O TRISTE ADEUS DE 7 ATORES DE CHAVES QUE JA NOS DEIXARAM – H

Codines, não fui eu. Não fui eu. Fizeram-no rir até a barriga doer. Fizeram a sua avó chorar a rir no sofá da sala. Fizeram gerações inteiras acreditarem que a felicidade cabia dentro de uma aldeia pobre, entre barris de madeira e paredes descascadas. Mas enquanto milhões de brasileiros ligavam a televisão e sorriam nos bastidores, estes mesmos atores escondiam dores que nunca ninguém imaginou.

Cancro escondido da própria família, enfartes silenciosos, solidão no fim da vida. Hoje o barril está vazio e é essa a história que ninguém te disse. Neste vídeo verá sete atores de chaves que já nos deixaram. Ramon Valdésinha, consegue lembrar-me de cada três dias. Se existe uma personagem que vive no imaginário coletivo de todo o brasileiro que cresceu a ver o Chaves, esse personagem é o Seu Madruga.

O pai endividado, o vizinho atrapalhado, o homem que vivia fugido da dona Florinda e do seu ventre, mas que tinha um coração do tamanho do mundo quando se tratava da Chiquinha. Cada grito de vá trabalhar, sua vagabunda. Cada foi sem querer querendo. Cada chapéu amarrotado sobre a cabeça. Dá problemas.

Eu vou lavar as minhas calas. Ai não, seu madruga não, por favor. Não é. Tudo isto foi construído por um homem chama-se Ramon Valdez e a sua história é talvez a mais dolorosa de toda esta lista. Ramon nasceu na cidade do México em 2 de setembro de 1924. filho de uma família que já respirava arte. Os seus irmãos também seguiram carreira no entretenimento e desde cedo Ramon entendeu que o palco era o local onde conseguia ser de verdade quem era.

Viveu a era de ouro do cinema mexicano nos anos 50. Participou em dezenas de produções, mas foi ao lado de Roberto Gomes Bolâos que encontrou o papel da sua vida. Não porque o argumento era brilhante, embora fosse, mas porque Ramon colocou dentro do seu madruga algo que nenhum outro ator conseguiria. Uma humanidade crua, um misto de dignidade e desespero que fazia rir o público e ao mesmo tempo, sentir um aperto no peito.

Mas existe um pormenor que pouca gente conhece sobre Ramon e que explica muita coisa. Ele era fumador inveterado, não aquele fumo social de quem acende um cigarro depois do jantar. O Ramon fumava o tempo todo, nos intervalos das gravações, nos ensaios, em casa, antes de dormir. E ele levava este hábito para dentro dos personagens.

O seu Madruga aparecia frequentemente a fumar em cena. E naquela altura ninguém via aquilo como um alerta. Era só um pormenor cénico, mas o tempo, o tempo cobra tudo e o preço que Ramon pagou por aquele cigarros foi altíssimo. Em 1985, os médicos fizeram um diagnóstico que mudaria tudo. Ramon tinha tumores malignos no estômago e no pulmão.

O cancro já estava avançado, mas aqui entra um pormenor que parte o coração. família, num ato de desespero e amor, tomou uma decisão que hoje soa inconcebível. Eles esconderam a verdade dele. Ramon nunca soube oficialmente que estava a morrer. Ele sabia que estava doente, sentia as dores, via, mas a gravidade real da situação foi mantida em segredo.

E ele continuou trabalhando, continuou a subir naquele palco, continuou a fazer o povo rir enquanto o cancro avançava em silêncio dentro dele. A aparência dele começou a alterar visivelmente. O rosto ficou mais magro, os olhos [música] mais fundos, a voz mais fraca. Os fãs mais atentos percebiam que algo estava errado, mas ninguém imaginava o quê.

Em 1988, Ramon foi convidado para uma digressão no Peru. Ele aceitou, mesmo debilitado, mas quando o avião aterrou em Lima, ele sentiu-se mal assim que desembarcou. Foi uma cena rápida, desesperante. O homem que tinha feito rir milhões estava agora a ser carregado, incapaz de respirar direito.

A digressão foi cancelada e Ramon foi levado apressadamente de volta para o México. Ficou internado por quase dois meses. Dois meses de dores fortes, de tratamentos agressivos, de um cancro que tinha começado no estômago e se espalhado até atingir a coluna vertebral. E foi ali num quarto de hospital, longe das câmaras, longe do público que o amava, que Ramon Valdez morreu. Estávamos no dia 9 de agosto de 1988.

Tinha 63 anos, mas a história não termina aí e é aqui que a tragédia se indignação. Anos depois da morte de Ramon, um dos seus filhos veio a público com uma revelação que chocou os fãs. O homem que havia eternizado um dos personagens mais adoradas da televisão latino-americana, morreu com dívidas. Ramon tinha passado por aperto financeiro, devia renda, vivia preocupado com as contas.

O mesmo homem que ensinou gerações inteiras sobre honestidade, sobre a dignidade mesmo na pobreza, morreu sem conseguir pagar o próprio teto. E como se não bastasse, a saída dele do elenco de Chaves, anos antes tinha sido marcada por rumores de desentendimentos internos. Carlos Vilagran, o intérprete de Kiko, chegou a comentar publicamente que havia inveja entre os atores por causa do sucesso estrondoso da personagem Seu Madruga.

Ramon era o favorito do público e isso gerou tensões que nunca foram totalmente esclarecidas. Saiu do programa magoado e voltou pouco depois, mas algo tinha mudado. Demore seu madruguinha. Mamã, mamã, mamã. Hoje quando se assiste a uma cena do O Seu Madruga abraçando a Chiquinha ou dizendo aquela frase clássica: “Não existe uma criança má, o que existe são pais que não sabem o que fazer.

É impossível não pensar no homem por detrás do personagem.” Ramon Valdez transformou a simplicidade em comédia inesquecível, mesmo enquanto escondia por dentro uma batalha silenciosa contra a doença. Ele foi o primeiro a partir e a aldeia começou a ficar mais vazia. E você, o que acha dessa história? O senhor Madruga era o seu personagem favorito? Deixa aqui nos comentários porque esta é uma questão que divide os fãs até hoje.

Angelines Fernandes, Seu Madruga, Seu Madruga, Seu Madruga. Este grito estridente, capaz de gelar a espinha de qualquer criança que tenha crescido a ver o Chaves, era a marca registada da bruxa do 71. Vem a bruxa do 71. Dona Clotilde, a vizinha solteira que vivia apaixonada pelo Seu Madruga e era constantemente rejeitada por ele, era interpretada por uma mulher chamada Angelines Fernandes.

E aqui está o primeiro choque desta história. A mulher que assustava gerações inteiras com os seus gritos e expressões exageradas era na vida real uma das pessoas mais doces e generosas de todo o elenco. Angelines nasceu em Madrid, Espanha, a 30 de julho de 1924. Mas a Espanha daquela época não era um lugar fácil para quem pensava de forma diferente.

A ditadura de Francisco Franco perseguia Xium que não alinhasse com o regime e Angelines, jovem e com ideias progressistas, viu-se obrigada a tomar uma decisão que mudaria o rumo da sua vida para sempre. fugir. Ela deixou para trás a família, a terra natal, tudo o que conhecia e atravessou o oceano em busca de um lugar onde pudesse respirar.

Encontrou esse lugar no México e foi lá, longe da Espanha que a viu nascer, que Angelines reconstruiu a sua vida e encontrou o caminho para se tornar uma das atrizes mais acarinhadas da televisão latino-americana. Antes de Chaves, ela já acumulava experiência em filmes e telenovelas, mas foi ao lado de Xpírito que ela se tornou inesquecível.

A bruxa do 71 era uma personagem que poderia ter sido unidimensional, só a vizinha chata, só a solteirona desesperada. Mas Angelines colocou na personagem algo mais. Ela deu a personagem uma vulnerabilidade que fazia o público, mesmo quando se ria, sentir pena dela, porque no fundo toda a gente sabia que a dona Clotilde só queria ser amada.

E talvez fosse exatamente isso que Angelines compreendia tão bem, a solidão de quem procura afeto e não encontra. Mas a vida real de Angelines cobrou um preço alto. Era fumadora e hipertensa, uma combinação perigosa que começou a cobrar o seu preço ao longo dos anos 90. O cancro do pulmão foi diagnosticado [música] e ela teve de se afastar das telas.

Mas o golpe mais duro não veio da doença, veio da perda. Quando o Ramon Valdez, o seu madruga, morreu a 9 de Agosto de 1988, Angelines foi destruída. Os dois eram extremamente próximos nos bastidores. Não era apenas uma relação de colegas de trabalho, era uma amizade profunda construída ao longo de décadas, partilhando palcos, risos e dificuldades.

No velório de Ramon, Angelines ficou ao lado do corpo dele durante horas. Testemunhas disseram que ela não conseguia afastar-se, que chorava em silêncio, como se não conseguisse aceitar que aquele homem que a fazia rir todos os dias estava agora imóvel diante dela. E o que poucos sabiam é que nesse momento Angelines também estava com os dias contados.

O cancro avançava, a saúde deteriorava-se e a perda do amigo tinha acelerado um declínio que já era inevitável. Angelines Fernandes morreu em 25 de março de 1994, aos 69 anos. Mas antes de partir, ela fez um último pedido. Pediu que fosse sepultada próxima de Ramon e da família cumpriu. Hoje, no cemitério onde ambos os descansam, os túmulos de Ramon Valdez e Angelines Fernandes ficam a poucos centímetros de distância um do outro.

Uma amizade que atravessou a vida e que continua mesmo depois da morte. E existe mais um pormenor que torna Angelines ainda mais especial. Além de atriz, ela era reconhecida nos bastidores pelo seu generosidade. Acolhia sempre os colegas mais jovens do elenco com conselhos, com carinho de mãe, com paciência.

era o tipo de pessoa que fazia com que os outros se sentirem bem só de estar por perto. Talvez seja por isso que, mesmo interpretando uma personagem tão assustadora quanto a bruxa do 71, o público sentia por ela um carinho imenso, porque no fundo toda a gente percebia que por detrás daquele grito estridente existia uma mulher que só queria espalhar amor.

Caso estivesse viva, Angelines teria completado 100 anos em 30 de julho de 2024. Um século de vida que poderia ter sido celebrado com homenagens, com repetições especiais, com o reconhecimento que ela merecia. Mas ela partiu cedo demais, deixando para trás um legado que vai muito para além da televisão. E tinha medo da bruxa do 71 quando era criança ou sentia a pena dela? Raul Padila, aliás, esquimo-me, canso-me, me canso.

Esta frase, repetida mil vezes por milhões de crianças brasileiras passou a fazer parte do vocabulário coletivo de uma geração inteira. O carteiro Jaiminho com a sua bicicleta velha, o seu boné batido e aquela preguiça crónica de entregar as cartas era a personificação perfeita do brasileiro, que dá sempre um forma de evitar a fadiga.

Raul Padila, o homem por detrás da personagem, nasceu na cidade do México a 11 de janeiro de 1918 e antes de se tornar o carteiro mais preguiçoso da televisão, já tinha uma carreira sólida no teatro e no cinema mexicano. Mas foi ao lado de Chespírito que encontrou o papel que o imortalizaria e que, ironicamente era o completo oposto de quem ele era na vida real, porque Raul Padila não era preguiçoso.

Pelo contrário, era um homem trabalhador, disciplinado, que transportava nos ombros o sustento de uma família grande. E aqui entra um pormenor que poucos fãs conhecem. Raul era pai de outro ator, um jovem chamado Raul Padilha, El Chato Júnior, que mais tarde ficaria famoso interpretando o mordomo urbano na telenovela Maria do Bairro.

aquele estrondoso sucesso que o SBT reprisou dezenas de vezes nos anos 1990. Pai e filho, ambos atores, ambos construindo carreiras no mesmo universo da televisão mexicana que tanto marcou o Brasil. Mas a vida de Raul não foi fácil e o golpe mais duro surgiu numa data que nenhum mexicano esquece. 19 de setembro de 1985.

Nessa manhã, um sismo de magnitude 8,1 sacudiu a cidade do México, matando milhares de pessoas e destruindo bairros inteiros. Raul vivia com a família num edifício que ruiu completamente. Por milagre, ninguém da família se feriu. Estavam fora de casa no momento do tremor, mas quando regressaram, não havia mais nada.

A casa, as roupas, os móveis, as fotografias de família, tudo tinha virado escombros. Raul, aos 67 anos, teve de recomeçar do zero. Imagine a cena. O homem que tinha passado décadas a fazer o público rir, que tinha construído uma carreira respeitável, estava agora parado diante de um monte de ruínas, sem ter para onde voltar.

Os colegas de trabalho, incluindo o O próprio Roberto Gomes Bolânios, se mobilizaram para ajudar. Fizeram vaquinhas, conseguiram donativos e Raul conseguiu comprar um novo apartamento num bairro mais seguro. Mas o trauma ficou e a saúde, que já não era das melhores, começou a decair ainda mais rápido. O Raul era diabético há anos. A A diabetes exigia cuidados constantes, injecções diárias, uma dieta rigorosa que nem sempre conseguia seguir.

A doença o limitava, o cansava, o obrigava a reduzir o ritmo de trabalho. Mesmo assim, continuou a atuar até meados dos anos 1990, sempre que a saúde o permitia. Mas o corpo já não respondia como antes. E foi numa qualquer manhã em casa que o coração de O Raul simplesmente parou. Era 3 de Fevereiro de 1994. Tinha 75 anos.

A causa oficial foi um enfarte agudo do miocárdio. O coração que tantas vezes tinha batido ao ritmo das gargalhadas do público simplesmente não aguentou mais. Mas a história de Raul não termina com a morte, porque há um pormenor que transforma essa trajetória em algo quase poético. Jaimino, a personagem, vivia a falar de uma cidade chamada Tanga Mandápio.

Dizia que era a cidade mais bonita do mundo, que ali tinha nascido, que sentia saudade. Tanga mandápio era fictícia, ou pelo menos era o que todos pensavam. Mas na vida real existe uma pequena localidade no estado de Michoacan, no México, que adotou este nome. E os moradores, sabendo do carinho que Raul tinha pela personagem e do carinho que o público tinha por Jaiminho, decidiram homenageá-lo.

Ergueram uma estátua do carteiro preguiçoso no centro da cidade. uma estátua de bronze com a bicicleta e o boné, eternizando uma personagem de ficção numa cidade que decidiu tornar-se real só para honrar a memória de um ator. Hoje, quando ouve aquela frase Esquimo, é impossível não pensar no homem que está por trás dela.

Raul Padilha transformou a preguiça em arte, fez gerações inteiras a rir com um simples gesto de cansaço, mas na vida real nunca deixou de trabalhar, nunca deixou a família desamparada, nunca desistiu mesmo quando perdeu tudo num terramoto. Foi o segundo a partir e a aldeia ficou ainda mais vazia. E você, qual era a tua frase preferida do Jaiminho? Deixa aqui nos comentários, porque este personagem tem um lugar especial no coração de muita gente.

Horácio Gomes Bolanhos. Codines. Não fui eu. Não fui eu. Quem cresceu a ver o Chaves com certeza lembra-se do Godinz. Dois mais dois. Aquele miúdo da escola do professor Girafales, sempre com cara de sonolento, sempre metido em confusões, sempre repetindo aquela frase clássica. foi sem querer, querendo.

Mas o que pouca gente sabe é que o ator por detrás deste personagem tinha uma particularidade que colocava-o numa posição única dentro do elenco. Era irmão do próprio criador da série. Hácio Gomes Bolâus nasceu na cidade do México em 24 de janeiro de 1930 e desde cedo viveu a sombra do irmão mais famoso, Roberto Gomes Bolânios, o Xespirito.

Mas Horácio não era apenas o irmão do Xespirito. Ele tinha os seus próprios sonhos e as suas próprias batalhas. Antes de entrar para a comédia, Horácio sonhava com uma carreira no futebol. chegou a treinar, chegou a acreditar que poderia tornar-se um jogador profissional, mas o destino tinha outros planos e ele acabou encontrando o seu verdadeiro caminho perante as câmaras ao lado do irmão.

Além de interpretar Godinez, Horácio assumiu uma função crucial nos bastidores. Era supervisor de produção durante as gravações de Chaves. Enquanto o irmão criava as personagens e escrevia os guiões, Horácio garantia que tudo funcionasse nos bastidores, que as câmaras estivessem no lugar certo, que os horários fossem cumpridos.

Era o braço direito invisível de Xpírito. Diferente do irmão que era carismático e adorava a atenção do público, Horácio era uma pessoa extremamente discreta. Evitava entrevistas, não gostava de holofotes, vivia de forma reservada. Tanto que muitos fãs do Chaves nem sequer sabiam que os dois eram irmãos de sangue.

Para o público, eram apenas dois atores a trabalhar juntos. Mas nos bastidores era uma parceria de décadas construída sobre os laços familiares e confiança absoluta, mas o tempo cobrou o seu preço. Em 1999, Horácio sofreu uma fratura do fémur e precisou de passar a deslocar-se com o auxílio de uma bengala. A saúde já não era mais a mesma e ele sabia disso.

Nesse mesmo ano, estava a se preparando-se para participar numa homenagem especial que seria feita ao irmão em 2000, celebrando os quase 30 anos de Chaves. Mas, infelizmente, Horácio não teve tempo para viver este momento. Estávamos a 21 de novembro de 1999, quando sofreu um ataque cardíaco fulminante. Tinha 69 anos.

A morte de Horácio deixou um vazio imenso na vida do Roberto. Não era apenas a perda de um irmão, era a perda de um companheiro de trabalho, de um amigo de infância, de alguém que tinha estado ao seu lado desde o início de tudo. O Roberto nunca falou publicamente sobre o quanto sentiu falta do irmão, mas quem convivia com dizia que a perda o marcou profundamente.

Hoje, quando se assiste a uma cena do Godinês na escola com aquela cara de quem não está a perceber nada, é impossível não pensar no homem por detrás do personagem. Horácio Gomes Bolâus viveu toda a vida ao lado do irmão mais famoso, mas construiu o seu próprio legado. Ainda que em silêncio, foi o quarto a partir e a aldeia ficou ainda mais vazia.

E lembra-se do Godinez? Qual era a sua cena favorita dele na escola? Deixa aqui nos comentários, porque esta personagem pode não ser o mais marcante da série, mas tem um lugar especial na memória dos muita gente. Rúben Aguirre. Bem, eu dizia que toda a gente deve conhecer pelo menos os aspectos. Tinha, tinha, tinha.

Esta frase, repetido com aquela paciência infinita, era a marca registada do professor Girafales, o homem alto, elegante, sempre de fato, apaixonado pela dona Florinda e vítima constante das traquinices dos alunos da aldeia. Rúben Aguirre deu vida a esta personagem com uma dignidade que fazia rir o público e ao mesmo tempo sentir respeito por ele.

Mas a vida real de Ruben estava muito longe da elegância do professor Girafales. E o fim da sua trajetória é um dos mais dolorosos de toda esta lista. Ruben nasceu em Paralu, no estado de Chihuahua México, no primeiro de março de 1934. Mas antes de se tornar o professor mais paciente da televisão latino-americana, viveu uma vida que poucos imaginam.

Ruben era artista de circo. Não apenas um ator que fazia participações em circos. Era dono de um circo. Passava a vida entre picadeiros e estúdios de gravação, dividindo o seu tempo entre a disciplina rigorosa do circo e a criatividade caótica da televisão. Era um homem de dois mundos e levava a mesma dedicação para ambos.

Ruben era um dos amigos mais próximos de Roberto Gomes Bolâos. Os dois se conheciam há décadas e a relação ia muito para além do trabalho. Mas quando as as coisas começaram a desmoronar-se nos bastidores de Chaves, Ruben não hesitou em escolher um lado. Quando surgiu a disputa judicial entre Xespirito e Maria Antonieta de Lasnieves pelos direitos do personagem Chiquinha, Rubén foi vocal em o seu apoio a Roberto.

chegou a criticar publicamente tanto Maria Antonieta quanto Carlos Vilagran, por continuarem apresentando-se com os antigos personagens, mesmo depois de mais velhos. Para Rubén, a lealdade era tudo e pagou um preço por essa lealdade, porque o tempo implacável começou a cobrar o seu preço. A partir dos anos 2000, Ruben ganhou um volume considerável de peso por causa de uma medicação que precisava de tomar.

A mudança física foi drástica, e os fãs que o viam nas aparições públicas mal reconheciam o homem elegante que interpretara o professor Girafales. Mas o golpe mais duro surgiu em 2007, quando sofreu um acidente de viação que o deixou ainda mais debilitado. A saúde, que já não era das melhores, começou a decair rapidamente.

Em 2012, Ruben realizou uma digressão de despedida junto do circo, do qual era proprietário. Foi uma homenagem a si mesmo, uma forma de dizer adeus ao público que o tinha acompanhado por décadas, mas o destino tinha mais um golpe reservado. Em agosto de 2014, ele necessitou de ser internado com um quadro de desidratação e anemia.

E foi durante esta internação que recebeu a notícia que o destruiria. Roberto Gomes Bolâos, seu grande amigo, tinha morrido. Ruben viu de perto a partida do homem que tinha sido seu companheiro por toda a a vida e algo dentro dele se partiu. Quem convivia com o Ruben dizia que ele nunca mais foi o mesmo depois da morte de Roberto.

A depressão instalou-se, as as dificuldades financeiras aumentaram. Sim, o homem que tinha interpretado um das personagens mais icónicas da televisão latino-americana teve de pedir ajuda a uma associação de atores mexicanos para conseguir sobreviver. Em 2016, Ruben foi internado com um quadro de pneumonia. Recebeu alta para seguir o tratamento em casa, mas o corpo já não resistia.

Era 17 de junho de 2016, quando Rubén Aguirre morreu aos 82 anos. Segundo relatos da família, ele costumava dizer que não temia a morte, [música] mas temia o processo de estar morrendo. E felizmente, de acordo com a sua esposa, o Ruben partiu deste mundo sem dor ou sofrimento. Hoje, quando se assiste a uma cena do professor Girafales a tentar ensinar matemática para o Chaves ou suspirando apaixonado pela dona Florinda, é impossível não pensar no homem por detrás da personagem.

Ruben Aguirre foi um artista completo, um homem de princípios, um amigo leal, mas morreu sozinho, endividado, deprimido, longe dos holofotes que um dia o tinham cercado. E você, qual era a a sua cena favorita do professor Girafales? Roberto Gomes Bolanhos. Saber se nos convida a ver o jogo de futebol na sua televisão.

Existe uma ironia cruel na vida dos Bolos Roberto Gomes. Ele criou um universo onde a pobreza era motivo de riso, onde a fome se tornava piada, onde crianças órfã e adultos endividados encontravam felicidade nas coisas mais simples. Mas o homem que construiu este mundo de alegria coletiva morreu sozinho, preso num corpo que não respondia mais, lutando contra uma doença que lhe roubou até à capacidade de segurar uma caneta.

Roberto Gomes Bolâus, o Tespirito, o génio por detrás de Chaves e Chapolim, não era apenas um comediante, era um homem que transportava pesos que o público nunca imaginou. Mas que bom que vieste, Javinho. Roberto nasceu na cidade do México a 21 de de fevereiro de 1929, filho de um cartounista chamado Francisco Gomes Linares.

Desde cedo ele respirou arte. O pai desenhava, ele escrevia. O pai fazia rir o público com traços, ele faria o público rir com palavras. Roberto começou a trabalhar na televisão mexicana ainda na década de 1950, mas não como ator, como argumentista. E foi aí que descobriu a sua verdadeira paixão, criar mundos, criar personagens, criar histórias que fizessem as pessoas esquecerem.

mesmo que por alguns minutos que a vida era difícil. Foi Roberto quem reuniu a trupe. Chamou Ramon Valdez, Rubé Aguirre, Maria Antonieta de Lasnieves, Florinda Mesa. Ele escreveu cada guião, dirigiu cada cena, moldou cada personagem. E quando criou o Chapolim Colorado em 1970 e na sequência Chaves em 1971, não sabia que estava a construir um fenómeno que atravessaria décadas, fronteiras e gerações.

O Chaves não era apenas um programa de TV, era um espelho. Era a vida real de milhões de latino-americanos transformado em comédia, onde a pobreza não era vergonha, era motivo de união. Mas nem tudo era alegria nos bastidores. Em 1977, Roberto viveu uma viragem importante na vida pessoal.

iniciou um relacionamento com Florinda Mesa, a sua parceira de cena havia anos, a eterna dona Florinda. Os dois casariam mais tarde, mas esta relação gerou tensões internas no elenco. Florinda era forte, decidida e tinha opinião sobre tudo. Alguns colegas viam isso como uma interferência excessiva, outros como parceria legítima.

O facto é que a dinâmica do grupo mudou e nem todos aceitaram bem. O atrito mais famoso foi com Carlos Vilagran, o Kiko. Carlos sentia que a sua personagem estava sendo deixado de lado, que havia favorecimento, que não era valorizado como deveria. A tensão cresceu, as discussões aconteceram e Carlos acabou saindo do elenco.

Anos depois, viria a público dizendo que tinha sido afastado por conflitos com Roberto. A verdade, como sempre, provavelmente estava no meio. Mas o facto é que Roberto, o homem que criava sorrisos, também criava conflitos, porque ele era humano e humanos são complexos. Mas o golpe mais duro não veio das quezílias internas, provinha do próprio corpo.

Nos últimos anos de vida, Roberto enfrentou problemas respiratórios crónicos e, em seguida, veio o diagnóstico. Doença de Parkinson. Uma doença degenerativa, implacável, que rouba o controlo do corpo aos poucos. O homem que tinha passado décadas a fazer o público rir com gestos exagerados, com expressões cómicas, com movimentos precisos, agora mal conseguia segurar um copo de água.

O Parkinson avançava e Roberto afastava-se cada vez mais dos holofotes. Vivia em Cancum, no México, ao lado de Florinda, longe das câmaras, longe do público, longe da aldeia que ele próprio havia criado. E foi aí, numa sexta-feira de manhã, que o coração de Roberto simplesmente parou. Era 28 de novembro de 2014. Tinha 85 anos. A causa oficial foi uma paragem cardiorrespiratória, mas quem conhece a história sabe que o Parkinson já lhe tinha roubado muito antes disso.

A morte de Roberto comoveu milhões de fãs em todo o mundo. Bandeiras foram asteadas a meio pau. Homenagens foram feitas em todos os países onde o Chaves era exibido. O México decretou luto oficial. O Brasil inteiro parou para se lembrar, porque o Roberto não era apenas um ator, fazia parte da infância de gerações inteiras. Era o homem que ensinou que mesmo na pobreza, mesmo na dor, era possível encontrar alegria.

Anos depois da sua morte, ainda circulam nas redes sociais depoimentos de colegas de elenco, relembrando o profissionalismo dos Roberto, mesmo nos momentos mais difíceis de saúde. Diziam que ele nunca perdia o sentido de humor, que mesmo doente, mesmo limitado, continuava fazendo piada, continuava a procurar fazer os outros a rir, porque essa era a essência dele, era essa a herança que deixou.

E você, qual era o seu personagem favorita de Chirito? Chaves ou Chapolim? Ricardo de Pascoal. Mas isso não funcionou porque ainda não encontraram o ladrão. Provavelmente não se lembra do nome dele, mas com certeza se lembra dos personagens. O ladrão atrapalhado que vivia a tentar roubar as coisas da aldeia. O empresário ganancioso que queria demolir tudo para construir um edifício de luxo.

Ricardo de Pascoal foi o homem por trás do seu furtado e do seu carequinha, dois dos mais memoráveis ​​vilões de Chaves. E a sua história é a mais recente dessa lista. Tão recente que ainda dói. Ricardo nasceu na Cidade do México a 21 de agosto de 1940. Iniciou a carreira artística cedo em 1958 e construiu uma trajetória sólida em telenovelas mexicanas, mas foi em 1972, quando conheceu Roberto Gomes Bolâus, que ele entrou para o universo que o imortalizaria.

tornou-se ator coadjuvante em praticamente todos os programas do grupo T Espírito, sempre nos bastidores, sempre discreto, sempre fazendo rir o público sem roubar a cena. Mas há uma ironia cruel na carreira do Ricardo. Ele interpretou o seu carequinha, o empresário sem coração que queria destruir a aldeia, arrancar as famílias das suas casas e transformar aquele lugar de pobreza e alegria em betão e vidro.

A personagem era a antítese de tudo o que Chaves representava e Ricardo na vida real era exatamente o oposto do personagem. Um homem simples, que amava os colegas de elenco, que compreendiam o valor daquela aldeia fictícia que havia ajudado a construir, mas o tempo, implacável cobrou o seu preço.

O Ricardo foi fumador durante a juventude. Um hábito que abandonou há décadas, mas que deixou marcas permanentes. Em outubro de 2025, já com 85 anos, Ricardo concedeu uma entrevista que emocionou milhões de fãs. Apareceu com um cilindro de oxigénio ao lado, lutando para respirar, e revelou publicamente estar com doença pulmonar obstrutiva crónica: DPOC, uma doença degenerativa, incurável, que rouba o ar aos poucos.

Ele contou que a saúde tinha piorado significativamente depois de contrair Covid-19 e que cada dia era uma batalha para simplesmente existir. Poucos meses depois dessa entrevista, o mundo recebeu a notícia de que ninguém queria ouvir. Ricardo de Pascoal morreu a 21 de de abril de 2026, aos 85 anos, na mesma cidade onde nasceu.

causa exata da morte não foi divulgada publicamente, mas não importa. O que importa é que mais um pilar da aldeia caiu. Mais uma voz que fazia parte da nossa infância silenciou para sempre. Para muitos fãs brasileiros, a notícia da morte de Ricardo passou quase despercebida no meio da correria do dia-a-dia. Não houve manchete de primeira página, não houve luto oficial, não houve como nacional como aconteceu com T Espírito.

Mas quem acompanha de perto o universo Chaves sabe o quanto cada uma destas partidas representa o fecho de um capítulo importante da nossa própria infância. Ricardo foi o sétimo a partir e a aldeia está quase vazia agora. E lembra-se do seu carequinha? Tinha medo dele quando era criança ou achava engraçado ver o Chaves e os seus amigos enfrentando aquele vilão? A aldeia pode ter ficado mais vazio, mas o legado destes sete gigantes é eterno.

Agora quero saber de ti qual destas histórias mais te marcou? Deixa aqui nos comentários e diz-me de onde está a assistir. Se essa homenagem mexeu com o seu coração, já esmaga o like, subscreve o canal e ativa o sininho para não perder os próximos vídeos. Um abraço e até à próxima. M.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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