palco. São de 45 a 52 concertos por ano em três continentes.

 Só em digressão internacional, desde 2007, vendeu 1.100.000 bilhetes. Em 2024, entrou num ranking dos 30 artistas com maior público nos Estados Unidos, na mesma lista de Elton John, Share e Kiss. Este ano, encheu o Radio City Music Hall em Nova Iorque e correu o México inteiro. O especial de final de ano mantém-se firme, com contrato renovado até 2027.

 Foram 51 edições e tem um novo projeto engatilhado, uma cinebiografia autorizada, sete músicas inéditas prontas que ninguém ouviu ainda e uma rádio digital só com o repertório dele. Esta rádio, aliás, era um sonho do Dudu, o filho que morreu em 2021. Está a realizar o projeto do filho.

 Então a resposta é esta: Roberto O Carlos nunca assumiu. O que ele fez foi mais difícil. Depois de 60 anos a ser visto por todo o mundo, ele escolheu exatamente quando e como aparecer e conseguiu que o Brasil inteiro aceitasse esses termos. O que acabou foi a entrevista, não o homem, porque nunca deixou de comunicar consigo.

 Só trocou o microfone do repórter por outra coisa. E essa outra coisa começou em 1978 num concerto no Rio. Viu um conhecido na plateia, tirou o cravo da lapela e jogou. O povo foi à loucura. A maquilhadora dele sugeriu repetir aquilo e ele topou. Trocaram o cravo pela rosa, que é mais firme, e aguenta o arremesso.

 Desde então, todas as noites de concerto, ele beija cada rosa antes de entregar na mão das pessoas.   O homem que se recusa a falar com Os jornalistas escolheram aproximar-se do público de outra forma, um gesto no lugar de mil entrevistas. Agora quero saber de ti. O Roberto Carlos acertou em blindar-se do mundo depois de tudo o que perdeu.

 Ou acha que se fechou demasiado e deve isso ao público? Escreve lá em baixo. Opção um, ele tem todo o direito. Opção dois, fechou-se demais. Deixa o like e subscreve o canal, que é o que mantém a gente a contar essas histórias.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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