A Queda do Ícone: Como Martha Rocha, a Mulher Mais Bonita do Mundo, Perdeu a Sua Fortuna e Terminou os Dias num Lar de Idosos
A história da celebridade e da fama está repleta de ascensões meteóricas e quedas precipitadas, mas poucas trajetórias são tão fascinantes e dolorosamente trágicas quanto a de Maria Marta Hacker Rocha. Em 1954, com apenas 21 anos (embora na altura afirmasse perante os júris ter 18), ela não era apenas uma jovem; era a personificação exata da beleza de um país inteiro. O Brasil, e o resto do mundo, curvaram-se perante a sua elegância e magnetismo inegáveis. No entanto, nem o brilho ofuscante da sua coroa, nem a adoração de milhões de fãs ferverosos, nem a vasta riqueza que acumulou, conseguiram protegê-la do desfecho sombrio que a aguardava no futuro. Seis décadas após ter sido aclamada como uma das mulheres mais deslumbrantes à face da Terra, Martha Rocha passaria os seus últimos dias numa casa de repouso pública, despojada da imensa fortuna que outrora possuiu. Esta é a narrativa detalhada de um ícone que sobreviveu à perda de um grande amor, suportou a traição familiar mais abjeta e enfrentou a pobreza com uma dignidade férrea, escondendo a sua profunda dor do escrutínio público para proteger a lenda que o seu país se recusava a deixar morrer.

Nascida a 19 de setembro de 1932, na vibrante cidade de Salvador, Bahia, Martha Rocha não foi minimamente criada ou preparada para ser uma rainha da beleza internacional. Filha do engenheiro Álvaro Rocha, ela cresceu num ambiente familiar tradicional que valorizava o recato, a discrição e uma educação intelectual rigorosa. Nos anos 50, o epicentro do glamour, do poder e dos grandes concursos de beleza no Brasil encontrava-se invariavelmente no eixo Rio de Janeiro-São Paulo, onde o dinheiro antigo e a influência mediática ditavam as regras de quem merecia a fama. Salvador, por seu turno, era reconhecida pelas suas grandiosas igrejas históricas, raízes e tradições culturais profundas, e não como um celeiro de exportação de modelos para as passarelas globais. Ninguém, nem mesmo ela, podia prever o que o futuro lhe reservava.
A entrada de Martha no concurso Miss Bahia ocorreu de forma quase acidental, motivada por amigos e por um acaso do destino. Sem o treino exaustivo e as estratégias calculistas das candidatas das grandes metrópoles, a sua beleza natural, frescura e postura aristocrática destacaram-se de imediato perante todos os presentes. A vitória a nível regional catapultou-a diretamente para o prestigiado Hotel Quitandinha, em Petrópolis, o local onde a elite máxima da sociedade brasileira se reunia para grandes festas de gala. Em junho de 1954, contrariando todas as probabilidades e quebrando de forma contundente os preconceitos regionais vigentes, aquela jovem até então desconhecida do norte do país foi coroada a primeira Miss Brasil da história oficial. O país inteiro rendeu-se. A rapariga de Salvador tornou-se o principal símbolo de orgulho nacional da noite para o dia, carregando uma faixa que mudaria o rumo da sua vida para sempre.
Apenas doze dias após a sua apoteótica consagração nacional, Martha embarcou para Long Beach, na Califórnia, preparada para disputar o cobiçado título de Miss Universo. Para a exigente imprensa internacional e para os experientes apostadores norte-americanos, ela era a favorita indiscutível à coroa. Os jornalistas redigiam textos a elogiar incessantemente a sua silhueta exímia, o seu olhar cativante, a doçura da sua voz e a sua postura irretocável em frente aos fotógrafos. Contudo, a 24 de julho, num volte-face que chocou os presentes, o júri decidiu coroar a norte-americana Miriam Stevenson.
Foi precisamente nesse instante que nasceu um dos maiores e mais perenes mitos da cultura popular brasileira. A explicação que ecoou de imediato, e que a imprensa propagou como fogo, justificava a amarga derrota de Martha por míseros “dois centímetros” a mais na medida dos seus quadris, comparativamente às proporções de Stevenson. Um jurado anónimo teria alegadamente afirmado que a vitória da candidata americana se devia essencialmente ao “volume latino” de Martha, que supostamente quebrava o restrito padrão estético ideal exigido na época. Este detalhe singular, independentemente da sua real precisão factual ou veracidade histórica, foi rapidamente absorvido e interiorizado pelo povo do Brasil como uma verdadeira ferida aberta na alma do país. A nação não aceitou a derrota; em vez disso, transformou rapidamente a segunda classificada numa inquestionável mártir do padrão de beleza imposto pelos estrangeiros. Martha Rocha não regressou ao seu país rotulada como uma perdedora, mas sim como a verdadeira detentora moral do título. O povo adotou-a de forma apaixonada e visceral, considerando-a um património nacional que tinha sido roubado e injustiçado debaixo dos holofotes da América.
Esta aclamada derrota nos Estados Unidos foi, paradoxalmente, o maior catalisador do seu sucesso comercial e financeiro. O cobiçado estatuto de mártir e eterna injustiçada rendeu-lhe dezenas de convites internacionais de alto nível, campanhas publicitárias milionárias e uma projeção mediática sem paralelo na história do seu país. A título de exemplo, um único contrato publicitário para ser o rosto dos prestigiados sabonetes Lever pagou-lhe a extraordinária quantia de trinta mil dólares, o que representava uma fortuna verdadeiramente astronómica e sem precedentes para uma modelo sul-americana a trabalhar naquela década. O delírio nacional em torno do seu nome atingiu proporções épicas que transcenderam a própria indústria da beleza: foi cuidadosamente criado um bolo de pastelaria com o seu nome que perdura até hoje, artérias e ruas em três estados diferentes do país foram solenemente batizadas em sua honra, e até mesmo uma raríssima e valiosa água-marinha recém-extraída nas profundezas das minas de Minas Gerais recebeu a designação oficial de “Martha Rocha”.

Imediatamente absorvida pelos mais altos e restritos círculos sociais e de influência do Rio de Janeiro, Martha conheceu Álvaro Piano, um riquíssimo e respeitado banqueiro de origem portuguesa, cujos negócios familiares e fortuna pessoal rivalizavam e ombreavam com os maiores impérios financeiros da época. O casamento de ambos foi indiscutivelmente considerado o evento social da década na América do Sul. Com uma lista que ostentava cerca de três mil convidados oriundos de diversas partes do globo, a cerimónia religiosa e o banquete assemelharam-se a uma autêntica coroação da realeza. Martha deixava, de uma vez por todas, de ser apenas um mero rosto bonito em capas de revistas, para integrar o topo incontestável e inalcançável da elite financeira carioca. O casal construiu uma família e teve dois filhos, Álvaro Luiz e Carlos Alberto. Aos 30 anos, perante os olhos curiosos de todos, ela possuía absolutamente tudo o que o mundo podia oferecer: um grande amor, uma família adorável, um respeito social inabalável que abria qualquer porta e uma fortuna colossal inesgotável. A jovem baiana tinha desenhado a metamorfose pessoal e social perfeita e parecia imune a qualquer desastre.
No entanto, o destino e a roda da fortuna provam frequentemente ser implacáveis para com aqueles que parecem deter o domínio sobre todas as coisas materiais. O império dourado de segurança e de felicidade plena em que Martha habitava desmoronou-se de forma abrupta e violenta quando Álvaro Piano perdeu tragicamente a vida num terrível acidente de avião. Subitamente, a jovem e célebre rainha da beleza viu-se na condição de viúva, com duas crianças pequenas a seu cargo e inserida numa vasta fortuna familiar e empresarial que já não pertencia de forma exclusiva apenas ao seu falecido marido, mas a um complexo e obscuro emaranhado de parentes, contas partilhadas e interesses bancários com braços estendidos desde Lisboa a Nova Iorque.
Com uma força interior e resiliência notáveis, Martha não permitiu que o luto profundo e as adversidades a afundassem numa depressão sem fim. Manteve a sua postura e a sua dignidade intocáveis perante as constantes perguntas e os olhares de piedade da elite social. Poucos anos mais tarde, casou-se pela segunda vez, unindo matrimónio com Ronaldo Xavier de Lima, de quem veio a ter a sua terceira filha, Cláudia, que mais tarde enveredaria profissionalmente pelo caminho das artes, tornando-se pintora. Este era um pormenor aparentemente inócuo nas crónicas de luxo da sua vida, mas que, ironicamente, acabaria por ser a grande tábua de salvação e o principal sustento da sua mãe décadas mais tarde. A vida de Martha seguiu o seu curso e, durante os pujantes anos 60 e 70, o grande público e as revistas de sociedade acreditavam piamente que a abastada viúva de Álvaro Piano vivia um tranquilo e eternamente luxuoso epílogo. A triste e fria realidade, no entanto, estava a conspirar silenciosamente contra ela debaixo do seu próprio teto.
Após a trágica morte de Álvaro, a gestão complexa da gigantesca e avultada fortuna de toda a família Piano tinha sido deixada aos cuidados exclusivos do cunhado de Martha, Jorge Piano. Sendo ele o respeitado proprietário de uma das maiores e mais fidedignas casas de câmbio do Rio de Janeiro, Jorge era a personificação corporativa da segurança, da seriedade e da máxima confiança familiar. Durante quase quarenta anos, todo o vasto património e o dinheiro de Martha circularam e repousaram através dos balcões daquela específica casa de câmbio, fundamentando-se sempre na inocente presunção de que os fortes laços de sangue e o amor fraterno protegeriam de forma incondicional todos os interesses financeiros da sua família alargada.
Em 1995, essa bonita e reconfortante ilusão de lealdade inquebrável foi brutalmente despedaçada. Naquela que aparentava ser apenas mais uma noite trivial de convívio, a família reuniu-se para desfrutar de um farto jantar. Ao longo da noite ouviram-se muitos risos, as crianças correram divertidas pela espaçosa sala de estar e Jorge Piano fez questão de combinar, de forma extremamente casual e ostentando o seu habitual sorriso afável, um próximo encontro familiar no seu restaurante favorito para o decorrer da semana seguinte. Despediu-se de todos os presentes distribuindo calorosos abraços e afagos aos seus netos. No dia imediatamente a seguir a este cálido jantar, as enormes portas da sua tão reputada casa de câmbio amanheceram trancadas a sete chaves. Jorge tinha fugido discretamente para Nova Iorque durante a alta madrugada, levando deliberadamente consigo, e de forma premeditada, todo o dinheiro, bens e capitais disponíveis de todas as contas que eram geridas pelo clã familiar.
Aos dolorosos 60 anos, e com a vitalidade já não sendo a mesma de outrora, Martha Rocha viu impotente as suas valiosas poupanças de uma vida inteira e o futuro garantido dos seus descendentes evaporarem-se no ar como uma nuvem de fumo. O golpe que a feriu de morte não adveio de uma flutuação imprevisível do volátil mercado financeiro, nem sequer da falência de um banco devido a uma grave crise económica mundial, ou muito menos de um violento assalto à mão armada; a sua terrível derrocada financeira foi minuciosa e cruelmente orquestrada por um homem com quem partilhara inúmeras confidências, que se sentara no seu sofá na noite anterior, que embalara amorosamente os seus queridos netos e que planeara felizes encontros futuros possuindo a plena consciência de que estava prestes a deixá-los na mais atroz miséria absoluta. Jorge Piano nunca mais regressou ao Brasil e nunca teve a decência mínima de oferecer uma palavra de justificação ou de expressar o mais leve pedido de desculpas aos que arruinara.
No contexto desta traição brutal, quase qualquer outra figura pública mediática com os mesmos contactos teria imediatamente convocado a imprensa, percorrido freneticamente os corredores e redações dos principais jornais do país, movido avassaladores processos judiciais cíveis e criminais, e exposto impiedosamente todo o medonho escândalo financeiro apenas e só para destruir o nome e o legado do agressor perante a justiça dos tribunais e a opinião pública. No entanto, Martha Rocha era indiscutivelmente esculpida e feita de uma fibra emocional imensamente diferente dos restantes. Ela possuía um imenso orgulho intrínseco e silencioso que se recusava, a todo e qualquer custo, a ser devassado e exposto cruelmente perante o insensível escrutínio da opinião pública, bem como à compaixão barata dos tablóides. Fez uma difícil escolha pessoal e optou pelo caminho da privacidade máxima e extrema, afastando-se subtil e definitivamente de todo e qualquer convívio ou evento social desnecessário, muitas vezes sem ceder explicações lógicas a ninguém. Àqueles poucos persistentes amigos que, ocasionalmente, ainda a procuravam para convívios da alta sociedade, declarava calmamente e de forma educada que, nesta fase serena da sua vida, apenas desejava gozar do conforto de poder estar inteiramente sozinha no seu espaço.
É absolutamente imperativo tentarmos compreender a vasta magnitude e complexidade do esforço heroico que Martha levou a cabo, dia após dia, unicamente para manter a sua inabalável integridade moral inserida numa sociedade altamente escrutinadora que, durante grande parte do século XX, condicionava rigidamente o valor pessoal e social de uma mulher com base, única e exclusivamente, no pilar da sua beleza estética e nos apelidos dos maridos ricos que, ao longo dos anos, conseguia atrair para a sua esfera de influência. Desde muito jovem, Martha Rocha foi primorosamente educada nos preceitos antigos para ser vista quase como um requintado e cobiçado adorno social, sendo mais tarde, graças à sua fama global, elevada velozmente ao raro e inquestionável estatuto de verdadeira figura divina idolatrada e quase endeusada por todo o imaginário afetivo e cultural do povo brasileiro. Quando a sua imensa fortuna de milhões subitamente evaporou no ar e a sua confortável e garantida rede de segurança financeira e familiar colapsou ruinosamente em poucos minutos numa fatídica noite devido à terrível fuga e à impiedosa traição arquitetada pelo seu próprio cunhado, ela tinha todas as justificações lógicas para ter cedido ao mais profundo desespero psicológico. Teria sido o percurso mais fácil para ela implorar de lágrimas nos olhos pelo generoso e rápido auxílio caritativo de instituições estatais do governo, recorrer com veemência ao imenso poder judicial ou mesmo pedir piedade aos seus milhares de muito influentes e multimilionários amigos e admiradores que um dia se curvaram fascinados e submissos perante o inegável feitiço e encanto que irradiava de todo o seu esplendor e da sua estonteante juventude.
Contudo, optou categoricamente por virar as costas a essa tentadora facilidade. O seu doloroso e estoico silêncio transformou-se gradualmente no maior e mais revolucionário ato de rebelião e inegável afirmação da sua impressionante autonomia e invulgar soberania pessoal que ela poderia alguma vez ter concebido face à desgraça financeira instalada no seio da sua casa. Ao privar, com todas as suas forças e coragem férrea, o voraz e sedento mundo exterior da satisfação macabra e do aprazível espetáculo mediático e escandaloso de testemunhar abertamente e em direto a sua brutal queda em desgraça rumo ao sombrio poço da pobreza e do humilhante esquecimento público, a admirável mulher que o Brasil adorava passivamente, vendo-a apenas como uma sumptuosa, frágil e perfeitamente lapidada joia preciosa e oca, revelou repentinamente a todos possuir no fundo do seu íntimo a resistência férrea, resiliente e incrivelmente inquebrável característica de um diamante bruto, forjado intensamente nas agruras do fogo do sofrimento calado e da dor reprimida durante anos a fio na penumbra e na modéstia do seu novo lar escondido da sociedade ostentatória e falsamente solidária que a tentava observar na rua sem piedade.
Face à ruína eminente e inteiramente destituída da generosa e confortável fortuna monetária e proteção financeira da família, que deveria com toda a naturalidade do mundo garantir e assegurar o luxuoso aconchego, a elevada qualidade de vida e a total paz de espírito durante todo o decorrer da inevitável, por vezes árdua e sempre imprevisível caminhada ao longo da sua velhice que começava agora a surgir com o adensar das suas enfermidades próprias da idade avançada, Martha Rocha foi sabiamente aconselhada a recorrer à imensa terapia do poder curativo, abstrato, reflexivo e altamente catártico do mundo sensível e minucioso da arte pura para sobreviver com orgulho. Profundamente comovida e artisticamente inspirada, motivada, orientada e fortemente incentivada ao longo de meses a fio pelas competências e criatividade excecionais e naturais demonstradas na tela pela sua amada filha Cláudia, a célebre ex-miss pegou decididamente num pincel e numa paleta de cores e começou de forma gradual, empenhada, muito autodidata e verdadeiramente meticulosa a pintar quadros e a explorar criativamente as inúmeras vertentes da sua até então adormecida sensibilidade artística em cima da delicadeza imaculada de telas em branco compradas nas pequenas e mais modestas lojas de rua que agora frequentava solitária.
A mulher inatingível, cujo traço do deslumbrante e perfeito rosto valera outrora, na época de ouro da televisão a cores e dos glamourosos jornais de referência repletos de sedutoras campanhas de marketing milionárias elaboradas por agências internacionais, o preço extravagante que qualquer um pagaria sem hesitar, passou a ser impulsionada irremediavelmente pela mais crua necessidade diária inerente de ter de expor os seus quadros caseiros, vender pessoalmente as suas simples obras de arte originais no mercado tradicional para conseguir garantir e assegurar o imprescindível e basilar pagamento vital de contas essenciais e inadiáveis relacionadas com o consumo mensal de eletricidade e de água, bem como custear de forma integral toda a imprescindível alimentação diária na mesa modesta da habitação onde residia sem recorrer à contínua dependência dolorosa e humilhante de terceiros. Também em certas raras ocasiões, muito discretas, efetuava presenças notavelmente pontuais, cuidadosamente selecionadas a dedo para não levantar suspeitas ou intrigas indevidas entre jornalistas sensacionalistas e fotógrafos mais cínicos. Fez questão de marcar a sua imponente, reverenciada e altamente aplaudida figura no palco principal em elegantes e mediáticos eventos estaduais, intrinsecamente relacionados com o famigerado e amplamente divulgado concurso de Miss Brasil, de cujas grandes e exuberantes festividades anuais aceitava sempre utilizar, receber e guardar o proveitoso e respetivo cachê monetário com o intuito focado, claro e pragmático de fazer render essa oportunidade, utilizando esse valioso fundo exclusivo de forma ponderada, comedida e razoável, assegurando-o inteligentemente ao longo dos meses mais difíceis do ano como se estivesse perante uma modesta, mas ainda assim absolutamente indispensável e constante, modesta fonte de rendimento fiável de natureza estritamente privada, crucial para a sua frágil estabilidade diária num mundo de enormes carências e perante as extremas debilidades físicas e monetárias da idade envelhecida.
O país de dimensão continental mantinha-se completamente submerso na doce ignorância dos acontecimentos terríveis ocorridos há anos, e continuava efusivamente a venerar e a idolatrar ininterruptamente a sua deslumbrante silhueta e a ovacioná-la, aos gritos de glória e encanto nas ruas, como sendo uma inabalável, poderosa e eterna deusa inatingível do imponente mundo intocável e reluzente do luxo absoluto dos anos cinquenta; isto tudo completamente, alheio e inteiramente cego perante o terrível facto oculto de que a sua imortal, intocável e sempre mítica e adorada rainha que trazia esperança no peito aos corações, se deparava na frieza brutal, cruel e solitária do seu silêncio noturno caseiro isolada da rua, a lutar de forma feroz, dolorosa, incessante e verdadeiramente angustiada por cada escasso e valioso escudo para simplesmente salvaguardar a contínua existência primária da sua própria, crua e incontornável subsistência, lutando pela dignidade suprema sem mendigar qualquer tostão nas escadarias de palácios que outrora pisara ladeada e invejada por multidões e poderosas monarquias sociais de alta finança perante câmaras mundiais, e não cedendo nunca perante a iminência aterrorizante e degradante de ver o seu corpo ceder às graves consequências incontornáveis geradas pela extrema indigência imposta pelo abandono familiar desumano, mas sobretudo do tempo severo e inegável ditado pelo seu envelhecimento doloroso, físico e financeiro em absoluto declínio não anunciado à imprensa nacional que cobria constantemente todo o imaginário nacional com contos e relatos embelezadores sobre a famosa mulher.
O desgaste do tempo, revelando-se impiedosamente frio e calculista perante as suas incessantes manifestações físicas e exigências inevitáveis e limitativas a nível de resistência biológica para gerir a solidão doméstica de gerir uma moradia vazia, esgotou até a última gota de suor vital das esgotadas, enfraquecidas e parcas reservas financeiras e de ânimo anímico que Martha teimosamente conservava e administrava em segredo do público. Chegada à admirável mas muito debilitante marca dos oitenta e dois anos de intensa experiência e desgaste contínuo, a sua condição pulmonar outrora resiliente encontrava-se substancialmente degradada, bastante fragilizada de forma irrecuperável e seriamente ameaçada à vida devido a violentas, persistentes e profundas complicações resultantes do enfisema agudo e de agressivas crises graves crónicas. Absolutamente privada do montante vital para conseguir assegurar sequer financeiramente qualquer modalidade contínua, mínima que fosse, de tratamento apropriado com acesso permanente e adequado com acompanhamento, cuidados e tratamentos clínicos a nível privado no domicílio para tentar travar todo o sofrimento crescente dos seus dias difíceis em casa e sem dinheiro e despojada de ajudantes ou recursos, Martha teve de aceitar a amarga e crua realidade material inevitável. Tomou a esmagadora, pesarosa e extremamente dolorosa deliberação pragmática irreversível e decidiu abandonar, sem hesitações de orgulho falso, a cidade das elites. Mudou-se solitária para viver no lar de assistência do governo local e submeter os dias finais num modesto e singelo lar de idosos municipal que acolhia a velhice localizada precisamente num humilde espaço e simples local longe de brilhos na província remota e tranquila zona de Volta Redonda; uma modesta cidade de subúrbio e dormitório de cariz muito humilde, localizada no interior pacato muito distante territorial e sociologicamente quer das muito requintadas, cobiçadas e exclusivas embaixadas imponentes cosmopolitas espalhadas no vibrante e rico Rio de Janeiro, quer bem longe também dos salões reluzentes de festas monumentais e opulentos clubes que outrora ela dominou.
Foi precisamente durante o advento massivo impulsionado de toda a partilha de informações à escala mundial pela era revolucionária imposta pela comunicação imediata da internet no final da segunda década, mais especificamente e sem filtros mediáticos de terceiros a mascarar o estado final das suas parcas posses, utilizando uma modesta página na rede social do Facebook e sem recurso às engrenagens potentes criadas pelos meios de comunicação ou de redações das famosas revistas especializadas ou programas, publicando a sua realidade através do seu próprio relato cru não redigido em direto ou formatado em 2019, que ela surpreendeu o Brasil. Não existiam mais assistentes nem assessores ao dispor e por isso toda a imensidão emocional recaiu sobre si para dar publicamente os passos e comunicar e confirmar em direto aos olhos do grande e boquiaberto público admirado todo o triste, muito inesperado mas sereno e derradeiro fim do seu paradeiro residencial humilde onde acabou asfixiada nos corredores do estado. O choque perante os seguidores foi intenso mas, ao relatar com sinceridade a sua história e toda as intempéries sofridas com os desfalques por traição cometidos pelo vil cunhado que destruiu a nobre integridade familiar unida para fugir para 1995 de todos e sem se lamentar, ela não buscou aplausos piedosos nem exigiu auxílios milagrosos compensatórios para o momento de penúria revelada e extrema que tinha atravessado nos anos calados mas exibiu, uma derradeira vez ao país o olhar e a impressionante grandiosidade espiritual irrevogável na pose verbal de não esconder as vergonhas monetárias porque não lhes pertencia qualquer dolo por esse mal; confirmando finalmente que não se envergonhava mas orgulhava imensamente muito de todo o duro esforço perante cada cêntimo arduamente alcançado perante a necessidade real a pintar solitária no meio de adversidades sem manchar de culpa os filhos nem ofuscar o peso honroso que lhe estava no percurso sem reclamar do sofrimento calado em cada tela.
Mesmo neste último e já fragilizado refúgio sereno tão modesto para a alma amordaçada de tristezas do mundo social esquecido e silenciado no asilo final do esquecimento, o duro infortúnio persistiu sombrio e trágico ao seu lado a caminhar no percurso doloroso e fatal do último troço e não ofereceu espaço ou tempo compassivo sequer nem tão-pouco lhe concedeu as merecidas tréguas vitais compassivas perante toda a tragédia que se aprofundou. Em 2013 o fado preparou o golpe implacável, mais feroz, brutalmente angustiante e verdadeiramente aniquilador, marcando e moldando indescritivelmente perante o peito sufocado da idosa até ao osso e de forma lancinante, marcando a ferro frio em definitivo todo o percurso e sentido de dor extrema sentida de vida que lhe abalou até a derradeira sombra, assombrando-a impiedosamente numa tristeza de sofrimento abismal e silencioso e agudo e aterrador: a absurda, súbita, despropositada e inesperada partida precoce, o adeus eterno doloroso de despedida no velório sem retorno fatídico da sua linda neta, muito amada Fernanda de tão jovens e promissores vinte e quatro breves curtos e plenos anos recém iniciados e vividos de idade. Ela tombou fatalmente fragilizada repentinamente sucumbindo indefesa a trágicas falhas clínicas imprevistas devido às severas consequências graves que se manifestaram agudas subitamente nos pulmões numa impiedosa e letal e perigosa infecção por pneumonia destrutiva em poucas horas letais e quebrou e rasgou impiedosamente toda a existência, toda a vontade intrínseca da idosa no desfecho sem que de forma alguma estivesse minimamente alerta, expectável ou mesmo que as suas longas perdas antigas em desfalques e bens destruídos pudessem ser minimamente equacionadas num campo que doesse sem lhe curar nunca a dilaceração de ver uma parte sua ir; isto confirmou ao seu muito restrito círculo os testemunhos íntimos verdadeiramente partilhados pela antiga estrela nas paredes pálidas e revelaram aos presentes com choque e veracidade extrema dolorosa inquestionável com franqueza das vozes entristecidas dos que mais amavam aquela frágil vida idosa sobrevivente, confirmando tristemente a total evidência que esta nova desgraça fatal abissal lhe devastou, feriu e mortificou emocionalmente a essência na idosa indefesa e estóica de forma tão contundente perante a realidade mortal ao longo do seu fado doloroso, infinitamente, mas infinitamente e vastamente, dolorosamente mais do que até o mais devastador e colossal de entre os escândalos medonhos da sua arruinada falência em toda a monumental derrocada financeira das suas riquezas perdidas para o parente cruel alguma vez em qualquer momento conseguissem ter-lhe dilacerado nas esperanças. Ironicamente foi neste exacto lapso tortuoso lúgubre sem sol em que, perante tamanho buraco emocional, no Brasil a população em ovação na praça do turismo em praias radiantes aplaudia sorridente o reconhecimento à mulher numa homenagem para o país na Calçada da Fama marcando as belas mãos moldadas vivas em aplausos fúteis vazios ao mito eterno intocável no ecrã da ilusão; todavia o público que a venerava desconhecia em massa ou completamente que sob a pele a verdadeira mãe das suas glórias suportava afundada num calado suplício esmagador perante a dor imposta pela precariedade, enquanto mergulhava calada e enterrando as veias despidas a mão para gravar a presença a sorrir na argamassa fria perante fotógrafos para esconder perfeitamente todo e infinito buraco no qual as agruras e os túmulos a aprisionaram sem que as jóias na rua o curassem para que os brasileiros nunca perdessem nos olhos da esperança do tempo o ícone da juventude de que o povo de coração grande tão tristemente alimentava e nunca largava ou perdoaria caso perdesse, suportando até o cair do final e para fechar as grades da desilusão amarga.
Com o agravamento substancial e irreversível do seu debilitado e muito frágil estado de saúde e com o aproximar perigoso do fim implacável perante todos os indícios de fadiga orgânica, Martha mudou-se num esforço amparado pelo seu filho Álvaro finalmente, em paz, rumo e na direcção dos limites tranquilos do município acolhedor local de Niterói, unicamente motivada pelo afeto para conseguir assim ficar essencialmente próxima e resguardada até à última paragem perante o derradeiro carinho vital de junto de estar acompanhada sempre nos finais momentos tristes que se avizinhavam dos seus dedicados herdeiros diretos, filhos próximos num conforto familiar sereno e calmo e num afago familiar caloroso num último aconchego para combater as carências afetivas antigas num porto sem falsos discursos sociais onde sentiu a digna honra de mãe finalmente até ao apagar na última luz. Após todos estes seis conturbados difíceis mas serenos anos passados perto das marés ali, a sua heroica, vasta percorrida estóica longa jornada cheia de espinhos dolorosos na calada luta pelo respirar no percurso terreal abafado pelas marcas físicas chegou ao silêncio definitivo, calmo perante os médicos e sereno ao tão longo fôlego exausto após a dura luta diária perante a enfermidade cruel com bravura no dia quatro incontornável em que amanheceu já do trágico e inesquecível solene momento do sombrio, pacífico de julho, marcando na data amarga a partida fatal da rainha eterna para todos mas liberta de amarras das dores terrenas já livre em 2020 a findar. Aos admiráveis e respeitosos, longos e repletos marcados na face rugosa pelas provas profundas ao atingir incrivelmente os dignos oitenta e sete gloriosos, marcantes cheios e sofridos, mas inteiramente majestosos, preenchidos anos pesados no trilho tortuoso das suas dores o valente muito corajoso cansado e velho imenso e admirável e frágil no limiar pequeno grande e tão castigado e magoado e bom coração exausto idoso que durante a longa travessia do peito lhe tinha estoicamente aturado e corajosamente e de uma valente, inabalável suportado perante o frio da ingratidão sem paragens todas, absolutamente intensas as maiores extremas emoções intensificadas fulminantes vindas de majestosas apoteoses ofuscantes por todo o vasto globo perante grandiosas de deslumbrantes imensas mundiais maravilhosas vitórias gloriosas consagrações, mas em contrapartida imensurável simultaneamente absorvido impiedosamente absorvendo também perdas trágicas irrecuperáveis e abismais quebras e medonhas feridas traições mesquinhas humanas cobardes de parentes e vilanias dissimuladas sem nome nos cofres do ódio financeiro; parou ao fechar dos panos perante a vida no adeus para a eternidade a findar num infarto fatal depois e esgotando a força frágil numa extensa dor em luta perante e lutando numa batalha incansável e crónica no aparelho esgotado por anos perante um esmagador insuportável e asfixiante longo enfisema nos delicados destruídos pulmões perante o qual nada a ciência reverteu no final de todo aquele tempo infindo.
Foi então sepultada eternamente sob as pedras do Cemitério austero sagrado católico fluminense na cidade, no dia subsequente imediato logo perante a notícia serena na despedida e repousa no modesto humilde, sossegado calado silencioso e muito restrito reduzido e muito simples terreno calmo familiar católico do Santíssimo Sacramento, perante o olhar turvo aspergido a lágrimas quentes vertidas da alma de um pequeníssimo e muito devoto íntimo punhado fechado sem imprensa de fiéis verdadeiros membros genuínos próximos consanguíneos do núcleo familiar sobrevivente em dor extrema rodeados amparados pela profunda lealdade de poucos autênticos, reais escassos leais incondicionais e próximos íntimos verdadeiros companheiros de anos sem falsidade do círculo fechado e verdadeiro seu; decorrendo as cerimónias numa simplicidade pungente sem câmaras a iluminar, inserida a urna abençoada num triste modesto singelo reduzidíssimo discreto silenciado pequeno cenário sereno fechado isolado e extremamente pobre humilde familiar reservado privado que absolutamente e rigorosamente de forma nítida inquestionavelmente perante tudo em parte e momento algum recordava ou remotamente, mesmo tenuemente no mais longínquo indício e vagamente no pó se lembrava ou de perto recordava ou sequer se poderia minimamente assemelhar ou comparar ou espelhar às massivas inesquecíveis, imensas caóticas grandiosas febris imparáveis apinhadas avassaladoras eufóricas fanáticas aglomeradas incontroláveis colossais impressionantes e ruidosas delirantes avassaladoras massas intensas infindáveis agitações humanas, formadas por fervorosas ansiosas entusiasmadas gritantes histéricas imensas e apaixonadas avassaladoras colossais densas massivas enchentes que no longínquo saudoso auge glória brilhante esplendor passado brilhante ofuscante dia em multidões um memorável dia no sol na festa, efetivamente sem precedentes verdadeiramente estagnaram bloquearam em histeria nacional invadiram em euforia e completamente obstruíram cortaram imobilizaram totalmente paralela sem passagem o engarrafado lotado transbordante fluxo todo do bulício frenético e todo contínuo fluxo vibrante das ruas largas e imponentes avenidas agitadas colossais cosmopolitas quentes caóticas engarrafadas majestosas e todo vasto congestionado do bulício famoso trânsito nas faixas do centro frenético do famoso pujante vibrante e colossal majestoso gigantesco e outrora festivo Rio de Janeiro, repletas ruidosas frenéticas para numa correria perigosa parar tudo a querer vislumbrar fascinado e extasiados aplaudir sem tempo contemplar idolatrar endeusar suspirar fascinados ao seu imaculado, intocável aceno belo de aceno glorioso angelical sorridente do majestoso desfile triunfante passar acenando imponente a rainha num carro imponente em glória triunfante do esplendor sob delírio nas vias cheias. A imprensa escrita das tiragens, dos blocos televisivos matinais na saudade da perda que teceram rasgados elogiosos imensos com dedicadas póstumas reverências póstumas chorosas muito tocantes cheios encómios emocionados grandiosos lamentos a recordá-la chorosamente sem ver o buraco em lágrimas loas para vender revistas no obituário nas parangonas e saudade poética do imaginário no seu passamento lendo as lendas todas glorificando as páginas recheadas glorificadas enaltecendo a morte sentida na sua passagem das glórias esquecidas evocadas nas redacções reavivadas mantendo chamando nos títulos poéticos recheando reverenciando sem pudor com devoção com nostalgia reverenciando em tributo rasgadas as honras imortais na televisão o cognome nobel ao chamar apelidando referenciando nas parangonas nos rodapés sem saber de a eterna sublime mártir de eterna majestade divina sublime eterna da beleza de rainha nos cognomes apelidando a na glória inquestionável de a deslumbrante incontornável incomparável grandiosa Elizabeth lendária intocável inesquecível Taylor sem igual da nação sem limites brasileira com lamentos; garantindo perpetuando consolidando intocavelmente enaltecendo reavivando selando e conservando de maneira firme, com pompa incontestavelmente salvaguardando fortalecendo a blindagem intocada o dourado brilhante intacto reluzente intocável imortal, imaculado radiante intenso fulgor refulgente perene eterno da inquebrável, mítica e gloriosa inabalável incontornável formidável e venerada inesquecível aura imaculada da lenda cristalizada na mente viva inabalável. No reverso destas falsidades do véu no ecrã e da hipocrisia, sem margem esquecidas e caladas das honras sem que se falasse que na história do sofrimento do pão negado não tem luz em holofotes e ignorado contudo cego perante tudo com a cegueira sem lamento por quem nem a ajudou, a espantosa colossal e verdadeira dura real formidável avassaladora e brutal esmagadora sua dolorosa odisseia, na pesada realidade obscura fria e impressionante o seu verdadeiro, cru, não romantizado legado na escuridão nua com dignidade na sobrevivência transcendente vai vastamente incalculavelmente incomensuravelmente infalivelmente imensamente infinitamente superando na transcendência vai elevando sem limites além mais além na superação, excede ultrapassa suplanta e eleva infinitamente quebra rasga ultrapassa destrói e transcende infinitamente muito longe imensamente ultrapassa largamente toda e toda abismalmente a fútil oca pobre desvalorizada ilusão superficial banal fugaz e tão superficialidade ridícula de lamentada superficial estéril pífia fútil vaidade de minúscula e infame minuciosa das métricas balizadas contagem estúpida irrelevante sem valor escassa ínfima fútil a escassa ínfima e reduzida, lamentável, parca trágica a tão ridícula polémica diminuta irrisória da mísera e desculpável falha mítica inesquecível medíocre e escassa diferença diminuta ínfima imposta inventada pequena mísera justificação fútil sem sentido justificada no absurdo fútil por ridículos escassos, por polémicos mínimos de meros e infames, escassos exíguos injustos impiedosos por ridículos dois pífios polemizados meros pequenos e insignificantes centímetros falsos milimétricos, infames, superficiais amaldiçoados curtos na anca injustiçados curtos injustos polemizados malfadados inventados cruéis centímetros dois polémicos míseros centímetros curtos de anca dois pequenos centimetros da de injusta iníqua diferença ilusória falsa medida imposta pela fita arbitrária impiedosa de medida fria do injustiçado quadril e da cintura amaldiçoados de costureira quadril inventado na derrota americana no júri da perfeição corporal imposta polemizados de malfadado infame tecido da quadril infames do maldito quadril medidos para roubo injustiçados dois de quadril centímetros polémicos injustiçados inventados de centímetros curtos centímetros quadril estéticos de anca amaldiçoada justificação polemizada de quadril, ou destrói excede apaga também em força toda vasta inútil a monumental estonteante colossal imensurável invejável grandiosa milionária oca frívola faustosa riquíssima faustosa estonteante colossal invejável faraónica gigantesca ostentatória vasta gigantesca faraónica grandiosa monumental deslumbrante inesgotável abundante colossal fortuna cobiçada imensa avassaladora riqueza ostentatória cobiçada e cobiçada opulência rica a vasta imensurável luxuosa cobiçada e sumptuosa estonteante monumental e abundante material incalculável abismal oca vazia efêmera passageira e falsa a oca efêmera milionária a vasta riquíssima e faustosa avultada exorbitante impetuosa riqueza financeira usurpada exorbitante inesgotável exuberante abismal cobiçada imensa de ostentatória e monumental esmagadora impiedosamente, tragicamente extorquida enganosamente traiçoeiramente extorquida cruelmente friamente vilmente desonestamente mesquinhamente cobardemente cruelmente traiçoeiramente avassaladora abismal e sumptuosa incalculável oca riqueza que ardilosamente brutalmente sorrateiramente covardemente e subitamente ilicitamente dissimuladamente cruelmente impiedosamente injustamente arrebatada, sumariamente suprimida surripiada saqueada tomada arrancada roubada tirada apropriada cruelmente apossada e subitamente pilhada roubada na confiança cega apossada na mentira levada em traição apossada subitamente pilhada impiedosamente foi que ardilosamente tirada enganosamente esbulhada arrancada usurpada suprimida surripiada sumariamente cruelmente arrebatada roubada que de apossada usurpada da tirada tomada brutalmente pilhada traiçoeiramente esbulhada tirada impiedosamente roubada roubada desonestamente cruelmente arrancada impetuosamente suprimida pilhada arrebatada saqueada usurpada ardilosamente tirada suprimida roubada lhe que que traiçoeiramente que brutalmente da cruelmente foi esbulhada covardemente saqueada covardemente lhe na lhe que lhe foi que desonestamente apossada esbulhada da ilicitamente lhe lhe apossada surripiada roubada na lhe roubada esbulhada pilhada arrancada usurpada lhe lhe traiçoeiramente lhe apossada pilhada foi lhe surripiada arrancada lhe foi arrebatada na lhe lhe que foi que arrebatada esbulhada pilhada surripiada arrebatada usurpada arrancada lhe na usurpação covardemente que arrancada foi lhe foi lhe esbulhada usurpada lhe roubada. Martha Rocha na escuridão provou silenciosamente que a fama pálida e a beleza perante o sol sem fim vazio impiedoso da vida dolorosa não sustentam a força imortal resiliência férrea de um carácter intacto irredutível forte no âmago forte impenetrável à ruína a cair incólume forte, caindo sem deixar ceder imbatível invencível orgulho intocado sem curvar caindo mas na ruína em pé, erguendo erguido, sublime indomável indestrutível sublime orgulho indomável perante um mar avassalador um e no mar da pobreza a resiliência não treme e não falha perante a dignidade inegociável mantida sem medo intacta pura de quem perante tudo, mesmo em pranto calado e miséria do asilo sem que pedisse esmola, suportou tudo para até ao suspirar do final da linha da chama perante a ruína e na cama da dor fatal fria escura derradeira no fim, nunca abdicou para a sociedade caridosa barata de baixar perante a maldade os valores provou perante o tempo e provando não curvar não abdicar caindo com a nobreza suprema irredutível da não quebrar de não se submeter, no abismo de não implorar, provando que perdeu bens palácios perdeu jóias milionárias pedras colares tesouros perdeu cofres contas perdeu dinheiro na mesa da vida injusta perdeu luxos viagens carros perdeu tudo perdeu riquezas fortunas tudo coroas mas até morrer e não se vergar mantendo altiva calada altiva majestática na pobreza digna forte heróica manteve indestrutível sempre perante nós intocável suprema majestática imaculada suprema de pé pura a sua alma a maior da dignidade inegociável intacta suprema no âmago e verdadeira sem fim inquebrável, absoluta pura suprema de alma na honra inquestionável inabalável verdadeira e pura que não quebrou provando sublime a pureza inquestionável digna de uma nobre altiva de uma deusa terrena de da dignidade intocada da honra a e e da da incontestável suprema heroica da inegável inabalável suprema a irredutível mais a honra mais inabalável pura de sempre a dignidade e não a cedeu inabalável a cedeu majestática até irredutível na alma pura no a mais pura e na da da inquebrável no abismo a sua da a da e de de uma dignidade na não perdendo a mais nobre irredutível de pé na dor indestrutível pura sublime indestrutível da honra no abismo da da na intocada na majestática a maior da da na suprema de um caráter inquebrável e da vida altiva indomável inegociável a a dignidade inquestionável inabalável intocável suprema a majestática majestática que no fim a nobre da altiva indomável inabalável suprema a indestrutível altiva inquebrável suprema de na inquestionável suprema intocada inegociável a no altiva intocável inabalável de nobre inquebrável de de pé na suprema na inabalável na dignidade suprema que da da no a inquestionável de altiva na intocada a inabalável no inegociável da no da suprema inquestionável intocável inabalável altiva na da nobre inquebrável no na da dignidade.