A HISTÓRIA DE MICHAEL JACKSON NO BRASIL! – H
Sejam bem-vindos a mais um vídeo. O filme do Michael Jackson estreou nos cinemas e não se fala de outra coisa. Sabia que um dos clips mais vistos do O Michael Jackson foi no Brasil? Ele negociou com o dono do morro decifrando? [grito] Pois é, pessoal. Aparentemente Michael Jackson teve de negociar com o dono dos morros.
não é, para poder gravar o seu clip, que é inclusive um dos clips mais vistos do mundo, tem 1,5 mil milhões de visualizações e foi gravado no Brasil, uma grande música que marcou toda uma geração. Quando Michael Jackson veio gravar um clip no Brasil em 1996, houve um caos generalizado. Apesar de muitos fãs a sonhar com a vinda do rei da Pop, muita gente poderosa não queria que ele pisasse por aqui.
A confusão envolveu câmaras municipais, traficantes, o presidente da República, deu toda a gente. Até mesmo o Pelé. O Pelé não queria que o Michael Jackson não. O Pelé não veio, não. Gente, estamos jogar à bola aqui. Vai atrapalhar o o [risos] Que que o Pel tem a ver, velho. Hoje vou contar-te a história por trás de They don’t care about Us do Miguel Jackson.
Eu sou o Guilherme e está no Decifra Rits. Opa. Foi no Brasil que o Michael Jackson gravou um dos seus clips mais assistidos do YouTube, o da música They don’t care About Us. E apesar da gente está a falar do artista mais talentoso que já pisou este planeta, gravar esta música não foi uma tarefa nada fácil. Este acabou por ser o clipe mais difícil e controverso da sua carreira.
Olha que é muita gente reunida. Se você nunca viu o clip, editou, mete umas cenas aqui só de foto mesmo do clip da malta reunida para fazer isso acontecer. Malta, era muita gente, mano. E havia dança sincronizada, havia a malta do Lodum também a tocar. O miúdo, puta que pariu, que trabalho da porra. Teve versões banidas, censuradas e levantou tantas polémicas que o rei do pop teve de pedir desculpa publicamente pela letra.
Para as cenas no Brasil, os governantes tentaram barrar as filmagens e o clipe foi gravado com a vigilância de 60 homens subordinados ao traficante proprietário do morro, o Marcinho VP. Que é isto? O pai do Oruan, miúdo. Caralho, mano. Calma lá, velho. Isso aqui está cada vez mais interessante aqui para nós descobrirmos as coisas.
Nesta fotografia podem ver o grande estrela Michael Jackson descendo no monte da dona Marta. E estes tipos de cor-de-rosa que estão a ver são homens contratados por Marcinho VP para fazer a escolta do cantor. Mas como é que o Michael Jackson veio parar no Brasil? Pá, o Michael Jackson era muito gangster, mano. Olha para isto.
[risos] Ele cheio de escas. A polícia protege, mano. As gangs protegem. Caralho, velho. Michael Jackson muito gangsta, miúdo. Ele teve mesmo que negociar com traficantes. E quem são e onde estão hoje os brasileiros que tiveram a honra de conhecer o rei da Pop? Para entender isso, precisamos de voltar para 1995. Nesse ano, o rei da Pop lançava o seu nono álbum de estúdio, o History, considerado pelo próprio Michael Jackson como mais pessoal da sua carreira.
E de todas as faixas, a que via maior potencial de destaque era They don’t Care About Us, eles não nos ligam, uma música que fala bastante sobre o abuso de poder. Portanto, eu acho que é por isso foi tão, não é, desta maneira, é, a malta tentando pôr ali, não é, é, panos ali para não deixar ir para o ar, provavelmente a polícia, não é, talvez fosse uma crítica também à polícia, portanto, isso aí deve ter dado uma merda, por isso é que envolveu tanta gente.
E desigualdade social. Pensando nisso, o Michael meteu na cabeça que não ia gravar apenas um, mas sim dois mega videoclips para música. O primeiro dentro de uma prisão real nos Estados Unidos, com cenas de violência e abuso de poder. E o outro aqui no Brasil mostrando comunidades que são marginalizadas e mantidas na pobreza devido ao abandono e desleixo do governo.
Para isso, chamou o realizador Spike Lee, que na altura já era Puta que pariu, miúdo. Que é isto aqui, velho? Mano, é muita coisa envolvida que nós não sabia, não é? Este diretor aqui é famosaço, não é? é famoso por ter realizou os filmes Faça a Coisa Certa e Malcon Ex, duas obras clássicas que abordam o racismo de uma forma muito inteligente.
Mas apesar da nobre intenção do rei da pop, a história de They don’t care About Us acabou se tornando-se repleta de controvérsias. A versão da prisão americana foi a que estreou primeiro e já causou diversas polémicas assim que foi lançada. Mano, a parada é que, tipo assim, imaginem isto há 20 anos atrás, malta. Tipo assim, tu lançares isto hoje já não ia dar um um espera lá tu lançares um clip na cadeia mostrando cenas das câmaras de segurança da malta a sair no murro lá.
Hoje se lançar isso já seria um bocadinho, opa, o que é isto aqui? Imagina há 20 anos atrás. Nessa época era ainda assim muito mais louco fazer essas coisas, velho. E tipo assim, nunca ninguém tinha feito nada parecido. Hoje em dia há muita coisa que as pessoas fazem de loucura que você fala: “Meu Deus do céu, o que é isto aqui?” O clipe mostrava cenas pesadíssimas de violência, a brutalidade policial e até mesmo fuzilamentos.
As imagens eram tão gráficas que algumas estações se recusavam a exibir o clipe. E canais grandes como a MTV e a V One só exibiam clip depois das 9 horas da noite. Além disso, a própria letra da canção também sofreu censura. Num dos excertos, o Miguel canta: “Dai-me pontapés, chamem-me kike, não me dividem entre preto ou branco.
” Na língua inglesa, a palavra kike é um termo extremamente pejorativo para se referir aos judeus. Nesta música, o Michael não estava a usar essa palavra como um ataque, mas antes como uma denúncia, querendo mostrar que a sociedade trata as diferenças com preconceito e violência. Mas infelizmente não foi assim que a A comunidade judaica americana viu estas palavras na época.
Ah, então pensavam que ele estava Ai, pá, mano. Mas assim, é, falando aqui agora de uma forma mais leiga possível, imbecil, ele estava precisamente fazer um clip, uma música sobre o abuso de poder, autoridade, preconceito. Não faria sentido ele atacar um outro grupo. Vários líderes judeus vieram a público exigindo uma retratação.
E para evitar ser processado, Michael não só teve de censurar as palavras judeu e kike com barulho. [música] Ah, por isso é que eu vi o clipe, tinha essa porra desse barulho. Falei: “Caramba, o meu fone, o meu fone partiu. Vi o clipe, parecia que tinham hackeado o meu zap, velho. Necessitou de emitir um pedido formal de desculpas à comunidade judaica.

Na música, sinto que representei as vozes dos oprimidos e dos atacados. Essa foi a minha única intenção. Lamento muito e peço desculpa do fundo do coração se feri os sentimentos de alguém ao expressar os meus. Mas apesar do pedido de desculpas, os problemas de Michael com They don’t Care About Us estavam apenas começando.
E por incrível que pareça, mano, olha que bagulho louco. Nós vemos um negócio deste, nós dizemos: “Caralho, 1 bilião de visualização uh rei do pap, porra. Champanhe, vamos embora. Olha o tanto de bo. Às vezes nós pensamos assim: “Não, fazer sucesso é bom, mano. Fazer o sucesso deve ser um inferno, velhote.” [risos] Não, eu sei porque, tipo assim, eu faço uns videozin do YouTube, tipo assim, eu sou o chinelo usado, deitado fora, rasgado a alça do Michael Jack, que se nós fosse pôr em padrâmetros, não é? E ainda assim, talvez um chinelo antigo de
quando nem era o Michael Jackson que conhecemos. E às vezes já é um inferno na minha vida. Se eu der um peido errado, o pessoal vai ao Twitter e fala: “Ai, porque peidou? Sai, diabo”. Imagina essa malta aí, velho. Imagina o Michael Jackson, miúdo, lançou um clip, deve ter dado mais dores de cabeça do que alegria para ele.
Estas polémicas que aconteceram lá nos Estados Unidos eram ainda bastante pequenas perto do que estava prestes a acontecer aqui no Brasil. Caralho. Os problemas começaram em janeiro de 1996. Antes mesmo do Michael Jackson chegar ao Brasil, ele e o Spike Lee tinham decidido que iam gravar em dois locais, o bairro do Pelourim, no centro histórico de Salvador.
Lindo. Já lá fui, muito giro. Tem um vlog nosso que nós fomos lá, se você quiser assistir. Muito fixe, uns lugar mais bonito que já fui na Baía e a favela Santa Marta, na zona sul do Rio de Janeiro. Mas para isso, o Michael Jackson e a sua equipa necessitavam de duas autorizações. A primeira seria a autorização do governo local.
Aliás, estamos a falar do artista mais amado da história e também o mais perfeccionista. Assim o governo ia precisar de preparar um pesado esquema logístico com policiamento, bombeiros, ambulâncias, encerramento de ruas e várias outras providências. E a segunda autorização seria dos proprietários do morro, já que, infelizmente, o nosso Brasil não tem soberania nacional no próprio território, portanto, infelizmente tem local que nem a polícia entra.
Na verdade, o Brasil tem soberania, sim, certo? E o governo só não retoma estes territórios porque não interessa deles. Mas isso vamos falar mais paraa frente. Ora, a autorização para gravar em Salvador até que foi bem tranquila para a equipa do Michael conseguir, até porque o governo de lá sabia que o seu clipe poderia aquecer o turismo local, movimentar o comércio e trazer muito dinheiro para a cidade.
Ó miúdo demais, velho. Imagina, ele é o rei da pop. Simplesmente o maior artista que já existiu no mundo. Qualquer cidade, qualquer lugar do mundo apoiá-lo-ia de vir para cá. Hoje em dia temos vários artistas também muito grandes. Claro, ninguém chegou, não é, perto do que ele fez, não é? Mas assim, é uma visibilidade muito porreira, mano.
Imagina o turismo a aumentar para caramba, a malta a querer conhecer o Brasil. Mas para o meu Rio de Janeiro a coisa não foi assim tão fácil, não. Acontece que na altura a cidade tava se candidatando-se para sediar as Olimpíadas de 2004, um evento muito cobiçado pelos políticos, precisamente devido ao potencial de trazer muito dinheiro pro bolso deles.
Assim, o governador do Rio de Janeiro na altura, Marcelo Alencar, foi totalmente contra a ideia de autorizar a gravação do clip de Michael Jackson na Caramba, que ideia, hein? Que ideiazinha. Por que não? Por que razão não é você que vai lá? É você que vai tocar os instrumentos. Ô chatice, temia que o vídeo mostrasse um lado do Brasil que o governo preferia esconder.
Ah, agora já percebemos a palhaçadinha, certo? As desigualdades sociais e o abandono das comunidades mais pobres. Sejam bem-vindos ao Brasil. Ele achava que o clipe poderia manchar a imagem do Brasil lá fora. E foi com este argumento que tentou de todas as formas possíveis impedir que a filmagem acontecesse.
O secretário de Estado da turismo da época, Ronaldo César Coelho, sim, o irmão do comentador, estava fechadaço com o governador nesta ideia e chegou a pedir ao Itamarati, que é o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil, para que negasse a entrada do Michael Jackson e do Spike Lee no país. Não quer é porque é muito mais fácil para o governo, certo? para para todos os os cargos públicos e impedir que um clipe aconteça do que arranjar a cagada que é, não é, o o nosso país, não é, onde as escolas não têm lanche, onde os hospital não têm
privado, tem de cagar no chão. É muito mais fácil mesmo tu censurares um clip. Desculpem, revoltei, gente. Que sem brincadeira, quando era pobre é porque agora já não sou. Obrigado meu Deus. Obrigado meu Deus. Mas tipo assim, velho, miúdo, eu ia nos hospital, nos centros de saúde, nos UBS, puto, não havia sanita, porra.
Caralho, miúdo. Mijon. Eu lembro-me que entrei, lembro-me até hoje que eu entrei quando me mudei para São Paulo, vivia no interior, entrei em São Paulo, entrei no Eu disse: “Menina, onde que é a casa de banho? Eu está com virose”. A rapariga ali, eu entrei, tinha uma sanita. Eu disse: “Eu cago onde, porra? Eu cago aonde? No saco eu ponho a sacola aqui e cago no chão”.
ao Brasil, ficar estigmatizado como uma capital de miséria da fome. Logo de seguida, a secretária de imprensa do Itamarati, a Vera Machado, deu uma entrevista ao jornal Globo, onde ela deixou bem clara a posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros, dizendo: “Não está em causa negar qualquer pedido de vista ao cantor.
Se ele vier ao Brasil, não terá a sua entrada negada. Não se pode tentar esconder uma realidade que existe no país. Ui, vai tomando. Soltou as palavras, mano. Que bom que deixaram isso acontecer, senão nós não tínhamos um dos maiores clips do mundo, certo? No dia 30 de janeiro, o Itamarati enviou um ofício pro consulado brasileiro em Nova Iorque, ordenando a libertação dos vistos do Michael Jackson, do Spike Lee e de 10 outros técnicos.
Mas a oposição política foi bastante forte e imediata. Eles conseguiram pressionar o Itamarati alegando que o Michael Jackson tinha aplicado pro visto na categoria errada. Eu fico a pensar, mano, na moral, Michael Jackson muito corajoso, velhote. Se eu estou num lugarzinho [risos] fala assim: “Não, que os políticos de lá não está a querer que você entre, não, então não vou porque me vão matar, não vou, porra”.
Porra, que coragem é que tens que ter, velho? Igual ao bagulho do Bad Bunny, velho. Vocês viam o Bad Bunny no Super Bola? O Bad Bunny chegou lá, falou: “É o Donald Trump, chupa-me o p”. Mano, saiu assim até assustado, olhando para o alto e, mano, no outro dia o Donald Trump a fazer-lhe tweet. Imagina o presidente do país abre o zap, escreve um texto para si.
Meu Jesus Cristo, ia cagar-me inteiro, velho. Aplicou-se para um visto de empresário, quando deveria ter aplicado para um visto de artista. Infelizmente, a jogada da oposição resultou. O Itamarati reexaminou os pedidos, confirmou o erro e suspendeu novamente a emissão dos vistos do Michael Jackson até que o cantor desse a entrada num pedido com a categoria correta.
Na altura, o Spike Lee reagiu a toda esta burocracia, dizendo: “É tão estúpido tudo isto que eu não posso achar nada, só rir, isto é um exagero. Não vamos ao Rio para vender a ideia de que a cidade é o pior lugar do mundo. A polémica gerou conflito até entre o município e o estado do Rio, porque enquanto o governador era contra a vinda do rei do POP, o então presidente da Câmara César Maia era a favor e não só decidiu conceder um alvará de autorização para a vinda do astro e gravação do clip, mas também enviou uma carta convidando Michael Jackson
para assistir ao desfile das escolas de samba no carnaval e passar o reveillão desse ano no RID. Caralho, Miguel O Jackson disse lá, não estava a deixar eu entrar, agora tenho carnaval e tenho ano novo. Mas apesar de parecer que estava tudo resolvido, o alvará do presidente da Câmara também não durou muito tempo, porque pouco tempo depois o advogado Jorge Beija interpôs uma ação popular contra o presidente da Câmara do Rio de Janeiro e contra a A Skylight, que era a produtora brasileira contratada para a gravação do clipe do
Miguel Jackson. O argumento, por enquanto, vencedor, foi o de que o clipe prejudicaria a imagem da cidade e do estado do exterior. O advogado afirma na ação que nenhum cantor deveria ter a liberdade. Porque agora agora um um pequeno comentário. Por que é que a TV antigamente parecia que nós estávamos com ouvido entupido de água? Mano, parece que o meu ouvido está entupido de água do chuveiro, velho.
Era assim o áudio, nós não reparava, não é? E expor a pobreza alheia para ter lucro. E no dia 5 de fevereiro, o juiz Lucas Felipe Hadad aprovou a providência cautelar suspendendo a gravação do clip por 20 dias. Isso preocupou bastante a equipa do Michael, uma vez que estavam previstos chegar à cidade naquela mesma semana. Atrasar, atrasar, atrasaram e no fim não adiantou nada que gravou o clip, não é? Jamais voaremos para outra metade do mundo para arrastar o Brasil ou o seu povo para lama.
Enquanto o autarca César Maia dizia que a providência cautelar era ridícula, Marcelo Alencar, o governador, insinuava que o Michael Jackson não tinha o direito de estar perto das crianças carenciadas, fazendo referência às denúncias de abusos sexuais recebidas pelo Michael Jackson e que até hoje nunca foram comprovadas.
A parada foi tão caótica, mano. Que que o Pelé agora quero entender, mano, que que o Pelé tava nesta história? Até o Pelé entrou na discussão se posicionando-se contra a gravação do rei do pop. [risos] Eu disse a gozar no início do vídeo, caralho. O Pel vai gravar não, porra. Vai gravar não, porra. Pior que é o Pelé falando, não é, velho? Tipo assim, os os políticos não têm muita moral.
Agora o Pelé, velho, caralho, o Pelé é simplesmente o rei do futebol, certo? É o rei do do futebol contra o rei da música. Na altura era o ministro dos desportos e apesar de o admirar como um jogador, Spike Lee criticou a posição do craque dizendo: “Pelé pode ser um grande jogador de futebol, mas não é certamente um bom político”.
E enquanto os governantes estavam preocupados com a repercussão do clip, o sentimento dos brasileiros sobre a vinda do Michael era este aqui, mano. Ia parar o o Brasil, não é? Parou, certo? Olha, velho. A comunidade ansiava pela vinda do Miguel Jackson. Mano, isto isto tá a acontecer no cinema, ok? Porque lançou o filme agora, miúdo.
A malta tá entrando no cinema dançando de chapeuzinho de roupa. Mano, sabem qual que é o meu vídeo favorito do Michael Jackson? É aquele vídeo do gajo que ele vai fazer o passe e o sapato dele for [risos] [risos] e o melhor do sapato vo correndinho, não é, velho? Ele correndinho para ir buscar. Este vídeo [risos] aqui é sensacional. e pela visibilidade que ele daria as injustiças sociais dos moradores da bairro de lata, mas o comportamento dos governantes parecia apenas confirmar a título da canção, que aliás era também a primeira frase do clip, gravada em
português pela jornalista Angélica Vieira. Miguel, eles não ligam a nós, mano. Muito louco esta história ter acontecido, porque o clipe é precisamente sobre isso, velho. Sobre o abuso de poder. E depois vê-se o estado, não é, a lutar para não acontecer o clipe. Puta que pariu. Foi nesse momento que os verdadeiros protagonistas do clipe, os moradores da comunidade, tiveram finalmente voz em toda esta discussão.
José Luís de Oliveira, o então presidente da associação de moradores do bairro de Santa Marta, fez um abaixo-assinado na comunidade pedindo a libertação da gravação do clip, recolheu diversas assinaturas e enviou diretamente pro presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. A carta dizia: “O cachet que vamos receber vai contribuir para melhorarmos a creche e dar um passo para abrirmos o ambulatório que está fechado.
” Olha, olha só, mano. Olha a coisa que nem é, mano. Michael Jackson ajudou a melhorar uma creche no Brasil e a abrir um ambulatório que não tinha. Sabia disso? Eu não sabia. Governador não quer que os turistas vejam a pobreza. Ele que atire uma lona em cima das favelas ou então transformar o morro em Copacabana ou Ipanema.
E quando parecia que iam ter de procurar outro local para gravar, entrou em jogo o ator Antônio Pitanga, um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro. Na altura, o António tava no o seu último ano como vereador da Câmara Municipal de Rio de Janeiro e o seu maior objectivo era trazer visibilidade aos problemas de pobreza.
Então, com certeza que ele deve ter sido a favor, não é, de trazer o Michael para desigualdade social na cultura brasileira. António entrou com um mandado de segurança recorrendo contra a liminar do juiz, baseando-se num artigo da Constituição que proíbe a censura de obras artísticas.
E no dia seguinte veio a notícia que todos esperavam. Liberou. Ao início da tarde, o juiz Humberto Ferre da terceira câmara cívil caçou a providência cautelar que proibia a gravação do clip na favela. Miúdo, isto aqui deve ter sido um caos. [risos] Só que deve ter parado no Brasil, pá. A malta ter surtado, porque tipo assim, muitos artistas às vezes vêm para cá gravar alguma paragem ou fazer alguma coisa, mas vem de surpresa, ninguém sabe.
O bagulho está a ser televisionado, irmão, a luta na justiça para saber se ele vinha ou não fazer o clip aqui. Imaginem o caos quando disse: “Pode vir”. Toda a gente sabendo que ele ia vir. Finalmente conseguiram a autorização do governo para gravar o clip e desta vez ninguém recorreu da decisão. Mas infelizmente os problemas ainda não tinham terminado, porque no Rio de Janeiro, o meu amigo, a equipa de Michael ia precisar também de uma outra autorização, a da fação criminosa que comandava o morro da Dona Marta.
Caraca. No dia 8 de fevereiro, um dia antes da chegada do Michael, a Sony, que era a sua gravadora na altura, chegou a anunciar que perante tantas dificuldades, o Rio de Janeiro estava fora dos planos. Mas o Spike Lee entrou em cena e insistiu em gravar no Rio, dizendo que se precisasse de negociar com o dono do monte, ele próprio ia fazer isso.
Spike pediu então para que l gangsta, bro. Polícia escoltasse a sua equipa até ao favela de Santa Marta. Mas a polícia negou ajuda, até [risos] porque ela disse: “Sobe lá tu, ó diretor”. Não não tem nada a ver com isso, não, irmão. Sobe lá você. Resolve lá os teus BO. Para subir o monte, iam precisar fazer uma mega operação de forças especiais e muita gente ia acabar perdendo a vida.
Mas o Spike Lee não desistiu. Ele entrou em contacto com a A Skylight, que era a produtora do clip no Brasil, e pediu para que eles enviassem alguém para negociar a entrada do Michael na favela. Foi aí que entrou em cena a Ktátia Lund, que é hoje uma das maiores realizadoras de cinema do Brasil, mas que na altura estava apenas a iniciar a carreira.
E depois o pessoal da produção perguntou ao para o produtor Tim, disse assim: “Mas por que pôr uma mulher na favela para fazer este trabalho?” Depois ele falou assim: “Achas que eu sou louco de meter um homem lá dentro?” Segundo a produtora, a negociação aconteceu apenas com a Associação de Moradores da Favela.
Mas, aqui entre nós, sabemos que nada acontece na favela sem autorização do dono do monte. Exatamente. Com certeza. Houve ali uma conversa para ele falar que vai gravar ali, velho. Tá maluco. Aquela época quem comandava a favela Santa Marta era o Marcinho VP, um dos traficantes mais perigosos e temidos do Rio de Janeiro.
Mas para surpresa de todos, quando soube que o Michael Jackson queria gravar na sua área, ele simplesmente aceitou. Marcinho VP revelou que era um dos maiores fãs do rei da pop e deixou claro que com o Michael Jackson lá dentro, o Santa Marta ia tornar-se o lugar mais seguro do mundo. Olha lá, mano. Maior burocracia pr para polícia, para os órgãos públicos libertar.
Chegou aos malucos, disse: “O tá a chegar, diz: “Caramba, compra carne, porra”. Pá, pá, pá, pá, pá, pá. Mano, libertaram rapidão, velho. Disse ainda que a equipe do Michael podia deixar 1 milhão de dólares em equipamento de filmagem nas ruas da bairro de lata, que ninguém ia encostar um dedo. Tivemos que o encontrar, ó, para garantir que o Michael Jack estaria seguro, apesar da ajuda em dinheiro.
Mas disse, quando aqui estiverem, para Michael Jackson, para vós, este será o lugar mais seguro do mundo. Caralho, esta negociação não aconteceu na boca miúda, não. Saiu até nos jornais com o próprio Marcinho VP a dar uma entrevista ao jornal Globo, dizendo que a polícia nunca ia conseguir fazer a segurança do Michael Jackson na favela.
A autorização para que Michael Jackson filmasse no morro foi do traficante Marcinho VT, chefe do tráfico de droga na Dona Marta. Marcinho VT diz que fez um acordo com a produção do clipe. Ficou a cargo do traficante a coordenação dos 60 seguranças da comunidade. Pá, eles montaram um esquema de segurança igual que ele estava a ter no no nos sítios que ele não era lá.
Tipo, a polícia provavelmente fez um puta esquema de segurança, não é? E na hora que ele foi à favela, os gajos disseram: “Mano, vais ter um esquema de segurança do caraças aqui também?” E houve, não é? Esta história da produção ter pago uma facção acabou por descredibilizar ainda mais o governo do Rio.
Na altura, o chefe da polícia civil, Hélio Luiz, se pronunciou. É porque fica uma merda, velho. Porque, tipo assim, pensa assim, ó, estás a querer rolar o clip e depois a malta dificultando de tudo o que é maneira de acontecer. A malta, tipo assim, os políticos já tão a malta já tá com raiva. Aí chega à comunidade da favela, a malta, para apoiando pr caramba a parada de rolar, acontecer para o mundo ver o Brasil e tal.
Mano, é muito pior mesmo, porque parece que os gajos é mais filha da puta que já são. Dizendo que o Spike Lee só pagou porque é otário, que já devia estar habituado a fazer este tipo de coisas lá nos Estados Unidos e por isso tentou fazer por aqui também. Mas o delegado recebeu uma invertida do próprio Spike Leu dizendo: “Acho que fui é muito esperto, a sua polícia parece não ter muita autoridade por lá, pá.
P que é muito gangster. Pior que tem autoridade, sim, mas acontece que existem forças no topo do governo que preferem que estas áreas sejam controladas pelo tráfico. Citando o discurso do atual presidente de El Salvador, Naí Bukelei, o Estado é sempre mais forte do que qualquer organização criminosa.
Quando um país não resolve os seus problemas de criminalidade, é porque não há vontade de os resolver. E, em alguns casos, é porque são parceiros dos criminosos. Então, eles obviamente não vão atacar os seus parceiros. Enfim, eu podia passar horas e horas a falar sobre isso, mas não é o assunto do vídeo.
Quem quiser perceber melhor como o Brasil funciona, indico assistir ao filme Tropa de Elite 2. Muito bom, velho. Puta que pariu, que filmes bom, não é, velho? Eu lembro-me até hoje da primeira vez que encontrei o Tropa de Eu nem devia ter assistido, não é? Que eu acho que era uma criança, velho. Eu era uma criança rebelde, não é? Apesar que nesta altura, as pessoas, o que acontecia, a verdade era essa.
Você comprava um filme na barraca pirata vinha outra. Quantas vezes não comprei Shurek e veio a cona, que para mim não é nenhum filme, é um dossier do Brasil. Mas voltando ao vídeo, no dia 9 de fevereiro de 1996, o Michael Jackson estava finalmente a aterrar no Brasil. Brasil. Desembarcou ao meio-dia no aeroporto de Salvador.
Chapéu na cabeça, máscara no rosto. Segundo os assessores que viajaram com ele, o Michael Jackson veio a cantar durante todo o voo. Então, meu Deus do céu, Miguel, espera lá também. 10 horas de voo a cantar Bilidi. Feliz por ele estar de vir para o Brasil. Na real, ele estava tão encantado com o nosso povo que ele saiu mesmo em público para tirar foto.
Só não contava que o brasileiro não conhece o significado da palavra limite. O Megstar quebrou o protocolo e deu uma volta para ser fotografado junto do realizador Spike Le. Depois seguiu até pela pista, dispensando o automóvel que o aguardava. A simpática atitude de Michael Jackson provocou um princípio de tumulto entre os jornalistas e os soldados da aeronáutica que tentavam em vão impedir o trabalho.

Ele metendo marcha, ele correio do segurança de fotógrafos [risos] e operadores de câmara. Em pouco tempo, as coisas saíram de controle. Milhares de fãs começaram a invadir o aeroporto e o Michael Jackson. Mano, é o que eu disse, velho. Tipo assim, mano, há uma diferença muito grande de um artista vir tocar ao Brasil ou fazer alguma coisa no Brasil e ele vim mocado, quieto e uma diferença disso ser televisionado.
Irmão, estás entendendo o que é isto? A partir do momento em que diz que o artista tá vindo para aqui e fala dia, fala tudo isso, miúdo, provocas um caos, mano, porque vai haver gente do Brasil inteiro indo ver essa pessoa onde ela vai descer, no aeroporto, no hotel, e tudo. Teve de entrar rapidamente no carro. Lado de fora do aeroporto, muita confusão. Correria.
Olha para isto, olha isto, olha isto. O aeroporto Michael Jackson foi direto pro [gargalhadas] hotel tropical da Baía, onde ia ficar hospedado, mas mesmo por ali as coisas estavam longe de se acalmar. Fodeu. À chegada ao hotel, no centro de Salvador, mais confusão. Ninguém descobriu por onde ele entrou. O cantor Michael Jackson chegou agora a pouco aqui o hotel onde vai estava sedado.
Ele chegou despachado enganando os fãs e a imprensa. Pois, os gajos meteram o Michael Jacks num Celta. Miúdo falou: “Não é possível que é o Michael Jackson de Celta. Não, deixa passar esse. Deixa esse carro passar. Michael Jackson assim, ó, deitado do banco de trás do centro. Hospedado na suí presidencial do 11º andar, o Michael Jackson encomendou diversas frutas tropicais e alimentos típicas para experimentar a gastronomia brasileira.
E vendo a forte aglomeração de pessoas do lado de fora, resolveu novamente cumprimentar os fãs. Janela. Michael Jackson provoca delírio. [grito] Como forma de gratidão, o Michael Jackson mandou a sua equipa distribuir para os fãs diversas fotos autografadas por ele, mas o desespero das pessoas era tanto que a maioria das fotos acabou sendo rasgada na disputa para apanhar.
Parecia aquelas festas dos anos 90 quando rebentava o balão de doce. Tava todo o mundo louco. E, entretanto, o Spike le já começava os preparativos para gravação. Miúdo muito da hora saber estas coisas, sabe? De bastidor. Estou a achar muito fixe esse vídeo aqui. Malta, se gostaram, deixem um like porque não é o tipo de vídeo que vemos com frequência e a gente o super pode trazer mais vezes, mano, porque é super interessante, pá.
É muito giro e acontecer no dia seguinte. Enquanto o Astro se cansa, o diretor do videoclipe é recebido com festa no Pelourinho. Camisola da seleção brasileira e chapéu do Lodum. Spike Le conversou com os jornalistas. Para quem não sabe, o Holodum é um grupo cultural baiano muito conhecido pelos grupos de carnaval.
Incluindo o Tonio Matéria, que é cantor do grupo, já contou num podcast como que foi esta ligação do Michael Jackson com Holodum, que Michael Jackson fazia pesquisas de músicas no mundo e descobre a batida do Holodu e envia 3 meses antes, se meses antes, a arritmia da forma que ele queria que fosse para a banda acompanhar.
Ao fim da tarde, o Spik foi conhecer as ruas do Pelourinho e marcar os pontos da gravação. Com a banda do Lodum, ele acompanhou o último ensaio e na manhã seguinte, 10 de fevereiro, chegava o grande dia da gravação. Nossa, Michael Jackson abana o pelourinho no primeiro dia da rodagem do clipe que veio gravar ao Brasil.
Ido por um guarda-sol rodeado de segurança, de repente aparece na praça. Distantes, os fãs gritam e Michael aproxima-se. E ele que geralmente foge das multidões, pediu que os seguranças abrissem caminho. Queria chegar mais perto dos fãs. Michael passou horas a tirar fotos, dando autógrafos, provando a comida local.
Enquanto alguns artistas parecem ter nojo do Brasil e da nossa cultura, o Michael Jackson demonstrou uma humildade absurda. É muito fodido isto, né? Porque realmente, velho, há tanto artista que vem para aqui e dá uma data de merda, não é? que você diz assim: “Caramba, mano, e nem uns artistas que dizes: “Puta que pariu”.
Depois vê-se uns artistas que realmente são grandes, tipo assim, mano, o rei da pop, miúdo. Gente boa para caralho com a malta e uma ligação imediata com o nosso povo. Volta sorrindo e passa direto para o camarim improvisado. Pouco depois, atravessa a praça e entra num palacete do outro lado. Depois de almoçarmos aqui mesmo, por aqui ele tinha quantos anos? Quantos anos tinha Michael Jackson no clip do Pelourinho? Michael Jackson tinha 37 anos quando gravo.
Caramba, 37 anos já ia ser mais cansado, velho. Ó, eu não ia oferecer esse carisma não, velho. Nossa, com 37, meu Deus do céu. E está bem, gente, grava, grava essa desgraça. Não, não quero foto, não quero. Estou cansado. Michael Jackson saiu para a varanda. Os fãs foram ao delírio. E um pouco depois do meio-dia, finalmente começavam as gravações do clipe.
A música começa a tocar e ele aparece a dançar na janela. É a primeira cena do clip gravada na Bahia. irado. Mas o momento mais esperado aconteceu às 3 horas da tarde. Com a camisola do Lodum e muito bem disposto, Michael Jackson desceu para gravar. Inúcio da gravação. Ele dá um show. Os baianos parecem não acreditar no que estão a ver.
Pá, eu também não acreditava. E os gajos do Lodum? Já se perguntou como é que devem sentir-se hoje de terem trabalhou diretamente com o Michael Jackson no que eu levantei o tambor depois quando eu dei uma olhadela assim, eu estou a vê-lo com a mão, digo, gente, a vida real. Na hora o meu coração tá a bater tão forte que fiquei até que da hora, velho.
Com o meu lápis branco. [risos] Que da hora. É um miúdo que estava com ele, rapaz. Sou eu mesmo ali. Será que sou eu? Isso aconteceu de facto. Parecia ser um sonho na verdade, certo? Mas a gravação não foi só a brisa tranquila, não. Apesar da segurança de mais de 200 polícias militares, o desespero do povo era tanto que num determinado momento durante as filmagens, duas fãs conseguiram furar o bloqueio policial e agarrar o Michael Jackson.
Caiu no chão, mas logo depois levantou-se e continuando. Mano, isso está no clipe inclusive, não tá? Este não foi retirado do clipe, moleque Sando, como se nada tivesse acontecido. Foi você que conseguiu derrubar o Michael Jackson? Fui eu. A outra segurou ali por trás, só estava a abraçar. Aí esticaram-no demais. Ele terminou caindo.
Sabe o mais impressionante? Ele não removeu essa cena do clip. Da hora. Ó lá. Ó a cena ali. Não. E o rola também ele deixou-o cair. Outra polémica [risos] que aconteceu durante as gravações foi uma atitude do próprio Michael Jackson que gerou até investigação pela Polícia Militar. Michael encosta-se a um polícia, simula uma agressão e leva o cacetado.
Em Salvador, a Polícia Militar está analisando as imagens em que Michael, puta que pariu, mas ele também é fodido, certo, velho? Por rapaz que ele fala, deixa eu ver, agora que já resolveu tudo, vamos caçar um novo probleminha. Vamos tirar o cacetete do polícia e gritar nos ouvidos dele. [risos] Foda-se. Contracena com polícias na gravação do clipe.
Foram ao pelourinho para garantir a segurança do cantor. Caramba, o polícia assim a pensar, caralho, Michael, vim aqui para para ajudar, [risos] está a esculachar-me. E ninguém foi consultado sobre a inclusão dos polícias na gravação. Ah, não. E adivinha? Ele também não removeu esta cena, apesar de ficar apenas na versão estendida do clipe.
[grito] Mas se as gravações em Salvador foram caóticas, meu amigo, no Rio de Janeiro seria muito mais. Aqui no Pelourinho, a equipa do diretor Spike L não teve qualquer problema para trabalhar. Já no Rio, a polémica foi grande, mas ele foi para lá. Gravação em Salvador, na Baía. Michael Jackson veio direto para o Rio de Janeiro.
Miguel desce do carro e começam a ser gravadas cenas. Também fazem parte do clipe. Mas será que estes soldados sabem? Mais uma cena. Michael sai a correr. Atrás dele os soldados. Parece uma perseguição. Sempre que ficava num país, o Michael Jackson gostava de gravar cenas a correr com os militares como se de um líder se tratasse.
Mas infelizmente esta cena dos militares cariocas não colocou no clip. Pois, então isso que eu ia dizer, velho. Eu estou a ver estas cenas aqui, não vi no clipe. Eu eu até pensei que poderia estar na versão alargada, que ele falou que nem sabia que existia uma versão estandida, mas no clip original não está isto aqui.
Depois regressou novamente pro hotel Copacabana Palace. Ui, o meu sonho ser hospedado aqui, velho. Meu Deus do céu, deve ser muito bom, gente. Os artistas fica tudo lá nesse hotel aí, dizem que é bizarro este hotel. Já vi uns vídeos por dentro, certo? Eu já vi aqui uns react muito porreiros, mas também não ficou lá muito tempceu várias vezes na varanda.
Foram tantos beijos e acenos que o que parecia impossível passou a ser questionável: O astro sairia do hotel? A resposta veio à hora do almoço quando Michael Jackson desceu para um rápido passeio de helicóptero. Mano, quem é que pendurou o bebé do lado de fora, velho? Houve alguém que pendurou um bebé pr fora de uma janela? Não teve.
Foi o Michael Jackson que fez isso. Foi ele. [risos] Aquilo ali deu maior merda também, velho. Foi em Berlim. Eu achei [risos] que tinha sido no Brasil. Foi assim da hora. Se fosse no Brasil bebé meu filho. Tud meu filho. Ai que isto? [risos] Nada de trabalho. É o passeio de um turista. Ele não gravou. Conhecer o Rio de Janeiro do Alto era um sonho antigo de Michael e este teve sorte. O domingo estava deslumbrante.
Segundo este artigo do jornal Globo, o Michael Jackson ficou tão encantado com o Rio de Janeiro que ele não parava de falar várias vezes o quanto que este lugar é lindo. O passeio durou pouco tempo, ele tinha mais trabalho. Estava na hora de gravar no lugar que provocou. Ah, pois. Mike, viesse até aqui para andar de helicóptero, eu digo: “Puta que pariu”.
A favela Dona Marta, na zona sul do Rio, uma das maiores da cidade. Michael aterrou no campo de futebol do Morro Dona Marta ao início da tarde do dia 11 de fevereiro. Hoje o monte parou. Todos queriam ver a estrela. Michael chegou de helicóptero. Caraca, e já parou lá dentro, não é? Apareceu nos becos da favela. Estava de óculos escuros, de vermelho e preto e protegido por um guarda-sol.
Rodeado de seguranças, por um imprevisível asco andou pelo monte e deu autógrafo. Foram mais de 15 minutos de caminhada até chegar à casa que lhe serviu de camarim. Na laje da casa foram muitas horas até acertar os pormenores finais da gravação. O realizador Spike Lee comandava um exército de mais de 300 pessoas.
Epá, velho, na moral, por isso é que eu disse que é muito trampo, gente. Vocês não tá a perceber. Você fazer uma coisa pequena já é uma loucura, gente. É muita gente para operar. É câmara. É, existe cada coisa que vocês não fazem nem ideia, gente. Há uns negócios que têm uma uma função que é batedor.
A galera fica com aqueles negócios ali no fundo, estás a ver que é tipo uma as lonas de aqueles papel de pôr o frango no no forno, que aquilo ali é só para rebater o sol e ele direitinho na cara da pessoa pr para a luz entrar de outros lugares também. Entre técnicos, câmaras, assistentes e seguranças. Hora de gravar.
A segurança vai buscar Michael Jackson. Considerado uma pessoa difícil, exigente, super problemática, ele se mostra simples, simpático e paciente. É, mas o astro é perfeccionista e apercebe-se até se sujou a calça durante a subida. A mancha não sai. Tudo bem. Esse pormenor tive que procurar no clipe oficial. Caramba, está mesmo mijado, velho.
E não é que esta manchinha estava lá mesmo, pá. Um facto curioso é que apesar de todo este contacto com o povo e com os fãs, o Michael Jackson não deu nenhuma entrevista durante esta passagem pelo Brasil, exceto por esta única resposta à pergunta da Glória Maria. Claro que o Michael Jackson não dá entrevista porque ele tem de manter a imagem de um mito, mas nós pedimos, pediu e ele aceitou dizer uma palavra brasileiros.
Miguel, for the Brazilian people, please. I love you, Brasil. Depois das gravações. E está ótimo. Quer mais? Aí vai imaginar na sua casa, miúdo. Vou falar mais porra nenhuma para vocês também, não. O Michael Jackson voltou para o hotel, mas novamente não ficou por muito tempo. Ele queria dar uma voltinha pela cidade.
Início da tarde, deixou o hotel em direção ao porte de Copacabana. Camioneta foi cercada pelos fãs. Puta que pariu. De seguida, foi até à galeria VIP em Panema. e tentou agir como uma pessoa normal, a fazer compras, mas digamos que isso não resultou muito bem. Certo, sempre imprevisível, desceu do carro e andou pela rua como qualquer mortal.
[risos] Caramba, mas também falam como se o gajo fosse o homem- aranha, porra. Michael Jackson estava de máscara, protegido por um guarda-sol, acompanhado de crianças e com poucas seguranças. Primeiro entrou numa loja de instrumentos musicais para comprar o que não encontra tão facilmente nos Estados Unidos.
Tamborim, Recu, Reco, Agogô, Viola, Caipira e Cuica. Na loja de CD a Desilusão. As coleções dos Beatles e dos Beach Boys que queria não estavam à venda. Ali só se faz locação. Do lado de fora, os fãs del Porra, mas caralho, o dono desta loja não abriu uma excepção para o Michael Jackson, velho. Michael Jackson, quanto tá esse? Ó, pá, este aqui não é só aluga, Mike, consegue devolver na próxima semana? Vai tomar no cu, meu Deus.
Michael Jackson ignorou a segurança e a saiu da loja várias vezes. Aproximou-se e tentou cumprimentar os fãs, distribuir dezenas de autógrafos. O Michael comprou sacos e sacolas de brinquedos e instrumentos musicais. Mano, ainda bem que nessa altura não existia telemóvel que tirava foto do jeito que existe hoje, porque ia ser um inferno. Ia ser um inferno.
Ali o que que dá pr fazer? encostar na mão. Comprimentei, ponto final, fiz a minha parte que, tipo assim, é muito mais fácil. Quer dizer, já tinha, será telemóvel deste jeito? Não sei. A crianças que furaram o bloqueio. Rogério, de 11 anos, ganhou o dinheiro do ídolo. Vou comprar uma p caralho.
Michael Jackson é fod [risos] está duro, porra. Caralho, ó Miguel Jackson porra, nem para dar cinquentão para o miúdo, velho. 10 doll. Puta que pariu. Dele para eu ouvir no meu e eu dei R 1 para ele de lembrança. [risos] Toma lá. Mich, estás f Não, pelo jeito estás duro. Toma lá R$ para tu pagares o autocarro para voltar aí para o seu lugar que você mora.
Bem, e [risos] para sair da loja mais volta. O furacão Michael Jackson parou o trânsito. A segurança foi reforçada. A estrela para sair do shopping enfrentou um corredor polaco até chegar ao carro. Depois, Michael Jackson voltou novamente para o hotel, onde fez a sua última despedida ao Brasil. Os fãs vão ficar até à última hora em frente ao hotel.
Gritam, imploram, choram e cantam. Ah, da hora, velho. Da varanda do hotel, com dois discos de ouro nas mãos, despede-se do Rio de Janeiro. Ah, muito fixe. Na comunidade de Santa Marta e na Baía, o povo agradecia a visita do Michael Jackson e a visibilidade que estava dando a toda a injustiça social dos habitantes da favela, o que acabou por ser uma forte mensagem para os interesses de certos governantes que não se preocupam connosco.
No dia 26 de junho de 2010 foi inaugurada uma estátua de bronze do Michael Jackson no topo do Dona Marta. E mais de 30 anos depois do clip, nada O Brasil mudou. Na verdade, só piorou. Na Bahia hoje já nem se pode tirar uma foto sem estar em risco de vida. E no Rio de Janeiro, os Os traficantes já até tiraram fotografias com um espingarda pendurada no Rei da Pop.
E pouco tempo depois, os ladrões conseguiram a proeza de roubar os óculos da estátua. [risos] Ó, isto aqui é paia, velho. Isto aqui é paia. Isto aqui devolve lá, pá. Põe um da Oakley lá nele, velho, para ele não ficar assim, velho. Aqui é o Brasil, mano. Que é isto, velho? Todo esse rolê só comprova tragicamente a ideia principal de They don’t care about Us.
O O Brasil é um país largado pelo Estado na mão das facções que hoje já controlam 20% do nosso território. E eu acho que isso só vai mudar quando o Felka o fizer um vídeo sobre o assunto. E no final das contas, um clip que os governantes fizeram o possível e o impossível para ocultar, acabou por fazer muito mais pela comunidade do que os próprios governantes.
Mas este não foi o único clipe caótico gravado por um artista estrangeiro no Brasil. Em 2003, o Snoop Dog virou o Rio de Janeiro de cabeça para baixo para conseguir gravar o clip da música beautiful. Para saber mais sobre esta história, basta clicar neste vídeo que está a aparecer aqui em cima. Se quiserem mais vídeos deste aqui, podemos trazer aqui para vocês.
Este foi o vídeo da história do clip do Michael Jackson, que me deu mais vontade ainda de ver o filme, por isso estou muito ansioso para isso. Eu vou ao cinema assim que der. Deixa um like se gostou, porque você deixando um like vou entender que gostaste e depois faço mais vídeos parecidos com este. Então deixa o like, é muito importante.
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