OS LUXOS DEIXADOS POR WALDICK SORIANO APÓS SUA MORTE — A HISTÓRIA DO MAIOR CANTOR BREGA DO BRASIL

OS LUXOS DEIXADOS POR WALDICK SORIANO APÓS SUA MORTE — A HISTÓRIA DO MAIOR CANTOR BREGA DO BRASIL

Esse homem aqui, de chapéu preto e óculos escuro já foi um dos maiores cantores que esse Brasil já viu. Enchia cinema, enchia programa de auditório. Namorou herdeira de família rica, andava de carrão. Tinha casa no Rio e em São Paulo. O rei da dor de cotovelo, o homem que fez o Brasil inteiro cantar: “Eu não sou cachorro não.

>> Eu não sou cachorro não.” >>  >> Mas antes de tudo isso, ele era só um menino no meio do sertão da Bahia, pegando uma lata velha de conserva e cantando dentro dela como se fosse um microfone de verdade. Pois é, Wal Soriano. A maioria das pessoas olha pra história de um cantor famoso e imagina que no fim da vida ficou tudo lá guardadinho.

 A fortuna, as mansão, os luxo. Aí você imagina o resto. Herdeiros brigando por milhão, inventário cheio, faria todo sentido. Só que não foi nada disso, bem diferente mesmo, porque o que aconteceu com todo esse dinheiro e principalmente o lugar onde esse homem foi parar depois de morto, pouca gente sabe.

 E hoje eu vou te contar  essa história do começo ao fim. Prepara o coração que essa vai mexer com você. A história começa lá longe, no dia 13 de maio de 1933, num lugarzinho chamado Brejinho das Ametistas. Fica no município de Caitit,  no interior da Bahia, bem no meio do sertão. E o nome que puseram nele foi Eurípedes.

 Euíedes  Vic Soriano. Casa de gente simples, mas com música dentro. O pai tocava clarinete.  A mãe tinha uma voz bonita de encher os ouvidos. Quer dizer, o menino já nasceu com a música correndo no sangue de um lado e do outro. Só que aos 5 anos de idade, a vida desse menino deu uma virada que ele ia carregar até o último dia.

 A mãe  separou do pai e foi embora. foi morar em São Paulo. E pouco tempo depois, no comecinho dos anos 40, ela morreu por lá, longe do filho, cinco aninho de idade.  O menino ficou sem a mãe, sem o abraço, sem o colo. E olha,  guarda bem esse detalhe, porque é ele que vai explicar quase tudo que vem depois na vida do Walck, do amor até o dinheiro.

 Criado pelo pai, cresceu do jeito que todo mundo do sertão daquela época crescia em cima de um cavalo trabalhando na roça desde pequeno. Depois virou choferinho. E foi trabalhar no garimpo, catando ametista naquela terra dura. O tipo de infância que quem nasceu no Brasil dos anos 30, 40 conhece muito bem. Ou porque viveu na pele ou porque viu de perto na casa do vizinho do compadre.

 Mas tinha uma coisa nesse menino que era diferente. Nas horas de folga do garimpo, quando os outros sentavam para descansar, ele não. Ele pegava uma lata velha dessas de conserva, botava na frente da boca e cantava. Cantava como se aquela lata amassada fosse o microfone mais fino do mundo. E cantava o quê? As músicas  que ele ouvia e amava.

 Vicente Celestino, Nelson Gonçalves, Carlos Galhardo e o rei do baião, o nosso Luís Gonzaga. Aí o pai, vendo aquele talento fez um agrado. Deu de presente uma sanfona pro rapaz, não deu outra. O menino aprendeu a tocar e já foi se apresentar nos leilão da cidade, animando o povo. Naquela idade toda, ele já se achava um artista e no fundo já era mesmo.

 Mas tem um detalhe que muda tudo  nessa história, porque foi um filme, um simples filme de faroeste desses que passava no cinema da cidade, que pegou esse menino do garimpo e transformou no homem de preto que o Brasil inteiro ia conhecer. E a forma como isso aconteceu é engraçada demais. O Eurípedes era doido por filme de far oeste, aquele cinema de mocinho e bandido, tiro, cavalo, poeira.

 E um belo dia ele foi assistir um filme de um tal de Durango Kid, um herói de faroeste, todo de preto, chapéu preto, roupa preta. O rapaz olhou pra tela e se apaixonou, não pela história, pela roupa. Aí, presta atenção no que ele fez. mandou fazer uma roupa igualzinha à do ator, igual arranjou um óculos Rayan Ban escuro e ainda foi atrás de um cavalo parecido com o do filme.

 Se montou  todo de preto, dos pés à cabeça e desceu pro meio da praça da cidade, cavalgando como se fosse o próprio mocinho do cinema saindo da tela. E o que o povo fez? Rio, a molecada, os estudantes da cidade começaram a vaiar aquele rapaz fantasiado em cima do cavalo. E aí é que fica bom.

 Ele não abaixou a cabeça, não, esporeou o cavalo e saiu correndo atrás dos estudantes no meio da praça. Cavalo a todo galope, espalhando a meninada para todo lado. Pode rir porque é para rir mesmo. Mas repara numa coisa séria no meio da brincadeira. Foi a partir daquele dia que o preto virou a cara dele. A roupa preta, o chapéu preto, o óculos escuro.

 Aquilo que ia ser a marca registrada do maior brega do Brasil não saiu da cabeça de estilista nenhum, saiu de um faroeste e de uma vaia. O pai, coitado,  não estava gostando nada daquilo. Reclamava que o filho só queria saber de tocar e cantar. E nada de coisa séria, de trabalho de verdade. Até que um dia o rapaz chegou pro pai e falou o que estava entalado.

 Disse que ia embora, ia tentar a vida na música longe dali. E soltou uma frase de macho ferido, dessas que só quem tem muito orgulho e muita mágoa fala. Se não vencesse na vida, nunca mais botava os pés de volta em casa. Não era conversa. Ele pegou-se um pau de arara, aquele caminhão pau duro que levava o nordestino pro sul, apinhado de gente e de sonho, e rumou para São Paulo.

 Chegou na cidade grande, sem nada. Foi bater de porta em porta nas rádio, oferecendo a voz, cantando para  quem quisesse escutar, atrás de um lugarzinho para mostrar o talento. E de tanto insistir, conseguiu uma carta de apresentação para uma gravadora, a Chantcler. Cantou, agradou e foi contratado. Só teve um problema.

 Na gravadora, resolveram que o nome artístico dele ia ser Valdik Soriano e ele não gostou nem um pouco. Lá na terra dele, todo mundo o chamava pelo primeiro nome, o  Eurípides, mas engoliu, aceitou e virou o Aldik pro resto da vida o primeiro sucesso, quem és tu. Depois veio  tortura de amor, fúo de ti, música que estourou não só aqui, mas atravessou a fronteira e fez sucesso fora do Brasil também.

 O menino da lata de conserva tinha vencido, podia voltar para casa de cabeça erguida. Só que a maior de todas as músicas dele, aquela que o Brasil inteiro ia decorar e cantar até hoje, nasceu do jeito mais inesperado possível por causa de um avião atrasado. Pode acreditar. Eu não sou cachorro não. >> Foi assim, ó.

 O Aldik tinha um show marcado para cantar em Natal, só que o avião atrasou. E não atrasou pouco, não. Empacou lá em Recife e o povo que estava esperando começou a reclamar da vida, impaciente, xingando o atraso. Aí alguém, no meio daquela confusão de aeroporto, soltou a frase: “Eu não sou cachorro não.

” Reclamando de ser tratado daquele jeito, largado esperando. O Waldick ouviu aquilo e alguma coisa acendeu na cabeça dele, pegou a frase e no caminho ali mesmo foi montando a letra e a melodia de uma música. Uma música que ia virar praticamente o hino dele. Eu não sou cachorro não. Aquela do Para viver tão humilhado, eu prefiro amar você.

 Você conhece? Seu pai conhece,  sua avó conhece. Todo mundo já cantou essa em algum canto da vida. E aí, meu amigo? Foi ladeira acima. Nos anos 60 e 70, o Audic Soriano virou um fenômeno.  Vendia disco que não tinha jeito de acompanhar. Tava em todo o programa de auditório, toda semana na televisão que a família inteira assistia junta na sala.

 Teve até aquele momento  inesquecível no palco do Silvio Santos, os dois se abraçando e caindo juntos que o Brasil todo viu e riu. E não parou na música não. O homem foi pro cinema. E aqui eu preciso que você segure essa informação, porque ela  é de Cair Queixo. Um filme do Valdic Soriano chamado Paixão de um homem botou mais de 1 milhão de brasileiros dentro do cinema lá em 1972.

1 milhão de ingresso vendido num tempo sem internet, sem rede social, sem nada. Só o boca a boca e a fama do homem. Isso é mais gente do que enche o Maracanã lotado  13 vezes seguidas. Um milhão de pessoa pagando para ver o cantor brega na telona. Isso mesmo que você ouviu. E o dinheiro, claro, entrou.

Entrou muito. O peão de garimpo, o rapaz  que catava a ametista na terra dura da Bahia, o servente que chegou em São Paulo num pau de arara sem um tstão no bolso. Agora andava de Ford Landal, um carrão da época, um luxo para poucos. Tinha casa no Rio, tinha imóvel em São Paulo, aparecia nas colunas social do jornal. E teve  mais.

 Ele chegou a viver um romance com a Beck Clabin. Isso mesmo, uma herdeira da poderosa família Clim, gente  da alta sociedade. O menino que cantava numa lata de conserva agora saía com a nata da elite paulista. Pode acreditar, porque é verdade. O jornal O Globo até deu um apelido para ele que resume tudo. O Frank Sinatra dos pobres, porque ele era o galã, o dono da voz, o rei da dor de cotovelo, só que do povo, do trabalhador, da gente simples.

 Tinha o dinheiro, tinha a fama, tinha o carrão e a herdeira. Tava tudo na mão.  Então me responde uma coisa, como é que um homem que tinha tudo isso foi terminar a vida tocando em barzinho pequeno no interior do Nordeste, longe de tudo? A conta começa a virar agora e ela é mais humana do que você imagina. Agora eu preciso voltar naquele detalhe que eu pedi para você guardar lá no comecinho.

  Lembra o menino de cinco aninho que ficou sem a mãe. Porque quem conheceu  o Waldic de perto conta uma coisa que explica muita coisa. Diziam que ele tinha um vazio dentro, um buraco que não enchia com nada. Um homem que quando criança nunca foi pego no colo, nunca conheceu direito o que era o abraço de mãe, o afeto.

 A mãe foi embora, morreu longe e aquilo nunca cicatrizou. E aí, olha que coisa triste e humana ao mesmo tempo. Esse homem que foi abandonado pela mãe, passou a vida inteira caçando o amor, correndo atrás do colo que nunca teve, em uma mulher, em outra, em outra e em mais outra. O próprio Walik chegou a confessar isso com todas as letras.

 Disse que viveu  com 14 mulheres na vida. 14. E completou  com aquela sinceridade meio amarga. E nenhuma deu certo. Foram três casamentos oficiais, sete, oito filho reconhecido, dependendo de quem conta, e um monte de história de amor pelo caminho. Teve a Maria Inês, por exemplo, uma professora de dança que ele  conheceu quando ela era muito nova e com quem viveu 18 anos.

Guardou  cartas, fez música para ela. O homem amava. amava demais, na verdade amava de um jeito que nunca era suficiente para dar conta daquele vazio de infância. E aqui entra o dinheiro. Todas essas famílias, todas essas mulher, todos esses filhos. O Walic sustentava,  bancava a casa, bancava a vida de muita gente.

 Somava isso as noitada, a boemia, a vida de artista que gasta o que ganha sem olhar para trás. >>  >> E o dinheiro, aquela fortuna toda que ele juntou no auge, foi escorrendo devagarinho,  escorrendo pelos dedos. E presta atenção nesse ponto que é importante. Não teve  golpe, não teve trambique, ninguém passou a perna nele, ninguém roubou a fortuna, não quebrou em negócio nenhum.

 O dinheiro do Wic sumiu do jeito mais humano que existe. Gasto  com gente, com amor, com família, com a vontade de preencher um buraco que vinha lá da infância. Tem quem olhe para isso e balance a cabeça, dizendo  que ele foi irresponsável, que esbanjou, que não pensou no amanhã. E tem quem olhe e diga ao contrário,  que ele só era um homem generoso que dividia o que tinha, que não sabia viver de outro jeito.

 E aí, sinceramente, quem é que pode julgar?  Fica a pergunta para você. Só que a vida tem dessas. Enquanto o dinheiro entrava, tava tudo bem. O problema é que o mundo mudou, a moda virou e quando o brega, o Cafona, saiu de cena e a plateia começou a rarear, o Walk foi descobrir uma verdade dura dessas que dóem. Fama não paga conta para sempre.

Tem uma coisa que a gente precisa falar sobre o Walek, porque acompanhou ele a carreira inteira. Muita gente da elite, do pessoal fino, torcia o nariz para ele. Chamavam ele de prego,  de grosso, de brega, de cafona. Diziam que aquela música dele, de dor de cotovelo, de sofrência, era coisa de gente sem cultura.

 E teve  gente que saiu na defesa do homem com unhas e dentes. Diziam assim: “Essas palavra feia, esse desprezo todo, é invenção da burguesia, da gente rica que não engolia uma coisa só, que o povo, o trabalhador, a gente simples do Brasil amava demais o Aldexoriano. E ponto! E aí fica no ar a pergunta, sem resposta  fácil.

De um lado, tinha quem dissesse que ele era mesmo grosseiro, sem refinamento. Do outro, tinha quem jurasse que isso era só esnobismo de quem não suportava ver o povo feliz com o artista do povo. Quem que tá com a razão? Isso aí eu deixo você resolver. Mas o preconceito não foi o único inimigo do Walk, teve o próprio governo.

  Lembra da música Tortura de Amor? Aquele sucesso dele lá dos anos 60?  Pois é, em plena ditadura militar, a música foi censurada e sabe por quê? Por causa de uma palavra só, no título tortura. O regime da época não tolerava aquela palavra circulando, ecoando no rádio, mesmo numa canção de amor que não tinha nada a ver com política.

 Era só tortura de coração, de saudade. Não importou, cortaram. E foi assim entre o preconceito de uns e a mudança dos tempos, que a estrela do Waldik foi apagando aos poucos. A moda mudou, vieram outros ritmo, outros artistas e aquele brega dos anos 60 e 70 foi ficando para trás. O homem que enchia cinema  com 1 milhão de pessoa foi, aos poucos cantando pra plateia cada vez menor.

 Nos anos 90, ele arrumou as mala e foi morar em Teresina, no Piauí. Depois, em Fortaleza. longe do eixo Rio São Paulo, longe do zolofote de antes. Fazia um show pequeno aqui e ali, para sobreviver e para fazer o que amava. Botou  três pontes de safena no coração e, como se não bastasse, ainda enterrou uma filha, uma dor que nenhum pai  deveria conhecer.

 A vida do rei, da dor de cotovelo tinha virado ela mesma, uma canção de tristeza. E foi bem no meio dessa vida mais miúda, mais simples, mais longe de tudo,  que bateu na porta o pior de todos os avisos. Um diagnóstico. Um diagnóstico que o Wald, teimoso do jeito que era, fez questão de não aceitar. O Aud ele tinha um jeito, um jeito teimoso, cabeça dura, dessas pessoas que a gente conhece na vida e que não tem santo que faça mudar de ideia.

  E uma das teimosias dele era com médico. Ele não gostava. Fugia de  consulta, fugia de exame, fugia de hospital. Tem até uma história de que uma vez para escapar de um hospital,  o homem praticamente se jogou do caminhão. Não queria saber. Para ele,  aquilo de ficar se examinando, procurando doença, era quase uma frescura, coisa de gente fraca.

 E o Audi que ele não se via como fraco. Só que o corpo não pergunta se a gente é teimoso. Era um câncer de próstata. E aqui vem a parte que dói porque podia ter sido diferente. O câncer de próstata, quando é pego  cedo, tem tratamento, tem chance de cura. O problema é que o Waldick, com aquela  birra de médico descobriu tarde, tarde demais.

Quando foram ver, a doença já tinha se espalhado, já tinha virado metástase. E mesmo assim,  sabe o que ele dizia? repetia para quem quisesse ouvir. Eu não vou morrer de câncer, não. Falava aquilo com uma convicção danada, quase um bordão,  como quem desafia a própria doença de peito aberto.

 Não ia se render. Quando o quadro apertou de vez, os filhos levaram ele pro Rio de Janeiro. Foi internado no Inca, numa unidade de cuidados para quem já não tinha mais o que fazer, a não ser aliviar a dor. E foi ali no dia 4 de setembro  de 2008, de madrugada, que o Waldic Soriano se foi, tinha 75 anos.

 Agora  tenho um detalhe dessa despedida que ninguém consegue cravar e que mostra bem como foi a vida amorosa, complicada desse homem. Umas pessoas próximas dizem que  ele morreu sozinho, abandonado, longe do carinho no fim. Mas uma das mulheres que amou ele lá de Fortaleza jura de pé junto  que não, que ele não morreu sozinho, que teve gente ao lado dele até o último suspiro.

 Duas versões, duas verdades. E de novo aquele homem cercado de mulher e de amor, deixando para trás uma pergunta sem resposta.  Ele partiu acompanhado ou partiu só? O velório foi na Câmara Municipal  do Rio com fila de fã para dar o último adeus e teve um momento de arrepiar.  Na hora de enterrar, lá no cemitério tocaram a música dele.

  Eu não sou cachorro não. Embalando a despedida do dono da voz. Aquele  mesmo verso para viver tão humilhado, ecoando na terra. Enterraram o homem, encerraram a história. Você deve estar pensando,  só que não, porque a briga, pelo que o Walk deixou para trás tava na verdade só começando. Aí vem aquela pergunta que todo mundo faz quando um artista famoso morre.

 E o dinheiro? O que é que sobrou de toda aquela fama? E a resposta, no caso do Walck, é o retrato exato do homem que ele foi. Tinha um apartamento,  tinha uma casa, tinha uma poupançazinha guardada. Coisa de gente que teve, mas que não tava nadando em ouro longe disso. Nada de mansão faraônica, nada de cofre entupido de dinheiro.

  Os imóvel, com o tempo, acabaram sendo vendido. Mas o tesouro de verdade que o Aldex Soriano deixou não era nada disso. Não era casa, não era carro, não era terra. O tesouro dele não dava nem para pegar com a mão, eram as  música. O homem deixou por volta de 80 disco gravado e umas 800 composição feita ao longo da vida.

 E cada vez que uma música dessas toca no rádio, numa festa,  numa novela, num barzinho por aí, pinga um dinheirinho de direito autoral. É o Ecade que cuida disso, que arrecada e repassa. Ou seja, mesmo depois de morto, o Waldick continuava do jeito dele, sustentando gente. As músicas dele iam continuar trabalhando por muito tempo depois que ele parou.

 E foi exatamente aí, nesse dinheiro que ficava pingando,  que a coisa esquentou. Porque quem ficou administrando a herança, os direitos das músicas foi a última  esposa dele, a viúva, a Valda. E nem todo mundo da família gostou disso. Filho de outros casamentos começou a reclamar, a questionar, a achar  que estava tendo coisa errada com o dinheiro.

Chegaram a brigar por uma quantia lá pela casa dos R$ 500.000. Teve acusação séria de um lado, dizendo que andaram tirando dinheiro que não devia do inventário e teve a negação firme do outro lado, dizendo que não tinha nada disso, que era tudo mentira. E aí, mais uma vez, eu não vou apontar  dedo para ninguém.

 De um lado, filho que se sente passado para trás, que acha que tem direito ao que o pai construiu, do outro, a mulher que viveu quase quatro décadas ao lado do homem e diz que tá tudo certo, tudo no lugar. Quem tá com a razão nessa? Sinceramente, só quem viveu a história por dentro.  Eu fico de fora e conto para você.

 Mas, ó, guarda o coração, porque toda essa briga por dinheiro, por 500.000, por direito de música, ela vira poeira perto do que os fãs do Waldik foram descobrir  alguns anos depois. E o lugar dessa descoberta foi o pior lugar possível. foi num cemitério. Quando o Waldk morreu em 2008, ele foi enterrado num cemitério ali no Rio de Janeiro, o cemitério do Caju.

 Passaram os anos e aquele túmulo do  homem que um dia encheu o cinema com 1 milhão de pessoa foi ficando para trás esquecido.  O tempo foi comendo a sepultura, a lápide rachou, a coisa foi se deteriorando, se acabando, largada  e agora presta muita atenção nesse detalhe, porque ele aperta o peito.

 Quem pagava a conta para manter aquele túmulo minimamente cuidado não era filho, não era esposa, não era família, era um fã. Um funk era advogado, que gostava tanto do Walck, que bancava do próprio bolso a manutenção da sepultura do  ídolo. Enquanto a família brigava por R$ 500.000 de herança. Era um estranho, um admirador, que cuidava do lugar onde o  corpo do homem descansava.

 O menino que cantava numa lata de conserva, o Frank Sinatra dos pobres, o rei da dor de cotovelo, estava largado num túmulo caindo aos pedaço. Foi aí que os fãs se mexeram, se juntaram, se organizaram e começaram uma campanha com uma missão só: tirar o Waldic daquele abandono  e levar ele para casa, pra Bahia, pra terra onde ele nasceu e de onde um dia saiu num pau de arara, jurando só voltar se vencesse na vida.

  e conseguiram no dia 6 de maio de 2022, 14 anos depois da  morte, os resto mortal do Waldiquiano foram tirados do rio e levados  de volta para Caetit, o sertão da Bahia. Foi enterrado lá, pertinho do pai e do irmão, com direito à missa com o povo da cidade reunido para receber o filho ilustre que voltava para casa.

 Mas e essa história tem sempre um mas nem  todo mundo conta os fatos do mesmo jeito. Uma sobrinha do Walk veio a público dizer que essa versão do abandono era exagero, que o túmulo nunca esteve maltratado, largado,  coisa nenhuma, que era só um túmulo simples, rústico, do jeito que o homem era,  e que essa história toda de sepultura abandonada foi meio inventada, meio montada para comover.

 E aí de novo, ó, os dois lado batendo de frente. De um lado, quem diz? Foi abandonado, foi humilhado até depois de morto, largado num túmulo rachado.  Do outro, a família dizendo nada disso, era simples, mas estava cuidado. Pararam de inventar. O homem que cantou para viver tão humilhado  foi terminar dividindo opinião até debaixo da terra.

 Quem tá certo? Olha, mais uma vez essa eu passo para você. Mas no fim de tudo teve uma coisa que ninguém discute, uma coisa bonita no meio de toda essa confusão. Depois de uma vida inteira longe, de tanta cidade, tanto palco, tanta mulher, tanto sobe e desce, o Waldik finalmente voltou. voltou pro sertão da Bahia, pro lugar de onde ele nunca devia ter precisado sair.

E é aí que essa história deixa a gente pensando no fim das contas, porque o Vald Soriano teve tudo aquilo que o mundo diz que é sucesso. Teve o carrão, teve a casa, teve a herdeira rica de braço dado, teve o cinema lotado, teve o nome no jornal. E olhando de longe, dá para dizer que ele largou tudo isso escorrer pelos dedos, que jogou fora um patrimônio que muita gente sonharia em ter.

 Só que talvez o luxo que o Walk abandonou não fosse o de mármore, sabe? Talvez o verdadeiro luxo dele fosse outro, o de ser um homem que passou a vida inteira caçando um colo que perdeu com cinco aninho de idade, que amou demais, gastou demais, viveu demais do jeito que dava conta, que nunca soube ser morno e que no fim de tudo, depois  de tanta volta, só queria mesmo uma coisa que a gente aqui entende bem, voltar para casa.

 Ele voltou, demorou, mas voltou. E no fundo, no fundo, é isso que fica. que a gente pode ter o mundo inteiro na mão e ainda assim carregar um vazio e que às vezes a única fortuna que importa de verdade é o lugar de onde a gente veio. E você, o que é que acha? O Audi que morreu esquecido, largado pela própria família, ou foi um homem que viveu do jeitinho dele até o último dia, sem se preocupar com o amanhã e tá tudo bem  assim? Tem os dois lados nessa história.

 Desce aqui nos comentários e me conta o que você pensa que eu quero muito saber. E se essa história mexeu com você, deixa o seu like, se inscreve no canal e ativa o sininho que tem muita história boa  vindo por aí, porque no próximo vídeo a gente vai contar a história de um outro ídolo do povo brasileiro, que também teve fama, dinheiro e multidão gritando o nome dele e que terminou a vida de um jeito que vai te surpreender ainda mais que esse.

 Você não vai querer perder. Até lá.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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