RENNER FEZ UMA REVELAÇÃO SOBRE RICK APÓS A TRAGÉDIA E UMA ANTIGA HISTÓRIA DA DUPLA VOLTOU À TONA – H
Na noite da passada quinta-feira, depois de três dias em silêncio absoluto, Renner apareceu sem palco, sem banda, sem microfone, apenas ele, o telemóvel e uma frase que muita gente não esperava ouvir naquele momento. E enquanto a o Brasil, ainda tentava perceber como é que o Rick, a voz que embalou tantas rádios, tantos bares e tantas estradas, tinha partido daquele jeito.
Uma história antiga da dupla voltou a circular. Uma história que envolve separação, um desabafo público, um pedido de perdão que não foi aceite da forma que se imaginava e uma reconciliação que só aconteceu anos depois. Hoje vou contar-te tudo isso com calma, com respeito e com base no que foi divulgado até ao momento. O que o Henner disse, porque esperou para falar o que realmente aconteceu entre os dois ao longo de quase 40 anos.
E como foi o último dia do Rick, desde a descolagem até ao momento em que o helicóptero desapareceu na Serra Catarinense? E fica até ao fim, porque a forma como o Renner escolheu encerrar aquele vídeo tem uma ligação direta com uma música que os dois gravaram há décadas. E quando compreender essa ligação, a despedida dele vai ganhar outro sentido.
Poucas pessoas se aperceberam isso à primeira. Antes de começar, eu queria pedir-te uma coisa simples. Escreve aqui nos comentários de qual cidade que está a assistir e qual música de Ricky Henner marcou a sua vida. Vou ler os comentários e tenho certeza de que muita gente se vai reconhecer nas histórias uns dos outros. Agora vamos recuar um pouco no tempo.
Segunda-feira, dia 21 de setembro de 2026. Era para ser uma viagem rápida. Pelo que foi divulgado até ao momento, o Rick não estava a cumprir a agenda de show naquele dia. O voo não fazia parte da agenda da dupla e, por isso, o Renner não estava a bordo. O cantor tinha embarcado num helicóptero que saiu de Porto Belo no litoral de Santa Catarina, com destino a São Joaquim, na Serra Catarinense.
Antes de levantar voo, o próprio Rick gravou um vídeo em frente à aeronave e publicou nas redes sociais. Neste vídeo aparecem o empresário Bruno Avelar e também os dois pilotos, um registo comum daqueles que qualquer pessoa faz antes de uma viagem. Ninguém imaginava que aquelas imagens seriam as últimas. Na tarde dessa segunda-feira, o helicóptero simplesmente desapareceu.
Segundo informações dos bombeiros, a aeronave desapareceu pouco antes de chegar ao destino. Começou ali uma corrida contra o tempo. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e a Força Aérea Brasileira entraram nas buscas. As equipas atravessaram a madrugada, procurando qualquer sinal em uma região de relevo montanhoso, floresta fechada e acesso muito difícil.
Enquanto isso, a assessoria do cantor confirmou que estava mesmo no helicóptero e a notícia se espalhou pelo país em questão de minutos. Os fãs começaram a rezar, artistas começaram a publicar mensagens e todos se faziam a mesma pergunta. Onde está o Rick? O Renner, nesse momento, fez o que muita gente o faria no lugar dele.
Pediu orações, pediu que as pessoas rezassem pelo parceiro e por todos os envolvidos. Não deu entrevista, não fez qualquer declaração longa, só pediu fé. Por volta do meio-dia de terça-feira, dia 22, veio a notícia que ninguém queria receber. Os destroços foram encontrados numa área de floresta de difícil acesso na região de Urubissi.

Os cinco ocupantes estavam sem vida. O corpo de bombeiros confirmou. Rick, que se chamava Geraldo António de Carvalho, tinha 59 anos e juntamente com ele partiram outras quatro pessoas que tinham também família, amigos e uma história. O empresário Bruno Avelar de Souza, fundador do poder do network, conhecido nas redes por falar sobre ligações profissionais, o videógrafo Paulo Ricardo dos Santos Soares, o piloto António Roberto Nóbrega de Araújo, natural de Acari, no Rio Grande do Norte, e o copiloto Leopoldo de Barros Teixeira, natural de São Paulo.
Cinco vidas, cinco famílias que de uma hora para a outra tiveram o chão arrancado. Na madrugada de quarta-feira, os corpos foram libertados pelo Instituto Médico Legal de Florianópolis, depois da identificação feita por impressões digitais. E foi aí que começou a despedida. Durante todos estes dias, o Renner ficou em silêncio.
Ele chegou a reaparecer nas redes, partilhando uma homenagem que uma cantora Mirim, fez ao Rick, mas não tinha falado nada com as próprias palavras. E muita gente estranhou. Muita gente perguntou nos comentários: “Onde está o Henner? Porque é que ele não diz nada?” A resposta chegou na quinta-feira à noite. Horas depois do velório do Rick, o Renner publicou um vídeo no Instagram e a primeira coisa que fez foi explicar o silêncio.
Ele disse, com outras palavras, que só estava aparecendo naquele momento porque os dias anteriores tinham sido muito difíceis e que só quem está na pele sabe o que é. Ele dirigiu-se ao povo querido, aos fãs do Rick Henner e deixou claro que precisou de tempo para assimilar a perda. E depois veio a frase que resume tudo: “Foram 40 anos de convivência de muito suor, muita luta.
Pára e pensa no que isso é. 40 anos é mais tempo do que dura muito casamento. É mais tempo do que muita gente que está ver este vídeo tem de vida. 40 anos dividindo ônibus de turnê camarim. Quarto de hotel, palco, sucesso, fracasso, briga, reconciliação. Quando Henner fala em suor e luta, não está falando de enfeite, está a falar de uma vida inteira.
Ele também disse que não é fácil, mas que Deus está a dar força e que aos poucos vão levantar. Agradeceu aos milhões de mensagens que recebeu, tanto para ele quanto para as famílias, e disse que este carinho não tem preço, que é isso que levanta e conforta. Falou também que está bem, que está forte no Senhor Jesus e que só lhe resta agradecer.
Mas a parte que mais chamou a atenção foi o final. O Henner reconheceu que a saudade vai ficar e logo a seguir disse que adora os fãs e que o programa não pode parar, que vão continuar a cantar. Muita gente ouviu esta frase e parou, porque para quem conhece a trajetória da dupla, ela não é uma frase qualquer.
O espectáculo não pode parar é também o nome de uma música gravada pelo próprio Ricky Henner na década de 1990. Ou seja, no momento mais difícil da vida dele, o Henner optou por se despedir utilizando o nome de uma canção que os dois gravaram juntos há décadas. É como se ele estivesse a falar com o público e ao mesmo tempo a falar com o Rick.
Essa foi a revelação que tocou tanta gente. Não é um escândalo, não é um segredo bombástico, é algo muito mais humano. O Renner revelou que vai seguir, que mesmo sem o parceiro, pretende continuar nos palcos. e revelou que usando as palavras da própria dupla. E conta-me aqui nos comentários, acha que o Henner deverá continuar a cantar as músicas da dupla sozinho ou acha que algumas canções deveriam ficar guardadas só na memória da forma que eram com os dois? Eu quero muito saber a sua opinião, porque isso divide muita gente.
Agora, para perceber por que razão esta despedida pesa tanto e porque uma história antiga voltou à tona precisamente nesta semana, precisamos de voltar ao começo. Precisa de conhecer o Rick antes do Rick Henner. Geraldo António de Carvalho nasceu a 5 de dezembro de 1966 em Monte do Carmo, no Tocantins. Um menino do campo, criado a ouvir música pelo pai.
Era o pai que cantava as canções populares nas feiras do Tocantins. E era pela rádio, pelas estações de Goiás, que o pequeno Geraldo ia conhecendo o som, que um dia ia fazer dele um dos nomes mais conhecidos do sertanejo. O gosto pela música veio de casa, mas o caminho não foi fácil. No início, o Rick teve muita dificuldade para encontrar um parceiro.
A primeira dupla dele foi com a própria irmã. Os dois apresentavam-se com o nome de Sereno e Serenata. Só que esta história durou pouco tempo. O pai proibiu a filha de seguir carreira com o irmão, porque eles precisavam de cantar em locais considerados perigosos. Era outra época. Era a tal estrada a sério, com bar de beira de estrada, festa em cidade pequena, palco improvisado.
E aí começou uma sequência de tentativas. O Rick foi de parceiro em parceiro. Uma dupla aqui, outra ali, e nenhuma funcionava da maneira que ele queria. Até que um dia, por puro acaso, a sua vida mudou por causa de um telefonema. Esta é talvez a história mais bonita da dupla e muita gente nem conhece. O Rick foi a Brasília fazer um concerto, necessitava de equipamento emprestado e ligou para uma discoteca.
Enquanto esperava na linha, ouviu alguém a cantar ao fundo, uma voz que chamou a atenção dele na hora. Ele quis saber quem era, quis conhecer aquele cantor. Aquela voz era do Renner. Pensa no tamanho do acaso. Se o telefone tivesse sido atendido um minuto antes, se o Renner não estivesse a cantar naquele instante? Se o Rick não tivesse necessitado de equipamento, talvez a dupla nunca tivesse existido.
Talvez músicas que cantou a vida inteira nunca tivessem sido gravadas. O Renner, na verdade, chama-se Ivair dos Reis Gonçalves. Nasceu a 19 de novembro de 1971 em Patos de Minas, Minas Gerais. E os dois vinham de mundos musicais diferentes. De um lado, o Rick, que cresceu com a música popular das feiras e das rádios do interior.
Do outro, o Renner, que gostava dos acordes e das letras de rock, de bandas como os Legião Urbana. Duas influências que pareciam não ter nada a ver. E foi precisamente essa mistura que criou uma identidade própria. A dupla foi formada em 1986 e o que veio depois foi uma das trajetórias mais impressionantes da música sertaneja brasileira, mas não pensa que foi um sucesso da noite para o dia.
Entre o telefonema em Brasília e as rádios de todo o país, houve muita estrada, houve um pequeno concerto, houve uma cidade do interior, teve uma longa viagem para cantar para pouca gente. é o caminho que quase toda a dupla sertaneja daquela geração percorreu. E foi nessa estrada que os dois aprenderam a cantar juntos, a dividir as vozes, a compreender o público.
Nos anos 1990 e 2000, Rick Renner tornaram-se presença constante nas rádios de todo o Brasil. Venderam milhões de discos. Em 25 anos de estrada, estima-se que se apresentaram para um público de cerca de 225 milhões de pessoas com uma média de 15.000 pessoas por espetáculo, 15.000 pessoas por noite. É estádio, é rodeo cheio, é praça pública tomada de pessoas e as músicas atravessaram gerações.
Ela é demais nos bares da cidade. Filha, nós tropica, mas não cai. Há gente que casou ao som destas canções. Há pai que chorou ouvindo a filha. Há gente que atravessou uma separação ouvindo a dupla no carro sozinho de madrugada. Mas tem uma parte da história do Rick muita gente não sabe. Ele não era só cantor, foi compositor e compôs êxitos que tornaram-se famosos na voz de outras duplas.
Página de amigos que rebentou com Chitãozinho e Chororó. Só dá você na a minha vida. Gravada por João Paulo e Daniel. Agenda rabiscada de Cleiton e Camargo. E ainda bebo para caray de Gino e Gino, entre outras. Ou seja, mesmo quem nunca comprou um disco do Rick Henner, muito provavelmente já cantou uma música que saiu da cabeça do Rick.
Isso mostra o tamanho do talento dele. Ele não precisava de estar em cima do palco para marcar a sua vida. Às vezes ele estava por detrás de uma canção que você pensava que era de outro artista. Isso diz muito sobre quem ele era. Compositor de verdade escreve sobre a vida das pessoas, sobre amor que acabou, sobre saudade, sobre a amizade, sobre a mesa do bar.
O Rick tinha esse dom de transformar o sentimento comum em canção que toda a gente sabe cantar. E muitas destas canções vão continuar a tocar por décadas na voz dele e na voz dos outros artistas. Escreve aqui em baixo: “Você sabia que página de amigos tinha sido composta pelo Rick? Eu tenho a certeza de que muita gente vai descobrir que agora, só que o sucesso tem um preço.
E a relação entre Rick e Henner por trás dos palcos nunca foi simples. Essa é a parte da história que voltou a circular nesta semana. E é importante contar do maneira certa, sem exagero e sem inventar nada. Mas antes de entrar nela, eu preciso de te fazer um aviso. Tudo o que eu estou a dizer-te neste vídeo é só uma parte do que levantei.
Durante estes dias. Reuni e organizei tudo o que foi divulgado publicamente sobre o caso, a linha do tempo completa da viagem, com os horários que os dados de rastreio mostraram, a troca de aeronave, a ficha técnica do helicóptero, o que já se sabe sobre a investigação e o que ainda não se sabe para além da trajetória inteira do Rick desde a infância no Tocantins, tem coisa ali que simplesmente não cabe em um vídeo.
Detalhes que quando vê organizados um ao lado do outro mudam a forma como entende essa história. Eu transformei tudo isto num material completo chamado o Último Voo de Rick. Ele está no primeiro link fixado aqui nos comentários. Se quer entender este caso de verdade, do princípio ao fim, com as fontes, sem boato e sem teoria inventada, é aí que está.
Clica no primeiro comentário fixado e dá uma olhada com calma. Mas não sai daqui agora, porque a parte que vem a seguir é precisamente a que muita gente não conhece. Vamos lá. A primeira separação da dupla começou a ser desenhada em 2010. Depois de meses de boato sobre o futuro dos dois, o fim da parceria foi confirmado.
Houve uma última apresentação em Gaspar, em Santa Catarina, e o anúncio oficial ficou agendado para a viragem para 2011. O motivo alegado foi o desgaste na relação profissional. Cada um seguiu o seu caminho. O Rick lançou um álbum a solo chamado Pronto para te amar. O Renner seguiu também com os próprios projetos e muita gente pensava que era o fim definitivo de Rick Renner, só que não era. O público não deixou.
Os fãs pediam, o mercado pedia, os contratantes pediam. E em setembro de 2012, menos de 2 anos depois, os dois regressaram, anunciaram a reconciliação, voltaram a gravar juntos, fizeram uma digressão. Dessa fase saíram trabalhos como Inacreditável Poder do Amor e Bom de Dança volume 2. Parecia que a página tinha sido virada, mas o reencontro não durou muito tempo.
No fim de 2014, o Renner envolveu-se num acidente de viação em São Paulo e foi detido por conduzir sob o efeito do álcool. O caso teve grande repercussão na época. E poucos dias depois, em janeiro de 2015, o Rick anunciou de novo o fim da dupla. E não o fez em silêncio. O Rick publicou um desabafo nas redes sociais.
Nele, contou que já tinha tentado aconselhar o parceiro noutras ocasiões e disse que a partir dali ia seguir outro percurso profissional. Na visão dele, naquele momento, a situação tornava impossível continuar com a dupla. Imagina o impacto disto para quem acompanhava os dois. Não era só uma separação artística, era um rompimento público com palavras duras depois de um episódio que envolveu risco real.
Nesse novo período separados, o Rick voltou à carreira a solo e chegou a formar uma duo com um cantor chamado Giovani. O Renner seguiu por outros caminhos, incluindo a música gospel. E aí vem o episódio que voltou à baila agora depois da morte do Rick. Em fevereiro de 2016, quando os dois já estavam afastados há cerca de um ano, o Rick participou do programa Domingo Show da Record.
Pouco antes, o Renner tinha dado uma entrevista na mesma estação em que lamentava situações que tinham afetado o antigo companheiro e dizia que perdoava o Ricardo. Só que o Rick não percebeu esse perdão. Ele não conseguia ver por que motivo precisaria de ser perdoado. E no programa respondeu a isto com uma calma que chamou atenção.
Ele questionou onde exatamente estaria esse perdão, como se colocasse um ponto de interrogação nessa frase. Mas o que veio depois é o que mais há sido partilhado esta semana. O Rick disse que da sua parte não havia mágoa nem raiva, que o Renner podia estar tranquilo quanto a isso e completou dizendo que se alguém precisava de ouvir um pedido de perdão, esse alguém era o público da dupla.
Percebe o peso disso hoje? Naquela época, a fala so uma resposta dura. Agora, depois da tragédia, muita gente está a ver outra coisa. está vendo um homem que, mesmo no auge do afastamento, fazia questão de dizer que não guardava raiva e que se preocupava, acima de tudo, com as pessoas que tinham acompanhado os dois a vida inteira.
E há mais um capítulo desta história que emociona. Durante este período de afastamento, a mãe do Rick, a dona Aldenora Cirilo de Carvalho, faleceu aos 82 anos, vítima de uma infecção generalizada e quem anunciou a morte publicamente foi o Henner. Na altura, contou que os dois estavam sem se falar desde a separação, mas disse, por outras palavras que eram três décadas de amizade e que não podia deixar de confortar o parceiro num momento daqueles. Pensa nisso.
Duas pessoas que tinham rompido em público, que tinham trocado recados pela televisão. E quando a dor chegou de verdade, o Renner apareceu não como dupla, não como sócio, mas como amigo. Anos mais tarde, o Rick perdeu também o pai, o homem que definia como o seu maior exemplo e o seu herói, o mesmo pai que cantava nas feiras do Tocantins e que tinha colocado a música no coração daquele menino.
E em agosto de 2018, 3 anos depois do rompimento, aconteceu aquilo que muita gente pensava impossível. Rick Henner anunciaram a volta, desta vez com uma digressão que tinha um nome que dizia tudo, seguir em frente. Desta vez foi definitivo. Desde assim, os dois mantiveram a agenda de espectáculos, mesmo sem o volume de lançamentos de antigamente.

E em 2026, estavam celebrando os 40 anos de carreira com uma agenda especial de apresentações. 40 anos, duas separações, duas reconciliações, um pedido de perdão que tornou-se polémica, uma amizade que resistiu a tudo isto. E agora, quando finalmente parecia que os dois tinham encontrado paz para comemorar a própria história, veio a notícia de que ninguém estava preparado para ouvir.
E há uma coisa que vale a pena destacar sobre esta última fase. Depois de 2018, a dupla não voltou a disputar espaço com os novos lançamentos do sertanejo. voltou para cantar para quem sempre lá esteve, para o público que tinha crescido com as músicas, que tinha levado os filhos aos espectáculos, que tinha cobrado o regresso dos dois durante anos.
Era uma fase de reencontro, não de competição. E talvez por isso tanta gente tenha sentido esta perda como se fosse de alguém da família. Porque para muita gente, Rick e Henner eram isso mesmo. Eram a trilha sonoro da casa dos pais, da viagem de carro com a família, da festa na cidade do interior. Eram aquela dupla que sempre esteve a tocar em algum lugar, mesmo quando nem sequer estava a prestar atenção.
E diz-me uma coisa aqui nos comentários. Você acompanhou essas idas e vindas da dupla na altura? Você lembra-se onde estava quando soube da primeira separação? Tenho a certeza de que tem muita gente aqui que viveu tudo isto juntamente com eles. Agora vamos aos últimos dias do Rick. No sábado, dia 19 de setembro de 2026, Rick e Renner se apresentaram juntos em Sorriso no Mato Grosso numa festa de 15 anos.
Um espetáculo como tantos outros que fizeram ao longo de quatro décadas. Os dois partilharam o palco, cantaram os êxitos, receberam o carinho do público. Ninguém sabia, mas aquela seria uma das últimas vezes em que os dois estariam juntos em cima de um palco. Dois dias depois, na segunda-feira, dia 21, o Rick iniciou uma viagem que tinha pouco a ver com música.
Segundo dados públicos de rastreio, a primeira etapa começou cedo em Jundiaí, no interior de São Paulo. O grupo embarcou num jato que decolou do aeroporto comandante Rolim Adolfo Amaro por volta das das 7h25 da manhã. A chegada ao aeródromo Costa Esmeralda, no Porto Belo, no litoral catarinense, aconteceu por volta das 8:31.
São horários aproximados, baseados nestes dados de rastreamento. Em Porto Belo houve a troca de aeronaves. A segunda parte da viagem seria feita num helicóptero, o Bell 430, de matrícula PPMGR. E para onde iam? O destino era São Joaquim, na Serra Catarinense. Sobre a finalidade da viagem, é necessário ter cuidado.
Segundo as informações divulgadas até ao momento, houve relatos de que o deslocamento estaria ligado à avaliação de um possível investimento ou de um terreno na região, mas que ainda não foi confirmado oficialmente e não dá para afirmar nada mais do que isso. Foi em Porto Belo que o Rick gravou aquele vídeo em frente ao helicóptero, mostrou o empresário Bruno Avelar, mostrou os pilotos. Tudo parecia tranquilo.
O helicóptero descolou em direção à serra. Um percurso que pelo mapa parece curto, mas que atravessa uma das regiões de relevo mais acidentado do Sul do Brasil, com montes, vales, floresta densa e alterações de tempo que podem acontecer rápido. E, a dada altura da tarde, pouco antes de chegar a São Joaquim, o helicóptero desapareceu.
A partir daí começa a parte mais angustiante desta história. Uma aeronave que não chega ao destino, uma família que não consegue contactar, uma assessoria que confirma que o cantor estava a bordo e equipas de busca que precisam encontrar um helicóptero numa região onde muitas vezes nem sinal de telemóvel existe.
Os bombeiros e a FAB passaram a madrugada inteira mobilizados e quem acompanhou pelas redes sabe como foram aquelas horas. Cada atualização era lida como se pudesse trazer um milagre. Cada foto de equipa a entrar na mata era partilhada com um pedido de oração. O helicóptero só foi localizado na terça-feira, perto do meio-dia, numa zona de floresta e de difícil acesso.
As equipas chegaram até aos destroços e confirmaram que ninguém tinha sobrevivido. Depois começou o trabalho de resgate das vítimas para que a polícia científica pudesse fazer as perícias necessárias. Para o Brasil, esta cena teve um peso extra. O país já viveu outras tragédias aéreas que tiraram de cena nomes da música sertaneja, como a da cantora Marília Mendonça em 2021.
E muita gente, ao ver a da a notícia do desaparecimento, lembrou-se imediatamente daquela dor. Por isso, a mobilização foi tão grande. Por isto tanta gente ficou acordada naquela madrugada, atualizando o telemóvel, à espera de qualquer notícia. E enquanto o país esperava, o Henner esperava junto, sem saber se o parceiro de quatro décadas ia voltar.
Só quem já esperou notícia de alguém que ama numa situação assim sabe o que são essas horas. E aqui entra a questão que toda a gente está fazendo. O que derrubou este helicóptero? A resposta honesta é uma só. Ainda não se sabe. O caso ainda não tem uma causa oficial. O SENIPA, que é o órgão da Força Aérea, responsável pela investigar acidentes aeronáuticos, e a Polícia Civil ainda analisam as evidências.
O que se sabe até ao momento sobre a aeronave é o seguinte. O PPMGR era um Bell 430 fabricado pela Bell Helicópter com ano de fabrico 2001. Era um helicóptero bimotor, ou seja, com dois motores. E segundo a consulta ao registo aeronáutico brasileiro da ANAC, feita em setembro de 2026, a situação de aeronavegabilidade constava como normal.
Mas aqui há um pormenor muito importante que muita gente está a confundir nas redes. A aeronavegabilidade regular não significa que qualquer causa esteja descartada. Ela só indica a situação documental da aeronave. E ter dois motores também não explica por si só, nem o acidente, nem a ausência do mesmo. É uma característica do helicóptero, não um veredicto.
Outro ponto que está a ser muito comentado é o clima. A região da A Serra Catarinense é conhecida por mudanças rápidas de tempo, chuva, vento, visibilidade, relevo montanhoso, mata fechada. Todos estes são elementos que deverão ser analisados pela investigação, mas não há conclusão oficial de que as condições do tempo tenham provocado a queda.
O contexto não é veredito. A causa continua em aberto. Por isso, desconfia de qualquer vídeo que já te esteja a dar a resposta pronta. Quem afirma hoje o que aconteceu naquele helicóptero está a dar pontapés. Só a investigação vai poder dizer quais fatores contribuíram para a a queda. E é exatamente por isso é que eu montei aquele material de que te falei.
Eu não queria mais um vídeo de teoria. Eu queria organizar num só lugar tudo o que é facto, separado do que ainda é hipótese. A linha do tempo completa da viagem etapa a etapa. A ficha técnica do helicóptero explicada de uma forma simples. O que o Senipa e a polícia civil ainda têm de responder e a vida do Rick do Tocantins até ao último concerto.
O último voo de Rick é no primeiro link fixado aqui nos comentários. Se chegou até aqui, é porque esta história mexeu consigo de verdade. Então clica ali no primeiro comentário fixado e lê com calma. Você vai entender este caso de uma forma que nenhuma manchete consegue mostrar. E agora vamos à despedida.
Na madrugada de quarta-feira, o corpo do Rick foi libertado pelo IML de Florianópolis. Na quinta-feira, dia 24 de setembro, realizou-se o velório em Sorocaba, no interior de São Paulo. Familiares, amigos próximos, fãs e nomes conhecidos da música sertaneja foram mesmo lá para se despedir e o Henner estava lá.
Esteve presente na despedida e ajudou a carregar o caixão do companheiro até ao jazigo da família. Foi registado emocionado durante o cortejo. Aquele homem que tinha dividido 40 anos de estrada com o Rick, que tinha andado à pancada, se separado, voltado, se separado de novo e voltado outra vez, estava ali carregando o amigo pela última vez.
Não há imagem que resuma melhor esta história. Todas as polémicas, todos os recados pela televisão, todas as separações, tudo isto ficou pequeno perante aquele momento. E foi só horas depois, já com a despedida feita, que o Renner gravou o vídeo. Agora dá para compreender por que razão ele esperou. Ele não queria falar antes de enterrar o amigo.
Não queria transformar a dor em conteúdo. Quis primeiro despedir-se do Rick e só depois falar com o público. E quando falou, disse que a saudade vai ficar, mas que o espetáculo não pode parar. O nome de uma música dos dois, a promessa de continuar a cantar o que eles construíram em conjunto. Se for parar para pensar, é quase a mesma coisa que o Rick disse lá em 2016.
Nessa altura, o Rick disse que o que realmente importava era o público, que era para os fãs que alguém deveria pedir perdão. E agora, quase 10 anos depois, a primeira coisa que o Renner faz depois de enterrar o parceiro é precisamente agradecer ao público. É dizer que vai continuar cantando para eles. De certa forma, os dois terminaram esta história falando a mesma língua. O Rick deixa seis filhos.
Deixa uma obra enorme como intérprete e como compositor. Deixa canções que tocam em casamento, em festa de família, em churrasco de domingo, numa rádio de camião a atravessar o país de madrugada. Deixa uma dupla que atravessou 40 anos com todos os altos e baixos que uma parceria destas pode ter.
E deixa também uma lição que é talvez a mais importante de todas, a de que nenhuma briga é tão grande que não possa ser superada. Rick e Henner separaram-se, se magoaram, trocaram palavras duras em público, mas voltaram. E quando o fim chegou, estavam juntos outra vez. Estavam a celebrar 40 anos de carreira, tinham dividido o palco dois dias antes.
Quantas pessoas não têm essa hipótese? Quantas pessoas deixam durar uma briga para sempre e só percebem o valor do outro quando já é tarde. O Rick e o Henner tiveram tempo para se reencontrar. E que no meio de tanta dor é um consolo. E há uma coisa que ninguém tira do Rique. Ele saiu de Monte do Carmo, no Tocantins, filho de um homem que cantava nas feiras, e chegou aos maiores palcos do Brasil.
Começou cantando com a irmã, foi proibido de seguir com ela. Trocou de parceiro várias vezes até ouvir uma voz do outro lado da linha. Quem começa assim e chega onde chegou, não chegou por sorte, chegou por insistência. E essa insistência está em cada música que ele deixou. Quero também deixar aqui o o meu respeito às famílias do Bruno Avelar, do Paulo Ricardo, do piloto António Roberto e do co-piloto Leopoldo.
Eram também pais, filhos, amigos, também tinham planos para os próximos dias e também merecem ser recordados. Agora quero fazer-te um último pedido. Deixa aqui nos comentários uma mensagem para o Renner. Uma palavra de força, uma recordação de um concerto que te foi, uma música que marcou um momento da a sua vida.
Pode ter a certeza de que este carinho, como ele próprio disse, é o que levanta-se e conforta. E se essa história tocou-lhe, não deixa de ver o material completo que preparei. O último voo de Rick está no primeiro link fixado nos comentários. Aí está tudo o que eu não consegui colocar aqui. A linha do tempo com os horários da viagem, a troca de aeronave em Porto Belo, os dados do helicóptero, o que a investigação ainda precisa de esclarecer e toda a trajetória do Rick, contada com cuidado e com base no que foi divulgado até ao momento. É o
primeiro comentário fixado. Clica lá antes de sair. A saudade vai ficar. Mas como o próprio Renner disse, o espectáculo não pode parar. Obrigado por tudo, Ricardo. A a sua voz vai continuar a tocar em cada canto deste país. Descansa em paz, Rick. O link fixado nos comentários. Lá está tudo o que não consegui colocar aqui.