OS LUXOS DEIXADOS POR JERRY ADRIANI APÓS SUA MORTE — DOCUMENTÁRIO DO ÍDOLO DA JOVEM GUARDA – H
Doce, doce, amor. Onde está? Diga, por favor, doce amor. Se tem mais de 30 anos, provavelmente já ouviu esta voz. Talvez no rádio do carro do seu pai, talvez num disco antigo que a sua mãe guardava, talvez naquele programa de domingo à tarde, quando a televisão era a preto e branco e todo o Brasil parava para assistir à mesma coisa.
Jerry Adriane, o galã do topete da voz macia do terno impecável, o homem que fazia menina desmaiar à porta do teatro, um dos maiores nomes da jovem guarda. Agora já sei que me E houve uma altura em que ele foi grande de um maneira que hoje quase ninguém se lembra direito. Quando morreu, em abril de 2017, surgiu aquela pergunta que sempre surge quando um artista deste tamanho se vai.
O que sobrou? Onde foram parar as mansões, os grandes carros, o dinheiro de mais de 50 anos de carreira? Quem ficou com o quê? E porque é que até hoje há tanta gente perguntando e tão pouca resposta clara? A gente foi atrás, procurou casa, procurou carro, procurou herança, procurou cifra e o que encontrámos não é nada, mas nada mesmo do que você está a imaginar agora.
Mas antes de chegar lá, é preciso entender quem foi este homem, porque a sua história começa num lugar bem mais humilde, do que o fato bem cortado deixava transparecer. Mais do que um músico, mais do que o contributo que o Jerry deu eh para o panorama musical do nosso país, deu para nós, humanos. O seu nome nem sequer era Jerry Adriane.
Ele nasceu Jair Alves de Souza a 29 de Janeiro de 1947 em São Paulo, no bairro do Brás, neto de calabreses, família de italiano, daqueles em que a música fazia parte do ambiente antes mesmo de alguém pensar em carreira. esta família de espanhóis, dona Josepa, o senhor Luiz, e eu aí tive uma outra influência que foi a influência da Espanha.
E quem conhece São Paulo dessa época sabe o que era o BRZ nos anos 40 e 50. Bairro de imigrante, de fábrica, de pessoas que chegavam com uma mala e um apelido difícil de pronunciar. CTIço, moradia geminada, quintal partilhado, rádio ligado alto na cozinha, porque a televisão ainda era coisa de outro mundo.
Ainda menino, a família mudou-se para a Vila Prosperidade, na região do ABC Paulista. Naquela época pertencia a Santo André, depois passou a ser São Caetano do Sul, terra de operário, de metalúrgico, de gente que acordava cedo para picar cartão. E aí surge o primeiro pormenor que muda a leitura desta história. Em 1959, com apenas 12 anos de idade, aquele menino começou a estudar música formalmente em Conservatório, em Santo André e São Caetano. para na idade.
Enquanto os miúdos da rua estavam jogando à bola no campinho de terra batida, ele estava a aprender o canto lírico. E isso mesmo que estejas a ouvir, canto lírico, o da ópera. Cantou pela primeira vez em público numa festa do dia dos professores no teatro Santos do Mont. Mas o rock chegou.
E quando o rock chega na cabeça de um adolescente, não tem conservatório que aguente. Ele passou por um grupo vocal chamado The Condors. Depois formou uma banda com um nome que já dizia tudo, Os Rebeldes. Em 1962, com 15 anos, já cantava na rádio Cassic. Agora presta atenção ao que aconteceu a seguir, porque é uma velocidade que hoje seria impensável.
Em 1964, com 17 anos de idade, lançou o primeiro LP, italianíssimo, repertório em italiano, homenagem direta às raízes da família. E no mesmo ano, ainda em 1964, saiu o segundo disco Crediami, dois LPs. No mesmo ano, com 17 anos, tem um cantor hoje que passam 5 anos para lançar um álbum só.
Ele lançou dois antes de completar 18 e o nome artístico. Isso é uma das coisas mais curiosas da história dele. Segundo os relatos biográficos, Jerry Adriane nasceu da mistura de duas admirações do miúdo. Jerry do comediante norte-americano Jerry Lewis, que fazia rir o Brasil inteiro no cinema. e Adriane do cantor italiano Adriano Celentano, que era o galã da música italiana daquele tempo.
Metade humor americano, metade charme italiano, coube tudo dentro de um só nome. Em 1965 veio Um Grande Amor, o primeiro disco em português. E foi aí que a coisa se tornou de vez, porque nesse mesmo ano de 1965, a televisão brasileira ia inventar um fenómeno que mudaria a cabeça de uma geração inteira.
E aquele menino do ABC, com 18 anos acabados de completar, estava exatamente no sítio certo, na hora certa. O que veio depois transformou Jerry Adriane numa das coisas mais raras que existem neste país. Agora já sei que me Um ídolo capaz de fazer fã, de lutar na rua por causa dele. A maioria das pessoas ouve Jovem Guarda e pensa em três nomes: Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderleia.
E faz todo o sentido pensar assim, porque eram eles os donos do programa que ia ao aringo na TV Record, a partir de 1965. Eles apresentavam, eles comandavam, eles eram o rosto daquilo. Só que a Jovem Guarda era muito maior do que um programa de televisão. Era um mundo inteiro. Havia disco, havia revista, havia filme, tinha roupa, tinha um corte de cabelo, tinha maneira de falar.

Foi a primeira vez que o Brasil inventou uma cultura só de jovem e Jerry Adriane estava no primeiro escalão deste universo. Mas ele não era apenas mais um cantor que aparecia no programa dos outros. Ele tinha os programas dele em 1965. Assumiu o Excelor A GooG na TV Excelor. Entre 1967 e 1968 comandou a Grande Parada na TV Tupi.
E olha o que isso significava naquela época. ter um programa musical próprio. Quando a televisão era o centro absoluto da vida cultural do país, colocava-o entre os protagonistas do mercado, não entre os figurantes. E houve cinema também, três filmes em dois anos. Essa gatinha é minha, de 1966, Jerry A Grande Parada e Jerry em Busca do Tesouro, ambos de 1967.
Filmes feitos em cima da imagem dele com o nome dele no título. Ninguém faz um filme com o nome de um artista no título, se este artista não vende bilhete. Mas agora vem o número que muita gente vai custar a acreditar. Uma das obras de referência sobre a história do rock brasileiro regista o seguinte: Na segunda metade dos anos 60, em determinados momentos no Rio de Janeiro e nas regiões Norte e Nordeste, Jerry Adriane chegou a ser mais popular que Roberto Carlos.
Isso mesmo, mais popular que o Roberto. Agora, para ser justo com a história, não se pode dizer que era maior do que Roberto Carlos no Brasil inteiro. Não era. Isto é uma medição regional de um momento específico. Mas o simples facto de existir este registo já diz tudo sobre o patamar em que este homem jogava. Envia essa informação para alguém da tua família que curte Jovem Guarda e me conta a reação.
E a fama tinha um efeito que hoje sou até absurdo. Existia uma famosa rivalidade entre Jerry Adriane e Vanderlei Cardoso. Começou por causa de um impasse tonto. Quem ia fechar um concerto em Niterói, quem era a atracção principal, quem entrava em último lugar. Só que os clubes de fãs pegaram naquilo e transformaram em guerra.
E não era guerra de comentários na internet não, porque a internet não existia, era guerra de verdade. Existem relatos de fãs que chegavam às vias de facto, lutavam fisicamente na rua por causa de qual dos dois era melhor. Imagina o nível de paixão que um artista precisa de despertar para duas raparigas se pegarem no meio da calçada, defendendo o ídolo.
Mas tem um pormenor que quase ninguém sabe e que é a parte mais bonita desta história. Jerry e Werley eram amigos. A rivalidade era, em boa parte construção. Empresário incentivava, imprensa alimentava, fã clube comprava a briga. Nos bastidores, os dois davam-se bem e anos depois fizeram um concerto juntos no mesmo palco cantando um ao lado do outro.
Enquanto os fãs lutavam na rua, os dois tomavam café no camarim. E é aqui que esta história ganha uma camada que ninguém espera de um galã romântico, porque tem um episódio na vida de Jerry e Adriane que não tem nada a ver com um topete, com balada romântica ou com uma fã a gritar. Tem a ver com um baiano cabeludo, uma banda falida e um roubo de instrumentos.
E este baiano conheces muito bem. Antes de ser Raul Seixas, foi Raulzito, um rapaz de Salvador, cabeludo, esquisito para os padrões da época, líder de uma banda chamada Os Panteras. Tocavam no circuito da Baía, sonhavam com o Rio de Janeiro e não tinham a mínima ideia de como lá chegar, porque nessa altura o Brasil da música funcionava de uma forma muito simples e muito cruel.
Se não estava no eixo Rio São Paulo, tu não existias. Gravadora ficava lá, televisão ficava lá, rádio que tocava no país inteiro ficava ali e ninguém abria a porta para baiano desconhecido. Aí Jerry Adriane apareceu na Baía. Ele estava em digressão, atravessou o caminho dos Panteras, ouviu o banda tocar e gostou. Chamou o grupo para o acompanhar numa excursão.
Depois foi mais longe. incentivou os rapazes a se mudarem para o Rio de Janeiro. Mas o favor de verdade veio mais tarde e é uma história que quase ninguém conta. Os Panteras tiveram os instrumentos roubados. Para que perceba o tamanho da tragédia, banda sem instrumento. Naquela altura não era um problema, era o fim.
guitarra, bateria, amplificador, tudo importado, tudo caro, tudo impossível de repor para um grupo de miúdos sem dinheiro que tinha acabado de chegar a uma cidade estranha. Era a hora exata de todos voltarem para Salvador e desistir. E depois, segundo o depoimento do guitarrista da banda, o Eládio Gil Braz, foi Jerry Adriane quem segurou a barra.
Acolheu o grupo e fez uma coisa que muito pouca gente faz por alguém que mal conhece. Ele virou fiador dos músicos para que estes pudessem comprar equipamento novo. Fiador. Pensa no peso desta palavra. É colocar o seu próprio nome, o próprio crédito e o próprio bolso na linha por uma banda de desconhecidos. Se aqueles rapazes não pagassem, a conta ia bater à porta dele.
Mas a mão que Jerry estendeu não se ficou por aí, porque quando O Raul chegou de vez ao mercado, foi o Jerry que ajudou a abrir a porta da CBS para ele e não como cantor, como produtor. Raul Seixas trabalhou dentro da editora discográfica produzindo disco de outros artistas, incluindo discos do próprio Jerry anos antes de se tornar o mito que a gente conhece.
Ou seja, antes de Ouro de Tlo, antes da Metrolinha 743, antes de Maluco Beleza, Raul Seixas estava numa sala de uma editora discográfica e quem tinha ajudado a colocá-lo ali era o galã de topete, que as meninas gritavam. E eis que surge o encontro perfeito das duas histórias. Em 1971, Jerry lançou o LP Pensa em mim. E dentro desse disco tinha uma canção assinada por Raul Seixas e Mauro Mota.
O nome dela era Doce Doce Amor. Doce doce amor. Digas, por favor. Tornou-se o maior sucesso da carreira de Jerry Adriane. A música que até hoje toca, que até hoje o brasileiro reconhece nas primeiras notas, que se tornou sinónimo do seu nome, escrita pelo baiano, que tinha ajudado quando ninguém queria saber.
Só que isso é importante para o que a gente vai ver mais paraa frente. Jerry era o intérprete, não o compositor. E na música, este diferença vale dinheiro, muito dinheiro. O compositor recebe de uma forma, quem canta recebe de outro. Guarda essa informação porque vai fazer sentido daqui a pouco. A amizade dos dois durou a vida inteira.
Jerry apareceu no batizado da filha de Raul em 1983, numa homenagem televisiva. O Raul entrou de surpresa em palco e os dois cantaram Doce Doce amor juntos ali ao vivo na frente do Brasil. E décadas depois, já homem grisalho, num programa de TV, Jerry resumiu tudo numa frase simples. Raul Seixas foi um dos grandes amigos da vida dele.
Nos últimos meses antes de morrer, sabe o que Jerry estava preparando? Um disco de rock com repertório de Raul. 50 anos depois de fazer de fiador daqueles instrumentos, ia voltar para o amigo. Mas esta é uma história para daqui a pouco, porque agora precisamos de responder a questão que o trouxe até aqui. Cadê o dinheiro? Agora chegou a hora.
53 anos de carreira, programa próprio na televisão, três filmes, dezenas de discos, uma das maiores estrelas de uma geração inteira. Alguém com este currículo tem que ter deixado alguma coisa. Mansão, quinta, carro importado, conta gorda no banco. É aquilo que a lógica manda pensar. E faz todo o sentido pensar assim, porque é o que a gente vê acontecer com um artista deste tamanho.
Então, fomos procurar item a item e o resultado é surpreendente. Vamos começar pelos carros porque é o que toda a gente imagina primeiro. Jovem guarda e carrão são coisas que andam juntas na cabeça do brasileiro. Foto de época, capa de revista, artista encostado a um descapotável. Só que há um problema. Carro em fotografia não é carro registado em nome de ninguém.
E é exatamente aí que a investigação se detém. Procurou-se Mustang, procurou-se Aerowis, procurou-se qualquer modelo que a internet lhe atribui. Não existe um único automóvel de luxo cuja propriedade tenha sido comprovada como sendo de Jerry Adriane. Nenhum documento, nenhuma entrevista em que diz: “Este carro é meu”.
Nenhuma reportagem de época, nada. E olhe, isso não quer dizer que nunca teve um carro bom. Provavelmente teve. O que estamos a dizer é outra coisa. Ninguém consegue provar. E se ninguém prova aqui, não afirmamos. Agora as casas. Aqui tem um pouco mais de chão. Nos últimos anos de vida, Jerry vivia numa casa na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Isso está documentado.
Houve entrevista gravada dentro da casa dele. Em dezembro de 2016, teve uma visita de equipa de televisão. Houve gente do meio musical que lá esteve e contou. Mas depois vem a pergunta chata que nós precisa de fazer. A casa era dele? Não dá para afirmar. Não foi encontrada escritura, registo de propriedade, valor de mercado, metragem, nada.
Viver numa casa e ser dono da casa são duas coisas diferentes. E no Rio de Janeiro, então, mais diferentes ainda. Fazenda não encontrada, local não encontrado. Casa de praia não encontrado, apartamento de investimento não encontrado. E o valor da fortuna dele não existe. Não foi localizado inventário público, declaração de património, partilha de bens, nada que permita colocar um número no ecrã e dizer: “Jerry, a Adriane deixou tanto”.
Aí pergunta-me: “Mas então ele estava partido?” Não. E é aqui que a história vira, porque há documentos sim, só que é de outro tipo e é muito mais revelador. Em 2005, o BNDS contratou um espectáculo do Jerry chamado As Minhas Canções num projeto cultural do banco. O valor do contrato está publicado, R$ 10.900. 6 anos depois, em 2011, a câmara municipal de São Desidério, uma cidade da Baía, contratou um espetáculo dele.

Está no portal da transparência do município, o valor 44.000€ por uma noite em 2011, para um cantor que tinha estoirado quase 50 anos antes. E atenção a um pormenor importante, porque é aqui que muita gente erra. Esse é o valor do contrato, não é o dinheiro que lhe entrava no bolso. Desse montante sai banda.
Sai equipamento, sai transporte, sai produção, sai empresário, sai imposto. O que sobra para o artista é uma fração. Mas mesmo sendo fração, o número diz uma coisa importante. O nome Jerry Adriane ainda valia dinheiro em 2011 e não era um espectáculo aqui e outro ali. Numa entrevista, aos 64 anos de idade, soltou um número que deita por terra qualquer teoria de artista esquecido.
Disse que tinha feito 17 espetáculos no mês anterior. 17.º Em 30 dias aos 64 anos. Isto é mais de um espetáculo a cada dois dias. É estrada, é aeroporto, é hotel, é palco, é voz. Tem artista jovem hoje no auge da fama que não faz isso. E há mais. Em 1999, quando já tinha 52 anos e mais de três décadas de carreira nas costas, Jerry lançou um disco chamado Forza Sempre, em que cantava músicas dos Legião Urbana em italiano.
Ideia estranha, talvez, mas vendeu cerca de 200.000 exemplares. 200.000 cópias em 1999 para um cantor identificado com os anos 60.º Há artista a lançar disco hoje que não chega perto disso. Então vamos organizar o que descobrimos até aqui. Jerry Adriane não quebrou, não faliu, não perdeu tudo num mau negócio, não terminou a vida a pedir ajuda, trabalhou, faturou, manteve mercado e viveu com conforto até ao último ano.
Mas também não existe prova nenhuma de mansão, de coleção de carros, de quinta ou de fortuna milionária. O que existe é o retrato de um profissional, um homem que ganhava a vida com o seu próprio nome no palco, mês após mês, década após década. E aí fica a questão: que esta investigação inteira construiu? Se não foram carros e não foram mansões, o que exatamente Jerry Adriane deixou quando morreu? Porque é que ele deixou? E o que ele deixou está guardado até hoje, catalogado.
E uma parte disso qualquer pessoa pode ir lá ver. Em janeiro de 2017, Jerry Adriane fez 70 anos e fez três festas. Três, não uma, não duas, três comemorações diferentes, porque era muita gente para caber num só lugar. estava animado, cheio de projeto, planeando o disco de rock com músicas do Raul, planeando concertos, planeando talvez um DVD.
Estava também a escrever a autobiografia. vinha escrevendo desde 2008, quando a sua mãe, a senhora Angelina, morreu. Pouco antes do carnaval desse ano, entregou o material pro produtor que ia ajudar a organizar tudo. 70 anos, agenda preenchida, livro em andamento, novo disco a caminho. E aí, em março, foi internado com uma trombose.
Foi nos exames feitos depois dessa hospitalização que apareceu o que ninguém esperava, um cancro. E aqui a gente precisa de ser honesto consigo, porque a internet não é. Na época a família não divulgou qual era o tipo, nem onde estava o cancro. Os jornais da época registaram-no claramente. Só depois é que começaram a aparecer reportagens dizendo que era no pâncreas.
Portanto, é isso que se pode dizer com segurança. Era cancro. E o tipo não foi anunciado pela família naquele momento. Jerry Adriane morreu no dia 23 de abril de 2017, pelas 15h30, num hospital da Barra da Tijuca. Tinha 70 anos. E agora repara nesse pormenor, porque ele é a coisa mais impressionante deste vídeo inteiro.
Quando morreu, o site oficial dele ainda listava 11 concertos marcados até dezembro desse ano. E o compromisso seguinte era muito poucos dias após a data da morte. Ele morreu com a agenda preenchida. Não morreu esquecido. Não morreu sem trabalho. Não morreu à espera que alguém se lembrasse dele. Morreu a meio do serviço.
Aos 70 anos, com concerto marcado para os próximos 8 meses. Foi velado e sepultado no dia seguinte no cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, no Rio. Erasmo Carlos estava lá. Vanderlei Cardoso, Ron Von, Vanderleia e um monte de gente que partilhou o palco com ele nos anos 60 se manifestaram. Os programas da tarde prestaram homenagem.
E depois veio a pergunta que nós vimos construindo todo este vídeo. O que ficou? A resposta começa numa mulher, dona Angelina, a mãe dele. Aquela senhora, ao longo de décadas, guardou tudo. Foto, recorte de jornal, letra de música escrita à mão, revista, carta de fã, tudo com cuidado, com carinho, com aquele zelo de mãe brasileira que não deita fora nada que tenha a ver com o filho.
E provavelmente conhece uma mulher assim. Talvez seja a sua mãe, talvez seja a sua avó com aquela caixa de sapato cheia de foto amarelada em cima do guarda-roupa. Pois foi essa caixa muito maior, claro, que virou a verdadeira herança de Jerry Adriane. Quando morreu, os três filhos assumiram a guarda deste acervo, Thago, Tadeu e Joseph, e não deixaram o material se perder num porão.
5 anos depois, apareceram na televisão mostrando o trabalho de preservação. falaram em mais de 30 horas de gravações inéditos do pai, 30 horas de material que nunca ninguém viu. Em 2023, Tadeo fez uma coisa que muda tudo. Ele doou parte do acervo para a Funarge, a Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro. discos de vinil, letras de canções, instrumentos, objetos utilizados em espetáculo, entregues a uma instituição pública, catalogados, conservados, não foi vendido, não foi leiloado, foi doado.
E em 2025 aquilo tudo tornou-se uma exposição com o nome perfeito: Doce, Doce Amor, a vida de Jerry Adriane. E o que lá estava dentro? O seu violão, um disco de ouro, as roupas de palco, troféus, cadernos de fã, daqueles que menina fazia à mão colando foto de revista, fotografias de todas as fases da vida e a faixa de Rei do Rio que ganhou.
Esse é o luxo que Jerry Adriane deixou. Não é um Mustang na garagem, não é uma mansão com piscina, é uma guitarra, um disco de ouro e um caderno de fã que alguma menina de 16 anos montou em 1966, colar recorte de revista com cola caseiro, sonhando com um cantor que ela nunca ia conhecer. E hoje este caderno está guardado numa fundação pública catalogado como património cultural do estado do Rio de Janeiro.
Há coisa mais valiosa do que isso? No fim das contas, entrámos nessa história à procura de uma coisa e encontrou outra. Procurou carro e não achou. Procurou mansão e não a encontrou. Procurou uma cifra de milhões e não encontrou. mas encontrou um homem que começou a estudar música aos 12 anos numa cidade de operário que gravou dois discos aos 17 que se tornou fiador de uma banda falida só porque acreditou naqueles rapazes que aos 64 anos fazia 17 espectáculos num mês e que morreu com um concerto marcado pros próximos 8 meses. Pois, talvez a gente
esteja a medir a coisa errada, porque há gente que junta património e tem gente que junta história. E, por vezes, o segundo dura mais tempo. O dinheiro do Jerry e Adriane ninguém sabe onde foi parar. E sinceramente talvez isso nem interesse tanto assim. O que sabemos é que a mãe dele guardou cada recorte, os filhos dele guardaram cada fita e hoje a guitarra daquele menino do brás está num acervo público para quem quiser ver.
Ele trabalhou até ao último mês de vida, fazendo exatamente o que sonhou aos 12 anos. Se isto não é luxo, não sei mais o que é. Agora diga-me você o que surpreendeu-te mais nesta história? Descobrir que Jerry Adriane foi fiador da banda de Raul Seixas ou descobrir que fazia 17 concertos por mês aos 64 anos? Escreve lá em baixo.
E se tem alguma música dele que marcou a sua vida ou a da sua família, comenta o nome. Eu quero ler todas. Deixa o like, subscreve o canal e ativa o sininho para não perder o próximo.
Quando morreu, o site oficial dele ainda listava 11 concertos marcados até dezembro desse ano. E o compromisso seguinte era muito poucos dias após a data da morte. Ele morreu com a agenda preenchida. Não morreu esquecido. Não morreu sem trabalho. Não morreu à espera que alguém se lembrasse dele. Morreu a meio do serviço.
Aos 70 anos, com concerto marcado para os próximos 8 meses. Foi velado e sepultado no dia seguinte no cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, no Rio. Erasmo Carlos estava lá. Vanderlei Cardoso, Ron Von, Vanderleia e um monte de gente que partilhou o palco com ele nos anos 60 se manifestaram. Os programas da tarde prestaram homenagem.
E depois veio a pergunta que nós vimos construindo todo este vídeo. O que ficou? A resposta começa numa mulher, dona Angelina, a mãe dele. Aquela senhora, ao longo de décadas, guardou tudo. Foto, recorte de jornal, letra de música escrita à mão, revista, carta de fã, tudo com cuidado, com carinho, com aquele zelo de mãe brasileira que não deita fora nada que tenha a ver com o filho.
E provavelmente conhece uma mulher assim. Talvez seja a sua mãe, talvez seja a sua avó com aquela caixa de sapato cheia de foto amarelada em cima do guarda-roupa. Pois foi essa caixa muito maior, claro, que virou a verdadeira herança de Jerry Adriane. Quando morreu, os três filhos assumiram a guarda deste acervo, Thago, Tadeu e Joseph, e não deixaram o material se perder num porão.
5 anos depois, apareceram na televisão mostrando o trabalho de preservação. falaram em mais de 30 horas de gravações inéditos do pai, 30 horas de material que nunca ninguém viu. Em 2023, Tadeo fez uma coisa que muda tudo. Ele doou parte do acervo para a Funarge, a Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro. discos de vinil, letras de canções, instrumentos, objetos utilizados em espetáculo, entregues a uma instituição pública, catalogados, conservados, não foi vendido, não foi leiloado, foi doado.
E em 2025 aquilo tudo tornou-se uma exposição com o nome perfeito: Doce, Doce Amor, a vida de Jerry Adriane. E o que lá estava dentro? O seu violão, um disco de ouro, as roupas de palco, troféus, cadernos de fã, daqueles que menina fazia à mão colando foto de revista, fotografias de todas as fases da vida e a faixa de Rei do Rio que ganhou.
Esse é o luxo que Jerry Adriane deixou. Não é um Mustang na garagem, não é uma mansão com piscina, é uma guitarra, um disco de ouro e um caderno de fã que alguma menina de 16 anos montou em 1966, colar recorte de revista com cola caseiro, sonhando com um cantor que ela nunca ia conhecer. E hoje este caderno está guardado numa fundação pública catalogado como património cultural do estado do Rio de Janeiro.
Há coisa mais valiosa do que isso? No fim das contas, entrámos nessa história à procura de uma coisa e encontrou outra. Procurou carro e não achou. Procurou mansão e não a encontrou. Procurou uma cifra de milhões e não encontrou. mas encontrou um homem que começou a estudar música aos 12 anos numa cidade de operário que gravou dois discos aos 17 que se tornou fiador de uma banda falida só porque acreditou naqueles rapazes que aos 64 anos fazia 17 espectáculos num mês e que morreu com um concerto marcado pros próximos 8 meses. Pois, talvez a gente
esteja a medir a coisa errada, porque há gente que junta património e tem gente que junta história. E, por vezes, o segundo dura mais tempo. O dinheiro do Jerry e Adriane ninguém sabe onde foi parar. E sinceramente talvez isso nem interesse tanto assim. O que sabemos é que a mãe dele guardou cada recorte, os filhos dele guardaram cada fita e hoje a guitarra daquele menino do brás está num acervo público para quem quiser ver.
Ele trabalhou até ao último mês de vida, fazendo exatamente o que sonhou aos 12 anos. Se isto não é luxo, não sei mais o que é. Agora diga-me você o que surpreendeu-te mais nesta história? Descobrir que Jerry Adriane foi fiador da banda de Raul Seixas ou descobrir que fazia 17 concertos por mês aos 64 anos? Escreve lá em baixo.
E se tem alguma música dele que marcou a sua vida ou a da sua família, comenta o nome. Eu quero ler todas. Deixa o like, subscreve o canal e ativa o sininho para não perder o próximo.