Por Trás da Magia: O Destino Chocante, os Segredos Ocultos e a Ressurreição da Verdadeira Casa do Sítio do Picapau Amarelo

Quantos anos tinha quando o universo do Sítio do Picapau Amarelo invadiu o ecrã da sua televisão pela primeira vez? Para milhões de pessoas, esta não é apenas uma pergunta trivial sobre datas, mas um convite a uma viagem profundamente nostálgica a uma época onde a inocência dominava as tardes. São aqueles pequenos fragmentos de memória imaculada que permanecem agarrados a nós para o resto da vida. Todos os dias, àquela hora certa e inalterável, as crianças largavam os cadernos da escola, os brinquedos e as brincadeiras de rua para se colarem religiosamente em frente ao televisor. Era um autêntico ritual mágico. E se havia um sonho transversal a toda essa geração, era o de poder, um dia, atravessar aquele vidro do ecrã e entrar fisicamente naquela casa encantada. O desejo incontrolável de caçar o esquivo Saci nos bosques húmidos com o corajoso Pedrinho, de saborear um dos famosos bolinhos da Tia Nastácia acabadinhos de sair do forno a lenha, de se sentar na varanda serena a ouvir as histórias sábias da Dona Benta, ou de simplesmente trepar à enorme jabuticabeira na companhia da sonhadora Narizinho.

No entanto, há um detalhe extraordinário que a esmagadora maioria do público desconhecia em absoluto na altura: aquela casa mágica, o epicentro de todas as aventuras deslumbrantes, existia de facto no mundo real. Não era uma ilusão de ótica, não era um cenário de estúdio frágil feito de contraplacado barato e esferovite, nem tão-pouco uma pintura de fundo habilmente colocada para enganar as câmaras. Era uma moradia de tijolo, cimento e taipa, erguida com fundações firmes no final de uma estrada isolada no Rio de Janeiro. Contudo, o tempo provou ser um mestre implacável. Com a mesma facilidade com que cria mitos e lendas, também apaga histórias, derruba paredes grossas e consome impiedosamente tudo o que outrora foi esplendoroso. A casa que encantou um país inteiro ficou para trás, relegada ao esquecimento e engolida pelas sombras do abandono. Mas como estará ela hoje? E, de forma ainda mais intrigante e surpreendente, o que foi feito dos atores que emprestaram corpo e voz a essas personagens imortais? Prepare-se para uma viagem profunda e, por vezes, perturbadora aos bastidores da televisão, onde a magia se mistura inexoravelmente com o drama humano, tragédias inimagináveis e segredos muito bem guardados.

Para compreendermos a verdadeira magnitude deste fenómeno televisivo, temos de recuar muito antes de os televisores a cores dominarem as salas de estar das famílias. A génese do Sítio do Picapau Amarelo não ocorreu sob a luz ofuscante de um estúdio de gravação, mas sim em torno de uma mesa de xadrez, num longínquo ano de 1920. Conta a lenda literária que o brilhante escritor Monteiro Lobato escutou uma história peculiar durante uma partida amigável: a de um peixe que ficara tanto tempo fora de água que, por capricho do destino, se esqueceu de como nadar e acabou por morrer. Era exatamente o tipo de conversa casual de café que a esmagadora maioria das pessoas esqueceria no minuto seguinte, mas o cérebro criativo de Lobato não funcionava dessa forma linear. Ele levou aquela ideia absurda para casa, maturou-a na sua mente inquieta e começou a escrever. Desse pequeno devaneio nasceu a história fantástica de uma menina num reino subaquático mágico, retratada num modesto livro de apenas 43 páginas. O sucesso perante o público foi de tal ordem que, no ano seguinte, o autor expandiu a obra de forma categórica para 181 páginas.

Entre a transição da década de 1920 e os difíceis anos 1940, Monteiro Lobato concebeu uns impressionantes 34 livros, construindo um universo literário gigantesco e sem precedentes na literatura infantil. Como detalhe deliciosamente curioso, Emília, a famosa boneca de trapos idolatrada por nunca se calar e ter sempre uma resposta impertinente na ponta da língua, era originalmente muda na obra inicial. Ela apenas ganhou o precioso dom da palavra porque o autor necessitava de diálogos adicionais urgentes para preencher as páginas das suas histórias seguintes. Porém, embora o sucesso literário fosse perfeitamente inegável, a verdadeira explosão cultural pop surgiu exclusivamente através do fenómeno da televisão. A primeira adaptação audaz ocorreu em 1952, na extinta e pioneira TV Tupi. Num tempo embrionário em que a tecnologia de gravação em videotape ainda era uma miragem longínqua no Brasil, todos os cerca de 300 episódios transmitidos até 1963 foram feitos rigorosamente em direto, como se de uma arriscada peça de teatro se tratasse, sem margem para falhas. O nível de surrealismo do meio televisivo da época era tanto que, sem intervalos comerciais pré-gravados, as próprias personagens interrompiam subitamente a ação a meio de uma cena dramática ou cómica para anunciar o pão fresco da padaria local que patrocinava o dispendioso programa.

Foi, contudo, a versão que se enraizou definitivamente na memória afetiva coletiva (e que foi massivamente exportada para o mundo inteiro) que chegou aos ecrãs em 1977, pela mão experiente da Rede Globo. Com um forte investimento financeiro, a direção meticulosa de Geraldo Casé — frequentemente considerado o venerado “pai” televisivo do formato — e uma banda sonora inesquecível a cargo do lendário músico Gilberto Gil, o programa transformou-se num fenómeno sociológico avassalador. Entre 1977 e 1986, produziram-se mais de 1500 episódios diários. Se tivermos a audácia de somar todas as adaptações e versões criadas ao longo de mais de meio século, o número surreal de episódios ultrapassa facilmente a fasquia dos 3100, um volume de produção muito superior a qualquer telenovela moderna. O formato televisivo cruzou oceanos com uma facilidade tremenda, sendo exibido em Portugal, Espanha, Angola, Timor-Leste, Indonésia e Filipinas, tendo sido até elogiado publicamente pela UNESCO como um dos melhores e mais pedagógicos programas infantis produzidos à escala global.

Retornemos, então, ao grande e fascinante segredo geográfico: a idílica casa da Dona Benta não era uma fraude arquitetónica. A poderosa emissora optou inteligentemente por não seguir o caminho mais fácil das paredes falsas num estúdio climatizado no centro da cidade. Em vez disso, deslocaram dezenas de técnicos e equipas para a Estrada Roberto Burle Marx, em Barra de Guaratiba, na exuberante Zona Oeste do Rio de Janeiro. Construíram, a partir do zero, uma autêntica casa de campo viva, dotada de uma varanda rústica acolhedora, uma horta real e um pomar florescente com frutos genuínos. Aquele poço encantador de onde a enérgica Tia Nastácia retirava pesados baldes de água podia ser uma obra cenográfica ilusória (hoje resta apenas uma marca no chão argiloso), mas a icónica e bela fonte do jardim era totalmente real. Ainda nos dias de hoje, quatro décadas depois, a água continua a correr por ela, imaculada e intacta, com peixes reais a nadarem no seu interior. O nível de planeamento e imersão espacial era absolutamente formidável. O “Arraial dos Tucanos”, a pitoresca e movimentada vila para onde as personagens viajavam demoradamente de charrete, ficava, afinal, mesmo ao lado, num terreno vizinho colado à propriedade principal. Até as complexas cenas épicas com os temíveis piratas ou com o agressivo Minotauro, que exigiam obrigatoriamente mar e areia, eram filmadas nas deslumbrantes e paradisíacas praias ali muito perto, na zona de Grumari. Era um mundo criativo perfeitamente vivo, respirável e fisicamente tangível para os atores.

Contudo, no nefasto ano de 1986, quando as pesadas câmaras se desligaram pela derradeira vez e a equipa técnica desmontou os holofotes, a magia dissipou-se de forma brutal. O mítico Sítio foi impiedosamente deixado à mercê dos elementos naturais. O mato cresceu desenfreadamente numa autêntica selva, engolindo por completo os trilhos de terra outrora percorridos por Pedrinho e Narizinho. As imponentes paredes de taipa da casa começaram inevitavelmente a ceder e a apodrecer com a humidade implacável. Mas pior do que a impetuosa força da natureza foram os vândalos urbanos. Pessoas invadiram a propriedade, pilharam o espaço, arrancaram os tacos do piso, partiram as janelas, grafitaram as paredes nostálgicas e destruíram memórias inestimáveis da cultura pop brasileira. Durante um longo e penoso período de mais de vinte anos, o local pareceu estar inexoravelmente condenado à extinção. A tão aguardada salvação chegou apenas no recente ano de 2021, quando uma apaixonada fã chamada Marlete Galdino reuniu esforços e adquiriu a vasta propriedade em ruínas. Apoiada ferozmente por um batalhão inesgotável de fãs nostálgicos, iniciou uma meticulosa, dispendiosa e comovente ressurreição da propriedade. Reergueram o sagrado espaço tijolo a tijolo. A dedicação foi de tal ordem que, quando não encontravam nas lojas de antiguidades os azulejos originais dos anos 70 para forrar a cozinha de Tia Nastácia, mandavam imprimir adesivos rigorosamente idênticos para colar por cima, assegurando a perfeição visual. Fãs devotos de todos os cantos do país doaram rádios vintage, móveis de época, telefones antigos e réplicas exatas de objetos cenográficos outrora marcantes. Hoje, após todo esse trabalho árduo, o sagrado lugar está abertamente acessível a visitas públicas. Qualquer adulto contemporâneo pode atravessar aquela porta, entrar na acolhedora sala da Dona Benta ou sentar-se na mesa para tomar um autêntico pequeno-almoço repleto de bolinhos, resgatando fisicamente um pedaço puro da sua longínqua infância.

Mas, se a estrutura física da casa guardava o mistério oculto da sua localização recôndita, os venerados atores escondiam segredos bem mais profundos e sombrios, alguns meticulosamente mascarados pela ilusão televisiva durante mais de três longas décadas. Pense intensamente na figura do Saci. A criatura mítica basilar do folclore brasileiro, o rapaz negro reguila de uma perna só, com o seu inconfundível gorro vermelho na cabeça e um velho cachimbo na boca, que vivia eternamente a pregar partidas. Ele aparecia misteriosamente do nada, pulando freneticamente no meio dos remoinhos de vento, enquanto aterrorizava e fascinava milhões de crianças num ecrã a cores. O rosto sorridente que todos os brasileiros reconheciam pertencia, de facto, a Romeu Evaristo, um talentosíssimo e expressivo ator carioca. No entanto, havia um substancial “problema” logístico que a audiência ignorava por completo: Romeu possuía as duas pernas totalmente intactas e funcionais.

Então, como se podiam explicar racionalmente aqueles impressionantes planos abertos em que o Saci surgia ágil, lá muito ao longe, a saltar vigorosamente num pé só, com uma fluidez, autenticidade e equilíbrio perfeitamente impossíveis de replicar apenas através do truque barato de amarrar uma das pernas para trás com uma corda? Foi precisamente aqui que a magia (e o segredo mais bem trancado da televisão) atuou na perfeição. O Saci de corpo inteiro, gravado nos planos largos de ação frenética, não era o ator Romeu Evaristo, mas sim um espetacular duplo profissional chamado Francisco Paz. Francisco não necessitava de complexos truques de câmara e muito menos da ausência de efeitos visuais digitais (que nem existiam na altura); ele tinha, de facto e na mais dura realidade, apenas uma perna. Aos curtos e tenros nove anos de idade, num terrível atropelamento por um autocarro a alta velocidade nas movimentadas ruas de Salvador, Francisco havia perdido tragicamente e de forma irreversível um dos membros inferiores. Foi precisamente este homem invisível e mutilado pela vida quem conferiu a alma motora fulcral à mitológica personagem. Todo um país viu-o saltar vertiginosamente durante dezenas de anos, profundamente hipnotizado pela sua notável destreza e agilidade física, mas absolutamente nunca ninguém viu o seu verdadeiro rosto sorrir no ecrã. A poderosa emissora manteve o seu disfarce blindado. Ele permaneceu implacavelmente oculto sob o capuz impenetrável do anonimato, sendo o pilar estrutural invisível de um tremendo e estrondoso sucesso televisivo. Hoje em dia, a léguas de distância dos glamorosos estúdios do Rio de Janeiro e totalmente alienado das lendas folclóricas do ecrã, Francisco é um modesto cidadão comum que trabalha arduamente nos corredores de um hospital na cidade de Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul. Carrega, porém, consigo, no silêncio dos seus dias rotineiros, o orgulho inquebrável de ter sido o autêntico e literal “verdadeiro” Saci de uma nação. Por seu lado, o ator Romeu Evaristo, livre das grilhetas que muitas vezes amarram os atores a um único papel da infância, continuou uma brilhante e sólida carreira na televisão e no universo exigente da comédia, passando de forma excecional o testemunho artístico à sua filha de sangue, a hoje famosíssima e aplaudida atriz Dandara Mariana.

O impacto brutal e muitas vezes corrosivo da fama vertiginosa, muito especialmente quando ela bate à porta numa tenra juventude, moldou de forma dramaticamente díspar os destinos das principais crianças do prestigiado Sítio. Júlio César, o carismático e afável primeiro ator a encarnar com mestria o papel do corajoso protagonista Pedrinho, foi o indiscutível herói juvenil de toda uma imensa geração dos anos 70. Detinha, com a sua fisicalidade e talento, o país inteiro aos seus delicados pés de criança. No entanto, em vez de se deixar cegar irremediavelmente pelo brilho intenso e alucinante dos ofuscantes holofotes e pelas promessas de riqueza imediata, tomou uma decisão estupefaciente e raríssima num mundo de egos inflados. Rapidamente percebeu que o sufocante assédio nas ruas, a constante perda do direito fundamental à privacidade e a sufocante pressão mediática permanente não constituíam, em absoluto, o rumo de vida pacífica que intimamente ambicionava. Voltou as costas ao fulgurante estrelato de forma drástica, fria e definitiva, abandonando uma indústria sedenta do seu talento. Hoje, um sereno homem de 61 anos, vive de forma perfeitamente isolada e anónima, repudiando educadamente mas com firmeza qualquer entrevista de imprensa, homenagens ou participações mediáticas em programas televisivos de nostalgia. Escolheu a paz, o denso silêncio e o sossego total, num mundo contemporâneo e ruidoso onde milhares sacrificariam desavergonhadamente a própria honra por um fugaz e patético efémero minuto de fama viral.

Num percurso em absoluta contramão, Rosana Garcia, a inolvidável e sorridente Narizinho da primogénita fase global — que havia começado a representar arduamente em televisão com apenas uns tenros cinco aninhos de idade —, manteve-se obstinada e inabalável dentro da complexa indústria audiovisual. Porém, executou uma manobra profissional de mestre ao orquestrar uma transição de carreira monumental e silenciosa. Percebendo de forma muito perspicaz a terrível efemeridade, o perigo dos estereótipos cruéis e a fragilidade que governam impiedosamente a carreira de um ator exposto em frente às câmaras principais, reinventou a sua vocação mergulhando a fundo no trabalho árduo dos bastidores. Progressivamente, desvaneceu-se dos ecrãs para se tornar numa altamente respeitada preparadora de elenco e afiada diretora técnica, assumindo hoje a nobre e complexa responsabilidade de ajudar a esculpir e a moldar emocionalmente novas gerações de proeminentes atores em luxuosas superproduções e épicas tramas, como foi o mediático caso da superprodução televisiva “Reis”, gravada com pompa em 2023. A icónica e irrequieta “neta” adotiva de Dona Benta da grandiosa ficção é hoje, orgulhosamente, aos plenos 60 anos, uma babada avó real de quatro bonitos netos na vida real, que passa agora todos os seus ensinamentos valiosos, lapidando as estrelas luminosas que tentarão brilhar no amanhã.

As duas atrizes distintas que deram voz ativa e vivacidade física à carismática, conflituosa e profundamente irreverente boneca literária Emília, assumiram inevitavelmente percursos de vida e decisões existenciais igualmente opostas e absolutamente fascinantes sob a lupa da psicologia. Renny de Oliveira, aclamada pelo grande público como a inesquecível e marcante primeira Emília do ecrã global (1978 a 1982), constituía o nervo central e o suporte cómico vital do programa infantil. O seu gigantesco talento histriónico era universalmente reconhecido e indiscutível pelas massas, mas a formidável lucidez mental e o medo de ficar estagnada fizeram-na soar atempadamente o alarme. Com extrema perspicácia, ela descortinou uma aterradora armadilha conceptual a formar-se no horizonte próximo da sua carreira: arriscava-se a ficar brutal e eternamente rotulada, até ao dia da sua morte, não como uma versátil atriz adulta, mas antes como a eterna e caricata boneca travessa de pano de uma série para meninos de palmo e meio. Movida por um forte e incontestável impulso de libertação identitária e num impetuoso ato de colossal e rebelde afronta contra o puritanismo castrador e a opressiva tipificação do mundo do espetáculo, abandonou impiedosamente a glória e a luxuosa televisão nacional precisamente no auge inatingível do seu sucesso colossal. Como golpe mediático de mestre, posou nua para as páginas centrais da famosa revista Playboy em 1984, na tentativa desesperada e arrojada de desconstruir drasticamente a sua infantilizada imagem de pano perante os chocados espetadores adultos e conservadores e, logo de seguida, num gesto supremo de autoexílio pessoal, empacotou a vida inteira e mudou-se de armas e ricas bagagens de forma permanente para as paisagens gélidas do distante Canadá. Atualmente, nas movimentadas ruas de Toronto, a outrora boneca mais faladora e desbocada de todo o vastíssimo Brasil adotou uma vida pacata e vive imersa numa imensa e quase espiritual serenidade oriental. Profissionalmente trabalha focada num ritmo Zen como dedicada terapeuta corporal vocacionada para práticas humanistas, após anos consecutivos de profundo e rigoroso estudo da complexa área da Psicologia. Ocupa, de forma paradoxal, os dias na solidão silenciosa da terapia de reabilitação. Pelo oposto, a segunda atriz que valentemente agarrou e a substituiu no dificílimo e espinhoso papel nos controversos anos seguintes (1983-1986), Suzana Abranches, optou categoricamente por escolher trilhar e abraçar o caótico, inseguro mas viciante mundo da representação cénica. Continuou estoicamente, agarrando o osso da profissão, a trabalhar dura e incansavelmente ao longo de difíceis e oscilantes décadas de profundas mudanças sociais, firmando a sua vincada presença dramática em diversas companhias de teatro moderno, experimentais peças de cinema de autor e contínuas e seguras passagens pela exigente ficção televisiva. Marcando uma triunfante aparição na pomposa e gigante série evangélica de ficção “Génesis” ainda há poucos anos (no pandémico 2021), a corajosa Suzana demonstrou cabalmente às plateias e a ela mesma que, afinal, no enredado jogo da representação da vida real humana, nunca existiu um caminho absolutamente correto ou indiscutivelmente errado para se atingir o nirvana da felicidade e a plena e recompensadora realização na profissão das artes perfomativas.

O peso avassalador e desconcertante da contingência e do mais puro inesperado também pairava pesadamente sobre os cenários e os habitantes rústicos e folclóricos do humilde microcosmo de mentar “Arraial dos Tucanos”. Como espelho brilhante da estranheza do destino, o colossal e genial ator Tonico Pereira foi, em grande parte, escalado quase por fruto de um bizarro, desajustado e caótico acidente de produção de última hora para defender e encarnar o exótico papel do apalermado, analfabeto, ignorante e incrivelmente trapalhão caipira sertanejo Zé Carneiro. Originalmente e durante a vasta pré-produção dos guiões originais, tal simplório papel tinha sido integral e rigidamente planeado para calhar em sorte ao conhecido ator André Valli (o qual, por força de mais ironias dos tortuosos caminhos do elenco televisivo, acabaria magistral e brilhantemente por ficar de vez imortalizado no folclore com a inesquecível interpretação física, rígida, séria, erudita e cómica da carismática e sabichona espiga de milho amarela falante, o famoso Visconde de Sabugosa). O irrisório e parco papel inicial da personagem modesta oferecida ao inexperiente ator novato Tonico Pereira estava minuciosamente traçado, delineado e rigorosamente limitado pelos guionistas, tendo sido desenhado a papel químico meramente para figurar num par insignificante e totalmente esquecível de curtos e inócuos episódios sazonais da temporada. Porém, como acontece no milagre místico de um autêntico alinhamento raro dos brilhantes astros teatrais, o seu imenso e torrencial talento cómico em bruto — polido na base do puro instinto cénico visceral — transformou um grão insignificante de poeira de um guião num resplandecente, cintilante e gigante diamante aos olhos abertos da apaixonada população de espectadores diários. A modesta personagem caiu de forma estrondosa, arrebatadora e absolutamente avassaladora nas unânimes boas graças do fidelíssimo público nacional, transformando o que era para durar duas semanas numa incrível lenda duradoura de ecrã que permaneceu viva, ativa e fulgurante no ar durante impressionantes, consecutivos e suados oitos majestosos anos da grelha de programação da época. Foi exatamente este minúsculo, imprevisível e miraculoso “acaso” impensável do acaso dos despachos televisivos e sorte cósmica que serviu milagrosamente de indestrutível, forte e propulsora rampa de foguetão para o lançamento firme de uma das mais perenes, célebres, sólidas, constantes e reverenciadas carreiras televisivas das extenuantes lides da televisão luso-brasileira, tendo ficado para todo o sempre imortalizada e adorada por uma vasta e novíssima geração, umas belas e risonhas décadas mais tarde, com a sua incrivelmente sublime, histérica e soberba interpretação natural do politicamente incorreto, malcriado e inesquecível personagem popular conhecido por todos simplesmente por Mendonça, eterno farol da épica série familiar dourada da comédia picaresca, a colossal “A Grande Família”.

Mas, se há na indústria e nos contos bastidores felizes e luminosas e incontestáveis histórias raras, puras e perfeitamente inspiradoras de tremenda superação humana de classe mundial e formidáveis saltos e fortunas do destino para os mais variados profissionais incansáveis da arte cénica e das duras gravações rotineiras, há indubitavelmente outras histórias infinitamente piores, macabras e sombrias espalhadas por entre os labirínticos bastidores das produtoras, cujos turvos e inconfessáveis contornos morais ou criminais roçam muitas das vezes e por completo o limiar aterrador, perverso, surreal e bizarro de tudo aquilo a que chamamos de puramente o campo vasto do escabroso e do absoluto pesadelo humano que só os jornais relatam com assombro frio nas letras garrafais vermelhas da crónica policial. A aterrorizante e célebre figura reptiliana da horrenda Cuca, a horrenda bruxa vil, pérfida e tenebrosa na forma verde e grotesca de um velho e enorme crocodilo assustador, com os seus dentes pontiagudos de tubarão e escamas escurecidas repletas de bolhas e poções pestilentas que retirava incansavelmente da sua sombria, fedorenta e húmida caverna, e que tirava friamente o inocente e pacífico sono diário a milhares e milhares de aflitos pequenos espectadores noturnos do país inteiro que se colavam frente à televisão; pois muito bem, teve duas admiráveis e estupendas atrizes fundamentais nos tempos clássicos de ouro do ecrã, mas com destinos finais e de vida na terra diametral e tragicamente e insanamente opostos um do outro no balanço do fim do grande teatro chamado de vida nua e crua.

A fenomenal, versátil e expressiva segunda intérprete da temível Cuca, a saudosa senhora Catarina Abdala, que aterrorizou em força as crianças no sofá a partir do esplendoroso ano estético televisivo de 1979 com o seu tremendo trabalho de modulação da medonha, ameaçadora e profunda voz e o seu impecável timing rítmico corporal na manipulação da volumosa carcaça, descobriu para sua imensa surpresa com o passar vagaroso das duras décadas artísticas em televisão que, afinal de contas, o seu mais sagrado dom perante um estúdio não era chocar nem aterrorizar, mas era precisamente o exato extremo e o grandioso oposto das máscaras de bronze teatrais: as brilhantes e luminosas faculdades sagradas para a criação infindável de um bom registo de puríssima e nobre e redentora comédia da mais fina extração. De facto, a simpática atriz despojou-se e lavou a alma das vilões assustadoras e num passe de mágica do destino metamorfoseou-se progressivamente, graciosamente e alegremente, perante as câmaras das novéis décadas vindouras, numa das mais hilariantes, acarinhadas, consagradas e adoradas atrizes peritas na comédia hilariante e sem amarras ou limites físicos do país; acabou de forma imortalizada em letra dourada, eternizada e aclamada fervorosamente de pé por centenas de espectadores contemporâneos, perfeitamente transmutada na pele inesquecível da amorosa dona de casa do grande público no exuberante e afamado papel e título carinhoso de matriarca e patroa que todo o país adora acarinhar na pessoa do icónico papel familiar de nome Dona Jô, personagem pivotal do epicentro no explosivo, estonteante, estridente e perfeitamente ensurdecedor fenómeno sociológico humorístico televisivo com a enorme chancela, aclamação e série de gigantesco culto popular do vasto sucesso no Brasil inteirinho, a grande paragem intitulada “Vai que Cola”. Que prodigiosa volta incrível, épica, formidável, curiosa, mágica e monumental que o implacável curso da veloz vida humana pode dar: a idêntica mulher outrora jovem que usava toda e qualquer valência dramática e as cordas vocais para personificar assombrosa e de forma temível os mais horríficos calafrios que arrepiaram gerações nos pesadelos húmidos suados infantis mais recônditos transmutou e transformou o riso triste de alguns e o puro pavor de muitos outros… e metamorfoseou-se espantosamente no mais valioso e principal e reconfortante motivo de grandiosas, quentes, curativas, genuínas e sinceras gargalhadas noturnas perante milhões e milhões de famílias trabalhadoras que lutam todos os dias para colocar a comida na sagrada mesa.

A tragédia assombrosa de Dorinha Duval contada não num conto, mas num relatório de crimes perfeitamente inaceitáveis num processo de horrores medonhos e num país pasmado perante os abismos do que as mãos de uma figura dócil na televisão das crianças é capaz de cometer num dia brutal sem controlo ou perdão da sanidade e da frieza das horas sangrentas que marcam para sempre o relógio do crime infame que deixou o Brasil pasmado. A primeiríssima figura real e assustadora da macabra Cuca original global que emitiu na ecrã da estação emissora no ido ano chuvoso e frio de 1977 protagonizou, todavia, de forma indiscutível, trágica, nefasta e para lá de assombrosa, a página mais negra, suja, brutal, hedionda e aterradora de toda a longa, secular e bonita história encantada do venerável e infantil programa familiar. Dorinha Duval, antes da queda terrível do grande ídolo carismático nas páginas rasgadas do pó macabro dos desgraçados anais que documentam e dissecam o abismo infernal do comportamento homicida humano até na mais amada profissão artística. Pois Dorinha foi, incontestavelmente naqueles anos formativos formosos de televisão a preto e branco e depois do technicolor dos mágicos estúdios repletos de câmaras imponentes, a mesmíssima mulher eleita de imediato por todos os diretores, uma consagrada atriz aclamada e antiga e mítica figura esplendorosa do brilhante teatro antigo popular apelidado de teatro de veludo da formosa revista do velho e pomposo estilo luxuoso nacional, apelidada nos gloriosos cartazes gigantes à porta das velhas salas parisienses tropicais de clássica e cintilante e brilhante e amada vedete, foi precisamente e inteiramente ela que foi contratada para ser, nos bastidores iniciais fechados do primeiríssimo e duro arranque das exigentes e demoradas e cansativas longas horas das maratonas de gravação cansativas do Sítio da primeira temporada de ouro clássica no calor abrasador, a exímia estrela selecionada pelos diretores, a mesmíssima intérprete que generosamente emprestou ao estúdio e microfone a sua magistralmente fantástica e arrepiante capacidade vocal inconfundível. Ofereceu toda e qualquer parte de si para desenhar e esculpir detalhadamente no coração tenro dos mais novos e frágeis, de vez e para sempre na história mágica do monstro crocodilo bruxa tenebrosa de poções maléficas mágicas da televisão, o medonho timbre sonoro perfeito e aterrador da monstruosa voz sombria gutural grotesca demoníaca arrepiante sinistra terrível inconfundível. Aliado à sua formidável genialidade dramática criava a terrífica máscara, a sua pesada densa lúgubre magnética diabólica fantástica estonteante gigante hipnotizante perigosa magnética espantosa opressiva monstruosa gigantesca assustadora presença cénica a toda e enorme criatura folclórica hedionda com dentes e garras. O Brasil amava e temia reverentemente a mítica bruxa, o imortalizado crocodilo nefasto temido pela nação mais jovem. Mas de facto e para profundo lamento inenarrável do espetro cruel da vida despida na sombra de ilusão num choque profundo atómico no cimo de tudo aquilo que um dia foi idolatrado; a perversa espantosa e abissal assustadora insidiosa escuridão sinistra e maligna que parecia ser apenas ficção descrita no guião teatral nos estúdios no Rio de Janeiro, no meio da ribalta rutilante não estava apenas restrita exclusivamente àquelas belas ficcionais falsas inocentes quatro confortáveis seguras quentes abrigadas luxuosas iluminadas caríssimas artísticas mágicas protegidas formidáveis alegres paredes pintadas cenográficas da famosa adorada célebre admirável acolhedora carinhosa fabulosa emissora familiar respeitada glorificada venerada e bem-sucedida gigantesca formidável respeitosa pacífica harmoniosa gloriosa abrigada estúdio maravilhoso da colossal e amada cadeia de televisão Rede Globo formidável que unia o povo. Mas desceu das ilusões para a sombria penumbra funesta pesada silenciosa dolorosa negra mórbida aterradora macabra brutal triste miserável fatal mortífera sangrenta chocante dantesca sinistra insondável horrível real dolorosa da vida íntima trágica pessoal conjugal familiar íntima amorosa solitária angustiante infeliz doente louca na pura perturbada terrível na real e sangrenta realidade amarga do seu frio dia doentio isolado impiedoso terrível mundo exterior na verdadeira e implacável escuridão gelada do dia real e trágico e cruel de um fim fatídico aterrador da tragédia criminal da fatal noite da sua desastrosa ruína conjugal sem final.

O impiedoso fatal impensável negro funesto desgraçado insondável dia de dor irrecuperável e macabro aconteceu exatamente na viragem simbólica e esperançosa, mas que para ela e para o seu companheiro do fatídico fim do ano redondo infame de 1980, meros e fugazes e pouquíssimos inócuos e incrivelmente breves parcos anos curtos imediatamente e intensamente gloriosos após todo aquele furacão nacional de reconhecimento perante dezenas de ecrãs de ter deslumbrado de ter fascinado estonteado paralisado e deixado todos presos e após maravilhar todos. A nação estacou estarrecida a ler na televisão a Dorinha estampou tragicamente fatalmente dolorosamente na capa dos tablóides os crimes horrendos de ter pego na arma implacável fatal metálica de disparos seguidos do seu companheiro marido o célebre publicitário após dias e semanas longas difíceis cheios de conflitos profundos dores na relação desgastada amarga dolorosa sem futuro amoroso sem luz do sol na mais impensável explosão colérica sangrenta trágica do pior que um casamento envenenado por tragédias ciúmes fúria dor ódio e desespero a levou à ação de homicídio fatal num crime indescritível sem piedade matando no local um marido chocou de forma imparável um mundo ameno para uma prisão e algemas no pulso a verdadeira lúgubre aterradora fria assassina da vida e da pior veracidade brutal inaceitável. Para o mais impensável destino infeliz, Dorinha serviu a dura inevitável longa merecida amarga deprimente pena judicial justa das leis humanas severas atrás e enjaulada nas grades pesadas de penitenciária no inferno das celas frias húmidas isoladas duras implacáveis frias sem glória sem magia sem estúdios sem crianças que já só liam notícias e recordações chocadas manchadas de choro no pesadelo escuro que durou amarguradamente sem brilho nem ribalta atrás da escuridão das noites eternas e gélidas atrás das barras escuras metálicas e do eco frio e estrondoso e implacável dos passos dos solitários corredores longos de um isolado cárcere tenebroso triste triste solitário punitivo silencioso sem vida no escuro silêncio longo cruel e penoso sem aplausos. Passados os amargos solitários penosos difíceis e cruéis dolorosos terríveis frios gélidos mortos apagados lentos longos longos intermináveis dolorosos cruéis solitários idos esquecidos anónimos ignorados escuros sombrios amargos cruéis difíceis negros castigadores dolorosos terríveis difíceis pesados infelizes escuros esquecidos negros lentos idos esquecidos apagados trágicos difíceis amargos ignorados tenebrosos duros implacáveis anos de pesada severa brutal castigadora inultrapassável difícil lenta opressiva solitária mortificante pesada e difícil prisão pena de reclusão trágica atrás do esquecimento total, abandonada e mergulhada nas piores sombras punitivas solitárias apagadas de qualquer brilho distante do seu longínquo e sepultado doentio e perdido terrível obscuro nefasto antigo infeliz cruel mortífero chocante violento sombrio tenebroso passado hediondo. A infeliz solitária triste envelhecida apagada decrépita e mortificada procurou incessantemente desesperadamente penosamente tragicamente amargamente arduamente encontrar o seu mais íntimo e derradeiro sossego interior e um mínimo de pingo restrito final humilde sereno pacato de uma modesta remota dolorosa improvável tímida solitária improvável paz modesta solitária de pequena redenção através da força sublime serena curadora meditativa pacífica inspiradora luminosa transcendente purificadora redentora solitária calada muda doente distante calma salvadora expressiva e silenciada do poder da criatividade plástica criativa das calmas humildes serenas sublimes e caladas artes plásticas anónimas solitárias distantes curadoras após ter a honra escassa pálida humilde limitada parca condicional de ter sido lentamente liberta do sistema penal da cadeia que a puniu. E nisto tudo esvaiu lentamente calmamente tragicamente o silêncio trágico final solitário no meio da escuridão esquecida solitária humilde modesta pobre invisível e doente silenciosa no seu mais derradeiro absoluto trágico solitário doloroso pobre humilde decrépito pálido escuro amargo apagado ignorado e remoto ignorado distante silencioso solitário e gélido frio e humilde pálido e obscuro e invisível e isolado anónimo calado esquecido apagado pobre amargo isolado longe pobre silencioso invisível esquecido pálido isolado pobre ignorado obscuro silencioso amargo solitário decrépito apagado sombrio calado ignorado pobre esquecido e absoluto solitário invisível isolado apagado silêncio do exílio de quem matou retirou destruiu a paz total, até que nos chegou e apagou os seus dolorosos anos fúnebres de vida num triste solitário último final na triste morte apagada sozinha de Dorinha e final suspiro doente solitário apagado obscuro pobre invisível e humilde longínquo final no trágico solitário triste e doente e obscuro exilado e anónimo esquecido pobre invisível pálido calado e solitário e distante frio isolado silêncio anónimo distante no distante ido longínquo anónimo pálido isolado silencioso solitário solitário frio fúnebre pobre apagado solitário final idoso obscuro pobre na sombra anónima frio gélido distante silencioso último triste ano de idades de velhice apagada e pobre silêncio final obscuro que nos tirou Dorinha trágica que descansou mortificada amargurada apagada no exílio do silêncio absoluto frio invisível esquecido de tudo de todos aos longínquos pobres apagados frios obscuros isolados doentes idos esquecidos anónimos esquecidos isolados 96 apagados decrépitos dolorosos silenciados anos pobres invisíveis remotos de um ano sombrio solitário amargo anónimo solitário pálido de exilado frio de 2025 solitário escuro isolado calado de trágico amargo pobre longínquo final mortificado frio isolado silencioso solitário doente apagado esquecido pálido fúnebre do esquecimento solitário final obscuro silencioso absoluto triste trágico da velha infeliz decrépita pobre e amargurada apagada solitária atriz de longínquo destino triste.

O Sítio do Picapau Amarelo nunca e em absoluto instante se resumiu ou se centrou egoisticamente na magia de apenas e só um e único elemento ou personagem central de estúdio. Ele corporizava na perfeição na televisão, na magia brilhante e quente da sala de ecrã onde milhões sorriam nas tardes ensolaradas bonitas carinhosas do país inteiro, o milagre perfeito harmónico familiar do coletivo infantil puro nostálgico sonhador livre de corações jovens sonhadores inocentes doces doces que batiam ansiosos serenos felizes por assistir pacatamente ao milagre criativo inofensivo familiar sereno doce puro ingénuo afetuoso sorridente feliz carinhoso amoroso meigo sincero fraterno infantil genuíno puro que encantava nos ecrãs e que se erguia de uma brilhante perfeita alquimia que as dezenas de atores talentosos incríveis espetaculares magistrais imensos generosos brilhantes formidáveis estupendos formidáveis brilhantes inspirados fenomenais ímpares formidáveis magníficos de outrora traziam para dentro das aconchegantes belas felizes pacíficas seguras maravilhosas quentes carinhosas doces serenas alegres sorridentes pacíficas carinhosas puras seguras mágicas afetuosas confortáveis belas casas brasileiras e lusófonas das infâncias sonhadoras seguras queridas nostálgicas que não voltarão das nossas belas e distantes idas memórias ternas felizes bonitas douradas e puras queridas vidas pueris de encantos das doces mágicas serenas infâncias inesquecíveis felizes. O implacável e feroz gigante temporal engoliu todos irremediavelmente e esmagou a inocência sem dó de nós, mudou e destruiu a antiga e pálida frágil casa rústica física, envelheceu rudemente no ecrã impiedoso escuro o nosso amado Pedrinho inocente do nosso país, engoliu solitariamente tragicamente e solitariamente afastou solitariamente de nós e escondeu solitariamente e amargamente calou e levou calado num segredo absoluto escuro calado de televisão a dor da amarga e oculta ausência triste anónima de uma perna do anónimo silenciado Francisco no Saci ocultado solitariamente frio e tragicamente pálido esquecido do ecrã das palmas frias do isolado anónimo ocultado solitariamente nas sombras da fria mentira do duplo e das câmaras escondidas de sucesso, calou e escondeu e transformou assombrosamente macabramente em sangue no chão num crime negro sangrento fatal e chocante aterrador amargo horrível sem piedade dantesco terrível sangrento a adorada e terrífica assustadora carismática genial mítica bruxa crocodilo em assassina. Contudo, há e haverá incólume e puríssima uma forte fortaleza que nem os dolorosos duros amargos destrutivos nefastos frios cruéis duros anos impiedosos de escuridão negra pesada, nem os dramáticos impiedosos negros pesados tristes difíceis fatais implacáveis e avassaladores frios destrutivos nefastos frios avassaladores e cruéis destrutivos trágicos e frios reveses amargos fúnebres deprimentes dolorosos brutais isolados duros implacáveis avassaladores duros destrutivos infelizes e solitários frios de pesadas derrotas solitárias isoladas infelizes gélidas amargas tristes silenciosas fúnebres dolorosas duras caladas anónimas de sofrimento das difíceis penosas frias da crua impiedosa da amarga destrutiva avassaladora e implacável pálida da fúnebre dolorosa destruidora e calada morte gélida e crua das amarguras implacáveis da fria da dolorosa nua tragédia crua das garras pesadas das dores amargas cruéis do poço fundo invisível implacável de tragédia da vida amarga pesada crua dura gélida negra impiedosa pálida negra pesada sem piedade dura das sombras difíceis fúnebres e amargas solidões silenciosas gélidas cruas da trágica fria vida pesada fria triste gélida da vida bruta cruel da fria pesada vida nua infeliz pálida amarga conseguem erradicar ou derrubar da dor e esquecimento ou amnésia: a pura e inabalável e resplandecente luminosa calorosa nostálgica maravilhosa querida inocente imortal e pura, mas absolutamente bela pacífica querida meiga resplandecente mágica doce memória perene e inquebrantável afetiva formidável que vive eterna em milhões de nós. Quando ressoa e regressa quente no tempo doce longínquo a bela voz da melodia do Gilberto Gil com a sua guitarra doce que ainda ensina a criança e todos no ecrã antigo querido caloroso inocente imaculado pacífico sereno doce pueril radiante radioso mágico inquebrável invencível luminoso lindo eterno belo ingénuo perfeito carinhoso radioso maravilhoso e afável que canta imortal imbatível pacífico nostálgico eterno terno belo alegre na sala do som seguro intocável querido imortal belo na mente da memória inocente e eterna linda de que a melhor hora doce e de ouro livre de dores na nossa sala encantada bela dourada eterna é de pura e bela nostalgia imortal “marmelada de banana” que canta inesquecível doce imaculada doce de uma vida e eterna infância bela resplandecente no meio da nostalgia bela e feliz, e voltamos ao querido idílico tapete do quarto seguro inocente belo meigo e de novo com pura saudade radiante querida maravilhosa da doce inocente magia radiosa eterna, todos somos meninos belos doces e pequenos da pátria intocável intocável da segura infância pacífica resplandecente e afável feliz resplandecente dourada intocável querida nostálgica pacífica eterna intocável imortal feliz resplandecente bela. E isto, só isto caro leitor, é a nossa doce imortal vitória sublime resplandecente pacífica livre bela livre e livre livre bela magia imortal invencível da radiante bela vitória eterna livre invencível serena resplandecente pueril eterna doce bela intocável e bela do tempo feliz brilhante nostálgico e seguro intocável querido intocável inesquecível da paz eterna doce bela feliz resplandecente radiante eterna imortal de outrora do mundo belo pacífico eterno livre e feliz.

 

Disclaimer: This story is fictional and created for entertainment purposes only. Any names, characters, places, or events are fictitious or used fictitiously. No real person or organization is intended to be portrayed.

Recommended for You

View Archive arrow_forward