Entrevista com Flávio Venturini | The Noite (16/09/26) – H
O nosso convidado, é cantor, compositor, teclista, pianista, um dos maiores hatmakers do Brasil, Diguinho. ; Flávio Venturini. [aplausos] [música] [música] ; [música] ; Como está? [aplausos] Que bom ordem, Flávio. ; Prazer estar aqui contigo. ; O prazer é meu. São quantos anos de carreira já? ; 50. ; 50 anos de carreira.
Muita história. [aplausos] ; 50 anos de carreira. sempre quis ser músico, ; queria ser jogador de futebol. ; Pois, mas não é o primeiro, pois não? Outro dia entrevistei o Diogo Nogueira, o Diogo Nogueira queria ser jogador de futebol. Aí foi músico. Tem uns dois ou três também músico, queria ser jogador de futebol.
Mas por que é que não foi jogador de futebol? Você tentou? ; Acho que não tinha físico para ser jogador. Quando experimentei era a barra era pesada. ; Pois, mas tentou, tentou. ; Tentei. Joguei no América Mineiro assim, na Vársia, não é? É ; uma equipa, equipa semelhante ao América Mineiro, chamava-se Cruzeiro do Sul. ; Mas, mas, mas vem cá, já tinhas músico na família para te influenciar? ; Não, não, exatamente não.
Tinha tocado um violão assim, deu-me um violão, António? ; Mas não músico mesmo assim, não. ; E da onde que vem? De futebol para músico, compositor, pianista, como é que foi a viragem de chave? Pois, como eu nasci em 49, os anos 50 foram muito românticos. ; Via muito rádio e só passava música linda. ; É verdade, ; certo? E isso foi-me inspirando, não é? E na verdade só depois, mais tarde, depois dos Beatles, aí realmente senti uma coisa que diferente ali.
Era muita emoção aquela música, não é? ; Ele diz-me: “Opa, eu quero fazer isto aí. ; Quero fazer isso também. Mas você toca eh o piano é o seu instrumento nativo? É o principal, é o nativo. ; Não, foi acordeão. O primeiro instrumento, não é? A minha mãe deu-me um acordeão e depois o meu pai tinha um restaurante que tinha música ao vivo.
; Hum. ; E aí comecei a tocar de dia para lá de tarde começava a tocar. E aí ele acabou por me dar esse piano. ; Com quantos anos começou a mexer com o piano? ; Uns 15 anos assim. ; Então, tarde. ; Tarde ; tarde porque quem quem é mestre no piano mesmo igual começas criancinha. Nunca estudei.
Depois entrei para uma para uma escola em Belo Horizonte, Fundação de de Educação Artística, que era a escola que promovia os festivais de inverno, que eram incríveis na época, os festivais de inverno de Ouro Preto. E aquilo foi muita emoção, muita conheci muita gente, muito músico, muito mestre da música, realmente ali foi acendendo uma chama, não é? Aliás, esta cultura de festivais talvez tenha sido o que mais revelou músicos para o Brasil de todos os géneros, certo? Tem tinha festival de rock, festival de música pop, música popular ; e de repente já não há festival de

nada. Como que uma coisa, como que um que um um meio que revela tanto talento deixa de existir de uma hora para a outra? Não sei. Acho, acho que acho que foram os festivais de música hoje são diferentes, certo? São festivais de grandes bandas, certo? Grandes festivais. Na época eram festivais de compositores.
; Exatamente. ; Portanto, aquilo estimulava quem estava começando. O gajo ganhava um festival. Eu participei no do último FIC, Festival Internacional da Canção, defendendo a música de um amigo meu, Cirlan. Participámos eu e o Beto Guedes. Eu falo que a minha estreia no Rio de Janeiro foi no Maracananzinho para 25.
000 pessoas. Que beleza. ; Foi o público deste festival e foi foi lindo, foi incrível. ; Estás em digressão, estás num trabalho especial? ; É, sendo uma digressão Flávio Venturin 50 anos. No ano passado gravei o disco Minha História ; com vários artistas incríveis. ; Mas só composição sua? ; Menos uma que gravei com o Dejavão, música dele.
; Conde Javan, música dele. ; Falta um pedaço. ; Aliás, há aí, vejam só. ; Que nem a [canto] lua minguando, que nem o meu nos teus [música][canto] braços. ; [música] [música] ; de [música] [música] ; [música] [aplausos] ; Venturini, és um dos artistas mais regravados do Brasil. Também houve muita, muito artista internacional te gravou.
Não muitos, mas uns que eu considero da maior importância para mim. Eh, Pedro O Gaber gravou uma música minha com Milton, não é? É uma composição minha do Milton chamada Qualquer Coisa Via com paraíso. Foi foi um presente assim do Milton para mim. Milton sempre foi um padrinho, não é? ; É.
E também os Pet Metin também gravaram nascente. ; Nascente ; é uma música clássica na minha carreira. ; Já agora, vamos uma palinha de nascente. A gente volta para falar desta música, ; OK? ; [música] [música] ; Lareia [música] manhã. Não, o sol [música] vai esconder a clar estrela [música] ardente, [música] pérola do céu,
refletindo [música] os teus olhos. [música] ; [aplausos] ; Venturini, qual é a inspiração? Essa é uma música clássica da desses 50 anos de carreira. ; Pois, esta música foi foi lançada primeiro. Beto Guedes gravou no Disco Página do Relâmpago Elétrico e tem ; Quantas línguas já foram gravadas esta música? ; Quantas vezes? Em que línguas que foi gravado em em ; sueco, inglês.
; Sueco, inglês, ; sueco, inglês e chinês. ; Como é que é em chinês? Você sabe? ; Uma cantora de Hong Kong. Eu não sei cantar em chinês. [risos] ; Bid Xiaomi. ; Que bom. Mas ouve a sua música noutras línguas? Deve ser uma sensação giro, né? Não, quando se sabe, não é, que a gravação em sueco é lindíssima, da Lisa Nilson, com uma cantora famosa na na Suécia, certo? E ; recebe até hoje royalty, vem, vem dinheiro.
Você que saber isso de Hong Kong é difícil, certo? [risos] Mas é curioso como é que é quando se tem uma música em Hong Kong, outra na Suécia que deve tocar até hoje, recebe cheque em casa? Não, no direito de autor vem uma parte que é internacional, mas não tem muito especificado. ; Ah, vem o, vem o vem o fatia do bolo internacional aí.
; Internacional. ; Que doideira, pá. Deve ser demais. Qual é que se recorda até hoje qual foi a sensação quando terminou essa música? Que é que estava a pensar para escrever ela? Por que razão poderia ter composto qualquer coisa e você escolheu esta música? Por quê? ; Pois, foi um momento interessante.
Esse festival em que participei, Festival Internacional da Canção, um momento muito giro assim na minha carreira. cara bem rapazote, bem caipirão assim, certo? Mineirão. ; É ; e ir ao Rio e conhecer aquele monte de artistas na Globo, aquele monte de artistas naquele festival. Conheci os mutantes nesse festival.
Eh, Rogério do Pra, aquele super maestro da Tropicalia, o a pessoal do Ceará, aqueles artistas do Ceará, Herbito Pascoal, Berto Gismonte, foi demais para a minha cabeça aquilo, não é? Quando voltei, fiz essa música e nesse mesmo, nessa mesma viagem, eu gravei o disco do ténis com a Lô, não é? Lobor, no disco clássico do Lobor, eu participei no dismação.
; Aliás, a a Rita ali gostava muito do do do seu trabalho, não ; é? A história com a Rita foi interessante porque sempre fui mega fã dos mutantes, não é? O texto, inclusive, que a minha primeira banda, fizemos um espetáculo histórico no Teatro Municipal de São Paulo, quatro dias lotados, terços e mutantes.
Mas quando comecei no terço, houve um destaque muito grande aqui em São Paulo. Eu apareci como teclista e com uma linguagem de rock progressivo, que eram poucas as bandas As brasileiras na época tinham essa linguagem. E depois a Rita convidou-me para ir entrar no tut frut. Então ia para casa da Rita, ficávamos a tocar violão. Isto com uma jaguatirica ao lado.
; Hum. ; Sorava assim ; com com quem? Com ; uma jaguatirica era um animal de estimação dela na altura. ; Estás maluco, cara. [risos] ; E depois fica com tiririca. Que susto. Muito agradável. Não, não era tiririca [risos] não. ; Com a Florentina de Jesus. ; Ah, ; passámos umas tardes muito giras tocando.
Eu acabei por declinar o convite porque o texto era a minha primeira banda, onde eu cantava as minhas composições, mas fiquei bastante balançado com com o convite. ; Pois, espanhola é o seu maior hit. ; É, é mais popular. ; É o mais popular de tocou. ; Mais popular, muito tocado em barzinho. Eh, foi gravado, foi de uma novela, não é? Foi dar uma novela Que Rei Sou eu, gravada por Cleiton e Cledir, queridos do Sul.
E foi muito gravado assim o 14 B só a gravar o último disco que eu fiz esta música antes dos 14 B e é uma parceria clássica na minha carreira com Guarabira querido. Sai Guarabira que são os meus padrinhos também, queridos. ; Alguma vez te encheu o saco de tocar espanhola? ; Houve uma altura eu disse: “Vou parar de tocar espanhola”.
; Já não aguentavas tocar espanhola. merda. Mas não adiantou. O público pedia sempre e cantava. E depois falei, a as pessoas têm que entender que o público quer ouvir êxitos, certo? Isto hoje, hoje, hoje já percebi isso. ; Você, já amou uma espanhola? Da onde que vem a inspiração para si falar te amo espanhola com tanta propriedade? ; Esta história na verdade eu fiz esta esta música numa viagem de comboio fiz para uma rapariga mesmo que se chamava Lolange.
; Era espanhola? não era espanhola, mas o Guarabira fez ali uma história cambolesca que o Guarabira conta que ele estava bêbado em São Paulo num bar, lembrando uma espanhola que tinha gostado e estava um frio danado em São Paulo e ele passou na casa quando eu vivia com o pessoal do grupo terço e para se aquecer que ele não estava conseguindo chegar a casa.
E nesse meio tempo fizemos a música e no outro dia liguei-lhe dizendo que tinha ficado ótima a música e ele não se lembrava-se da letra. Mas você hoje não tem problema em tocar espanhola, sabe? ; Nenhuma. Eu gosto. É, ; eu gosto muito desta música. ; Quem não gosta é a Carla Zambelli. Ela fica se tocar. [risos] ; Pois, eu sou espera aí. História.
; Carlos Zambell não parece o Ronald McDonalde. Capeta. Mas ele ele tinha esquecido a letra e a partir daí vocês refizeram ou ele lembrou que ; como é que é? Como é que fez? Você esqueceu-se da a letra espanhola? Vocês tiveram de relembrar ou ref? ; Não, eu ele escreveu a letra na hora para mim, não é? Pediu o papel e o lápis, escreveu e foi-se embora para casa.
Ele morava ali uns 12 quarterões ; e conseguiu chegar a casa. ; Mas acho que ele estava bastante ; mamado, ; mamado. ; Mamado. ; No outro dia liguei a dizer que a letra tinha ficado ótima, ele não se lembrava-me de ter passado na minha casa. E assim surgiu um dos rits mais populares. Você aguenta tocarava espanhola para nós? Claro, [música] ; por tantas vezes [música] eu andei a mentir [música] Só por não poder [música] ver-te chorando.
[música] Amo-te espanhola. [canto] Amo-te, [música] espanhola, se for chorar, amo-te. [música] Amo-te, espanhola. Amo-te, [música] espanhola. Para quê chorar amo-te. [música] [aplausos] Engraçado. Esta música é do tempo da novela Que Rei Sou eu, mas para mim era mais antiga que Rei Sou eu. ; Sim.
A primeira gravação foi de Sauabira. Acho que é bem antes. Bem antes. ; Ah, então não estou errado porque a minha memória que Rei Só é uma novela do final dos anos 80, ; praticar quase anos 90 ; na minha memória, na minha primeira infância ali ; na antes da primeira metade dos anos 80, já me lembro desta música antes do ; gravei no Medusco Nascente de 82.
Ah, então estou certo. É porque a relacionam que rei sou eu, mas lembro-me dela antes do que rei sou eu. A minha memória é boa. Eh, quando uma coisa que me faz falta é que não só de festivais, não é, mas que as novelas da Globo era um bocado o que o Hollywood era para banda sonora, as novelas eram para para o mercado musical.
Aqui muito ; as novelas movimentavam muitos ritos musicais. O traj a rigor mesmo eu eh eh eh emplacou grandes hits com novela da Globo, ; certo? O o produto audiovisual da Globo, ela trazia eh o o que havia de melhor também na composição. E hoje é outra coisa que se perdeu, não é? Quantos que novela as pessoas perderam esse esse mercado, certo? Da das novelas, era um sucesso imediato, não é? ; Ele fomentava muito muita composição original e boa.
Quantos rits de novela já emplacou? ; Olha, há vários. Eu cheguei a contar entre os entre os meus sucessos e os do 14 B, quase 20, mas não me vou lembrar de qualis. Aliás, 14 B é invenção sua o nome ; foi o 14 B. Eh, foi uma invenção minha e do vermelho. Nós fundamos o 14 B, que era um sonho que vinha dos Beatles, não é, em 69 e 79, ; ano em que nasci, ; 79.
E foi o seguinte, o Milton fez-me chamou, o Milton gravou nascente, eh, a música que lançou o Clube da Esquina 2, que foi inclusive música de trabalho. ; E para quem não se lembra, desculpem interromper, para quem não conhece, penso importante deixar o registo. O que que é o Clube da Esquina? ; O Clube da Esquina é uma reunião de grandes compositores mineiros, capitaneados pelo nosso padrinho Milton Nascimento, não é, este grande artista maravilhoso.
E o Milton deu realmente deu uma mãozinha a toda a gente, né? ; Isso é giro. Guedes, Lobor, Toninho Horta, Tavinho Mouro, Túo Mourão. E eu acabei por conhecer o Milton mais tarde e e depois quando veio o clube da esquina dois, ele disse: “Vou gravar nascente”. Gravou e foi a música que lançou o disco.
Então eu fiz digressões, eu e o Beto Guerra excursionamos cantando na digressão Clube da Esquina 2. Depois a editora discográfica me viu a cantar, chamou-me para gravar um disco a solo e eu tinha aquele sonho da banda que veio dos mitos. ; Queria a banda? Falei, quero fazer uma banda, mais tarde posso gravar um disco a solo.
Acabei por gravar, né? Acabei gravando dois disco a solo nesse nesse período ainda no 14 bis. E foi que aconteceu da de eu fundar o 14 B em 79. ; Curioso. Geralmente quem está na banda quer uma carreira a solo. Você você foi convidado para uma carreira a solo e quis uma banda. ; Uma banda. Era um sonho muito giro, certo? E foi o Cos B.
Foi uma coisa muito gira na minha vida. Noites com sol. Sim. ; Faz uma palinha que nós fala sobre a música. Tocar primeiro. ; Toca primeiro. Esta, esta foi foi tema de duas novelas da Globo. [música] Ouvi dizer que são milagres, [música][canto] noites [música] com sol, mas hoje sei, [música] não são [canto] miragem. Noites com [música] sol, consigo [música] compreender o que diz a rosa, ao rostinó.
; [música] ; Peço um amor que me conceda. [música] Noites com sol, [música] onde só há o bre, ó. [aplausos] O que é que ajuda a apanhar mais mulheres? É o música rock ou romântica? ; A música romântica. ; É a música romântica. [risos] ; Por isso é que o pessoal do trage não apanha ninguém. ; É verdade. ; Por isso é música romântica.
; Mas eu queria dizer o Sérgio Heines disse que vai fazer uma uma apresentação do do disco, não é, com o terço e tal. Você também vai estar lá ou é ele? ; Não, participei em alguns momentos de que o Sérgio anda a fazer uns revivas do terço, não é? Aham. ; Mas de vez em quando tocamos o terço também com com a formação original, ; sem o Batério Moreno que faleceu, infelizmente.
; Aham. ; Adoro tocar com te para mim é uma é um parque de diversões, ; certo? Tocar órgão, minimug, caixa les, violão. O texto é uma coisa que me fez muito feliz. Eu eu eu digo que eu sou um cara de sorte, porque comecei a minha carreira, apesar de toda esta esta ligação com o clube da esquina, com a música mineira, Iniciei a minha carreira aqui em São Paulo com texto em 74 e o texto logo fez sucesso e e mas não foi um sucesso muito de media, porque na altura para nós fazer televisão era uma coisa difícil,
certo? passava na rádio e mas eu fui muito feliz naquele período do texto. Então quando tenho um revival do texto que eu posso participar, estou mesmo dentro. ; Tu todos os dias mexes com música? Não há um dia que tem algum dia que acorda e vai dormir sem tocar piano, sem cantar? Ah, há muito. ; Nos anos 90 tenho uma cómoda, aquelas antigas, ; é ; cheio de cassete, filtra de rolo, depois passou para MD, todos formas, porque eu sempre, por impressição, eu sempre gravei tudo o que compus e foram incríveis os anos 90 para mim de
composição. Hoje com este mundo de telemóvel, de internet, a vida super mais rápida. Não tenho esse tempo, não consigo dedicar-me à música dessa forma. Mas continuam a compor. Tem, estou a gravar um novo disco que chama Paisagens Sonoras e que vai ter sei lá 10, 12 músicas inéditas. ; Ó, ah, já fizeste tema para a novela do SBT que era vende-se um vel de noiva.
Cadê coração? [música] Segue cego mesmo na fadiga, pois o amor deixa pegadas [música] na praia da vida. [canto] Oro [música] coração segue cego [música] mesmo na fadiga [música] [aplausos] de Santo Amaro. Vou pedir uma palinha, a gente fala da música. Vai lá. Olho [música] [música] para o céu,
tantas [música] estrelas dizendo da imensidão do universo nosso. A força [música] deste amor nos invadiu. [música] Com ela veio a paz toda a beleza de sentir que para sempre uma estrela [música] vai dizer: “Simplesmente amo você”. ; [aplausos] ; Por exemplo, esta música foi tema de novela. A novela acabou. ; A novela acabou.

; E então? E aí? Eh, eh, a novela pediu ao música ou a novela ligou e procurou-te? Faz uma música para a novela. Ou ou o pessoal da novela disse: “Aquela tua música é boa para a novela”. ; Bem, a história é a seguinte. Eu fiz esta música. Eu eu sou mineiro, mas verão gosto de ir paraa Bahia. ; E eu estava numa casa que tenho lá e a passar um verão muito agradável.
Um amigo meu disse: “Ó, pá, há uma festa na Casa do Caetano de Dona Canô, a festa de Santo Amaro, dia de Reis, não é? Foi no dia 6 de janeiro de 2000. Depois fomos lá e foi maravilhoso mesmo. Estava aquele céu maravilhoso de verão. E eu fui ouvindo esta música de barro. É, é uma zona de bar e eu estava particularmente em love naquele momento, não é, assim, em love uma uma relação que tava meio lá, meio cá, então tava tava meio sofrido.
Acho que por isso que eu fiz essa letra, porque acabei por fazer a letra no regresso daquela festa, não é, que foi maravilhosa. E depois na semana seguinte fui a casa do Caetano, mostrei-lhe, ele cantou comigo, foi super generoso, tive a maior, inclusive disse pá, eu a mostrar uma letra para o Caetano Veloso, mas ele gostou, acabamos por gravar e foi para novela.
Soube que o diretor ouviu a a minha gravação, já tinha sido editada em disco e depois colocou na novela. Ah, agora a gente percebe muita muita da sua das suas músicas, das suas composições. Ela ela fala do céu, fala do do sol, do céu, dos astros, eh, ; imensidão, não é? ; Imensidão do espaço. Vai muito por aí. ; Pois, mas eu digo sempre a brincar, que a a culpa não é só minha, certo? Porque ; eu acho que também tive a sorte de trabalhar com grandes poetas, não é? como foi Márcio Borges, que foi um dos fundadores do Clube da Esquina, não é,
O irmão do L Borges, Ronaldo Bastos, que é um génio da poesia também, Murilo Antunes, que é o meu parceiro mais frequente, um poeta lá de do norte de Minas e Fernando Brantes também, só há uma música com Fernando Brantes, chama Trator. E esta estética vem muito do dos mineiros, não é, assim, da destes poetas também, porque claro que às vezes eu falo sobre o que fiz aquela música, mas às vezes no início, faziam o que eles pensavam, não é? E depois eu Comecei a interferir, comecei até a fazer letra como fiz de Santo Amaro.
Portanto, acho que o mineiro é romântico. ; Ó Flávio, eu estava aqui a ver o teu piano de lado, parece uma nave especial e ele tem um tablet no meio para vocês ficarem vendo YouTube. [risos] ; É um piano moderno meu da Yamarra. Aí ó, piano da Yamar. Estou aqui. É incrível assim. ; Ó lá, ó.
Tem tem uma frase ; última tecnologia, certo? E eu gosto muito da eletrónica e o tablet é para eu me lembrar de certas letras. [risos] ; Ajuda no espetáculo. Eu sei as letras, mas se se eu não tiver isto aqui, eu às vezes eu erro. ; Fala, Rogério. ; Falando de foi assim como ver o mar pela primeira vez.
O que é uma coisa, não é? Mineiro realmente não demora. [risos] O mineiro demora a ver o mar, certo? Ô, ô, ô, Venturini, todo azul do mar, já que estamos a falar do mar, vou pedir essa palinha. ; Pois, vamos por este caminho do Ronaldo Basso. ; Foi assim [música] como ver o mar. A primeira vez que os meus olhos [música] se viram no seu olhar.
[música] Não tive a intenção [canto] de [música] me apaixonar. Era [música] distração e já era [música] momento de se gostar. ; [música] ; Quando dei por mim, [música] nem tentei fugir do visgo que me prendeu dentro [música] do seu olhar. Quando eu [música] mergulhei no aço do mar, sabia que [a música] era amor e vinha para ficar ; [música]
[aplausos] [aplausos] ; Já não há esse, já não há música romântica, mas não é nem só no Brasil, tá? No o mercado da música romântica era um género à parte, não é, no mundo inteiro. E já não tenho, né? ; Hoje é mesmo mais difícil, não é? E e a poesia também, estás a falar de de olhar no o eh no olho da pessoa, encontrar o É como vê o mar a primeira vez.
Hoje perdemos um pouco essas nuances. A a música direto é sentita na sentita na vai, vai, senta na vai. Já, já vai para ir [risos] direto. ; Isto é romance. Isto é um pouco de romântico. ; Já é para ir, velho. Não, tipo, ; não deixa de ser um pouco romântico, certo? na letra e no tom. Já éa a gritar na sua orelha, tipo assim, é o azul do mano, o seu olhar hoje é vai sentita na vai, vai. Virou um bagulho.
[risos] Por que é que perdemos o romantismo, a poesia? As pessoas ficaram mais selvagem, não ; é? O mundo ficou mais agitado, certo? E mais violento, não é? ; Ficou mais selvagem. Ô, Linda juventude é uma homenagem ao ao meu tonascimento, certo? É um grande sucesso dos 14 bis letra de Márcio Borges que depois mais tarde ele revelou que esta letra ele fez em homenagem ao milto nascimento.
; Joia marromanda. Você chamava Humild nascimento de de Bituca. ; Bituca ; é o G Bituca. Conhece o Bituca, [música] Igor? Conhece o Bituca? ; Conheço. Eu fui ao último concerto do meu nascimento. Foi [música] ; Flávio Venturini. Beleza, um bouro [música] mesmo fabricando mel. Guardo o teu tesouro [música] joia castanha. Ra nossa cor.
[música] A nossa linda juventude, página de um bom livro. [música] Canta que te quero, cazor. Claro como [música] sol raiou. Claro, como só raio. [música] Maravilha, [música] juventude, pobre de mim, [música] pobre de nós. Brilha por [música] nós vidas bonitas da esquina. [aplausos] Escreveste a música pro Renato Russo ou foi o Renato Russo que viu a música e pediu? Eu conheci o Renato, eh, nós estava a gravar o o sétimo disco do 14
Bis, que foi o último gravado em estúdio antes da minha saída. Eu saí em 88, assim, e depois o Eleban, eu tinha acabado de entrar na gravadora e uma hora assim me apresentaram, o Renato, até foi muito simpático, disse: “Epá, adoro o grupo terço, Adoro Criaturas à Noite”. Foi isso que falou.
E depois eu gostava, naquela altura tínhamos tempo, né? Ia pro estúdio, ficava três meses a gravar um disco e gostava de chegar cedo e ficar mostrando, tocando umas ideias assim. Um dia eu estava ali, cheguei mais cedo, eu Fiquei a tocar, entrou o Renato na sala, disse: “Eh pá, posso ficar aqui? Não sei o quê”.
E eu estava a tocar uma coisa inédita. Depois começou a escrever uma coisa, ele disse-me: “Tive aqui uma ideia”. e mostrou isso. Isto está num quadro na minha casa hoje, a primeira letra que escreveu desta música chamada Mais uma vez e 14 gravou, mas depois foi feito um disco póstum logo a seguir, infelizmente o Renaldo deixou-nos e depois a música foi para uma novela também e fez foi uma das músicas mais tocadas no Brasil nesse ano.
; Tem o o na sua casa, ; manuscrito dele ; tem aí? Onde está? Ah, isso aí é um quadro em sua casa. É ; com a letra dele ; mais uma vez. Que giro. E ele se que é aquilo que ele rasurou não estava bom. ; Houve coisas que ele cortou, não é? ; Está certo. ; Bem o processo da de composição, não é? ; Posso pedir então mais uma vez? ; Vamos lá.
; [música] ; Mas é claro que o sol vai voltar amanhã [música] mais uma vez. [música] Eu sei, escuridão já vi pior. Doide [música] é gente são. Espera que o sol já vem. [música] Há pessoas [música] que estão do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá. Há pessoas que [a música] magoa os outros, há pessoas que não sabem amar.
Há gente a enganar a [música] gente. Veja só a vida como está. Mas [música] eu sei que um dia nós aprende. Se quiser alguém em quem confia, confie em si mesmo. Quem acredita sempre [música] alcança. Sempre alcança. sempre [a música] alcança. [música] [aplausos] Ô, ô, Venterin, hoje a tua digressão, quanto tempo dura o seu espetáculo hoje? ; Quase 2 horas, porque na verdade o meu espectáculo tem 20 multas, 20, 21.
É que eu costumo contar histórias das músicas um bocadinho, não é? Mas é um espectáculo muito giro porque tem uma projeção para cada música. tentámos criar uns vídeos inspiradores assim, aquilo dá um visual viajante assim e uma banda mineira maravilhosa. Eu estou ano passado uma banda muito boa também do Rio de Janeiro, de amigos do Rio de Janeiro.
Este ano voltei às Minas, uma banda mineira que está a viajar comigo e é sempre uma uma curtição, mas se no geral acaba por dar 2 horas de ; percorre o país inteiro. ; País inteiro. Eu já toquei em todos os estados do Brasil, não é? E fora fora do Brasil, nove países. E mas não tem qualquer ilusão a fazer uma carreira internacional.
Mas é saboroso quando vai e toca fora. No Japão, por exemplo, tinha uma fila de 100 pessoas com os meus discos a dizer: “Ah, tem 20 anos que te espero”. Você não espera que isso aconteça, não é? ; Porreiro. ; Disco de vinil, certo? E mas é bom. E mas tocar pelo Brasil é uma delícia porque aquele público sempre te acompanhou, desfrutou de ti e ; vamos falar de viagem mais longa.
; Eu queria falar agora isto, tem uma voz muito grave, mas as suas composições vai bem para cima, meio quase falcete ali, não é? Porquê isso? ; Pois, eu acho que essa influência do O Falcete veio, sei lá, do John Anderson, do Milton, Bert Guedes também canta assim, Crossb Sis Nash também tinha aqueles vocais, não é? Aham.
Acho que eu acabei por sair para esse lado e e realmente eu hoje em dia até que algumas músicas tenho cantado mais no grave, gravado no mais no grave, mas gosto do falcete, e fical ; o 14 bits era absurdo, certo? Era tudo muito agudo. Hoje em dia nós ; não sei se baixam o tom hoje, mas só baixei o tom de uma música até hoje que foi princesa.
Eu ainda canto no mesmo tom que gravei. ; Porreiro. ; Ó, ó, Flávio, já me disseram que já teve experiência mística com a Iaska? Mas a ; o que que é uma experiência mística? Tiveste visão, revelação, o que aconteceu? ; Não, aconteceu o seguinte, o Márcio Borges, ele foi já durante uma época muito ligado ao da que até hoje ele ainda é, mas de outra, mas de uma forma mais leve.
E na numa altura eu estava aqui em São Paulo, um o pessoal estava no 14 B, daí um pessoal foi num num concerto do do 14 B e falou: “Nós usamos muito as suas músicas nas sessões, quer participar?” Depois diz: “Fui para lá, fui para aqui, para a casa de um gajo”. Foi incrível, foi uma viagem incrível.
estava a gravar um meu disco, primeiro disco a solo. Eu lembro-me que coloquei uma música instrumental que chama Jardim das Delícias e foi uma viagem maravilhosa, assim, incrível. Houve também desconfortos, não é, que faz parte da coisa de de dessa experiência mística do Daime. E depois mais tarde fiz um concerto em Rio Branco, no Acre.
E depois quando eu cheguei ao hotel tinha um recado do cara. Eu estava naquela sessão que tu tava em São Paulo. Ora aqui é união, lá foi união do vegetal e aqui é o Santo Daime. A gente tá a convidar. E eu fui e depois foi uma coisa mais forte, mas foi incrível, foi porque eu realmente tive visões assim, vi a minha mãe que já está, já tinha falecido, vi naves, vi coisas incríveis e tive um grande desconforto durante um momento e aquilo foi passando.
Eu estava com o meu amigo Cláudio Núcho que foi do do Boca Livre, certo? Lembro-me de um momento que a gente comunicava telepaticamente durante a sessão e a sensação física é maravilhosa depois como se eu tivesse realmente se curado. Pelo menos aqui eu senti. Eu sei que há gente que passa mal, não é? E mas é uma limpeza.
É uma limpeza. Nunca mais tomei. Já tive milhões de convites. Mas não abro, não fecho a porta para que eu ainda possa ter essa experiência porque foi muito boa para mim. Eu me Lembro-me que um dia no Rio, porque eu vivia no Rio na altura, depois de de ter esta sessão, desceu um menino assim com letra e música.
Eu estava a conduzir na lagoa e não consegui guardar. Na altura a gente não tinha essa possibilidade de gravar no telemóvel, não é? E mas eu tive esta experiência foi muito boa. Eu acredito é um desconforto e mental ou um desconforto, sei lá, vontade de vomitar, ; tipo uma bad trip destas, não é? no caso de tomar ácido, que já tomei ácido também.
E eu acho que as experiências todas foram positivas e eu nunca, a a minha experiência com a droga sempre foi muito assim, muito ao de leve assim e eu achei positivas porque foi uma coisa muito controlada. Eu sei que é uma coisa muito criticada, eh eh condenada mesmo, não é? ; Era era muito diferente, não é? Mas eu eu acho que era diferente e e acho que houve tem tem um lado super positivo no sentido de expansão do cérebro.
; Mas sou curioso dizer que vi uma nave. Viu os ficheiros de OVN da da Casa Branca que lançaram? Alguma nave que já viu é parecida com aqueles? ; Já vi duas naves no O papo é super místico, certo? E vi duas naves durante uma viagem uma ilha chamada Good Hawk há no Pará. Fui passar uma semana santa com os amigos.
E quando o barco ancorou na na ilha, era ilha de algudo lugar lindo que tem no Pará. ; Alguém gritou, era de noite, uma viagem à noite para chegar à ilha. E aí a gente olhou no horizonte duas naves verdes assim, ele pareciam ser duas naves verdes. Eu não estou sab todo mundo, não foste só tu, mais gente viu.
; Seas 40 pessoas naquele bairro, todo mundo viu, não é? E depois soube que a região tinha muito caso, tinha muitos casos de avistamentos, não é? e tive outras experiências, mas esta aqui considero irrefutável, certo? ; Estou doido para ver isso aí. Mais perto do ET que eu vi foi o Diguinho, mas [risos] conta.
Ó Flávio, quem quiser ver a agenda, o Flávio está comemorando 50 anos de carreira numa turnê. A tua agenda está no teu perfil do Instagram, não é isso? ; Sim. Flávia Venturina, @flenturinoficial. ; Muito bem, quero agradecer-lhe pela visita. A casa é sempre tua, está bem? Obrigado. Um prazer enorme estar aqui com [aplausos] você.
; Nós, ó, o Flávio. Vamos encerrar o dia de noite com um musical final do Flávio. Não é isso? Pode agradecer a plateia, Dieguinho enquanto se prepara. ; Muito obrigado a todos pela presença. Valeu. Obrigado você [aplausos] de casa também. E ele já está pronto e canta para ti. Flávio Venturini. [aplausos] ; [música] [música] ; Porque se chamava mocho, também se chamava [música] estrada, viagem de vendaval.
; [música] ; Nem [canto] se lembra se olhou para trás ao primeiro passo. Ao aço a [música] [música] Porque se chamavam homens, também se chamavam sonhos. [música] E os sonhos não envelhecem. ; [música] ; No meio de tantos gases lacrimogéneos [música] ficam calos, calosidades, calosidades. [música] [música] [canto] ; [música][canto] ; E lá se [música] vai mais um dia.
[música] E [música] basta contar com passo e basta contar consigo que a chama não tem [música] pavio de tudo se faz canção [música] e o coração na curva de um rio um rio um rio rio rio rio [música] rio rio tiri ; [música] [canto] [música] ; ir [música] lá se vai mais um dia. [música] [canto] E o rio lhe asfalta em gente entorna [música]
pelas ladeiras entope o meio [canto] fio. [música] Esquina é mais de 1 milhão. Quero ver [canto] então a gente, gente, gente, gente, gente, gente. [música] [canto] [música] [música] Mais um. Um dia. [canto] [música] Oh, e [música]
lá se vai mais [canto] um dia. ; [música] [aplausos]