O Fim da Velhofobia: Porque é Que Eles São Charmosos e Elas São Desleixadas ao Assumir os Cabelos Brancos?

“Este vídeo é um pedido de desculpas quando eu deixei o meu cabelo ficar branco. Eu sei que frustrei algumas expectativas…” Foi com estas exatas palavras, carregadas de uma ironia subtil e de uma profunda reflexão social, que a consagrada atriz brasileira Glória Pires iniciou uma das discussões mais necessárias e prementes dos nossos tempos. O facto de uma mulher, com uma carreira brilhante e consolidada, sentir a necessidade de pedir desculpa ao público por permitir que o seu corpo siga o curso natural da biologia é, no mínimo, assustador. Revela, de forma cristalina, o quão condicionados estamos a exigir que as mulheres permaneçam eternamente congeladas numa juventude artificial e fabricada. Glória tinha plena consciência de que o público estava habituado a vê-la com os seus longos cabelos castanhos, a imagem clássica e padronizada da beleza feminina que a sociedade convencionou aplaudir. Ao abdicar dessa imagem, a atriz não mudou apenas de visual; ela tocou numa ferida aberta da nossa cultura e espoletou uma onda de libertação. O cabelo branco, especialmente no universo feminino, nunca foi nem será apenas uma mera questão de aparência ou de estética visual. Para muitas mulheres, assumir os fios prateados representa a reivindicação do direito mais básico e fundamental: o de escolher como querem envelhecer, sem ter de pedir licença, sem pedir desculpa e sem tentar encaixar numa caixa de expectativas alheias que as sufoca diariamente e lhes mina a confiança.

A pressão insustentável para esconder os sinais inevitáveis do tempo começa, de forma insidiosa, dentro do próprio círculo familiar, muitas vezes disfarçada de conselho bem-intencionado. A própria família de Glória Pires admitiu que achava demasiado cedo para ela deixar os cabelos embranquecer, argumentando firmemente que a atriz “ainda era jovem”. Mas o que significa realmente ser jovem aos olhos de uma sociedade obcecada com a imagem? Será a juventude ditada pela pigmentação das células que alimentam os fios de cabelo? A resposta da atriz foi perentória e demolidora, desconstruindo dogmas enraizados: ela não concorda de todo com a premissa obsoleta de que o cabelo branco envelhece uma pessoa. Na verdade, o que envelhece de forma brutal e irreversível um indivíduo, o que o torna pesado e cinzento aos olhos do mundo e de si mesmo, é a absoluta falta de jovialidade interior. É a ausência de empolgação no discurso, a escassez de atitude desassombrada, a perda de disposição para abraçar os desafios da vida com garra. Hoje, com os seus cabelos brancos a emoldurar o rosto com uma luz diferente, Glória Pires afirma, com um sorriso de vitória, sentir-se mais bonita do que em qualquer outra fase da sua vida. Curiosamente, e de forma quase irónica, esta aceitação profunda trouxe-lhe uma liberdade acrescida que transcende o cabelo: a diminuição drástica da necessidade de usar maquilhagem ou adereços complexos para se sentir validada perante as câmaras e o público. O cabelo branco não foi o fim de uma era, mas sim um encontro harmonioso e muito aguardado entre a idade cronológica que detém hoje e a idade que, espiritualmente e mentalmente, sempre esteve desenhada na sua cabeça. Foi o sinal definitivo de que a sua maturidade tinha sido abraçada com paixão, sem arrependimentos.

Este fenómeno avassalador de libertação estética teve, para dezenas de milhares de mulheres um pouco por todo o mundo, um catalisador impiedoso e totalmente inesperado: a pandemia. Fechadas nas suas casas, repentinamente privadas de idas regulares aos cabeleireiros, dos maquilhadores profissionais e dos estilistas de serviço, figuras públicas de grande relevo e mulheres no anonimato do seu lar viram-se confrontadas com a sua própria essência crua diante do espelho da casa de banho. No icónico programa televisivo de debate “Saia Justa”, a veterana apresentadora Astrid Fontenelle viveu e partilhou precisamente este processo de desconstrução íntima e pública em simultâneo. Sem os recursos habituais e luxuosos de embelezamento televisivo, ela continuou a trabalhar, passando a apresentar o programa simplesmente com a roupa que tinha à mão no roupeiro, a maquilhagem rudimentar que conseguia improvisar sozinha e o cabelo apanhado num simples rabo de cavalo ou num coque confessadamente mal feito. A cada semana que passava nos ecrãs, a raiz branca foi crescendo, implacável, e assumindo o controlo sobre a antiga tintura. Foi deixando ficar, primeiro por uma questão de pura necessidade logística, depois impulsionada pela curiosidade de se redescobrir e, finalmente, como uma escolha inabalável de identidade. Quando, volvidos cerca de dois meses de crescimento capilar ao natural, uma grande e prestigiada marca internacional de produtos de tintura de cabelo lhe propôs uma choruda e altamente rentável campanha publicitária (uma “publi”) no Instagram para regressar às cores escuras, a resposta de Astrid foi um “não” rotundo, enorme, ainda que extremamente tranquilo. O dinheiro envolvido não iria, nas suas palavras, mudar a sua vida de forma transcendente, mas aceitar voltar a pintar o cabelo anularia de forma trágica a imensa felicidade, a paz de espírito e o conforto identitário que ela tinha finalmente conquistado com a sua nova imagem, limpa de químicos e de preconceitos. Recusar aquela luxuosa proposta de tintura significou muitíssimo mais do que rejeitar um polpudo contrato comercial e publicitário; significou o ato supremo de abraçar integralmente a mulher madura, destemida e real em que se havia lentamente tornado.

Gloria Pires fala sobre o poder do seu cabelo branco: 'Estilosa e chique' -  CARAS Brasil

No entanto, é crucial perceber que esta admirável jornada de aceitação e desconstrução está bem longe de ser um caminho facilitado, linear e desprovido de obstáculos violentos, especialmente numa sociedade que sofre, diagnosticadamente, de uma patologia cultural crónica e devastadora, a qual os especialistas começaram a denominar de velhofobia. Investigadores sociais e psicólogos têm vindo a apontar que, em países profundamente focados na juventude superficial como o Brasil, e de forma generalizada espelhando-se um pouco por todo o mundo ocidental, as mulheres começam a sentir o pânico irracional e paralisante do envelhecimento incrivelmente cedo, muitas vezes até antes de atingirem a marca simbólica dos 30 anos. Atingidas por esta fobia coletiva de perder a sua suposta “validade” estética e atratividade aos olhos do patriarcado, as mulheres fazem verdadeiras loucuras com os seus corpos e mentes. Mutilam-se, submetem-se a incontáveis procedimentos invasivos e dolorosos não por escolha, mas por puro medo; evitam ir à praia para não exibir corpos reais, escondem-se repetidamente debaixo de pesadas e asfixiantes camadas de cosméticos diários e chegam ao ponto de se magoar e flagelar fisicamente e emocionalmente apenas para tentar travar os ponteiros do relógio implacável do tempo e agradar a um mercado que exige a juventude eterna. Existe uma espécie de terror invisível que paira sobre a condição feminina adulta. Contudo, e aqui reside um dos dados mais brilhantes desta questão, intensas pesquisas realizadas ao longo de mais de três décadas revelam um paradoxo humano absolutamente fascinante: quando essas mesmas mulheres, exaustas de lutar contra a biologia, atravessam finalmente a zona de grande turbulência e chegam aos 50 ou 60 anos, relatam de forma esmagadora e entusiasmada que estão, sem qualquer dúvida, a viver a fase mais deliciosa, rica e autêntica de todas as suas vidas. A transição não é o fim de uma linha gloriosa; pelo contrário, assume os contornos de uma verdadeira e profunda libertação pessoal. Relatam com emoção palpável que é a primeira vez em décadas de existência em que sentem, na pele e no coração, que podem ser genuinamente quem são, sem disfarces e sem amarras invisíveis. O peso insuportável das imensas expectativas sociais desvanece-se, dando um merecido e amplo lugar a uma autonomia que a juventude inexperiente, na sua sede desesperada de aprovação externa, raramente ou nunca permite alcançar com esta plenitude e sabor.

Contudo, abraçar sem reservas esta inebriante liberdade exige uma enorme quota de resiliência e coragem, pois esta decisão altera de forma irremediável e palpável a maneira como a mulher passa a ser vista e descodificada pelo mundo predominantemente machista que a rodeia. A perspicaz apresentadora e jornalista Maria Cândida decidiu fazer do seu próprio processo de envelhecimento, antes um tabu, um laboratório aberto de observação social. Ao dar o passo de deixar o seu cabelo ficar totalmente branco, deitando fora os tubos de tinta, ela notou de imediato uma mudança comportamental que, embora previsível, não deixa de ser assustadora. A jornalista relata que, quando ousa entrar num bar, num restaurante ou num qualquer outro espaço público banal, a capa de invisibilidade feminina instala-se sobre si pesadamente. Os mesmos homens que outrora a fitavam e seguiam com o olhar quando exibia madeixas loiras, ignoram-na de forma quase coreografada, desviando a sua atenção. O cabelo branco e grisalho feminino é lido, para a mente formatada da nossa sociedade, como um atestado imediato, irrevogável e impiedoso de velhice. E, infelizmente, a velhice feminina foi vilmente categorizada, sob o ponto de vista cultural e mediático, como algo inerentemente feio, repulsivo, indesejável e rapidamente descartável. No entanto, demonstrando uma força férrea, em vez de se deixar abater por esta constatação social de uma crueldade ímpar, Maria Cândida transformou inteligentemente esta dolorosa experiência numa poderosa bandeira de ativismo e de luta. Como fervorosa porta-voz das mulheres conhecidas como o grupo “50 mais”, o seu propósito claro e inabalável é forçar as mentes da sociedade a olharem diretamente para estas novas mulheres maduras. Ela exige visibilidade para as mulheres que detêm, hoje em dia, uma força inabalável, que transbordam uma energia de vida contagiante, que honram cada uma das marcas da sua própria trajetória humana e que, finalmente, encaram o processo orgânico do envelhecimento de uma forma inteligente, lúcida, e repleta de sabedoria ancestral. Esta, nas suas próprias palavras afiadas, é a verdadeira definição do que deve ser a maturidade: não se trata, em medida alguma, do início de um definhar ou de um declínio anunciado, mas sim de uma oportunidade ímpar para o consolidar do próprio poder feminino na sua forma mais destilada.

O relato impressionante e comovente de todas estas mulheres que tomaram a vanguarda escancara uma diferença abismal e uma hipocrisia tão enraizada que nos cega na forma como julgamos, com dois pesos e duas medidas escandalosamente desiguais, os géneros. Enquanto as mulheres na casa dos cinquenta anos começam, de forma subtil, a ser dolorosamente apagadas das narrativas e da atenção mediática, o cabelo grisalho ostentado nos rostos masculinos não provoca, de todo, o mesmo tipo de julgamento punitivo, excludente e severo. Basta, a título de exemplo indiscutível, observar o comportamento das redes sociais e do público em torno das reações relativas a figuras masculinas proeminentes no meio artístico. Quando o conhecido ator brasileiro Reynaldo Gianecchini exibe a sua cabeleira densa pejada de brancos, ou quando altera radicalmente o seu deslumbrante visual para abraçar por completo os fios prateados num qualquer desafio de dramaturgia, o sonoro aplauso é geral, generalizado e unânime. A sociedade global não os julga com qualquer vestígio de crueldade e de depreciação. Se um homem maduro e estabelecido decide atirar os frascos de tintura para o lixo ou simplesmente não ter de esconder a idade sob químicos coloridos, assumindo os fios brancos que a biologia lhe entrega, ele é, com incrível rapidez e leveza, coroado com adjetivos repletos de condescendência lisonjeira. Passa a ser classificado pelo olhar alheio, com uma admiração que roça a adoração, como inegavelmente “charmoso”, é frequentemente carimbado com expressões apaixonadas como ser “um grande gato”, adquirindo subitamente toda uma invejável aura densa de profunda experiência, de sedução misteriosa e, mais importante ainda, de inabalável poder. A brancura intocada no cabelo de um homem é culturalmente glorificada; tornou-se o equivalente estético ao invejável e respeitado selo de suprema qualidade garantido por um caríssimo bom vinho envelhecido. Porém, quando focamos as exatas mesmas objetivas nas mulheres, as palavras escolhidas pelos tribunais populares das opiniões são invariavelmente cruéis, pesadas, implacáveis e repletas de toxicidade: ela é reduzida, sem contemplações, a “velha”, “desleixada”, ou “abandonada”, como se o facto de ter o cabelo branco revelasse uma triste desistência de si mesma e do seu papel como ser humano válido na sociedade. É espantoso verificar que o mesmo e irrepreensível processo biológico e imutável, ocorrendo com exata precisão dentro das rigorosamente mesmas células de queratina, seja classificado, de forma totalmente arbitrária, através de perspetivas culturais, éticas e morais completamente e radicalmente distintas, ancorando-se somente e de forma exclusiva numa arcaica, absurda e desigual perceção imposta, avaliada e baseada somente numa estrita questão do sexo da pessoa alvo.

Esta gritante dualidade de critérios estéticos consagra-se, portanto, como a prova viva, dolorosa e pulsante de que o verdadeiro centro de gravidade de todo este complexo problema emerge, se fortalece e perpetua ferozmente no exato e fatal momento histórico e pessoal em que, coletivamente ou de forma singular, permitimos voluntária e inconscientemente que o constante, invisível, mas pesado, olhar crítico, redutor e brutalmente preconceituoso dos inúmeros desconhecidos da sociedade, e não de nós mesmos, comece lenta e sub-repticiamente a ter o enorme poder e o insólito direito exclusivo de escolher e decidir qual é a melhor e mais correta forma como qualquer mulher deve ditar e delinear a coreografia natural da etapa do seu processo irrevogável de envelhecer. Subitamente, o grandioso e tantas vezes manipulado conceito do empoderamento puro – que hoje se encontra amiúde, de tanto ser atirado em slogans vazios de profundo e real e prático sentido comercial – reencontra a sua gloriosa e revolucionária base inicial através deste contexto; e é nele que finalmente regressa e adquire de novo o seu formidável alicerce, redefinindo-se sob e perante a sua exata e autêntica raiz, qual seja a de que o verdadeiro, pleno, corajoso, revolucionário e cru empoderamento da psique feminina repousa e consiste única e essencialmente em algo simples mas hercúleo de manter no longo prazo: assumir plenamente as próprias rédeas das suas decisões e de não continuar refém ou passivamente dependente de qualquer nível ou forma rasteira da busca por efêmera e flutuante aprovação, submissão ou aceitação contínua emanada pelos terceiros do nosso círculo alheio. No seu cerne, trata-se inequivocamente e tão somente de fazer a ousada puxada deste intransmissível bastião de poder para dentro do controlo firme dos seus próprios braços e corajosamente encetar, abraçar e começar, sem medos, a viver audazmente a imensidão complexa dos seus dias seguindo e sendo guiada pelas exatas e concretas rotas de vida que, na mais nua e íntima escuridão das suas próprias paredes da alma, e não nas praças e palcos expostos a plateias das vaidades, a consigam mergulhar e submergir de forma efetiva dentro e através daquilo que confere uma tremenda, simples e imperturbável corrente vibratória e imutável de paz interior, de propósito, e mais incrivelmente: da sua imaculada felicidade individual, inquestionável e genuinamente sentida. É o resgatar soberano deste estado sublime e da tranquilidade serena; quer afinal tudo isso implique, sem dramas, na escolha pessoal e assumida com paz interior de mergulhar a cabeça com profunda alergria a cada vinte e um dias seguidos sob tinas saturadas da cor retinta da mais vibrante tintura e dos mais pesados cosméticos no conforto do salão, quer em vez e diametralmente se revele pela adoção de aceitar, descer e caminhar sem freios perante os olhos perplexos da multidão portando a nu e no orgulho do vento no arame cada um dos plenos e finos fios na integridade crua do cinza profundo e das estrias do alvo e puríssimo prateado que a abençoaram do tempo; ou de forma transversal e análoga nos outros pesos corporais do ser através do contínuo direito natural inato a toda e cada pessoa, incondicional e liberto do julgamento que pesa, de ver pacificamente as suaves e belas formas da pele, independentes quer isso signifique simplesmente no percurso e jornada física aceitar pacatamente engordar perante as pressões do exterior ou alternativamente escolher voluntariamente e conscientemente dedicar os suores diários a perder massa adiposa para si mesma e somente perante a si! Com efeito inabalável a verdadeira e tangível, e não raras vezes espantosa, sensação que a tão aclamada e absoluta liberdade total infunde não consiste afinal e somente numa postura defensiva; consiste sim no assumir do seu ser e do orgulho pleno na vida diária de estar confortavelmente, destemidamente, segura, firme e intensamente bem sendo do exacto jeito íntimo, físico e único em que organicamente já é; sem jamais passar e consumir dias na desesperante estagnação emocional ou no ficar refém, em perpétuo pânico latente, estacionada indefinida e paralisada numa invisível e esgotante sufocante e limitadora angústia diária e opressiva que é esta sombria prisão aberta social de uma angustiante, fria e escura e ansiosa sala imensa metafórica que seria ficar de pé a de esperar interminavelmente e constantemente suplicar a vez ao balcão cimentado para que, um dia ou num fútil instante utópico ao sol, toda a enorme massa da imaculada vasta, inatingível, dura sociedade civil de pares se vire na luz dourada da aceitação cívica da conduta humana, te aprove e compreenda em consenso a validez da pureza soberana de cada minúscula destas decisões; validando as estéticas tuas ou absolva e aplauda as tuas naturais e ínfimas escolhas; vivas tu na euforia enérgica e radiante nas margens felizes de quem sopra ainda num mar das candeias tenras velas coloridas de trinta tenros anos joviais no bolo branco; quer tragas em si esculpido, ao espelho frontal na sabedoria da experiência dos profundos setenta longos majestosos dourados e sábios anos. Afinal: a triste dependência perniciosa e invisível gerada neste laço insalubre assente nas miragens e de alimentar no constante ansiar diário e ininterrupto por alcançar a aprovação e do mendigar pelo sonante ruído constante, validante e estéril dos sorrisos hipócritas de conveniência do fugaz e incerto aplauso frio, ditado por ecrãs plásticos num contexto externo inóspito — nada mais é, nas palavras da psique coletiva, e com clarividência cirúrgica do que: a espessa armadura cimentada sobre a fria grade férrea do exílio de toda a enorme jaula silenciosa que encarcera lentamente no anonimato opaco os abismos grandiosos da integridade do vasto, radiante, sonhador do ser do imortal espírito feminino na terra!

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É imperativo, e da máxima urgência para sanar as fraturas que se abrem neste complexo diálogo íntimo de consciências, contudo, debater, decifrar e apreender com o maior grau de nitidez possível de que a grandiosidade e a pureza de ação desta genuína e verdadeira profunda onda e ímpeto imenso na procura e resgate do sopro de tão aclamada imaculada e autêntica da real plenitude desta libertação psicológica jamais poderá ou sequer deve constituir-se nos novos alicerces tirânicos numa sociedade livre, por forma a significar no plano cívico que esta mesma onda, seja vista ao ser deturpada nos factos como simplesmente o sombrio e vão ardil ardiloso sociológico; qual seja de no seu final acabar apenas por deitar por terra e de vez em ruínas ou tentar, mascarar, apagar ou meramente apenas proceder à cruel tarefa inútil que é e a errática falácia de se vir unicamente a querer tão meramente substituir ou permutar por decreto num passe cego um peso morto ancestral; destrocando assim todo o jugo histórico da antiga sufocante opressiva rotina que compõe de facto e forma de antiga corajosa submissão inútil castradora que as impedia, e na verdade por nada mais de novo do que a tentar impor novamente às duras penas com força social todo e o igual pendor cruel ditatorial implacável através da opressão, de vir agora a exigir à pressa que de joelhos aceitem caladas as grilhetas e obrigações forçadas ditadas doutra, de uma diferente mas nova, também e outrora esgotante tirania sufocante por imposição moderna de opressão na aparência, ainda que e agora sim fantasiada desta aparente face de rebeldia livre mas apenas doutra imponente farsa com uma pesada, cruel castradora opressiva e inquestionável doutrina rígida; sob as ameaças da culpa, de uma diferente, fria conduta de pressão moral; a obrigação ou nova grilheta pesada amordaçando! E é aqui sob estes preceitos absolutos, que emerge a lei máxima e incontestável e que afirma categoricamente com uma clareza diamantina, irredutível e assente da razão, a premissa base indiscutível que repete até à exaustão que em absoluto, não e pura, nenhuma ser que nasceu nas vestes de forte corajosa guerreira mulher na face das urbes deste conturbado e errático palco terrestre, não, em instância nenhuma na lei e da liberdade moral, deverá vir hoje no tempo presente a ser jamais e em qualquer instante constrangida por dogmas infundados novos que lhe gritam nas faces pela pressão das massas que de repente, sob o manto ou em nome infundado de dever ao feminismo falso de capa e por culpa forçada perante a imposição da narrativa do dever moral ativista do momento se tenha obrigatoriamente num sufoco angustiante perante os coletivos ativistas da época nova na sociedade, de se achar num abismo iminente, obrigação imposta e irreal de se impor que, agora e por decreto do brio ativista e do pendor coletivo do almejado título moderno do progresso das teses emancipatórias urgentes ou, e sob a pesada redoma asfixiante do medo ao ser apelidada de traidora da sororidade e do orgulho, do feminismo livre e ter do pânico e terror à culpa para então se obrigar a vir ser e sentir-se subjugada; emparedada na fria e forçosa e imperiosa e esmagadora pesada fria na dura nova e castradora lei ou impiedosa urgência de imposição no falso título estético radical ditada e inabalável que exiga implacável ter de deitar num súbito gesto extremo no lixo de vez e imediatamente toda a arte dos cuidados e verter nos esgotos todos e sem exceção com remorsos da beleza a impiedosa e drástica obrigação moral imposta de passar e por obrigação alheia ao dever em absoluto a e de forçosamente encarnar radicalmente agora os novos brancos! A assumir e ter em público, os densos tufos, crinas longas ou os recortes imponentes dos fartos prateados longos gloriosos nos fios dos puros cabelos platinados! Somente apenas pelo ínfimo fútil falso vazio e efémero motivo ou necessidade e de se mostrar o feito pelo inútil oco capricho no qual a mesma se venha ver e obrigada apenas e de ter perante os tribunais que aplaudem o pendor ou do palco do juízo inclemente no exterior na ânsia ao pânico na pressão ativista; de tentar provar unicamente e perante cada pilar opaco implacável juízo do intransigente exigente olho gélido de todo o vasto pavoroso cego tribunal impessoal no esmagador duro e oco implacável exterior, que no mundo do crivo hostil das imensas massas virtuais anónimas opressoras para somente então demonstrar em nome num feito de vaidade e poder provar cabalmente, em dor, aos cegos júris invisíveis, perante todo ao resto deste enorme frio indiferente imenso ríspido ou ao mundo cínico de outrem ao seu lado no universo hostil cego em redor; gritar ou justificar a prova falsa perante um e apenas cego e apático do que do universo exterior global em si que por sua vez, aceita passivamente orgulhosamente com as mãos num pranto num fútil gesto radical apressado todo e cada e impiedoso sinal frio natural o passar contínuo inevitável sem remorso mas doloroso por imposição social forçada e submissa do inabalável pendor cego peso real de ter de gritar ao vento perante os demais passantes apáticos de ser apenas prova fútil real orgulhosa em dor, imposta submissamente nos altares impessoais das efémeras revoluções ou grilhetas morais impiedosas e exigentes impostas às almas alheias mas inóspitas, em submissão às regras radicais ativistas cegas ditas novas ditames radicais impostos de vaidade ativista social oca moderna que dizimou com o fútil gesto, de aceitar dolorosamente num berro a imposta dita dor de tentar provar perante a crua face dos restantes anónimos nas exigências, na imposta aprovação alheia, todo o e absoluto na imposição social forçada de o facto brutal falso para ter perante eles, na tentativa insana sem e apenas de aceita apenas perante aprovação falsa cega perante a multidão anónima o facto fútil ditatorial em que prova provar perante a submissão aos apáticos olhos da dor de apenas provar forçosa irreal que apenas prova provar e aos alheios a inóspita prova cega provar no vazio, e ter apenas e de gritar provar à oposição anónima a dor cega fútil sem, na falsa prova em tentar de que do e a idade. A escolha deve ser, portanto, e acima de tudo, íntima e soberana.

Para abraçar esta soberania perante a ditadura da eterna juventude, algumas mulheres optam pela arma mais letal contra a repressão social: a postura destemida da “velha sem vergonha”. Através de um bom humor desarmante e de uma ironia brilhante, sem necessitar de ódio ou agressividade, provam que o avanço cronológico não lhes retira a vitalidade, mas sim o pudor castrador. Ao abraçarem as suas idades, os seus rostos e os seus cabelos prateados com gargalhadas contagiantes, desconstroem as fundações frágeis do machismo etário. Mostram que as mulheres com mais de cinquenta, sessenta ou oitenta anos estão, mais do que vivas, incrivelmente lúcidas e plenas. Considerando a esperança média de vida atual, que empurra as perspetivas biológicas para a barreira secular dos cem anos, o envelhecimento constitui, estatisticamente, a mais longa, vasta e profunda etapa de todas as fases temporais que um ser humano terá jamais a sagrada e escassa e valiosa e maravilhosa sublime e esplêndida sorte, ventura, bênção e o soberano e honrado orgulho de trilhar e de respirar o puro ar livre e poder atravessar, percorrer e intensamente viver no mundo, neste palco longo, e e e no sol, no ecrã maravilhoso intenso longo longo e no palco da nossa única e e abençoada divina dádiva natural grandiosa terrena que é vida terrena. Assim, e perante este enorme horizonte e esta esplêndida certeza factual irrevogável iminente, é a todos os títulos dolorosamente evidente que continuar a desperdiçar tempo fútil a alimentar um pavor contínuo ou o ter e a sofrer a manter artificialmente de cultivar ainda do cultivo cego inútil a semente doentia do peso esmagador ditatorial escuro impiedoso pânico irracional e a vergonha imensa cega do processo inevitável dolorosa e ao envelhecimento contínuo irrevogável natural contínuo, acaba na sua mais crua essência por e não passar num desperdício apenas doloroso ao ser por assumir de se revelar simplesmente numa falácia triste de luxo perfeitamente, doloroso fútil e escuro inútil desperdício em vão cego absurdo e, não por se revelar de se não ser apenas do desbaratar e de assumir o seu triste preço não mas e de se provar, doloroso na fútil trágica inútil, absurdo sem e é um inútil.

No final das contas, e decantando todas estas perspetivas avassaladoras num corajoso manifesto humano, a decisão aparentemente singela e privada de qualquer mulher em abraçar e assumir, com a força de um furacão pacífico, a brancura crua e intocada dos seus próprios cabelos brancos, eleva-se muito além, transcende, ultrapassa, galga e pulveriza em muito por força da sua luz própria as efémeras, vazias e transparentes miragens fúteis do estrito domínio cego oco sem sentido vão oco fútil ou superficial espectro frágil cego vazio redutor da pálida estreita mera da volátil mera estreita caprichosa e frágil volátil fútil vão fútil ilusão vaidade mundana vaidade estética vaidade. Representa sim a coragem monumental de não se encolher no escuro e silêncio. Para mulheres como Glória Pires, Astrid Fontenelle e Maria Cândida, que abriram trilhos espinhosos, o simples ato biológico de não pintar um cabelo transformou-se num farol poderoso de autenticidade, iluminando o longo caminho de milhares de anónimas perdidas no medo. Os fios grisalhos não são atestados tristes do fim, mas sim mapas dourados e brilhantes da imensa força conquistada. Libertar-se da velhofobia não é apenas sobre quebrar regras arcaicas, é, na sua essência imaculada e pura, o maior ato de amor-próprio de que a nossa sociedade necessita para evoluir.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

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