O Que Roberto Carlos Escondeu Por 60 Anos — e Mandou o Brasil Esquecer – H

Como é grande [música] o meu amor. É [música] preciso saber [canto] viver. Este [música] pá eu. Jesus [música] Cristo. Jesus Cristo. Jesus. Mulher de 40. [música] Eu só quero ser o seu namorado. Vendeu mais de 120 milhões de [música] discos. Tem o nome gravado em mais de 60 anos de música brasileira. É chamado de rei e todo o Brasil concorda com o título.

Mas existe uma pergunta que os fãs raramente fazem. Quem é o homem que está por detrás do rei? Não o Roberto Carlos dos especiais de Natal. Não o da voz que emociona estádios. o Roberto Carlos Real, o que perdeu a [música] esposa para um cancro, o filho para três batalhas contra a mesma doença [música] e uma filha a uma paragem cardíaca aos 47 anos, o que durante anos não reconheceu [a música] um filho que existia, o que construiu em volta de si um silêncio tão denso [música] que nem as pessoas mais próximas conseguem atravessá-lo. A fama

protege, mas também esconde. E no caso do Roberto [música] Carlos, o que está escondido é uma história de perdas, contradições e segredos [música] que o O Brasil nunca ouviu contada de forma inteira. Hoje vamos contar. Bem-vindos ao Além dos Holofotes, o canal que investiga o que a fama esconde. Roberto Carlos é, provavelmente, o artista mais amado da história da música popular brasileira.

E é exatamente por isso [música] que a história real da sua vida merece ser contada com rigor, não com sensacionalismo, não com julgamento, mas com [música] os factos que existem e que nunca foram reunidos num único local. Hoje [música] vamos percorrer sete capítulos da vida real de Roberto Carlos, da infância marcada por uma tragédia que quase [a música] o matou à família que o público nunca viu.

Das perdas que acumulou em silêncio ao filho que só reconheceu depois de um teste de ADN. [música] e ao hermetismo que construiu à sua volta e que pode ser a maior contradição de um homem que passou a vida a cantar sobre o amor. Se é a primeira vez aqui, inscrição e o sino. Agora vamos ao rei que o Brasil não conhece.

Roberto Carlos [música] Braga nasceu a 19 de abril de 1941 em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. A cidade era pequena, [música] a família era simples e o menino, que viria a ser o rei da música romântica brasileira, cresceu numa casa sem luxo e com muito rádio. Mas há um episódio da infância de Roberto Carlos, que define a a sua personalidade [música] adulta de uma forma que poucas pessoas compreendem e que ele próprio raramente aborda em profundidade.

Aos 7 anos, Roberto Carlos sofreu um acidente grave [música] que resultou na amputação da perna direita. O menino caiu num fosso de cal, desenvolveu gangrena e os médicos não tiveram outra opção. Foi uma das infâncias mais duras que se pode imaginar para uma criança no interior do Brasil nos anos 40, sem recursos, [música] sem estrutura hospitalar adequada e com a certeza de que aquela limitação física o acompanharia para sempre. E acompanhou.

Roberto Carlos usa prótese há mais de 70 décadas. É um facto que ele nunca escondeu, mas também nunca explorou [música] publicamente de forma detalhada. Ao longo de toda a sua carreira, a prótese raramente é mencionada em entrevistas. O cantor fala pouco da dor que carregava em criança, fala pouco de como foi crescer diferente numa pequena cidade, onde todos sabiam o que tinha acontecido.

O que é que este silêncio sobre a infância diz sobre o adulto em que Roberto Carlos se tornou? diz muito, porque o padrão que começa aqui, a dor que se guarda, a vulnerabilidade que não se mostra, repete-se ao longo de toda a sua vida. A música foi o caminho que encontrou para transformar o que sentia em algo que os outros podiam ouvir sem que ele tivesse de explicar.

Cada canção sobre a solidão, sobre o amor perdido, sobre a saudade, tem um peso biográfico que os fãs sentem, mas raramente conseguem nomear com precisão. Roberto Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro, ainda adolescente, com a determinação característica de quem cresceu, sabendo que a vida não oferece garantias.

chegou sem dinheiro, sem contactos e com uma voz que ainda precisava de encontrar o seu caminho. O que encontrou no rio foi a Jovem [música] Gua, e com ela a primeira versão da fama, mas também encontrou o primeiro grande amor da sua vida. E com esse amor vieram filhos e com os filhos vieram escolhas que o Roberto Carlos de hoje talvez olhe de forma muito diferente do jovem [música] que as tomou.

A infância de um menino que perdeu a perna e não perdeu a determinação é o ponto de partida para compreender tudo o que vem a seguir. Porque Roberto Carlos aprendeu muito cedo que a dor não se mostra, [música] guarda-se. E essa lição moldou não só o artista, mas o pai, o marido e o homem que o Brasil pensa [música] conhecer, mas na verdade nunca viu inteiro.

Maria Eunice Morais, conhecida como Nice, foi o grande amor da vida de Roberto Carlos. Casaram em 1964, quando já começava a ganhar visibilidade nacional com a Jovem Guarda. Era discreta, não procurava os holofotes e construiu com o cantor uma vida que o público mal chegou a ver. Juntos tiveram três [música] filhos. Ana Paula, a filha afetiva que Niice tinha de um relacionamento anterior e que Roberto Carlos adotou como sua, Luciana e Roberto Carlos Braga I. O Dudu Braga.

Nice foi a âncora da vida pessoal de Roberto Carlos durante mais de duas décadas. [música] Era ela quem segurava a estrutura doméstica enquanto viajava, gravava, tornava-se um fenómeno [música] continental. Era ela que os filhos tinham em casa quando o pai estava nos palcos. Em 1990, Nice foi diagnosticada com cancro da mama. faleceu ainda nesse ano.

Roberto Carlos tinha 49 anos, os filhos eram jovens e o cantor, que durante décadas tinha cantado sobre o amor, perdeu de forma real e irreversível a mulher que tinha sido o centro da sua vida privada. O que se seguiu foi um silêncio, não um silêncio provisório de quem está processando uma perda, mas um silêncio que durou anos e que moldou definitivamente a forma como Roberto Carlos passou a relacionar-se com o mundo exterior.

Ele raramente fala de [música] início em entrevistas. Quando fala, é com uma brevidade que encerra a conversa antes de esta começar. A dor da [música] perda de Nice é provavelmente o segredo mais bem guardado de um homem que passou [música] a carreira a cantar sobre sentimentos. O especial de Natal da Globo que Roberto O Carlos faz todos os anos, desde [música] 1974 é talvez o melhor espelho deste paradoxo.

Na televisão, [a música] o cantor fala com os fãs, ri-se, conta histórias, mas as questões sobre iníci, sobre a [música] que ficou, sobre como foi, raramente chegam ao ar e quando chegam, a resposta é [música] mínima. Há uma canção que Roberto Carlos gravou anos depois da morte de Nice, que muitos fãs interpretam como sendo sobre ela.

Nunca confirmou, nunca desmentiu, deixou a ambiguidade fazer o trabalho que as palavras [música] diretas nunca fariam. Isto é Roberto Carlos, a emoção que está ali [música] claramente, mas que nunca se deixa tocar de frente. Depois da morte de Nice, [música] Roberto Carlos casou mais duas vezes.

Nenhum dos casamentos subsequentes [música] resultaram em filhos e ambos terminaram discretamente. O cantor voltou ao estado que parece ser o seu natural, uma solidão que [a música] ele próprio escolheu e que organiza como um estúdio de gravação. Tudo no lugar certo. nada fora do controlo, mas havia [música] algo que estava fora do controlo, um filho, um teste de ADN [música] e uma história que durante anos Roberto Carlos preferiu não contar, até que a realidade [a música] tornou o silêncio insustentável.

Rafael Carlos Torres Braga [música] tem hoje 60 anos, é filho de Roberto Carlos, mas durante a [música] maior parte da sua vida este facto não era oficial. Rafael nasceu de uma relação [música] extraconjugal que Roberto Carlos teve com Maria Lucila, uma modelo. O relacionamento foi breve, a consequência foi [música] permanente. E durante anos, enquanto Rafael crescia, enquanto se tornava adulto, enquanto construía a sua própria vida, o reconhecimento oficial da paternidade não existia.

A paternidade de Roberto Carlos em relação ao Rafael só foi confirmada na década de 1990, quando Rafael já tinha 24 anos após a realização de um teste de ADN. Ou [música] seja, Roberto Carlos soube que tinha um filho e durante mais de duas décadas não o reconheceu oficialmente. É [música] importante ser preciso aqui.

Não existe documentação pública de que Roberto Carlos [música] tenha negado ativamente a paternidade durante este período. O que existe [música] é o facto estabelecido de que o reconhecimento só aconteceu depois do teste de ADN na idade adulta do Rafael. O que aconteceu [música] nos anos anteriores, se houve contacto, se houve negação, se houve silêncio calculado, pertence a um capítulo [música] que nenhuma das partes descreveu publicamente em detalhe.

O que se sabe é que logo a seguir [música] do reconhecimento, Maria Lucila faleceu. O Rafael ficou sem mãe e com um pai que acabava de o reconhecer legalmente, [música] mas com quem não tinha construído nenhuma história partilhada. Hoje, Rafael aparece ocasionalmente ao lado de Roberto Carlos em [música] fotografias.

O cantor já o apresentou publicamente como filho. A relação existe, mas o tempo perdido não volta. O caso de Rafael é o mais revelador da contradição que define Roberto Carlos [música] como figura pública. Um homem que durante décadas construiu a imagem do amor romântico absoluto, da emoção genuína, de coração aberto e que ao mesmo tempo, tinha um filho não reconhecido, que cresceu sem este reconhecimento oficial.

Não é um julgamento, [a música] é uma contradição documentada. e contradições documentadas são exatamente o que este canal investiga. O público [música] que cresceu a ouvir Roberto Carlos cantar sobre o amor, sobre fidelidade, sobre o que o coração sente, raramente sabe que esta é a história real por detrás do artista.

Não porque seja um segredo ativo, mas [música] porque nunca foi contada de forma completa num único lugar. O Rafael existe, [música] a história existe. E o facto de só se ter tornado oficial depois de [música] um teste de ADN quando Rafael tinha 24 anos é parte da história [música] de Roberto Carlos, não da versão do especial de Natal, mas da versão real.

O próximo [música] capítulo é sobre outra perda, diferente na forma, igual na dimensão. [música] Uma filha que o Brasil conhecia apenas como a filha de Roberto Carlos e que morreu aos 47 anos [música] sem que o público soubesse quase nada sobre quem ela realmente era. Ana Paula Ross Braga não era filha biológica de Roberto Carlos, era filha de Nice do relacionamento anterior ao docandor.

Mas Roberto Carlos adoptou-a, criou-a e durante décadas foi o seu pai em todos os sentidos que importam. O O Brasil sabia que ela existia, mas não a conhecia. Ana Paula nunca procurou os holofotes, nunca deu entrevistas, nunca apareceu nos programas de televisão onde o pai era o convidado especial. viveu fora do ecrã numa era em que os filhos de celebridades raramente conseguiam essa invisibilidade.

Em 2011, Ana Paula morreu, tinha 47 anos. A causa foi uma paragem cardíaca, súbita, sem aviso, sem a longa batalha que dá [música] tempo para despedidas. Roberto Carlos perdeu nesse ano a filha que tinha sido a sua primeira experiência de paternidade. A filha que tinha o apelido da mãe que ele já tinha perdido duas décadas antes.

[música] A filha que preferiu a vida privada à sombra do nome mais famoso da música brasileira. A morte de Ana Paula foi noticiada de forma discreta. Roberto Carlos não prestou declarações públicas [música] extensas. A dor ficou onde ele sempre colocou as suas dores. Dentro, longe das câmaras.

Protegida pelo mesmo hermetismo que define toda a sua vida pessoal. É impossível, olhando para a O percurso de Roberto Carlos, não reconhecer o peso acumulado que ele carregou. A perna perdida na infância, a esposa morta de cancro, a filha morta de paragem cardíaca, o filho que cresceu sem reconhecimento oficial e o que ainda estava para vir, porque a série de perdas ainda não tinha terminado.

O que faz um homem com este peso? Canta é a resposta que Roberto Carlos encontrou e que nunca mudou. Os especiais de Natal continuaram, os discos continuaram, [música] as digressões continuaram e o sorriso que o Brasil conhece continuou a aparecer nos palcos, [música] como se a vida privada e a vida pública fossem dois países diferentes que nunca se encontram.

[música] Há quem o admire. A capacidade de separar a dor do trabalho é para muitos uma forma de profissionalismo e de respeito pelo [música] público. Há quem questione se um artista que vem de emoção ao mundo, mas guarda as suas num cofre fechado, está a ser autêntico ou está a realizar uma versão de si mesmo que o protege sem servir a verdade.

Roberto Carlos nunca respondeu a esta pergunta, provavelmente nunca vai responder, mas a questão existe e os factos que a alimentam também. No próximo [música] capítulo, chegamos à história que mais comoveu o Brasil nos últimos anos da família Roberto Carlos e que revelou [música] de uma forma que nenhum especial de Natal conseguiria o que o rei sente quando não está a cantar.

Roberto Carlos Braga I. Dudu Braga [música] nasceu em 1969 com um glaucoma congénito. Cresceu praticamente cego, [música] com apenas 5% de visão no olho esquerdo. Era o filho mais novo do casamento com Nice e era, nas palavras do próprio Roberto Carlos, [música] o seu maior ídolo. O Dudu não ficou à sombra do pai, construiu a sua própria carreira, foi músico, [música] produtor musical, radialista, jornalista.

Em 2002, ganhou um Grammy [música] como produtor. Apresentou programas de rádio e televisão. Fundou uma [música] banda que tocava as músicas do pai em versões rock. Foi eleito personalidade do ano em responsabilidade [música] social pela revista Época em 2005, pelo trabalho que desenvolveu com associações de [música] apoio a pessoas com deficiência visual.

Mas a vida de Dudu ficou marcado por uma batalha que durou anos e que travou com a mesma determinação [música] que herdou do pai. Em 2019, Dudu foi diagnosticado com [música] cancro no pâncreas, venceu, voltou e logo de seguida foi diagnosticado com um segundo cancro no pâncreas. [música] Venceu de novo.

E então, em 2020 surgiu o cancro no peritoneu, a membrana que envolve a parede abdominal. Desta vez, a batalha foi diferente. Dudu morreu em setembro de [música] 2021, tinha 52 anos. Roberto Carlos esteve presente no velório. Os relatos de quem estava [música] lá descrevem um homem destruído. Chorou muito, segundo as pessoas próximas [música] que falaram à imprensa.

A expressão utilizada pelo assessor de imprensa foi direta, literalmente arrasado. Para um homem que raramente [a música] deixa ver a dor, aquele velório foi um dos poucos momentos em que o muro desabou [música] publicamente. Dudu, poucos dias antes de morrer, disse ao [música] pai que o seu último desejo era ouvir uma música.

Roberto Carlos tocou para o filho no hospital. [música] Foi o último conserto do rei. Não num estádio, não para milhares de pessoas, [música] mas num quarto de hospital para o filho que dizia ser o seu maior fã. Esta imagem, o pai [música] que passou 60 anos a cantar para o mundo, a cantar finalmente só para um, é provavelmente a mais humana do que Roberto Carlos alguma vez deixou [a música] ver de si próprio.

Dudu deixou mulher e filha pequena. Roberto Carlos perdeu nesse mês de setembro [música] o terceiro filho em 10 anos. Ana Paula em 2011, Dudu em [música] 2021. E em algum momento entre estas datas, a perda tornou-se uma companhia permanente na vida de um homem que o Brasil continua [música] a ver como o símbolo do amor eterno e da alegria dos domingos de Natal.

O próximo [música] capítulo é sobre o que Roberto Carlos fez com toda a esta dor e sobre o mecanismo que construiu para não deixar que o mundo visse demais. [música] Existe uma cláusula nos contratos de Roberto Carlos que se tornou famoso nos bastidores do jornalismo brasileiro. Chama-se informalmente a lei Roberto [música] Carlos.

E durante anos, o cantor usou os tribunais para impedir a publicação [música] de qualquer biografia não autorizada sobre a sua vida. Em 2007, o jornalista Paulo César [música] de Araújo terminou o livro Roberto Carlos em Detalhes, resultado de anos de investigação e entrevistas com pessoas do círculo do cantor. O livro foi publicado e imediatamente Roberto Carlos entrou em tribunal para mandá-lo retirar de circulação. Conseguiu.

O livro foi proibido no Brasil. Foram destruídos os exemplares que ainda estavam no mercado. Paulo César de Araújo passou anos em batalha judicial. A história que o livro contava sobre o Roberto Carlos real, com contradições e humanidade, ficou fora do alcance do público brasileiro durante anos. O caso foi tão emblemático que passou a ser citado nas discussões académicas e jurídicas sobre os limites entre o direito à a privacidade e o direito à informação pública sobre figuras de interesse histórico e cultural. Roberto Carlos

ganhou. O livro ficou proibido por mais [música] de há uma década, mas a questão que o caso coloca é mais interessante do que o resultado jurídico. O que estava no livro que Roberto Carlos não queria que o Brasil soubesse? O jornalista Paulo César de Araújo descreveu em entrevistas que o livro era uma biografia humana, não uma peça de ataque, mas um retrato completo de um artista com contradições, como todo o ser humano tem.

E foi exatamente isso que Roberto Carlos não quis. Não, a mentira, a verdade completa. [música] O hermetismo de Roberto Carlos não é um capricho, é uma estratégia que ele aplica com uma consistência que poucos os artistas conseguem [música] manter durante tanto tempo. Não fala dos casamentos que terminaram, não fala da infância para além do mínimo necessário, não fala das perdas com profundidade.

[música] não confirma nem desmente as histórias que circulam sobre a sua vida pessoal e ao fazê-lo mantém o controlo sobre a única coisa que nenhum contrato pode garantir por completo. A narrativa. O Roberto Carlos que o Brasil conhece é o Roberto Carlos que Roberto Carlos decidiu mostrar. E este é um Roberto Carlos sem contradições visíveis, sem dores expostas, sem a humanidade crua que tornaria qualquer pessoa mais real e paradoxalmente mais amada.

O último capítulo deste vídeo é sobre o que fica quando se [música] juntam todas estas peças, a infância, as perdas, o filho não reconhecido, o livro proibido e se olha para Roberto Carlos não como o rei, [música] mas como um homem de 84 anos que passou toda a vida a controlar o que o mundo via de si.

Roberto Carlos tem 83 [música] anos, continua a gravar, continua a fazer digressões. O especial de Natal na O Globo é uma tradição que atravessa gerações. Há brasileiros que nunca viram o Natal sem [música] Roberto Carlos na televisão. Mas o que fica quando se olha para a vida inteira deste homem sem o filtro da lenda? Fica uma história de perdas que começa cedo e nunca realmente termina. A perna na infância.

Nice em 1990. Ana Paula em 2011, Dudu em 2021. Três décadas de lutos em intervalos que nunca deram tempo suficiente para respirar antes do próximo. Fica a história de Rafael, o filho que cresceu sem o reconhecimento oficial do pai durante mais de duas décadas e que só entrou formalmente na família depois [música] de um teste de ADN.

Hoje, Roberto Carlos apresenta-o como filho. A fotografia existe, mas o tempo que não existiu [a música] também existe à sua maneira. Fica o livro proibido que o Brasil nunca leu na íntegra, não porque fosse mentira, mas porque Roberto Carlos decidiu que a verdade completa era um território que não lhe pertencia a abrir. E fica a música.

120 milhões de discos. Canções que atravessaram fronteiras, gerações, línguas, canções que foram tocadas em casamentos e em funerais, em [música] momentos de amor e em momentos de solidão absoluta. Há uma contradição no centro de tudo isto que é impossível ignorar. Roberto Carlos construiu a maior carreira da música romântica brasileira, cantando sobre a abertura do coração e passou a vida pessoal a fechar o coração ao escrutinho externo com uma disciplina quase militante.

Isto é desonestidade? Não necessariamente. É separação. É a capacidade ou talvez a necessidade de manter dois mundos completamente distintos. O mundo da arte, onde tudo se diz, e o mundo da vida, onde quase nada se diz. O público que adora Roberto Carlos ama em grande medida uma versão de Roberto Carlos que [música] o próprio cantor construiu e autorizou.

Uma versão real em alguns aspetos. A voz é genuína, a [música] musicalidade é genuína, o talento é innegável, mas incompleta nos aspectos que o tornariam [música] mais humano e, paradoxalmente, mais amado ainda. Porque o Brasil, que cresceu a ouvir Roberto Carlos, [música] não precisa de um rei sem falhas. Precisa de um homem que perdeu a perna e continuou, [música] que perdeu a mulher e continuou, que cometeu erros com um filho e depois reconheceu-o, que teve [música] um livro proibido e nunca explicou porquê. Este homem é mais

interessante do que o rei e é mais verdadeiro. Roberto Carlos escolheu a lenda. O que ficou de fora da lenda é o que tentamos contar hoje. Sete capítulos. Uma vida que o Brasil pensa conhecer, mas nunca [a música] viu inteira. Um menino que perdeu a perna aos 6 anos e encontrou na música O caminho, um homem que perdeu a mulher, [música] uma filha e um filho em três décadas de lutos que nunca expôs completamente.

Um pai que levou [música] mais de 20 anos a reconhecer oficialmente um filho. Um artista [música] que proibiu a publicação da única biografia que tentou contar a sua história completa. Roberto Carlos não é uma vilã de ficção, [a música] é um ser humano extraordinariamente complexo que optou por mostrar ao mundo apenas a parte que queria que o [música] mundo visse e durante 60 anos conseguiu exatamente isso.

O que este vídeo tentou fazer não foi [música] destruir uma lenda, foi acrescentar-lhe a humanidade que a lenda omite, porque a verdade completa é sempre mais interessante do que a versão autorizada. [música] Se este tipo de investigação faz sentido para si, a a inscrição é o gesto mais simples que pode fazer. Vemo-nos no próximo [música] capítulo dos bastidores que a a fama esconde.

120 milhões de discos. Canções que atravessaram fronteiras, gerações, línguas, canções que foram tocadas em casamentos e em funerais, em [música] momentos de amor e em momentos de solidão absoluta. Há uma contradição no centro de tudo isto que é impossível ignorar. Roberto Carlos construiu a maior carreira da música romântica brasileira, cantando sobre a abertura do coração e passou a vida pessoal a fechar o coração ao escrutinho externo com uma disciplina quase militante.

Isto é desonestidade? Não necessariamente. É separação. É a capacidade ou talvez a necessidade de manter dois mundos completamente distintos. O mundo da arte, onde tudo se diz, e o mundo da vida, onde quase nada se diz. O público que adora Roberto Carlos ama em grande medida uma versão de Roberto Carlos que [música] o próprio cantor construiu e autorizou.

Uma versão real em alguns aspetos. A voz é genuína, a [música] musicalidade é genuína, o talento é innegável, mas incompleta nos aspectos que o tornariam [música] mais humano e, paradoxalmente, mais amado ainda. Porque o Brasil, que cresceu a ouvir Roberto Carlos, [música] não precisa de um rei sem falhas. Precisa de um homem que perdeu a perna e continuou, [música] que perdeu a mulher e continuou, que cometeu erros com um filho e depois reconheceu-o, que teve [música] um livro proibido e nunca explicou porquê. Este homem é mais

interessante do que o rei e é mais verdadeiro. Roberto Carlos escolheu a lenda. O que ficou de fora da lenda é o que tentamos contar hoje. Sete capítulos. Uma vida que o Brasil pensa conhecer, mas nunca [a música] viu inteira. Um menino que perdeu a perna aos 6 anos e encontrou na música O caminho, um homem que perdeu a mulher, [música] uma filha e um filho em três décadas de lutos que nunca expôs completamente.

Um pai que levou [música] mais de 20 anos a reconhecer oficialmente um filho. Um artista [música] que proibiu a publicação da única biografia que tentou contar a sua história completa. Roberto Carlos não é uma vilã de ficção, [a música] é um ser humano extraordinariamente complexo que optou por mostrar ao mundo apenas a parte que queria que o [música] mundo visse e durante 60 anos conseguiu exatamente isso.

O que este vídeo tentou fazer não foi [música] destruir uma lenda, foi acrescentar-lhe a humanidade que a lenda omite, porque a verdade completa é sempre mais interessante do que a versão autorizada. [música] Se este tipo de investigação faz sentido para si, a a inscrição é o gesto mais simples que pode fazer. Vemo-nos no próximo [música] capítulo dos bastidores que a a fama esconde.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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