LEMBRA DO DIDI? FEZ MUITO SUCESSO COM OS TRAPALHÕES, QUASE PERDEU TUDO E HOJE VIVE ASSIM… – H

Os trapalhões marcaram geração e geração do povo brasileiro. Didi, Dedé, Msum, Zacarias. Estes gajos vivem para sempre no coração [música] do Brasil. O programa tornou-se tão grande, mas tão grande, que na estreia da Globo fez 71 pontos de Ibope. 71.º Hoje, se um programa faz 20, a estação comemora. E foi tão longe que entrou para o livro dos Recordes como o humorístico mais duradouro [música] do mundo.

E no meio deles, no centro de tudo, existia o Didi. [música] Ele era o dono da brincadeira, o dono da produtora, o dono do nome. Era o tipo de bigodinho que fazia cara de parvo e enganava toda a gente. Aquele que apanhava, tropeçava, dava-se mal e, no fim, virava sempre o jogo. O Brasil se via ali porque o Didi era o pobre esperto que dava a volta.

E é esta a história que este país conta para si próprio desde sempre. Aquilo ali era um herói, não havia discussão. Só que há uma frase que diz assim: “Ou gajo morre como herói ou vive tempo suficiente para se verar vilão.” E o O Didi viveu. Viveu bastante para ser acusado de ter desaparecido [música] enquanto Zacarias estava a morrer para ver o humor que fez o Brasil ri ser chamado de racista para ser processado dentro de casa pela [música] própria filha e para ver a sua mansão cair na mira da justiça. E aí vêm as perguntas

que toda a gente faz. Ele está rico ou avariou? [música] Está doente ou está firme? Por que é que ele desapareceu da Globo depois de 44 anos? E o que é que este homem anda fazendo hoje aos [música] 91? A gente preparou este vídeo precisamente para mergulhar na vida deste [música] homem e contar-te toda a verdade sobre ele.

Sem passar um pano, sem esconder nada. Senta-se no sofá, pega no teu lanchinho e vem comigo lá no [música] início de tudo numa casa em Sobral, no interior do Ceará, em 1935. Sobral, 1935, uma cidade de interior no Ceará, onde a rua era de terra batida, o transporte era carroça e a notícia do mundo chegava pelo rádio.

Quando chegava, é aí que nasce Antônio Renato Aragão, um de sete irmãos. E eis que chega a primeira surpresa dessa história. O Didi não veio da miséria. O pai, o Paulo, era escritor, [música] poeta. A mãe de Norá era professora casa de gente pobre? Não, casa de gente simples, mas com um livro na estante e conversa à mesa. Os dois incentivavam um menino a inventar uma coisa, a fazer graça, a contar histórias.

E olha que curioso, o tipo que se tornou símbolo do palhaço popular brasileiro cresceu ouvir poesia dentro de casa, só que ter um livro na estante pagava uma conta. Então o rapaz cresce e faz o que todo o jovem de família decente fazia naquele Brasil dos anos 50. Arranja um emprego seguro e vai estudar.

Entra no Banco do Nordeste, bancário, [música] fato, gravata, carimbo, fila. À tarde, o banco, de manhã a faculdade de direito. Pensa nesta rotina. O sujeito acordando cedo, indo para a aula, saindo da aula diretamente para o expediente, regressando a casa à noite, morto de [música] cansaço, sem tempo para nada.

É a rotina de milhões de brasileiros até hoje. E em 1961, ele [música] consegue, forma-se advogado pela Universidade Federal do Ceará. Diploma na mão, emprego público garantido, a vida ganha da forma que a família queria. E nunca advogou nenhum [música] dia, nenhum processo, nenhuma audiência, nada. Mas antes disso, houve um dia que quase acabou com [música] esta história antes dela começar. 5 de setembro de 1958.

Ele ainda era estudante. Entra num avião, um Curtis [música] C46, aqueles bichos velhos que voam no Brasil naquela época. [música] E o avião cai. cai na zona do serrotão e ele sai vivo. Pensa no que é. O homem que ia fazer rir o Brasil inteiro durante seis décadas, quase morre aos 23 anos num acidente de aviação no interior do Nordeste antes de ninguém no país saber quem ele era.

Se aquele avião cai um pouco diferente, não tem trapalhões, não tem criança esperança, [a música] não tem obsit. Ele sobrevive e volta para o banco, volta para o direito, volta para a vida normal. Só que a graça não o deixava em paz, [música] porque desde o quartel, quando serviu no exército, foi o palhaço da turma, [música] o tipo que imitava o oficial, que fazia toda a mesa rir, que se tornava a atração do batalhão.

E as referências dele eram grandes, [música] Chaplin e Oscarito. Ele não queria só fazer graça, ele estudava a graça. E depois, no início dos anos 60, sai um anúncio de um concurso na TV Ceará. estavam à procura de um realizador, [música] um tipo que fizesse tudo, realizar, escrever, produzir. Nessa época a televisão brasileira era isso, um punhado de gente a fazer de tudo, com quase nada.

O bancário inscreve-se e ganha. Ele vai para o ar num programa chamado Vídeo Alegre e cria uma personagem, um sujeito mala, esperto, atrapalhado, que se dava mal e virava o jogo. Faltava um nome. E o nome que ele inventou é uma das coisas mais brasileiras que já existiram. De Mocó, filho risalestol, Novalgino mufumbo.

Repara, somrisal, Novalgina colesterol. O tipo montou o nome da personagem com o que tinha na prateleira da farmácia, aquela sopa de remédio que qualquer brasileiro daquela época conhecia [a música] de cor porque passava na rádio o dia inteiro. Não era piada de intelectual, era piada de [música] pessoas.

E é exatamente por isso que colou. O Didi tinha nascido, só que ele era ainda um sucesso televisivo de Fortaleza, uma pequena emissora [música] num Brasil que só olhava para o Rio e para São Paulo. Para virar o que virou, este homem ia ter que descer ao Rio de Janeiro [música] e uns anos depois ia ter de se sentar na frente do homem mais poderoso da televisão brasileira e entregar-lhe na mão uma [música] lista de exigências de três páginas.

71 pontos de Ibope. Guarda esse número porque vamos voltar nele. Mas antes, o caminho até ali. Renato desce para o Rio em 64 e cai na TV Tupi. [música] Depois é Celsor, onde nasce a primeira versão do grupo, os Adoráveis Trapalhões. Depois Record. O sujeito andou emissora atrás de emissora apanhando, testando, aprendendo.

E é na Tupi. Em [música] 73. que a peça final se encaixa. Ele fixa o nome Os trapalhões [música] e monta o quarteto que o Brasil ia decorar, só que houve resistência. Quando apareceu o Zacarias, o Dedé não gostou. Disse que o cara tinha cara de gerente de um banco. Mudou de ideia no dia em que viu o Zacarias caracterizado, peruca, dente pintado, aquela voz esganiçada.

Aí não houve mais discussão e o ruído que este grupo fazia na Tupi era tão grande que chamou a atenção de quem mandava de verdade. O Bonnie, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o homem que construiu [música] a Globo, que decidia o que o Brasil ia assistir. Quando o Boni chamava, o artista corria. E o Renato, cearense e ex-bancário, chegou lá com medo.

Medo de perder a liberdade que tinha na Tupi, medo de se tornar um boneco de uma grande emissora. Portanto, ele fez uma coisa que ninguém fazia. Sentou-se e escreveu uma lista de exigências, três páginas. Quem seria o diretor? Quem escreveria? Que horário ele queria no ar? Tudo. Entregou na mão do homem mais poderoso da televisão brasileira e ficou à espera.

E o Bonnie aceitou tudo sem discutir uma linha. Pensa no tamanho da confiança que este homem tinha em si mesmo. 13 de março de 1977, domingo, das 8 às 10 [música] da noite, mesmo à Porta do Fantástico, o horário mais valioso da televisão brasileira. A Tupi, que tinha perdido o grupo, tentou revidar.

Colocou no mesmo horário [música] um melhores momentos dos trapalhões com o material antigo que era deles. Deu 2,3 ​​pontos. A Globo, com os trapalhões a sério deu 71. 71 contra 2,5 [música] não foi vitória, foi atropelamento. E o programa ficou no ar até 1995, quase 20 anos de domingo. Uma família inteira parada em frente da televisão de tubo, o pai no sofá, a criança no chão.

E em 97 o grupo entra no Livro dos Recordes, O Guinness, como o programa humorístico de maior duração da televisão. Do mundo, não do Brasil. do mundo. Mas espera porque a televisão nem era o seu maior negócio. O maior o negócio dele era o cinema. E aqui vem o número que quase ninguém acredita [música] quando ouve.

Ao todo, calcula-se que os filmes dos trapalhões venderam entre 130 milhões de bilhetes. 120 milhões de pessoas a pagar para ver. É como se hoje mais de metade do Brasil [música] inteiro tivesse comprado o bilhete. 32 filmes do grupo passaram de 1 milhão de espectadores cada, 32. [música] E agora presta atenção a esta, porque esta aqui é de mandar no grupo da família.

Dos 30 filmes brasileiros mais vistos da [música] história, 14 são dos trapalhões, quase metade, um só grupo. Não é metade dos filmes de comédia, é metade da lista dos maiores filmes brasileiros de todos os tempos. A lista inteiro com [música] tudo o que o cinema nacional já produziu. O trapalhão nas minas do rei Salomão, 77, perto de 5,8 milhões de pessoas.

O salte em bancos trapalhões, 81 5,2 milhões. E esse ainda entrou na lista dos 100 maiores filmes brasileiros, escolhida pela crítica com banda sonora do Chico Boarque. [música] O Cinderelo Trapalhão, 79, mais de 5 milhões, era uma sessão de matiné lotada, [música] fila no passeio, criança sentada no corredor e o dono da produtora era ele, Renato Aragão, produções artísticas.

[música] Só que houve uma coisa que ele construiu que era maior que a bilheteira. 28 de dezembro de [música] 1986. Dentro do especial 20 anos [música] do grupo, entra no ar uma coisa nova, o Criança Esperança. 9:30 de programa ao vivo. 9:30 recolheu 118 milhões de cruzados e tornou-se [música] a maior campanha de solidariedade da televisão brasileira que existe até hoje, 40 anos depois.

Em 91, a ONU faz dele o primeiro embaixador da UNICEF no Brasil. O primeiro. Antes dele, ninguém. E foi nesse mesmo ano que aconteceu a imagem que ficou. Nos 25 anos dos trapalhões, o homem subiu no Cristo Redentor. Subiu de verdade lá em cima, no braço [música] da estátua, e beijou a mão do Cristo com o Rio de Janeiro inteiro debaixo dele, um bancário do Sobral que se tornou palhaço, que se tornou o maior fenómeno de bilheteira [música] da história deste país e que agora estava lá em cima, no ponto mais alto do Brasil. Não dava para subir

mais. E depois para e pensa se ele fazia esse tamanho de dinheiro para o Brasil inteiro, quanto é que sobrava para ele? Ele é milionário. Eu vi no outro dia e ele está com R 180 milhões de reais no banco, fora o que [música] ele tem. Quem disse que não foi jornalista, não foi advogado, não foi inimigo.

Foi o Dedé Santana, o amigo de 60 anos num podcast em 2023 da forma mais casual do mundo, como quem comenta o resultado do jogo. E aqui preciso de ser honesto consigo, este número nunca foi comprovado por documento nenhum. [música] Não tem declaração pública, não tem balanço, não não tem nada.

é a palavra do Dedé, mas é a palavra de quem se senta à sua mesa. E desde [a música] desse dia, 180 milhões tornou-se o número que o Brasil inteiro repete quando fala do Didi. Só que dá para perceber de onde vinha este dinheiro. E depois a conta começa a fazer sentido. Comecemos pela Globo. Segundo o jornalista Maurício Steiser, [música] que acompanha bastidor de televisão há décadas, o salário do Renato chegava perto de R$ 1 milhãoais por mês quando ele estava no ar.

E presta atenção nessa, cerca de 600.000 por mês quando não estava no ar. Leu bem? R$ 600.000 por mês para não fazer programa nenhum. Isto é o que um brasileiro que ganha 3.000 por mês demora quase 17 anos para juntar, trabalhando [música] todos os mês sem gastar um tostão. E ele recebia isso para ficar em casa.

Mas o salário era apenas uma parte, talvez nem a maior, porque o Renato nunca foi só o artista, ele [música] era o dono, o Renato Aragão. Produções artísticas era dele, os filmes, os discos, as revistinhas em banda desenhada, o licenciamento, cada boneco do Didi, cada álbum de cromos, cada t-shirt, cada repetição tinha o nome dele em cima.

Não era contratado do sucesso, foi sócio do sucesso e teve [música] mais. Chegou a montar um complexo de estúdios que em 2005 foi vendido à Record [música] e tornou-se o Heck9, um dos maiores centros de gravação do país. O gajo vendeu um pedaço de televisão brasileira, literalmente. Agora o que se pode ver com olho é a casa.

Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio, 3.000 m² de área construída 3.000. Um bom apartamento, de classe média tem 90, 100 m. Cabem 30 lá dentro, [música] dois pisos, piscina, salão de festas, adega, biblioteca, [música] um bosque com pomar. O gajo plantava manga, goiaba, banana no próprio quintal e aparecia nas redes a colher fruta de chinelo, igual a qualquer homem do interior.

Tem [música] um campo de ténis, tem um campo polidesportivo, tem um campo de futebol, campo de futebol dentro de casa e tem eliponto. Para que entenda, não é que ele tinha um sítio bonito [música] para viver, é que ele tinha um lugar onde dava para aterrar helicóptero, [música] jogar uma pelada e depois colher uma manga no fundo do quintal.

O menino que estudava direito de manhã e batia cartão no banco à tarde [música] tinha construído aquilo com quê? Com piada, com trambolhão, com cara de parvo. E aí, olhando para aquela casa, para aquele salário, para esses 180 milhões, você chega a uma conclusão óbvia. Esse homem nunca mais vai passar apertos na vida. Guarda essa frase.

Guarda essa casa na cabeça com o [música] El Ponto e o campo de futebol. Porque daqui a pouco vou dizer-lhe o que a prefeitura do Rio pediu à justiça para fazer com ela. No mesmo ano, o filme Os Salting Bancos Trapalhões rumo a Hollywood chegou ao cinema. O original [música] de 81 tinha levado 5,2 milhões de pessoas.

Este aqui foi um fracasso comercial. Nesse ano, [música] nenhum filme brasileiro passou de 2 milhões de espectadores. O rei da bilheteira brasileira tinha deixado de vender bilhete e o corpo também foi cobrando. Em março de 2014, [música] aos 79 anos, enfartou logo após a festa de 15 anos da filha mais nova. Angioplastia à pressa.

Em dezembro de [música] 2022, aos 87 anos, um ataque isquémico transitório, um mini A VC. Internamento, três dias alta. [música] Ele foi regressando das duas, mas o tempo estava a bater à porta. E aí chega o dia que dá nome a este vídeo, 30 de junho [música] de 2020. A história que toda a gente conta é que o Didi abandonou a Globo, [música] que cansou, juntou as coisas e foi-se embora por vontade própria.

Não foi isso que aconteceu. [música] O que aconteceu foi que a Globo não renovou-lhe o contrato depois de 44 anos de casa. E não foi uma luta, não foi castigo, [a música] foi coisa pior, de certo modo, foi folha de cálculo. A emissora tava a acabar com os contratos fixos de longa duração e no mesmo período cortou o Agnaldo Silva, a Vera Fischer, o José de Abreu, o Miguel Falabela, o Zeca Camargo.

Ou seja, depois de 44 [música] anos, o homem descobriu que era apenas mais um nome numa lista, 44 anos. [música] o tipo que levou 71 pontos de Ibope para emissora, que criou [música] o Criança Esperança a maior campanha de solidariedade da casa, que é o rosto da Globo em dia de Natal. E a resposta que ele deu foi esta: projetos.

Não sabe como eu estou gostando. [música] É uma nova etapa. Agora diz-me uma coisa de coração, isto [música] é um homem em paz ou é um homem com demasiado orgulho para admitir que doeu? E aí pergunta: “Mas então ele está bem hoje ou está mal?” A resposta é as duas coisas ao mesmo tempo. E é aí que esta história fica realmente estranha.

1983, o grupo Racha. Dedé Mussum e Zacarias saem, simplesmente saem. E o Didi fica sozinho no programa cerca de se meses, segurando aquilo tudo praticamente no braço. O que aconteceu ali dentro nunca foi contado com [música] todas as letras, mas os anos foram passando e as versões foram vazando.

Divisão do lucro, controlo criativo, quem manda e quem obedece. O documentário, trapalhada sem fim, [a música] tocou neste assunto e a imprensa repercutiu. O incómodo era esse? Era o grupo do Didi [música] ou era o grupo dos quatro? Em Março de 84, voltam. Foto a sorrir, tudo certo. O Brasil nem percebeu bem [a música], mas alguma coisa tinha rachado.

E aqui a história torna-se [música] pesada. 18 de Março de 1990, Zacarias morre, 56 anos. E o motivo é de doer. Ele queria emagrecer para um filme, [música] um novo visual, e começou a automedicar-se com remédio para emagrecer por conta própria, sem médico nenhum a acompanhar. Perdeu 20 kg. 20 kg. O corpo não aguentou.

Insuficiência respiratória. O homem que fazia o Brasil chorar a rir morreu tentando ficar magro para uma câmara. E aí, anos mais tarde veio a acusação. As irmãs do Zacarias, a Vilma e a Marl, foram à televisão e disseram uma coisa muito grave, que o Renato, o Dedé [música] e o Mussumon não acompanharam o sofrimento do Zacarias no fim da vida, que desapareceram depois de ele morrer e que o Zacarias [música] no fim não se dava mais com o Renato Aragão.

Essa é a acusação. [música] Ela existe. Ela foi feita em rede nacional e não vou fingir que não existe. [música] Mas há uma versão desta história que quase ninguém ouviu. O Dedé Santana conta o contrário, [música] fala de amizade profunda, fala de irmandade. Revelou uma coisa curiosa, que ele e [música] o Renato tinham feito um pacto lá atrás, ainda antes do Mussumon e do Zacarias entrarem, um [música] acordo de não desmanchar a dupla nunca.

E ainda hoje quando os dois se encontram é abraço apertado e olho molhado. E o Renato sempre negou qualquer desavença. Então olha o tamanho do impasse. Há quem diga que ele virou as costas ao amigo [música] na altura em que o amigo mais precisava e que o dinheiro e vaidade quebraram aquela classe por dentro.

Mas há quem [música] diga que é dor de família a falar, que luto baralha a memória e que a irmandade daquele grupo era real. Nunca teve prova de nenhum dos dois lados. E depois fica a pergunta para si. 4 anos depois, 29 de Julho de 1994, o Mussum morre, infecção hospitalar, depois de uma cirurgia ao coração. E aí acabou.

Sem Zacarias e sem Musson, [música] o programa já não tinha como existir. Em 27 de agosto de 1995, os Trapalhões foi para o ar pela última vez na Globo. 18 anos de domingo encerrados. Só que o pior nem foi o fim do programa. O pior foi o Brasil mudar de ideias sobre o que era engraçado, porque aquele humor que fazia rir o país inteiro foi sendo olhado com outros olhos.

E o que nós vê hoje ao rever aqueles sketches é o seguinte. O Mussum, o único negro do grupo, era alvo de piada racial direta. O dedé apanhava com uma piada de paneleiro. As as mulheres eram enfeite de cena. O nordestino [música] era o burro da história. E olhe que o dono da brincadeira era um cearense. Tem quem diga: era outra época.

Todo mundo ria. Ninguém se ofendia. E ficar julgar o passado com a régua de hoje é injusto. E há quem responda: “Doía naquela altura também”. Só que quem doía não tinha microfone. Os dois lados têm gente séria a dizer: “Escolhe o teu”. E depois veio a conta. Em 2000, as famílias do Musum e do Zacarias entraram a cobrar direitos de autor das reprises.

[música] Resultado, as retransmissões nacionais dos trapalhões acabaram, desapareceram da tela. Em 2017, tentaram trazer o programa de volta no canal Viva. [música] Fizeram uma versão careta, limpinha, feita para não ofender ninguém. Foi cancelado depois de 10 episódios. 91 anos. Vamos começar pelo que deu [música] certo, porque resultou e muito.

O homem está vivo, está lúcido e está trabalhando. Vive no [música] Rio com a Lilian, com quem casou lá nos anos 90. E vejam só a ironia, o tipo que a televisão dispensou [a música] foi encontrar público precisamente onde ninguém esperava, um senhor de 90 anos ir parar. [música] O Instagram. Hoje o perfil dele tem cerca de 6 milhões de seguidores. 6 milhões.

[música] Em 2019 eram 1 milhão. Ele que entuplicou depois [música] dos 85 anos de idade. Com dancinha, com os looks do Didia, ele ali se produzindo, fazendo [música] palhaçada para a câmara do telemóvel, como sempre fez. O Brasil não o esqueceu, só mudou de ecrã. [música] E a TV foi chamando de volta aos poucos. Domingão, Altas Horas, Teleton.

Em janeiro de [música] 2025, a UNICEF fez uma homenagem aos 90 anos dele lá no Cristo Redentor. O mesmo Cristo, cuja mão beijou em 91. Em outubro do ano passado, foi homenageado na Criança Esperança, nos 40 anos do projeto [música] que ele próprio inventou ao lado da Xuxa, da Angélica e da Eliana.

chorou em palco e em [música] 2026 subiu ao palco do teatro no Rio no musical Adorável Trapalhão, um espetáculo sobre a sua vida com outro ator a fazer o Didi. E ele entrando como convidado especial da própria história. Em maio, reencontrou o Dedé no caldeirão. Os dois, [música] de mãos dadas, dois senhores de 90 anos. Bonito, emocionante, merecido, só que tem o outro lado da moeda e ele é pesado.

Aquela mansão do Elonto e do campo de futebol está à venda desde 2023, R 18 milhões deais. O motivo declarado é que a casa ficou demasiado grande depois [música] que a filha mais nova se mudou para São Paulo e ela não vendeu. Aí, em maio deste ano, surgiu a notícia de que ninguém esperava ver com o seu nome em cima.

A câmara do Rio foi à justiça [música] pedir o arresto da mansão. Bloqueio judicial do imóvel. Motivo [música] IMI atrasado. Dos anos de 2021 a 2023, R$ 548.000. Corrigido, passou de R76.000. Um homem com uma [música] fortuna estimada em R$ 180 milhões deais pode perder a casa por causa do IMI atrasado. Lê de novo esta frase. E ainda tem mais.

Em novembro de 2025, [música] a própria filha, a Juliana, entrou na justiça contra o pai. Cobra R$ 950.000, dinheiro que, segundo ela, provinha da venda de um imóvel que a mãe deixou. O Renato nega diz que geria os recursos da filha com orientação jurídica e que não precisa nem nunca precisou desse dinheiro. Os dois processos estão em curso. Nenhum tem decisão final.

Então é é isto que ele é hoje, um homem de 91 anos aplaudido [música] de pé no teatro à noite e com o nome numa vara da quinta pública de manhã. Perguntaram-lhe o que queria da vida daqui para a frente. A resposta foi curta: “Quero morrer a trabalhar. 91 anos. Podia estar parado. Podia estar contando dinheiro, se é que o dinheiro está todo lá. Mas o que ele quer é palco.

” E depois voltamos ao começo dessa conversa. Herói ou vilão? A verdade [música] é que ele nunca foi nem um nem outro. Ele foi um homem. Um homem que saiu do Sobral, tirou o fato de bancário e vestiu a roupa do palhaço que fez rir este país inteiro num domingo [música] à noite, quando rir era a única coisa que muita família aqui podia [música] pagar, que criou uma campanha que alimenta a criança até hoje e que também brigou, errou, fez uma piada que hoje já não fazemos, [música] deixou mágoa pelo caminho. Dentro do grupo e

dentro de casa, toda a gente que viveu muito carrega as duas coisas. A diferença é que a sua vida foi vivida perante 70 milhões de pessoas. No fim, o que sobra não é o Eliponto, não é o Ibope, [música] não são os 180 milhões. O que sobra é um velho de chinelo no quintal a apanhar manga e um Brasil inteiro que ainda sorri quando houve [música] um agora responde-me aqui em baixo com sinceridade.

A Globo foi ingrata com o Didi depois [música] de 44 anos de casa? Escreve um se achas que foi ingratidão [música] pura. Escreve dois se acha que foi só negócio e negócio [a música] não tem coração. Escreve três se achas que ele saiu ganhando com isso. Eu vou ler todos. Se esta história apanhou-te, deixa o like e subscreve o canal [música].

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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