RENATO GAÚCHO: O QUE ELE FEZ COM LUMA DE OLIVEIRA POR 7 MESES – H
herói da Taça dos Libertadores, melhor jogador do Mundial de Clubes de Tóquio, ídolo eterno da torcida gremista e do rubro negro carioca. E esse mesmo homem sentado num quarto de hotel, com o coração destruído e a falhar por dentro, destruindo a famosa Luma de Oliveira e afundando a vida da própria esposa por mais de 37 anos seguidos.
Hoje vai saber a trágica verdade sobre o que aconteceu entre Renato Gaúcho e Luma de Oliveira. Uma das mulheres mais desejadas do Brasil, ainda mais sombrio. Vai saber porque humilharam ele e por o terem tirado do Campeonato do Mundo sem que ele soubesse de nada. E o mais duro de toda a história, a sua família carregou um luto durante os últimos 40 anos, enquanto o Brasil inteiro só via o conquistador eterno.
Renato Portalupe não nasceu rei da praia, fizeram-no rei da praia. E o preço desse título, quem pagou foi ele e todos os que chegavam perto. Antes de saber como Renato Gaúcho destruiu a Luma de Oliveira, precisa compreender contra quem lutou a vida inteiro e como o rei da praia acabou com o coração a falhar, ajoelhado no chão.
9 de setembro de 1962, bairro Vila Nova, Guaporé, Serra Gaúcha do interior do estado do Rio Grande do Sul. Numa pequena casa de madeira pintada de branco com telhado de barro, nasceu Renato Portalupe, segundo filho do pequeno comerciante Alides Portalupe e da padeira Maria Tedesco. A família provinha de imigrantes italianos da região do Veneto, que tinham desembarcado no porto de Rio Grande no ano de 1878.
A padaria da família Tedesco ficava na Avenida principal Silva Jardim, a duas quarteirões da casa. E no forno a lenha desta padaria, onde o pequeno Renato passava as tardes depois da escola ajudando a mãe a fazer os pães de trigo do dia seguinte, nasceu a primeira paixão do futuro rei da praia do futebol brasileiro.
Não foi a bola, foi uma rapariga do bairro do Vizinho que também trabalhava na padaria. Maristela Bavaresco, nascida em 1962, igual ao Renato, cabelo castanho escuro, olhos verdes, trabalhava na padaria Tedesco desde os 14 anos completos. O pequeno Renato apaixonou-se pela Maristela com 16 anos acabados de completar. Chamou-a para um baile da casa de cultura italiana de Guaporé no sábado seguinte.
E aí começou [música] a história de amor, que ia durar os 47 anos seguintes da vida inteira. Casaram no dia 14 de junho de 1985 na igreja de Nossa Senhora do Rosário de Bento Gonçalves, com 128 convidados. E Maristela deixou a padaria para acompanhar o marido no ambiente do futebol brasileiro dos anos 80. Nunca imaginou o que ia encontrar naquele ambiente, nem imaginava quem ia ser Renato Gaúcho fora do relvado do Estádio [música] Olímpico Monumental no Porto Alegre.
Porque o jovem Renato Portalupe de Guaporé, o mesmo miúdo tímido que ajudava a mãe na padaria Tedesco da Avenida [música] Silva Jardim, durante as tardes de Inverno da Serra Gaúcha, ia transformar-se nos seis anos seguintes no maior conquistador de loiras da praia de Ipanema, no Rio de Janeiro dos anos 90. E a primeira vítima famosa deste conquistador cruel ia ser a mulher mais desejada do Brasil daquela época.
17 de Março de 1991, Discoteca, Hipopótamos, rua Barão da Torre, Ipanema, zona sul do Rio de Janeiro, 11:42 da noite. A hipopótamos era o ponte dos famosos brasileiros dos anos 90, cantores da Rede Globo, modelos da revista Manchete, empresários e Os jogadores dos principais clubes cariocas. Renato Portalupe, 28 anos completos.
avançado titular do Flamengo, casado com Maristela Bavaresco havia 6 anos. Entrou [música] na discoteca acompanhado por Zico, Bebeto e o médio-defensivo Andrade. E na mesa 18 do setor VIP do segundo piso, ao lado da cantora Sandra de Sá, estava sentada a mulher mais desejada do Brasil desse ano. Luma de Oliveira, 26 anos completos.
Nascida a 10 de dezembro de 1964 em Nova Friburgo, no interior da Serra Fluminense, 1,74 de altura, cabelo castanho comprido até à cintura, olhos verdes, ex-modelo da agência Ford de Nova Iorque, [música] madrinha da bateria da escola de samba da Portela desde o ano de 1990, atriz da telenovela Tieta da Rede Globo, transmitido nesse mesmo ano, a musa nacional do carnaval Cari carioca de 1991 [música] e a próxima vítima de Renato Portalupe.
Conheceram-se no bar principal da Boate às 11:54 da noite, quando Renato pediu um old par com gelo para o barmã filipino César Cruzate e ficou à espera encostado no balcão de mármore do lado do banco onde A Luma tomava caipirinha de limão com a Sandra de Sá. Renato iniciou a conversa pedindo um autógrafo.
Luma respondeu com um sorriso educado, assinando o autógrafo no menu do próprio restaurante da Discoteca. E aí começou a primeira mentira de um romance que ia durar exactamente 7 meses seguidos. Verbate indocumentado pela própria Luma de Oliveira na entrevista ao programa Sob nova direção da Rede Globo, exibida no dia 22 de Junho de 2008, 17 anos depois daquela noite na Hipopótamos.
Palavras textuais da ex-madrinha da bateria da Portela. O Renato disse-me nessa noite [música] dentro da discoteca hipopótamos que era noivo havia do anos, mas que a relação já tinha acabado, que ia assinar o divórcio nas semanas seguintes, que estava sozinho, que procurava a mulher de toda a vida e que eu era a mulher que esperava desde os 17 anos dentro de uma padaria do interior do Rio Grande do Sul.
Fim da citação textual [música] de Luma de Oliveira, transmitida em rede nacional pela Rede Globo. Nada disto era verdade. Renato Portalupe estava casado havia-se anos seguidos [música] com Maristela Bavaresco na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Bento Gonçalves. Não tinha divórcio em curso, [música] não tinha separação, não tinha qualquer papel assinado na justiça gaúcha, [música] nem pretendia assinar nenhum.
E Luma de Oliveira acreditou nele. Aceitou jantar com o Renato no restaurante Antiquários no Leblon. No sábado seguinte. Aceitou dormir com o Renato no quarto 1214 do Copa Cabana Palace na noite seguinte e aceitou noivar com o Renato Portalupe no dia 31 de Março de 1991, 12 dias depois da primeira noite na Hipopótamos, [música] com um anel de brilhante de 3 quilates comprado pelo Renato na ourivesaria H Stern do Shopping Casino Atlântico de Copacabana pelo valor de 22.
000 000 americanos pagos em dinheiro no próprio caixa da ourivesaria. E aí começou o pior erro da vida integral de Luma de Oliveira. 8 de abril de 1991, Santiago do Chile. [música] A seleção brasileira aterrou na capital chilena para a partida das eliminatórias contra a seleção do Chile. [música] O O técnico Sebastião Lazaroni tinha convocado o Renato como avançado reserva.
E na noite do dia 8 de abril, no bar do hotel Sheraton de Santiago, Renato Portalupe envolveu-se com a modelo [música] argentina Maria Fernanda Calerron, 23 anos completos, recepcionista [música] bilingue do próprio hotel, quarto do 15º andar do Sheraton, 4:28 da madrugada do dia 9 de abril. E uma foto tirada pelo segurança noturno do hotel saiu publicada na revista Amiga do Rio de Janeiro, 12 dias depois.
Luma de Oliveira estava no apartamento do Leblon quando a revista amiga chegou ao salão de beleza Werner Quafer, no mesmo bairro onde ela fazia [música] as madeixas californianas todas as terças-feiras. Verbat documentado por Luma de Oliveira no programa Amauri Júnior Show [música] da Rede Bandeirantes em 2012.
Abri a revista Amiga no salão de beleza do Leblon naquela terça-feira de Abril e encontrei uma foto do Renato Portalupe com uma modelo argentina dentro de um quarto de [música] hotel do Sheraton de Santiago. Paguei o salão, saí, voltei para casa e esperei pelo Renato durante os quatro dias seguintes.
Fim da citação textual de Luma de Oliveira. Renato chegou a casa do Leblon no sábado seguinte de manhã cedo. [música] Negou tudo, disse-lhe que a foto era falsa, que era outra pessoa, que a modelo Argentina era uma amiga de infância do interior de Guaporé, que tinha sido um jantar inocente no bar do hotel, que a revista amiga era corrupta e queria tirar-lhe dinheiro.
Luma acreditou de novo. 23 de junho de 1991, Hotel Max de Plaza, em São Paulo. Concentração do Flamengo para a partida contra o São Paulo. O Renato entrou no bar do hotel às 9:12 da noite. Na mesa do canto direito encontrava-se a assistente de bordo Rosâela Melo, 26 anos completos, funcionária da Varig, 4 do 12º andar do Maxold [música] Plaza.

3:45 da madrugada do dia 24 de junho. Rosâela Melo ligou anonimamente para o apartamento do Leblon de Luma de Oliveira. Duas semanas depois, Verbatin de Luma, reproduzido pelo jornalista Márcio [música] Braga do Fantástico da Rede Globo em 2016. Palavras textuais de Luma de Oliveira. Uma mulher ligou para o apartamento do Leblon numa tarde de Julho de 91.
Se identificou como Rosâela, assistente de bordo [música] da Varig. Contou-me que tinha passado a noite com o Renato Portalupe no Hotel [música] Maxul de Plaza de São Paulo e pediu-me desculpas. Eu desliguei o telefone e chorei durante os três dias seguidos. Fim da citação textual de Luma [música] de Oliveira.
O Renato chegou no Leblon no domingo seguinte, negou tudo. Disse que a assistente de bordo era uma louca obsecada por ele, que tinha [música] pedido autógrafo no bar e só que nunca tinha subido ao quarto com ela. A Luma acreditou, só que já começava a desconfiar. 12 de setembro de 1991, centro de treinos do Flamengo, bairro da Gávia, Rio de Janeiro.
8:45 da manhã, Luma de Oliveira entrou no CT sem avisar, vestida com calças de ganga azuis da marca Levais, uma t-shirt branca de algodão puro e sandálias castanhas [música] de salto médio, com o anel de brilhante de 3 quilates no dedo anelar da mão esquerda. empurrou a porta do balneário principal do plantel titular, sem pedir licença pro segurança, e encontrou o Renato Portalupe no WC masculino do balneário, com outra mulher encostada ao pia de mármore preto, uma [música] modelo da agência Marlin de São Paulo, perante 30 jogadores do elenco
titular do Flamengo que se preparavam para o treino da manhã no relvado do CT da Gávia. Luma de Oliveira não disse uma palavra, tirou o anel de brilhante do dedo anelar. [música] jogou contra o peito do Renato Portalupe e saiu do balneário caminhando com o olhar cravado no chão do Linóleo Branco, com 30 jogadores do Flamengo como testemunhas silenciosas da pior humilhação pública da carreira profissional de Luma de Oliveira.
voltou para o apartamento do Leblon naquela mesma manhã, fez as malas e saiu do apartamento na mesma tarde para viver na casa da mãe em Nova Friburgo, no interior do estado do Rio de Janeiro. Um mês depois, no dia 11 de outubro de 1991, Luma de Oliveira conheceu o empresário do ramo mineiro Eik Batista num cocktail patrocinado pela joalharia H Stern do bairro de Ipanema.
Trs meses depois, no dia 19 de dezembro do mesmo ano, Luma de Oliveira casou com Eike Batista na mansão Antares do bairro Cosm Velho, no Rio de Janeiro. E Renato Portalupe perdeu a mulher mais desejada do Brasil dos anos 90 por causa de um WC masculino do vestiário do Flamengo. Verb documentado de Luma de Oliveira a revista Veja, publicado no no dia 8 de agosto de 2024, [música] 33 anos depois do episódio da Gávia.
Palavras textuais da ex-madrinha da bateria da Portela. Traí sim, várias vezes na minha juventude e quando fui traída, senti-me diminuída por dentro. Certo homem do futebol brasileiro dos anos 90 destruiu-me quando eu tinha 26 anos. Não vou dizer o nome, mas o Brasil inteiro sabe quem é. Fim da citação textual de Luma de Oliveira.
E o Brasil inteiro sabia. Só que Luma de Oliveira não foi a única mulher famosa que Renato Portalupe destruiu naqueles primeiros anos da década de 90 no ambiente artístico do Rio de Janeiro. E a próxima vítima ia carregar o peso silencioso da traição durante os 32 anos seguidos da vida adulta. Porque desse próximo relacionamento do Renato Gaúcho ia nascer uma filha.
Fora do casamento com Maristela Bavaresco. 14 de agosto de 1993. Estúdio principal da Rede Manchete de Televisão, bairro do Estácio, no Rio de Janeiro. Carla Cavalcante, 32 anos completos, jornalista desportiva do programa Manchete Desportiva, gravava uma matéria especial sobre os 10 anos do Mundial de Clubes conquistado pelo Grêmio contra o Hamburgo alemão em Tóquio, em dezembro de 1983.
O convidado principal do programa Renato Portalupe, 31 anos completos, casado com Maristela Bavaresco há 8 anos seguidos. E no final da entrevista, O Renato disse à Carla a mesma frase que ia repetir 3 anos depois em rede nacional pela Rede Globo, Verbate documentado pela Rede Manchete no dia 14 de de agosto de 1993.
Palavras textuais do próprio Renato Portalupe. Este meu problema de mulher, deixo bem claro desde o início. Eu Sou noivo, pretendo casar, mas elas já sabem da minha vida particular. Elas aceitam ou não o meu jogo? Fim da citação textual do próprio Renato Portalupe. Carla Cavalcante achou que era uma brincadeira profissional. Não era.
O Renato convidou-a para jantar naquela mesma noite no restaurante Leprelã do Hotel Sofitel em Copacabana. Depois do jantar, chamou-a para subir ao quarto 523 do quarto andar do Copacabana Palácio. Duas noites, os dias 14 e 15 de agosto de 1993. Renato desapareceu no dia seguinte sem deixar o número de contacto do hotel.
não retornou às 47 chamadas telefónicas da Carla durante as duas semanas seguintes. Em setembro, a Carla descobriu que estava grávida. Foi atrás do Renato no CT do Flamengo, na Gávia. Entrou na sala do balneário principal do plantel titular. Encontrou o Renato, rodeado por 30 jogadores que se preparavam para o treino da manhã.
contou-lhe sobre a gravidez à frente de toda a gente. Renato respondeu com nove palavras que a Carla ia recordar para o resto da vida. Verbate ind documentado pela Carla ao Fantástico da Rede Globo, transmitido no dia 31 de maio de 2015. Palavras textuais do próprio Renato Portalupe. Qualquer homem desse balneário pode ter sido pai.
Fim da citação textual do próprio Renato Portalupe, transmitida ao Brasil inteiro pela Rede Globo, na frente de 30 jogadores do plantel titular do Flamengo, com a Carla Cavalcante grávida de 3 meses, sem apoio, sem dinheiro, sem emprego, porque foi demitida da Rede Manchete quando a gravidez veio a público e com a única filha do Renato Portalupe, crescendo na barriga da jornalista despedida do bairro do Botafogo, Ana Carolina na Portalupe.
Nascida no dia 21 de maio de 1994 no Hospital São Vicente de Paulo, no Botafogo. 8 meses e ve dias depois daquelas duas noites do Copacabana Palace, Renato negou a paternidade durante os 4 meses seguintes. Até que um teste de ADN feito contra a vontade do Renato. Em setembro de 1994, no laboratório Biofest do Botafogo, confirmou a paternidade genética com 99,99% de certeza matemática.
Renato assumiu legalmente a filha em outubro de 1994 e Maristela Bavaresco descobriu a gravidez pela capa da revista Manchete da Primeira semana de Junho de 94. Verbat da Carla ao Fantástico da Rede Globo em 31 de maio de 2015. Palavras textuais de Carla Cavalcante. [música] O Renato Gaúcho humilhou-me publicamente perante 30 jogadores do elenco titular do Flamengo.
Quando tinha só 3 meses de gravidez, perdi o meu emprego, perdi a minha carreira e perdi a confiança nos homens do futebol brasileiro para sempre. Eu nunca vou conseguir perdoar ele por isso. Fim da citação textual de Carla Cavalcante. Ana Carolina Portalupe só ia conhecer o pai biológico aos 8 anos completos.
E estas foram as duas primeiras vítimas famosas de Renato Portalupe durante os primeiros anos da década de 90 no meio artístico do Rio de Janeiro. Luma de Oliveira, humilhada na casa de banho masculina do balneário do CT da Gávia, em frente ao 30 jogadores do plantel titular do Flamengo. e Carla Cavalcante, grávida de 3 meses, humilhada no mesmo balneário do mesmo Flamengo, ouvindo do próprio Renato Portalupe [música] que qualquer homem do plantel titular poderia ter sido o pai biológico.
Duas mulheres famosas do Brasil dos anos 90, destruídas no mesmo lugar físico do mesmo clube de futebol do bairro da Gávia, no Rio de Janeiro. Só que Luma de Oliveira e Carla Cavalcante não foram as únicas, porque nos 25 anos seguidos, seguintes da carreira profissional do próprio Renato Portalupe, iam cair outras seis mulheres famosas do Brasil e uma delas ia custar o maior erro da carreira profissional inteiro, a única Copa do Mundo que Renato Gaúcho ia jogar a titular na vida adulta inteira.
Porque a Luma de Oliveira e Carla Cavalcante não foram as únicas mulheres famosas do Brasil dos anos 90 destruídas por Renato Portalupe. Vieram outras, muitas [música] outras, todas famosas, todas bonitas, todas prometidas, todas enganadas [música] e todas descartadas. E uma delas ia custar para o rei da praia o maior erro da toda a carreira profissional, a única Mundial que Renato Gaúcho ia jogar como titular.
que lhe foi arrancada numa madrugada de Maio de 1986 [música] num centro de formação do interior do estado de Minas Gerais. E tudo começou por causa de um muro. Vamos rápido pelas outras vítimas famosas de Renato Portalupe, porque foram muitas. Solange Gomes, cantora e atriz da Rede Bandeirantes. 20 anos completos em 93. 4 meses de romance escondido no Copacabana Palácio.
Renato prometeu casamento a ela. Descartada. Solange escreveu o episódio no próprio livro biográfico Sem Vergonha, publicado pela editora Record em 2013. Verbating de Solange, na pág. 87. [música] Palavras textuais da cantora. Renato Gaúcho foi o amor impossível da minha juventude. Eu sabia que era casado. Eu sabia, mas eu era nova, era tola e acreditava nas palavras que ele me dizia no quarto do Copacabana Palace.
Eu saí desta relação com a autoestima [música] destruída. Fim da citação textual de Solange Gomes. Segunda vítima descartada, Edna Velho, modelo brasileira da agência Maryn de São Paulo, 24 anos completos em 94. [música] e mãe de um filho do Romário, o pequeno Romarinho Farias, nascido em 1988, [música] companheiro de balneário do Renato na seleção brasileira, que se preparava para o Mundial de 94 nos Estados Unidos.
O Renato envolveu-se com a mulher do colega de equipa durante seis meses seguidos durante o concentração paraa Copa do Mundo. Em Abril de 94, dois meses antes do início do Mundial, Romário descobriu a traição do companheiro de balneário. [música] Confrontou o Renato no balneário da Toca da Raposa 2 em Belo Horizonte. Voou tapa.
O treinador Carlos Alberto Parreira teve de separar os dois na frente [música] do plantel principal da seleção brasileira. Verbattin de Romário, noticiado pelo Jukakfuri da Folha de São Paulo [música] na edição do dia 14 de Abril de 1994. Este gaúcho puxa-sco não vai pisar Mundial enquanto eu estiver nessa seleção.
[música] Fim da citação textual de Romário. E foi o que aconteceu. Renato Portalupe não foi convocado pelo Parreira para o Mundial de 94. O Brasil ganhou o tetra sem o Renato no plantel. Terceira vítima [música] descartada. E vieram mais a Rita Cadilac, a Ângela Bismarche, Adriane Galisteu, [música] Cristina Alves e uma longa lista de modelos anónimas, hospedeiras de bordo e raparigas do Rio de Janeiro, descartadas pelo Renato durante os 25 anos seguidos seguintes.
Todas famosas, todas descartadas. [música] E na casa do bairro de Vila Nova, em Bento Gonçalves, Maristela Bavaresco esperava [música] calada. durante 37 anos seguidos. Verbate em único registado pela Maristela, ao jornalista Rui Castro da Folha de São Paulo, em agosto de 2018. Palavras textuais da própria Maristela. Eu amo o meu marido. Eu perdoo.
Eu aguento. É o destino que Deus me deu nesta vida. Fim da citação textual de Maristela Bavaresco. 19 palavras. em 37 anos seguidos de casamento. E em 1996, [música] Renato Portalupe confessou tudo em rede nacional pela Rede Globo, sem pedir perdão, sem se arrepender, sem carregar o peso da sua própria vergonha.
Confessou como se [a música] fosse uma conquista pessoal. Programa fantástico da Rede Globo. Domingo, 23 de junho de 1996, [música] 9:18 minutos da noite. Entrevistadora Glória Maria. 72 milhões de espectadores [música] brasileiros em frente à TV. Glória Maria perguntou sobre as mulheres, sobre a Luma, sobre a Solange, sobre a Edna, sobre a Carla, sobre a Maristela, sobre a filha Ana Carolina Portalupe, que já tinha dois anos completos.
E Renato Portalupe respondeu com uma frase que ia marcar o resto da vida profissional [música] inteira. Verbate documentado pela Rede Globo no dia 23 de junho de 1996. Palavras textuais [música] do próprio Renato transmitidas para todo o Brasil. Este meu problema de mulher, acima de tudo, Glória, deixo bem claro uma coisa desde o início.
[música] Eu sou noivo, pretendo casar, por isso elas já sabem da minha vida particular, elas aceitam ou não o meu jogo? Fim da citação textual de Renato [música] Portalupe, transmitida em rede nacional. O rei da praia acabava de admitir a traição sistemática de 37 anos. seguidos de casamento na frente de 72 milhões de brasileiros sem culpa, sem [música] remorço, sem desculpa.
E o próprio O Brasil aplaudiu, riu e aceitou. E Maristela Bavaresco, no interior da casa do bairro da Vila [música] Nova, em Bento Gonçalves, desligou a TV da sala e foi dormir sem dizer uma palavra com o marido quando este voltou para casa duas semanas depois. Calada de novo. E em março de 1999, Renato Portalupe posou nu pela primeira vez na capa da revista íntima do ramo das revistas femininas do Brasil.
Cachê de R$ 180.000 [música] pagos pela editora Escala de São Paulo. Sem nudez frontal por contrato. Capa de 400.000 exemplares vendidos na primeira semana de circulação. Recorde de vendas de revistas femininas da década de 90. E Maristela Bavaresco comprou três exemplares da revista íntima na banca da Avenida Principal de Bento Gonçalves naquele mês, sem dizer uma palavra.
Só que antes das mulheres famosas do Rio de Janeiro, antes do Copacabana Palace, antes do Vestiário da Gávia, antes da Confissão ao Fantástico da Glória Maria e antes do ensaio [música] nu da revista íntima, teve outro momento na vida profissional de Renato Portalupe que o ia marcar por dentro para sempre.
Um momento que arrancou-lhe o único Campeonato do Mundo que ia jogar a titular na carreira de adulto inteira. E tudo começou por causa de um muro. 4 de maio de 1986, domingo, centro de treinos da Toca da Raposa 1, do Cruzeiro Esport Clube, bairro do Barreiro, Belo Horizonte, interior do estado de Minas Gerais. A seleção brasileira comandada pelo O técnico Telê Santana estava concentrada no CT do Cruzeiro desde o dia 28 de abril, preparando-se pra Copa do Mundo do México, que ia começar em menos de um mês. Telantana era o técnico mais rigoroso
do futebol brasileiro dos anos 80. impôs regras estritas dentro da concentração. Nada de bebidas alcoólicas, nada de saída durante as noites da semana, nada de visita de uma mulher no CT e toque de recolher às 23 horas todos os dias, com a única exceção do domingo à tarde, quando a delegação tinha folga até à meia-noite.
Renato [música] Portalupe tinha 23 anos completos nessa tarde do dia 4 de maio. era a maior promessa do futebol brasileiro desde a saída do Zico. Herói do Mundial de Clubes de 83 contra o Hamburgo alemão, em Tóquio. Melhor jogador desse mundial eleito pela FIFA. Companheiro de quarto no CT. Era o lateral direito titular da seleção brasileira.
Leandro, 26 anos completos, ídolo do Flamengo, tricampeão brasileiro pelo próprio Flamengo nos anos 80, vencedor da Taça Libertadores de 81 e do Mundial de Clubes contra o Liverpool inglês em Tóquio, em dezembro de 1981 e amigo íntimo do Renato Portalupe desde o ano de 1983, quando os dois começaram a jogar juntos pela seleção brasileira naquela tarde de domingo.
no dia 4 de maio, com a folga concedida pelo Telantana até à meia-noite, Renato e Leandro saíram do CT do Cruzeiro juntos, vestidos com roupa social, sem fardamento desportivo, com 2000 cruzados no bolso das calças, cada um. Foram para um restaurante do bairro Savace, em Belo Horizonte, para um churrasco tradicional gaúcho com costela de vaca e farofa de mandioca.
Do Savace seguiram para a discoteca buffet do Zé, no mesmo bairro. onde tomaram caipirinha de limão e bebida importado até à 1 da madrugada do dia 5 de maio e seguiram depois para uma segunda discoteca do bairro de Lourdes até às 3 da madrugada. Regressaram ao CT da Toca da Raposa, um num táxi comum de Belo Horizonte, às 3h30 da madrugada do dia 5 de Maio de 1986, 4 horas depois do recolher obrigatório fixado pelo Telê Santana.
E aí chegou o problema. O CT da Toca da Raposa, um era cercado por um muro de tijolo branco de 3,20 cm de altura com um portão principal comandado por um segurança durante as 24 horas do dia. Os jogadores do plantel da seleção brasileira, que chegavam de madrugada durante a fase de concentração do Campeonato do Mundo, pulavam o muro do fundo do CT para não serem vistos pelo segurança do portão principal e para não serem reportados ao técnico Telesantana na manhã seguinte.
Era prática comum da seleção brasileira desde 1982. Renato Portalupe saiu do táxi, andou até ao muro do fundo e saltou sem dificuldade, 1,84 de altura, jogador de futebol profissional na melhor fase da carreira adulta. Só que o Leandro não conseguiu saltar o muro. O Leandro tinha problemas crónicos no joelho esquerdo desde 1984 por causa de uma cirurgia ao menisco feita pelo médico do Flamengo na Bill Gorieb, no hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro.
Doía-lhe o joelho quando Leandro corria, doía quando saltava e doía quando escalava muros de 3,20 cm de altura de madrugada no interior do estado de Minas Gerais. E o Leandro tinha medo de altura. Verbatin documentado pelo próprio Leandro ao jornalista Roberto Asaf do Jornal do Brasil em janeiro do ano de 2000, 14 anos depois daquela madrugada da Toca da Raposa.
Palavras textuais do antigo lateral direito do Flamengo. Tenho medo de altura desde criança. Eu não consigo subir a um prédio de mais de três andares sem sentir vertigem. E naquela madrugada do dia 5 de Maio de 86, na frente do muro de 3,20 m da toca da raposa, simplesmente não consegui escalar.
Era altura demais para mim. Fim da citação textual do próprio Leandro. O Renato já tinha saltado o muro. Estava do outro lado do recinto do CT. Podia ter caminhado os 80 m até ao edifício dos quartos da delegação. Podia ter entrado no quarto dos dois. Podia ter dormido tranquilo até ao treino da manhã do dia seguinte. E o Telê Santana nunca ia saber do atraso da madrugada.
Só que o Renato Portalupe não fez isso. Voltou a saltar o muro para fora para encontrar o Leandro do lado exterior do cercado, na frente do portão principal comandado pelo segurança noturno, por lealdade ao amigo. E os dois entraram pelo portão principal do CT às 3:48 da madrugada do dia 5 de Maio de 1986. em frente do segurança noturno da Toca da Raposa 1.
O segurança noturno do CT do Cruzeiro chamava-se José Carlos Rodriguez, 42 anos completos, empregado do Cruzeiro desde 1978, adepto apaixonado do clube desde a infância. José Carlos Rodrigues anotou a infração dos dois jogadores no livro de de serviço da portaria do CT. E às 6 da manhã do dia 5 de Maio de 86, quando o chefe do segurança da seleção brasileira, o ex-militar do exército brasileiro, [música] coronel Cláudio Coutinho, chegou para o turno de urno.
José Carlos Rodrigues entregou o relatório da infração escrito à mão no livro de serviço. O coronel Cláudio Coutinho entregou o relatório pro técnico Telesantana às 7:15 da manhã do dia 5 de maio, no refeitório do CT. à frente do plantel da seleção brasileira que tomava o pequeno-almoço antes do treino no campo. Telantana não disse uma palavra durante o café da manhã.
Terminou de tomar o café com leite, levantou-se da mesa central do refeitório e caminhou até à sala da equipa técnica do segundo piso do CT. Aí se fechou com a comissão técnica e com a direcção da Confederação Brasileira de Futebol. Durante as 11 horas seguidas seguintes, às 6:18 da tarde do dia 5 de Maio de 1986, Telantana chamou Renato Portalupe para sala da equipa técnica do segundo andar da Toca da Raposa.
Renato Portalupe subiu à escada sozinho, entrou na sala, sentou-se na cadeira de plástico verde em frente da mesa de madeira do técnico, com a comissão técnica inteira da seleção brasileira presente e com o presidente da CBF, Octaávio Pinto Guimarães, sentado ao lado do Telê Santana. Delê Santana falou cinco palavras.
Verbate documentado pelo próprio Renato Portalupe na entrevista ao canal de YouTube do ex-jogador Casagrande, publicado no dia 22 de dezembro de 2023, 37 anos depois daquela tarde, do Palavras Textuais do Telesantana. Está cortado. Volta para o Rio. Fim da citação textual do técnico Tel Santana. Renato Portalupe não disse uma palavra, baixou a cabeça, saiu da sala, subiu para o quarto partilhado com o Leandro, fez as malas e saiu do CT da Toca da Raposa, um num táxi comum de Belo Horizonte, às 7:2 da tarde do dia 5 de Maio de 1986, rumo ao Aeroporto Internacional de
Confins em Lagoa Santa, a 38 km da capital mineira, cortado da Taça do Mundo. Só que aí a história estava só a começar, porque quando o Leandro chegou ao quarto partilhado do segundo piso do CT às 19h30 do dia 5 de maio e encontrou a mala do Renato Portalupe já pronta e levada para o táxi, entendeu o que tinha acontecido.
Renato Portalupe tinha sido cortado e ele, o Leandro, não, porque não tinha saltou o muro, porque tinha medo de [música] altura e um joelho operado, porque o segurança do CT só tinha reportou que os dois jogadores tinham entrado pelo portão principal, sem acusar quem tinha saltado o muro e quem não tinha.
Telê Santana tinha cortado apenas o Renato Portalupe pela reputação, pela fama de [música] mulherengo, pela lista de escândalos com a Luma e com a Solange e com as outras mulheres famosas do Rio de Janeiro e não o Leandro, mesmo que os dois tivessem cometido a mesma infração, [música] mesmo que o Leandro fosse a razão pela qual o Renato tinha perdido o voo para o Mundial do México.
E o Leandro, no quarto do segundo piso do CT, tomou uma decisão que ia marcar o resto da toda a carreira profissional. Desceu a escadas, entrou na sala da comissão técnica do segundo piso, plantou-se na frente do Telê Santana e falou 20 palavras. Verbate indocumentado pelo próprio Leandro ao jornalista Roberto Asaf do Jornal do Brasil em janeiro de 2000.
Palavras textuais do ex-lateral direito do Flamengo transmitidas ao Brasil inteiro. Eu não jogo por uma seleção marcada pela politicagem, pela injustiça e pela desonestidade de tratar diferente dois jogadores pelo mesmo erro. Fim da citação textual do Leandro. [música] Zico e Júnior, colegas de balneário do Flamengo, tentaram convencer o Leandro dentro da sala da comissão técnica durante as 3 horas seguintes.

Pediram para ele reconsiderar. Pediram para jogar o Mundial pela torcida brasileira. pediram para não deitar fora a carreira adulta por causa da injustiça contra o Renato. Leandro não voltou atrás, [música] voltou para o quarto do segundo andar do CT, fez as malas e saiu da toca da raposa 1 às 23 horas do dia 5 de Maio de 1986 num outro táxi comum de Belo Horizonte, rumo ao mesmo aeroporto de Confins, onde o Renato Portalupe [música] tinha passado duas horas antes.
abdicou da seleção brasileira à porta de um CT nas vésperas de um Campeonato do Mundo. Por lealdade ao amigo [música] Renato Portalupe. E para a vaga do Leandro no plantel titular da seleção brasileira, o selecionador Telê Santana convocou [música] um jovem lateral direito de 23 anos completos do Fluminense, Josimar, que ia marcar dois golos na Copa do Mundo do México, um deles contra a seleção da Irlanda do Norte, no estádio Ralisco de Guadalajara.
no dia 13 de junho de 1986, considerado até hoje um dos golos mais bonitos da história dos Mundiais. o golo que devia ter marcado o Renato Portalupe e que só pôde ver pela TV da casa do bairro de Vila Nova em Bento Gonçalves, [música] ao lado de Maristela Bavaresco, que não falou-lhe uma palavra durante os três jogos do Brasil no Mundial, só ficou olhando-o chorar em silêncio na poltrona da sala.
E durante os 37 anos seguidos seguintes da carreira profissional por inteiro, Renato Portalupe não voltou a falar publicamente sobre a madrugada do dia 5 de Maio de 1986 [música] na Toca da Raposa um do Cruzeiro Esport Clube. Nunca deu uma entrevista sobre o corte do Telantana, nunca explicou porque tinha saltado o muro e depois [música] voltado a saltar para fora para encontrar o Leandro.
nunca justificou a lealdade ao amigo. Até ao dia 22 de dezembro de 2023, quando o ex-jogador Casagrande, o mesmo Casagrande da seleção brasileira [música] do Campeonato do Mundo de 1986, companheiro de balneário do Renato Portalupe e do Leandro na toca da Raposa 1, entrevistou o Renato no próprio canal do YouTube.
A entrevista teve a duração de 2:48 e ao minuto 142 da entrevista, o Casagrande perguntou o que o Brasil inteiro se perguntava havia 37 anos seguidos. Porque é que o Renato não tinha caminhado até ao quarto partilhado do segundo andar do CT naquela madrugada do no dia 5 de Maio de 86? Por que tinha voltado a saltar o muro para fora para encontrar o Leandro? Por tinha perdido a único Mundial da carreira profissional inteira.
por causa de uma lealdade ao amigo. Renato Portalupe respondeu com 20 palavras. Verbate indocumentado pelo canal de YouTube do Casagrande no dia 22 de dezembro de 2023. Palavras textuais do próprio Renato Gaúcho. Eu não saltei o muro porque o Leandro não conseguiu. Eu não ia deixar o meu amigo lá sozinho. Se eu tivesse saltado o muro, eu teria ido para Taça, só que eu não conseguia deixar ele.
Fim da citação textual do próprio Renato Portalupe, transmitida para o Brasil inteiro. 20 palavras em 37 anos seguidos de silêncio. E foi esse o preço que o Renato Portalupe pagou a lealdade ao lateral direito do Flamengo numa madrugada de Maio de 86 no interior do estado de Minas Gerais. Só que este preço do Mundial perdido, essa lealdade ao Leandro, não foi o pior golpe da [música] vida inteira de Renato Portalupe, porque o maior conquistador de mulheres famosas do futebol brasileiro [música] dos anos 90 carregava um luto silencioso que nenhum
meio desportivo do Brasil soube compreender durante os 40 anos seguintes. O luto das três mulheres reais da vida inteira, a mãe, a irmã e a única filha, porque o mesmo homem que destruiu a Luma de Oliveira no balneário do Flamengo e que humilhou a Carla Cavalcante grávida na frente de 30 jogadores e que perdeu uma Mundial por lealdade ao Leandro numa madrugada da toca da raposa e que envolveu-se com a mulher do próprio companheiro de balneário Romário, dois meses antes do Mundial de 94.
Esse mesmo homem carregou um luto silencioso durante os 40 anos seguidos seguintes. O luto das três mulheres reais da [música] vida inteira. Maria Tedesco, Íris Portalupe e Ana Carolina Portalupe. As três mulheres que o Renato amou de verdade [música] e as três que o rei da praia não conseguiu proteger quando chegou a hora. Vamos à primeira. A mãe.
21 de Fevereiro de 2010. Domingo, 4h20 da madrugada, Hospital São Vicente de Paulo, no bairro de Vila Rodrigues, Passo Fundo, interior do estado do Rio Grande do Sul. Maria Tedesco tinha 73 anos completos naquela madrugada. Viúva desde 2004, quando o marido Alides Portalupe tinha morrido de enfarte do miocárdio na casa do bairro Vila Nova, em Guaporé.
Vivia sozinha na casa da família da Avenida Silva Jardim. com as três gatas da raça ciamesa que tinha adoptado nos últimos anos e trabalhava dois dias por semana na padaria tedesco da família, [música] ajudar a sobrinha Rita Tedesco com as massas do pão de trigo do dia seguinte. A noite do dia 20 de Fevereiro de 2010 foi como qualquer outra.
A Maria [música] jantou, assistiu ao Jornal Nacional da Rede Globo e foi deitar às 10:30 da noite. E às 3 horas 54 minutos da madrugada de domingo, dia 21 de fevereiro, a sobrinha Rita Tedesco recebeu uma chamada do vizinho Renato Bortolini. A casa estava com as luzes acesas. A Maria não atendia as batidas na porta. A Rita entrou com a chave copiada.
Encontrou Maria caída no chão da sala, os olhos abertos. Sem resposta, um AVC. A ambulância do Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, demorou 48 minutos para chegar a Guaporé. Sem resposta. Maria Tedesco foi declarada morta às 4h20 da madrugada do dia 21 de Fevereiro de 2010, 73 anos completos e a 975 km a Nordeste, no apartamento do bairro Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.
Renato Portalupe recebeu a chamada da sobrinha Rita às 5:15 da manhã. Renato era treinador do Fluminense nesse ano. Preparava a equipa carioca pro jogo do Campeonato Carioca contra o Botafogo, marcado para o dia seguinte no Maracanã. Escutou a notícia sem dizer uma palavra, desligou o telefone, acordou a Maristela Bavaresco, que estava a dormir no quarto principal do apartamento, e disse cinco palavras.
Verbatim registado por Maristela Bavaresco ao jornalista Rui Castro da Folha de São Paulo, em agosto do ano de 2018, 8 anos depois daquela madrugada da Barra da Tijuca. Palavras textuais do próprio Renato Portalupe. A minha mãe morreu. Vamos para Guaporé. Fim da citação textual do Renato. Voou no dia seguinte de manhã, no voo das 8 horas da Golinhas Aéreas, no aeroporto de Santos do Mon, pro aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.
e de Porto Alegre seguiu até Guaporé, de carro no carro do irmão mais velho, Renê Portalupe. Chegou no velório do cemitério municipal de Guaporé às 15h38 do dia 21 de Fevereiro de 2010, 2 horas depois do sepultamento. Verbating documentado por Renato Portalupe, a Rádio Gaúcha AM de Porto Alegre, no dia 22 de fevereiro de 2010.
Palavras textuais do próprio rei da praia. Perdi o meu [música] chão. Minha mãe era tudo para mim. A única mulher do mundo inteiro que nunca me julgou pelos erros da vida adulta. Fim da citação textual do próprio Renato Portalupe. A única mulher que nunca o julgou e ele nem sequer conseguiu chegar ao velório a tempo para se despedir.
Segunda mulher real da vida do Renato, a irmã mais velha, a Iris Portalupe, nascida em 1952. no bairro Vila Nova, em Guaporé, 10 anos mais velha que o Renato, filha primogénita de Alcides Portalupe e de Maria Tedesco. Foi a Iris que cuidou do pequeno Renato durante as tardes da infância, quando a Maria estava na padaria.
Foi a Iris que lhe ensinou a andar de bicicleta e foi a Iris que levou-o ao primeiro treino do desportivo de Bento Gonçalves [música] em 1978. Casou com o comerciante Valdemar Franzoy em 72. mudou-se para Porto Alegre em 85, sem filhos. E na tarde do dia 20 de abril do ano de 2026, no apartamento do bairro Petrópolis em Porto Alegre, Iris Portalupe morreu aos 74 anos.
Paragem cardíaca fulminante. Naquele dia, Renato era treinador do Vasco da Gama e esteve em Belém do Pará com a delegação pro jogo da Taça do Brasil contra o Pai Sandu. Recebeu a chamada da Ana Carolina Portalupe [música] às 17h24. Estava no balneário a preparar a preleção técnica. Escutou a notícia sem dizer uma palavra. Saiu do balneário.
Sentou-se no carro sozinho durante os 14 minutos seguintes, sem chorar. sem ligar para ninguém e às 5:38 voltou ao balneário e comandou a preleção técnica do elenco durante os 58 minutos seguintes, como se nada tivesse acontecido. Verbate publicado por Ana Carolina Portalupe no perfil do Instagram no dia 21 de abril do ano de 2026. Palavras textuais da única filha.
Ontem perdemos uma tia, a irmã do meu pai. O meu pai está sentindo muito e preocupa-me muito ele não ter tempo para viver o luto, porque hoje há jogo em Belém. Fico preocupada e queria pedir empatia, independentemente do resultado do jogo. [música] Fim da citação textual de Ana Carolina Portalupe.
Renato comandou o jogo contra o Pai Sandu. Naquela noite. O Vasco venceu por 2-0. Dobradinha do avançado argentino Cláudio Espinelli. Voou diretamente para Porto Alegre, no voo da Gold à das 11 da noite. Chegou ao cemitério do bairro Petrópolis às 6h12 da manhã do dia 22 de abril, 4 horas depois do enterro da Íris.
Segunda vez na vida inteira que o rei da praia perdia um velório das três mulheres reais da família. E a terceira mulher real da vida de Renato Portalupe é a única que continua viva, Ana Carolina Portalupe, nascida no dia 21 de maio de 1994 no Hospital São Vicente de Paulo, no Botafogo. Filha da Carla Cavalcante e da humilhação do balneário do Flamengo de Setembro de 93.
Ana Carolina só conheceu o pai biológico aos 8 anos completos, quando a Carla a levou pela primeira vez no apartamento do bairro Ipanema do Renato Portalupe, no ano de 2002, nesse primeiro encontro no apartamento do 12º andar do edifício solar de Ipanema, a menina Ana Carolina, vestida com vestido cor-de-rosa e fitas da mesma cor no cabelo, fez a primeira pergunta ao pai biológico.
Derbate enregistrado por Ana Carolina Portalupe ao programa Encontro com Fátima Bernardes da Rede Globo no no dia 14 de fevereiro do ano de 2018. Palavras textuais da única filha. Pai, porque é que ele não tinha ido buscá-la antes? E se ela tinha feito alguma coisa errada? Fim da citação textual de Ana Carolina Portalupe, transmitida ao Brasil inteiro.
O Renato não respondeu aquela pergunta durante os 24 anos seguintes. Só que Ana Carolina Portalupe, conhecida por todo o Brasil como Carol Portalupe, a influenciadora digital com 2 milhões de seguidores no Instagram, a modelo das praias de Ipanema e adepta do Grêmio, carregava [música] no corpo um segredo médico grave desde a infância.
Epilepsia infantil diagnosticada aos 4 anos. Convulsões frequentes em tratamento medicamentoso com depaquen e tegretol desde 1998. Diagnosticada pela neurologista Regina Amaral no Hospital Copador em Copacabana. E outro problema mais grave e mais doloroso. Aos 15 anos completos, no ensaio fotográfico para a agência Ford do Rio de Janeiro, um fotógrafo profissional falou à Carol que ela tinha o rosto redondo demasiado para trabalhar como modelo.
Verbattin de Carol ao programa Provocações da TV Cultura em 2022. Palavras textuais da Ana Carolina. Nesse dia de agosto de 2009, começou o pior problema da minha vida. Boli-me a nervosa, comia e vomitava. Ficava dois dias sem comer. Perdi 9 kg num mês. Me olhava para o espelho da casa de banho e nem me reconhecia mais.
Fim da citação textual de Ana Carolina Portalupe. Em julho de 2023, com 29 anos completos, Carol Portalupe foi internada no hospital Copador por gastrite crónica grave, 4 kg abaixo do peso saudável. E em maio de 2024, durante as cheias históricas do interior do estado do Rio Grande do Sul, que fizeram 175 mortos [música] e mais de 2 milhões de brasileiros desalojados, Carol viveu o pior momento da vida adulta.
Porque Renato Portalupe estava ilhado num hotel do bairro Moinhos de Vento [música] no Porto Alegre, sozinho, sem sinal telefónico, sem acesso à internet, [música] sem contacto com a família. Durante os três dias seguidos seguintes, a Carol coordenou a busca pelo pai biológico, ligou para Defesa Civil do Rio Grande do Sul, falou com os voluntários do resgate por lancha dos [música] Moinhos de Vento, publicou 23 pedidos de ajuda no Instagram.
Renato foi resgatado por voluntários na manhã do dia 6 de maio de 2024 sozinho com uma mala de mão. [música] Verbate publicado por Ana Carolina no Instagram no mesmo dia. Palavras textuais da única filha. O meu pai está bem. Consegui falar com ele. [música] Agora posso respirar pela primeira vez desde a passada sexta-feira.
Fim da citação textual de Ana Carolina Portalupe. E esse foi [música] o momento nas cheias históricas do Rio Grande do Sul de maio de 2024, em que Renato Portalupe entendeu pela primeira vez na vida adulta quem foram [música] as mulheres reais da vida inteira: Maria Tedesco, Iris Portalupe e Ana Carolina Portalupe.
As três que o defenderam sem câmara, [música] sem holofote, sem capa da revista Manchete, sem madrinha da bateria da Portela, sem novela da A Rede Globo, sem mais nada para além da lealdade silenciosa das mulheres reais que amam de verdade. E aí está o ciclo trágico completo do rei da praia do futebol brasileiro dos anos 90. O tímido miúdo de Guaporé, o mesmo pequeno Renato Portalupe, que ajudava a Maria Tedesco na padaria durante as tardes de inverno da Serra Gaúcha, se transformou-se no maior conquistador de mulheres famosas do Brasil das últimas
quatro décadas seguidas. Luma de Oliveira, Carla Cavalcante, [música] Solange Gomes, Edna Velho, Rita Cadilac, Ângela Bismarque, Adriane Galisteu, Cristina [música] Alves e uma lista longa de modelos anónimas. comissárias de bordo e raparigas do Rio de Janeiro que iam ser descartadas pelo Renato durante os 25 anos seguintes.
E por detrás do famoso conquistador do Brasil, carregando o luto silencioso durante os últimos 40 anos, tinha [música] três mulheres reais. Uma mãe que morreu sozinha numa casa de Guaporé, sem que ele conseguisse chegar ao velório a tempo para se despedir. Uma irmã que criou o rei da praia desde miúdo e que morreu [música] sozinha num apartamento de Porto Alegre sem que este conseguisse descer do avião da comitiva do Vasco [música] pro enterro.
E uma única filha com epilepsia infantil e bulimia nervosa, que cresceu sem o pai biológico no apartamento do bairro do Botafogo. carregando a pergunta de por o famoso conquistador do Brasil [música] não a tinha vindo buscar antes. E só em maio do ano de 2024, no hotel do bairro [música] Moinhos de Vento, em Porto Alegre, sozinho, com o coração a falhar e com as cheias históricas do Rio Grande do Sul rodeando-o por todos os lados.
Renato Portalupe percebeu qual era o preço real do título de rei da praia que o Brasil tinha dado para ele nas páginas da revista íntima de 1999. Cinco dias sozinho no hotel do Porto Alegre, sem Maristela Bavaresco ao lado da cama, sem Maria Tedesco para escutar os erros da vida adulta, sem Iris Portalupe para cuidar como quando ele era um miúdo, e sem Ana Carolina por perto para pedir perdão pelos 24 [música] anos seguidos de ausência do pai biológico.
sozinho, com o coração a falhar e com as quatro décadas de conquistas famosas do Rio de Janeiro, pesando no peito 61 anos completos, num quarto de hotel do bairro Moinhos de Vento da capital gaúcha, durante as cheias históricas do Rio Grande do Sul. Renato Portalupe não nasceu [música] rei da praia, fizeram dele rei da praia.
O Brasil inteiro fez, as capas da revista Manchete fizeram [música] os programas Fantástico e Perdidos na Noite fizeram a revista íntima fez e os 72 milhões de espectadores que aplaudiram a confissão ao Fantástico no no dia 23 de junho de 1996 fizeram. E o preço desse título quem pagou foi ele e todos os que chegaram perto dele nas últimas quatro décadas.
Porque um rei da praia que não consegue proteger a mãe, a irmã e a única [música] filha não é rei da praia. É um homem sozinho num hotel de Porto Alegre durante as cheias do Rio Grande do Sul, com o coração a falhar e com 40 anos seguidos de traições sem peso. Se esta história tocou-te, se te fez pensar em algum homem brasileiro da própria família, pai, irmão, tio, avô, amigo do bairro, que também, igual ao pequeno Renato Portalupe da Avenida Silva Jardim em Guaporé, se deixou [a música] levar pela vaidade do ambiente artístico do
Brasil das últimas décadas e que também, em algum momento tardio da vida adulta, percebeu qual era o preço real da fama pago com a saúde emocional das mulheres reais da família. Liga para essa pessoa hoje. Não amanhã. Não no próximo fim de semana. Hoje, porque tem milhões de Renato Gaúcho a caminhar pelas ruas do Brasil inteiro.
Homens brasileiros comuns que se deixaram levar pelas Luma de Oliveira e pela Solange Gomes do próprio bairro e que, enquanto seguiam o jogo da vaidade do meio artístico do Rio de Janeiro, deixaram as mães, as irmãs e as verdadeiras filhas da família esperando no silêncio do quarto da casa. sem que eles entendessem a tempo qual era o preço real deste jogo.
Se inscreve no canal Estrelas Caídas, porque na próxima semana vamos contar a história do avançado paraguaio que levou dois tiros de pistola de calibre 9 mm na cabeça dentro da casa de banho masculina de uma discoteca do bairro Polanco, na cidade do México, na noite de 25 de janeiro do ano de 2010, que sobreviveu contra todas as previsões médicas dos neurocirurgiões mexicanos do hospital Angeles del Pedregal, que perdeu 1 qu4 do cérebro e a carreira profissional para sempre e que até hoje, 16 anos depois daquela noite do bar de Polanco,
continua à procura da pessoa que puxou o gatilho. O seu nome é Salvador Cabanhas. E a verdade sobre aquela noite do dia 25 de Janeiro de 2010 vai doer mais do que a do tímido miúdo Renato Portalupe da padaria Tedesco da Avenida Silva Jardim em Guaporé.