Aos 84, Susana Vieira Recebe Notícia Devastadora Sobre Sua Saúde – H

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Eh, desde que descobri que estou com esta doença, não é que eu tenha escondido, a gente não tinha por sair a propalar e a gente tinha que ver como é que a doença se ia ; Aos 84 anos, Susana Vieira, a rainha das telenovelas brasileiras, recebe uma notícia que parou o Brasil, uma revelação sobre a sua saúde que ninguém queria ouvir e que a comunicação social tentou abafar.

O que está a acontecer com um dos maiores nomes da televisão nacional? Fica até ao final porque esta história vai arrepiar-te. E se ainda não segues o canal, segue já e ativa o sininho. Existe uma imagem que o Brasil guardou de Susana Vieira, a mulher que entrava numa cena e sugava todo o oxigénio do meio ambiente antes que qualquer outro ator conseguisse abrir a boca.

A voz que não pedia licença, o riso que explodia antes de o chist terminar, a atriz que fazia de vilã com uma alegria tão genuína que o público torcia contra o A própria personagem que amava e fazia jovem com uma intensidade que tornava cada cena uma ameaça iminente de que algo ia sair dos carris qualquer momento.

há mais de seis décadas. Ela foi isso, a presença mais elétrica da televisão brasileira, a mulher que aparecia em qualquer programa de entrevistas e roubava imediatamente o episódio do entrevistador que se tinha preparado para conduzir a conversa. A atriz que começou como bailarina em Buenos Aires nos anos 50 e que em 2025, aos 82 anos, ainda apareceu na televisão no especial dos 60 anos da Globo, como se o tempo fosse uma convenção que ela tinha decidido ignorar.

Mas em maio de 2024, numa entrevista ao Fantástico que parou o Brasil, Susana Vieira disse em voz alta o que tinha guardado durante anos, que vive com uma doença que não tem cura, que o diagnóstico chegou há quase uma década, que tinha aprendido aos poucos e com dificuldade algo que toda a vida ela tinha evitado aprender, a estar em paz com o que não pode ser alterado.

Não foi um desabafo cheio de lágrimas. Não foi um momento de fragilidade que os os programas de televisão constróem com música suave e pausa dramática. Foi Susana Vieira da forma que Susana Vieira faz tudo. À frente, sem rodeios, com a clareza de quem já decidiu que não tem mais tempo nem disposição para eufemismos.

É sobre esta mulher e esta história que este vídeo foi feito. Sónia Maria Vieira Gonçalves nasceu em São Paulo no dia 23 de agosto de 1942. O nome Susana viria mais tarde, emprestado da irmã mais nova Susana Gonçalves, que seguiria também a carreira artística na Argentina. Adoptar o nome da irmã como nome artístico tem algo de poético quando se pensa na trajetória que se seguiu.

A mulher que construiu uma das identidades mais reconhecíveis da A televisão brasileira começou com o nome de outra pessoa. O pai Mários Vieira Gonçalves, era militar, adido militar na embaixada do Brasil em Buenos Aires. A mãe Maria da Conceição, trabalhava no consulado. A família pertencia àquele universo específico das famílias de diplomatas e militares de alta patente que vivem entre países, aprendem línguas como uma necessidade prática e desenvolvem uma certa fluidez cultural que os filhos criados num único local raramente tem.

Sónia cresceu entre Buenos Aires, Montevidel e Londres. Aprendeu espanhol antes de dominar o português com a musicalidade que a língua exige. Foi em Buenos Aires que se realizou o primeiro encontro com a arte, e não com a representação, mas com o bailado. Ela começou a estudar dança clássica na capital argentina com a seriedade que a disciplina exige, a seriedade que o bailado impõe ao corpo desde os primeiros anos, o barre, o alongamento, a repetição infinita que transforma o movimento natural em gesto preciso e controlado. Quando a família

regressou ao Brasil, Sónia continuou os estudos de ballet em São Paulo, chegando a formar-se em balé clássico e integrar o corpo de bailado do grande teatro Tupi. Foi ali a dançar que a televisão chegou até ela. Não o contrário. O realizador Ciano Gabus Mendes viu-a dançar e fez a questão que mudaria o curso das coisas.

Não quis saber se ela sabia representar, quis saber se ela queria tentar. Há uma diferença fundamental entre as duas perguntas. A primeira pressupõe uma capacidade que já existe. A segunda abre espaço para uma competência que ainda vai ser construída. Ciano apostou na segunda versão e a história deu-lhe razão.

A estreia de Susana Vieira na televisão aconteceu em 1962 na telenovela A noite Eterna da TV Tupi. Ela tinha 19 anos e o nome artístico que tinha acabado de adotar. Nos anos seguintes, percorreu a paisagem da televisão brasileira antes da Globo, TV Tupi, TV Excelsior, TV Record, num período em que a teledramaturgia nacional ainda estava a inventar a própria linguagem, descobrindo o que uma câmara dentro de um estúdio podia fazer com uma atriz que sabia preencher o quadro.

Em 1966, esteve no elenco de três novelas ao mesmo tempo. Alma de pedra, As Minas de Prata e Ninguém crê em mim. Esse tipo de sobreposição, que hoje soa impossível, era parte da rotina caótica e fértil da televisão dos anos 1960, quando as emissoras gravavam com a urgência de quem estava descobrindo ao mesmo tempo o que era possível fazer e os limites do que o corpo e a mente de um elenco conseguiam sustentar.

Em 1961 havia se casado com o diretor Régis Cardoso. Em 1964 nasceu o filho Rodrigo, seu único filho, que permaneceria o centro afetivo de sua vida pessoal por todos os anos que se seguiram. Em 1963, atendendo aos pedidos do marido, Susana havia interrompido temporariamente a carreira. A pausa durou o tempo que durou, porque quando uma pessoa tem a natureza que Susana Vieira tem, a ideia de ficar em casa enquanto o mundo continua acontecendo lá fora é uma sentença que o corpo não aceita por muito tempo. Em 1972, o casamento com

Régis Cardoso chegou ao fim. Susana tinha 29 anos, um filho de 7 anos e uma carreira que havia sido colocada em compasso de espera por alguém que não era ela. A separação, do ponto de vista profissional, funcionou como liberação. Ela voltou ao trabalho com a intensidade de quem estava compensando o tempo perdido. 1970 foi o ano da Globo.

Quando Susana Vieira entrou no quadro de atrizes da Rede Globo naquele ano, a emissora ainda estava construindo o que se tornaria o maior império da televisão latino-americana. O primeiro papel foi em Pigmaleão 70, personagem Candinha, um começo modesto para o que viria, mas a Globo havia reconhecido algo naquela mulher que a TV Tupi já havia demonstrado e que os anos confirmariam de forma exaustiva.

Susana Vieira não tinha um tom, tinha todos: comédia, drama, vilania, heroísmo, romance, ironia. Ela transitava entre registros com a naturalidade de quem não está escolhendo uma linguagem, mas simplesmente respondendo ao que a cena precisa. Em 1974, o espigão e o prêmio APCA de melhor atriz em 1975 como consequência.

Em 1975 escalada. Em 1976, o papel que abriu uma nova fase, a Babá Nice em Nanju. Sua primeira protagonista na Globo. Nice era uma mulher que amava com excesso, que queria com intensidade o que a vida não havia destinado a ela, que construía estratégias emocionais complexas para obter o que o coração pedia.

era o tipo de personagem que exige de uma atriz a capacidade de fazer o espectador sentir ao mesmo tempo antipatia e compaixão pelo mesmo ser humano. E Susana fez isso com uma precisão que fez o país parar às 6 da tarde. O troféu Imprensa de Rainha da televisão brasileira naquele mesmo ano não era apenas um reconhecimento de uma performance específica, era um sinal de que algo havia se estabelecido, uma posição dentro da televisão nacional que não seria ocupada por mais ninguém.

Os anos 1980 foram uma sequência de trabalhos que qualquer atriz de qualquer geração assinaria sem hesitar. Baila Comigo em 1981 com o personagem Paula Vargas Lem. Uma novela de Gilberto Braga que retratou a efervescência cultural do Brasil da redemocratização com uma sensualidade que a emissora ainda sabia empregar com elegância.

Partido alto em 1984 com Gildet e ao longo de toda a década, novela após novela, a construção daquilo que se tornaria uma das características mais marcantes de Susana Vieira como figura pública, a recusa de se comportar de acordo com o que se esperava de uma mulher da sua posição. Havia uma convenção, não escrita, mas absolutamente operante, na televisão brasileira dos anos 1980.

As atrizes de determinada idade deveriam migrar para papéis maternos, para personagens que existiam em função dos protagonistas mais jovens, para o registro da sabedoria contida que a cultura associa ao envelhecimento feminino. Susana Vieira ignorou essa convenção com a consistência de quem nem sabe que ela existe.

Continuou sendo protagonista, continuou sendo desejo e conflito e centro de gravidade das histórias em que entrava. continuou sendo incômoda da melhor forma possível, a forma que faz a televisão funcionar. Em 1981, Susana fez seu primeiro ensaio fotográfico para a revista Playboy. Não era uma jovem atriz tentando chamar atenção.

Era uma mulher na casa dos 40 que havia decidido que a liberdade sobre o próprio corpo não pertencia aos outros. A decisão gerou polêmica na medida exata que qualquer decisão desse tipo gerava nos anos 1980 no Brasil. Um país que havia acabado de sair de décadas de ditadura e ainda estava aprendendo o que fazer com a liberdade que havia recuperado.

Susana Vieira não se importou. Essa postura, a de não se importar com o que a convenção esperava, seria uma linha constante ao longo de toda a carreira e de toda a vida pessoal. Em 1986, casou-se com Carson Gardeazabal. O segundo casamento duraria quase 20 anos, até 2013. Uma durabilidade que contrasta com a imagem de instabilidade que os outros relacionamentos criariam.

Em 2006, veio o terceiro casamento com o polícia militar, Marcelo Silva. Uma união que terminou rapidamente e que gerou mais manchete do que a maioria das telenovelas que ela tinha feito. Foram três casamentos ao longo da vida, mas foram décadas de trabalho ininterrupto que definiram quem ela era com muito mais precisão do que qualquer estado civil jamais poderia fazer.

Mulheres de Areia, 1993, A próxima vítima 1995, por amor. 1997 Andando nas Nuvens 1999, A Padroeira, 2001. Mulheres Apaixonadas, 2003. Cada um destes títulos é uma referência obrigatória na história da televisão brasileira. In Por Susana interpretou Branca, uma personagem que valeu o prémio extra de televisão em 1997 em Mulheres Apaixonadas, a novela de Manuel Carlos que desse Brasil das classes médias com uma precisão que os sociólogos invejaram e que o público assistiu com o reconhecimento desconfortável de ver a própria vida

refletida. Susana viveu Lorena, um dos papéis mais recordados da fase, mas foi em 2004 que aconteceu o que a própria atriz descreveria como O Pico da Carreira. Senhora do Destino é uma das novelas mais vistas da história da televisão brasileira. Escrita por Agnaldo Silva e realizado por Wolf Maia, ela estreou em junho de 2004, no horário das 21 horas e criou um fenómeno cultural que foi para além da audiência semanal.

Criou conversas, criou memes antes de o termo existir com essa precisão. Criou a vilã mais icónica da televisão nacional de todos os tempos. Susana Vieira interpretou Maria do Carmo Ferreira da Silva, uma mulher simples e nordestina que vai ao Rio de Janeiro em busca da filha que lhe foi roubada ao nascer.

Maria do Carmo era tudo o que Susana aprendera a fazer em 40 anos de carreira, condensado num único personagem. A força sem brutalidade, a ternura sem sentimentalismo, a determinação sem perder a humanidade. Era uma protagonista que o Brasil inteiro adotou como se fosse alguém que conhecia pessoalmente. Ironicamente, a personagem que mais marcou o imaginário da novela foi a antagonista Nazaré Tedesco de Renata Sorrá, que viria a ser um fenómeno global como meme anos depois.

Mas sem Maria do Carmo não há Nazaré. Sem a protagonista que o público adorou, o vilã não tem a quem destruir. Senhora do destino funcionou porque os dois papéis estavam no mesmo patamar de excelência e Susana Vieira venceu o melhor do ano e o prémio extra de televisão nesse ano para provar que a narrativa do meme não apagou o reconhecimento do trabalho.

O nome Senhora do Destino, seria escolhido décadas depois para titular a autobiografia que ela lançaria em 2024. Um pormenor não é apenas homenagem ao personagem, mas uma afirmação sobre a relação que ela construiu com a própria vida. Uma mulher que se recusou a deixar que o destino fosse escrito por alguém para além dela mesma.

A vida pessoal de Susana Vieira sempre foi tratada por ela com a mesma abertura que tudo o resto. Não porque ela não tivesse limites, mas porque os limites dela estavam em locais que o protocolo das celebridades raramente coloca. Em 2009, durante o carnaval, conheceu Sandro Pedroso, ator e mágico 30 anos mais novo.

O namoro que se seguiu foi coberto pela imprensa com a combinação de fascínio e condescendência que a diferença de idades provoca sempre quando a Maelá, a mulher mais velha é a protagonista da história. Susana respondeu ao fascínio com entusiasmo e a condescendência com indiferença. A postura de sempre. O relacionamento durou 6 anos e terminou de forma turbulenta.

Em 2016, Sandro Pedroso deu uma entrevista ao apresentador Gugu Liberato, afirmando que tinha dormido na rua após o término do namoro e que tinha proposto casamento a Susana em Roma, de joelho depois de fazer o caminho de Santiago de Compostela e que esta recusara. A Susana respondeu dizendo que se sentia constrangida em falar sobre os pormenores do termo, mas negando que tivesse deixado o ex-namorado sem assistência.

A questão da proposta de casamento recusada em Roma depois do Caminho de Santiago é um dos episódios mais vividiamente novelescos da vida pessoal de Susana Vieira. E em qualquer outra vida seria o ponto alto da história da amor. Na vida dela, foi mais um capítulo de uma trajetória que nunca cabia num formato único.

O que ficou de mais sólido e mais duradouro ao longo de todas as relações e de todos os papéis foi o filho Rodrigo. Nasceu em 1964 do primeiro casamento com Régis Cardoso, Rodrigo cresceu ao lado de uma mãe cujo trabalho significava presença constante na televisão do país. Uma situação que cria ao mesmo tempo orgulho e a sensação particular de que a sua mãe pertence a todos os outros antes de pertencerem a você.

A relação dos dois foi descrita por Suzana em várias entrevistas ao longo dos anos, com o afeto tranquilo dos quem sabe que a base está sólida, independentemente de tudo o mais que a vida trouxer. 2015 foi o ano do diagnóstico. Susana Vieira tinha 72 anos quando os exames mostraram o que estava acontecendo dentro do sangue. A leucemia linfocítica crónica LLC na sigla médica é uma doença que afeta os linfócitos, um tipo de glóbulo branco.

Diferente de outros tipos de leucemia que avançam com rapidez e brutalidade, a LLC em muitos doentes coexiste silenciosamente durante anos com a rotina normal. detectável apenas por um exame de sangue que mostra uma contagem elevada de linfócitos, sem causar sintomas imediatos que o doente consiga identificar sozinho.

Isso torna a LC particularmente complexa do ponto de vista emocional. Não há um colapso físico que anuncia o diagnóstico. Há um exame, há uma conversa com um médico, há um nome escrito num relatório. E depois há a decisão do que fazer com aquele informação, guardar ou dividir, esperar para ver ou agir imediatamente, tratar ou monitorizar.

No caso da LC, os médicos optam frequentemente pelo monitoramento quando a doença está numa fase inicial e o doente não apresenta sintomas. O o tratamento ativo está reservado para quando a doença progride. A maioria dos doentes com LLC que está em remissão, como Susana esteve e esteve durante anos, não necessita de intervenção imediata.

O que necessita é de acompanhamento constante e de uma disciplina de vida que o organismo necessita para se manter estável. Susana guardou este diagnóstico durante quase uma década, não porque tivesse medo de revelar. Quem conhece a Susana Vieira sabe que o medo de revelar não está no seu vocabulário, mas porque havia algo que precisava de ser processado antes de ser dividido.

E porque a vida continuava, e porque os papéis continuavam a chegar, e porque o Brasil não sabe que está a lidar com algo em silêncio enquanto está na televisão a fazer o que sempre fez. Além da leucemia, o diagnóstico incluiu outra condição, anemia hemolítica autoimune. Uma situação em que o próprio sistema imunológico do doente ataca as células vermelhas do sangue.

As duas condições estão relacionadas. A LLC pode gerar anticorpos que desencadeiam a anemia autoimune. São duas frentes de um mesmo campo de batalha interno. Em maio de 2024, sentada em frente às câmaras do Fantástico, Susana Vieira disse o que havia para ser dito. Eu tenho leucemia linfocítica crónica, que é uma doença. Não tem cura e não adianta fazer transplante de medula.

E tenho outra doença do sangue, que é a anemia. hemolítica autoimune. E então disse a frase que o Brasil guardou. É óbvio que à medida que vai ficando com mais idade, fica-se preocupada, mas esta doença, parece que foi Deus, deixou-me em paz. Não foi a confissão de uma mulher derrotada, foi a declaração de uma mulher que tinha encontrado um modo de conviver com o que não pode ser mudado e que tinha chegado à conclusão de que a paz não é a ausência de dificuldade, é a capacidade de funcionar apesar dela. Ela acrescentou que estava

em remissão, que mantinha uma rotina de exercícios, que cuidava do corpo com a disciplina que a doença passou a exigir, com mais urgência do que a vida anterior havia exigido. Banho gelado, sono adequado, uma hora de caminhada. O tipo de cuidados que muitas pessoas só aprendem quando o corpo apresenta a conta de décadas de intensidade vivida sem pausa.

A entrevista durou tempo suficiente para o Brasil perceber que estava perante algo diferente do habitual. Não era a celebridade revelando uma fragilidade para gerar empatia. Não era a performance do sofrimento que os programas televisivos por vezes constróem com cuidado para maximizar o impacto emocional. era simplesmente uma mulher de 81 anos, dizendo o que era verdade, sem pedir que ninguém ficasse com pena, sem deixar espaço para que a piedade substituísse o respeito.

Este equilíbrio entre revelar e não precisar da reação do outro é uma das coisas mais difíceis que existe dentro de uma declaração pública. E A Suzana conseguiu porque ao longo de décadas tinha desenvolvido uma relação com a própria imagem que não dependia da aprovação do espectador. Ela sabia quem era antes de ligar a câmara. A câmera apenas registava o livro que havia lançado nesse mesmo mês de maio de 2024, Senhora do meu destino, a autobiografia continha exatamente estes métodos e esta filosofia.

Uma mulher de 81 anos escrevendo sobre como se mantém viva e presente não como performance de otimismo, mas como um relato honesto de uma prática diária que funciona porque ela decidiu que vai funcionar. O título escolhido, o mesmo da novela que tinha sido o pico da carreira 20 anos antes, não era acidental, era uma afirmação: “A vida é o roteiro mais longo que qualquer atriz vai interpretar.

E a única personagem que importa é a real. Existe algo que a trajetória de Susana Vieira ilustra com uma clareza que poucos percursos conseguem. A relação entre presença e permanência. Há atrizes que são grandes porque os papéis que recebem são grandes. Há atrizes que são grandes porque fazem papéis medianos parecerem maiores do que são.

Susana pertence ao segundo grupo e isso é a distinção mais rara dentro da profissão. Ao longo de seis décadas de televisão, ela trabalhou com os melhores autores da dramaturgia brasileira: Agnaldo Silva, Manuel Carlos, Gilberto Braga, Benedito Rui Barbosa, e levou cada personagem a um nível que o texto sozinho não garantia. Mas o que a manteve relevante não foi apenas a habilidade técnica, foi a recusa de envelhecer dentro dos limites que a convenção determina para mulheres de determinada idade.

Foi a disposição de continuar sendo polêmica, de continuar gerando conversa, de continuar aparecendo em programas de entrevistas como um elemento imprevisível num formato que depende da previsibilidade para funcionar. Quando ela apareceu no especial de 60 anos da Globo em 2025, interpretando novamente a personagem branca de Por amor de 1997, quase 30 anos antes, não foi nostalgia.

Foi uma declaração de que aquele trabalho ainda estava vivo nela, que os personagens que uma atriz habita não ficam apenas no arquivo, mas permanecem disponíveis enquanto a atriz permanecer presente. 63 anos de carreira ativa, dezenas de novelas, prêmios que cobrem todas as décadas de trabalho. uma autobiografia que chegou ao público quando ela tinha 81 anos e que não era um balanço final, mas um relato de alguém que ainda tem o que dizer.

A leucemia linfocítica crônica não tem cura. Isso é um fato médico, mas a LLC, especialmente em pacientes que respondem bem ao monitoramento e que mantém a remissão, pode conviver com uma vida longa, ativa e completamente presente. A medicina não oferece garantia, nunca oferece, mas oferece gerenciamento.

E o gerenciamento que Susana adotou combina acompanhamento médico rigoroso com uma disciplina de vida que ela pratica com a mesma dedicação que dedicou a cada personagem ao longo de 60 anos. O Brasil ficou em silêncio quando ela disse aquilo no Fantástico, não o silêncio da tristeza, o silêncio de quem está processando algo que não esperava ouvir daquela forma, com aquela clareza, sem a moldura de proteção que as celebridades geralmente constróem ao redor de informações sobre saúde.

Susana não construiu moldura nenhuma disse. E então voltou a falar sobre o livro, sobre os exercícios, sobre o banho gelado, sobre a caminhada de uma hora. Voltou a ser Suzana Vieira, que é exatamente quem ela sempre foi. Há algo que fica depois de ouvir a história completa de Susana Vieira. Não a versão editada dos destaques de carreira, mas a versão inteira, com a infância diplomática e os idiomas aprendidos por necessidade, e o balé em Buenos Aires, e o nome da irmã adotado como identidade, e o filho nascido em 1964,

e os casamentos e as novelas, e as polêmicas, e o diagnóstico guardado por quase uma década, e depois revelado sem cerimônia numa entrevista num domingo à noite. O que fica é a imagem de uma mulher que nunca pediu permissão. Não para fazer o ensaio que o Brasil achou ousado demais. Não para namorar quem a sociedade achou jovem demais.

Não para revelar uma doença no próprio tempo, quando ela decidiu que era a hora. Não, para voltar à televisão com quase 82 anos, como se o calendário fosse um detalhe menor. E há algo mais específico, mais difícil de nomear, que essa trajetória deixa visível quando se olha para ela com a distância necessária.

É o que acontece quando uma pessoa vive com total fidelidade ao que é, sem nunca suavizar os ângulos para facilitar a digestão do público. Susana Vieira nunca foi uma figura fácil de catalogar. Não era a vilã, não era a mocinha, não era a coadjuvante sábia, não era a matriarca gentil, era sempre algo que transbordava qualquer categoria.

E essa insistência em transbordar, acumulada ao longo de 63 anos de carreira, é o que criou o tipo de presença que o público reconhece antes mesmo de ver o rosto na tela. A grandeza de Susana Vieira não está numa única performance, num único personagem, nem mesmo num único momento. Está na consistência de uma postura que atravessou mais de seis décadas sem se dobrar ao que o mundo esperava que ela fosse.

Uma bailarina que virou atriz, uma atriz que virou ícone, uma mulher que a doença não silenciou e que aos 84 ainda tem mais a dizer do que o mundo esperava que tivesse. O Brasil pode continuar a ouvir e provavelmente irá, porque quando Susana Vieira decide que ainda tem algo a dizer, o Brasil aprende rápido que o melhor a fazer é prestar atenção.

63 anos de carreira ativa, uma doença diagnosticada que recusou a deixar definir quem é. Uma autobiografia lançado aos 81 anos, sem o ar de encerramento que os lançamentos dessa natureza costumam ter, com o ar de alguém que ainda está no meio da história e que apenas achou que estava na hora de registar o que veio até aqui.

Susana Vieira nunca foi a atriz que o Brasil esperava. Foi a atriz que o O Brasil precisava sem saber que precisava. a que chegava e desarrumava o guião de forma tão convincente que o argumento melhorava, que convive com o que não tem cura, da mesma forma que viveu tudo o resto, em voz alta de frente, sem pedir que ninguém entenda, antes que ela mesma tenha compreendido.

É a Susana Vieira.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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