OS LUXOS ABSURDOS DEIXADOS POR DIEGO MARADONA APÓS SUA MORTE | DOCUMENTÁRIO COMPLETO DE EL DIEGO

OS LUXOS ABSURDOS DEIXADOS POR DIEGO MARADONA APÓS SUA MORTE | DOCUMENTÁRIO COMPLETO DE EL DIEGO

Olha, todo mundo aqui conhece o Messi, só que antes do Messi existir, a Argentina já tinha parido outro. E tem muita gente séria no mundo inteiro que até hoje diz que aquele ali foi maior.  México, 86. Ele pega a seleção argentina e ganha uma Copa do Mundo praticamente sozinho nas quartas contra a Inglaterra.

[grito]  Depois vai pro Napoli. E o Napoli era piada na Itália, time do Sul, cidade pobre, sem título nenhum. Ele chegou lá e fez aquilo virar campeão italiano em cima da Juventus, em cima do Milan duas vezes. E até hoje em Nápolis ele não é ídolo, é santo. Tem altar com a cara dele, tem vela acesa, tem gente rezando para ele.

 Literalmente o dinheiro era de outro planeta. Ele chegou no Napoli como o jogador mais bem pago do mundo. Salário, um quarto da bilheteria dos amistosos, casa de frente pro mar, Rolls-Royce e Ferrari. Tudo por conta do clube,  só de salário. Entre 84 e 91, entrou perto de 43 milhões de dólares na conta desse homem nos anos 80, meu amigo.

 Enquanto aqui o povo corria pro mercado  com a inflação comendo o salário no mesmo dia. Só que lenda também morre. Novembro de 2020, ele se foi num  quarto escuro, numa casa alugada. E aí ficou a pergunta: o que é que um ídolo desse tamanho deixa para trás? E principalmente, quem é que ficou com tudo aquilo? Porque essa parte, meu amigo, quase ninguém te contou.

 E olha, antes da gente  começar, tem uma coisa que você precisa saber. Esse cara era polêmico, tinha dois lados e o segundo lado ficou escondido por muito tempo, até que veio à tona. Então hoje a gente vai mergulhar na vida desse homem que para  muita gente é o maior ídolo que já existiu e que para outros era simplesmente um monstro do começo até o dia em que ele  morreu e principalmente no que aconteceu depois.

Pega um café e senta aí porque a nossa  história começa em Vila Fiorito, 1963, rua de terra. Uma torneira pra rua inteira, 10 pessoas dentro de uma casa de chapa e  papelão e uma mulher mentindo na mesa do jantar. Diego Armando Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960, num bairro chamado Vila Fiorito, na periferia de Buenos Aires.

 E olha, meu amigo, aquilo era pobre.  Mais pobre de um jeito que a gente aqui até conhece, mas custa da acreditar quando  escuta. Rua de terra, casa colada na outra, sem luz elétrica, sem água encanada, sem esgoto nenhum. A casa dos Maradona era feita de chapa e papelão, papelão mesmo. E dentro daquilo viviam 10 pessoas.

 O pai  Dom Diego, que todo mundo chamava de Chitoro, se matava numa fábrica. A mãe,  Donia, Tota, cuidava da casa e dos oito filhos. Diego era o quinto e o primeiro homem. A água vinha de uma torneira, uma torneira pra rua inteira. As crianças iam buscar com galão vazio de óleo de cozinha.

 E com aquela mesma água,  a donha Tota lavava a roupa, cozinhava a comida e todo mundo tomava banho. O próprio Diego contou isso  com essas palavras. Eles tiravam um pouquinho, passavam na cara, passavam na axila e tava lavado. Agora vem o detalhe que muda tudo.  Tinha noite que a comida não dava para todo mundo. 10 pessoas, uma panela só.

 E nessas noites, a donha Tota olhava pros filhos e dizia que estava com dor de barriga, que não ia comer, que não  estava com fome toda vez. Diego só entendeu essa mentira aos 13 anos. Aos 13 anos, ele parou, fez a conta na cabeça e caiu a ficha de que a mãe dele  nunca tinha tido problema nenhum de estômago.

 Segura essa imagem por um  segundo, porque daqui a 20 anos esse mesmo menino vai estar comprando Ferrari e mandando pintar de  preto porque não gostava de vermelho. Mas a gente ainda não chegou lá. O primeiro brinquedo da vida do Diego chegou quando ele tinha 3 anos de idade. Foi uma bola presente do Primo Beto. E o menino dormia abraçado com aquilo.

Levava pra escola, levava para fazer mandado da mãe. A bola não desgrudava do pé. Aos 9 anos, um amigo fala dele pro treinador das categorias de base do Argentinos Juniors, um cara chamado Francis Cornejo. Cornejo pede para ver o moleque.  E no teste, o Diego faz caneta, faz chapéu, toca de calcanhar sem nem olhar pra bola.

Cornejo não acreditou.  Achou que estavam querendo passar a perna nele. Pediu o documento de identidade da criança  porque não entrava na cabeça dele que aquilo ali tivesse só 9 anos. E assim o Diego entra pros Cebolitas,  as Cebolinhas, o time infantil do argentinos, apelidado assim porque era tudo pequenininho.

 Só que tem uma coisa dessa fase que quase ninguém conta. Cornejo olhou pro corpo daquele  menino e viu o que anos de fome tinham feito ali. Músculo  fraco, osso frágil e o treinador se ofereceu para pagar do  próprio bolso um tratamento para fortalecer aquilo. Comprimido e injeção. Segura essa informação porque essa conta vai chegar.

Só que ela vai chegar 30 anos depois. Por enquanto, o que importa é que aquele menino era uma coisa fora do normal. Os Cebolitas emendaram 136 jogos sem perder e nos jogos dos profissionais,  o clube começou a botar o Diego no gramado no intervalo, só para ele fazer embaixadinha  e entreter a torcida, enquanto os adultos descansavam no vestiário.

 Um dia chamaram ele para fazer isso na Bombonera, o estádio  do Boca. Quando ele terminou, a Bombonera inteira começou a cantar. Que se quede, que se quede, que ele fique, que ele fique. O  moleque tinha 12 anos. Agora tem um episódio dessa época que eu preciso te contar. E eu quero que você grave bem.

Num jogo dos  Cebolitas, o Diego fez um gol com a mão. Os adversários viram, foram para cima do juiz. deu confusão e o juiz validou o gol. Anos depois, na autobiografia  dele, o Diego escreveu sobre esse dia. Escreveu assim: “Eu sabia que não estava certo, mas uma coisa é dizer isso com a cabeça fria, sentado.

 Outra coisa é o calor do jogo. Você tá tentando alcançar a bola e a mão vai sozinha.  Guarda essa frase, guarda mesmo, porque em 1986,  num estádio no México, na frente do mundo inteiro, essa mão vai sozinha de novo. Em 20 de outubro de 1976,  10 dias antes de completar 16 anos, ele entra em campo como profissional pela primeira vez.

 Camisa 16, segundo tempo, contra o Taleres  de Córdoba. era o jogador mais novo a pisar na primeira divisão argentina  até então. E aí chega 1978, Copa do Mundo, na Argentina, em  casa. O menino de Fiorito tem 17 anos já é assunto do país inteiro e sonha com aquilo desde criança.  Quando perguntaram para ele no programa mais visto da TV Argentina qual era o sonho da vida dele, ele nem pensou para responder:  jogar uma Copa do Mundo.

 O técnico Menot corta ele da lista e a Argentina ganha a Copa em casa  sem ele. Diego chorou, chorou muito. escreveu depois que aquele foi o dia mais triste da carreira inteira dele e que naquele dia ele fez uma promessa que um dia ia se vingar, que ia provar para todos eles  que estavam errados.

 Ele jurou vingança e olha, nem ele fazia ideia do tamanho da vingança que tinha guardada. 4 milhões de dólares foi o que o Boca Juniors pagou em 1981  para tirar o Diego do Argentinos Juniors. E olha que curioso, o Riverplate ofereceu mais dinheiro, mais dinheiro? E ele disse não, porque o River na Argentina sempre foi o time da classe média, da classe alta, do pessoal bem resolvido.

 E o Boca era o time do Operário, do imigrante,  do cara que sai de casa às 5 da manhã. O Boca era o time do povo. O menino de Fiorito escolheu o povo, estreou marcando dois  gols e naquele mesmo ano foi campeão do Metropolitano, o primeiro título grande da vida dele. Em junho de 1982, o Barcelona chega com uma proposta que ninguém no mundo tinha visto igual por volta de 7 milhões e dólares.

 Recorde mundial. O jogador mais caro da história do futebol. e ele tinha 21 anos.  E aí a coisa desanda. Primeiro veio uma hepatite que tirou ele de campo por três meses.  Depois, em setembro de 83, num jogo contra o Atletic Bilbao, um zagueiro chamado Goetia vem por trás e mete uma entrada que é difícil até de assistir hoje.

Estraçalhou os ligamentos do tornozelo esquerdo  do Diego. O tornozelo esquerdo, justamente o pé que fazia tudo. Os médicos do Barcelona falaram 6 meses no mínimo. Ele voltou em 106 dias.  E aqui, olha, tem gente que até hoje diz que foi ali que começou o fim, porque para voltar naquela velocidade entrou de tudo naquele corpo.

 Injeção, remédio, tratamento não convencional. E o tornozelo do Diego nunca mais foi o mesmo. Mas o que tirou ele do Barcelona  não foi o tornozelo, foi outra coisa. Final da Copa do Rei de 1984  contra o mesmo Atletic Bilbao. 100.000  pessoas no estádio, o rei da Espanha na tribuna, transmissão pra Europa inteira. O Barcelona perde.

 E aí um jogador do Bilbao passa na frente do  Diego e faz um gesto provocando. O Diego voa em cima dele e vira uma guerra. guerra mesmo. Jogador dos dois times se socando,  chutando, dando cabeçada no meio do gramado. Cerca de 60 pessoas saíram machucadas daquilo. E no meio da confusão, um reserva do Bilbau escorrega no chão.

 O Diego chega e mete uma ajoelhada na cara do cara.  Abriu o lábio, deixou o sujeito com um traumatismo na frente do rei, na frente  de 100.000 pessoas. O Barcelona olhou aquilo e decidiu: “Esse cara a gente vende, custe o que custar”. E aí entra o Napoli. Agora, para você entender o que aconteceu em Npolis, você precisa entender o que era Nápolis naquela época.

   A Itália sempre foi rachada no meio. O Norte, Milão, Turim, Gênova, tinha fábrica, banco, dinheiro,  poder e tinha os times grandes. O Sul ficou para trás e Nápolis era o retrato disso.  Pouco emprego, infraestrutura velha, abandono do estado e a camorra tomando conta do que sobrava.

 O pessoal do norte chamava napolitano de cidadão de segunda classe. Tinha piada, tinha xingamento, tinha desprezo aberto. E o Napoli no futebol era exatamente isso. Um time que não ganhava nada, que ninguém respeitava, que ninguém levava a sério. Aí eles compram o Diego por volta de 10 milhões e meio de dólares.

 Novo recorde mundial. O cara bateu o próprio  recorde. Dia 5 de julho de 1984, apresentação no estádio São Paulo. 75.000 pessoas. 75.000 pessoas num estádio para ver um cara descer de um helicóptero  e dar tchau. Ele não ia jogar, não ia fazer nada, era só para ver ele chegar. E um jornal local escreveu uma frase naquela semana que resume tudo.

 Escreveu assim: “Nós não temos prefeito, não temos casa, não temos escola, não temos ônibus, não temos emprego e não temos saneamento. Mas nada disso importa, porque nós temos  Maradona.” E aí, meu amigo, ele entregou 10 de maio de 1987. O Napoli precisa de um empate contra a Fiorentina para ser campeão italiano pela primeira vez na história.

 A cidade inteira parou. Bandeira em cada esquina, gente cantando na rua. Desde de manhã o São Paolo lotado até o teto. E eles empataram e foram campeões. O  primeiro escudeto da história do clube e o primeiro título de liga de um time do sul da Itália. A festa durou dois meses. Dois meses.

 E o pessoal fez funeral simbólico da Juventus e do Milan pelas ruas de Npolis.  Caixão, cortejo, tudo. E na porta do cemitério da cidade, os torcedores penduraram uma faixa que dizia assim: “Pros  mortos, vocês não sabem o que perderam. A partir dali, o Diego deixa de ser jogador em Nápolis. Ele vira santo. Literalmente começaram a acender vela para ele.

 A imagem dele apareceu em altar  do lado de São Genaro, que é o padroeiro da cidade. E até hoje, se você for para Anápolis, você acha. Mas nada disso. Nada se compara ao que aconteceu no dia 22  de junho de 1986, Copa do Mundo, no México. Quartas de final, Argentina contra Inglaterra. E aqui não era só futebol, não.

 4 anos antes, aqueles dois países tinham entrado numa guerra  de verdade, com gente morrendo por causa das ilhas Malvinas. A Argentina foi humilhada. Aos 51 minutos, o Diego disputa uma bola no alto com o goleiro inglês. Ele é muito mais baixo. Não tinha chance nenhuma de ganhar aquela bola de cabeça.

 E aí a mão vai sozinha. Ele levanta o braço, empurra a bola para dentro do gol e sai correndo para comemorar antes que qualquer um consiga reclamar. Depois eu te conto. O juiz não viu. Gol válido.  Depois, na entrevista, ele soltou a frase que ficou para sempre. Foi um pouco com a cabeça de Maradona e um  pouco com a mão de Deus.

 4 minutos depois. 4 minutos. Ele pega  a bola no meio do campo, arranca e passa por um inglês. Por dois, por três, por quatro. Chega no goleiro, dribla o goleiro e coloca no fundo do gol. 52 m, 10 segundos, seis ingleses  no chão. A FIFA fez uma votação anos depois e elegeu aquele como  o melhor gol da história do futebol.

 E olha só o que a gente tem aqui. O mesmo homem, o mesmo jogo, o mesmo corpo. 4 minutos de diferença. Do lado esquerdo, o gol mais sujo que uma Copa do Mundo já viu. Do lado direito, o gol mais bonito. Para e pensa nisso. Tem quem diga que aquilo foi roubo e  ponto, que ele trapaceou numa Copa do Mundo na cara dura e ainda riu do mundo depois.

 E tem quem diga que era um moleque de Vila Fiorito devolvendo com a mão o que um império tinha feito com o país dele numa guerra de verdade. E aí eu deixo a pergunta para você, escreve aí embaixo que eu vou ler. A Argentina foi campeã do mundo naquele ano. Diego levou a bola de ouro de melhor jogador do torneio. Voltou para Anápolis e ainda ganhou o segundo escudeto e uma Copa  da UEFA.

Naquele momento, o Diego tinha o mundo na palma da mão  e o dinheiro começou a entrar de um jeito que ele nunca nunca soube segurar. Deixa eu te ler o contrato desse homem no Napoli. Salário  anual, mais 25% de tudo que entrasse de bilheteria nos amistosos. Mais prêmio dobrado a cada vitória.

  Mais contrato de publicidade por fora. E aí vinham os extras, uma casa com piscina de frente pro mar. um Rolls-Royce, uma Ferrari e passagem de avião para Buenos Aires, sempre que ele batesse o pé  e quisesse ir. Tudo por conta do clube. Com isso, ele virou oficialmente o jogador mais bem pago do planeta Terra.

 Jogando  num time que até ele chegar ninguém no próprio país levava a sério. Agora vem o número só de salário. Entre  1984 e 1991,  entrou na conta do Diego alguma coisa em torno de 43 milhões  de dólares. Corrigindo para hoje, isso passa dos 100 milhões. E olha,  eu quero que você pare e pense onde a gente estava nessa época.

 Anos 80,  Brasil. Cruzeiro, cruzado, inflação comendo o salário no mesmo dia que caía na conta. Gente correndo pro supermercado com o pagamento na mão para comprar antes de aumentar de novo. Enquanto isso, do outro lado do mundo, esse cara ganhava numa única temporada o que uma família brasileira inteira não juntava em  uma vida.

 E aí ele começou a gastar a Ferrari, testarosa. Ele quis, ele comprou. Só que teve um detalhe, a Ferrari na época só fabricava a Testarça em vermelho. Era a cor da casa, era assim e pronto, não se  discutia. O Diego mandou pintar de preto, preto, com o interior todo branco, porque ele não gostava de vermelho.

 E olha só a ironia, o cara  pintou de preto uma Ferrari e depois vendeu ela para um colecionador  espanhol para não pagar imposto de importação na Argentina. Ele tinha uma Ferrari F35, também  registrada no nome de uma empresa dele. Essa aqui teve um destino esquisito. Acabou nas mãos de um clã de narcotraficantes no norte  da Argentina e foi apreendida pela polícia anos depois e teve  o carro que virou lenda, a BMWM4, que ele batizou  de La Bia.

Julho de 2020. O Diego já é técnico do ginásia, já  tá com 60 anos, já tá com a saúde acabada e ele chega pro treino dirigindo essa B, MW com giroflex ligado e sirene de polícia tocando. Esse  foi o último carro que o Diego Maradona dirigiu na vida. Agora os relógios.

 O Diego era da Rublot, era embaixador da marca e ele usava dois relógios  de luxo ao mesmo tempo, um em cada pulso. Um marcava a hora do lugar onde ele estava, o outro marcava a hora de Buenos Aires, para ele saber a qualquer momento do dia que horas eram na cidade onde as filhas dele estavam.  Antes da Ublot era Rolex e teve um dia no boca que o Diego chegou no vestiário e distribuiu quatro Rolex de presente pros  companheiros de time de uma vez numa tarde só, cerca de 5.

500 cada. O cara que passou fome em Vila Fiorito dando Rolex de presente como quem  dá bombom. E depois veio Dubai. Entre 2011 e 2018 o Diego morou numa mansão em Dubai. Seis quartos, sete banheiros, quatro salas de estar, piscina e  praia privativa. Na parede, um quadro do Fidel Castro, um quadro  do Hugo Chaves e um retrato da Marilyn Monroe feito de pedra Swarovski.

 E no meio da sala, sabe o que tinha? Um jogo de sapo. Aquele de jogar moedinha na boca do sapo, igual  boteco de beira de estrada. Ele desafiava as visitas. Só que segura essa, porque essa aqui ninguém sabe. A mansão de Dubai, aquela que o mundo inteiro achava que era o palácio do Maradona, nunca foi dele. Era alugada. Ele nunca comprou aquilo, nem um dia.

 E o dinheiro? O dinheiro estava espalhado em cinco contas bancárias  em cinco países: Dubai, Suíça, México, Estados Unidos e Argentina, quatro delas no nome dele. E a quinta era dividida meio a meio com o advogado dele, numa modalidade em que qualquer um dos dois podia sacar o valor inteiro  sozinho, sem avisar o outro.

 Guarda essa informação também, ela vai voltar. Mas agora  eu preciso te contar a coisa mais absurda dessa história inteira. E é aqui  que eu quero que você preste atenção de verdade. Você lembra da camisa que ele usou no jogo da mão de Deus?  Aquela camisa azul número 10. No fim do jogo, o Diego trocou de camisa com um inglês, um zagueiro chamado Steve Hod.

Deu a camisa de  presente e foi embora. Em 2022, essa camisa foi a leilão na Stebis, em Londres.  foi vendida por 9.300.000. É a peça de  futebol mais cara já vendida na história do mundo. 9.300.000 por uma camisa. Agora presta atenção no que eu vou falar agora. Em 1981, com o dinheiro do Boca, o Diego comprou uma casa em Vila Devoto, em Buenos  Aires.

 Não comprou para ele, comprou pros pais. E a donia Tota, a mulher que dizia que estava  com dor de barriga para sobrar comida pros filhos, morou naquela casa até o dia em que morreu. Aquela casa era disparado, o bem mais amado que o Diego Maradona teve na vida.  Em dezembro de 2021, aquela casa foi a leilão, base 900.

000 e não apareceu um único lance,  nenhum, zero. Então, deixa eu resumir isso numa frase só. para você mandar para quem você quiser.  A camisa que o Maradona deu de presente pro adversário no fim do jogo valeu 10 vezes mais do que a casa  que ele comprou pra própria mãe. 10 vezes mais. E olha, ainda tem a bola de ouro.

 Aquele troféu que ele ganhou como o melhor jogador da Copa de 86,  ele deixou guardado num cofre de banco em Npolis. Em outubro de 1989,  a camorra invadiu o banco e roubou o troféu. Sumiu. 27 anos sumido, ninguém achava. Tinha até uma lenda circulando de que os bandidos  tinham derretido o troféu para vender o ouro.

 E aí, em 2016, um colecionador na França compra um lote de troféus velhos, daqueles lotes de leilão que ninguém quer, e leva para casa. Ele pagou. Segundo o advogado da família, alguma coisa em torno de 1,20, 1,20 era a bola de ouro do Maradona. Quando a coisa veio  à tona, a família processou. A justiça francesa mandou confiscar o troféu e até hoje aquilo tá parado, trancado,  esperando alguém decidir de quem é.

 Agora, uma coisa importante e eu preciso ser honesto com você aqui, ninguém sabe quanto o Maradona realmente tinha. Não existe número oficial, nenhum. Tem gente que diz  que a justiça argentina só conseguiu localizar de fato entre 5  e 10 milhões de dólares. Tem jornal grande como o Lar Na estimou a fortuna  em 50 milhões.

 E tem revista especializada que já chutou 75  100 milhões de dólares. Ninguém sabe, nem a justiça argentina sabe. E isso por si só diz muita coisa, porque aqui tem uma pergunta engasgada e ela não sai da minha cabeça. Se entrou tudo isso, meu amigo, se entrou 43 milhões só de salário, mais  publicidade, mais bilheteria, mais Ferrari, mais Rose? Porque é que quando esse homem morreu  quase não sobrou nada? Porque ele nunca guardou. Nunca.

  O Diego não poupava, não investia, não guardava um centavo. O dinheiro entrava e saía pela mesma porta. Ele comprava apartamento para dar de presente para amigo, para primo, pra gente que ele conhecia de vista. Comprou mansão, comprou carro, sustentava um secto de  gente em volta dele. Segurança, cozinheira, motorista, assessor, amigo de infância, amigo do amigo.

 E aí vem o dado que eu ainda tenho dificuldade de acreditar. Quando o Napoli comprou o Diego em 1984, transformando ele no jogador  mais bem pago do mundo inteiro, ele chegou em Nápolis praticamente quebrado. Isso mesmo que você ouviu. Depois de anos ganhando milhões em contrato com Coca-Cola, com Puma, com Fiat, com transferência Recorde pro Barcelona, o cara chegou na Itália com a corda no pescoço e aí a cidade errada abraçou ele, porque em Nápolis quem mandava de verdade era a camorra.

 Não demorou  muito e o Diego começou a ser convidado pras festas. E nessas festas ele foi apresentado aos chefes. Foto aqui, foto ali, sorriso, abraço, taça na mão. Os fotógrafos  registraram tudo e aquilo era um negócio, um acordo mesmo que nunca escrito. A camorra dava duas coisas para ele.

 A primeira era a proteção. História ruim, não chegava na imprensa, ninguém enchia o saco dele. Ele circulava por Nápolis  como se a cidade fosse a casa dele. E a segunda era acesso, acesso às festas e acesso ao pó. E em troca eles ganhavam a única coisa que dinheiro não compra, legitimidade.

 Porque quando o chefe da máfia aparece na foto abraçado com o santo da cidade, o poder dele vira outra coisa. Aí chega 1990, Copa do Mundo  na Itália, semifinal, Argentina contra a Itália e o jogo é em Nápolis, no São Paulo, no estádio dele. O Diego eliminou a Itália nos pênaltis dentro da casa dele. E naquele dia, meu amigo, o feitiço virou.

De um dia pro outro, o Maradona virou traidor  no país inteiro. E aí acontece uma coisa muito conveniente. Aquela proteção invisível que segurava tudo há 6 anos simplesmente evaporou  e começaram a vazar as histórias, as festas, o consumo, as noites. E aí no meio da temporada seguinte,  num jogo contra o Bari, o Diego é sorteado pro exame antidoping.

 deu positivo, cocaína, 15 meses de suspensão. E ele saiu da Itália de madrugada, quase escondido, fugindo da imprensa. Aquilo destruiu ele, voltou pra Argentina e afundou. Foi preso em Buenos Aires por posse de entorpescente. A foto dele algemado, cabeça baixa, olhando pro chão, correu o mundo inteiro. E aqui tem uma cena que o Diego contou anos depois.

E essa lá aqui é difícil. De madrugada, quando a vontade batia, ele levantava da cama, ia pro banheiro e fechava a porta. Fechava sempre para que as filhas nunca  vissem. Numa noite, ele esqueceu de fechar e uma das filhas dele apareceu na porta do banheiro e perguntou o que ele estava fazendo. O Diego não conseguiu falar, não conseguiu responder nada, ficou parado olhando pra menina e ela olhando para ele.

 E é aqui, meu amigo, que a gente chega no dia que o Brasil inteiro viu pela TV. Copa de 1994,  Estados Unidos. O Diego tinha se preparado como nunca. Emagreceu, treinou, voltou pra seleção. Contra a Grécia,  ele faz um golaço, corre pra beira do campo e grita dentro da câmera com o olho arregalado.

 Todo mundo aqui viu aquela imagem, todo mundo. Dias depois, o exame antidoping  deu positivo pra Efedrina, que veio, segundo o time dele, de um suplemento para emagrecer, que o preparador físico comprou nos Estados Unidos sem ler o rótulo. E aí veio aquela imagem que ficou a enfermeira loira levando o Diego Maradona pela mão para fora do gramado.

 Como se leva uma criança, ele nunca mais jogou uma Copa do Mundo. Na entrevista chorando, ele disse a frase: “Me cortaram as pernas. Agora eu preciso parar aqui e ser justo com os dois lados, porque essa parte  da história divide o mundo até hoje. Tem quem olhe para tudo isso e  diga: “Esse homem foi uma vítima”.

 Ele tinha 9 anos quando começaram a enfiar injeção naquele corpo desnutrido  para ele aguentar jogar. Depois foi usado pelo clube, usado pela imprensa, usado pela máfia, usado por todo mundo que ganhou dinheiro em cima dele. E  quando o corpo dele quebrou, jogaram fora. E tem quem olhe pra mesma coisa e diga: “Opa, calma lá.

 Ele era um homem adulto.  Ele escolheu. Ele sabia o que estava fazendo, sabia dos riscos e arrastou muita gente junto. Mulher, filho, companheiro de time, país inteiro. E aí eu vou deixar essa aqui com você, porque não  tem resposta fácil. O Diego ainda viveu 26 anos depois  daquela Copa, mas a última cena da vida dele acontece num quarto onde alguém tinha tapado a janela com dry wall.

30 de outubro de 2020. O Diego faz 60 anos, vai ao estádio ver o  Gnásia, o time que ele treinava. A Federação Argentina entrega uma placa para ele. Ele senta, assiste um pouco e vai    embora. Ninguém sabia, mas aquela foi a última vez que o mundo viu Diego Maradona em público.

 2 de novembro, ele é internado numa clínica  em La Plata. Motivo oficial era anemia e depressão. Só que nos exames aparece outra coisa. Um hematoma subdural, uma coleção de sangue dentro  do crânio pressionando o cérebro. 3 de novembro, cirurgia de emergência na  cabeça e a cirurgia dá certo, 11 de novembro.

 Depois de 8 dias ele recebe alta.    E aqui é onde a história vira, porque em vez de ir para uma clínica de reabilitação, decidiram fazer o que chamaram de internação domiciliar. Alugaram uma casa num  condomínio em Tigre, na província de Buenos Aires, 16.000 por 3 meses, e colocaram  o Diego naquele quarto.

 Depois se soube como era aquele quarto. As janelas estavam tapadas com um dry wall, placa de  gesso, parafusada na janela. Não entrava a luz do dia e não tinha banheiro. Tinha um banheiro químico daqueles de obra, o homem que encheu o asteca. O santo de Nápolis, o cara que  a FIFA botou lado a lado com o Pelé, passou os últimos 14 dias de vida  num quarto sem janela com um banheiro químico do lado da cama.

 24 de novembro, à noite,  um sobrinho passa para ver ele. É a última pessoa a ver o Diego com vida. 25 de novembro de 2020, 11:30 da manhã, a  psiquiatra e o psicólogo entram no quarto e encontram Diego Armando Maradona.  Sem vida, 60 anos. A autópsia apontou edema agudo de pulmão num coração já destruído por anos de doença.  E aí o mundo parou.

 O velório foi na Casa Rosada, a sede do governo argentino, com honras de chefe de estado.  Centenas de milhares de pessoas na fila atravessando Buenos Aires para passar uns segundos na  frente do caixão. Três dias de luto nacional. Ele foi enterrado ao lado do pai e da mãe. E na lápide a frase que ele mesmo tinha pedido em vida:  “Gracias à Lapelota”. Obrigado, Bola.

 Só que a história não acabou ali,  longe disso, porque a justiça argentina olhou para aquele quarto sem janela e não gostou nada do que viu. Sete profissionais de saúde foram denunciados.  O médico pessoal dele, a psiquiatra, o psicólogo, os enfermeiros, os coordenadores da equipe, a acusação,  homicídio simples com um dolo eventual, pena de 8 a 25 anos de cadeia.

 E a promotoria usou uma expressão que virou manchete no mundo inteiro. Disseram que o Diego Maradona  foi abandonado à própria sorte. O julgamento começou em março de 2025.  E aí, meu amigo, aconteceu uma coisa que eu ainda acho difícil de acreditar.    Já tinham passado 21 audiências, 44 testemunhas depuseram meses de trabalho e descobriram  que uma das juízas do caso estava participando da produção de um documentário.

 Um documentário sobre o julgamento que ela mesma estava julgando.  Chamava Justiça Divina. Tinha câmera, tinha roteiro, tinha ela. O julgamento inteiro foi anulado. Tudo pro lixo. Asudiências, os 44 depoimentos,  tudo. A juíza foi destituída e proibida de exercer  a função para sempre.

 E hoje ela responde processo criminal. Um novo julgamento teve que  começar do zero em abril de 2026. Ele tá rolando agora. Enquanto você assiste esse vídeo e o veredito é  esperado pro fim deste ano. 6 anos depois de morto, ninguém ainda foi responsabilizado pela morte de Diego Maradona. Mas tem uma coisa que não esperou nada disso.

 O corpo do Diego ainda nem tinha esfriado direito e já tinha gente batendo na porta  do cartório. 10 pessoas para ser exato. O maior jogador de todos os tempos morreu sem testamento,  nenhum papel, nenhuma orientação, nada. E na lei argentina, quando não tem testamento,  a herança vai pros filhos em partes iguais. Então vamos contar.

 Cinco filhos reconhecidos,  Dalma e Dianina, do casamento com a Cláudia, Diego Júnior, aquele que ele negou por 20 anos em Npolis,  Jana e o Diego Fernando, ainda menor de idade, cinco. Só que quando abriu o inventário, apareceu gente batendo na porta de vários países pedindo exame de DNA,  dizendo que também era filho do Diego, chegou a ter 10 pessoas na disputa.

 E aí, em dezembro de 2021, os herdeiros autorizaram uma coisa que virou notícia no mundo inteiro. Um leilão internacional dos bens do Maradona. Batizaram de Laço Subasta Del Days, o leilão do 10, 87 lotes, 100 pessoas de 11 países acompanhando ao vivo online  do mundo inteiro. Imóvel, carro, troféu, objeto pessoal.    Presente de chefe de estado, tudo do Diego.

 Sabe quanto arrecadou aquele leilão? 26.000.  26.000 o leilão inteiro. 87 lotes. A casa de Vila Devoto. A casa da mãe dele. Base de 900.000. Zero lance. O apartamento de Mardel Plata, onde a família passava férias. Base de 65.000. Zero lance. ABM La bestia, o último carro que ele dirigiu na vida, aquele que ele levou pro treino com sirene de polícia, base de 165.

000, zero lance.  Um outro B, MW, uma van 00. E o item mais caro vendido  no leilão do maior jogador da história do futebol foi um quadro. Saiu por 2150  o boné que o Nicolas Maduro  deu de presente para ele, vendido por 520. E o jogo de sapo, aquele da sala de Dubai,  de jogar moedinha igual boteco de beira de estrada, saiu por 17700.

O jogo de sapo do Maradona valeu mais do que qualquer troféu daquele leilão. Mas nada disso é  o pior, porque o pior vem agora. Você lembra que eu falei da marca do nome?  Os direitos da marca Maradona? O nome dele? A imagem Lamano de Dios. El é o Diego D10s. S. Tudo.

  Não estão com os filhos, estão numa empresa. E as donas dessa empresa são as irmãs do Diego. Ou seja, hoje em 2026 o nome Diego Maradona continua gerando milhões no mundo  inteiro. Camisa, licenciamento, série, documentário, imagem. E nenhum dos cinco filhos dele recebe um centavo  disso. Nenhum. Um centavo. As filhas foram para cima, acusaram o ex-advogado do pai  e as próprias tias de terem se aproveitado do estado de saúde do Diego, quando ele já estava acabado para passar a marca pro nome delas. E a justiça argentina,

 em dezembro de 2025, mandou processar todo mundo por administração fraudulenta. O ex-advogado, as tias, os intermediários, o cartório  bloquearam cerca de 2 bilhões de pesos e proibiram em qualquer país do planeta qualquer negócio feito com o  nome Maradona até isso se resolver. O nome dele tá congelado no mundo inteiro.

Cinco filhos, zero acordo, 6 anos de processo e um inventário  que até hoje nunca fechou. Mas olha, tem uma coisa nessa história que ninguém conseguiu leiloar. O estádio do Argentinos Juniors, onde ele deu os primeiros toques, se chama Estádio Diego Armando Maradona,  o São Paulo em Npolis, aquele estádio onde 75.

000 pessoas foram só para ver ele descer de um helicóptero. Também se chama  Estádio Diego Armando Maradona. Nos bec do quartier espanholle tem um mural gigante da cara dele.  Chega gente todo dia para tirar foto, acender vela, deixar flor. E a casa onde a família morou em La Paternal, aquela que o argentinos deu  de presente pros pais dele, virou museu, recebe turista do mundo inteiro.

 Nada disso foi a leilão, nada disso tem dono. Nada disso apareceu na lista  dos 87 lotes. E olha só onde a gente chegou. O menino de Vila Fiorito, o filho da mulher que mentia, que estava com dor de barriga para sobrar comida pros filhos, juntou tudo  que um menino daquele podia sonhar em juntar.

 Ferrari, Rolls-Royce, Rolex  de presente, mansão com praia privativa conta em cinco países e nada disso, nada sobreviveu a ele. O que sobreviveu foi a bola. Na despedida  dele, na Bombonera lotada, o Diego pegou o microfone e disse uma frase que ficou: “Eu  me equivoquei e paguei, mas a bola não se mancha.

 Agora eu quero saber de você e eu vou ler os comentários.    Depois de tudo isso, o Maradona foi vítima, vítima de fiorito, das injeções  que enfiaram nele aos 9 anos, da camorra, de todo mundo que ganhou dinheiro em cima dele  e sumiu quando ele quebrou. Ou ele foi dono de cada escolha que fez e pagou o preço.

 Escreve aí embaixo: “Vítima ou dono”.  Não tem resposta certa. Eu quero ler a sua. Se você chegou até aqui,  deixa o like e se inscreve no canal que aqui a gente conta essas histórias direito.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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