Um Juiz Exigiu Provas que Chico Falava com Mortos-O Que Aconteceu Depois Deixou Todos Sem Explicação – H
Numa pequena sala de um fórum no interior de Minas Gerais, um juiz bateu a mão sobre a mesa e disse com voz firme: “Ou senhor prova-me que fala com os mortos, ou este tribunal vai considerar todos os isto uma fraude?” E Chico Xavier, ali sentado, com aquele fato surrado e os óculos grossos, apenas baixou a cabeça e respondeu baixinho: “Excelência, não falo com os mortos.
Eles é que falam comigo. Esta história que te vou contar agora é uma das mais impressionantes que já circularam entre os espíritas mais antigos do Brasil. E eu preciso de te pedir uma coisa antes de continuar. Fica até ao final, porque o que aconteceu dentro daquele tribunal não tem explicação lógica, não tem explicação jurídica.
E até hoje quem esteve presente naquele dia prefere não falar sobre o assunto, não por medo, mas por respeito, porque há coisas nesta vida que a gente não consegue explicar por palavras. E quando tentamos, parece que está diminuindo o tamanho daquilo que aconteceu. Mas antes de chegar ao tribunal, eu preciso de te levar um pouco mais atrás.
Preciso de te contar como tudo começou. Quem era o homem que levou Chico Xavier para aquele banco de réus e por que motivo uma cidade inteira ficou dividida entre a fé e a dúvida durante semanas? Estamos em 1974. O Brasil vivia um momento estranho. A ditadura militar estava no auge, mas nos interiores de Minas a vida seguia num outro ritmo.
As pessoas ainda iam à missa de domingo, ainda tomavam café na porta de casa ao entardecer, ainda acreditavam que os mortos podiam mandar recados para os vivos. E em Uberaba, onde Chico Xavier vivia e trabalhava todos os dias no Centro Espírita. A rotina era sempre a mesma. De manhã cedo, já estava de pé. Tomava um café simples, às vezes só com pão duro, e ia para o centro.
Chegava antes de todo mundo. Sentava-se na cadeira dele, abria o caderno e esperava. Esperava que os espíritos viessem. E eles vinham, sempre vinham. [pigarreia] Nessa altura, Chico já tinha psicografado milhares de cartas. Milhares. Cartas de pais que perderam filhos, cartas de esposas que ficaram viúvas, cartas de crianças que morreram cedo demais e que voltavam para dizer que estavam bem, que não havia escuro do outro lado, que a vida continua.
E a maioria destas cartas trazia detalhes tão específicos, tão íntimos, tão impossíveis de serem inventados, que mesmo os mais céticos ficavam sem reação. Mas é claro que nem todos acreditava. E é aí que entra o homem que deu início a tudo isto. O seu nome era O Dr. Heráclito Mendes Figueira, um juiz de direito, um homem sério, duro, metódico, licenciado em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, católico praticante, filho de um agricultor tradicional da região do Triângulo Mineiro e um sujeito que, desde jovem que tinha um problema com tudo o
aquilo que não podia medir, pesar ou provar com documentos Dr. Heraclito tinha 57 anos nessa altura. cabelo todo branco, rosto magro, olhos encovados, usava sempre o mesmo tipo de fato cinzento escuro. E quando falava, falava devagar, como se cada palavra fosse uma frase. Era respeitado na comarca, temido até porque não perdoava erro processual, não aceitava atraso de advogado e não tinha paciência nenhuma com gente que tentava enrolar a justiça.
E foi precisamente este homem que numa tarde de quarta-feira recebeu no gabinete dele uma queixa formal contra Francisco Cândido Xavier. A denúncia tinha sido feita por uma mulher chamada Dona Eulália Pimenta Rocha, uma senhora de 63 anos, viúva, residente num sítio nos arredores de Uberaba. E o motivo da denúncia era o seguinte: a dona Eulália dizia que Chico Xavier tinha usado o nome do seu falecido marido para enganá-la.
Segundo ela, Chico tinha psicografado uma carta supostamente ditada pelo espírito do seu marido, um homem chamado Geraldo Pimenta Rocha, que tinha morrido de enfarte do anos antes. E nessa carta, o espírito do Geraldo dizia que perdoava a sua mulher por tudo, que não guardava mágoa e que pedia para ela doar uma parte das terras do sítio para o centro espírita onde Chico trabalhava.
A Dona Eulália, no início ficou emocionada com a carta. Chorou, disse que reconhecia o jeito do Geraldo de escrever. Mas depois, quando mostrou a carta para o filho mais velho, um rapaz chamado Osvaldo, ficou furioso. Disse que aquilo era um golpe, que o Chico Xavier era um charlatão que se aproveitava-se da dor dos outros para tirar dinheiro e terras.
e convenceu a mãe a ir ao fórum fazer a denúncia. Agora preciso de te dizer uma coisa. Essa a história tem camadas, porque por detrás dessa denúncia havia coisas que a dona Eulália não contou ao juiz no primeiro momento. Havia segredos de família, havia dívidas, havia uma herança mal resolvida e havia, acima de tudo, um filho que tinha os seus próprios motivos para querer destruir a credibilidade de Chico Xavier.
Mas calma que a gente vai lá chegar. Quando o Dr. Heráclito leu a denúncia, ficou parado durante muito tempo. Leu duas vezes, três vezes. Tirou os óculos, esfregou os olhos e ficou a olhar pela janela do armário. Ele sabia que aquilo era dinamite. Sabia que mexer com o Chico Xavier era mexer com uma figura que metade do Brasil venerava.
Mas era também um homem de lei. E a lei para ele não fazia distinção entre santo e pecador. A lei era a lei. Ele chamou o escrivão e disse-lhe: “Abre um processo. Quero ouvir as partes e quero que o senhor Francisco Cândido Xavier seja intimado a comparecer neste tribunal. A notícia espalhou-se como fogo em mato seco.
Em dois dias, toda a Uberaba sabia. E quando digo toda a Uberaba, é toda Uberaba mesmo. Do dono do armazém da esquina até ao padre da igreja matriz, do motorista de autocarro até ao presidente da Câmara. Todo o mundo comentava. E as opiniões estavam tão divididas que famílias inteiras discutiram por causa disso.
De um lado, os espíritas, os seguidores de Chico, as centenas de pessoas que tinham recebido cartas psicografadas e que juravam de pé junto que aquelas cartas eram verdadeiras, que traziam informações que mais ninguém no mundo poderia saber. Essas pessoas diziam que o Chico estava a ser perseguido, que era uma injustiça, que a justiça dos homens não tinha autoridade para julgar a justiça de Deus.
Do outro lado, os cépticos, os católicos mais conservadores, os comerciantes que pensavam que o espiritismo era coisa do demónio, e alguns políticos locais que, por motivos que só eles conheciam, queriam ver Chico Xavier humilhado em público. E no meio de tudo isto, o Chico, calado, calmo, trabalhando como sempre, dizem que quando recebeu a convocatória, estava sentado no centro espírita, psicografando uma carta a uma mãe que tinha perdido uma filha de 12 anos num acidente de camião.
parou a meio da carta, leu o papel da intimação, dobrou com cuidado, colocou no bolso do casaco e voltou a escrever. Não disse uma palavra sobre aquilo, não reclamou, não praguejou, não pediu ajuda. Terminou a carta, entregou-a à mãe e foi-se embora, caminhando, como fazia todas as as noites, sozinho pela rua escura.
Mas os amigos do Chico não ficaram quietos. Um deles, um advogado chamado Dut Valdo Vieira, que na altura já era uma figura conhecida no meio espírita, foi procurá-lo no dia seguinte. Bateu na porta da casinha simples onde o Chico vivia, aquela casa que toda a gente conhecia, com o pequeno portão de madeira e o quintal cheio de plantas.
Chico abriu a porta já de pijama e sorriu. Chico, o senhor precisa de um advogado disse Valdo, preocupado. O Chico olhou para ele com aqueles olhos mansos e respondeu: “Se Deus achar que eu preciso, vai providenciar. Chico, isto é a sério? Estão a acusar o senhor de fraude, de burla. Se o senhor for condenado, pode ir preso.
E O Chico, com uma calma que só ele tinha, disse: “Meu filho, eu já estive preso à vida inteira, preso na pobreza, preso na doença, preso na incompreensão dos homens. Se agora Deus quiser que eu esteja preso numa cela, eu vou estar lá a fazer o mesmo que aqui faço, orando e servindo. Valdo saiu de lá com um nó na garganta, porque sabia que o Chico não se ia defender, não por orgulho, mas por humildade.

Chico acreditava de verdade, do fundo da alma, que se ele estava passando por aquilo, era porque tinha que passar e que no final a verdade ia aparecer sozinha. Mas a verdade, meu amigo, nem sempre aparece da forma que a gente espera. As semanas foram passando e o processo foi ganhando forma. O Dr. Heráclito marcou a audiência para o dia 17 de setembro de 1974, uma terça-feira, e determinou que Chico Xavier deveria comparecer pessoalmente para prestar depoimento.
Não bastava enviar um advogado. O juiz queria olhar nos olhos do Chico. Queria ver se aquele homem que toda a gente chamava de santo era capaz de sustentá-lo olhando de frente. Nos dias que antecederam a audiência, o clima em Uberaba ficou pesado. Literalmente, o céu ficou cinzento, coberto de nuvens baixas, e uma chuva miudinha caía sem parar.
daquelas chuvas de inverno mineiro que parecem que nunca mais vão acabar. As ruas ficaram lamacentas. O rio que passava nas traseiras da cidade subiu um pouco e as pessoas andavam de cabeça baixa, como se pressentissem que algo de grande estava para acontecer. No centro espírita, os voluntários faziam turnos de oração, de dia e de noite, sem parar.
Acendiam velas, liam excertos do Evangelho segundo o Espiritismo e pediam ao Emanuel, o guia espiritual do Chico, que protegesse o médium, que não deixasse prevalecer a injustiça, que desse ao Chico a força para enfrentar aquele tribunal sem perder a dignidade. E o Chico durante todo este tempo não deixou de trabalhar, continuou psicografando, continuou a receber famílias desesperadas, continuou a dar conselhos, distribuindo livros, visitando doentes no hospital, como se nada estivesse a acontecer, como se o mundo não estivesse prestes a desabar
sobre a cabeça dele. Houve uma noite, poucos dias antes da audiência em que algo aconteceu, algo que muito poucas pessoas souberam. E é aqui que a história começa a ficar realmente estranha. Era uma quinta-feira. Chico tinha passado o dia inteiro no centro trabalhar sem parar. voltou para casa por volta das 11 da noite, tomou um banho, vestiu o pijama e sentou-se na cama para fazer a sua oração antes de dormir.
E foi aí que, segundo o que ele contou depois a apenas duas pessoas de confiança, Emanuel apareceu não numa psicografia, e não numa intuição. Emanuel apareceu de corpo inteiro, de pé no quarto do Chico, luminoso, sério, com aquela expressão que o Chico conhecia tão ora, aquela expressão de pai que está prestes a dar uma notícia difícil ao filho.
E o Emanuel disse apenas uma frase: “Chico, no tribunal, não fales. Deixa que falam por ti”. Chico perguntou: “Quem?” Emanuel? E o Emanuel respondeu: “Os que já partiram.” Depois disso, a luz apagou-se. O Emanuel desapareceu e Chico ficou sentado na cama, no escuro, tremendo, não de medo, mas de emoção, porque ele entendeu, entendeu que não estava sozinho naquela batalha, que o mundo espiritual estava a organizar-se, que algo ia acontecer naquele tribunal que ninguém esperava.
Mas calma, antes de chegar ao tribunal, preciso de te contar o que estava a acontecer do outro lado. Preciso de te contar sobre a dona Eulália e sobre o filho dela, Osvaldo, porque sem compreender a motivação deles, não vai perceber o peso do que aconteceu depois. A Dona Eulália Pimenta Rocha era uma mulher simples.
Nasceu e cresceu na roça. Casou com o Geraldo aos 19 anos e viveu toda a vida naquele sítio, cuidando de galinha, de porco, de horta e dos três filhos que teve. Geraldo era um homem trabalhador, honesto, mas duro. Duro como pedra. Não era carinhoso, não era de palavras bonitas. E nos últimos anos de vida, depois de ter começado a beber, tornou-se uma pessoa difícil de aguentar.
Quando Geraldo morreu em 72, dona Eulália ficou aliviada. Eu sei que isto pode soar forte, mas é a verdade. Ficou aliviada porque os últimos anos tinham sido terríveis. Geraldo bebia, gritava, partia coisas dentro de casa e mais de uma vez levantou a mão para ela. Quando teve o enfarte e caiu morto no meio do terreiro, a dona Eulália chorou, mas não de tristeza, chorou de cansaço.
Chorou porque finalmente tinha acabado. Só que depois veio a carta. Uma vizinha espírita chamada dona Conceição, convenceu a dona Eulália a ir ao centro. onde Chico Xavier trabalhava. Vai lá, Eulália. Quem sabe se o Geraldo não tem alguma coisa para lhe dizer do outro lado. Quem sabe se ele não mudou. Dona Eulália foi com medo, com desconfiança, mas foi e sentou-se numa cadeira de madeira ao fundo da sala e esperou.
E quando O Chico começou a psicografar, a mão dele começou a tremer. A letra mudou. ficou mais grossa, mais torta, mais angulosa. E a carta que dali saiu começava assim: “Eu, a Lália, a minha velha, é o Geraldo. Eu sei que errei contigo, sei que fui um cão, mas aqui do lado de cá estou aprendendo o que não aprendi aí.
E eu peço perdão. Perdão por cada grito, por cada noite que te fiz chorar, por cada vez que levantei a mão sem razão. A Dona Eulália começou a chorar antes de terminar de ler, porque aquela era a letra do Geraldo. Aquele era o modo do Geraldo de falar. Minha [pigarreia] velha. Ele sempre chamava-a assim.
E o pormenor dos gritos, das noites de choro, da mão levantada, mais ninguém sabia. Ninguém. Era um segredo entre marido e mulher. Dona Eulália nunca tinha contado a ninguém, nem para os filhos, nem para a vizinha, nem para o padre. Mas a carta não terminava. Aí no final, o Geraldo dizia: “Eu, Lália, sei que aquele pedaço de terra perto do ribeiro não serve mais para nada.
está abandonado desde que morri. Se puder, doa ao centro espírita. Não por mim, não por ti, mas pelo bem que fazem. É o mínimo que posso fazer daqui. E foi aí que o problema começou. Porque quando a dona Eulália contou a Osvaldo sobre a carta e sobre o pedido de doação, Osvaldo explodiu. Osvaldo tinha 32 anos.
era o filho mais velho e era completamente diferente do pai, ou pelo menos ele pensava que era. Osvaldo era inteligente, ambicioso, tinha estudado contabilidade numa escola técnica em Uberlândia e tinha planos para aquele sítio, planos grandes. Ele queria vender a terra, toda a ela e usar o dinheiro para abrir um negócio na cidade, uma loja de materiais de construção e aquele pedaço de terra perto do ribeiro que o Geraldo dizia estar abandonado, era precisamente o pedaço mais valioso do sítio, porque ficava à beira de uma estrada nova que
o governo estava a abrir. E todo o mundo sabia que em poucos anos aquele terreno ia valer. uma fortuna. Osvaldo não acreditava em espíritos, não acreditava em Chico Xavier e, acima de tudo, não acreditava que o pai, aquele homem bruto e avarento que conheceu toda a vida, fosse capaz de pedir para doar terra a alguém.
“Mãe, isto é golpe”, disse. Este Chico Xavier é um espertalhão que estudou a vida do pai. descobriu que nós temos terra e inventou esta carta para ficar com o terreno. A Dona Eulália ficou dividida. De um lado, ela sentia no coração que a carta era verdadeira. Do outro, o filho estava gritando com ela, dizendo que era uma idiota, que ia perder tudo, que ia morrer pobre.
E foi Osvaldo que a levou ao fórum. Foi Osvaldo que redigiu a denúncia. Foi Osvaldo que se sentou em frente ao dr. Heráclito e disse com a voz trémula de raiva: “Excelência, a minha mãe está a ser manipulada por um homem que finge falar com os mortos para roubar terras aos viúvas.” E o juiz ouviu e o juiz acreditou que valia a pena investigar.
Agora, atenção, porque é aqui que a coisa começa a complicar-se de verdade. Nos dias que antecederam a audiência, o O Dr. Heraclito fez algo que ninguém esperava. Ele mandou um oficial de justiça ir ao centro espírita e aprender todas as cartas psicografadas por Chico Xavier nos últimos seis meses. Todas centenas de cartas.
Cartas que famílias guardavam como relíquias. Cartas que as mães liam antes de dormir toda a noite. Cartas que eram para muitas pessoas a única prova de que os seus Os entes queridos continuavam a existir em algum lugar. Quando o suo meirinho chegou ao centro espírita com a ordem judicial, os voluntários ficaram desesperados.
Houve choro, houve grito, houve gente que se ajoelhou à porta e disse que não ia deixar levar nada. Mas o Chico apareceu, colocou a mão no ombro de um dos voluntários e disse: “Entrega tudo. Se as cartas forem verdadeiras, elas defendem sozinhas.” E entregaram, caixa após caixa, centenas de folhas escritas à mão, com aquela letra miudinha e apressada que Chico produzia durante as sessões mediúnicas.
O oficial de justiça levou tudo para o fórum e o dr. Heráclito passou três dias a ler aquelas cartas. Três dias inteiros, encerrado no gabinete, sem receber ninguém. Só ele, as cartas e um silêncio que os funcionários do fórum diziam que dava arrepio. Ninguém sabe exatamente o que o juiz sentiu ao ler aquelas cartas, mas uma funcionária do fórum, uma senhora chamada Dona Yolanda, que trabalhava como auxiliar de limpeza e que era a única pessoa que entrava no gabinete durante aqueles três dias para levar café, contou depois que viu algo
estranho. Ela disse que no segundo dia, quando entrou com a bandeja do café por volta das 15 horas, o juiz estava sentado na cadeira, de costas para o porta, segurando uma das cartas com as duas mãos, e chorando, chorando em silêncio, com os ombros a tremerem, como um menino que acaba de perder alguém. A Dona Yolanda colocou o café na mesa e saiu sem fazer barulho e nunca mais falou sobre aquilo com ninguém.
Até muitos anos depois, quando já estava velha e doente, e contou a uma sobrinha que era espírita. Mas o que o juiz leu naquela carta que o fez chorar? Esta, meu amigo, é outra camada desta história e eu vou contar-te, mas no momento certo, porque tudo tem o seu tempo. O dia da audiência chegou. 17 de Setembro de 1974, terça-feira.
O céu amanheceu cinzento, como tinha sido todas as manhãs dessa semana. A chuva tinha parado durante a noite, mas o chão ainda estava húmido, e o ar tinha aquele cheiro a terra húmida que só quem cresceu no interior de Minas conhece. O fórum de Uberaba era um edifício antigo, com grossas paredes de alvenaria, piso em taco de madeira escuro e janelas altas com vidro fosco.
Na frente do edifício existia uma escadaria de sete degraus e nessa manhã aquele escadaria estava apinhada de gente. que tinha vindo de toda a cidade, de cidades vizinhas de outros estados até. Havia jornalistas, havia fotógrafos, havia polícias tentando controlar a multidão e havia centenas de espíritas a rezar baixinho, de mãos dadas, formando uma corrente humana que ia da escadaria até o meio da rua.
O Chico chegou às 8h13 da manhã a pé sozinho, caminhando devagar. com aquele passo miúdo que toda a gente conhecia, vestia o fato castanho surrado de sempre, a camisa branca com o colarinho um pouco amarelado, a gravata fina e os óculos grossos de lente de fundo de garrafa. transportava debaixo do braço um livro, apenas um livro, o Evangelho segundo o Espiritismo.
Quando a multidão o viu, fez-se um silêncio, um silêncio completo, como se toda a cidade tivesse sustido a respiração. E depois do silêncio começaram os aplausos. Não aplausos de festa, e não aplausos de carnaval, aplausos respeitosos, cadenciados. Como uma oração feita com as palmas das mãos. Chico parou ao pé da escadaria, olhou para aquelas pessoas e acenou com a cabeça.
Não sorriu, não falou, apenas acenou como quem agradece, sem palavras, e subiu os degraus lentamente, um de cada vez, segurando o corrimão de ferro com a mão direita. Do lado de dentro do fórum, a sala de audiência já estava cheia. Todas as cadeiras ocupadas, gente de pé encostada às paredes, gente sentada no chão.
O calor era sufocante, porque as janelas estavam fechadas por ordem do juiz, que não queria que o barulho da rua atrapalhasse. E o cheiro era uma mistura de perfume barato, suor, naftalina e cera de açoalho. Na frente da sala, atrás do mesa alta de madeira escura, estava o O Dr. Heráclito, impecável no fato cinzento, gravata escura, cabelo branco penteado para trás, rosto fechado, olhos encovados e sérios.
Ao lado dele, o escrivão, um rapaz jovem de bigode fino, que mantinha os olhos colados no caderno de apontamentos, como se tivesse medo de olhar para qualquer pessoa na sala. Do lado esquerdo, sentados na primeira fileira, estavam a dona Eulália e o Osvaldo. A Dona Eulália parecia encolhida, pequena, como se quisesse desaparecer dali.
Usava um vestido preto simples e segurava um lenço branco nas mãos, torcendo e destorcendo o tecido sem parar. Osvaldo, pelo contrário, estava ereto, de peito estufado, com um fato novo que tinha comprado especialmente para se a ocasião. Ao lado deles estava o advogado que Osvaldo tinha contratado, um sujeito chamado Dr.
Amilcar Bustamant, conhecido na região por ser agressivo, teatral e absolutamente implacável nos tribunais. Do lado direito, na cadeira reservada ao arguido, Chico Xavier sentou-se em silêncio. Ao lado dele não estava advogado. Chico tinha recusado defesa. Tinha dito que não precisava de advogado porque não não tinha nada a esconder.
O juiz, quando soube disso, ficou irritado. Disse que era direito do arguido ter representação legal. Mas Chico insistiu e o juiz, por fim, aceitou, mas registou em ata que o arguido havia dispensado a defesa por vontade própria. A audiência começou às 9 horas em ponto. O Dr. Heraclito bateu o martelo e disse: “Estamos aqui para apurar os factos relacionados com a denúncia apresentado pela senora Eulalia Pimenta Rocha contra o Senr.
Francisco Cândido Xavier, acusado da prática de burla mediante fraude espiritual. A acusação alega que o arguido forjou uma carta supostamente psicografada pelo espírito do senor Geraldo Pimenta Rocha, com o objetivo de obter um donativo indevido de terras pertencentes à família da denunciante. Fez uma pausa, olhou para Chico e continuou: “Senhor Francisco, o senhor compreende a gravidade da acusação que pesa contra si?” Chico levantou os olhos e disse com voz mansa: “Sim, excelência, compreendo.
E o senhor confirma que dispensou o direito à defesa técnica?” Confirmo, excelência. Pois bem, vou ouvir primeiro a acusação. Dr. Amil Carbustamante levantou-se como um ator que entra em palco, ajeitou o casaco, pigarreou e começou a falar com aquela voz grave e projetada que os advogados experientes aprendem a utilizar como uma arma.
Excelência, senhores presentes, o que temos diante de nós não é um caso comum, não é um caso de roubo, de furto, de luta entre vizinhos. O que temos diante de nós é algo muito mais grave. Temos um homem que se diz capaz de se comunicar com os mortos. Um homem que, usando essa suposta capacidade, escreveu uma carta na qual o falecido Geraldo Pimenta Rocha pede, alegadamente, que o seu viúva doe terras valiosas a uma entidade religiosa.
Uma carta que beneficia convenientemente a própria instituição onde o arguido trabalha. Caminhou pela sala, olhando para os presentes, e continuou. Eu não estou aqui para discutir a fé. Eu não estou aqui para dizer se os espíritos existem ou não. Eu estou aqui para dizer que, independentemente do que se acredite, a A lei brasileira não reconhece a comunicação com os mortos como prova de nada.
E quando um homem usa esta suposta comunicação para convencer uma viúva idosa e vulnerável a desfazer-se dos seus bens, isso tem um nome no Código Penal. Chama-se Burla. A sala ficou em silêncio, um silêncio pesado, carregado. Deu para ouvir o barulho de alguém a engolir em seco. O Dr. Milcar continuou. Eu vou provar, excelência, que o arguido tinha meios de obter informações sobre a família Pimenta Rocha por vias ordinárias, que sabia da existência das terras, que sabia do valor dessas terras e que a carta psicografada não passa de uma farça elaborada para se apropriar do
património de uma mulher indefesa. Ele sentou, a sala explodiu em murmúrios. O juiz bateu com o martelo. Silêncio. E então olhou para o Chico. Senr. Francisco, o senhor quer dizer alguma coisa na sua defesa? Chico levantou-se devagar, com dificuldade, porque já nessa altura ele sentia dores nos joelhos e nas costas.
Ficou de pé, com as mãos cruzadas na frente do corpo e disse: “Excelência, eu não escrevi aquela carta. Quem escreveu foi o Geraldo. Eu só emprestei a mão. O Dr. Amilcar soltou um riso irónico. Emprestou a mão muito conveniente. O juiz olhou para o advogado com severidade. Doutor, o senhor terá a sua vez de falar por enquanto.
Deixe o arguido responder. O Chico continuou. Eu sei que o senhor não acredita, doutor, e não espero que acredite. Mas posso dizer uma coisa. Nunca pedi nada à dona Eulália. Eu nunca soube da existência daquele terreno até o Geraldo mencionar na carta. Eu nunca tinha visto aquela senhora antes dessa noite e o centro espírita onde eu trabalho nunca aceitou donativos de terras, de dinheiro, de nada.
Tudo o que fazemos lá é de graça, com dinheiro do nosso bolso, do nosso suor. O Dr. Amilcar levantou-se novamente. Excelência, as palavras bonitas não substituem as provas. Eu peço que o tribunal exija do arguido uma demonstração. Se ele é realmente capaz de comunicar com os mortos que prove aqui, agora, diante de todos.
A sala explodiu. Gritos de protesto de um lado, aplausos do outro. O juiz bateu o martelo várias vezes. Silêncio. Vou prender por desacato quem perturbara a ordem deste tribunal. Quando o silêncio voltou, o juiz ficou parado por um longo momento, olhando para o nada. E depois disse algo que ninguém esperava, algo que mudou o rumo de tudo.
Doutor Milcar, a sua sugestão é incomum, mas não é absurda. Se o arguido afirma que possui uma capacidade sobrenatural e se a acusação afirma que esta capacidade é uma farsa, então talvez a forma mais justa de resolver esta questão seja exatamente esta, uma demonstração. Olhou para Chico. Senr. Francisco, vou fazer-lhe uma proposta e o senhor é livre de recusar.
Eu vou dar-lhe a oportunidade de psicografar uma carta aqui neste tribunal sob supervisão perante testemunhas. Se a carta contiver informações que possam ser verificadas e que comprovem que o Senhor não poderia tê-las obtido por meios ordinários, terei isso em consideração no meu julgamento. Se a carta for vaga, genérica, ou contiver informações que qualquer pessoa poderia inventar, isso pesará contra o senhor.
O senhor aceita? O silêncio que se fez naquele momento foi o silêncio mais profundo que aquele tribunal já conheceu. Ninguém respirava, ninguém piscava. Todos os olhos estavam em Chico. E o Chico, com a voz muito baixa, quase um sussurro, disse: “Aceito, excelência, mas preciso que o Sr. entenda uma coisa.
Eu não tenho controlo sobre isso. Eu não escolho quem vem, quando vem ou o que diz. Eu sou apenas um instrumento. Se ninguém vier, eu não posso forçar. E se alguém vier, o que essa pessoa disser? Pode não ser o que o senhor quer ouvir. O juiz assentiu. Entendido. Vamos fazer uma pausa de 30 minutos.
Quando voltarmos, o Senhor terá a sua oportunidade. E aqui, meu amigo, é onde a história entra num território que desafia qualquer explicação racional. Durante os 30 minutos de pausa, Chico ficou sentado na sua cadeira, de olhos fechados, com o livro do Evangelho aberto no colo. Não falou com ninguém, não bebeu água, não se moveu.
As pessoas passavam por ele e parecia não se aperceber, como se estivesse noutro lugar, noutro mundo. Do lado de fora do fórum, a multidão tinha crescido. Havia agora mais de 1000 pessoas na rua. Alguém tinha trazido um rádio e uma estação local estava a transmitir o que sabia da audiência em tempo real. Os espíritas continuavam a rezar, mas agora rezavam mais elevado, com mais urgência, como se sentissem que o momento decisivo estava chegando. Dentro do fórum, o Dr.
Heráclito também ficou sozinho no gabinete durante a pausa. E foi durante estes 30 minutos que algo aconteceu, que ninguém soube nesse dia, mas que depois veio à tona por caminhos improváveis. O juiz, sozinho no gabinete, abriu a gaveta da secretária e tirou daí uma das cartas psicografadas que tinha apreendido ao centro espírita.
A mesma carta que a dona Yolanda o tinha visto a segurar enquanto chorava. Ele leu a carta mais uma vez e as suas mãos tremiam. Aquela carta não era da dona Eulália, não era de nenhuma das pessoas que ele estava a julgar. Aquela carta era dirigida a uma mulher chamada Helena e começava assim: “Helena, minha filha querida, é o papá.
Eu sei que sofreste muito quando eu parti. Eu sei que ficou zangada comigo por não ter contado sobre a doença, mas eu não queria preocupar-te. Eu não queria que se abandonasse a faculdade para cuidar de mim. O juiz sabia quem era Helena. A Helena era filha dele e o homem que assinava aquela carta, o espírito que supostamente a tinha ditado, era o pai do juiz, o senhor Joaquim Mendes Figueira, que tinha morrido de cancro no pulmão em 1969, sem contar a ninguém da família que estava doente.
Escondeu a doença durante meses, até que não deu mais. E quando Helena soube, já era tarde, e nunca se perdoou por não ter estado ao lado do Pai nos últimos dias. E a carta continuava: “Helena, o teu pai está aqui do outro lado e está bem. Diga ao Heraclito que ele não precisa de ser tão duro, que ser justo não significa ser frio.
Diga-lhe que eu tenho o orgulho do homem em que se tornou, mas que ele precisa de aprender a chorar. Porque um homem que não chora é um homem que não vive. O juiz não sabia que esta carta existia. Não sabia que a sua irmã Helena tinha ido ao centro espírita pedir uma carta do Pai. A Helena nunca tinha contado ao ele, porque sabia que o irmão não acreditava nessas coisas e ela tinha medo do seu julgamento.
Mas agora a carta estava ali nas mãos do juiz e continha pormenores que ninguém, absolutamente ninguém poderia saber o facto de o pai ter escondido a doença, o facto de Helena ter abandonado a faculdade, o alcunha que o pai usava para chamar Heráclito quando era criança, o meu juizinho, que aparecia a meio da carta e uma referência a um relógio de bolso que o pai tinha prometido dar ao Heraclito quando este se formasse e que nunca chegou a entregar porque morreu antes.
Este relógio, este pormenor era o que tinha feito chorar o juiz, porque aquele relógio existia. Estava guardado numa caixa de sapatos no fundo do armário do quarto do juiz. E ninguém, ninguém vivo sabia da promessa que o pai tinha feito. Era um segredo entre pai e filho. Um segredo sussurrado numa tarde de domingo, quando Heraclito tinha 15 anos, e disse ao pai que queria ser juiz.
E agora esse segredo estava escrito numa carta psicografada por um homem que o juiz estava prestes a julgar por fraude. Passaram 30 minutos. O juiz voltou à sala de audiências. Estava mais pálido do que antes, os olhos um pouco vermelhos, mas o rosto fechado, impenetrável, profissional. “Vamos continuar”, disse. “Senor Francisco, o senhor está pronto?” Chico abriu os olhos, olhou para o juiz e por uma fração de segundo algo passou entre os dois.
Um olhar não de desafio, não de medo, algo mais profundo, como se Chico soubesse, como se pudesse ver alguma coisa que mais ninguém na sala podia ver. Estou pronto, excelência”, disse Chico. O escrivão trouxe papel e caneta, colocou na mesa diante do Chico. O juiz determinou que duas testemunhas indicadas por ele ficariam de pé junto do Chico durante todo o processo, observando cada movimento das mãos dele, cada letra que escrevesse.
As testemunhas eram o delegado de polícia da cidade, um homem chamado Anísio B. e o diretor do cartório local, Dr. Sebastião Ferreira. Ambos homens sérios, respeitados, sem qualquer ligação com o espiritismo. O Chico pegou na caneta, fechou os olhos e toda a sala prendeu a respiração. Passou um minuto, 2 minutos, 3 minutos, nada acontecia.
Chico estava sentado, imóvel, com a caneta na mão, os olhos fechados, a respiração lenta, o suor começou a escorrer-lhe pela testa. Uma gota desceu pelo rosto e caiu no papel em branco. O Dr. Amilcar, o advogado da acusação, começou a mexer-se na cadeira, impaciente. Olhou para o juiz com um meio sorriso, como quem diz.
Viu? Eu avisei. 5 minutos, 6 minutos. O silêncio era tão absoluto que se ouvia o relógio de parede ao fundo da sala. Tic tac tic tac. E depois, ao sétimo minuto, a mão do Chico moveu-se. Não se moveu devagar, como quem começa a escrever. se moveu-se de repente, como se alguém tivesse agarrado a mão dele por trás e puxado para baixo.
A caneta bateu no papel com força, quase a rasgar, e o Chico começou a escrever. Mas não era a letra de Chico. Quem já viu o Chico psicografar sabe disso. A letra muda, o ritmo muda, o tamanho das letras, a inclinação, a pressão da caneta no papel, tudo muda, porque não é o Chico que está a escrever, é outro.
A mão de Chico voava pelo papel, linha após linha, sem parar, sem levantar a caneta, sem abrir os olhos. O delegado Anísio e o Dr. Sebastião estavam ali colados, olhando cada traço, cada palavra, e os seus rostos foram alterando-se à medida que a carta avançava. Primeiro era a curiosidade, depois espanto, depois algo que se parecia muito com medo.
Chico escreveu por 19 minutos seguidos. 19 minutos sem parar, sem abrir os olhos, sem hesitar, sem corrigir uma única palavra. E quando terminou, a mão dele caiu sobre a mesa, como se tivesse sido abandonada por quem a estava a guiar. A caneta rebolou e caiu no chão. E Chico abriu os olhos, olhou para o papel como se não soubesse o que tinha escrito e ficou quieto. O juiz estendeu a mão.
Dê-me a carta. O escrivão pegou nas folhas e conduziu até à mesa do juiz. Eram quatro páginas escritas de ambos os lados, com letra miúda e firme. O juiz começou a ler em silêncio e, à medida que ia lendo, o seu rosto foi mudando. A dureza foi dando lugar a algo que ninguém naquela sala esperava ver naquele homem. Perplexidade, pura perplexidade.
Depois de ler a carta toda duas vezes, o juiz olhou para a sala e disse: “Vou ler esta carta em voz alta.” O Dr. Amilcar protestou. Excelência, eu me oponho. Esta carta não tem valor jurídico. Eh, doutor, sente-se. Disse o juiz com uma voz que não admitia a réplica. Eu sou o juiz desta audiência e eu decido o que tem ou não tem valor. Sente-se.
O advogado sentou-se e o juiz começou a ler. Carta começava assim: Geraldo Pimenta Rocha, nascido em 23 de Março de 195 na quinta da Boa Esperança, filho de António Pimenta e Joana da Silva Rocha. A Dona levou a mão à boca porque aqueles dados estavam corretos todos, incluindo o nome da quinta onde Geraldo nasceu.

Um pormenor que quase ninguém sabia porque a quinta já não existia. Tinha sido engolida por uma barragem nos anos 50. A carta continuava: “Eu, Lalha, Sei que o Osvaldo não acredita e eu não o condeno por isso. Ele é o meu filho, tem o meu sangue e o meu sangue sempre foi teimoso. Mas preciso que ele saber de uma coisa que eu nunca contei a ninguém, nem a si, minha velha.
” O juiz parou de ler. Olhou para a dona Eulália, que estava a chorar. Olhou para Osvaldo, que estava pálido, e continuou: “Osvaldo, quando tinhas 7 anos, tu ficou doente, muito doente. Febre alta, vómito, delírio. A tua mãe queria-te levá-lo ao hospital, mas eu não deixei porque não tinha dinheiro e tinha vergonha de pedir ajuda.
E numa noite, estavas tão mal que eu pensei que ia perder-te. E eu fiz uma coisa que nunca fiz antes e nunca fiz depois. Eu me ajoelhei-me no chão do quarto, ao lado da a sua cama e rezei. Eu rezei a noite inteira. Eu, que nunca acreditei em nada, ajoelhei-me e pedi a Deus que salvasse o meu filho. E no dia seguinte, a febre cedeu.
Você melhorou e eu nunca mais falei sobre essa noite. Nunca mais rezei, mas nunca esqueci. Osvaldo estava branco como papel, branco como a parede atrás dele, porque ele se lembrava-se daquela noite, lembrava-se da febre, do delírio, do medo, mas não sabia que o pai tinha rezado, não sabia que o pai se tinha ajoelhado, não sabia que aquele homem duro, que nunca mostrou fraqueza, tinha passado a noite inteira de joelhos ao lado da sua cama, pedindo a Deus.
A carta continuava e cada parágrafo era um murro no estômago. Osvaldo, eu sei que quer vender a terra. Eu sei que tens planos e eu não te vou impedir. A terra é vossa. Mas aquele pedaço perto do ribeiro, o meu filho, aquele pedaço não é nosso. Nunca foi. Eu comprei aquele terreno ao velho Tibúrcio em 63, mas nunca paguei.
Fiz um acordo de boca com ele. Prometi pagar em prestações e nunca paguei. O Tibúrcio morreu em 67 sem receber um tostão, e a sua viúva nunca cobrou porque tinha medo de mim. Então aquele terreno, Osvaldo, é roubado, é terra roubada. E eu não quero carregar este peso daqui de onde eu estou. Por isso pedi à sua mãe do ar.
Não é para o centro espírita, é para limpar a minha alma. A sala estava em choque. Absoluto choque. Dona Eulália soluçava. Osvaldo estava imóvel, como uma estátua, com os olhos arregalados e a boca aberta. E o advogado Dr. Amilcar tinha perdido toda a pose, toda a teatralidade, e estava sentado na cadeira com a expressão de um homem que acaba de ver algo impossível.
Mas a carta não tinha terminado. E agora preciso de falar com o Dr. juiz. Sim, com o senhor Dr. Heraclito. O juiz parou de ler. Os seus olhos se arregalaram. Olhou para o papel, olhou para o Chico e voltou a olhar para o papel. “Continue, excelência”, disse alguém na sala. E o juiz, com a voz agora a tremer, continuou: “Doutor Heráclito, sei que o senhor é um homem justo.
Eu sei que o senhor está fazendo o seu trabalho e eu respeito isso. Mas eu preciso que o senhor saiba que há alguém aqui ao meu lado que quer falar com o senhor. é um homem de cabelo branco, bigode fino, que usa um colete xadrez e tem um relógio de bolso no bolso do colete. Diz que é seu pai e diz que o relógio ainda está na caixa de sapatos.
O juiz deixou de ler e preciso que entenda o que aconteceu naquele momento. Aquele homem, aquele juiz duro, impenetrável, que nunca perdeu a compostura em 30 anos de carreira, largou o papel em cima da mesa, tirou os óculos e ficou parado, imóvel, olhando para o vazio, com os olhos cheios de água.
A sala inteira estava em silêncio. Ninguém percebia exatamente o que estava a acontecer. Mas todos sentiram, todos sentiram que algo tinha alterado naquele tribunal, algo grande, [pigarreando] algo que ia para além da lei, para além da lógica, para além de qualquer coisa que aquelas paredes já tinham presenciado. E então o juiz fez algo de extraordinário, algo que os funcionários do fórum juraram depois que nunca tinham visto na vida.
Levantou-se da cadeira, desceu do estrado onde estava a mesa do juiz, caminhou até Chico Xavier, parou na frente dele e disse com a voz embargada: “Senhor Francisco, como sabia sobre o relógio? O Chico olhou para ele com aqueles olhos mansos e disse: “Eu não sabia, excelência. Quem sabia era o seu pai e o colete xadrez? Eu nunca vi o teu pai, doutor.
Mas o espírito que ditou a carta descreveu-me um senhor de cabelo branco, bigode fino, usando um colete aos quadrados. Ele estava a sorrir e ele queria que o senhor soubesse que tem orgulho no Senhor. O juiz ficou parado durante um tempo que pareceu uma eternidade e depois fez algo que destruiu qualquer fachada que ainda mantinha. Ele estendeu a mão a Chico Xavier e Chico apertou.
E quando as mãos dos dois se tocaram, o juiz fechou os olhos e uma lágrima escorreu-lhe pelo rosto. A sala inteira chorava. A Dona Eulália chorava, as testemunhas choravam. O delegado Anísio, aquele homem que transportava uma arma à cintura e passava os dias lidar com bandidos, estava a chorar. O escrivão tinha deixado de escrever porque não conseguia ver o caderno através das lágrimas.
O único que não chorava era Osvaldo. Osvaldo estava sentado na cadeira, com o cabeça entre as mãos em silêncio. Mas não era o silêncio da raiva, era o silêncio de um homem cujo tinha acabado de ser virado de pernas para o ar. O juiz voltou para a sua cadeira, enxugou os olhos com as costas da mão, colocou os óculos para trás e disse com a voz ainda trémula, mas firme: “Esta audiência está encerrada por hoje.
Eu preciso de tempo para analisar o que aconteceu aqui. A próxima sessão será marcada por intimação.” E bateu o martelo, mas a sessão seguinte nunca aconteceu. Três dias depois da audiência, o Dr. Heráclito emitiu uma decisão. E essa decisão, meu amigo, é talvez o documento mais surpreendente que já saiu de um tribunal brasileiro naquela época.
Porque na decisão o juiz não só arquivou o processo contra Chico Xavier por falta de provas de fraude, foi mais longe. Escreveu no corpo da sentença o seguinte parágrafo: “Este juízo reconhece que os factos apresentados durante a audiência do dia 17 de Setembro de 1974 não podem ser explicados pela lógica jurídica convencional.
A carta psicografada pelo Sr. Francisco Cândido Xavier continha informações que, após verificação, se mostraram verdadeiras e que não poderiam ter sido obtidas por meios ordinários. Este juízo não se propõe-se julgar a existência ou inexistência de comunicação com os espíritos, pois tal questão escapa à competência da justiça dos homens.
Porém, este tribunal reconhece que a boa fé do arguido ficou demonstrada de forma inequívoca e que não há qualquer indício de que o Senr. Francisco Cândido Xavier tenha agido com intenção de defraudar ou prejudicar quem quer que seja. Quando esta decisão foi publicada, a notícia se espalhou pelo Brasil inteiro. [pigarreia] Jornais, rádios, revistas.
Todo mundo falava sobre o tribunal de Uberaba, sobre o juiz que desafiou o Chico Xavier a provar que falava com os mortos e sobre o que aconteceu quando Chico aceitou o desafio. Mas a história não termina aqui, porque o que aconteceu depois nos bastidores longe dos holofotes? é tão importante como o que aconteceu em tribunal.
Três semanas depois da audiência, Osvaldo Pimenta Rocha foi ao centro espírita sozinho. À noite, bateu à porta às 9 da noite, quando o centro já estava fechado. Um voluntário abriu e encontrou Osvaldo ali, com os olhos vermelhos, a cheirar a cachaça, com a camisa desabotoada e o cabelo despenteado. Preciso de falar com o Chico”, ele disse.
O voluntário explicou que Chico já tinha ido embora, que regressava no dia seguinte, mas Osvaldo insistiu. “Eu preciso de falar com ele agora, por favor.” O voluntário, sem saber o que fazer, foi até à casa do Chico, que ficava a poucas quadras. Bateu à porta. Chico abriu já de pijama e quando ouviu que Osvaldo estava no centro, não hesitou.
vestiu uma camisa, calçou os sapatos e foi. Quando o Chico chegou ao centro, encontrou o Osvaldo sentado no chão, encostado à parede, chorando. Chico sentou-se ao lado dele no chão, lado a lado, dois homens sentados no chão frio de um centro espírita fechado a meio da noite, com um único candeeiro aceso no canto da sala.
E Osvaldo contou tudo. Contou que depois da audiência foi até ao cartório de Uberaba e pesquisou a escritura do terreno perto do ribeiro e descobriu que o pai dele nunca realmente tinha registado a compra, que o terreno esteve em nome do velho Tibúrcio até hoje, que tudo o que a carta dizia era verdade.
contou que foi ter com a viúva do Tibúrcio, uma senhora de 80 anos que vivia numa casinha a cair aos pedaços na periferia da cidade e que a velha quando viu Osvaldo, começou a tremer de medo, porque pensava que ele tinha ido cobrar alguma coisa. E quando Osvaldo disse que tinha ido pedir desculpa, a velha caiu sentada na cadeira e disse: “Meu Deus! O Geraldo mandou o filho resolver o que ele não resolveu.
E Osvaldo contou mais. contou que naquela noite, depois de sair de casa da viúva do Tibúrcio, voltou para o sítio, entrou no quarto que era do pai e ficou ali parado no escuro. E pela primeira vez na vida, tentou rezar, tentou falar com o pai, tentou pedir perdão por ter chamado o Chico de charlatão, por ter levado a mãe a tribunal, por ter tentado destruir a reputação de um homem inocente.
“E sabe o que aconteceu, senhor Chico?”, disse Osvaldo com a voz embargada. Eu senti o cheiro do meu pai ali no quarto, cheiro a fumo de rolo e a suor, o cheiro do meu pai. E senti a mão dele no meu ombro. Juro por Deus. Senti a mão dele pesada, como sempre foi, apertando o meu ombro, como fazia quando eu era menino e ele queria mostrar-me que estava ali.
O Chico ouviu tudo em silêncio e quando Osvaldo terminou, Chico disse apenas uma coisa. Osvaldo, o seu pai nunca saiu do seu lado, nem quando era vivo, e não sabia demonstrar, nem agora. Osvaldo encostou a cabeça na parede e chorou como uma criança. E o Chico ficou ali sentado no chão ao lado dele, sem dizer mais nada, apenas presente, apenas ali.
Nos meses seguintes, Osvaldo mudou. Não tornou-se espírita, não começou a frequentar o centro, mas deixou de beber. regularizou a situação do terreno, pagando à viúva do Tibúrcio o valor justo que o pai devia, e doou o pedaço de terra perto do ribeiro, não para o centro espírita, mas para a própria viúva do Tibúrcio, que poôde finalmente registar a terra em nome dela e viver os últimos anos de vida com dignidade.
A Dona Eulália ficou em paz. Nunca mais se casou. Viveu no sítio até aos 81 anos, quando morreu a dormir, numa noite de julho, com a carta psicografada pelo Geraldo debaixo da almofada, e o juiz, o Dr. Heraclito Mendes Figueira. Esta é talvez a parte mais silenciosa e mais bonita de toda esta história. Duas semanas depois da audiência, o Dr.
Heráclito escreveu uma carta à irmã Helena, uma carta comum, do próprio punho, sem qualquer mediação espiritual. E nessa carta dizia: “Helena, eu sei que foi ao centro espírita do Chico Xavier. Eu sei que recebeu uma carta do papá. Eu li essa carta e eu preciso dizer-te que não sei explicar o que senti.
Não sei se acredito em espíritos. Não sei se o papá realmente enviou aquela carta. Mas eu sei de uma coisa. As palavras que ali estavam eram do papá. A maneira de falar era do papá. E o relógio, Helena, o relógio de bolso que ele me prometeu dar quando eu me formasse. Ninguém mais sabia disso. Ninguém.
Assim, ou existe algo que vai para além do que consigo compreender, ou eu Sou um homem muito mais ignorante do que pensava. De qualquer forma, peço-te desculpas por ter sido tão duro consigo todos estes anos. O papá tinha razão. Preciso de aprender a chorar. Helena recebeu esta carta numa manhã de sábado, sentada na varanda da sua casa em Belo Horizonte.
E chorou. chorou de alegria, chorou de alívio, porque o irmão dela, aquele homem de pedra, tinha finalmente rachado. E por dentro, onde ninguém via, era tão humano como qualquer um de nós. O Dr. Heráclito aposentou-se da magistratura em 1979. Nunca mais falou publicamente sobre o caso de Chico Xavier, nunca deu entrevista, nunca escreveu um artigo, nunca comentou com os colegas.
Mas os funcionários do fórum de Uberaba contam que nos últimos anos antes de se aposentar, o juiz mudou, ficou mais calmo, mais paciente, mais humano nas decisões e que por vezes, no final do dia de trabalho, quando achava que ninguém estava a ver, ele tirava da gaveta da secretária um relógio de bolso antigo, segurava-o com as duas mãos e ficava ali a olhar para ele em silêncio durante longos minutos.
E Chico Xavier, O Chico continuou a ser Chico. No dia seguinte, ao encerramento do processo, estava de volta ao centro espírita às 7 da manhã, sentado na sua cadeira, com o caderno aberto à espera. Quando perguntaram-lhe sobre o tribunal, ele disse apenas: “Não fui eu que provei nada. Foram eles, os espíritos. Eu só estava ali a segurar a caneta.
E essa, meu amigo, é a parte que mais me emociona nesta história. Porque o Chico poderia ter saído daquele tribunal como um herói. [pigarreia] Poderia ter dado entrevistas, poderia ter capitalizado aquela vitória. Poderia ter-se tornado ainda mais famoso e poderoso do que já era. Mas não. Ele simplesmente voltou ao trabalho, voltou a servir, voltou a emprestar a mão a quem precisasse do outro lado.
Porque Chico Xavier nunca fez nada por si mesmo. Nunca. Em toda a sua vida, ele nunca procurou fama, dinheiro, reconhecimento ou poder. Ele viveu pobre, morreu pobre e no meio disto tudo ajudou mais pessoas do que a maioria dos nos consegue imaginar. Ele escreveu mais de 400 livros, todos psicografados, e doou os direitos de autor de cada um deles. Doou tudo, ficou com nada.
E é por isso que histórias como esta importam. Não porque provem ou deixem de provar que os espíritos existem, não porque convencem os céticos ou reforçam a fé dos que já acreditam, mas porque recordam-nos de que existiu um homem no Brasil que viveu de uma forma que a maioria de nós não tem coragem para viver, com entrega total, com humildade absoluta, com uma fé tão profunda que aceitou ser julgado.
acusado, humilhado e não se queixou, não se defendeu, apenas confiou. E sabe o que mais me impressiona? É que o Chico nunca pediu para ser acreditado. Nunca. Ele dizia: “Não acredite em mim. Acredite no amor. Acredite que os que partiram continuam a amar vocês. Acredite que a a morte não é o fim, mas o princípio de uma outra jornada.
E se não conseguir acreditar em nada disto, tudo bem. Eu vou continuar aqui a fazer o meu trabalho até ao dia em que Deus me chamar de volta. E fez, fez até ao último dia, até ao no dia 30 de junho de 2002, quando partiu desta vida, no dia do seu aniversário, exatamente como ele tinha pedido. Porque Chico Xavier, aquele homem simples de Uberaba, tinha dito uma vez que queria morrer num dia em que o Brasil estivesse feliz.
e morreu no dia em que o Brasil venceu o Campeonato do Mundo pela quinta vez. morreu enquanto o país inteiro celebrava e talvez do outro lado tenha sido recebido com a mesma alegria. Agora eu vou fazer-lhe uma pergunta e quero que que pense antes de responder. Não resposta de impulso. Se estivesse naquele tribunal em 1974, sentado numa daquelas cadeiras de madeira, ouvindo aquela carta ser lida em voz alta, o que teria sentido? Teria acreditado ou teria procurado uma explicação racional? Eu não sei a a sua resposta e sinceramente não interessa,
porque a beleza desta história não está em acreditar ou desacreditar. A beleza está no facto de um homem sozinho, sem advogado, sem defesa, sem nada além da pena e da fé, enfrentou um tribunal inteiro e deixou a justiça brasileira sem explicação. E esse homem era Chico Xavier. Eu preciso de te contar. Mais uma coisa antes de terminar, uma coisa que quase ninguém sabe e que eu guardei para o fim porque acho que é o pormenor que amarra tudo.
Muitos anos depois, em 1993, uma repórter de uma revista de São Paulo foi a Uberaba fazer uma reportagem sobre Chico Xavier. E durante a apuração, ela descobriu a história do tribunal. Quis saber mais. Quis encontrar as testemunhas e conseguiu localizar o delegado Anísio Borges, que nessa altura já estava reformado, e vivia numa quinta nos arredores da cidade.
Anísio tinha 81 anos. Estava fraco, doente, utilizando uma cadeira de rodas. Mas quando a repórter perguntou sobre o dia em que foi testemunha em tribunal, o velho delegado arregalou os olhos como se tivesse 20 anos outra vez. “Eu lembro-me como se fosse hoje”, disse. Eu Fiquei do lado do Chico a olhá-lo escrever.
E vi uma coisa que nunca contei a ninguém, nunca, porque ninguém ia acreditar. A repórter perguntou-lhe o que tinha visto e o delegado disse. Enquanto o O Chico escrevia, vi a mão dele a a mexer, mas não era só a mão dele. Tinha outra mão em cima da mão dele. Uma mão que não conseguia ver bem, como se fosse feita de fumo ou de luz. Uma mão que lhe guiava a mão.
E essa mão tinha um anel, um anel com uma pedra vermelha. E lembro-me de ter pensado na hora: “Quem é o dono deste anel?” A repórter ficou em silêncio e o delegado continuou. Muitos anos depois, em 87, vi uma foto do Geraldo Pimenta Rocha num álbum que a dona Eulália mostrou ao padre da cidade. E na foto, o Geraldo estava a usar um anel, um anel com uma pedra vermelha, o mesmo anel que vi naquela mão naquele dia no tribunal.
O delegado ficou calado por um momento, depois olhou para a repórter e disse: “A senhora pode acreditar ou não? Eu sou um homem da lei. Passei a vida inteira a lidar com provas, com factos, com provas. E eu sei o que eu vi. Vi a mão de um morto guiando a mão de Chico Xavier. E isso mudou tudo o que pensava sobre a vida e sobre a morte.
A repórter publicou a notícia, mas este excerto, o excerto do anel, o editor mandou cortar. disse que era inverificável, que poderia causar problemas legais, que era sensacionalismo. A repórter protestou, lutou, mas no final o troço foi cortado e a história do anel ficou guardada nos cadernos de anotação dela, esquecida até hoje.
Mas agora já sabe. Sabe que num tribunal no interior de Minas Gerais, em 1974, um juiz desafiou Chico Xavier a provar que falava com os mortos e Chico, em vez de se defender com palavras, deixou que os mortos falassem por ele. E o que eles disseram foi tão preciso, tão íntimo, tão impossível de ser inventado, que a justiça não teve outra opção senão se calar.
Porque há coisas nesta vida que a lei dos homens não alcança. Tem verdades que nenhum tribunal pode julgar. Tem provas que nenhum advogado pode refutar. E Chico Xavier sabia disso. Sabia que a maior prova da existência do espírito não está nos livros, nos tribunais, nos laboratórios. está no coração de quem ama alguém que já partiu e sente no fundo da alma que essa pessoa ainda está ali ainda presente, ainda amando.
E se sente isso, meu amigo, se alguma vez perdeu alguém e sentiu que essa pessoa ainda estava perto, que enviava sinais, que aparecia nos sonhos, que soprava um vento quente no seu rosto numa tarde fria. Então, [pigarreia] sabe do que estou a falar. Você sabe que Chico Xavier não era um charlatão, não era um mentiroso, não era um manipulador.
Chico Xavier foi um homem que viveu para servir e que, mesmo depois de morrer, continua a servir através das histórias que deixou, dos livros que escreveu, das vidas que transformou. Agora diz-me, comenta aqui em baixo. Você já sentiu a presença de alguém que já partiu? Já recebeu um sinal que não pode explicar? Já leu uma carta psicografada por Chico Xavier? e sentiu que era real.
Conta-me, porque estas histórias precisam de ser contadas, precisam de ser ouvidas, precisam de ser lembradas para que a geração que vem depois da nossa saber que existiu um tempo em que a fé era vivida com entrega, com coragem e com o coração aberto. Subscreve o canal se admira o legado de Chico Xavier. E se este vídeo tocou o seu coração, partilha com alguém que também precisa de ouvir esta história, porque o o amor não morre e as histórias de quem amou de verdade também não.
Até o próximo vídeo e que o Emanuel nos proteja a todos. M.