Assim foi a vida de Michael Jackson — o MEDO HORRÍVEL que o pai deixou nele – H
10 de fevereiro de 1993, um estúdio de televisão na Califórnia. Perante 90 milhões de pessoas no mundo inteiro, um homem de 34 anos está contando o que se passava dentro da casa onde cresceu. Esse homem tinha o rosto mais conhecido do planeta, era Miguel Jackson. E quem ele estava descrevendo não estava ali para responder.
Ele estava a falar do próprio pai Joe Jackson. E o que o filho disse nessa noite sobre o que o corpo dele fazia quando o pai entrava na sala é só o início desta história. Fica até ao final deste vídeo, porque o que vai descobrir aqui vai mudar para sempre a forma como vê Michael Jackson. Mas para perceber o que Michael estava dizendo naquele estúdio [música] em 93, é preciso recuar quase 30 anos a uma pequena casa de Gary indiana, no meio dos anos 60, onde um miúdo de 5 anos já estava a trabalhar.
Gary fica no norte do estado de Indiana, nos Estados Unidos. E nos anos 60 era uma cidade de siderurgia, cidade de turno, de fábrica e de casa pequena, com muita gente dentro dela. Foi aí que nasceu Michael Joseph Jackson no dia 29 de agosto de 1958. era um dos muitos filhos daquela casa e todos os irmãos que mais tarde formariam o grupo nasceram ali dentro.
É aqui que esta história começa a ficar diferente de todas as outras histórias de artista que já ouviu, porque o Michael Jackson não decidiu ser cantor. Ele não pediu para subir a um palco. Ele foi posto num por volta dos 5 anos pelo [música] próprio pai. 5 anos. guarda este número porque ele é a chave do vídeo inteiro.
[música] Na idade em que a maioria das crianças está a aprender a atar o sapato, já tinha horário de ensaio. Em julho de 1968, o grupo dos irmãos fez a audição paraa Mown, a maior editora de música negra dos Estados Unidos. Michael tinha 9 anos quando cantou para eles. Guarda o que veio logo a seguir a essa audição. Ninguém naquela casa tinha como imaginar.
Passaram. Em agosto do ano seguinte, a gravadora mudou a família inteira de Gary para Los Angeles. Uma criança de 10 anos atravessou a o país para trabalhar. Quem pagou aquela alteração foi a Mown e uma editora que tira [música] todo o mundo de um estado e põe noutro está protegendo um investimento. Deu certo.
Resultou tão bem que é difícil explicar hoje o tamanho daquilo. Os discos venderam, o grupo tornou-se um fenómeno e com o tempo aquele miúdo do Gary [música] tornou-se o artista mais famoso que o planeta já teve. Só que havia alguém organizando cada minuto daquilo, alguém que decidia a hora do ensaio e o que se cantava.
É sobre ele que Michael Jackson ia falar 25 anos depois perante 90 milhões de pessoas. Joe Jackson trabalhava numa siderurgia de Gary e tinha tocado guitarra num grupo que não deu em nada. Quando percebeu o que os próprios filhos conseguiam fazer, deixou a ideia de ser [música] músico e passou a ser outra coisa, o empresário deles.
O método de trabalho dele é descrito por várias pessoas que estavam naquela sala. ; [música] ; O Joe assistia aos ensaios com um cinto na mão. Esta descrição aparece nos relatos autobiográficos do próprio Michael. O pai ficava ali a olhar com o cinto na mão e qualquer erro de coreografia, qualquer nota fora do tom tinha consequência física imediata.
Alguns dos irmãos confirmaram depois que apanhavam quando crianças como forma de disciplina para um segundo. E imagina a cena, porque a gente lê isto rápido demais. Uma pequena sala numa cidade fabril, cinco crianças a ensaiar e um adulto na porta à espera que alguém erre. Miguel cresceu ali dentro e anos mais tarde definiu aquilo com três palavras que nunca mais saíram do vocabulário de quem estuda a vida dele. Uma infância roubada.
Essas duas palavras não são metáfora, têm agenda, morada e horário. [música] Entre 1966 e 68.º, antes de qualquer contrato com grande editora, o grupo dos irmãos correu o meio-oeste americano tocando como atração de abertura. abriram para a gente do tamanho [música] do Glad’s Night, dos OJs, de Sam and Dave, dieta Tiago.
Tocavam em auditórios [música] de pequena cidade, em bailes de liceu e num circuito de discotecas para público negro, que naquela época se chamava Chittling Circuit. E segundo os relatos desse período, [música] boa parte destas casas só abria as portas bem depois da meia noite, com público inteiro de gente grande. Guarda a idade dele nesses anos.
É o número que vai explicar tudo o que disse na televisão 25 anos depois. Miguel Jackson tinha entre 8 e 10 anos de idade quando isso acontecia. 8 anos de idade, de madrugada, aguardando a vez de entrar num palco onde não estava mais ninguém da idade dele. Depois veio Los Angeles, veio a Mown e a rotina não afrouchou. Em 69 e 70, Michael estava matriculado numa escola primária de Hollywood na sexta- série. Ia de manhã e à noite fazia um espetáculo.
A instrução real dele veio de professores particulares. Uma tutora chamada Rose Fine acompanhava os irmãos nas digressões para que aquelas crianças tivessem alguma escola enquanto trabalhavam. Repara no que esta frase quer dizer. A escola ia atrás do trabalho, nunca o contrário. Agora salta comigo 25 anos para a frente, porque é aí que esta história explode.
10 de fevereiro de 1993. Michael Jackson tinha 34 anos e concedeu uma entrevista a Opera Winfrey. 90 milhões de pessoas assistiram àquilo no mundo inteiro. Tenho um detalhe de data aqui que altera completamente o peso do que ele disse e que quase ninguém leva em conta hoje. Aquela entrevista aconteceu antes, antes de qualquer acusação contra Michael Jackson existir.

Ele não se estava a defender de nada, não estava em julgamento, não tinha processo nenhum nas costas, estava no ponto mais alto da sua vida, sem uma única mancha pública, e decidiu falar do pai: “Guarda isso, porque é o que separa aquela entrevista de tudo o que veio depois. Mas antes de eu te contar exatamente o que ele disse, precisa perceber o tamanho do que [música] aquele pai construiu, porque a máquina funcionou.
funcionou de uma forma que a indústria americana nunca tinha visto. 7 de outubro de 1969, a Mown lança o primeiro compacto do grupo. O nome da música era I want You Back. Em 31 de janeiro de 1970, ela chegou ao primeiro lugar. Os números daquele lançamento são difíceis de [música] acreditar. I want You Back vendeu 1 milhão de cópias em 9 dias.
Nove dias. E este foi só o primeiro só o primeiro. Vieram mais três atrás dele e nenhum falhou. Em 24 de fevereiro veio a segunda música ABC. Esta vendeu 2 milhões de exemplares em duas semanas. [música] Em maio surgiu The Love You Save. Logo atrás Al Be lá. Repara no que aconteceu [música] com estes quatro lançamentos, porque é um feito que quase ninguém repetiu [música] na história da música. americana.
As quatro primeiras músicas do grupo [música] chegaram todas ao primeiro lugar, umas atrás das outras, sem falhar nenhuma. Michael tinha 11 anos. 11 anos, quatro números, um seguidos, e um adulto a decidir a que horas o ensaio terminava. Tem um pormenor daquela chegada a pai a Los Angeles, que quase ninguém conhece no [música] Brasil e que diz muito sobre o que aquela criança era nessa altura.
Em 1eo de outubro de [música] 1969, Michael foi viver para casa de Diana Ross, nas colinas de Hollywood. Ele tinha 11 anos e não estava de visita. Aquilo fazia parte da sua preparação para a indústria, segundo os relatos daquela época. Pensa no desenho disto. Um menino de 11 anos tirado a Gary havia poucos meses instalado na casa de uma das maiores estrelas do catálogo, porque a gravadora achou que era o melhor arranjo possível para desenvolver o produto.
Diana Ross tratou aquele rapaz como filho e ficou ligada a ele para o resto da vida. E o que é que ela disse sobre isso? Numa entrevista [música] à revista Newsweek em 1970 explica porquê. Ela disse que ele a conquistou no primeiro instante em que o viu e disse que via muito de si mesma em criança dentro do Michael.
Diana Ross também tinha perdido a própria infância para a carreira. Ela reconheceu num rapaz de 11 anos a coisa que lhe tinha acontecido. O primeiro disco do grupo saiu a 12 de dezembro desse ano e chamava-se Diana Ross. Apresenta os Jackson 5. O nome dela na capa não era a favor, era uma garantia. Foi sobre o pai que Michael falou em 93.
perguntou pelo pai e por Michael Jackson respondeu em rede nacional perante 90 milhões de pessoas que tinham medo dele. Medo. Essa é a palavra que ele usou sobre o próprio [música] pai aos 34 anos de idade com toda a carreira construída e nada a ganhar com isso. E depois veio a frase: “Pra perguntou o que acontecia quando o pai o ia ver.
E o que que descreveu foi uma reação física do corpo dele. Não uma recordação, não uma queixa, uma coisa que o organismo fazia sozinho. Ele disse que ficava doente, que por vezes desmaiava e que começava a vomitar”. As palavras dele registadas nessa transmissão foram estas. Houve vezes em que ele me vinha ver e eu ficava doente.
Eu começava a regurgitar no auge absoluto da fama. Ele contou isto em rede nacional, que o corpo dele expulsava comida quando o pai entrava no ambiente. Isto não se finge e não se ensaia. É o que fica num corpo depois de anos de uma coisa. E Michael disse mais. [música] Disse que aquilo vinha dos ensaios e falou do cinto e da vara.
Pára um pouco, pensa em quem estava falando ali. 34 anos. A carreira inteira já construída, nada que ainda necessitasse provar. Sentado numa poltrona com a câmara ligada, respondendo devagar. podia ter terminado aquela conversa em qualquer momento e ninguém no mundo teria estranhado. [música] Ele podia ter desconversado, podia ter dito que o pai era rígido, que eram outros tempos que a disciplina fazia parte.
É o que quase todo o artista diz quando o assunto chega no pai. Michael Jackson escolheu a palavra medo, depois escolheu descrever o próprio [música] corpo a vomitar. Tem outra coisa que ele disse nessa mesma conversa e que passou quase despercebida na época, mas que é talvez a frase mais dura de todas.
Ele disse que não tinha tido infância nenhuma. Não uma infância difícil, não uma infância diferente da dos outros meninos de Gary. Nenhuma. Um homem de 34 anos, com quatro números, um antes de completar 12, com o disco mais vendido da história no currículo, olhando para trás e não encontrando ali dentro uma única coisa que se pareça com ser criança.
Junta as duas falas e aparece o desenho inteiro daquela infância, a coisa que lhe foi tirada e o nome do homem que estava na sala quando ela foi tirada. Repara que ele nunca utilizou a palavra vítima. Não pediu pena, não pediu que ninguém fizesse nada. Ele só contou a reação física e seguiu em frente. Agora, antes que tire qualquer conclusão, tem outra pessoa nesta história que também falou.
E o que ela disse é o contrário exato disso, porque Joe Jackson estava vivo, ouviu tudo aquilo e tinha uma versão própria, versão que ele defendeu em público sem recuar pelos 25 anos seguintes. Guarda essa versão do pai. Ela vem e vem inteira com as palavras exatas que ele utilizou. Só que ela precisa de uma coisa que aconteceu 14 anos antes daquela entrevista.
Uma decisão que Michael Jackson tomou e que a maior parte das pessoas que acompanhou a carreira dele nunca soube. É a decisão mais importante da sua vida e não teve nada a ver com música. 10 de Agosto de 1979 sai um disco chamado Off the Wall. Ele chegou ao terceiro lugar da tabela americana de discos.
Esteve 16 semanas em primeiro na tabela de música negra e passou quase 9 meses entre os 10 mais vendidos. No ano seguinte era o disco mais vendido dos Estados Unidos. Passou dos 20 milhões de cópias vendidas 19 dias depois desse lançamento. Em 29 de Agosto, Michael Jackson completou 21 anos. Junta estas duas datas na cabeça, porque é entre uma e outra que a vida dele se vira.
Até ali, quem cuidava do dinheiro de Fu e dos contratos dos seis irmãos [música] Jackson era uma pessoa só. O pai Joe Jackson tratava dos negócio de todos eles. Era ele quem falava com as editoras discográficas, quem assinava, quem decidia o que se aceitava e o que se recusava. Em 1980, com 21 anos recém- concluídos e o maior sucesso da vida dele nas costas, Michael decidiu montar a própria equipa para um segundo aqui, porque esta frase passa rápido demais e ela é o eixo de todo o vídeo.
O filho que dizia ter medo do pai tirou o pai do controlo da sua carreira e fez isso em silêncio, sem uma única declaração pública. Fê-lo contratando pessoas. O advogado que contratou nesse ano chamava-se John Branca, era novo, estava começando e passou a ocupar-se dos assuntos de Michael Jackson.
E há um pormenor, Satonico, desta contratação que é o vídeo inteiro dentro de um só parágrafo. A Branca [música] foi pessoalmente falar com Joe e com Katherine [música] Jackson. foi ter com os pais, sentou-se com os dois e explicou-lhes que, apesar de ser jovem, tinha a capacidade de representar aquele artista. Imagina o desenho daquela sala.
[música] O pai e a mãe de um lado, do outro um advogado de 20 e poucos anos, explicando por dali em diante seria ele e não mais o pai a cuidar do que o filho ganhava. E o filho não estava naquela sala. Guarda essa cena. É a primeira vez que alguma coisa saiu das mãos de Joe Jackson. Em Fevereiro de 1980, veio a época de prémios americana.
Off the Wall recebeu duas nomeações para o Gramy. Duas. Ganhou uma delas na categoria de melhor interpretação masculina de música negra. [música] Duas indicações para o disco mais vendido do ano nos Estados Unidos. Miguel [música] Jackson ficou magoado com aquilo e disse: “Porquê com todas as letras? As palavras dele foram [música] estas: Foi totalmente injusto que não tenha ganho o prémio de gravação do ano.
Isso nunca mais pode acontecer.” Repara na [música] segunda frase. Nunca mais pode acontecer. Esta frase é um plano. E ele cumpriu 29 de novembro de 1982. Sai o disco seguinte, [música] chama-se Thriller. Thriller é ainda hoje o disco mais vendido de toda la aja a história da música. Estimam-se 70 milhões de exemplares vendidos no [música] planeta.
Nenhum outro chegou perto disso, nem antes, nem depois. Ficou 37 semanas seguidas em [música] primeiro lugar na paragem americana de Fevereiro de 83 até Abril de 84. E no auge daquilo vendia 1 milhão de exemplares por semana no mundo. 1 milhão por semana. Todas as semanas. Miguel Jackson tinha 24 anos.
Repara na data desse disco. Ele tinha prometido exatamente isso, em voz alta. E ninguém levou a sério. Aquele menino do Gary tinha feito sozinho. Uma coisa que a indústria americana inteira não conseguiu repetir em mais de 40 anos de tentativa e veio o momento que fixou a imagem dele para sempre. 25 [música] de Março de 1983.
Michael grava uma atuação para um especial televisivo sobre os 25 anos da Mown, a mesma editora que tinha tirou a família dele ao Gary 14 anos antes. [música] No dia 16 de maio, aquele foi transmitido na televisão americana. Mais de 47 milhões de pessoas assistiram. Foi o programa mais visto de toda aquela semana.
[música] Ele cantou Billy Jean e a meio da música fez pela primeira vez diante de uma [música] plateia o passo que o mundo inteiro passou a chamar de Moonwalk, aquele em que a pessoa parece caminhar para fim à frente enquanto desliza para trás. Foram poucos os segundos. Estes poucos segundos são até hoje a imagem mais repetida da carreira dele e provavelmente a imagem mais repetida da história da música pop.
Faz a soma do que este rapaz tinha aos 24 ao 4 anos de idade. Um disco que nunca mais foi ultrapassado por ninguém. [música] O passo mais imitado do planeta, 47 milhões de pessoas numa só noite. E pela primeira vez na vida, o controlo do próprio dinheiro. Agora vem a conta. E ela chegou a um teatro cheio de gente.
O cinto tinha saído daquela sala de ensaios há muito tempo. O horário de ensaio? n.º 27 de janeiro de 1984, Michael Jackson está a gravar um comercial de refrigerantes num teatro de Los Angeles chamado Shine Auditorium. Perante uma plateia de gente de verdade. A gravação tinha efeitos de pirotecnia.
Alguma coisa saiu do tempo certo e o fogo pegou-lhe no cabelo. Michael Jackson ficou com queimaduras de segundo grau no couro cabeludo. Deixa que assentar. 25 anos de idade, o homem mais conhecido do mundo naquele momento, com a cabeça queimada dentro de um teatro lotado a gravar um anúncio de refrigerante. [música] E aqui entra uma data que quase ninguém coloca ao lado da outra.
Um mês depois daquele incêndio, em Fevereiro de 1984, aconteceu a entrega do Gramy. Lembra-se da frase dele 4 anos antes? Foi totalmente injusto [música] e que nunca mais poderá acontecer. Nessa noite, Thriller ganhou oito prémios Gramy. Oito numa cerimónia só, incluindo o de disco do ano. Era um recorde. Ninguém tinha ganho tantos de uma só vez.
Até então, 4 anos antes, tinha saído de uma cerimónia destas com um prémio no bolso e uma mágoa que fez questão de dizer em voz alta. Nessa noite de 84, subiu oito vezes e subiu com o couro cabeludo em recuperação de uma queimadura de segundo grau tomada 30 dias [música] antes. Repara no padrão porque vem lá de trás.
sempre teve alguém ou alguma coisa mandando aquele homem continuar. Aos 25 anos, Michael Jackson tinha provado tudo o que se pode provar em música. E depois fez uma coisa que mostra exatamente até que ponto aquele criança de Indiana tinha ido parar. 10 de agosto de 1985, Michael Jackson comprou uma editora musical chamada ATV por 47 milhões [música] e meio de dólares.
Dentro dessa compra estava um catálogo de quase 4.000 músicas [música] e dentro desse catálogo estavam praticamente todas as canções escritas por John Lennon e Paul McCartney. Quer dizer, Michael Jackson passou a ser dono das músicas dos Beatles. Um homem de 26 anos, nascido numa pequena casa de cidade de Siderurgia, [a música] tinha acabado de comprar o maior catálogo de canções do século para E imagina como é que esta notícia chegou dentro daquela família.
O menino que apanhava para acertar o passo assinava agora um cheque de 47 [música] milhões de dólares sem pedir licença a ninguém. O que aconteceu com a saúde dele a partir desse dia é uma das partes mais discutidas deste história inteira e é também a que mais se conta mal por aí. Eu vou chegar nisso e vou chegar com o que está documentado, não com [música] o que se comenta.
Enquanto tudo isto acontecia, Joe Jackson estava vivo, estava por perto e continuava a ser o pai de todos os eles. anos depois daquele incêndio, quando o filho sentou-se [música] diante de 90 milhões de pessoas e falou de medo, de cinto e de vomitar, este pai [música] respondeu e a sua resposta não foi um simples desmentido.
Novembro de 2003, passaram 10 anos desde aquela entrevista, um quarto de hotel nos Estados Unidos. Um jornalista britânico chamado Luis Teru está a gravar um documentário para a televisão inglesa e sentado à sua frente está Joe Jackson. O documentário foi para o ar a 16 de novembro desse ano. Aí, pela primeira vez, alguém perguntou ao pai na cara sobre o que o filho tinha dito na televisão americana.
A resposta dele tem 20 palavras e são muito piores do que um desmentido. Joe Jackson respondeu assim: “Eu chicoteei-o com uma vara e com um cinto. Eu nunca lhe bati. Bater é uma coisa que se faz com um pau. Lê comigo outra vez devagar, porque esta frase tem três andamentos e cada um deles faz uma coisa diferente. Eu chicoteei-o com uma vara e com um cinto. Isto é uma confirmação.
O cinto que o filho descreveu, o pai confirmou que existia. A vara também. Eu nunca bati-lhe. Isso é a negativa. Bater é uma coisa que se faz com um pau e que é uma definição para e olha o que aconteceu ali dentro daquela frase. Zé Jackson não disse que o filho estava mentindo. Não disse que aquilo nunca aconteceu.
Não disse que era invenção da imprensa. Não disse que não se lembrava. Confirmou o objeto e recusou a palavra. Foi por aí que se defendeu para o resto da vida, nunca discutindo o que fez, discutindo sempre como é que aquilo se chamava. Repara que o filho, de 10 anos antes, não tinha discutido nenhum nome. Tinha descrito o próprio corpo vomitar, [música] duas pessoas a falar da mesma sala de ensaio em Gary, Indiana.
Uma delas fala do que o corpo [música] dela fazia, a outra fala de vocabulário. Eu não te vou dizer qual dos dois tem razão, ninguém aqui estava naquela sala. E as duas versões estão registadas em vídeo, com data e com veículo. Cada pessoa que assiste tira a sua conclusão, mas tem uma coisa que se pode dizer com segurança porque está documentada.
Zé Jackson repetiu esta mesma defesa durante 15 anos em três continentes e não recuou uma vírgula em nenhuma delas. E a última vez que falou disso, o filho já estava morto há 4 anos. 2010. Joe Jackson dá uma entrevista à Opra Winfrey. Repara na coincidência que a vida montou sozinha, a mesma apresentadora, a mesma poltrona [música] de programa de televisão americano, 17 anos depois do filho.
Só que desta vez quem ali estava sentado era o pai. E o filho tinha falecido no ano anterior. O que ele disse foi isto: “Eu nunca bati nele, como a imprensa tentou dizer. Sobre a correia que usava nos filhos, acrescentou uma frase que é a chave de tudo o que este homem pensava. Ele disse que aquilo manteve os seus filhos fora da cadeia e manteve-os na linha fora da cadeia.
Essa é toda a lógica do Joe Jackson numa só frase. Para ele, a correia foi o que salvou aqueles meninos de Gary. E se aqueles meninos saíram de uma cidade de ciderúrgica e tornaram-se os artistas mais conhecidos do planeta, então no seu raciocínio, o método funcionou. Ele não estava a pedir desculpa, estava a apresentar o resultado.
Em 2013, numa entrevista a uma cadeia de notícias americana, foi mais longe do que em qualquer outro momento da vida. E o que ele disse foi isto. Fico contente por ter sido duro, porque vejam o que eu produzi. Eu produzi uns filhos que toda a gente no mundo inteiro amou. Deixa essa frase pousar antes de eu continuar.
Fico contente de ter sido duro. Tinha 84 anos quando disse isso. Michael tinha morrido 4 anos antes, aos 50. O pai continuava em 2013 defendendo o método perante uma câmara de televisão. E o filho, que tinha descrito aquele método em 1993, perante 90 milhões de pessoas, não estava mais aqui para responder. Na mesma entrevista, explicou qual era a preocupação central dele com aquelas crianças.
era que elas o escutassem e escutassem o que ele tinha para dizer, para que a vida delas resultasse, que elas o escutassem. Agora, junta as duas linhas desta história e olha o que se forma. De um lado, um filho que, sem ter nada a ganhar com aquilo, contou perante de 90 milhões de pessoas que o corpo dele adoecia na presença do próprio pai.
Do outro, um pai que passou 15 anos explicando [música] que aquilo tinha um nome mais leve e que os resultados provavam que ele tinha razão. Antes de você decidir de que lado fica, ouve o que a sua mulher contou sobre a casa por dentro. As duas coisas são verdade ao mesmo tempo. Os meninos saíram de Gary e um deles cresceu a dizer que vomitava de medo.
Agora repara numa coisa que só aparece quando se põe as três declarações em fila 2003, 2010. 15 anos de distância entre a primeira e a a última. E ao longo destes 15 anos, a posição de Joe Jackson não amoleceu em nenhum [música] ponto. Ela endureceu. Em 2003, estava a explicar uma diferença entre duas palavras. Em 2010, ele já estava a dizer que aquilo tinha salvado os filhos da cadeia.
E em 2013 estava contente. A ordem destas três frases importa e importa muito, porque entre a segunda e a terceira tem um enterro. Michael morreu em junho de 2009. A entrevista à OPRA foi depois, a da Rede [música] de Notícias, 4 anos depois. Quer dizer, as duas declarações mais firmes que Joe Jackson deu na vida sobre este assunto, deu com o filho já enterrado.
E há uma última coisa nessa história que quase ninguém repara e que eu acho que é a mais dura de [música] todas. Pai e filho concordavam num ponto. Nos dois relatos, o de 1993 [música] e o de 2013, existe uma sala de ensaio, existe um adulto cobrando e existe um cinto. A diferença inteira entre os dois [música] está no que aquilo produziu.
Para o pai, produziu artistas que o mundo inteiro amou. para o filho, produziu um corpo que passava mal quando ele ouvia os passos do pai [música] no corredor. Agora vem a pergunta que atravessa o resto desse vídeo e ela não é sobre quem tinha razão. A pergunta é: o que é que uma coisa dessas deixa dentro de uma pessoa ao longo de 30 anos? Porque Michael Jackson não parou em 1993.
Ele viveu mais 16 anos depois daquela entrevista. Tudo o que aconteceu com ele nesses 16 anos está documentado, [música] está em laudo, está em processo, está em depoimento sob juramento. Tem uma coisa que começou [música] gostear acontecer com o corpo dele muito antes de 2009. E quando você vira quanto [música] tempo aquilo já vinha e quem estava por perto quando aquilo acabou, o vídeo inteiro muda de forma. Guarda uma palavra, propofol.
Vou [música] explicar o que é e vou explicar quem foi condenado por causa dela. [música] Antes de eu te levar para 2009, tem uma pessoa que você precisa conhecer nessa história, porque ela é a única testemunha que esteve [música] dentro da casa, dentro do casamento, e que falou depois com todas as letras.
26 de maio de 1994. Michael Jackson tinha 35 anos. Naquele dia, num lugar afastado da República Dominicana, ele se casou. A cerimônia foi secreta. O mundo só ficou sabendo 11 semanas depois. E a mulher com quem ele se casou tinha um sobrenome que carregava a mesma coisa que o dele, Lisa Marie Presley, filha única de Elvis Presley para um instante.
[música] E olhaça o desenho disso, porque é quase impossível de acreditar. De um lado, o filho de um homem de ciderúrgica, de Gary, indiana, que virou o artista mais vendido do mundo. Do outro, a filha do homem que tinha sido o artista mais famoso do mundo antes dele. Duas pessoas criadas dentro da mesma máquina, cada uma na sua geração.
Lisa Marie tinha 26 anos, ele 35. Anos depois, quando ela finalmente falou daquele casamento em público, o que ela disse não foi o que a imprensa da época imaginava. Ela contou por se apaixonou e contou o dia exato em que aquilo acabou. As duas coisas são frases dela gravadas. 21 de outubro de 2010, Lisa Marie Presley senta diante de Opra Winfrey para falar dele.
Repara no que essa história insiste em montar. É o mesmo programa com a mesma entrevistadora das outras duas vezes. Michael sentou-o ali em 93. Joe Jackson sentou ali em 2010 e ela também. sobre o que a atraiu nele. As palavras dela foram estas: ele tinha uma coisa tão inebriante quando ele estava ligado, quando ele estava pronto para dividir [música] com você, para se entregar, para ser ele mesmo e deixar você entrar.
Completou com uma frase que diz mais do que qualquer análise: “Eu nunca me senti tão no alto na minha vida. Eu não estou mentindo quando digo isso. Guarda essa frase, porque a próxima é do mesmo dia, da mesma conversa e é o oposto dessa em peso sobre o que acabou com o casamento. Ela disse assim: “Houve um momento muito profundo no casamento em que ele teve que tomar uma decisão eram as drogas e os vampiros ou eu?” E ele me empurrou para longe.
Vampiros? Opra perguntou o que ela queria dizer com aquela palavra e sugeriu outra. Bajuladores, gente que vive em volta e tira proveito. Lisa Marie confirmou que era isso. Então pará e entende o que ela está descrevendo. Ela está dizendo que teve que competir, que houve um ponto dentro daquele casamento em que a mulher dele virou uma opção, entre outras, e que ela perdeu.

E ela deu a data exata em que largou. está no processo. 18 de janeiro de 1996, Lisa Marie Presley entra com o pedido de divórcio. O motivo alegado foi o de sempre nesses processos. Diferenças irreconciliáveis. O divórcio saiu em 20 de agosto daquele ano. Faz a conta comigo. Do casamento até o pedido de separação. 20 meses.
20 meses foi tudo o que durou o casamento entre o filho de Joe Jackson e a filha de Elvis Presley. Tem uma coisa que ela disse naquela entrevista que é para mim a frase mais importante desse vídeo inteiro, porque ela liga os dois homens da vida dela. Visa Marie explicou como funcionava o círculo em volta do Michael.
Ela disse que quem estivesse perto dele e não entrasse no programa dele, quem não fosse com o que ele queria podia ser descartado. Descartado foi a palavra que ela usou. Aí ela fez a ponte que ninguém no mundo estava em posição de fazer, a não ser ela. Ela disse que os dois, Michael e o próprio pai dela, tiveram o luxo de criar em volta deles qualquer realidade que quisessem criar e que as pessoas que não acompanhassem esta realidade viravam substituíveis.
Ela estava a falar de Michael Jackson e de Elvis Presley na mesma frase. Um deles foi o pai dela, o outro foi o marido. Ela viu a mesma coisa acontecer aos dois. Guarda isso. Vamos precisar desta frase no fim do vídeo, quando eu te contar como é que esta história termina. Agora preciso fechar uma coisa que ficou [música] aberta lá no início.
Lembra-se do cinto? Aquele cinto na mão do pai na sala de ensaio de Gary em meados dos anos 60. O objeto que o filho descreveu perante [música] de 90 milhões de pessoas e que o pai confirmou com todas as letras 10 anos depois. Michael Jackson [música] passou a ser pai e as datas de nascimento dos filhos dele fecham essa conta de um maneira que dói. 13 de fevereiro de 1997.
Nasce o seu primeiro filho. 3 de abril de 1998. Nasce a filha. 21 de Fevereiro de 2002. Nasce o terceiro. Agora põe as datas lado a lado, porque essa conta ninguém costuma fazer. Em 2003, [música] quando Joe Jackson se sentou naquele quarto de hotel e disse que tinha chicoteado o filho com uma vara [música] e com um cinto, Michael já tinha três crianças em casa.
O mais velho deles tinha 6 anos nesse ano. 6 anos. É mais ou menos a idade em que Michael Jackson já estava dentro daquela sala de ensaios. O menino que apanhava aos cinco tinha como aos 44. um filho da idade que tinha quando aquilo começou. E o avô daquela criança estava nesse mesmo ano na televisão britânica, explicando a diferença entre chicotear e bater três gerações da mesma família dentro do mesmo ano.
E a mesma conversa por resolver, só que Michael Jackson [música] não ia ver aquele filho crescer. Aqui preciso de te contar a coisa mais perturbadora desta história inteiro, porque ele sabia. 26 de junho de 2009. [música] Um dia depois da sua morte, Lisa Marie Presley escreveu um texto público sobre o ex-marido.
Nesse texto, ela contou uma conversa que os dois tinham tido anos antes, uma longa conversa sobre a vida em geral. Ela nem se lembrava bem como o assunto tinha chegado ali, mas achava que ele lhe estava a perguntar sobre as circunstâncias da morte do pai dela. [música] Foi nesta conversa que Michael Jackson disse a frase: “As palavras dele, segundo ela, foram estes: [música] “Tenho medo de acabar como ele do maneira que ele acabou”.
Estava falando de Elvis Presley, estava a falar com a filha de Elvis Presley. [música] Ela escreveu que tentou tirar aquilo da cabeça dele na hora e descreveu como ele reagiu. Ele apenas encolheu os ombros [música] e acenou com a cabeça como quem constata um facto, como se quisesse deixar claro que sabia o que sabia.
Lê de novo devagar. Um homem no auge da fama mundial dizendo com calma que tem medo de terminar como sogro que ele nunca conheceu e encolhendo os ombros quando alguém tenta convencê-lo do contrário. Ela escreveu isto um dia depois de ele morrer e escreveu mais uma coisa, que é a frase que não consigo tirar da cabeça desde que o li.
Ela disse que estava a ver pela televisão quase lance a lance, exatamente a mesma cena que ela tinha visto acontecer [música] no dia 16 de Agosto de 1977, acontecendo outra vez agora com o Miguel. 16 de agosto de 1977 é o dia em que Elvis [música] Presley morreu. Tinha 9 anos naquele dia e 32 anos depois ela estava a ver a mesma coisa na televisão com o outro homem, exatamente como tinha previsto para ela anos antes, encolhendo os ombros.
Faltavam 6 anos, a partir de 2003, para o dia em que aquele homem parou. Tudo o que aconteceu nesse dia está documentado. Tem um relatório do médico legista, tem processo, tem depoimento sob um júri americano. É onde vamos agora. E o que está [música] no relatório é pior do que o que se conta por aí. 24 de junho de 2009, um ginásio no centro de Los Angeles chamado Staple Center, Michael Jackson está a ensaiar.
Tinha 50 anos e estava a preparar uma série de espectáculos de regresso aos palcos numa casa de espetáculos de Londres. Os espectáculos começavam em julho. Guarda essa imagem porque ela fecha o vídeo todo. A última noite completa da vida daquele homem, passou a ensaiar, como aos 5, como aos 9, como aos 11.
Ensaiou até a véspera e no dia seguinte não acordou. 25 de junho de 2009, uma casa alugada no bairro de Homb Hills, em Los Angeles. Às 14:26, hora local, Michael Jackson foi declarado morto num hospital da cidade, 50 anos de idade. E é aqui que entra a palavra que te pedi para guardar. Propofol. O propofol é um anestésico de uso hospitalar.
é o tipo de substância que aplica-se em sala de cirurgia, com aparelho ligado à pessoa e com pessoas treinada, olhando para o monitor o tempo inteiro. Não é um medicamento para dormir, não é coisa que exista em casa de ninguém. 28 de agosto de 2009, o Instituto Médico Legal do Condado de Los Angeles divulga a conclusão: A morte foi classificada como homicídio e a causa foi esta: intoxicação aguda por propofol, combinada com dois calmantes da mesma família, o Lorazepan e o Midasolan.
O exame encontrou ainda outras substâncias no corpo dele. Agora vem a parte que só apareceu inteira no tribunal e que é pior do que o laudo. O médico particular de Michael Jackson chamava-se Conrad Murray. E o que ele contou à polícia dois dias depois da morte está registrado numa gravação que virou prova no processo.
Murray disse que vinha aplicando Propofall em Michael Jackson quase todas as noites. Não uma vez, não emergência, quase todas as noites durante cerca de dois meses. Um detetive declarou em juízo que o médico admitiu ter aplicado aquele anestésico [música] pelo menos seis noites por semana, ao longo de dois meses, dentro do quarto de dormir de uma casa alugada.
O motivo era insônia. Michael Jackson não conseguia dormir e o que ele recebia para dormir era um anestésico de sala de cirurgia, um especialista que depois no julgamento, descreveu aquele tratamento com uma frase que ficou: “Um experimento farmacêutico dentro de um quarto.” Murray contou também que estava tentando reduzir a dose porque tinha percebido que o paciente já dependia daquilo.
Deixa isso assentar. Por um segundo, o médico contratado para cuidar dele percebeu que ele tinha ficado dependente de um anestésico [música] hospitalar. E a resposta a essa descoberta foi diminuir a quantidade e continuar aplicando. Aí veio a noite. Segundo o que se apurou no processo, Murray deu a ele três calmantes diferentes ao longo de várias horas daquela madrugada e daquela manhã.
Michael Jackson continuou acordado. Foi então que o [música] médico cedeu e aplicou o anestésico. Depois disso, ele saiu do quarto para ir ao banheiro. Quando voltou, Michael Jackson não estava respirando. Tem um detalhe dessa manhã que o júri [música] ouviu e que pesou. E tem um horário nessa história que pesou mais no júri do [música] que qualquer laudo.
A ligação para a emergência foi feita às 12:21 e quem ligou foi um segurança da casa. 8 de fevereiro de 2010. Coned Murray [música] é denunciado por homicídio culposo, que é quando alguém causa a morte de outra pessoa sem ter a intenção de matar. 27 de setembro de 2011 começa o julgamento com [música] júri em Los Angeles.
7 de novembro de 2011, o júrio o considera culpado. 29 de novembro, a sentença 4 anos de prisão. Ele foi solto [música] em 28 de outubro de 2013, depois de cumprir cerca de 2 anos com redução por bom comportamento. para no tamanho disso, porque é raríssimo um médico condenado criminalmente por um júri popular, pela forma como tratou o próprio paciente.
Agora eu preciso ser muito honesto com você sobre uma coisa e vou ser. Eu não vou te dizer que aqueles ensaios de Gary levaram aquela madrugada de Homeby Hills. Ninguém consegue provar uma coisa dessas e quem te disser que consegue está te vendendo certeza. ; [música] ; O que dá para dizer é o que está documentado.
E o que está documentado é isto. As duas coisas aconteceram [música] na mesma vida. Um menino que ensaiava sob ameaça aos 5 anos e um homem de 50 que precisava de anestesia geral para conseguir fechar os olhos. Entre uma coisa e outra, 45 anos de trabalho sem parar. O que cada pessoa vai fazer com essas duas informações é assunto de cada um.
Eu só coloco as duas na mesa antes de eu ir para o fim. Tem uma cena de 2009 que eu preciso te contar e ela acontece dentro do mesmo prédio de onde a gente partiu. 7 de julho de 2009, 12 dias depois da morte. O velório público de Michael Jackson foi realizado no Staple Center em Los Angeles, o mesmo ginásio, o mesmo lugar onde ele tinha ensaiado na noite de 24 de junho.
13 dias separam o último ensaio daquele homem naquele palco do dia em que o caixão dele foi posto no mesmo endereço. No fim daquela cerimônia, aconteceu uma coisa que ninguém tinha combinado. A filha dele pegou o microfone. Ela tinha 11 anos. 11 anos. A mesma idade que o pai dela tinha quando morava na casa da Diana Ross e emendava quatro músicas em primeiro lugar diante de uma plateia lotada e de uma transmissão que o mundo inteiro estava assistindo.
Aquela menina falou em público pela primeira vez na vida. O que ela disse foi isto. Eu só quero dizer que desde que eu nasci, o papai foi o melhor pai que você poderia imaginar. Foi só isso, uma frase. Agora põe as duas cenas lado a lado, com 46 anos de distância entre elas e olha o que essa família fez com o tempo. Numa sala pequena de gary, indiana, um menino de 5 anos ensaiando enquanto um adulto olhava com um cinto na mão.
No ginásio de Los Angeles, uma menina de 11 anos com um microfone na mão dizendo em voz alta: “O que achava do pai dela? As duas crianças estão a falar do pai delas e as duas frases são o oposto uma da outra. Eu não concluo nada por si. Só quero que repare que os dois disseram cada um à sua maneira a verdade que tinham.
Agora falta a última pessoa dessa história. E é sobre ela que eu quero fazer-te [música] uma pergunta antes de acabar. Porque enquanto tudo isso acontecia, enquanto o relatório saía, enquanto o júri se reunia e enquanto o médico entrava na cadeia, Joe Jackson continuava vivo. Ele enterrou o filho em 2009, deu a entrevista à Opra em 2010.
Disse que estava contente por ter sido duro em 2000. [música] e 13 seguiu. Em junho de 2018, apareceu uma mensagem publicada na conta dele numa rede social, uma mensagem sobre pores do sol que o mundo inteiro repetiu como se fossem as últimas palavras de Joe Jackson. Só que há um problema com esta mensagem e quem apontou o problema foi uma pessoa da própria família.
Guarda isso porque eu vou-te dizer no fim. E guarda também a pergunta que atravessa este vídeo desde o início. Um homem que passou a vida a dizer ter medo do próprio pai faleceu aos 50 anos. O pai não. E o que aconteceu às datas dos dois é o motivo pelo qual quis fazer este vídeo. A pergunta que lá prometi atrás é esta: o que é que Joe Jackson ganhou com tudo aquilo? A resposta está num documento e o documento é público.
Em 2009, quando Michael morreu, encontraram um testamento que ele tinha assinado em 2002, 7 anos antes. Nesse testamento, Michael Jackson dividiu tudo o que tinha entre três destinos, [música] a mãe, Ctherine, os três filhos, citados um a um pelo nome instituições de solidariedade. Agora, presta atenção num nome que não está escrito nesse documento e presta atenção ao que falta ali dentro.
O pai dele não aparece em nenhuma linha, em nenhuma cláusula. O nome de Joe Jackson simplesmente não consta. Não foi esquecimento de um dia ruim. Aquele testamento ficou de pé durante 7 anos e o Michael teve 7 anos para mudar de ideia. Ele não mudou. O homem que reuniu o grupo, que conduziu os ensaios, que assinou os primeiros contratos e que dizia ter produzido filhos que o mundo inteiro amou, não recebeu nada e nem foi citado. Tem mais.
Quando decidiram com quem as três crianças iam viver, a justiça americana nomeou a avó Catarina. Quer dizer, [música] os netos foram criados dentro da mesma casa, só que a guarda ficou com ela. Agora vou dar-te as duas datas que me fizeram querer contar esta história. [música] Michael Jackson morreu a 25 de junho de 2009, tinha 50 anos.
Joe Jackson morreu no dia 27 de junho de 2018. tinha 89. Lê comigo devagar. 25 [música] de junho. 27 de junho. Dois dias de diferença no calendário e 9 anos de diferença na conta. O pai enterrou o filho e viveu mais 9 anos depois disso e morreu quase na mesma semana do ano. O filho que contou a 90 milhões de pessoas que sentia-se mal quando o pai entrava na sala faleceu aos 50.
O pai que confirmou o cinto e recusou a palavra morreu aos 89 na cama. Mais 39 anos de vida do que o próprio filho. Agora falta fechar uma última coisa consigo. Três dias antes de morrer, saiu um texto na conta de Joe Jackson numa rede social, uma frase sobre os pores do sol, [música] dizendo que já tinha visto mais pores do sol do que o os que ainda lhe ram.
O mundo inteiro repetiu aquele texto como [música] despedida dele, saiu nos jornais, saiu na televisão e ainda hoje se cita que como despedida. Só que Paris Jackson, a neta, a filha do Michael, veio a público nesse mesmo dia dizer que aquilo não tinha sido escrito por ele. As palavras dela foram diretas.
Ela disse que [música] estava com o avô e que não havia forma de ele ter publicado aquilo. Assim, esta frase bonita, guardada por todos, como se fossem as últimas palavras de Joe Jackson, é contestada por quem estava no quarto. O que ele disse verdadeiramente, com a sua própria voz diante de uma câmara, está gravado e continua disponível.
Fico contente de ter sido duro. Do mesmo modo que continua disponível a gravação de 10 de Fevereiro de 1993. Aquela fita não desapareceu, está ali inteira [música] e qualquer pessoa pode assistir hoje. Um homem de 34 anos no ponto mais alto de tudo, contando o que o corpo dele fazia quando ouvia os passos do pai.
90 milhões de pessoas viram que ao vivo e o pai, que assistiu, como todos os mundo, respondeu 10 anos depois num quarto de hotel e continuou a responder até 2013. Duas gravações, duas versões e nenhuma delas foi retirada do ar. Agora quero deixar-te com o pedaço [música] desta história que quase nunca é contado.
Porque no meio de tudo isto, no meio do dinheiro, dos discos, dos processos e das versões, tem três pessoas que só ficaram a olhar. O menino de 12 anos, a menina de 11 e o mais novo de sete. Foi essa a idade dos filhos de Michael Jackson no dia em que o pai deles não voltou. Eles não escolheram nada disso. Não escolheram o sobrenome, não escolheram a fama e não escolheram enterrar o pai diante de uma câmera ligada para o planeta.
Uma dessas crianças pegou um microfone naquele dia aos 11 anos, e disse a coisa mais simples que existe, que o pai dela era o melhor pai [música] que alguém poderia imaginar. Quem ficou com aquelas três crianças foi a avó. E a idade dela naquele ano diz tudo sobre o que sobrou dessa família. Katherine Jackson tinha 79 anos em 2009.
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Uma mulher de 79 anos assumiu a criação de um menino de 12, de uma menina de 11 e de um garoto de sete num ano, em que o sobrenome da família estava em todos os noticiários do planeta. [música] Ela é a mesma pessoa que estava naquela casa de Gary nos anos 60. A mesma que estava na sala quando o advogado foi explicar quem ia cuidar do dinheiro do filho.
A mesma que enterrou o filho em 2009 e o marido em 2018. Ela viu tudo do começo ao fim e criou a geração seguinte. Depois de tudo, foi a mesma família, a mesma casa, a mesma avó e três gerações contadas a mesma [música] pergunta que ninguém dessa família respondeu até hoje. Até onde vai o que um pai deixa dentro de um filho? Se você chegou até aqui comigo, deixa a sua opinião aqui embaixo, porque eu leio todas.
Você acha que Michael Jackson perdoou o pai? E se essa história mexeu com você, se inscreve aqui no canal, porque na semana que vem tem outra dessas. Outra família que passou 30 anos dizendo em voz alta que estava tudo bem. M.