POR DENTRO DO APARTAMENTO SIMPLES ONDE REGINA DUARTE VIVE SOZINHA AOS 79 ANOS – H
Uma senhora caminha pelas ruas movimentadas de São Paulo e de repente para diante de algumas caixas de cartão abandonadas no passeio. [música] Ela observa o material, escolhe o que ainda pode ser aproveitado e demora alguns pedaços consigo. Eu não sei se você a reconheceria nesta situação, mas aquela mulher já foi uma das pessoas mais famosas do Brasil.
Ela é Regina Duarte, [música] a eterna namoradinha do Brasil, a inesquecível viúva porcina de Rock Santeiro e uma das atrizes que mais pararam o país em frente à televisão. [música] Hoje, com 79 anos, vive em São Paulo, sem marido ou companheiro, rodeada de livros, obras de arte, quatro gatas [música] e recordações de uma carreira histórica.
A antiga protagonista das novelas das 8 trocou [música] o ritmo intenso dos estúdios por uma rotina completamente diferente. E aquelas caixas recolhidas na rua têm uma explicação [música] que surpreendeu até quem acompanhou a sua vida desde o início. Mas como [música] uma menina de família simples, cujo pai necessitou vender safatos e galinhas para completar a renda, transformou-se numa das maiores estrelas da televisão.
O que aconteceu com os seus grandes relacionamentos? [música] Como vivem os seus três filhos e os seus sete netos? E porque Regina Duarte garante que não pretende voltar a fazer novelas longas. Seja muito bem-vindo ao Quem Quem. Prepare-se para entrar na história, nas memórias [música] e no apartamento onde hoje vive, porque o que parece solidão, [música] afastamento ou decadência, quando observado de perto revela uma escolha muito diferente.
Quando se fala em casa de uma atriz que protagonizou algumas das telenovelas mais assistidas do país, [música] muita gente imagina logo uma mansão rodeada por jardins, emprefregados e objetos caríssimos. No caso de Regina Duarte, porém, a realidade conhecida é muito menos ostensiva.
Ela vive em São Paulo e um dos registos mais detalhados da sua rotina doméstica mostrou um apartamento no bairro dos Jardins, uma região valorizada da capital, mas com uma atmosfera pessoal e bastante ligada à arte. No interior do imóvel, o destaque não era uma decoração feita apenas para impressionar as visitas. Havia muitos livros, recordações de teatro, literatura e [música] televisão, para além de diferentes obras de arte, entre elas, uma tela de de Cavalcante, um dos nomes [música] mais importantes do modernismo brasileiro.

Durante um certo [música] período, a atriz também utilizou o apartamento para gravar vídeos, fazer [música] leituras de autores como Machado de Asis e Ariano Suçuna e conversar [música] com o público através das redes sociais. Nos últimos anos, a produção artística [música] modificou até a organização da casa.
Caixas, folhas, flores, [música] sementes, ramos e caroços passaram a fazer parte da rotina. Ela contou que o lugar chegou a ser tomado pelos materiais que recolhia e guardava para as suas criações. Não era lixo acumulado sem finalidade. Cada pedaço poderia se [música] transformar em rosto, árvore, personagem ou pormenor de uma nova obra de arte.
Ela também afirmou que tem quatro gatas e uma funcionária que está ao [música] seu lado há mais de quatro décadas. E há outro pormenor importante. Esta preferência por uma vida sem tanta ostentação não começou agora. A origem de Regina Duarte foi muito [música] mais humilde do que muitos imaginam. Regina V Duarte. Ela nasceu a 5 de fevereiro de 1947, na cidade de Franca, no interior de São Paulo.
Quando tinha 6 anos, mudou-se com a família para Campinas. [música] A sua mãe, Dulce, tratava da casa, enquanto o pai Jesus Duarte era tenente reformado do exército. O salário, porém, não era suficiente para todas as despesas. Para reforçar o orçamento, ele vendia sapatos e galinhas na feira. Imagine aquela menina a acompanhar uma família que precisava de calcular cada gasto, sem saber que um dia o próprio [música] rosto entraria diariamente no casa de milhões de brasileiros.
Regina Duarte não nasceu em berço de ouro não. E não teve familiares famosos abrindo as portas da televisão. [música] O primeiro encontro marcante com o teatro aconteceu quase por acaso dentro de um autocarro. Sentado perto dela, um rapaz lia o diário de Anne Frank. Curiosa, Regina foi acompanhando as páginas e descobriu [música] que ele era ator.
Aquele encontro despertou algo que já existia dentro dela. Até então, sonhava ser bailarina, pintora, escritora ou até mesmo uma estrela de Hollywood como Marilyn Morrow. Aos 14 anos, entrou para o teatro do estudante de Campinas. O seu primeiro personagem foi o palhaço de Outro da [música] Compadecida de Ariano Suaçuna. Depois vieram aulas comerciais e pequenos trabalhos publicitários.
Um desses anúncios foi [música] vista pelo diretor Walter Avancini. Aos 18 anos, ela recebeu o chamado para fazer um teste na TV [música] Excelor. Era o início de uma trajetória que mudaria não só a sua [música] vida, mas a própria história das telenovelas brasileiras. Em 1965, Regina Duarte estreou-se na televisão em A deusa Vencida, ao lado de nomes como Tarcísio Meira e Glória Menezes.
Ela tinha apenas 18 anos, mas rapidamente chamou a atenção pelo rosto expressivo, pela voz marcante e pela capacidade de transmitir emoção sem parecer artificial. fez outros trabalhos na TV Acelcior. Em 1969, quando a emissora enfrentava uma grave crise financeira, recebeu [música] o convite que definiria a sua carreira, mudar-se para a Globo.
A sua estreia na nova estação aconteceu em Vel de Noiva de Janette Claire. Em seguida, vieram irmãos Coragem, minha doce namorada, selva de pedra e carinhoso. Sou radiante, Eduardo. Coisa de loucos, não. Em poucos anos, Regina Duarte deixou de ser uma jovem promessa e tornou-se o rosto conhecido em todo o país. A imagem da menina doce, romântica, delicada e aparentemente perfeita fez nascer [música] o título que a acompanharia por décadas, a namoradinha do Brasil.
Eu não sei se se lembra, mas quando uma novela fazia sucesso, todo o país parecia acompanhar a mesma história. [música] Naquela época não existiam redes sociais, plataformas de vídeo ou dezenas de canais disputando a atenção do público. E Regina Duarte estava no centro deste fenómeno [música] de sucesso da televisão.
A audiência via nela a filha ideal, a namorada sonhada e a jovem pela qual todos torciam. Um dos primeiros sinais da dimensão daquele sucesso [música] apareceu numa selva de pedra, exibida em 1972. [música] A atriz interpretava Simone Marques e partilhava a história com Francisco [música] Coco no papel de Cristiano. Mas tem de haver, tem de haver uma punição legal.
A novela alcançou uma repercussão gigantesca [música] e consolidou a Regina Duarte como protagonista do horário nobre. Já não era apenas uma jovem talentosa que tinha [música] chegado da Exelsor. Ela sustentava agora uma trama inteira, emocionava ao público e confirmava a confiança que os diretores [música] e autores tinham depositado em o seu talento.
Depois vieram o Carinhoso e o Fogo [música] sobre a Terra, mantendo a a sua presença constante na televisão. [música] O curioso é que precisamente quando parecia ter conquistado o lugar que toda a atriz desejava, Regina Duarte começou a sentir-se limitada por ele. Para continuar a crescer, precisaria contrariar a expectativa dos produtores e telespectadores.
Não queria desprezar as jovens que lhe deram a fama, mas também não aceitava repetir a mesma mulher para sempre. Essa A inquietação explica porque assumiria riscos no teatro e escolheria personagens capazes de incomodar até parte dos seus admiradores. Era uma decisão profissional bastante corajosa e arriscada na época.
Só que o sucesso tornou-se também uma espécie de prisão profissional. Regina Duarte percebeu que continuava a ser chamada para viver mulheres parecidas, jovens certinhas, comportadas e românticas. Enquanto o público via a namoradinha, ela queria mostrar outras possibilidades. Queria interpretar mulheres contraditórias, independentes e até incómodas.
Imagine só. Em 1975, voltou ao teatro para viver uma menina de programa na peça Revon. Depois interpretou uma professora avançada para o seu tempo em Nina. Era uma tentativa consciente de romper com a antiga imagem. A transformação definitiva viria alguns anos depois, como personagem que discutiu a separação, a sexualidade e a liberdade feminina, quando quase ninguém falava abertamente sobre estes assuntos na TV.
Logo depois de eu estrear o Revon, que foi uma peça polémica, que deu muito que falar. Em 1979, ela aceitou o convite para protagonizar Malu Mulher. A personagem era uma socióloga recente separada, mãe de uma menina e decidida a reconstruir a vida sem depender do ex-marido. Hoje essa premissa pode parecer comum, mas naquela época era provocadora.
A série discutiu assuntos sensíveis domésticos: preconceito, aborto, prazer feminino, homossexualidade e as dificuldades enfrentadas por uma mulher divorciada. Foi exibida no Brasil e vendida para mais de 50 países. Para Regina Duarte, Malu significou o rompimento definitivo com a jovem passiva que o público esperava. Olha, gente, é o seguinte, este negócio tem de ser o tipo da coisa bem espontânea, sabe? Masamalu mostrou coragem e independência.
A viúva porcina revelou uma regina que quase ninguém [música] conhecia. Em 1985, ela voltou à Globo para participar em Roque Santeiro. Porcina dizia ter sido casou com o herói da cidade de Asa Branca, embora aquele casamento nunca tivesse existido. [música] Exagerada, colorida, ruidosa e completamente livre.
Usava turbantes, joias, estampas e gestos enormes. Ao lado de Lima Duarte, como o senhorzinho Malta e José Wilker, tal como Rock, ela viveu um dos maiores fenómenos da televisão. O mais curioso é que a personagem também transformou a própria atriz. Regina Duarte contou que antes era tímida, discreta e gostava de combinar o brinco com o sapato e a mala.
Orscina ensinou que ela poderia misturar cores, ocupar espaço e não pedir desculpa por chamar a atenção. Depois daquela explosão, mais ninguém poderia reduzir Regina Duarte à antiga namoradinha do Brasil. Trs anos depois, veio Raquel a Cioli, de Vale tudo. Se a forcina era excesso, a Raquel era resistência. Abandonada e enganada pela filha Maria de Fátima, vivida por Glória Fis, ela recomeçava vendendo sandes na Fraia e construía o seu próprio negócio sem abrir mão da honestidade.
A luta entre mãe e filha tornou-se um retrato das escolhas morais do país. Regina admitiu que sentia medo de trabalhar depois do sucesso de Roque Santeiro, mas Raquel provou que ainda existia muita coisa para além da viúva Porina. Em 1990, Maria do Carmo, de rainha da sucata trouxe outra mulher popular e trabalhadora.
Filha de um vendedor de ferro velho, ela transformava sucata em fortuna e entrava no mundo da elite paulista sem esconder as suas origens. A personagem tinha sido escrita especialmente para Regina Duarte e protagonizou uma disputa inesquecível com Laurinha Figueiroa, interpretada por Glória Menezes. Depois vieram as Helenas de Manuel Carlos.
[música] Regina viveu três delas em história de amor, por amor e páginas da vida. Eram mulheres maduras, mães profissionais e capazes de decisões extremas em nome dos filhos. Bem, por amor, a atriz contracenou com a própria filha Gabriela Duarte e viveu a mãe que mudava os bebés na maternidade para impedir que Maria Eduarda descobrisse a morte do filho.
Em páginas da vida, a Suelena adotava Clara, uma criança com síndrome de Dal rejeitada pela avó. [música] Malu, Porcina, Raquel, Maria do Carmo e as Helenas não foram apenas papéis de sucesso. Elas acompanharam mudanças do Brasil e fizeram o público discutir casamento, corrupção, [música] maternidade, o preconceito e a independência.
Mas enquanto Regina Duarte interpretava mulheres a viver grandes paixões e conflitos, a sua própria vida amorosa passava também por encontros, separações e recomeços. Regina Duarte costuma falar da sua própria vida sentimental, sem fingir que encontrou uma fórmula perfeita. A entrevista Lida Nagle contou que considera ter vivido cinco casamentos, embora apenas o primeiro tenha sido oficializado no Fafel.
Segundo ela, todos os companheiros foram importantes e ajudaram em diferentes momentos da sua trajetória. O primeiro foi o engenheiro Marcos Flávio Franco [música] Cunha. Eles se casaram em 1969, precisamente quando Regina iniciava a sua história na Globo. Da União nasceram André e Gabriela. O relacionamento terminou em 1975.
Pouco depois, envolveu-se com Daniel Filho, ator e encenador fundamental na história da televisão e responsável pela importantes trabalhos da atriz. A relação foi curta, mas intensa. No início dos anos 1980, ela viveu com o publicitário argentino Daniel Gomes. Desta união nasceu João, o o seu terceiro filho.
Depois casou com o realizador Del Rangel, com quem manteve-se por cerca de 12 anos. Mais tarde, em 2002, [música] iniciou o relacionamento mais duradouro da sua fase madura com o produtor pecuário Eduardo Lipicot. Os dois viveram juntos durante aproximadamente 17 anos e partilharam também a criação de gado no interior paulista.
cinco uniões, três filhos em muitas fases diferentes. Muita gente no lugar dela talvez continuasse a procurar um novo companheiro para partilhar a velice. Regina Duarte chegou a outra conclusão. Ao falar sobre a possibilidade de voltar a casar, respondeu de forma direta que não faria isso de maneira nenhuma. disse que prefere ter amigos e recordou as suas quatro gatas e a funcionária de longa data.
Ela explicou também que com o tempo passou a ver o casamento mais como uma sociedade entre duas pessoas com projetos semelhantes do que como o resultado apenas da paixão. Não significa que tenha renunciado ao afeto, significa que não tenha necessidade de organizar a própria vida em torno de outro marido.
Mas há uma parte dessa história que impede qualquer interpretação de abandono. Regina Duarte construiu uma família numerosa. [música] André, o filho mais velho, nasceu em 1970 [música] e seguiu o caminho ligado ao audiovisual. Gabriela nasceu em 1974 e tornou-se atriz, assumindo uma profissão em que qualquer comparação com a mãe seria inevitável.

João, o mais novo, nasceu da relação com Daniel Gomes e também trabalhou com o cinema. Os três cresceram a ver uma mãe que precisava conciliar gravações, viagens, ensaios e a rotina familiar. Existe um pormenor pouco conhecido que une a maternidade e a artes plásticas. Regina Duarte contou que pintou o seu primeiro quadro a óleo em 1974, durante a fase em que amamentava Gabriela.
Era uma ampliação de uma fotografia da família num domingo de Páscoa. Décadas antes de ser apresentada como artista plástica, portanto, ela já experimentava transformar memórias familiares em imagens. Com a filha, a ligação entre a vida real e a aficção ficou ainda mais forte. As duas trabalharam juntas em diferentes produções, mas por amor marcou profundamente o público.
Regina interpretava Helena e Gabriela era Maria Eduarda. Na história, mãe e filha enfrentavam uma gestação difícil e uma perda devastadora. Helena dava à filha o seu próprio bebé e criava uma mentira que sustentava toda a novela. Imagine o peso de realizar aquelas cenas diante da própria filha. Regina Duarte contou que ficou emocionada ao rever momentos da trama [música] muitos anos depois.
A parceria continuou em Chiquinha Gonzaga, quando vieram a mesma personagem em fases diferentes e em A Lei do amor, novamente dividindo uma personagem. É claro que nenhuma família permanece congelada na fotografia perfeita. Os filhos cresceram, construíram as suas vidas e fizeram as suas escolhas. Mas também alargaram a família.
Hoje a Regina não é apenas mãe de três, é avó de sete. [música] A imagem de Regina Duarte, vivendo sozinha dentro de um apartamento pode levar algumas pessoas a imaginar uma velice solitária e sem contacto com a família. Só que os factos mostram uma realidade mais ampla. Os seus três filhos lideram sete netos.
Beatles aparece em diferentes momentos, acompanhando parte deles em viagens, comemorações e atividades familiares. Em 2024, ela publicou uma cena que surpreendeu muita gente. Durante uma viagem com os netos, decidiu descer numa tirolesza. Naquela altura, já tinha 77 anos. capacete colado, corpo preso ao equipamento e sem vontade de ficar apenas observado.
Depois comemorou a experiência e descreveu a aventura como uma delícia. Pode parecer um pormenor pequeno, mas ele revela uma característica que atravessou toda a vida da atriz. A curiosidade foi a curiosidade que a fez acompanhar a leitura de um desconhecido no autocarro, experimentar o teatro. romper com a namoradinha, entrar na política [música] e depois recolher folhas nas ruas.
Aos 77 anos, foi também ela que a colocou pendurada num cabo ao lado da família. Portanto, viver sozinha não significa viver sem laços. Regina não divide a casa com um novo marido, mas tem os seus filhos, netos, amigas, colaboradores e os seus animais. O silêncio do apartamento não é necessariamente abandono.
É apenas diferente do barulho da casa que ela teve quando os filhos eram pequenos e a a sua carreira estava no auge. A mudança mais brusca, no entanto, aconteceu em 2020, quando ela deixou para trás a rotina profissional mantida durante mais de meio século. Regina Duarte chegou à Globo em 1969 e manteve-se ligada à emissora por mais de 50 anos.
Pouquíssimos artistas construíram uma relação tão longa com uma empresa. O seu último trabalho em uma novela completa foi como Madame Lucerna de Tempo de Amar, exibida entre 2017 e 2018. Dois anos depois, tomou uma decisão que alterou a sua carreira e também a forma como parte do público passou a vê-la. Em 2020, aceitou o convite para assumir a Secretaria Especial da Cultura no governo federal.
Para entrar na administração pública, deixou a rotina da Globo. A experiência, no entanto, durou apenas 74 dias. Ela admitiria depois que chegou sem preparação para a estrutura política e que mal sabia onde ficava [música] a sua sala. Eu fiquei muito entusiasmada, sem a mínima possibilidade, [a música] sem a menor, sem a mínima preparação.
Quando a sua saída foi anunciada, surgiu a informação de que ela assumiria uma função na Cinemateca brasileira em São Paulo. A mudança foi apresentada como uma nova missão, mais próxima da família e do universo cultural, mas a nomeação nunca se concretizou. [música] Em pouco tempo, Regina Duarte estava fora do governo.
Saiu o antigo vínculo quotidiano com a televisão e no centro de discussões políticas que abalaram a sua relação com parte da classe artística. Foi um período bastante difícil. Não dá para dizer que ela desapareceu definitivamente ou que abandonou a arte. Ela continuou a conceder entrevistas, participou em programas e voltou a aparecer na própria Globo em ocasiões especiais.
[música] O que terminou foi a vida de protagonista submetida a meses de gravações e centenas de páginas de Roteido. Ao regressar a São Paulo, ela precisou de descobrir como ocupar o tempo e a energia que antes pertenciam à televisão. Foi então que uma atividade antiga começou a crescer. Primeiro vieram as folhas observadas durante as passeios, depois flores, sementes, cascas de árvore e caixas encontradas nas calçadas.
E aquilo que muita gente usou para a ridicularizar transformou-se numa nova profissão. Em 2023, vídeos de Regina Duarte recolhendo o cartão nas ruas de São Paulo começaram a circular acompanhados por comentários maldosos. Algumas posts davam a entender que a antiga estrela da Globo tinha perdido tudo, enfrentava dificuldades financeiras, ou não estava bem.
A imagem era poderosa, uma atriz associada ao horário nobre carregando caixas que outras pessoas haviam deitado fora. Só que a explicação era muito diferente. Regina Duarte usava o cartão como base para as suas obras. Durante as caminhadas, recolhia também folhas, flores, sementes, ramos e cascas soltas. Depois organizava os materiais e criava colagens inspiradas na natureza.
Em vez de comprar uma base nova, preferia reaproveitar o que encontrava diariamente nos passeios. Quando questionada sobre o devoche, respondeu que se divertia com a situação. Perguntou porque deveria comprar cartão se o material era descartado todos os dias e poderia ganhar utilidade nas suas mãos. e proferiu uma frase que resume a sua reação.
Ela tinha uma história que a sustentava e não era alguém que tivesse surgido naquele momento. Pensei assim: “Uau, ela saiu da Globo e agora está a apanhar papelão.” E, aqui entre nós, a Regina Duarte tem uma grande história. O interesse pelas folhas ganhou também uma dimensão ligada ao envelhecimento. Ela disse que, ao olhar para uma folha, via-se enrugado, perdendo a seiva e a cair da árvore.
Não era uma declaração de derrota, era a percepção de que a natureza amadurece, seca, regressa à Terra e alimenta novos ciclos. Para uma mulher que passou a sua juventude sendo observada pela beleza e envelheceu perante o país, a comparação tinha um significado evidente. Em outubro de 2023, inaugurou a sua primeira exposição individual, a natureza e eu, novas descobertas, em São Paulo.
Em 2024 veio novas faces da natureza, apresentadas em uma galeria dos jardins. Nessa fase, folhas e flores começaram a formar rostos e personagens. Regina Duarte dizia que a atriz que existia dentro dela continuava a ajudar a criar pessoas, mesmo quando não havia câmara nem guião. Estou a pintar, sinto-me super bem, super feliz.
E a história não terminou aí, certo? Em 2025, ela levou à exposição Fases e Faces a Sintra em Portugal, reunindo trabalhos produzidos em diferentes períodos. Aquela senhora ridicularizada por recolher caixas tinha transformado materiais descartados [música] em obras de arte apresentadas também fora do Brasil.
Agora, o apartamento cheio de caixas, [música] sementes e folhas adquire outro sentido. Não é o cenário de alguém que perdeu a antiga [música] vida, é o atelier improvisado de uma mulher que encontrou uma nova forma de produzir. Enquanto muita gente ficou perguntando por Regina Duarte catava cartão, ela já estava ocupada transformando o descarte em arte.
Mas será que Regina Duarte vai voltar às novelas? Ela própria respondeu com franqueza, disse que já não se considera mais capaz de decorar os enormes volumes de texto exigidos a uma protagonista. O problema é que já não sou capaz de fazer uma novela. Eu não sou capaz de decorar [música] aqueles calhamaços dessa altura de texto por semana.
Numa novela, novas páginas chegam diariamente, as cenas acumulam-se e o trabalho ocupa quase todo o tempo. Bem humorada, brincou dizendo que talvez aceitasse uma personagem muda, porque ainda saberia trabalhar com gestos e expressões. Isto não significa que tenha perdido o amor pela representação.
A atriz não descartou totalmente o teatro, a direção ou uma participação adequada à fase atual. O que ela não deseja é regressar à antiga engrenagem apenas para provar que continua a ser a estrela que um dia farou o faz. que passei dos [música] 14 aos 75 decorar texto. Aos 79 anos vive num apartamento em São Paulo.
Acompanhada por quatro gatas, uma funcionária de décadas e pelos objetos que contam história. Existem livros, quadros, recordações, materiais recolhidos nas ruas e espaço para novos trabalhos. [música] Os seus filhos cresceram. Os sete netos continuam a construir a próxima [música] geração e as suas personagens continuam reaparecendo nas refrizes.
Regina Duarte não está a viver a vida que o público imaginava para a namoradinha do Brasil, mas talvez esteja a viver exatamente aquela que escolheu. Agora conta-me aqui qual a personagem dela que mais marcou a sua vida. Malu Mulher, a viúva Porcina, a Raquel, a Maria do Carmo ou uma das inesquecíveis Helenas.
Deixe o seu comentário aqui em baixo. Diga também a cidade de onde está a assistir. O, se gostou deste vídeo, não se esqueça de deixar o seu like, ok? e de se inscrever-se aqui no Quem Quem para não perder as próximas novidades. Eu vou deixar outro vídeo para si aqui nos cards, que é sobre algumas atrizes dos anos 70 e 80 que quase já não aparecem mais na televisão atualmente.
Basta clicar aqui [música] nesse cartão que lhe vai ficar surpreendido ao saber por onde andam estas 25 atrizes da Globo hoje em dia. É um vídeo muito interessante que vale a pena ver. Eu vou ficando por aqui, mais uma vez o meu muito obrigado e até ao nosso próximo vídeo.
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