UM VIROU O REI, O OUTRO VIROU A SOMBRA: sessenta anos depois, o silêncio de Roberto Carlos – H

Porque é que o maior nome vivo da música brasileira, aos [música] 84 anos, no auge absoluto de tudo o que já conquistou, se sentaria num tribunal do Rio de Janeiro para depor num processo que não [música] é dele e ainda por cima do lado contrário ao do próprio empresário. A questão parece não ter [música] resposta lógica e, no entanto, foi isso mesmo que Roberto Carlos fez em [música] silêncio, longe das câmaras.

Durante mais de 60 anos, ele e Erasmo Carlos foram chamados de inacessíveis. A dupla [música] que criou a Jovem Guarda, que assinou dezenas de clássicos que o Brasil tratou como símbolo de amizade eterna. Mas havia [música] uma assimetria no centro desta história que quase ninguém parava para examinar. Um virou o rei, o outro virou o tremendão, [música] o parceiro, o compositor, o outro.

O que aconteceu [música] entre o início desta amizade nos subúndrios do Rio dos anos 50 e aquele [música] gesto silencioso num tribunal décadas depois? É uma história sobre o que a fama [música] distribui de forma desigual e sobre uma lealdade que resistiu a tudo, incluindo a própria morte de um dos dois.

O que eu faço aqui no Além dos Holofotes é reconstruir o que a fama esconde por trás das duplas que o Brasil pensa conhecer com o que está no registo, não com boato. Se é isso que te interessa, o gesto mais simples é a inscrição. Temos histórias todas as semanas. Hoje a história é esta: dois rapazes de subúrbio que só queriam ser Elvis e acabaram por agitar a música brasileira.

A descoberta mútua na Tijuca dos anos 50, a ascensão que rapidamente se tornou assimétrico, os anos em que Erasmo lutou contra si próprio enquanto Roberto construía um império, a única briga documentada entre os dois e o que esta amizade revelou quando um deles já não estava vivo para a defender. Vamos à dupla que o Brasil pensava conhecer.

Comecemos pelo fim, porque é o fim que dá sentido [música] a tudo o resto. Segundo apurou a coluna Mateus Balde da revista [música] Isto é, a 12 de novembro de 2025, quase 3 anos depois da falecimento de Erasmo Carlos, Roberto Carlos [música] entrou discretamente no Fórum Central do Rio de Janeiro e depôs em [música] segredo de justiça no processo de partilha dos bens do amigo.

dep [música] da viúva Fernanda Passos. O conteúdo exato do depoimento não é público, corre [música] em segredo de justiça. E é importante deixar que isso claro. O que a investigação jornalística indica [música] é a direção do gesto, não as palavras ditas. O rei [música] colocou-se do lado da viúva.

E há um pormenor que torna este gesto quase inexplicável do ponto de vista prático. Do outro lado do processo é Leonardo Esteves, filho de Erasmo, [música] que é hoje o próprio empresário de Roberto Carlos. Leonardo assumiu a gestão da carreira do rei depois do fim da parceria de mais de 30 anos com a Dod de Sirena.

Ou seja, o homem que gere a carreira de Roberto Carlos [música] é parte diretamente interessada na herança contra a qual o Roberto foi depor a favor da viúva. Erasmo não deixou o testamento. [música] O património, que inclui direitos autorais de canções que vão gerar royalties durante [música] décadas, um apartamento em São Conrado, avaliado em cerca de R$ 8 milhões deais e um automóvel [música] registado em nome de uma produtora ficou sem instrução clara de partilha.

O que era uma família à volta do luto transformou-se em disputa judicial. De um lado, os filhos, do outro, a viúva, que alega não ter recebido o que lhe compete do espolho e que chegou a deixar o apartamento com vista para o mar para viver num espaço muito mais pequeno na Barra da Tijuca. E segundo a mesma averiguação da Isto é, Roberto Carlos não se ficou pelo depoimento.

Estaria a ajudar a Fernanda financeiramente com uma mesada fixa enquanto o processo se arrasta. Nada deste consta dos autos públicos. [música] Nada foi dito oficialmente pelo cantor. É necessário tratar esta parte com a cautela [música] que ela merece. vem de uma única coluna, não de confirmação oficial, nem do próprio Roberto. Mas se é assim que tem agido, é fiel a um padrão que percorre esta história inteira.

Gestos concretos em silêncio que os outros só descobrem muito mais tarde. [música] O gesto coloca Roberto numa posição desconfortável. O seu empresário é parte contrária à mulher que ele decidiu apoiar. E aparentemente este [música] desconforto não pesou o suficiente para o demover. Para perceber porque um homem no topo absoluto da carreira faria isto por [música] um amigo que já não está vivo para pedir, é preciso recuar seis décadas.

Há um encontro entre dois rapazes de subúrbio [música] que só queriam imitar os ídolos americanos. É na origem e na assimetria que ela plantou desde o primeiro dia em que está a resposta. A Tijuca, na zona norte do Rio de Janeiro, do final dos anos 50, era um bairro de classe média, com cinemas, bares e uma juventude a descobrir o rock importado dos Estados Unidos.

Foi aí que [a música] a história começou. Erasmo Esteves, era esse o nome real do tremendão, cresceu nesse bairro, [a música] aprendeu os primeiros acordes de guitarra com Tim Maia, que seria mais tarde outro gigante da música brasileira. E foi através das redes informais de jovens músicos do bairro que Erasmo cruzou-se com um rapaz vindo do interior do Espírito Santo, Roberto Carlos [música] Braga, que aos 6 anos perdera a perna direita num acidente com uma locomotiva [música] e que compensava tudo o que lhe faltava em recursos com uma determinação fora do comum. O que os

uniu não foi um plano, foi o reconhecimento mútuo de que o outro tinha algo de raro e que juntos aquilo ficava melhor. Erasmo era compositor com uma facilidade para as letras e melodias que o Roberto identificou de imediato. O Roberto tinha uma voz e uma presença de palco diferentes de tudo o que Erasmo já vira.

Dois talentos complementares que se encontraram no momento exato em que a A música brasileira estava prestes a ser sacudida pelo rock. Em 1965, a Jovem Guarda explodiu na televisão. O programa da TV Record juntou Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderleia como os três rostos de um movimento feito de guitarras elétricas, cabelos compridos e letras sobre carros, motas e amor adolescente. O Brasil inteiro assistia.

Os jovens copiavam o estilo, os mais velhos escandalizavam-se e os dois rapazes que começaram em bares do subúrbio estavam subitamente no centro de tudo. Nesse momento, a simetria ainda não era visível. Eram três: o Roberto, Erasmo, Vanderleia, uma trindade pop que o país adorava em bloco. Mas os sinais já lá estavam.

Roberto era a voz principal, o rosto do programa, um nome que vinha primeiro nos cartazes. Erasmo era o parceiro, o compositor, o quadjuvante brilhante que fazia o protagonista brilhar ainda mais. Nas entrevistas da época, Erasmo falava de Roberto com uma admiração que nunca soou como inveja, porque provavelmente não era.

Era o reconhecimento genuíno de um talento que ele próprio achava extraordinário. Só que o reconhecimento não impede que a assimetria doa, apenas torna mais difícil de nomear. Vale um parêntesis que desfaz um mito antigo. Apesar do apelido artístico partilhado, os dois nunca foram parentes. Erasmo Stev adotou Carlos como nome de palco e a lenda tratou de transformar a coincidência em mitologia de irmandade.

Irmãos de sangue nunca foram. De caminho foram algo que se revelaria mais raro. Nos anos que se seguiram ao fim da Jovem Guarda, esta diferença deixaria de ser um pormenor [música] de cartaz para se tornar estrutural. e mostraria o quanto a fama pode ser seletiva na forma como distribui aquilo que acumula. É o que o próximo capítulo desenrola.

Entre 1965 [música] e 1968, a Jovem Guarda foi o fenómeno mais avaçalador da cultura [música] pop brasileira. O programa dominava o domingo do Record. Os discos vendiam-se em números a que a [música] indústria não estava habituada. E até houve cinema. Roberto Carlos e o Diamonte [música] Cor-de-rosa. Em 1970 foi o filme de maior bilheteira do Brasil nesse ano, com Erasmo e Vanderleia ao lado de Roberto, prolongando para o escr a parceria do palco.

Era o auge e a superfície parecia partilhado em igualdade, mas havia uma diferença que ia ficando [música] clara para quem prestava atenção. Roberto Carlos tinha em paralelo à Jovem Guarda uma carreira de canções românticas. Baladas que apontavam para algo muito maior do que um movimento pop juvenil. Erasmo tinha a jovem [música] guarda e a parceria com Roberto.

Quando o movimento perdeu fôlego no final dos anos 60, [música] essa diferença tornou-se destino. Roberto pivotou para o romântico decisivamente [música] e a transição foi suave porque a base já existia. O público que o amava seguiu-o sem resistência. Nos [música] anos 70, tornou-se o que seria para sempre. O rei da música romântica brasileira, hoje o artista latino-americano de maior venda dos discos na história da América Latina.

Erasmo ficou mais próximo do rock. Teve momentos de sucesso a solo, mas nunca a consistência do amigo. [música] Continuou a compor para si e para Roberto numa parceria que gerou dezenas de clássicos. Mas a partir dos anos 70, estas duas trajetórias começaram a afastar progressivamente, [música] o rei e o tremendão.

Um título, um apelido carinhoso. Dito assim, parece uma distinção pequena. [música] multiplicada por décadas de carreira, é uma enorme distância em reconhecimento, em receita, em legado [música] público. E Erasmo sabia disso. Ao longo dos anos, falou da assimetria com uma honestidade rara entre as pessoas que partiram do mesmo ponto, não com declarada amargura, mas com uma clareza que mostrava que ele tinha processado a comparação e feito as pazes com ela, o que custa tempo [música] e trabalho.

Numa entrevista, brincou com o facto de Roberto lançar cada [música] vez menos música e de ter se voltado para parcerias com artistas de língua espanhola que naturalmente deixavam o compositor [música] brasileiro de fora. Disse aquilo com humor, mas o humor é muitas vezes a única forma de dizer verdades que doeriam ditas de outra maneira.

Aqui é preciso separar duas coisas que é fácil confundir. A assimetria [música] de carreira não veio de deslealdade de Roberto, nem de fracasso de Erasmo. Veio de uma escolha artística, o romântico contra o rock, que o público brasileiro recompensou de formas radicalmente diferentes. Não é uma história de traição, [a música] é uma história sobre como a fama premeia caminhos, não pessoas.

Mas houve anos em que a A assimetria foi muito mais difícil de ignorar. Anos em que a vida pessoal dos Erasmo desabou, enquanto a do amigo só subia. É este período, o mais escuro da história do tremendão, que o próximo capítulo enfrenta. Houve um período em que a vida pessoal de Erasmo Carlos entrou em colapso enquanto a carreira do melhor amigo só crescia.

E são factos que ele próprio nunca escondeu. Estão na autobiografia Minha Fama de Mal e em entrevistas ao longo dos anos. Houve álcool, houve drogas, houve um período que o próprio tremendão descreveu como de perda progressiva de controle. Os excessos que a fama facilita e a ausência de uma estrutura emocional sólida tornam difíceis [música] de travar.

A vida pessoal era igualmente pesada. Erasmo foi casado com Sandra Saonara, conhecida por Narinha, com quem [música] teve dois filhos, Leonardo e Gil. O casamento terminou [música] e em 1995, A Narinha tirou a própria vida. Erasmo perdeu a mãe dos filhos de uma forma para a qual não há preparação possível. Do anos mais tarde, em 1997, outro filho de Erasmo, Carlos Alexandre, morreu num acidente de moto aos 39 anos.

São perdas que se acumulam sem seguir lógica nem calendário. A ex-mulher, o filho, o álcool, as drogas, a carreira a solo, que nunca atingiu a consistência que o talento merecia. E ao lado de tudo isto, o amigo que vendia discos em dezenas de países e fazia especiais de Natal que todo o Brasil via. Como é que se vive com este contraste? Erasmo respondia de formas diferentes em momentos diferentes, às ora com humor, ora com uma franqueza que cortava, nunca com uma amargura declarada que seria compreensível, mas que nunca pareceu ser aquilo que de facto sentia. O que Erasmo

tinha e talvez seja a coisa mais rara numa indústria construída [música] sobre o ego, era a capacidade de separar o amor pela música e pela parceria da frustração que inevitavelmente gerava. Nunca tratou as duas coisas como a mesma coisa. E nos anos mais difíceis, Roberto Carlos esteve lá, não em declarações públicas dramáticas, que nunca foram o estilo de nenhum dos dois, mas presente da forma que importa, como alguém que não desaparece quando os outros estão olhando para outro lado.

A partir dos anos 90, chegou uma segunda vida. Uma nova geração de músicos e críticos redescobriu o tremendão, já não como coadiuvante de Roberto, mas como figura própria. [música] Foi um reconhecimento tardio, mais consciente e mais honesto e trouxe algo que os anos perdidos nunca tinham trazido, a paz com a própria história.

Mas antes de essa paz se consolidar, houve um episódio específico. A única querela séria em mais de 60 anos de amizade que revela, melhor do que qualquer outro momento, o que estava mesmo em jogo entre os dois. Há uma história em A Minha Fama de Malo da dinâmica entre os dois amigos que existe sob a forma escrita. Em 1967, Erasmo foi homenageado como compositor [música] num programa televisivo apresentado de Wilson Simona.

A homenagem era justa. Erasmo tinha escrito algumas das canções mais importantes da Jovem Guarda. Mas havia um problema. As canções eram parcerias. Roberto Carlos as tinha escrito também. E ninguém, nem Erasmo, nem Simonal e nem os produtores, se lembrou de dar o crédito das composições a Roberto Carlos. A reação do Roberto foi de raiva, genuína, declarada, intensa o suficiente para criar entre os dois o único distanciamento sério que a amizade conheceu em mais de 60 anos.

Erasmo descreve o episódio na autobiografia com uma precisão que mostra que a memória guardou cada detalhe. e descreve o que resolveu a situação. Meses depois, recebeu uma cassete gravada em que O Roberto dizia que já não [música] estava zangado e onde havia uma melodia. A mensagem era mais ou menos esta: “Esta letra fazes em 10 minutos”.

A canção que saiu daquela melodia [música] foi: “Eu Sou terrível, clássico da dupla”. O que este episódio revela vai muito para além da briga. revela o que estava no centro da atenção, o crédito, [a música] o reconhecimento, a questão de quem é autor de que numa parceria criativa que produziu dezenas de [música] clássica.

Roberto era ciumento da autoria, não de forma irracional, porque as [música] canções eram genuinamente dele, tanto quanto de Erasmo. Mas a sensibilidade, a visibilidade da sua [música] contribuição existia e o episódio de 1967 mostrou que existia com força suficiente para provocar o único grave rompimento da amizade.

E é reveladora a forma como veio a reconciliação. Não com uma conversa difícil, não com uma mediação, [música] não com declarações públicas, com uma cassete e uma melodia, como se a única linguagem capaz de dizer o que as palavras diretas não diziam fosse a que os dois partilhavam desde o início. E é também aqui que a assimetria [música] aparece mais nua.

Roberto Carlos, o mais famoso dos dois, o que tinha mais a perder em reputação pública, foi quem deu o primeiro passo. Não esperou que Erasmo viesse pedir [música] desculpa. Foi ele que enviou a cassete. Ele que disse que já não estava zangado, ele que ofereceu uma música. Um gesto que diz muito sobre o homem por baixo da lenda e que contrasta com o hermetismo e o controlo que Roberto projecta em tudo o que toca a sua vida pessoal.

Com Erasmo, as regras eram ultrava. E se estás a ver este vídeo até aqui, é porque estas histórias interessam-te contadas por inteiro, e não pela versão de bordão. A inscrição é o que garante que o próximo chega até ti. Esse mesmo padrão, Roberto, a agir em silêncio, sem esperar ser cobrado, reapareceria décadas mais tarde, da forma mais concreta possível.

Mas antes disso, é preciso ver o que foram os últimos 20 anos de vida de Erasmo. Nos últimos 20 anos de vida, [a música] Erasmo Carlos viveu o que poucos artistas da sua geração conseguiram. Uma redescoberta genuína que não foi nostalgia, mas [música] reconhecimento tardio de um talento que sempre esteve lá.

Bandas de rock brasileiro dos anos 90 e 2000 passaram a citá-lo como influência. [música] Críticos que na sua geração o tratavam como coaduvante de Roberto passaram a escrever sobre [música] ele como mestre por direito próprio. O apelido tremendão, dado com afeto, mas que transportava a ideia de alguém grande, só que não o maior, passou a ser dito com outro peso.

Durante este período, [a música] Erasmo também encontrou o amor numa relação que o Brasil recebeu com ceticismo inicial. Em [música] 2019, aos 77 anos, casou com Fernanda Passos. Portanto, de 28. A diferença de idades gerou comentários e julgamentos que Fernanda foi silenciando com uma serenidade que com [música] o tempo calou os cépticos.

Erasmo tinha um pacemaker implantado. O coração dava sinais de cansaço, mas os espetáculos continuavam, os discos continuavam, e a energia do tremendão nos palcos continuava a ser aquela coisa impossível de fingir, a de alguém que ama de facto o que faz. Em outubro de 2022, foi internado, teve alta, regressou ao hospital em novembro.

A 22 de novembro de 2022 morreu. Tinha 81 anos. Roberto Carlos esteve entre as primeiras pessoas a prestar homenagem pública. As palavras que escolheu foram as de quem perdeu não um colega, mas uma parte do si. Porque era exatamente isso. [música] Erasmo era a memória viva de tudo o que Roberto tinha sido antes de ser o rei.

[música] O subóbio, os ensaios nos bares da Tijuca, as primeiras cassetes gravadas em estúdios sem dinheiro para o ar- condicionado. Com o Erasmo morto, Roberto ficou o único guardião desta memória. E foi então que a ausência de testamento transformou [música] o luto em guerra. O património sem instrução de partilha, [música] os filhos de um lado, a viúva do outro.

A disputa que abriu este vídeo. Fernanda ficaria com o tempo, sozinha do lado que O Roberto escolheria apoiar. É esse gesto, o depoimento de 2025, [música] a mesada, a decisão de se colocar ao lado da viúva do amigo contra o próprio empresário que fecha o círculo de tudo o que vimos. a admiração original, a assimetria nunca resolvida, a reconciliação silenciosa de 1967.

Décadas mais tarde, o mesmo homem, o mesmo silêncio, o mesmo hábito de agir sem plateia. [música] Só que desta vez o amigo já não estava vivo para saber. Roberto Carlos [música] tem 84 anos. é o maior nome vivo da música popular brasileira, com um legado que poucos os artistas de qualquer país conseguem, [música] não só em discos vendidos ou audiências de especiais de Natal, mas na forma como as suas canções [música] entraram na linguagem emocional de um país inteiro.

Erasmo Carlos morreu aos 81 anos, em novembro de 2022. [música] deixou uma obra imensa como compositor, como intérprete, como figura que moldou a música brasileira durante seis décadas e deixou uma herança em guerra e uma viúva que necessitou da ajuda do melhor amigo do marido para manter estabilidade. A assimetria que se iniciou nos anos 60, quando um virou o rei e o outro ficou o tremendão, nunca desapareceu por completo.

manifestou-se de formas diferentes ao longo das décadas, nas carreiras a solo, nos recursos acumulados, no reconhecimento público, na forma como a indústria e o público trataram cada um. Mas a assimetria nunca destruiu o que estava entre eles. E talvez seja esse o facto mais surpreendente desta história inteira, porque as amizades entre artistas com As trajetórias assimétricas costumam sobreviver.

A inveja, o ressentimento e a a comparação permanente destróem mais parcerias do que qualquer diferença artística. Aqui não só sobreviveram, como se aprofundaram. O Brasil, que cresceu a ver Roberto e Erasmo como símbolo de amizade eterna estava afinal a ver algo real. Só que a realidade era mais complexa, mais dolorosa e mais impressionante do que a imagem de dois amigos a rir num palco da Jovem Guarda.

A realidade era um homem que teve anos de álcool e drogas enquanto o amigo construía um império, uma ex-mulher que morreu de forma trágica, um filho perdido num acidente, uma segunda vida erguida sobre os destroços da primeira. E ao longo de tudo isto, o amigo que esteve lá da única forma que Roberto sabe estar em qualquer lugar, em silêncio, sem discurso, com gestos concretos que os outros só descobrem muito mais tarde.

E depois da morte, o tribunal, a mesada para a viúva, o rei colocar-se do lado de quem já não se pode defender. É importante ser justo com todos os nomes desta história. A disputa pela herança é um processo legítimo, com dois lados que t os seus argumentos [música] e nada aqui os julga.

Os filhos de Erasmo têm o direito ao que a lei lhes reconhecer, tanto quanto a viúva. O que este vídeo conta não é quem tem razão nos autos, é o que o gesto de Roberto revela sobre uma amizade de 60 anos. Não é a história de amor que o Brasil pensava que era. É melhor, [a música] é a história de duas pessoas que encontraram uma forma de se manterem leais, apesar de tudo o que a [música] a fama e o tempo colocam entre elas, incluindo uma assimetria que nunca foi resolvida, mas que foi inteiramente aceita.

Isto não entra em nenhum especial de Natal, não cabe num bordão. É o que sobra quando as câmaras se apagam. Sete capítulos. Uma amizade de 60 anos que o Brasil pensava conhecer [música] e nunca a viu na íntegra. Dois rapazes do subúrbio do rio que queriam ser Elvis e acabaram por criar a Jovem Gua, uma trajetória que se partiu em dois, o rei de um lado, o tremendão do outro e que a indústria [música] tratou como se a divisão fosse natural.

Os anos em que Erasmo lutou contra si próprio enquanto Roberto erguia um legado. A única briga séria e a cassete com uma música que a resolveu. A redescoberta do tremendão nas últimas décadas e no fim um depoimento silencioso num tribunal do Rio-me a favor da viúva do amigo. A fama não se distribui em partes iguais, mas há coisas que ela não compra e não reparte.

E a lealdade que Roberto Carlos e Erasmo Carlos construíram ao longo de 60 décadas é uma delas. Se este tipo de reconstrução faz sentido [música] para ti, deixa o like e comenta. Tu já sabias do lado que o rei escolheu? [música] Aqui na página do canal existem outras histórias como esta contadas por inteiro.

A inveja, o ressentimento e a a comparação permanente destróem mais parcerias do que qualquer diferença artística. Aqui não só sobreviveram, como se aprofundaram. O Brasil, que cresceu a ver Roberto e Erasmo como símbolo de amizade eterna estava afinal a ver algo real. Só que a realidade era mais complexa, mais dolorosa e mais impressionante do que a imagem de dois amigos a rir num palco da Jovem Guarda.

A realidade era um homem que teve anos de álcool e drogas enquanto o amigo construía um império, uma ex-mulher que morreu de forma trágica, um filho perdido num acidente, uma segunda vida erguida sobre os destroços da primeira. E ao longo de tudo isto, o amigo que esteve lá da única forma que Roberto sabe estar em qualquer lugar, em silêncio, sem discurso, com gestos concretos que os outros só descobrem muito mais tarde.

E depois da morte, o tribunal, a mesada para a viúva, o rei colocar-se do lado de quem já não se pode defender. É importante ser justo com todos os nomes desta história. A disputa pela herança é um processo legítimo, com dois lados que t os seus argumentos [música] e nada aqui os julga.

Os filhos de Erasmo têm o direito ao que a lei lhes reconhecer, tanto quanto a viúva. O que este vídeo conta não é quem tem razão nos autos, é o que o gesto de Roberto revela sobre uma amizade de 60 anos. Não é a história de amor que o Brasil pensava que era. É melhor, [a música] é a história de duas pessoas que encontraram uma forma de se manterem leais, apesar de tudo o que a [música] a fama e o tempo colocam entre elas, incluindo uma assimetria que nunca foi resolvida, mas que foi inteiramente aceita.

Isto não entra em nenhum especial de Natal, não cabe num bordão. É o que sobra quando as câmaras se apagam. Sete capítulos. Uma amizade de 60 anos que o Brasil pensava conhecer [música] e nunca a viu na íntegra. Dois rapazes do subúrbio do rio que queriam ser Elvis e acabaram por criar a Jovem Gua, uma trajetória que se partiu em dois, o rei de um lado, o tremendão do outro e que a indústria [música] tratou como se a divisão fosse natural.

Os anos em que Erasmo lutou contra si próprio enquanto Roberto erguia um legado. A única briga séria e a cassete com uma música que a resolveu. A redescoberta do tremendão nas últimas décadas e no fim um depoimento silencioso num tribunal do Rio-me a favor da viúva do amigo. A fama não se distribui em partes iguais, mas há coisas que ela não compra e não reparte.

E a lealdade que Roberto Carlos e Erasmo Carlos construíram ao longo de 60 décadas é uma delas. Se este tipo de reconstrução faz sentido [música] para ti, deixa o like e comenta. Tu já sabias do lado que o rei escolheu? [música] Aqui na página do canal existem outras histórias como esta contadas por inteiro.

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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